terça-feira, 28 de abril de 2026

VIDA EM LIBERDADE

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É preciso pensar e perceber que aquilo que o mundo ensina hoje em dia sobre a vida de cada um, sobre os valores da sociedade, sobre o ser homem/mulher, (que não o ser homem e ser mulher perfeitamente distintos), sobre a morte dos inocentes no ventre de suas mães e tantas mais coisas repetidas até à exaustão, é recebido por muita gente como algo indiscutível e, mais do que isso, como uma obrigação para todos, por vezes até em forma de lei.

No entanto, tudo o que vem de Deus, os Seus ensinamentos em Jesus Cristo, os Seus mandamentos, a Sua Palavra escrita, a verdade e valor da vida desde a concepção até à morte, os valores de uma sociedade que deve viver em amor, tudo isso pode ser e é colocado em causa e não faz parte de nenhuma obrigação de conduta social.

Verdadeiramente todos os valores e princípios, (chamemos-lhe assim), que vêm de Deus, não são por Ele impostos, mas são sim caminho de vida, de liberdade, de felicidade que Ele propõe a cada um e à humanidade.

Já os valores do mundo tornam-se uma exigência para todos, não só legal, mas também por pressão da sociedade, querendo obrigar a um pensamento único, ditado por essas formas de conduta.

No fundo tudo isso que o mundo impõe acaba por tornar-se uma “idolatria” que para nada serve, nem leva à liberdade e felicidade do homem, como é bem patente na sociedade em que hoje vivemos.

Só em Deus somos realmente livres, porque Ele mostra-nos o caminho, mas não nos obriga a segui-lo para vivermos em sociedade.

Já o mundo aprisiona-nos nos seus princípios e, cada vez mais em sociedade, escorraça aqueles que por eles não pautam as suas vidas, chegando até a colocar em causa a sua liberdade quando renegam tais princípios.

Tudo leva a crer, no entanto, que por todo o lado os jovens começam a despertar para a verdade e a perceberem que só em Deus e com Deus a vida tem sentido.

Cada vez mais, portanto, o testemunho verdadeiro e coerente dos cristãos, por vezes silencioso, se torna importante para a humanidade, porque só esse testemunho, alicerçado no e pelo Espírito Santo, pode levar o Homem ao encontro com Deus e assim viver a verdadeira vida em liberdade de amor que Deus lhe oferece em Jesus Cristo.




Garcia, 20 de Abril de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

terça-feira, 21 de abril de 2026

SABEDORIA

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Aqui na Tua presença pergunto-me: Que sabedoria posso eu desejar, Senhor?

A sabedoria que vem de Ti e que em mim deve ser o desejo de querer fazer apenas a tua vontade ou uma suposta sabedoria daquilo que eu julgo saber apenas por mim próprio.

Uma sabedoria que venha apenas da minha existência, de um pretenso saber da minha pessoa, nunca será uma verdadeira sabedoria, porque não é humilde suficiente para reconhecer que a verdadeira sabedoria apenas pode vir de Deus.

Que interessa ao homem saber muito, mas viver afastado de Deus?

Acaso essa pretensa sabedoria o leva a descobrir o amor, o leva a encontrar a felicidade, o leva à vida eterna?

Não, essa pretensa sabedoria é sempre incompleta, porque não se fundamenta na Verdade, não se alicerça na verdadeira sabedoria que é Deus e vem de Deus.

Só Deus sabe absolutamente tudo, por isso só Deus é verdadeiramente sabedoria.

Mas Deus quer fazer-nos participantes da Sua divindade e, por isso, leva-nos a conhecer a sabedoria e, vivendo com ela e dela, podemos então viver a verdadeira vida que vem de Deus e apenas de Deus.

Talvez a humildade seja a virtude que melhor leva o homem ao encontro da sabedoria.

Por isso peço-Te, Senhor, concede-me o dom da humildade e só isso me basta, porque se eu for humilde, apenas procurarei fazer a Tua vontade e na tua vontade encontrarei sempre o amor, a vida, a felicidade, a verdadeira sabedoria.






Garcia, 12 de Janeiro de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

domingo, 19 de abril de 2026

EMAÚS

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Caminhando pela estrada fora digo ao meu companheiro de viagem: Estou um pouco desiludido.

Ele volta-se para mim e pergunta: Então porquê?

Olha, digo eu, porque pensava que agora que me reencontrei com Ele esperava que fosse tudo mais fácil, que Ele me libertasse de tantos problemas que me aparecem e de tantas coisas de que não gosto.

O meu companheiro responde-me que sente o mesmo, que afinal parece que nada mudou e que o que nos incomodava e fazia sofrer continua a acontecer.

Envolvidos na conversa nem nos apercebemos que outro companheiro de viagem se nos junta no caminho.

Fita-nos com o seu olhar e pergunta-nos: Então vocês achavam que depois de O encontrarem acabariam todos os problemas, todas as coisas de que não gostam, tudo aquilo que traz sofrimento?

Claro, dissemos nós! Então não foi isso que Ele prometeu, que nos ia libertar de tudo o que é mau, nos incomoda e faz sofrer?

Olhou para nós com um olhar envolvente e disse pausadamente: O que Ele prometeu foi que estaria sempre convosco no vosso caminhar. Mas eu explico-vos melhor.

E andando sempre, começou a falar das Escrituras e a explicar Quem era e o que tinha dito Jesus, Filho de Deus.

O tempo passava, a caminhada continuava e a noite caía, mas nós não nos cansávamos de o ouvir.

Parámos então para comer qualquer coisa e convidámo-lo para comer connosco.

Ele acedeu e só nesse momento percebemos que só tínhamos um pão pequenito para nós os três.

Envergongados dissemos-lhe: Só temos este pão pequenito, por isso come-o tu que nós aguentamos bem sem comer.

Com um enorme sorriso ele tomou o pão nas suas mãos, abençoou-o, partiu-o e deu-nos para dele comermos.

Reparámos então que a mesa improvisada estava cheia de pão mas que o nosso companheiro de viagem tinha desaparecido dos nossos olhos.

Abriram-se os nossos olhos e compreendemos então que Quem tinha feito a viagem connosco era Jesus, o Filho de Deus, a Quem nós tínhamos contado da nossa desilusão.

Percebemos mais, percebemos que quando fazemos caminho com Ele o cansaço, as dificuldades, os sofrimentos não deixam de existir, mas que na Sua companhia tudo é possível ultrapassar, porque a Sua “Palavra é viva eficaz” e Ele se faz presente nas nossas vidas.

Afinal Ele estava sempre connosco, o que era bem visível no Pão abençoado e multiplicado sobre a mesa.

O cansaço e as dificuldades da viagem permaneciam, mas agora movia-nos a ânsia e a pressa de dar testemunho d’Ele.



Marinha Grande, 19 de Abril de2026
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 15 de abril de 2026

A PROXIMIDADE DOS PAPAS

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As pessoas em geral, cristãos e não só, indignaram-se, (e muito bem, sem dúvida), com as palavras do Presidente dos EUA sobre o Papa Leão XIV.

O desmando verbal da pessoa em questão é tão óbvio que me levou a olhar para o acontecido com outra perspectiva, até porque a condenação de tais palavras parece ser quase unânime.

E a outra perspectiva levou-me a pensar que a figura do Papa nestes últimos tempos se torna cada vez mais próxima do comum mortal, seja ele cristão ou não.

Há algumas décadas atrás seria impensável que alguém, mesmo nada tendo a ver com a Igreja Católica, proferisse tais palavras sobre o Papa.

Poderá ser impressão minha, mas penso desde Pio XII a figura do Papa se aproximou de todos nós, e que essa aproximação se vai tornando cada vez mais nítida ao longo da sucessão destes últimos Sumo Pontífices, especialmente desde João XXIII.

Obviamente que isto não é de forma nenhuma uma crítica aos Papas anteriores, homens de uma dignidade e santidade sem mácula, embora em anos remotos possa ter havido alguns erros.

Longe de ser criticável esta proximidade é, ao contrário, de louvar, de enaltecer, tanto mais que, quanto a mim, muito mais do que o desejo de cada Papa em ser mais próximo, foi, é o Espírito Santo que vai moldando cada pontificado de modo a que cada vez mais os cristãos e não só, percebam que o Papa é no fundo e sem dúvida um de nós.

Lembro-me bem de quando estudei num curso para leigos no Seminário de Leiria, aquilo que foi dito sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, (o Papa Leão XIV tem vindo a fazer às quarta feiras catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II de muito interesse), e como essa Constituição de um modo simples mas assertivo, em vez de começar pela hierarquia da igreja, começa por falar do Povo de Deus, acentuando assim, julgo de uma forma simples de perceber, que o Papa, tal como os Bispos e Sacerdotes, são primeiro e antes de tudo Povo de Deus e dele emanam.

Na minha idade, já bastante vivida, lembro-me bem, quando era mais novo, de como falar com um Bispo era “coisa” complicada, e até os Sacerdotes tinham, digamos assim, um “estatuto” que os fazia diferentes e por vezes distantes.

Com isto não quero dizer que o respeito devido ao Papa, Bispos e Sacerdotes, seja algo para esquecer ou menosprezar, mas que, antes pelo contrário, esta proximidade os torna mais presentes, mais “humanos”, perdoe-se-me o termo.

E o que têm as frases iniciais deste texto com tudo isto?

Têm tudo e nada a ver, mas a verdade, acredito eu, é que há algumas décadas atrás nenhum presidente de uma qualquer nação se lembraria de falar de tal modo sobre o Papa.

Estando mais próximos, estamos mais vulneráveis, estando mais vulneráveis, estamos mais abertos à humildade e, como tal, mais abertos à acção do Espírito Santo em todos nós.





Marinha Grande, 15 de Abril de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 13 de abril de 2026

SOFRIMENTO

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Amar a Cruz!

Amar a Cruz de Jesus é também amar a nossa Cruz, é querer perceber que também o sofrimento pode ser redentor.

Com certeza que Deus não quer que soframos, mas o sofrimento é inerente ao ser humano.

Não temos que nos comprazer no sofrimento, mas podemos e devemos dar-lhe sentido.

Sem dúvida que devemos procurar por todos os meios que Deus coloca à nossa disposição livrar-nos do sofrimento, mas como bem sabemos isso nem sempre acontece de um momento para o outro e, às vezes, nem sequer acontece.

Jesus sofreu por nós e o Seu sofrimento e a Sua morte tiveram um sentido, (para além de outros), que foi dirimir-nos e libertar-nos do pecado que leva à morte, abrindo-nos as portas para a vida eterna.

Podemos assim dar sentido aos nossos sofrimentos quando os unimos à Cruz de Cristo, quando os unimos aos Seus sofrimentos e os entregamos pelos outros por quem pedimos, por quem intercedemos.

Quando assim fazemos, também de alguma forma aceitamos o sofrimento que não podemos afastar de nós, e ao fazê-lo esse sofrimento torna-se mais aceitável, torna-se também vida na nossa vida.

Realmente perante um sofrimento que não podemos combater no imediato, como será melhor para nós e para o nosso bem: aceitar esse sofrimento dando-lhe sentido ou lamentarmo-nos e revoltarmo-nos contra ele?

Se assim procedermos ainda acrescentamos ao sofrimento raiva e revolta, que ainda tornam mais difícil o momento que vivemos.

Aceitar o sofrimento não é desejá-lo ou até provocá-lo, é sim dar-lhe sentido enquanto ele permanece em nós, até que, pela vontade de Deus e por todos os meios que ele coloca à nossa disposição, nos sentimos aliviados desse sofrimento.

Parafraseando São Paulo: Se sofrermos com Cristo também com ele viveremos a alegria da vida em doação.





Garcia, 9 de Abril de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 8 de abril de 2026

CAMINHOS DE EMAÚS

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Sigo pelo caminho pensando em tudo quanto vou vivendo no dia a dia.

Caminhas a meu lado, mas eu, muitas vezes distraído com as coisas do mundo, não Te vejo.

É então que falas comigo e me explicas que estás junto a mim, atento a tudo o que me acontece e tantas vezes eu não percebo.

Falas ao meu ouvido e explicas-me pela Tua Palavra o que eu tantas vezes não consigo entender, mas que é fruto das minhas escolhas.

A Tua voz, inaudível mas sensível, vai aquecendo o meu coração e fazendo-me reflectir em tudo o que devo fazer para viver segundo a Tua vontade.

Fazes-me viver-Te no «partir do Pão» e dás-Te em Comunhão, dizendo-me com o Teu mais belo sorriso para também eu me partir, dando-me ao meu irmão.

Olho-Te, timidamente, e digo-Te baixinho para só Tu ouvires: Mas eu falho tanto, Senhor. Dou tão pouco do tanto que Tu me dás.

Sorris mais uma vez, apertas-me junto a Ti e sussurras ao meu ouvido: Eu sei, meu filho, eu sei. Mas lembra-te que só Eu sei do pouco ou muito que me dás e aproveito cada migalha do teu dar, para te guiar no teu caminho ao encontro da minha vontade.





Marinha Grande, 8 de Abril de 2026
Joaquim Mexia Alves