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Recentemente, quando estava à porta da igreja da minha paróquia à espera para integrar o cortejo de entrada para a Eucaristia, vi chegar duas pessoas e uma delas, espreitando para dentro da igreja, disse com ar indignado para a outra: Pronto, o meu lugar já está ocupado!
Fiquei estupefacto com a frase pois, obviamente, na nossa igreja não há lugares reservados, nem marcados, como julgo que em nenhuma igreja, tirando o lugar dos que presidem e servem à celebração ou em celebrações especificas.
Há algum tempo já me tinha confrontado comigo próprio sobre o facto de ir sempre para o mesmo lado da igreja nas celebrações, (a propósito, é tempo de voltar a pensar nisso), e fiz um esforço para mudar de lado.
Constatei então, (o ser humano é um animal de hábitos), que muita gente vai realmente sempre para o mesmo lugar, o que leva a olhares com admiração contida para aqueles que, como eu, volta e meia mudam de lugar, assim como: Olha este hoje enganou-se. Ele não costuma ficar aqui!
Parece-me, passe o exagero, que dentro da comunidade paroquial reunida em celebração, acabam por existir outras “comunidades”, determinadas pelos lugares que ocupam.
Claro que isto tem a importância que tem, ou seja, praticamente nenhuma, mas a verdade é que acabamos muitas vezes por “construir muros” à volta do nosso conforto, não nos abrindo a todos os que connosco são Igreja.
Provavelmente exagero e se assim for, desculpem-me.
Mas depois fiquei a pensar na situação descrita logo no início, reflectindo neste “meu” lugar na Igreja.
Uma coisa é o lugar físico, digamos assim, na igreja, edifício de cimento, e a que aquela pessoa se referia.
Outra coisa é o lugar de cada um em Igreja, ao serviço da Igreja, como pertença da Igreja, como ser Igreja.
É que se o lugar físico na igreja pode estar ocupado e, portanto, já não pode ser ocupado por mais ninguém, o lugar espiritual de serviço/missão em Igreja nunca está ocupado, porque todos podem fazer parte e “ocupar” esse mesmo lugar.
E se o lugar físico na igreja depende da minha vontade, o lugar espiritual de serviço/missão em Igreja não deve depender da minha vontade, mas da vontade do Espírito Santo, que é Quem chama cada um à sua missão em Igreja.
E é aqui que, muitas vezes, não nos deixamos conduzir, ou melhor, queremos “impor” aquilo que nós achamos que somos capazes de fazer, ou pior ainda, que achamos mais importante e até, («vaidade das vaidades, tudo é vaidade» Ecl 1,2) mais visível aos olhos dos outros.
Pior ainda quando criticamos alguém por ser escolhido para “ocupar” algum “lugar”, algum serviço/missão em Igreja que nós gostaríamos de “ocupar” e, então, procuramos defeitos naquele que foi chamado/escolhido.
Lembro-me, há muitos anos, de ver em Londres, em certas igrejas, alguns bancos que tinham uma placa informando que tal banco tinha sido oferecido por certa pessoa ou família, mas que eu saiba, isso não lhes dava o direito de reservarem e ocuparem tal banco.
Realmente em Igreja não se podem comprar “lugares”, sejam eles quais forem, e muito menos os “lugares” que são serviço, que são missão em Igreja e, por isso mesmo, também, devemos estar sempre prontos para ser substituídos em qualquer momento, porque todos nos devemos comportar como «servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer». (Lc 17.10)
Afinal o nosso lugar em Igreja é apenas e só aquele a que o Espírito Santo nos quiser chamar, desde apenas rezar, até servir desde a missão/serviço mais simples, à mais complicada e visível, em perfeita humildade e entrega, sabendo sempre que é Ele que tudo faz em nós, assim nos deixemos nós guiar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Marinha Grande, 19 de Outubro de 2026
Joaquim Mexia Alves


















