sexta-feira, 14 de julho de 2023

ENTREGARMO-NOS À VONTADE DE DEUS

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Entregarmo-nos à vontade de Deus é confiar no amor, é viver na esperança de que n’Ele tudo é vida, mesmo na morte que por Ele foi vencida.

Entregarmo-nos à vontade de Deus é ser um pouco santo, porque é vencermo-nos a nós próprios, para sermos verdadeiramente à «Sua imagem e semelhança».

Entregarmo-nos à vontade de Deus é sermos mais para os outros do que para nós próprios, é sermos caridade como testemunhos Seus.

Entregarmo-nos à vontade Deus é dizermos ao mundo em que vivemos que o preservamos porque obra de Deus, mas que obedecemos a Deus e não ao mundo, porque só Deus ama sem limites.

Entregarmo-nos à vontade Deus é deixarmo-nos conduzir pelo Espírito Santo e, em oração, dizer em cada momento, estou aqui, Senhor, serve-Te de mim.

Entregarmo-nos à vontade Deus é espantarmo-nos todos os dias com a beleza da Sua criação, descobrir em cada flor a alegria da cor, ver em cada animal a multiplicidade da vida.

Entregarmo-nos à vontade Deus é admirar-nos com a grandeza de Deus em cada cume de montanha, na imensidade do mar, no ribombar do trovão, na força do vento impetuoso, na força do rio caudaloso, que nos inunda o coração.

Entregarmo-nos à vontade Deus é ser o mais pequenino de entre os pequeninos, é ser criança ao colo, é ser aprendiz do amor, é ser testemunha de bondade, é ser abraço acolhedor.

Entregarmo-nos à vontade Deus é sorrir sem medida, abraçar com força desmedida, cantar em cada dia de Deus a Sua alegria.

Entregarmo-nos à vontade Deus é sermos nada sendo tudo, porque no nada que somos, Deus se faz tudo para todos.






Marinha Grande, 14 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 13 de julho de 2023

CANSAÇO!

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Abate-se em mim um cansaço inexplicável.

Esta doença, sem cara, meio benigna ou meio maligna, afinal, (ou como se queira ver o copo meio cheio ou meio vazio), provoca esta situação sem nenhum sentido.

A gente não percebe sequer porque está cansado, mas a verdade é que os braços, as pernas, todo o corpo, parecem pesar toneladas, o esforço para se mover leva quase à exaustão e nós sem percebermos porquê.

E depois penso naqueles que têm outras doenças cheias de dores, que têm às vezes até o “horizonte” marcado, e apenas posso dar graças a Deus por “apenas” ter esta “coisa”, que não se vê, mas se sente.

Assim aproveito o momento menos bom e dou graças a Deus por estar comigo em cada momento.

Aproveito, e atrevo-me até a rezar como Jesus:
«Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.» Mt 26, 39

Mas depois penso na pobreza da minha minúscula doença perante a grandeza da entrega da vida de Jesus Cristo, meu Senhor e meu Deus, e apenas posso pedir perdão pela comparação que ousei fazer.

Mas novamente aproveito o momento e digo com aquela que quero que seja a minha mais sincera humildade:
Aceita, Pai, por Jesus Cristo, guiado pelo Espírito Santo, este pouco da minha vida que Te quero oferecer por todos os que sofrem, sobretudo aqueles que não abrem os seus corações a Ti e assim não podem receber de ti o amor que faz o «Teu jugo suave e o Teu fardo leve». Mt 11, 30

E então ganho asas, levanto-me, abro os braços, dou graças e clamo bem alto:
Obrigado, meu Deus, porque Te fazes presente na minha vida!!!





Marinha Grande, 13 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 7 de julho de 2023

O PÃO DE CADA DIA

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Às vezes apetece-me sentar no banco da vida e desistir de me incomodar com certas coisas que me vão acontecendo, ou melhor, que deviam acontecer e não acontecem.

Seria tão mais fácil deixar andar sem nada resolver e deixar que o tempo resolvesse aquilo que eu não consigo ou que aqueles amigos a quem peço ajuda também não resolvem.

E depois tento sempre dissociar a amizade que lhes tenho e, acredito, eles me têm a mim, de todos os assuntos por resolver.

Sinto-me até às vezes culpado por os incomodar com as minhas coisas, mas a verdade é que eu estou sempre disponível para ajudar, quando para tal sou solicitado.

Ah, mas eu prezo muito mais a amizade do que os assuntos por resolver, porque esses, mais tarde ou mais cedo resolvem-se ou não, mas a amizade é coisa diária, é fruto do coração, é vida permanente que não se apaga, nem deixa extinguir.

E assim vou sublimando em mim a irritação muito humana, para deixar que o amor, (muito mais humano porque impregnado do divino), tome conta de mim e me vá fazendo rezar pelos meus amigos todos, para que encontrem, no mínimo, o mesmo amor de Deus que eu encontrei.

E resulta! Oh se resulta!

Parece então que O ouço dizer-me ao ouvido ou será ao coração:
Mas Eu alguma vez te faltei? Não sabes que te amo com amor eterno? A Mim nunca precisas de perguntar três vezes se Eu te amo, porque a resposta está sempre bem dentro de ti, na certeza que tens do Meu amor.

Levanto-me então do tal banco da vida, (quase como um banco de cobrador de impostos), deixo os assuntos nas mãos d’Ele, e sigo-O cheio de confiança, revestido de esperança, todo envolto em amor.

E Ele toma-me pela mão, diz-me que já se faz tarde, já anoitece, e então eu peço-Lhe humildemente que fique connosco, que fique comigo, e que eu sempre O reconheça ao “partir do pão” de cada dia.





Monte Real, 7 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 5 de julho de 2023

SOU TEU!

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Ver-Te na brilhante luz do Sol,
na suavidade do luar,
no vento que tudo move,
na montanha que se eleva,
na imensidão do mar,
na onda que não acaba,
nos infinitos grãos de areia da praia,
na beleza de uma flor,
num beijo,
num abraço,
num terno encontro de amor.

Ver-Te no respirar,
no coração a bater,
no sangue sempre a fluir,
no coração,
na mente,
num suspiro de viver,
num desejo de partir,
sabendo um dia chegar,
vendo-Te sem nunca Te ver.

Voar por cima das nuvens,
correr sem nunca parar,
procurar-Te em cada momento,
deixar-me levar pelo Teu Vento,
que me faz acreditar,
que sempre que me entregar,
sempre Te hei-de encontrar.

Ou então,
quedar-me quieto em silêncio,
fechar os olhos,
sonhar,
sentir o coração,
cheio de amor,
a pulsar,
abrir os braços em cruz
e exclamar:
Sou Teu,
aqui me tens,
meu Senhor,
doce Jesus!




Monte Real, 5 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 26 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O SENHOR 26

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«Não julgueis e não sereis julgados.» Mt 7, 1



- Pois, Senhor, mas é muito raro alguém ouvir-me a dizer mal ou a julgar o outro em público.
- Talvez seja um pouco verdade, meu filho, mas achas tu que só aquilo que sai da tua boca é que é julgamento e dizer mal dos outros?
E no teu pensamento?
E naquilo que interiormente pensas do outro, embora o possas não dizer de viva voz?
Não fazes tu um julgamento do outro?
Não “dizes” tu mal do outro para ti mesmo?

- É verdade, Senhor, realmente e afinal julgo e penso muitas vezes mal do outro no meu pensamento! Perdoa-me, Senhor!
- Sabes que quando o fazes assim nem sequer dás ao outro a possibilidade de responder ao teu julgamento, à tua maledicência em pensamento? Fica irremediavelmente manchado pelo teu pensamento.

- Reconheço, Senhor, que assim sou, que assim faço.
- Calcula tu que podias escutar os pensamentos dos outros em relação a ti? Não te revoltarias com a maior parte deles porque achavas para ti que não eram justos? Mas já percebeste que não lhes podias responder porque estavam apenas no pensamento dos outros?

- Mais uma vez, Senhor, perdoa-me e ajuda-me a não julgar nem dizer mal de ninguém, nem em público nem de viva voz. Purifica, Senhor, o meu pensamento e o meu falar.
- Sabes bem meu filho que tens sempre o meu perdão, por isso não te esqueças de confessar esses pecados da próxima vez que te abeirares da Confissão.
«Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» Jo 8, 11




Marinha Grande, 26 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 22 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O DIABO (17)

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Diz ele: Porque estás para aí preocupado com o que hás-de rezar?
Digo eu: Porque às vezes não sei o que dizer-Lhe, como hei-de estar com Ele.

Diz ele: E julgas que Ele se importa? Julgas que Ele tem necessidade das tuas orações?
Digo eu: Não é uma questão de Ele se importar ou não, nem sequer uma questão de Ele ter necessidade das minhas orações. Eu é que tenho necessidade d’Ele, eu é que necessito absolutamente de estar com Ele e Lhe dizer da vida que Ele me deu.

Diz ele: Então e julgas que Ele não sabe do que necessitas?
Digo eu: Eu sei muito bem que Ele sabe do que eu necessito, mas também sei que quando a Ele me dirijo agradecendo e pedindo, estou a reconhecer que Ele é Deus e tudo pode e que me ama com amor eterno.

Diz ele: Se Ele te amasse com esse amor eterno, não precisava que te dirigisses a Ele pois dava-te de imediato o que precisasses.
Digo eu: Lá estás tu a querer confundir-me. Já te disse que Ele não precisa de nada de mim, a não ser que faça a Sua vontade, mas até isso que Ele muito deseja que eu faça, é para minha salvação e nada acrescenta ao Seu amor por mim.

Diz ele: Mas porque é que tens de fazer a vontade d’Ele e não a tua? Então tu não sabes bem o que é melhor para ti?
Digo eu: Às vezes dás-me vontade de rir, embora tu não tenhas graça nenhuma. Claro que a vontade d’Ele é o melhor para mim, porque só Ele sabe do que necessito para ser feliz e viver no amor. A minha vontade é fraca, e muitas vezes até és tu que a queres comandar, por isso te incomoda que eu procure fazer a Sua vontade.

Diz ele: E julgas que tu me interessas para alguma coisa? Só falo contigo para ta ajudar a encontrares o teu caminho.
Digo eu: Dizes bem, que eu não te interesso para nada. Eu não te interesso, mas enquanto filho de Deus queres a minha perdição porque julgas que será uma vitória na tua luta contra o bem. Desengana-te porque Ele já te venceu e por isso mesmo O procuro para permanecendo n’Ele também eu vença as insidias com que me provocas.

Diz ele: És um chato! Não se pode falar contigo que estás sempre de “pé atrás”.
Digo eu: Não tenhas dúvidas de que assim estou sempre que te insinuas para falares comigo. Mas pensando bem até te agradeço esta conversa.

Diz ele: Agradeces-me???
Digo eu: Sim agradeço porque no início desta nossa conversa disseste que Ele não tem necessidade das minhas orações, e realmente não tem, por isso mesmo agora cala-te, porque eu quero estar com Ele em silêncio, porque é muitas vezes no silêncio que eu sinto o Seu amor e Ele “fala” comigo.



Monte Real, 22 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 19 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O SENHOR 25

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- Quem achas tu que és?
- Oh, Senhor, essa pergunta, perdoa-me, deveria ser respondida por Ti, pois Tu é que me conheces total e perfeitamente, como nem eu me conheço.

- Mas Eu não te perguntei quem és, mas sim quem achas tu que és?
- Oh, Senhor, quem acho eu que sou? Perante Ti apenas posso responder que sou um homem fraco e pecador que Te procura insistentemente para saber verdadeiramente quem sou.

- Mas que dizes tu de ti próprio?
- Digo que quando me confronto percebo que sou orgulhoso, vaidoso, muitas vezes convencido de ser melhor do que outros e que isso é, infelizmente, uma constante na minha vida.

- Não lutas tu contra tudo isso que agora me dizes?
- Sim, Senhor, Tu sabes bem, todos os dias, mas é tantas vezes uma luta que me parece não conseguir ganhar, embora tenha consciência de que, apesar de tudo, vou tendo pequenas vitórias.

- E travas essa luta sozinho?
- Eu julgo que não, Senhor, porque Te sei a meu lado, comigo, mas muitas vezes parece que me deixas, permitindo que eu caia, para depois me levantares e eu perceber que é em Ti e Contigo que estas lutas se travam.

- Então tu achas que só tens defeitos?
- Não, Senhor, verdadeiramente tenho de reconhecer, espero que humildemente, que também tenho qualidades, dons ou talentos, porque me vêm da Tua graça.

- E o que fazes com essas qualidades, com esses dons ou talentos que Eu te dou?
- Tento, Senhor, tento sempre colocá-los ao Teu serviço, servindo outros, mas infelizmente muitas vezes me ufano deles.

- Mas reconheces que não são teus, mas sim fruto da minha graça?
- Sim, Senhor, acredito, quero acreditar, que são Teus e apenas fruto da Tua graça.

- Achas então que não os mereces, ou melhor, que Eu não tos deveria conceder?
- Oh, Senhor, quem sou eu para saber o que mereço ou não e o que Tu deves conceder e a quem. Acredito que Tu não concedes essas graças por qualquer merecimento, que nunca teremos, mas por Tua livre vontade, que não conseguimos abarcar totalmente.

- Não fazes então nada para receber esses dons ou talentos que a minha graça te concede?
- Se alguma coisa faço, Senhor, é porque Tu me conduzes e ajudas a fazê-lo pelo Espírito Santo. Talvez, Senhor, eu esteja disponível, ou melhor, me entregue a Ti e assim podes actuar em mim e servires-te de mim para Te servir, servindo outros.

- E achas que isso é pouco? Achas que essa disponibilidade e entrega tentando fazer a minha vontade é pouco?
- Que sei eu, Senhor, pobre de mim da verdade das minhas razões? Só Tu, Senhor, sabes verdadeiramente da sinceridade dessa minha disponibilidade e entrega. Abandono-me, ou desejo abandonar-me a Ti e que seja verdade em mim também o Sim de Tua Mãe.

- Olha, meu filho, quem mede o teu orgulho, a tua vaidade, o teu convencimento, sou Eu e não tu, por isso descansa porque enquanto reconheceres essa luta dentro de ti, Eu estarei sempre aqui para te ajudar a lutar, e sempre te abençoarei com o meu perdão, cada vez que me procurares com arrependimento, confessando as tuas fraquezas.

Baixo os olhos e digo cheio de alegria serena, de confiança reforçada, de esperança concretizada:
- Obrigado, Senhor, porque me amas apesar de mim!



Monte Real, 19 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 15 de junho de 2023

CONVERSAS NO CAMINHAR II

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Provocação - O que é a Verdade?
Reflexão - Já me fiz essa pergunta muitas vezes e ao relembrar Jesus perante Pôncio Pilatos é claro que só posso responder que a Verdade é Jesus Cristo, é Deus.
Ele próprio nos disse: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida»

P - Mas se a Verdade é Jesus Cristo, é Deus, como podemos nós chegar ao conhecimento da Verdade?
R - Bem, parece-me que chegando ao conhecimento de Deus chegaremos ao conhecimento da Verdade.

P - Mas Deus, embora o possamos conhecer, nunca O conheceremos plenamente enquanto vivemos na terra, porque Deus é também Mistério, não é?
R - Realmente teríamos de considerar que se assim é nunca poderemos chegar, durante a nossa vida terrena, ao conhecimento da Verdade em toda a sua plenitude.

P - Mas que Verdade é esta de que falamos?
R - Bem, falamos da Verdade perfeita, ou seja, não falamos de uma verdade que apenas se poderia considerar a “não mentira”, o “não verdadeiro”, o “engano”, a “manipulação”, mas sim uma Verdade que transforma, que nos enche, que é justiça, que nos faz encontrar com Deus, com o nosso verdadeiro eu.

P - Mas uma Verdade assim vai para além da nossa compreensão. Quer dizer, de um modo geral em tudo o que fazemos, tudo o que dizemos, tudo o que pensamos, há sempre muita coisa que não é verdade, ou seja, que não é perfeita, que não é pura.
R - Sim, isso é verdade, mas não é a Verdade. O nosso conhecimento de Deus é imperfeito enquanto aqui vivemos, assim como o nosso conhecimento da Verdade, julgo eu, também será imperfeito.

P - Então para o conhecimento da Verdade temos também que considerar a Fé? Quer dizer, a certa altura o nosso caminho para a Verdade tem que ter a Razão iluminada pela Fé?
R - Talvez uma analogia com o amor nos possa fazer perceber melhor tudo o que estamos a falar.
Nós conhecemos o amor, mas não o conhecemos plenamente. Para conhecermos o amor pleno teremos, julgo eu, que estar na presença de Deus. Mas isso não impede que tentemos conhecer o amor, que tentemos viver o amor, que tentemos ser amor.

P - Mas nós temos tantos defeitos, tantas fraquezas, como poderemos nós almejar viver agora o amor plenamente?
R - Parece-me perceber nas palavras de Nicodemos quase uma resposta a isso.
«Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» Jo 3, 4
Se pudéssemos entrar novamente no ventre da nossa mãe e viver ali como vivemos então no tempo de gestação, nada haveria em nós que pudesse macular o amor, pois ainda nada tínhamos aprendido, ainda nada tínhamos analisado, ainda nada tínhamos “corrompido” com a nossa humanidade.
No entanto, até aí, até nesse momento eramos captivos do pecado original, pelo que o nosso amor estaria ferido na sua relação com Deus, e por isso o amor não seria perfeito, por isso a Verdade não era plena e total.

P - Mas então nesta vida nunca poderemos conhecer a Verdade como atrás dizíamos?
R - Julgo que não. Por isso Jesus Cristo responde a Nicodemos que «aquilo que nasce do Espírito é espírito.» Jo3, 6. Só no Espírito Santo podemos caminhar se queremos almejar conhecer a Verdade.
E disse ainda «Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz» Jo 3, 21 o que para mim, significa que quando procuramos Deus, quando praticamos a Sua Palavra, quando procuramos viver segundo a Sua vontade, aproximamo-nos de Deus, aproximamo-nos da Verdade, aproximamo-nos do Amor.

P - Mas tu queres conhecer a Verdade?
R - Com todas as minhas forças, com toda a minha alma, com todo o meu ser, porque a Verdade para mim é Deus, é o Amor e eu quero, pela graça de Deus, viver na Verdade, no Amor em Deus.

P - Mas na tua vida aqui não o conseguirás!
R - Pois não, mas tenho a confiança na promessa de Jesus Cristo «que todo o que nEle crê tem a vida eterna.» Jo 3, 15 e, por isso, posso já viver na Verdade, no Amor, em Deus, se procurar em tudo fazer e viver segundo a Sua vontade, porque assim, em mim, já está inscrita, pela graça de Deus, a vida eterna, que eu “já, mas ainda não”, vivo!

P - Então quando poderemos acreditar que conheceremos a Verdade plenamente?
R - Julgo perceber que tal só será possível perante Deus, na vida eterna plena. Só então pela graça de Deus, O conheceremos plenamente, (porque estaremos livres desta “tenda humana” que nos “aprisiona” na imperfeição), e então poderemos conhecer a Verdade e o Amor plenamente.





Marinha Grande, 15 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

domingo, 11 de junho de 2023

VER COM AMOR

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«Naquele tempo, Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus …»

Realmente percebemos a diferença entre o olhar, o acolher, o chamar de Jesus e o nosso modo de olhar os outros, até mesmo aqueles que nos são próximos.

Jesus viu um homem chamado Mateus, não viu um cobrador de impostos, um homem que trabalhava para o opressor daquele tempo.
Jesus quis ver quem era aquele homem Mateus, não quis ver o que era aquele homem, como ele se portava ou o que ele fazia.
Jesus quis amar e acolher aquele homem e assim poder, pelo amor, libertar aquele homem de tudo o que nele era errado.

Nós veríamos, em primeiro lugar, o tal odiado cobrador de impostos, o tal traidor que colaborava com o opressor, veríamos um pecador, sem cuidarmos de nos lembrarmos que também nós somos pecadores.
E por o vermos assim e assim tantas vezes vermos os outros nos seus defeitos, é que em vez de acolhermos e amarmos, ou melhor, de amarmos e acolhermos, é que não ajudamos ou somos ocasião para também os outros encontrarem o Jesus que amamos e queremos nas nossas vidas, porque só Ele nos dá a vida em abundância.

Mais à frente, na narração do Evangelho, e perante a forma como os fariseus vêem Mateus, (ou como nós vemos os outros, às vezes até mesmo em Igreja), Jesus diz-lhes que percebam bem o que quer dizer «prefiro a misericórdia ao sacrifício».

Realmente quantas vezes fazemos o que fazemos em Igreja por preceito apenas, e não o fazemos em primeiro lugar por amor a Deus e aos outros?

Interpretando literalmente a frase «prefiro a misericórdia ao sacrifício», pergunto-me o que me é mais difícil: Fazer um sacrifício de jejum, (que posso e devo fazer, sem dúvida), ou perdoar a quem me ofendeu?

Claro que uma não invalida a outra, mas de que vale o sacrifício se não faço a paz com o meu irmão, se não amo o meu irmão vivendo o mandamento de amor que Cristo nos deixou: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.»?

Uma coisa Te peço, Senhor, que me faças sempre ver no meu próximo, um irmão, que quero amar em vez de julgar.




Marinha Grande, 11 de Novembro de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: Texto suscitado pela homilia do Padre Patrício Oliveira, pároco da Marinha Grande, na Missa das onze horas deste Domingo.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

CORPO DE DEUS PÃO DE DEUS

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Que Pão é este
que vindo dos Céus
alimenta o homem
e o faz eternidade em Deus.

Não é Pão de um momento
nem de existência efémera
é Pão de divino alimento
que leva à vida eterna.

Este é um Pão consagrado,
no sacrifício da Cruz,
é um Pão que nos é dado
prometido por Jesus.

Não é um qualquer maná
que perece brevemente
é Pão que Deus nos dá
por amor tão simplesmente.

Este Pão mata a fome
afasta a tristeza e a dor
é um Pão que se consome
como puro e eterno amor.

Dá-nos sempre deste Pão
nosso Deus, nosso Senhor
para que em cada coração
viva sempre o Teu amor.




Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
Marinha Grande, 8 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 6 de junho de 2023

FAZER ANOS DEPOIS DOS SETENTA

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É curioso isto de ir fazendo anos a partir dos setenta, não digo de propósito envelhecendo, porque ficar velho é uma coisa e fazer anos é outra.

Podemos ir fazendo anos e, claro, as dores aparecem, as articulações não ajudam, uma série infindável de achaques fazem-se presentes, mas não temos que ficar velhos, isto é, não temos que ficar como aqueles que de quem se diz está um chato, está um velho!

O cérebro envelhece?
Não sei, não faço ideia, (tirando obviamente as doenças que o possam atacar), mas tenho para mim que continua a “trabalhar” perfeitamente e mais ainda, que nos guarda surpresas fantásticas.

É que faz-nos lembrar de coisas passadas a que não ligávamos nada, e agora são motivo para um sorriso que nos aparece na boca, para uma conversa, não só com os mais novos, mas também com os da nossa idade, conversas que a maior parte das vezes arrancam gargalhadas aos intervenientes e fazem as delícias dos mais novos que as ouvem.

Alguns desses mais novos até nos olham com aquele olhar de quem se espanta como o pai, o irmão, o amigo, fizeram aquelas coisas que estão a contar e, afinal, se divertiram tanto com coisas tão simples.

E quando avançamos para os acontecimentos mais arriscados, mas temerários, mais aventureiros, quase nos digladiamos amigavelmente a ver quem fez “pior”, mais arriscado, enquanto os mais novos ficam espantados com as loucuras que aquela gente de mais idade fez durante a vida.

Às vezes até ficamos todos orgulhosos quando os ouvimos contar aos amigos das suas idades, as aventuras do pai, do irmão ou do amigo!!!

E é curioso que não se cansam de ouvir repetidas essas histórias de um passado que não conheceram, e às vezes até são eles que no-las recordam, para que as repitamos, fazendo-o nós sempre com todo o gosto e acrescentando sempre um qualquer pormenor para dar mais sumo à história tantas vezes recontada.

A gente até pensa, às vezes, que devia escrever aquelas histórias, mas o que é verdade é que lidas perdem bastante do seu encanto e, claro, não lhes podemos acrescentar mais uma coisa ou outra que mesmo não sendo totalmente verdade, não são, com certeza, mentira e dão mais brilho à narrativa.

E o que é engraçado é que a gente só se vai lembrando destas coisas à medida que vamos fazendo anos, talvez assim a partir dos setenta, e por isso mesmo não vamos ficando mais velhos, vamos é acrescentado anos às histórias dos nossos anos!





Monte Real, 6 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 1 de junho de 2023

EM ADORAÇÃO

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Ajoelhas-te no chão duro, baixas a cabeça, despes-te de ti, fazes silêncio em ti e entregas-te ao Espírito Santo, insistindo ternamente que Ele venha, te ilumine e guie.

Docemente deixas-te envolver no momento, abres os teus olhos e fixas longamente a Hóstia Consagrada, deixando que o Espírito Santo te mostre o Cristo vivo que ali está.

Não sabes o que dizer, o que orar, mas ao teu coração vem a certeza de que Ele te está a ouvir e a abraçar.

Percebes então que as tuas palavras têm pouca importância, porque o que importa verdadeiramente é o teu coração aberto a Cristo, é o teu ser todo inteiro desejar ardentemente estar totalmente na Sua presença, como naquela Última Ceia.

Deixas-te levar pelo Espírito Santo e vais até ao Monte das Oliveiras onde adormeces enquanto Ele ora ao Pai.

Ouves a sua voz e levantas-te apressado, mas depressa te afastas porque O vês ser preso e tens medo.

À distância segue-lO e juntas-te a outros que ali estão também, enquanto o interrogam, a Ele que é inocente.

Quando os que te rodeiam te perguntam se O segues, negas, porque tens medo, mas o olhar de compaixão com que Ele te olha faz-te arrepender e chorar amargamente.

Vê-lO carregar a cruz, mas mais uma vez o medo tolhe-te e não te aproximas para O ajudar.

Crucificam-nO à tua frente e quando Ele baixa a cabeça e num murmúrio diz que tudo está consumado, percebes então, porque o Espírito Santo to mostra, que Ele morreu por ti, que Ele morreu por todos nós.

Um silêncio maior toma conta de ti e agora nem sequer ousas olhar para o Jesus Sacramentado e murmurando baixinho vais dizendo: Perdão, Senhor, perdão!

Mas o Espírito Santo vem mais uma vez em teu auxílio e levanta-te a cabeça para que vejas no Sacramento da Eucaristia o Cristo glorioso que se faz ali presente, abrindo os braços para ti, chamando-te pelo teu nome, e dizendo-te que te ama com amor eterno.

Então surge em ti um grito abafado que te enche por completo e apenas podes dizer, repetindo sem cessar:

Obrigado, Senhor, obrigado!
Glória a Ti por todo o sempre!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pelos séculos sem fim!

Levantas-te e partes entusiasmado, com essa vontade dentro de ti de testemunhar a todos a alegria, a paz e o amor que vivem em ti porque Ele te ama e te faz amor para os outros.




Monte Real, 30 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: Na terça feira recebi a comunicação do grupo dos Irmãos Nómadas a que pertenço, à distância, visto que reúnem todas as quarta feira em Lisboa.
Nesta quarta feira fizeram adoração ao Santíssimo e, quando recebi a comunicação na terça feira, escrevi este texto que lhes enviei, como participação/união minha em oração.

segunda-feira, 29 de maio de 2023

MARIA, MÃE DA IGREJA

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Mãe!

Não é um grito,
um chamamento,
uma súplica
ou um lamento.

Mãe!

Não é um tempo
ou uma ausência,
é um momento
em permanência.

Mãe!

Não é um ai
vindo da dor.
É uma beleza
uma certeza,
toda feita de amor.

Mãe!

É toda coração
é o amor que se deseja
que faz de cada um irmão
dos todos que somos Igreja!




Marinha Grande, 29 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 26 de maio de 2023

PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES II

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 PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (3)

«Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfémia contra o Espírito Santo» consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus. Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfémia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — em qualquer pecado — e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.»

Encíclica DOMINUM ET VIVIFICANTEM do Papa João Paulo II sobre o Espírito Santo (46)


Lemos nos Evangelhos como Jesus Cristo nos fala sobre o pecado contra o Espírito Santo e como esse pecado não tem perdão nem agora, nem sempre.

São João Paulo II explica-nos que pecado é esse nesta passagem da sua Encíclica Dominum et Vivicantem.

É o Espírito Santo que nos dá a consciência do pecado, o reconhecermos o pecado em nós, seja ele qual for do mais “pequeno” ao “maior”.

Mas também nos dá a consciência, mais do que a consciência a certeza na fé, de que o amor de Deus é sempre maior do que o nosso pecado, seja ele qual for, que o Seu perdão é constante perante o nosso arrependimento e propósito de emenda, confessando o nosso pecado.

Mas se recusamos esse amor, se recusamos esse perdão, como pode Deus actuar em nós, Ele que nos criou em inteira liberdade?

Deus nada faz contra a nossa vontade e se a nossa vontade é recusar o Espírito Santo, porque nos dá a consciência do nosso pecado, então fechamos a porta a Deus e Ele nada pode fazer, porque nunca viola a liberdade que nos deu.

A fé, que o Espírito Santo nos dá e faz crescer em nós, depende da nossa vontade de querer acreditar, mais do que querer, a vontade de nos abrirmos inteiramente a Deus para que o Espírito Santo faça a Sua obra em nós.

Se recusamos o Espírito Santo, recusamos também o Pai e o Filho, porque se rejeitamos Um rejeitamos a unidade perfeita que é Deus.

E se rejeitamos o Espírito Santo não temos a consciência do pecado e não tendo a consciência do pecado somos tomados pelo pecado e fechamo-nos nele até à nossa total perdição.

Por isso, agora e sempre, abramo-nos ao Espírito Santo derramado nos nossos corações, para que, guiados por Ele, reconhecendo-nos pecadores, acreditemos sempre que o amor de Deus e o Seu perdão, estão sempre ao nosso alcance, porque «Ele permanece fiel» (2 Tm 2, 13), mesmo na nossa infidelidade.

Vem Espírito Santo, leva-nos à consciência do sermos pecadores e enche-nos do teu amor, para que saibamos sempre reconhecer o nosso pecado, dele nos arrependermos, confessando-o, abrindo-nos ao perdão e à misericórdia de Deus.



Marinha Grande, 25 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (4)

Baixamos a cabeça, fechamos os olhos, abrimos os braços, levantamos as mãos para o céu e dentro de nós em surdina vamos repetindo:
Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo!

Não sabemos como pedir, como rezar, mas o nosso desejo de receber o Espírito Santo é imenso e Deus lê os nossos corações e sabe das nossas intenções.

Há uma melodia, um qualquer som que não entendemos, mas sai de nós, da nossa boca, quase inaudível, mas repousante, terno, amoroso, que se vai repetindo quase sem darmos conta.

Parece que os limites do local em que estamos se abrem de tal modo que já não são limites, mas apenas um estar, um ser, um pertencer, um receber para dar.

Chega-nos um cântico ao coração e, interiormente, apenas com a voz do amor, vamos cantando:

Vem agora Santo Espírito
vem e habita em todo o meu ser
leva-me ao silêncio
ensina-me a rezar
mostra-me a glória de Deus.*

Lentamente o peso do “nós” em nós vai desaparecendo, e no seu lugar um vazio doce preenchido de amor, vai tomando conta de nós.

Uma leve brisa na face, um calor puro no coração, um frémito que nos percorre, e vamos tomando consciência de que o Espírito Santo nos preenche.

Há uma alegria tranquila que não sabemos explicar, umas lágrimas de amor que rolam nas nossas faces, um sentir tão profundo e intenso de amor, que nos deixamos levar, e assim repousamos no Espírito Santo que se faz vida em nós.

Nem sequer conseguimos pedir nada, mas apenas louvar, dar glória, cantar as maravilhas de Deus, deixando-se encantar.

Queremos ficar naquele momento e não mais o deixar, mas o Espírito Santo sussurra-nos ao coração:

Agora abre os olhos, levanta a cabeça e vai!
Vai levar o amor que te dei aos outros!
Vai testemunhar o amor do Pai, do Filho, do Espírito Santo até onde Eu te levar!



*Cântico do Renovamento Carismático Católico


Marinha Grande, 26 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES I

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PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (1)

Tomar a consciência da presença do Espírito Santo em nós, é abrirmo-nos a Ele e deixar que Ele faça a Sua obra em nós.

Se assim fizermos as orações deixam de ser nossas para passarem a ser dEle, que ora em nós.

Mesmo quando não soubermos o que rezar ou como rezar, quando nos abrimos ao Espírito Santo, Ele reza em nós «como deve ser», por vezes com «gemidos inefáveis». (Rm 8, 26)

Só guiados pelo Espírito Santo o nosso testemunho é verdadeiro e, assim sendo, toca os outros que o vêem e sentem.

Só entregues ao Espírito Santo as nossas palavras são verdadeiras e testemunham Cristo em nós, porque o Espírito Santo «falará em nós». (Mt 10, 20)

Por isso devemos todos os dias rezar com o coração, com a boca, com todo o nosso ser:
Vem Espírito Santo, e faz a Tua obra em mim e em todos nós.



Marinha Grande, 23 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (2)

«Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor" a não ser pela acção do Espírito Santo» (1Cor 12, 3). «Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: "Abbá! Pai!'» (Gl 4, 6).
«Este conhecimento da fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contacto com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele que nos precede e suscita em nós a fé. Em virtude do nosso Baptismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo na Igreja.» 
Catecismo da Igreja Católica


É afinal tão claro o Catecismo sobre o Espírito Santo, que nos devemos perguntar porque existe ainda um tão grande desconhecimento, ou melhor, uma tão pequena consciência do Espírito Santo em nós, cristãos católicos?

Nesta preparação para o Pentecostes será muito mais importante tomarmos essa consciência do Espírito Santo em nós, do que as causas para que essa consciência não seja uma realidade diária em nós.
Percebermos que sem o Espírito Santo a fé não passa de uma “crendice”, porque é algo que sai apenas de nós e não de Deus.

Só Deus se pode revelar a Si próprio àqueles que O quiserem conhecer.

É o Pai que nos ama com amor eterno que nos dá o Filho, Jesus Cristo.
É Jesus Cristo, o Filho de Deus Vivo, que nos dá a plenitude da revelação de Deus e a Vida.
É o Espírito Santo que inspira as Sagradas Escrituras que nos levam à revelação de Deus, e é Ele mesmo que desperta em nós a fé que nos leva a acreditar e sobretudo a viver.

E, se o Espírito Santo desperta em nós a fé, então é o Espírito Santo que nos leva ao encontro pessoal com Jesus Cristo, a vivermos o amor do Pai e do Filho, a termos Vida em nós e Vida que permanece para sempre.

E essa Vida que nos é dada, tem de ser “alimentada” e, por isso mesmo, é o Espírito Santo em nós que nos leva a ser Igreja, que nos dá Cristo nos sacramentos, que nos leva à oração, que nos leva à missão.

E não há “separação”, porque onde está o Pai, está o Filho e o Espírito Santo, na unidade perfeita, a qual somos chamados a acreditar e a viver.

Sem a consciência do Espírito Santo em nós, poderemos afirmar que a nossa fé é morta, exactamente porque será “nossa” fé, e não o dom da Fé que Deus suscita em nós, pelo Espírito Santo.

Por tudo isso devemos pedir constantemente, todas as manhãs, durante o dia, ao adormecer, o Espírito Santo, para que, iluminados e conduzidos por Ele sejamos habitação permanente do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Vem Espírito Santo, enche os nossos corações, as nossas mentes, as nossas vidas, faz de nós habitação permanente do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Marinha Grande, 24 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 19 de maio de 2023

SÍMBOLOS DAS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE

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Passaram e estiveram ontem na nossa querida paróquia da Marinha Grande os símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude.
Foi um dia muito preenchido e vivido em que houve muita “pressa e alegria no ar”!

Não seriamos uma multidão, mas aqueles muitos que ali estavam, ali participaram, ali celebraram, “compensaram” em entusiasmo e alegria a falta dos que não puderam vir.

Senti a certa altura uma certa inveja de já não ser jovem, para poder entusiasmar-me com tudo o que ali se passava, prenunciando o que há-de vir em Agosto, mas logo senti no meu coração aquela “voz” que me perguntava se não estava eu verdadeiramente entusiasmado com tudo o que se passava e ainda há-de passar?

E, claro, que apenas podia responder a mim próprio que sim, que estava entusiasmado, que me sentia jovem na fé, (porque a fé é sempre “jovem”), e que aos olhos de Deus, eu e todos seremos sempre jovens que Ele toma ao colo para nos encher de amor.

Nunca pensei que a presença daqueles símbolos fosse tão «presença»!

Olhei para eles durante muito tempo e senti-me “transportado” em Igreja para o caminho de vida que Deus a todos propõe desde sempre e para sempre.

Tocou-me particularmente aquela grande cruz, “despida” de adornos, (não me refiro à presença da figura de Jesus Cristo que estava ali bem presente), que se “impunha” no centro da nossa igreja.

E, naquela grande cruz, para além de Jesus Cristo Nosso Senhor, com a Mãe a Seus pés, vi retratados os três Papas das Jornadas Mundiais da Juventude, com tudo aquilo que as suas vidas podem e devem ser para nós exemplo de vida.

Muito particularmente veio ao meu coração de cada um desses Papas um exemplo, uma lição, uma missão, para os jovens e para todos nós.

São João Paulo II mostra-nos a entrega total perante a adversidade, seja ela qual for, e nele muito especialmente a saúde.
Aceita a terrível doença e vive-a numa entrega total a Cristo pela Igreja, (que somos todos nós), em Igreja e com a Igreja, mostrando-nos que só, unindo-nos a Ele, somos vida e testemunho para os outros.

Bento XVI ensina-nos a humildade, reconhecendo a sua fragilidade e pela Igreja, em Igreja e com a Igreja retira-se, para também nos mostrar que em momento algum nos devemos agarrar a cargos ou posições “importantes”, mas que apenas e só devemos estar disponíveis para servir conforme a vontade Deus.

Francisco leva-nos a querer viver pela Igreja, em Igreja e com a Igreja, a procura permanente dos outros, o sermos realmente os próximos do outro, sobretudo daquele que mais necessita espiritualmente ou materialmente.

À noite, com o nosso Bispo D. José, celebrámos a Fé em Igreja e não nos despedimos dos símbolos, mas guardamo-los no coração, para que nos levem sempre a essa consciência de que só somos verdadeiramente discípulos de Cristo em Igreja, pela Igreja e com a Igreja.

Sempre para a maior glória de Deus!




Marinha Grande, 19 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 16 de maio de 2023

ESPÍRITO SANTO

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«As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas, ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem ele. De igual modo, a dialética mais convincente, sem ele, permanece impotente em relação ao espírito dos homens. E, ainda, os mais bem elaborados esquemas com base sociológica e psicológica, sem ele, em breve se demonstram desprovidos de valor.» Evangelii Nuntiandi §75

São Paulo VI na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi sobre a Evangelização, exorta-nos a percebermos a imprescindibilidade do Espírito Santo nessa mesma Evangelização.

Aproximamo-nos da Solenidade de Pentecostes e se é sempre tempo para falar ou perceber a acção do Espírito Santo, é, com certeza, este um tempo favorável para dEle tomarmos verdadeira consciência.

E a primeira constatação que faço, (e obviamente posso estar completamente enganado), é que nós cristãos católicos, na generalidade, temos um enorme desconhecimento de Quem é o Espírito Santo, da Sua Obra, da Sua acção na Igreja e em cada um dos fiéis baptizados.

Sim, com certeza, todos sabemos que é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que nos benzemos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e, infelizmente, muitas vezes, pouco mais vamos além disso, passe o exagero.

Até mesmo a Igreja, embora, obviamente, reze e fale do Espírito Santo, é muito “tímida” ao falar dEle e a insistir com os fiéis a necessidade imperiosa de pedirem continuamente o Espírito Santo e a Ele se abrirem e entregarem, porque só com Ele podem chegar ao encontro pessoal com Cristo, que transforma vidas, e podem perceber e sentir o amor do Pai que corre para nós abrindo os braços.

Tome-se, por exemplo, a Profissão de Fé feita no Baptismo e repare-se que na “fórmula” utilizada, embora o Pai e o Filho tenham perguntas especificas, o Espírito Santo é referido, digamos assim, na pergunta que envolve a Igreja e outras verdades da Fé.
Com certeza que há uma explicação teológica/litúrgica para tal, (que na minha ignorância não conheço), mas a verdade é que a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade não tem uma “pergunta” especifica, para uma resposta especifica.

Vejam-se também, por exemplo, os documentos papais ou do Magistério sobre o Espírito Santo e ficaremos admirados por encontrar tão pouco que a Ele se refira especificamente.
Correndo o risco de estar enganado diria que os únicos documentos papais existentes, especificamente sobre o Espírito Santo são, a Carta Encíclica Divinum Illud Munus, de Leão XIII, e a Carta Encíclica Dominum et Vivificantem, de João Paulo II.

E, no entanto, a Igreja nasceu pela acção do Espírito Santo no seguimento dos Apóstolos terem recebido o Espírito Santo no dia de Pentecostes.
Onde foi Pedro buscar as palavras que dirigiu à multidão que o ouviu?
Onde foram todos os Apóstolos com Paulo e todos os outros buscar a coragem e a sabedoria para proclamarem o Evangelho?

Ao lermos os Actos dos Apóstolos, não podemos deixar de perceber a presença constante e imprescindível do Espírito Santo.

«O Espírito Santo e nós próprios resolvemos…» Act 15, 28
Poderemos, verdadeiramente, hoje em Igreja afirmar isto mesmo?
Com certeza que acredito que a Igreja continua a ser conduzida pelo Espírito Santo, e que o Papa Francisco e o Magistério da Igreja têm disso consciência.

Mas têm os cristãos católicos essa consciência?
Têm os cristãos católicos a consciência de que só podem dizer «Jesus é o Senhor pela acção do Espírito Santo» 1 Cor 12, 3?
Têm os cristãos católicos a noção de que sem o Espírito Santo tudo se resume a preceito, obrigação e rotina?
Têm os cristãos católicos a noção de que só com o Espírito Santo podemos celebrar, participar verdadeiramente na Eucaristia, porque só Ele nos pode “fazer ver” Jesus Cristo nas duas espécies eucarísticas?

Percebemos nos Actos dos Apóstolos que aquelas primeiras comunidades invocavam constantemente o Espírito Santo e que rezavam uns pelos outros pedindo o Espírito Santo.
Porque não o fazemos nós hoje em dia, continuamente, nas nossas comunidades em Igreja?

Porque não é a Solenidade de Pentecostes uma Solenidade mais vivida, mais celebrada, mais falada, mais “importante” na Igreja?
Pobre de mim que nada sou, mas porque não pelo menos uma semana, incluindo o domingo anterior ao Pentecostes, de preparação “intensa” para o Domingo de Pentecostes?

Remeto-me à minha insignificância, ao meu pouco ou nenhum saber, mas não posso deixar de testemunhar e afirmar que, se não fosse o Espírito Santo levar-me ao encontro pessoal com Jesus Cristo no amor do Pai, eu me tinha irremediavelmente perdido no mundo, perdido de Deus, perdido da Igreja.

Por isso todos os dias de manhã a minha oração é a Sequência da Missa de Pentecostes, pedindo-Lhe que apesar do meu ser pobre e fraco, Ele faça a Sua obra em mim, para que dê sempre testemunho aos outros do que Ele faz em mim, apesar de mim.

Vem Espírito Santo!




Marinha Grande, 16 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 12 de maio de 2023

UM VENTO IMPETUOSO

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Ontem de manhã, quando saí de casa, o vento forte incomodou-me, despenteou-me, (não que isso seja importante), irritou-me e quase me fez praguejar.
E foi assim ao longo do dia, sempre que tive de andar na rua.

À tarde tinha Missa e Adoração ao Santíssimo na capela da Garcia e assim que lá cheguei, ao sair do carro, novamente o vento forte me incomodou.

Durante a Missa e a Adoração ao Santíssimo, ouvia-se o vento por entre as janelas e portas, soprando com força, sem parar.

Fiquei a pensar neste vento impetuoso e naquilo que poderia retirar como ensinamento, ou melhor, naquilo que eu poderia sentir que Deus me dizia com aquele vento tão forte e audível.

Veio ao meu pensamento a imagem do vento que arranca as folhas mortas das árvores, que arrasta e leva para longe as folhas pelo chão, o vento que sopra em todo o lado sem o podermos controlar na natureza.

E logo percebi que eu precisava de ser “despenteado” de todas as certezas vindas de mim próprio, precisava que fosse arrancado de mim tudo o que está “morto” e não me dá vida e não dá vida aos outros, que precisava que fossem afastadas do meu caminho todas as “folhas mortas” que sujam esse caminho.

E depois, estando numa capela e ouvindo o vento nas portas, tentando abri-las, também veio ao meu coração como tantas vezes nós homens, fechamos as “portas” da Igreja à novidade, ou melhor, ao Espírito Santo que em Jesus «faz novas todas as coisas». (cf Ap 21, 5)

E essa novidade que o Espírito Santo sempre traz à Igreja, não tem a ver com a Tradição que deve ser mantida, com a Verdade revelada e concluída em Jesus Cristo, com a sã Doutrina da Igreja, mas sim com aquilo que nós homens tantas vezes colocamos sobre os nossos ombros e sobre os ombros dos outros, entrando numa rotina de preceito pelo preceito, esquecendo-nos do amor de Deus, do amor a Deus e do amor aos outros.

E isso lembrou-me de imediato São João Paulo II com a sua proclamação em Cristo:
“Não tenhais medo! Abri, ou melhor, escancarai as portas a Cristo!”

Apeteceu-me vir para a rua, expor-me ao vento, abrir os braços e dizer:
Aqui estou, Senhor! Faz de mim o que quiseres! Vem Espírito Santo!




Marinha Grande, 12 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 10 de maio de 2023

«NÃO ESTÁ AQUI: RESSUSCITOU!»

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Senhor, sinto hoje um vazio dentro de mim.
Parece que Te afastaste de mim e eu não sinto a Tua presença.

Eu sei, Senhor, que talvez procure mais consolações para mim do que caminho árduo e difícil, do caminho que és Tu e não eu.

E, no entanto, avisaste-nos de que o caminho não era fácil, tinha tribulações, tinha dificuldades, tinha curvas e contracurvas, incompreensões, que a “porta é estreita”, que é como passar pelo “buraco da agulha”, mas que, e isso é o mais importante, Tu estás sempre connosco e é contigo que devemos fazer o caminho, porque o Caminho és Tu.

Acredito, Senhor, que estás aqui a meu lado enquanto escrevo estas palavras, estas linhas de pensamento, e me dizes ao mesmo tempo que, se não estivesses aqui, como poderia eu sequer falar contigo, escrevendo?

Ah, Senhor, e eu posso ter essa certeza que estás comigo, porque creio em Ti, e creio que tudo o que dizes é verdade e por isso nunca nos abandonas.

Já Tu, Senhor, naquela noite percebeste e sentiste que todos se afastavam de Ti e Te deixavam entregue à Tua “sorte”.
Mas sabias também que não estavas sozinho, porque o Pai velava por Ti e o Espírito Santo te envolvia e fazia sentir o Teu próprio amor.

Caminhas sobre as águas da minha escuridão momentânea, tomas-me pela mão, e dizes-me cheio de amor: «Sou Eu, não tenhas medo!» (Jo 6, 20)

E o caminho alarga-se, enche-se de luz, tiro a capa que me isola e parece que salto (Mc 11, 50) para Te encontrar, porque Tu me chamas para Ti e juntos partimos estrada fora, enquanto me vais explicando a Palavra que Tu és, para depois me deixares ver-Te com o coração e me alimentares no Teu amor. (cf Lc 24, 25-32)

E eu, feliz por Te teres feito presente em mim, (afinal era eu que estava longe de Ti), também sorrio e digo a quem quiser ouvir: «Porque buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui: ressuscitou!» Lc 24, 5-6)





Marinha Grande, 10 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

domingo, 7 de maio de 2023

A MÃE...NO DIA DA MÃE

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Seguia cabisbaixo para casa.
As coisas não estavam a correr lá muito bem neste início de semana!
Tinha na mochila um teste com uma negativa muito “feia” e já receava pelas consequências desse facto.

Nos últimos tempos o seu comportamento na escola e as suas notas deixavam muito a desejar, e o seu pai já cansado de tanto o avisar tinha-lhe dito da última vez que tinha trazido para casa uma nota baixa:
«Aparece-me em casa com outra negativa e nem sabes o que te faço!»

E ele não era para brincadeiras!
Era justo nos castigos que dava, mas tinha a mão pesada.
Não que lhe batesse, mas os castigos que dava eram sempre muito penosos de cumprir.

Ainda para mais, no fim de semana depois da Catequese, tinha tido aquela discussão estúpida com eles!
É pá, ele não compreendia aquela história da Virgem Maria, da Mãe do Céu, como Lhe chamavam!
Se havia Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e já eram orações que chegassem, para quê agora também Maria, a Mãe de Jesus!
E tinha sido malcriado a ponto do pai se irritar e o mandar calar!

Chegou à porta de casa e entrou em silêncio, dizendo apenas um, “boa tarde mãe”, e escapuliu-se para o quarto.
Tinha de pensar numa maneira de resolver as coisas com um mínimo de problemas.

A mãe entrou no quarto e perguntou-lhe o que se passava, pois não tinha ido dar-lhe um beijo, como fazia sempre que chegava a casa.
Disse-lhe que não, que estava tudo bem, mas ela sentou-se a seu lado e disse-lhe:
«Eu conheço-te. A mim não podes mentir. Passa-se alguma coisa contigo.»

Ele pensou rapidamente e chegou à conclusão que se havia alguém que acalmasse o pai quando lhe desse a noticia da negativa, era, com certeza, a mãe.
Cabeça baixa, disse quase em surdina:
«Ó mãe, tive outra negativa.»

Ela pegou-lhe na cara e fê-lo olhá-la nos seus olhos.
Os olhos dela estavam tristes, mas cheios de uma ternura imensa, de tal modo que não resistiu e umas lágrimas correram-lhe pela cara.

Antes que ela dissesse alguma coisa, ele começou a falar com a voz embargada:
«Ó mãe, eu não sei o que se passa comigo! Quero portar-me bem, quero estudar, quero agradar-vos e só faço asneiras! Ajuda-me mãe!»

Ela olhou-o mais uma vez e disse com voz terna:
«Meu filho eu amo-te muito e estou aqui para te ajudar. Conta-me tudo e vamos arranjar uma maneira de encontrares um caminho diferente daquele que estás a seguir».

Abriu o coração à sua mãe e disse tudo o que lhe veio à cabeça, das suas dificuldades, das amizades não muito boas, do despertar da adolescência, de todas as coisas que parecia o impeliam a não ser aquilo que ele até gostaria de ser.
Ela ouvia-o cheia de atenção, enquanto ternamente lhe passava as mãos pelo cabelo.
«Eu compreendo-te meu filho e se confiares em mim, se me fores contando o que se vai passando na tua vida, eu ir-te-ei ajudando a corrigires comportamentos, a descobrires caminho.»

Agradecido pela sua mãe tão compreensiva, não esqueceu, no entanto, que ainda tinha de “enfrentar” o pai e disse pegando-lhe nas mãos:
«E o pai, mãe? E o pai?»

Ela fazendo-lhe uma festa, respondeu:
«Não te preocupes, eu falo com ele. Claro vais ter um castigo, mas eu vou dizer-lhe que já falaste comigo, que estás arrependido, que prometeste portar-te bem e que eu confio em ti. Vais ver que te vai ralhar certamente, mas como ele sabe que eu tomo conta de ti e confia em mim, vai dar-te um castigo, com certeza, mas vai ficar à espera da tua mudança de vida».

Olhou-a profundamente nos olhos, agarrou-se a ela cheio de ternura agradecida e disse-lhe ao ouvido:
«Ó mãe, obrigado. O que é que eu faria sem ti, sem o teu amor, sem os teus conselhos, sem a tua ajuda junto do pai?»

Ela levantou-se e saiu do quarto com um sorriso.
Aquele sorriso que as mães têm quando sentem os filhos perto delas.

O resto foi mais fácil.

O pai chegou, a mãe falou com ele e depois foi chamá-lo ao quarto para falar com o pai.
O pai olho-o, com um amor firme e profundo, e disse-lhe:
«A tua mãe já falou comigo. Estou triste, meu filho, pelo modo como te comportaste, mas ao mesmo tempo contente pela conversa que tiveste com a tua mãe e as promessas que lhe fizeste, que nos fizeste. Vais ficar de castigo, mas eu confio que de agora em diante tudo vai melhorar. Agora dá-me um beijo e podes ir.»

Tranquilo deu um beijo ao pai, e quando ia a sair da sala ele chamou-o novamente dizendo-lhe:
«Percebes agora como nos faz falta a Virgem Maria, a Mãe de Jesus, a Mãe do Céu?»



Marinha Grande, 7 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

Nota: Neste Dia da Mãe revi este texto escrito há alguns anos atrás.