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quinta-feira, 22 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O DIABO (17)

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Diz ele: Porque estás para aí preocupado com o que hás-de rezar?
Digo eu: Porque às vezes não sei o que dizer-Lhe, como hei-de estar com Ele.

Diz ele: E julgas que Ele se importa? Julgas que Ele tem necessidade das tuas orações?
Digo eu: Não é uma questão de Ele se importar ou não, nem sequer uma questão de Ele ter necessidade das minhas orações. Eu é que tenho necessidade d’Ele, eu é que necessito absolutamente de estar com Ele e Lhe dizer da vida que Ele me deu.

Diz ele: Então e julgas que Ele não sabe do que necessitas?
Digo eu: Eu sei muito bem que Ele sabe do que eu necessito, mas também sei que quando a Ele me dirijo agradecendo e pedindo, estou a reconhecer que Ele é Deus e tudo pode e que me ama com amor eterno.

Diz ele: Se Ele te amasse com esse amor eterno, não precisava que te dirigisses a Ele pois dava-te de imediato o que precisasses.
Digo eu: Lá estás tu a querer confundir-me. Já te disse que Ele não precisa de nada de mim, a não ser que faça a Sua vontade, mas até isso que Ele muito deseja que eu faça, é para minha salvação e nada acrescenta ao Seu amor por mim.

Diz ele: Mas porque é que tens de fazer a vontade d’Ele e não a tua? Então tu não sabes bem o que é melhor para ti?
Digo eu: Às vezes dás-me vontade de rir, embora tu não tenhas graça nenhuma. Claro que a vontade d’Ele é o melhor para mim, porque só Ele sabe do que necessito para ser feliz e viver no amor. A minha vontade é fraca, e muitas vezes até és tu que a queres comandar, por isso te incomoda que eu procure fazer a Sua vontade.

Diz ele: E julgas que tu me interessas para alguma coisa? Só falo contigo para ta ajudar a encontrares o teu caminho.
Digo eu: Dizes bem, que eu não te interesso para nada. Eu não te interesso, mas enquanto filho de Deus queres a minha perdição porque julgas que será uma vitória na tua luta contra o bem. Desengana-te porque Ele já te venceu e por isso mesmo O procuro para permanecendo n’Ele também eu vença as insidias com que me provocas.

Diz ele: És um chato! Não se pode falar contigo que estás sempre de “pé atrás”.
Digo eu: Não tenhas dúvidas de que assim estou sempre que te insinuas para falares comigo. Mas pensando bem até te agradeço esta conversa.

Diz ele: Agradeces-me???
Digo eu: Sim agradeço porque no início desta nossa conversa disseste que Ele não tem necessidade das minhas orações, e realmente não tem, por isso mesmo agora cala-te, porque eu quero estar com Ele em silêncio, porque é muitas vezes no silêncio que eu sinto o Seu amor e Ele “fala” comigo.



Monte Real, 22 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 18 de abril de 2022

DIÁLOGOS COM O DIABO (16)

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Diz ele: Vocês acreditam em cada coisa! Então o Homem era Deus e deixava-se morrer assim!
Se fosse Deus fazia um gesto, nem precisava de um gesto, mas apenas um pensamento e tudo ficava resolvido com os seus inimigos derrotados.


Digo eu: Pois! Mas ainda não percebeste que para Ele todos aqueles não eram seus inimigos? Eram apenas gente que “não sabia o que fazia”! Não percebeste que Ele veio para salvar todos! Mesmo todos!




Diz ele: Então e julgas que aqueles que O crucificaram se salvaram?

Digo eu: Não sei! Mas eu não julgo nem posso julgar porque não sei o que aconteceu na vida de todos eles. Ele é que julga e sabe se o arrependimento em algum momento tocou aqueles corações.


Diz ele: És um ingénuo! Parece que ainda acreditas em “contos de fadas”!

Digo eu: Em “contos de fadas” não acredito, mas acredito no amor infinito e eterno de Deus. E o amor infinito e eterno de Deus tudo pode, desde que o homem se abra a Ele.


Diz ele: A verdade é que se Ele se fosse Deus podia ter-se salvo a Si mesmo e afinal não o fez porque não podia!

Digo eu: Posso responder-te de dois modos que obviamente não esgotam a resposta:
O primeiro, e de modo simbólico, é que realmente não podia salvar-se a Si mesmo porque o seu amor pelos homens o levava a entregar-se por eles e se se salva-se apenas a Si mesmo de nada teria servido a sua vinda até nós e como nós.
O segundo é que a salvação de cada um só faz sentido com a salvação de todos os outros.
Ele não veio dizer-nos cada um por si. Veio dizer-nos e chamar-nos a amarmo-nos uns aos outros até à entrega pelos outros. Aquele que o faz é que é o «verdadeiro amigo»!


Diz ele: Então também acreditas, se calhar, que Ele ressuscitou?

Digo eu: Claro que acredito! Mais do que acredito, vivo a sua Ressurreição como verdade última da vida que Ele me deu na certeza de que, por sua graça, morrendo com Ele, com Ele também ressuscitarei.


Diz ele: Não me digas que nunca tens dúvidas?

Digo eu: Ah, sim tenho dúvidas. Claro que tenho. Mas essas dúvidas coloco-as nas minhas orações e Ele responde-me sempre, e de tantos modos, fortalecendo um pouco mais a minha fé.
Não há mal nenhum em ter dúvidas. Mal existe sim em querer permanecer nas dúvidas que é aquilo que tu queres que nós façamos.


Diz ele: Não se pode conversar contigo, porque tu não queres pensar racionalmente, mas sim deixar-te levar por uma fé cega.

Digo eu: Aí é que te enganas e é isso que te incomoda. Penso racionalmente e por isso mesmo é que tenho dúvidas e por isso mesmo é que a minha fé não é cega, mas sim iluminada por Ele que nunca deixa os seus à tua mercê.
Por isso afasta-te de mim e deixa-me viver a alegria do Senhor Jesus ressuscitado!



Monte Real, 18 de Abril de 2022
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

DIÁLOGOS COM O DIABO (15)

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Diz ele: Não te sentes sozinho, por vezes, como se ninguém se importasse com os teus problemas?

Digo eu: Sim, é verdade, por vezes parece-me estar só no meio de tantas coisas que me incomodam e fazem ansiedade.

Diz ele: Então mas Ele não disse que estava sempre convosco, contigo?

Digo eu: Disse e é verdade, eu é que muitas vezes me afasto dEle e me deixo levar pelos meus sentimentos de descrédito.

Diz ele: Ah, então não acreditas nEle???

Digo eu: Não, eu acredito firmemente nEle, não acredito é muitas vezes em mim e no meu amor por Ele.

Diz ele: Então se acreditasses em ti e nEle, tudo Ele resolveria para teu descanso?

Digo eu: Não, Ele quer que eu faça a minha parte, que me entregue, que me deixe conduzir, que confie e espere e, então sim, segundo a Sua vontade, ultrapassarei os problemas da vida.

Diz ele: Pois, está bem! Ele que podia resolver tudo de uma penada, sem problemas, acaba por te deixar viver esses momentos que abalam a tua vida.

Digo eu: Tudo está nas minhas mãos, mas suportado por Ele se a Ele me entregar. E Ele não é nenhum  mágico para resolver tudo com toques de varinha de condão. Mágico és tu, que queres transformar o bem, o amor, no mal e no abandono. Vai-te, que me estás a tentar!

 

Monte Real, 11 de Dezembro de 2020

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

DIÁLOGOS COM O DIABO (14)

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Diz ele: Essas tuas críticas aos outros são muito importantes para mudar as coisas e até para os mudar a eles.

Digo eu: Ainda bem que falas nisso, porque se me elogias é porque essas críticas que faço da “boca para fora” devem estar erradas, com certeza, na minha forma de proceder.

Diz ele: Não, não. São importantes para fazer mudança, tais como aquelas que pensas na tua cabeça sobre os outros.

Digo eu: Agora não tenho dúvidas! Essas críticas são más, da maneira que as faço, principalmente as que faço na minha cabeça. E nada mudam, nem transformam, nem constroem! Só podem vir de ti!

Diz ele: Eu só quero ajudar, para que percebas onde os outros estão errados e assim os poderes ajudar.

Digo eu: Podes enganar-me em muitas coisas, mas nesta já estou a perceber o que faço quando critico publicamente os outros sem discernimento e sem razão. É apenas má língua! Antes de falar tenho que pedir conselho a quem me possa ajudar a ver mais claro.

Diz ele: Não, não. Não precisas de conselhos. Tu já sabes tantas coisas. Por isso és capaz de aferir o que podes criticar e como criticar os outros.

Digo eu: Com elogios desses já te entendo bem! Assim não me enganas! Sozinho não sou nada. Aliás sozinho não te consigo combater, por isso vai-te que desta vez não me enganas e até me ajudaste a perceber que tantas críticas que faço são um péssimo testemunho para os outros.

Diz ele: Tu é que sabes. Mas eu estou aqui se precisares de mim.

Digo eu: Não sei não! Sozinho nada sei, mas Deus ajuda-me a discernir cada momento se a Ele me entregar. Ah, e eu sei bem que estás aí e que eu tenho de estar atento às tuas investidas. Vai-te que eu sou de Cristo e só a Ele pertenço.

 

 

Marinha Grande, 15 de Outubro de 2020

Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 28 de agosto de 2018

DIÁLOGOS COM O DIABO (13)

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Diz ele: Já fizeste as tuas orações? Já rezaste o teu rosário?

Digo eu: Estás muito preocupado com as minhas orações!

Diz ele: É só para tu veres como essas obrigações são aborrecidas, e ver se percebes que não precisas delas assim todos os dias.

Digo eu: Dou-te razão pelo menos em parte, ou seja, as obrigações são aborrecidas.

Diz ele: Vês, eu não te dizia?

Digo eu: O problema é que estás enganado. É que as orações, o rosário, não são obrigações, não são imposições, são amor em diálogo com Deus.

Diz ele: Sê verdadeiro e não me digas que rezas sempre cheio de amor e que algumas vezes não tens que te obrigar a rezar?

Digo eu: Um mentiroso a dizer a outrem para ser verdadeiro, tem graça. Mas sim, é verdade que algumas vezes tenho que me obrigar a rezar. Mas faço-o com alegria porque a oração é sempre alimento divino e sem ele não posso viver.

Diz ele: Olha que Ele, se calhar, não gosta dessas orações “obrigadas”!

Digo eu: Aí é que te enganas! Dá-lhes o valor imenso de quem não se deixou levar por ti e não desistiu da oração.

Diz ele: És um chato! Não se pode falar contigo que interpretas tudo à tua maneira.

Digo eu: E querias que interpretasse como? À tua maneira? Em tudo tento interpretar não à minha maneira mas sim à maneira d’Ele e é isso que te incomoda.

Diz ele: A mim não me incomoda nada! Tu é que tens sempre essas obrigações, porque eu não tenho nenhuma.

Digo eu: Já te disse e repito que não são obrigações. E já agora só para te incomodar, (não és só tu que incomodas), agradeço-te estas conversas porque me fazem estar mais atento à vontade d’Ele.

Diz ele: Chega! Vou-me embora!

Digo eu: Vai, mas infelizmente sei que hás-de voltar! Mas as minhas orações vão-me preparando para não te dar ouvidos e viver apenas para Ele.


Monte Real, 28 de Agosto de 2018
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 7 de junho de 2017

DIÁLOGOS COM O DIABO (12)

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Diz ele: Estas conversas não têm sentido! Vês que dizem que eu não existo, que sou apenas um símbolo!

Digo eu: Pois, essa seria uma grande vitória para ti. A negação da tua existência.

Diz ele: Mas olha que não fui eu que o afirmei, por isso, deve ser verdade!

Digo eu: É curioso, que agora reconheces-te mentiroso! Dizes que: «Se não fui eu que o afirmei deve ser verdade». Ou seja, tu afinal só dizes mentiras!

Diz ele: Mas se eu não existo, não posso mentir!

Digo eu: Existes sim, e eu já te senti muitas vezes na minha vida, e infelizmente muitas vezes me deixei levar por ti, quase até à perdição.

Diz ele: Isso são coisas da tua imaginação! Não te preocupes e vive a tua vida segundo a tua vontade, porque afinal ninguém te tenta.

Digo eu: Tudo em ti é tentação, mentira, manipulação, erro e sobretudo, ódio. Eu é que te digo a ti que não te preocupes comigo, porque te conheço, sei do que és capaz, e a minha vontade, assim Deus me ajude, há-de ser sempre a vontade de Deus.


Marinha Grande, 7 de Junho de 2017
Joaquim Mexia Alves 
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terça-feira, 13 de outubro de 2015

DIÁLOGOS COM O DIABO (11)

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Diz ele: Vês, precisavas agora de ajuda para escreveres os tópicos para o que deves falar naquele tema na Igreja, e Ele nada te diz? Vês, como Ele não está sempre contigo?

Digo eu: Estás enganado e queres-me enganar. Claro que Ele está sempre comigo, eu é que nem sempre estou com Ele, ou melhor, nem sempre estou aberto para O ouvir.

Diz ele: Podes dizer o que quiseres, mas a verdade é que ainda não escreveste nada e nem uma ideia te veio à cabeça!

Digo eu: Pois, o problema deve estar aí! Estou a pensar demasiado com a cabeça e muito pouco com o coração.

Diz ele: O que queres tu dizer com isso?

Digo eu: Quero dizer que estou a querer fazer apenas por mim, aquilo que Ele quer que eu faça com Ele, segundo a sua vontade.

Diz ele: E como sabes tu isso?

Digo eu: Já sabia antes, mas agora tenho a certeza!

Diz ele: Essa é boa, porquê?

Digo eu: Porque tu me vieste “atazanar” a paciência, o que significa que te deixei entrar um pouco na minha cabeça e assim me distraíres do que é realmente importante.

Diz ele: Vou-me embora, és um ignorante!

Digo eu: Vai, vai, que vou invocar o Espírito Santo e onde Ele está, tu não podes estar. E como vês, Ele está sempre comigo e com todos que a Ele se abrem, de tal modo que até me deu para escrever este texto.


Joaquim Mexia Alves
Monte Real, 13 de Outubro de 2015
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quinta-feira, 26 de junho de 2014

DIÁLOGOS COM O DIABO (10)

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Diz ele: Vês, passas a vida a rezar pela paz no mundo e as guerras continuam.

Digo eu: As guerras são feitas pelos homens, não são feitas por Deus.

Diz ele: Pois, mas Ele podia interferir e obrigar os homens a viverem em paz.

Digo eu: Isso de obrigar é mais contigo! Deus criou-nos em liberdade porque nos ama.

Diz ele: Mas essa liberdade faz com que muitos de vós se afastem d’Ele.

Digo eu: Percebo-te! Uma das coisas que muito te irrita é a nossa capacidade de escolha em liberdade. É a tal “imagem e semelhança” de Deus que tanto te incomoda.

Diz ele: Ah, ah, mesmo assim faço cair tantos!

Digo eu: Farás mesmo? A multidão dos que se salvam é incomparavelmente maior do que alguns que se perdem.

Diz ele: Isso julgas tu!

Digo eu: Não julgo, tenho a certeza! É que amor de Deus é incomparavelmente maior do que o teu ódio. Ao rezar pela paz no mundo, rezo por aqueles que morrem, para que tenham tempo de se afastarem do teu ódio e receberem do amor de Deus.


Monte Real, 26 de Junho de 2014
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 20 de março de 2014

DIÁLOGOS COM O DIABO (9)

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Diz ele: Já não conversamos há muito tempo!

Digo eu: Dispenso bem as conversas contigo.

Diz ele: Pois, mas olha que te deixas muitas vezes levar pelo que te digo.

Diz eu: Lá nisso tens razão e nem fazes ideia como isso me dói quando de tal me apercebo.

Diz ele. Deixa-te disso! Há coisas que até te sabem bem!

Digo eu: Talvez no momento. Mas como não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, acabo sempre por ficar triste e magoado por não ter servido o meu único Senhor, que não és tu.

Diz ele: Ficas dividido.

Digo eu: Não, não fico dividido! Nunca poderia ficar dividido porque de ti nada quero, mas apenas distância.

Diz ele: Olha que de vez em quando…?

Digo eu: Nem penses! Nunca me dividirás, porque se eu permaneço com Ele e n’Ele, tu nada podes.

Diz ele: Mas por vezes deixas que te afaste d’Ele!

Digo eu: Pobres vitórias as tuas! Passageiras e cada vez menos. As tuas vitórias são efémeras. A vitória d’Ele é para sempre! Agora vai-te e não me incomodes mais.



Monte Real, 20 de Março de 2014
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

DIÁLOGOS COM O DIABO (8)

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Diz ele: Então correu bem, ontem?

Digo eu: Correu bem o quê, ontem?

Diz ele: Aquele ensinamento que foste fazer a Lisboa, lá na igreja do Rato, com a Comunidade Pneumavita.

Digo eu: Segundo me disseram, acho que correu muito bem, porquê? Estás interessado?

Diz ele: Não, não tenho interesse nenhum nisso. Só tenho pena é que andes a perder tempo, porque as pessoas ouvem, mas depois nada muda.

Digo eu: Como é que tens tanta certeza nisso?

Diz ele: Porque sei, porque as conheço. É tão fácil distrair as pessoas!

Digo eu: Mas olha que ouvem e até se interessam, reflectem e questionam. Não pelas minhas palavras, mas porque Deus se serve delas para as tocar.

Diz ele: Pois sim! Talvez duas ou três pessoas, quando muito! É como te digo, andas a perder tempo!

Digo eu: Isso querias tu, que eu desistisse de falar de Deus quando me pedem! Mas olha, ainda bem que tu próprio admites que duas ou três ouviram e reflectiram. Essas bastam para eu saber que não ando a perder tempo nenhum. Agora vai-te, que não me convences!


Marinha Grande, 15 de Janeiro de 2014

Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

DIÁLOGOS COM O DIABO (7)

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Diz ele: Não percebo a necessidade de falarem tanto em Maria.
 
Digo eu: Compreendo-te! Incomoda-te!
 
Diz ele: Não, por acaso não me incomoda nada.
 
Digo eu: Queres dizer que não te incomoda o sim de Maria?
 
Diz ele: Não, não me incomoda. Não significou nada para mim.
 
Digo eu: Essa é boa! Irritou-te profundamente que o próprio Deus tenha nascido como homem e de uma mulher em tudo igual às outras.
 
Diz ele: Não, nem por isso. A verdade é que continuo por aqui.
 
Digo eu: Pois continuas. Mas o sim de Maria à vontade de Deus trouxe-nos o Salvador, Jesus Cristo, que ao morrer na Cruz e ao ressuscitar ao terceiro dia, te venceu inapelavelmente.
 
Diz ele: Acabou a conversa! Isso não me interessa para nada!
 
Digo eu: Vês porque falamos tanto em Maria. A sua invocação afasta-te! No fundo o seu sim é o sim da humanidade à vontade de Deus e isso é insuportável para ti.
 
 
Marinha Grande, 14 de Junho de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 30 de maio de 2013

DIÁLOGOS COM O DIABO (6)

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Diz ele: Hoje é um péssimo dia.
 
Digo eu: Porquê?
 
Diz ele: Porque hoje fazem memória de como Ele entregou o seu Corpo em alimento para vós.
 
Digo eu: E o que é que isso te incomoda?
 
Diz ele: Incomoda muito, porque quem O comunga, fica protegido de mim.
 
Digo eu: Ah, então quem comunga o Corpo de Cristo tem forças para te resistir!
 
Diz ele: Nem fales nisso, que até me dói.
 
Digo eu: Preferes então que O sigamos, mas não O comunguemos.
 
Diz ele: Claro, assim estão mais ao meu alcance.
 
Digo eu: Desilude-te, porque Ele já te venceu ao entregar-se na Cruz, ao ressuscitar no terceiro dia, ao dar-se como alimento divino, e assim com Ele, te vencem todos aqueles que O comungam.
 
 
MR, 30 de Maio de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 23 de maio de 2013

DIÁLOGOS COM O DIABO (5)

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Diz ele: Estão a falar muito de mim e isso não me agrada nada.
 
Digo eu: Pois, não gostas que falem de ti porque és muito humilde, eheheh!
 
Diz ele: Não brinques que não tem graça nenhuma! Eu não gosto de dar nas vistas, faço as coisas pela calada.
 
Digo eu: Isso sabemos nós, e por isso é que estás preocupado, porque parece que a ignorância sobre ti começa lentamente a ir desaparecendo.
 
Diz ele: Ah, mas ainda tenho muitos do meu lado, dizendo que eu não existo, dizendo que isso é obscurantismo, e por isso envergonham-se de alguém poder pensar que eles acreditam que eu existo.
 
Digo eu: Desses é que tu gostas! Deixam-te “trabalhar” à vontade.
 
Diz ele: Pois, mas eu ainda cá estou, e vou continuar, e com a ajuda desses e de outros vou vencendo.
 
Digo eu: Isso até pode ser verdade agora de vez em quando, mas a verdade verdadeira é que já foste vencido, quando Jesus Cristo morreu na Cruz e ressuscitou, por isso vai-te! Estás e és um derrotado!
 
 
Monte Real, 23 de Maio de 2013
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 8 de março de 2013

DIÁLOGOS COM O DIABO (4)

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Diz ele: Vês, esforças-te tanto, fartas-te de rezar, de pedir e vê lá se Ele te concede o que pedes?
 
Digo eu: Sabes bem melhor do que eu que o tempo de Deus não é igual ao meu tempo.
 
Diz ele: Isso é conversa! A verdade, repito-te, é que te fartas de rezar, de pedir e não recebes o que pedes!
 
Digo eu: Olha, eu confio que Ele sabe o que é melhor para mim, não só em relação ao tempo em que me quiser dar o que peço, mas sobretudo em me dar o que Lhe peço.
 
Diz ele: Estou farto de ouvir essa conversa, mas verdade é que vocês pedem, pedem e Ele não vos concede o que o pedem. Se me pedissem a mim, eu satisfazia logo os vossos desejos!
 
Digo eu: Podes então conceder-me o desejo de ser sempre e cada vez mais de acordo com a vontade de Deus?
 
Diz ele: Mas isso é uma tolice, pedires-me a mim para seres mais parecido com Ele! Eu abomino isso! Mas pede-me dinheiro, poder e fama e vais ver se não to concedo!
 
Digo eu: E para que quero eu dinheiro, poder e fama se isso me afastar d’Ele? Sabes bem que já experimentei isso tudo e no que a minha vida se transformou!
 
Diz ele: E não vivias feliz e despreocupado?
 
Digo eu: Sabes lá tu o que é a felicidade? Vives atormentado pelo ódio!
 
Diz ele: Pois sim! Mas nessa altura não andavas sempre preocupado a tentar fazer tudo bem e nem sequer te preocupavas com os outros! A vida corria-te bem e não tinhas preocupações.
Começaste a olhar para Ele e vê lá se não começaram os problemas na tua vida?
 
Digo eu: Estás enganado e queres enganar-me! Problemas sempre os tive e sempre os terei. Só que agora, com Ele, os problemas são caminho de construção, mas quando vivia afastado d’Ele eram caminho de destruição!
 
Diz ele: Pois, mas reconhece que dantes tinhas prazer, vivias bem, e não andavas preocupado com isso a que chamas pecado.
 
Digo eu: Claro que só te lembras desse prazer mundano sem moral, sem regras, pois nessas alturas estavas ao meu lado. Mas onde estavas tu quando a desilusão, a frustração, a falta de sentido de vida, o desânimo, o quase desespero tomavam conta de mim? Onde estavas tu quando a minha vida espiritual, mental e física se ia degradando? “Preocupas-te” tanto com a minha vida, quando afinal só queres a minha morte!
 
Diz ele: Tu é que sabes! Mas comigo a vida é muito melhor e tem muito mais prazer!
 
Digo eu: Vai-te, que já te experimentei e sei bem que contigo a vida só leva à morte, e à morte para sempre. Deus dar-me-á o que preciso, e não mais do que isso, porque Ele nunca falta com nada do que aqueles que n’Ele crêem e confiam verdadeiramente precisam.
 
 
Marinha Grande, 8 de Março de 2013
Joaquim Mexia Alves
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