terça-feira, 25 de agosto de 2026

A MORTE E A VIDA

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Na Tua presença, Senhor Jesus, reflito sobre a morte.

Não que tenha medo da minha morte ou que tal me incomode, pois incomoda-me mais a morte dos outros, sobretudo daqueles que me são queridos.

Por vezes ouve-se dizer que o Homem nasce para morrer, mas quando penso em Ti e me deixo guiar por Ti, percebo, quero perceber, que o Homem nasce para viver para sempre.

Se o Homem nascesse para morrer, Tu não o terias criado à Tua imagem semelhança, porque Tu, Senhor, existes desde sempre e para sempre.

Ao criares o Homem quiseste dar-lhe essa “centelha” de eternidade, para que o Homem em Ti encontrasse o amor e a vida para sempre.

Assim se o Homem recebe de Ti o dom da vida, então também recebe o dom da vida eterna.

Por isso a morte física do Homem mais não é do que isso mesmo, morte física.

Quando criaste o Homem à Tua imagem e semelhança, criaste-o em total liberdade e, por isso mesmo, nessa liberdade o Homem, na sua vida física, precisa de Te encontrar e viver o caminho para Ti e em Ti, para assim se completar inteiramente junto de Ti, depois da sua morte física.

Aqueles que não Te querem procurar ou que Te rejeitam tendo de Ti conhecimento, também continuam a viver para sempre, mas estando ausentes da Tua presença, não se completam, e, por isso, mais valia não terem nascido, pois não atingem a plenitude para que foram criados, porque a vida para sempre fora da Tua presença é a morte do seu próprio ser, criado à Tua imagem e semelhança.

Em Ti, Senhor, está a vida, porque Tu és o Senhor da vida, és a própria vida que se entregou por todos nós para nos libertar da morte.





Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

“TURISMO RELIGIOSO”

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Têm surgido nas redes sociais nestes últimos tempos, alguns textos sobre a indumentária que se deve utilizar quando se visitam santuários, igrejas, etc.

Esses textos são obviamente comentados por pessoas que estão de acordo e outras que o não estão, sendo que, alguns desses comentários roçam, por vezes, extremismos a favor ou contra.

Penso que tudo tem a ver com a sensatez de quem quer visitar tais locais e qual o seu propósito, no entanto, mesmo que seja por uma simples visita turística, exige-se um mínimo de compostura no trajar para estar nesses locais de culto.

É interessante pensar que aqueles que advogam que se pode ir de qualquer maneira, ou seja, praticamente despido, se forem a uma entrevista de emprego, por exemplo, vestem-se de modo adequado, ou seja, pretendem com isso causar boa impressão e respeitar o “entrevistador”.

No entanto para visitar a “casa de Deus” esse respeito desaparece, como se Deus não fosse infinitamente maior do que um qualquer humano que pretendemos respeitar.

Podemos argumentar que Deus não se incomoda com a nossa indumentária e isso até pode ser verdade, mas a verdade é que, como diziam os mais antigos, “o respeitinho é muito bonito”.

Claro que, hoje em dia, a indumentária, infelizmente, é muitas vezes descurada, roçando quase sempre a falta de respeito pelos outros, como podemos ver, por exemplo, em casamentos, onde uns vão vestidos a preceito e outros vão de calções, de “chanatas”, etc.
É até curioso ver as senhoras com vestidos todos compostos e alguns dos seus acompanhantes quase em fato de banho!

Noutros tempos, não muito longínquos, havia até uma expressão interessante para documentar este tipo de atitudes: Ao Domingo vestia-se “a roupa de ir ver a Deus”!

Claro que Deus “lê” muito mais a intenção do nosso coração do que a nossa forma de vestir, mas isso não implica que eu não deva ter respeito pelos lugares onde Ele se faz presente nas celebrações, por exemplo, embora Ele esteja sempre presente “onde dois ou três se reunem em Seu nome”.

Estes textos sobre a forma de vestir naqueles locais leva-me a pensar, também, numa designação, digamos assim, que me faz sempre uma certa “comichão”.

O chamado “turismo religioso”.
Que coisa é esta do “turismo religioso”?

Se quer significar aqueles que não sendo religiosos querem visitar locais de culto pela sua beleza arquitectónica, ou outra, então é apenas turismo puro e simples, porque de religioso nada tem.

Se a visita é por pessoas que são religiosas, ou seja, tementes a Deus, então a visita é prioritariamente, espera-se bem, para rezar naquele local e só depois vem o interesse pela beleza do local, e isso nada tem de turismo, mas sim de procura de Deus na beleza de tudo o que sai das Suas mãos na natureza ou pelas mãos dos homens.

Com um “sorriso interior” fico a pensar, começando por mim, que muitas vezes nós cristãos somos “turistas religiosos”, ou seja, queremos ver Jesus, mas não “procuramos ver quem é Jesus”, como Zaqueu.

Vamos até à igreja, (que até pode ser o interior do nosso coração), fazemos umas orações e, depois, regressamos à nossa vida sem pensarmos mais nisso.

É mais ou menos como tirar umas fotografias, que guardamos em qualquer sítio, ficar muito contentes por ter “visto”, mas não deixamos que isso nos transforme, que seja vida em nós.
São boas recordações e pouco mais do que isso.

Ou seja, então sim, parece que vivemos a fazer “turismo religioso”.

Mas Jesus não nos chama a ser “turistas”, que O visitam uma vez e depois se vão embora.

Jesus chama-nos a ser discípulos que querem seguir e viver o Caminho, a Verdade e a Vida, permanecendo n’Ele, com Ele e por Ele em tudo e sempre.







Marinha Grande, 19 de Agosto de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

SER MORADA DE DEUS

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Se quero construir a minha casa escolho um arquitecto em quem tenha confiança, para que ela seja bem desenhada, seja bonita à vista de quem passa, seja funcional e sirva os propósitos para que eu a quero, ou seja, para eu morar nela e ser feliz.

Mas também me preocupo que seja tudo bem feito, com segurança, que seja bem projectada, segura, que possa resistir às intempéries do tempo, e, para isso, chamo um engenheiro que a saiba projetar.

Depois, para que a construção seja sólida, chamo, enfim, um construtor civil, alguém da minha inteira confiança, que eu saiba que constrói o que está no projeto, que não rouba nos materiais, que não se preocupa em acabar depressa, mas sim em acabar bem a obra, para que o resultado final seja tudo aquilo que eu preciso para viver em paz e tranquilidade.

E se quero ser morada de Deus, quem devo chamar para me construir?

Apenas o Espírito Santo, em nome de Jesus, no amor do Pai, é o melhor arquitecto, o melhor engenheiro, o melhor construtor, para fazer de mim morada de Deus, para que, vivendo Ele em mim e eu n’Ele, a minha vida seja porto seguro para mim próprio e para os outros.






Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

SEMPRE O PERDÃO

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«Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.» (Mt 18, 35)

«Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido».

Tantas vezes rezamos o Pai Nosso “decorado”, e não “de coração”, e, por isso mesmo, dizemos esta frase da oração, com uma indiferença total ao que, afinal, pedimos ao Pai.

Sim, é verdade que já nos foi dito isto mesmo muitas vezes, e nós próprios, de quando em vez, nos lembramos também desta realidade.

Mas tenho para mim que, talvez mais do que tomar atenção ao que rezamos, é importante fazer, praticar o que rezamos, o que pedimos.

Mas já passou tanto tempo e eu nem sei onde está agora quem me ofendeu, mas infelizmente continua presente em mim essa ofensa, como posso eu perdoar-lhe?

Podemos sempre perdoar no nosso coração.

Perdoar é algo que tem de sair da nossa vontade, mesmo que ao princípio nos pareça não estarmos a ser muito sinceros naquilo que queremos fazer, ou seja, perdoar.

Mas se deixarmos esse desejo da nossa vontade ir tomando conta de nós, e, sobretudo, se pedirmos a Deus que nos dê o necessário para isso, mais tarde ou mais cedo o perdão vai tomar conta de nós, e ficaremos em paz perante a ofensa e o ofensor.

Fui aprendendo no meu caminho para Deus e com Deus que rezar por quem nos ofendeu torna muito mais fácil o perdão, porque o Espírito Santo nos vai moldando e fazendo perceber que aquele que nos ofendeu não é, afinal, muito diferente de nós próprios, ou seja, também nós temos fraquezas e também nós ofendemos umas vezes deliberadamente, outras sem disso tomarmos verdadeiramente consciência.

Porque a verdade é que quando pensamos ou falamos em perdoar, temos que ter ser presente o pedir perdão, isto é, aqueles que nós também ofendemos.

A frase do Pai Nosso que rezamos começa, afinal, por pedir perdão ao Pai, pelo que também, sem dúvida, temos que pedir perdão a quem ofendemos, para que o perdão habite em nós e assim também possamos perdoar a quem nos ofendeu.

«Portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas.» (Mt 7,12)

Afinal a melhor medida para percebermos o perdão é, com certeza, o reconhecermos as nossas fraquezas e assim termos a consciência de que todos nós, em algum momento das nossas vidas, ofendemos e fomos ofendidos.

Podemos analisar e reanalisar pela psicologia e não só, todo o processo de perdoar e pedir perdão, mas, quanto a mim, a melhor forma de perdoar e pedir perdão é rezar, ter vontade de perdoar e pedir perdão, entregarmo-nos confiadamente ao Espírito Santo e, confiar com toda a esperança que no momento certo o nosso coração se vai encher de perdão.

E, então, a paz acontece, e o amor que nos toca é o amor de Deus, que se faz amor em nós para podermos amar os outros como Ele quer que nós façamos sempre.






Marinha Grande, 13 de Agosto de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

FALAR CALADO

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Não sabes o que hás de dizer, como proclamar a Palavra de Deus, como levá-lO aos outros?

Não te preocupes, porque quando chegar o momento o Espírito Santo te dará palavras para dizer, e repara que podes falar da Palavra de Deus mesmo estando calado.

Se abrires os braços àqueles que de ti precisam, se tiveres um sorriso para os que andam tristes, se deres do que tens um pouco àqueles que nada têm, estás a proclamar a Palavra de Deus sem nada dizer.

Lembra-te que Jesus Cristo falou e com as Suas palavras muitos corações e muitas vidas mudaram, mas houve também muitos que não entendiam aquilo que Ele dizia e, no entanto, mudaram as suas vidas, converteram-se, e procuraram segui-lO, porque eram tocados por aquilo que Ele fazia.

Chamava os leprosos que eram escorraçados da sociedade, e não tinha medo de os tocar, comia com os pecadores, quando naquele tempo os pecadores eram colocados de lado, enfrentava as injustiças com a serenidade de quem é justo, não condenava ninguém, mas apontava caminho a seguir dizendo algo tão simples como: «Agora vai e não voltes a pecar». (cf Jo 8,11)

Pensa agora tu que queres proclamar a Palavra de Deus, que queres ser testemunha de Cristo, como deves viver a tua vida?

Será que ela testemunha e condiz com aquilo que afirmas acreditar, com tudo o que te comprometes a seguir, que confirma o queres viver e ensinar?

Sim, com certeza, que muitas vezes falhas.

Mas não é por causa dessas falhas que deves desistir do teu caminho, ou melhor, do caminho a que Ele te chama, para seguires.

Ao contrário, deves pegar nessas falhas, nessas fraquezas, e retirares delas ensinamento para não voltares a pecar.







Joaquim Mexia Alves
(conversas comigo)

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

AS MIGALHAS DO TEU AMOR


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«É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos» (Mt 15,27)

Que feliz eu sou, Senhor, pela graça que me dás de “comer as migalhas que caem da mesa do Teu amor”.

Nada mais quero, Senhor, porque nessas “migalhas” está contido todo o Teu amor.

O Teu amor não se divide, não se torna pequeno ou maior, porque o Teu amor é total e sem limites e, por isso mesmo, qualquer “migalha” do Teu amor contém o Teu amor por inteiro.

Como a Eucaristia, onde o pedaço mais ínfimo da hóstia consagrada, Te contém inteiramente, e é, por isso, sem a mínima dúvida, a Tua inteira e total Presença Real e verdadeira.

E Tu, Senhor, transbordando o Teu amor em “migalhas” que deixas cair de propósito da Tua mesa, (perdoa-me a imagem), vais-nos alimentando do Teu amor que és Tu mesmo inteiramente.

Que feliz eu sou, Senhor, porque me deixas ser também “migalha” nas Tuas mãos e me enches do Teu amor.

Permite-nos, Senhor, sermos “migalhas” do Teu amor para queles que ainda não Te amam, para que também eles queiram viver “das migalhas que caem da mesa do Teu amor”.






Monte Real, 5 de Agosto de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

«OS TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS»



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«Filho, os teus pecados estão perdoados.» (Mc 2,5)

Foi o que disse Jesus ao paralítico e diz também a cada um de nós que se abre à Sua misericórdia no Sacramento da Penitência.

Fiquei a pensar nestas palavras e na graça extraordinária que o Senhor deu ao homem quando instituiu o Sacramento da Penitência como lemos em Jo 20,23: «Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»

Reflecti, então, que este Sacramento tem um “problema”, pelo menos para mim.

É que a certeza de que este Sacramento está à nossa disposição sempre que dele nos queiramos acercar, acaba por nos levar a não combatermos as tentações, as nossas fraquezas, a tomada de decisões, com todo o discernimento e força que o Espírito Santo nos dá, se a Ele recorrermos nessas situações.

Claro que esta é uma reflexão escrita para mim, não representando, portanto, espero eu, o pensar e o agir daqueles que a possam ler.

Tenho para mim, que a certeza do perdão de Deus, sempre que me arrependo do que faço mal, se apega ao meu subconsciente e, muitas vezes, em vez de combater as tentações e o mal com a fé que Deus me dá, deixo-me cair, deixo-me levar, sabendo que sempre posso confessar-me pedindo perdão pelas minhas faltas.

É que o Sacramento da Penitência, embora se possa e deva a ele recorrer sempre que necessário, (com verdadeiro arrependimento e propósito de emenda), deveria ser, digamos assim, o “último” recurso, porque em primeiríssimo lugar a nossa atitude deveria ser, com todas as nossas forças, as forças que Deus nos dá, não nos deixarmos cair em tentação e, assim, não pecarmos em pensamentos, palavras, actos e omissões.

Pode parecer estranha esta forma de ver, de reflectir, mas a verdade, volto a repetir, para mim, é que aquilo que é dado como adquirido, leva-nos muitas vezes a desvalorizar tudo o que devemos fazer e lutar para alcançar o dom que nos é dado, e neste caso o dom é a graça do perdão de Deus, prometido e oferecido a todos gratuitamente no Sacramento da Penitência.






Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)