quinta-feira, 11 de novembro de 2021

NEVOEIRO!

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Caminho no nevoeiro.
não me incomoda,
nem me mete medo,
o Teu amor inteiro
acompanha-me,
guia-me,
é o meu rochedo.


O caminho és Tu,
Senhor,
apenas Tu,
que Te deste na Cruz,
e não há nevoeiro,
que esmoreça a Tua luz.


Que me interessa o nevoeiro,
se no caminho que faço,
te tenho por companheiro,
qual caminho de Emaús,
inscrito no coração,
todo cheio de amor,
e que ao partir do Pão,
me leva a exclamar bem alto:
meu Deus e meu Senhor!



Monte Real, 11 de Novembro de 2021
Joaquim Mexia Alves

Pelos caminhos das Termas de Monte Real hoje de manhãzinha.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

LUZ DOAÇÃO!

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A Tua Luz,
Senhor,
ilumina a beleza da simplicidade
do amor,
dado na Cruz,
na mais perfeita humildade.

Ver com a Tua Luz,
é ver com o Teu olhar,
Jesus,
o olhar que envolve,
que toca,
que transforma,
todo aquele que quer amar.

Aceitar a Tua Luz,
Senhor,
é também aceitar a cruz,
do dia a dia,
levá-la com amor,
sorrindo,
amando,
espalhando alegria.

Viver a Tua Luz,
é afastar a escuridão,
Jesus,
é ser sal e luz,
é dar-se de coração
a todos os outros,
por quem morreste na Cruz,
na dor,
todo e só doação,
do Teu infinito amor…



Monte Real, 3 de Novembro de 2021
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

SANTOS SEM HALLOWEEN!

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Quem é que pode gostar de um dia dedicado a bruxas, mortos, maldições e coisas parecidas?

Que perversão é esta que leva pessoas a “celebrar” o mal, o erro, a morte, o oculto, em vez do bem, da verdade, da vida, da luz?

Temos, nós católicos, um Dia de Todos os Santos que celebra o amor, a verdade, a santidade, a vida eterna na plena felicidade do gozo de Deus e mesmo e assim alguns optam por querer viver esse dia com tudo o que é contrário ao amor de Deus.

Pior ainda, quando levam as crianças a viver esse dia de tal maneira!!!
Será que nem sequer pensam no mal que fazem às crianças, agora e no futuro?

Querem ir com as crianças à rua festejar o dia?

Vão com roupas normais, batam às portas, dêem um sorriso, uma bênção de Deus e peçam o pão por Deus e até mesmo uma guloseima.
Sejam testemunhas do amor de Deus!

As crianças agradecem agora e com certeza no futuro, a humanidade agradece, sobretudo o amor entre os homens agradece e Deus, sem dúvida, abençoa aqueles que o fizerem com o coração aberto ao amor.

Santo e feliz Dia de Todos os Santos em comunhão com Deus e com todos eles, que no Céu gozam já a felicidade eterna.



Marinha Grande, 1 de Novembro de 2021
Joaquim Mexia Alves

domingo, 31 de outubro de 2021

NAVEGAR A VIDA

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Dormes na barca da minha vida
e isso enche-me
de confiança.


Que me importa a chuva,
o vento,
a tempestade,
se à Tua voz
tudo se faz bonança.

Navego neste longo mar,
levado pelo Teu vento,
que sabe onde me levar,
em cada dia,
em cada momento,
e me ensina a perdoar,
a perdoar,
a perdoar,
e a amar,
em todo o tempo…




Marinha Grande, 31 de Outubro de 2021
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

SEM TÍTULO

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Na quietude da tarde
o sol vai-se escondendo,
fugindo para outras montanhas,
deitando-se noutros mares,
e eu vou desfalecendo,
em sons,
em sentidos,
exprimidos
em cantares.

O tempo vai-me deixando,
(para que preciso do tempo?),
se o tempo que ainda me falta,
é para cantar,
chorando.

Lágrimas de ternura imensa,
de carinho,
e alegria,
lágrimas que já não tenho,
porque se esgotaram
no dia.

A luz vai-se apagando,
mas nunca deixa de brilhar,
porque nenhumas trevas apagam,
o mais sublime acto do Homem,
que é amar,
amar,
amar,
sempre amar!



Monte Real, 13 de Outubro de 2021
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

«E procurava vê-lo.» Lc 9, 9

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O Evangelho de hoje narra-nos a perplexidade de Herodes perante o que diziam de Jesus e termina a passagem bíblica com a frase «E procurava vê-lo.» Lc 9, 9

Esta frase faz toda uma diferença entre a atitude de Herodes e Zaqueu, pois na passagem bíblica sobre Zaqueu, no mesmo Evangelho de São Lucas, é escrito que Zaqueu «procurava ver quem era Jesus» Lc 19, 3

E a diferença, entre Herodes e Zaqueu, (para além de todas as outras), é a que muitas vezes acontece nas nossas vidas, ou seja, procuramos ver Jesus, mas não procuramos ver «quem» é Jesus.

O “ver” uma pessoa só por ver, por curiosidade, pode nada mudar em nós.

Mas o “ver” quem é essa pessoa, obriga a um conhecimento da pessoa e isso pode mudar muita coisa nas nossas vidas.

E se essa Pessoa é Jesus Cristo a diferença pode ser total!

Basta ver a transformação que aconteceu na vida de Zaqueu e a indiferença que continuou na vida de Herodes.




Nota: Os versículos bíblicos foram recolhidas na Bíblia da Conferência Episcopal Portuguesa.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

UM PECADO “SUBTIL”

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O Evangelho de hoje leva-nos, numa leitura rápida, a olharmos para a mulher pecadora que se aproxima de Jesus e a quem Ele perdoa os pecados.

É realmente mais “fácil” para mim, para nós, olharmos e identificarmo-nos com a mulher pecadora e perante Jesus, baixarmos a cabeça e pedirmos perdão.

No entanto, a figura do dono da casa, do fariseu, não a identificamos connosco com tanta facilidade e, afinal, pelo menos eu, tantas vezes procedo como ele no íntimo dos meus pensamentos, dos meus “julgamentos”.

Quantas vezes em Igreja, não penso/julgo, não pensamos/julgamos, que aquele ou aquela não deveriam estar ali, por causa da vida que supostamente achamos que levam, ou por causa de actos ou atitudes que tomaram ou julgamos que tomaram.

E fazemo-lo na nossa casa, que é a Igreja, não cuidando de pensar que é uma casa de pecadores, porque se fosse apenas para santos, nenhum de nós a Ela poderia pertencer.

E é grande este pecado, deste pensamento/julgamento do fariseu, porque vemos/ouvimos Jesus, ao longo dos Evangelhos, referi-lo de forma subtil mas permanente, no filho que ficou em casa do pai, no incómodo de alguns no pagamento da jorna diária, naqueles que acusam a mulher adúltera, enfim, em tantas ocasiões em que os homens se julgam com “direito” a um deus, que não é afinal o Deus de todos, o Deus verdadeiro.

O nosso Deus, ou melhor, o Deus em Quem queremos acreditar, é o Deus de todos, dos mais pecadores aos mais supostamente “cumpridores”, dos mais pobres aos mais ricos com coração bondoso, dos mais desprezados aos mais reconhecidos que agradecem sinceramente a Deus esse reconhecimento e dele se servem para ajudar os desprezados, enfim, é um Deus que não faz acepção de pessoas, que a todos ama por igual e a todos perdoa com infinito amor.

Ah, Senhor, faz com que eu reconheça o meu pecado e em vez de julgar o outro, por achar que não tem “direito” a estar na Tua casa, antes o chame, o acolha, o abrace, o sente à mesa da refeição divina, o apresente a Ti, intercedendo por ele e por mim, pobre pecador, de modo a que, convertidos no Teu amor, confessemos os nossos pecados e perdoados por Ti, contigo, permaneçamos no banquete do amor que preparaste para nós. 



Marinha Grande, 16 de Setembro de 2021
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

“EIS A TUA MÃE”!

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Quedo-me espantado, “atingido” pelo Teu amor! 

Na Cruz, nos derradeiros momentos, o Teu amor, por todos, por mim, torna-se ainda mais forte e presente, (como se fosse possível ao infinito amor, ser maior do que o infinito), e, depois de invocares o Pai pedindo perdão por e para nós, por e para mim, ainda nos entregas a Tua Mãe para ser nossa Mãe, também. 

E Ela, a Tua Mãe, inclina a cabeça e como sempre, cheia de humildade e amor, aceita a maternidade de cada um de nós, de mim, sabendo que as suas dores vão ser aumentadas com as nossas dores, também, e com as dores que lhe causamos com tanta falta de amor ao seu Filho, a Ele próprio e a todos os que sofrendo e necessitando de algum modo, nós desprezamos e/ou não consolamos. 

“Eis a tua Mãe”! 

Quero aninhar-me em teus braços, Mãe, e dizer-te, pedir-te, que digas ao teu Filho que O amo com todas as minhas forças e apesar das minhas fraquezas. 

Quero recostar a minha cabeça no teu colo, Mãe, e pedir-te que me ensines a amá-lO como tu O amas. 

Quero olhar-te nos olhos, Mãe, e pedir-te que me ajudes a amar todos os teus filhos, (os que estão perto e os que estão longe), com o mesmo amor que me vem e tenho pelo teu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor. 

“Eis a tua Mãe”! 

Humildemente, sabendo das minhas fraquezas, dos meus erros, dos meus pecados, encosto-me ao teu peito “cravado de dores”, e digo-te como todo o amor: Mãe, eis o teu filho pecador! 



Nossa Senhora das Dores 
Monte Real, 15 de Setembro de 2021 
Joaquim Mexia Alves

domingo, 12 de setembro de 2021

ATÉ JÁ, RUI!

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Ontem foi a despedida do Pe Rui Ruivo da paróquia da Marinha Grande.

Escolhi a fotografia de propósito pois acho que o representa muito bem.

Chegou há dois anos e desde logo marcou presença pela sua simpatia, pela sua alegria, pela intimidade que coloca nas suas conversas, pela sua sempre pronta disponibilidade, e, sobretudo, pela sua espiritualidade, pelas suas homílias, pelo seu modo tão “intenso” de celebrar.

Foi pouco tempo, apenas dois anos, mas deixou marca forte na comunidade paroquial e em mim, com certeza, deixou uma amizade sincera e grata.

Sendo o seu sacerdócio um dom de Deus, assim nos foi dado durante este tempo e assim o devemos “libertar” para que continue a ser esse dom de Deus para outros também.

Se pudesse resumir estes dois anos de celebrações, confissões, convívios, conversas entre nós os dois, escolheria, sem dúvida, a nossa conversa, quase confissão, que com ele tive quando em boa hora me inscrevi no “seu” retiro de oração/poesia, (tema que me é tão caro), e, por entre as árvores do parque do Seminário, lhe abri a alma às minhas lutas interiores, derramei umas lágrimas sem qualquer vergonha, e recebi as palavras, o conselho, o abraço espiritual, de quem compreendeu, não julgou, antes se tornou parte integrante dessas lutas como se dele fossem também.

Sabe bem o Pe Rui que encontra e encontrará sempre na comunidade paroquial da Marinha Grande os braços abertos para o receber em qualquer momento que nos queira visitar ou queira de nós precisar.

Obrigado, Rui, vai em paz com o sentido da missão cumprida por estas terras da Marinha Grande.

Um grande e terno abraço.


Joaquim

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

UM QUALQUER JOAQUIM “ARMADO” EM SAMUEL

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Abro os olhos na escuridão e fico assim, deitado na cama, tentando ver o que a escuridão me quer esconder.
Foram tantas as notícias duras que hoje me deram!!!

Embora não Te veja com os meus olhos, Senhor, sei que estás ali, comigo, acordado, também, para me fazeres companhia.

E vais falando ao meu coração e mostrando tantas coisas que o Teu amor me vai fazendo ver.

Para quem acredita em Ti, não há escuridão que esconda o Teu amor!

Fecho os olhos da cara, abro os olhos do coração e a luz torna-se viva, transparente, límpida e intensamente terna.

E a oração surge, anima-se, torna-se presente, abre os meus lábios, todo o meu ser, e glorifica, adora, louva, ama e pede.

Qual escuridão?
O quarto enche-se da Tua luz, embora só eu a sinta, naquele momento, porque a Tua luz não precisa ser vista, mas sentida e acreditada.

E as palavras formam-se no coração e saem em catadupas: Adoro-Te, amo-Te, louvo-Te, glória, glória a Ti, Senhor!

E peço-Te: Lembra-Te, Senhor, dos que sofrem, sobretudo dos que não Te encontraram ainda e toma a minha vida, por eles, por todos, para que em Ti encontrem a Vida, porque tudo o mais lhes darás por acréscimo.

Recosto-me no Teu ombro, (ou será a minha almofada?), e deixo-me embalar por Ti e assim adormeço outra vez na escuridão, que tornaste luz para mim.



Marinha Grande, 10 de Setembro de 2021
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

50 ANOS

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Faz este ano 50 anos a nova igreja da Marinha Grande. 

Eu não vivia, então, na Marinha Grande, mas não tenho dúvidas de que foi, com certeza, um grande esforço de toda a comunidade a construção desta nova igreja. 

E um grande esforço que não deve ter sido apenas material/financeiro, mas também de trabalho, de abertura à ideia da “coisa” nova, de, corajosamente, olhar para trás e para todas as coisas que tinham sido habituais ao longo de tantos anos, que faziam parte da comunidade e a que a comunidade estava legitimamente agarrada e agora tinha que esquecer, digamos assim, não porque estivessem erradas, mas porque era necessário avançar para o “novo”, para o crescimento, para a mudança que é sempre necessária, mas que sempre traz consigo dificuldades, receios, incómodos e até, às vezes, más vontades. 

O Padre Manuel Veríssimo, (que me baptizou muitos anos atrás em Monte Real), era um “construtor de igrejas” e teve, com certeza, os seus detractores e os seus apoiantes, mas acabou por dotar a Marinha Grande de uma nova igreja, mais ampla, mais moderna, embora não venha aqui ao caso se mais bonita ou não, arquitectonicamente falando. 

Vem este “historial” a propósito dos tais 50 anos da igreja nova e do tempo que agora vivemos, procurando também, não uma Igreja nova, mas uma Igreja renovada pelo Espírito Santo. 

Reparem, (os que lêem este texto), que quando se refere os 50 anos da igreja nova da Marinha Grande se utiliza letra minúscula, para se perceber bem a diferença entre a igreja/edifício e a Igreja, Assembleia de Fiéis convocada por Deus. 

Os 50 anos dizem respeito a um novo edifício a que chamamos igreja. 

Os 50 anos são pretexto, também, para falar da Igreja de Cristo, da comunidade paroquial da Marinha Grande e da sua renovação divina. 

Se a construção da nova igreja há 50 anos despertou/provocou tudo aquilo que se descreve acima, também, sem dúvida, a renovação divina da Igreja, comunidade paroquial, provoca e provocará vários sentimentos, diversas dificuldades, e algumas “dores” de mudança. 

Agora é o Padre Patrício Oliveira e o Padre Jorge que deitam mãos à obra da renovação e que, com certeza, tal como o seu antecessor há 50 anos, hão-de ter os seus detractores e os seus apoiantes. 

Mas a Igreja comunidade paroquial, não pode continuar fechada em si mesma, apenas mantendo aqueles que já nela estão, não crescendo, e sobretudo não cumprindo a sua mais importante missão que é evangelizar, que é anunciar a Boa Nova, que é cumprir o que Jesus Cristo pediu a todos os que nEle acreditam e querem ser Igreja: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.» Mt 28, 19-20 

Será preciso romper com algumas rotinas? 
Sem dúvida, porque já nos tornaram acomodados, já nos tornaram “cristãos mornos”, sem a chama do Espírito Santo que faz sempre tudo novo. 

Será preciso romper com algumas práticas e procedimentos na catequese, na formação religiosa e até nas celebrações, (mantendo obviamente a unidade da liturgia)? 
Com certeza, porque os novos tempos exigem de nós a adaptação às novas tecnologias, por exemplo, exigem de nós um novo discurso e uma nova forma de apresentar a Doutrina, (sem a mudar em nada, obviamente, em comunhão de Igreja), exigem de nós que percebamos os novos Movimentos com as suas espiritualidades, (os que estão em comunhão com a Santa Sé, obviamente). 

Será preciso um novo empenho na oração, na forma de orar, na entrega em comunidade? 
Claro que sim! 
O Espírito Santo é que ora em nós e em todos os momentos nos conduz ao encontro da oração sempre nova, sem nunca abandonar, obviamente, as orações tradicionais. 
É que é neste novo empenho na oração, invocando continuamente o Espírito Santo, que iremos, todos, ter uma relação cada vez maior, mais íntima e pessoal com Jesus Cristo, com o amor do Pai, e essa relação irá fazer de nós verdadeiros discípulos, testemunhas constantes do amor de Deus. 

Uma nova forma de caridade, digamos assim. 
Já não só a caridade do dar só por dar, mas do dar “acompanhado”, isto é, dar de modo a que aqueles que recebem sintam que a ajuda vem de Deus, pelas mãos daqueles que a Ele se entregam, para que esse testemunho leve os outros a encontrarem Cristo e a encontrarem na Igreja, na comunidade paroquial, o porto seguro para as suas dificuldades, para os seus maus momentos, sejam eles quais forem, materiais, espirituais, de solidão e companhia. 

Uma nova forma de relacionamento entre os membros da comunidade paroquial. 
Sim, uma nova forma que leve a que quando nos sentamos na igreja para celebrar, sintamos que não estamos ao lado de um estranho, mas sim de um irmão em Cristo, de alguém que faz parte da grande família de Deus e que, portanto, nos ama e que nós amamos também. 

«Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei», disse Jesus, e é esse amor que precisamos viver, esse amor que era visível nas primeiras comunidades cristãs em que todos partilhavam os seus dons, de modo a que nada faltasse a ninguém, desde o material, ao espiritual, ao acompanhamento solidário, não só aqueles que são connosco Igreja, mas também aos que ainda não encontraram Deus, (ou não se deixaram encontrar), e que ao verem o testemunho da comunidade a ela queiram pertencer por perceberem que é em Cristo que encontramos amor, fé, confiança, esperança. 

Difícil? 
Claro que é difícil, claro que dá trabalho, claro que exige de nós uma nova visão, uma nova maneira de viver a fé, mais empenhada, mais amorosa, mais entregue, mais comunhão, mais nós e menos eu. 

As primeiras comunidades conseguiram fazê-lo, pois abriam-se permanentemente ao Espírito Santo, que continuamente invocavam e Lhe pediam discernimento. 

Mas o Espírito Santo não é o mesmo agora? 
Acaso o Espírito Santo deixou de assistir à Igreja e àqueles que O procuram? 

Então confiemos, não apenas nas capacidades dos nossos pastores e nas nossas próprias capacidades, mas demos de nós tudo o que nos é dado por Deus, pedindo ao Espírito Santo que, no amor do Pai, nos guie continuamente ao encontro de Jesus Cristo que terá de ser sempre o centro de toda a renovação da Igreja comunidade paroquial. 

Assim, festejaremos em 8 de Dezembro os 50 anos, na igreja nova, mas sendo Igreja, (Comunidade Paroquial), permanentemente renovada no amor de Deus. 



Marinha Grande, 6 de Setembro de 2021 
Joaquim Mexia Alves 
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A fotografia é a "imagem de capa" da página do Facebook da Paróquia da Marinha Grande

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (21)

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«Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». 
«Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». 


Como pode ser isso possível, Senhor, se apesar de “pescado” ainda me debato tanto na tua “rede”, tentando libertar-me? 
Meu filho, é normal que te debatas em busca da liberdade, porque ainda não percebeste verdadeiramente que é na minha “rede” que és totalmente livre. 


Mas é uma “rede”, Senhor, e as redes prendem?
Repara que é uma “rede” que não prende. A “rede” que te prende e em que te debates és tu mesmo, que ainda não confias verdadeira e totalmente em Mim. 


De que é feita a tua “rede”, Senhor? 
A minha “rede” é feita só de amor e como sabes, quando o experimentas, o verdadeiro amor, o amor que te tenho e a todos vós, não tem prisões, não tem barreiras, é completamente livre, porque é todo doação e recepção. 


Oh, Senhor, percebo e quero viver intensamente na liberdade da tua “rede” de amor, mas «pescador de homens», eu? Pobre de mim! 
Sabes, meu filho, para ser «pescador de homens» não é preciso saber pescar! É preciso apenas saber amar! 


Mas é tão fraco o meu amar, Senhor! 
Quando te chamo a ser “pescador de homens”, como chamo a todos, Eu dou-te tudo o que precisas, sobretudo o amor. Mostra, testemunha o meu amor nas “águas da vida”, leva a “barca da tua vida” onde Eu te conduzir, toca e deixa-te tocar, sente e faz sentir, sorri e recebe os sorrisos, abraça e deixa-te abraçar, beija e deixa-te beijar, ama e deixa-te amar, e Eu me encarregarei do resto da “pesca”. 


E, Senhor, como posso eu saber se sou bom «pescador de homens»? 
Não te preocupes com isso. Faz-te apenas “ao largo” lança a “rede do Meu amor”, e Eu atrairei a Mim aqueles que quero pescar. Não precisas saber do resultado da tua “pesca”, não te vás tu orgulhar. Basta-te saber que Eu estou contigo a “pescar”! 


Obrigado, Senhor, por quereres que eu seja “pescador do Teu amor”! 
A todos Eu chamo, meu filho, a serem “pescadores do Meu amor”, de tal modo que o “pescado” é “pescador” e o amado é também o amor! 




Monte Real, 2 de Setembro de 2021 
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 31 de agosto de 2021

DIÁLOGOS COM O MEU EU (22)

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Há muito tempo que não conversávamos um com o outro! 
É verdade, e eu tenho saudades dessas conversas. 


Sabes acho-te disperso, menos focado numa missão. Pareces atarefado “como Marta”. 
Sabes são muitas coisas e infelizmente tenho muitas vezes a ânsia de estar em tudo. 


Pois! Mas só uma coisa interessa, segundo o que Ele disse. 
Eu sei, e todos os dias procuro e leio a Sua Palavra. 


Mas sabes que mais do que ler, sentir e discernir a Sua Palavra, é importante vivê-la! 
E eu tento vivê-la no dia-a-dia, o que nem sempre consigo. 


Pára um pouco! Olha bem para dentro de ti e vê se estás a fazer a Sua vontade ou a tua vontade. 
É tão difícil perceber isso por vezes! 


Atenta em quatro coisas: Sentes-te em paz a fazer o que fazes? O que fazes dá frutos bons? Cresces com Ele e nEle naquilo que fazes? Sentes a Sua presença no que fazes? 
Não te consigo responder já. Vou ter que analisar bem tudo isso. 


Fazes bem, mas mais do que analisar, reza, coloca-te nas Suas mãos e deixa que Ele faça em ti o que Ele quer que faças para os outros, servindo o Seu amor. 
Vou fazer isso! Obrigado pela conversa. 


É curioso e muito bom perceber como Ele está presente nestas conversas comigo mesmo! 



Monte Real, 31 de Agosto de 2021 
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

ORAÇÃO NAS FÉRIAS

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Capela Gótica - Pousada de Beja









O sol bate-me na cara!
Ouvem-se crianças e adultos na piscina.
Deitado na espreguiçadeira sinto que o calor aperta, e a dormência da inactividade toma conta de mim.

Um primeiro pensamento vem de repente ao meu coração e contento-me em viver o momento e sentir como é bom estar ali, sem nada para fazer que não seja apenas … estar!

Mas aquele calor, aquele bem-estar, aquele viver tão simplesmente a vida, levam-me incondicionalmente a um – obrigado meu Deus – reconhecendo a Sua presença em tudo e sentindo-O na razão da minha satisfação.

Abro a mão direita, que estava fechada, e sinto os cinco dedos, que com os cinco da mão esquerda, completam dez dedos, que me lembram de imediato as dez Avé Marias de cada Mistério do Rosário de Nossa Senhora.

Descontraio-me ainda mais e interiormente vou começando:
O Baptismo de Jesus no rio Jordão, Pai Nosso, Avé Maria, glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo e cadência doce do Terço vai tomando conta de mim.

Os dedos vão-se fechando, um a um, contando as contas do Rosário e vou-me abstraindo de tudo o resto à minha volta.

Os risos das crianças e as vozes dos adultos ouço-os agora mais longe, chamando-me à realidade da vida, mas a paz, a serenidade e a alegria contida da oração que vai saindo do meu coração, levam-me a viver este momento de realidade na terra, tocada por um pouco de Céu.

Lentamente chego ao fim, louvando a Mãe do Céu, saudando-A com uma Salvé Rainha toda interior e sentida.

Abro os olhos!

A realidade da terra continua bem presente em tudo aquilo que vejo, mas tocado pelo Céu, agradeço novamente o momento de paz que Deus me fez alcançar … mais uma vez!



Beja, 26 de Agosto de 2021
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

UMA GRANDE FAMÍLIA

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Hoje em dia encontramos imensas razões, (não tenho a certeza que sejam razões, mas talvez mais desculpas), para ter famílias pequenas, de um ou dois filhos ou mesmo nenhum.

Sou o nono filho de uns pais maravilhosos, embora tenhamos sido dez, (o último não chegou a “vingar” como se dizia naquele tempo), e não podia ter sido mais feliz do que fui e sou.

Uma família grande, três irmãs e seis irmãos, preencheram a minha vida e ensinaram-me a maior parte do que sei hoje, todos eles e elas com os seus feitios e saberes diferentes, com o seu modo de amar distinto em cada um, com a sua alegria e exemplo.

Poder ir buscar a cada um o que ele tinha/tem de melhor, é uma fonte inesgotável de aprendizagem, de perceber a dimensão do sentir, do amar.
E eu, talvez seja o mais “rico” de todos eles, por ser o mais novo e de todos ter recebido o tanto que me deram e ainda dão.

Mas quem não tem uma família assim, grande, (e depois muito acrescida com todos os que vão chegando), não faz ideia do que é a alegria imensa e ruidosa, no bom sentido, de um Natal à volta do presépio, à volta da mesa.
A alegria de cada festa de aniversário, de casamento, de baptizado!

Até mesmo, e o tempo é inexorável, num momento de dor pela partida de um, o encontro, o reencontro, a união, o amor que passa por cima de todas as diferenças e problemas, enche-nos de paz, de amor e, porque não, de alegria por nos sabermos juntos com e por aquele ou aquela que partiu.

Hoje, o mais velho de todos nós filhas e filhos, o Manuel José, faria 90 anos!
Sim 90 anos!

Curiosamente, contando com os nossos pais, já estão mais no Céu, do que aqueles que nos quedamos ainda por aqui, por isso a festa deve ser grande naquele “assento etéreo” onde vivem, e nós juntamo-nos a eles em alegria por tudo quanto nos foi dado.

Uma família grande é uma festa, claro, com tudo o que faz parte da vida: amor, alegria, dor, tristeza, discussão, zangas, reencontro e reconciliação.
Por isso, uma família grande, enche-nos, toma conta de nós e nunca nos deixa sós!

Escrevo em Monte Real que foi o berço maior desta minha querida família e onde as recordações me rodeiam e me enchem de paz, alegria e amor.

Obrigado, meu Deus, pela família extraordinária que me deste, que nos deste.



Monte Real, 18 de Agosto de 2021
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 10 de agosto de 2021

SEMENTE E SEMEADOR

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«Irmãos: lembrai-vos disto: quem semeia pouco também colherá pouco e quem semeia abundantemente também colherá abundantemente.» 2 Cor 9, 6

Somos tão parcos no dar!
Semeamos tão pouco da semente que Deus nos dá!

E, por vezes, só porque ajudamos um pouco em Igreja, já nos julgamos satisfeitos e credores de alguma coisa.
Damos a moeda e aliviamos a consciência como se tivéssemos cumprido um dever.
A moeda sem amor, não tem valor!

E o sorriso, os braços abertos para receber, as mãos estendidas para dar, onde estão nas nossas vidas?
E a paz, a alegria, a confiança, a esperança, quando é que verdadeiramente a transmitimos a quem por nós passa?

Rezamos muito?
Por quem?
Por nós próprios e pelos nossos, ou por aqueles que mais precisam, pelo “soldado desconhecido” da batalha da vida?

Tanta semente que Deus dá, e tão pouco semeador para a semear!

E como Ele é generoso!
É o Único que consegue transformar 5 sorrisos em paz serena para quem os recebe e depois os dá a outros, e 2 abraços em amor imenso aos abraçados e a quem eles abraçam também.
É o Único que consegue colocar em quem dá, a certeza perene de que já recebeu.

Somos tão parcos no dar!
Semeamos tão pouco da semente que Deus nos dá!

Envolve-nos, Senhor, no Teu amor e faz de cada um de nós um bom semeador!



Monte Real, 10 de Agosto de 2021
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 3 de agosto de 2021

«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus»

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Um dia, Senhor, quando ensaiava os primeiros passos à Tua procura, no regresso à casa do Pai, por palavras minhas, num desejo que me vinha do coração, também eu disse algo parecido com: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». 

Queria acreditar, queria conhecer-Te, queria viver-Te, queria depender do Teu amor, mas as “águas da vida” que eu levava, pareciam-me quase intransponíveis, pareciam irresistivelmente puxar-me para o fundo e eu tinha medo de sair da “barca da vida” em que navegava, embora ela não me levasse a nenhum porto seguro. 

Mas Tu chamaste-me, fizeste-me sentir a Tua presença, fizeste-me experimentar o Teu amor e eu saltei para fora daquela barca e caminhei para Ti, temeroso e pouco confiante. 

Por isso, tantas vezes tive e tenho de gritar - «Salva-me, Senhor!» - e Tu logo me estendeste e estendes a mão, me levantas para Ti e me fazes caminhar sobre as águas que me querem perder. 

Senhor, tenho pouca fé, reconheço humildemente, e por isso tantas vezes me “afundo”, mas no fundo de mim sei, tenho a certeza inabalável que Tu estás sempre ali, de mão estendida, e me dizes: «Vem!» 

E eu vou e logo se acalma o vento, e prostrado diante de Ti, apenas posso dizer: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus». 



Monte Real, 3 de Agosto de 2021 
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 28 de julho de 2021

HOMEM DE POUCA FÉ!

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Elevo uma prece ao céu
na confiança
de que a fé em mim vivida
é a absoluta esperança
que anima a minha vida.

E que peço eu ao Senhor?

Que me acolha
e me conduza,
que me proteja
e me guarde,
que me reduza,
enfim,
à mais ínfima parte
do meu nada,
para que seja Ele,
e apenas Ele,
o Tudo em mim.

Estendo a mão para Ele,
e grito com esperança:
Salva-me, Senhor,
de todo o mal,
de mim,
até!

E Ele agarra-me a mão,
aperta-me junto a Si,
abre-me o Seu coração,
e diz-me com infinita ternura:
Não temas,
homem de pouca fé!



Monte Real, 28 de Julho de 2021
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 26 de julho de 2021

DIA DO MEU PAI

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Neste dia entra em mim uma saudade imensa.

O meu pai faria hoje 122 anos.

Mas é curiosamente uma saudade quase egoísta, pois se a sua ausência fisica me é dolorosa, (é no entanto mitigada pela certeza profunda no meu coração que está junto de Deus), o que mais me faz falta é ouvi-lo, é aprender com ele, é senti-lo nas lições de vida que me/nos dava constantemente.

Quanto mais me lembro do que fazia, das suas atitudes, da sua honestidade levada ao extremo, da sua ética, do seu servir, da sua fé, inquebrantavelmente forte e humilde, da sua generosidade escondida, do seu inenarrável amor pela família, mais o quero imitar, pobre de mim, sem nunca o conseguir.

Mesmo quando estive longe, por terras de África, na guerra ou a trabalhar, sempre senti a sua presença junto de mim como a dizer-me: és meu filho e eu tenho orgulho em ti.

Era “desajeitado” nas suas expressões de amor, mas uma festa dele, (que mais parecia uma palmada), com aquelas suas enormes mãos, era uma ternura inexplicável, que me levava a querer refugiar-me nos seus braços e dali não sair.

Obrigado, meu Deus, pelo pai que me deste e que ainda hoje continua a marcar a minha vida e a servir-me de referência para viver a família, para viver a dignidade do ser, para viver a fé que dá sentido à minha vida.



Monte Real, 26 de Julho de 2021
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 20 de julho de 2021

MOMENTO

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Abro a Bíblia e os meus olhos "caem" neste versículo:
«Coisa boa é o sal; mas, se perder o seu sabor, com que há-de ele temperar-se?» Lc 14, 34


E ao meu coração vem esta frase:
«Coisa boa é a vida; mas, se perder o seu sentido, como há-de ela viver?»


E depois, reflicto que a vida só tem sentido em Deus e vivida no e para o Seu amor.

Então, se me falta Deus e o Seu amor, falta-me a vida!

 

Monte Real, 20 de Julho de 2021
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 24 de junho de 2021

LER A BÍBLIA

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Recentemente ao ler mais atentamente a passagem do Evangelho de São Lucas sobre a cura do servo do Centurião, dei-me conta de que afinal o Centurião nunca se encontra com Jesus, mas sim, que envia uns amigos ter com Ele para Lhe fazerem o seu pedido.


«Não estavam já longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por uns amigos: «Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado.» Lc 7, 6-7

Ou seja, o Centurião afirma mesmo que - «nem me julguei digno de ir ter contigo.»

Fiquei, obviamente, admirado, pois todas as representações deste acontecimento narrado na Bíblia, colocam o Centurião frente a Jesus fazendo o seu pedido.

Falei com alguns amigos sobre o assunto e hoje quando decidi escrever umas linhas sobre o acontecido, decidi ler outra vez e melhor, sobretudo ler a mesma narração em Mateus, que também a faz no “seu” Evangelho.

Pois bem, São Mateus coloca o Centurião frente a Jesus, fazendo o seu pedido!

Fiquei mais descansado, não que o facto em si, ou seja, o Centurião estar ou não estar com Jesus mudasse alguma coisa na essência do milagre da cura do servo e naquilo que essa cura nos quer dizer, sobretudo na humildade e na fé do Centurião, bem representadas naquilo que diz ou manda dizer a Jesus, de tal modo, que ainda hoje em dia na celebração da Missa e no momento que antecede a Comunhão, rezamos essa frase do Centurião.

Mas por outro lado não me deixou nada descansado, porque me chamou a atenção para o facto de, por vezes, (demasiadas vezes), ler a Bíblia, ler a Palavra de Deus, sem a devida atenção, sem o devido tempo e, nas passagens bíblicas que julgo já conhecer muito bem, passar por elas sem uma verdadeira leitura, meditação e discernimento.

E a Palavra de Deus é sempre viva, actuante e diz-nos sempre “coisas novas”, o que, para mim, ficou, mais uma vez, bem demonstrado neste facto que agora aqui escrevi.

Claro que isto devo ser só eu que assim leio a Bíblia por vezes, (?!?), mas de qualquer modo, advertindo-me, advirto quem me ler, para arranjarmos tempo e verdadeira disposição de coração para melhor lermos e conhecermos a Palavra de Deus, para que Ela seja vida em nós.




Marinha Grande, 24 de Junho de 2021
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 21 de junho de 2021

A OUTRA MARGEM

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No Evangelho de ontem Jesus convida-nos a passar à outra margem.

Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago». Mc 4, 35

Depois da Missa e da homilia, fiquei a pensar na “passagem para a outra margem”.


Há tantas margens em que estamos e nos sentimos seguros, e há tantas margens a que somos convidados a passar e que nos tiram do nosso conforto, da nossa rotina, dos nossos hábitos.

Entre todas essas margens em que estamos e as outras a que devemos passar, pensei na “margem da oração”.

Estamos habituados à oração das “orações já feitas”, (e ainda bem que estamos), às mesmas orações e esquema de oração que fazemos todos os dias, (e mais uma vez, ainda bem que estamos), estamos até habituados a pedir aos outros para rezarem por nós, (e ainda bem que o pedimos), e tantas outras coisas que poderíamos rever nesta “margem da oração”.

Mas o “passar à outra margem”, não significa que esta margem seja má ou não seja uma boa margem, nem sequer que devemos esquecer esta margem ou que a ela não possamos voltar de quando em vez.

Significa, julgo eu, Jesus a chamar-nos a descobrir as “coisas novas” que Ele sempre nos dá quando O queremos seguir em tudo e em todos os momentos.

E esta outra “margem da oração” quer levar-nos a descobrir a oração que o Espírito Santo faz em nós, se O deixarmos.

A oração espontânea, a oração das palavras soltas dirigidas a Deus, mais do que escolhidas e pensadas para “agradar-Lhe”.

A oração que se extasia com o belo que Deus coloca nas nossas vidas e que até se pode constituir, não em palavras ditas, mas interjeições e exclamações de espanto alegre.

A oração que faz movimentar o nosso todo, o nosso ser, que nos faz levantar as mãos para Deus, que faz erguer o nosso coração ao Céu, que abre na nossa boca o sorriso que brilha nos nossos olhos, quando nos sentimos tocados por Deus, quando vemos os sinais de Deus.

Mas para passar a esta outra “margem da oração”, por vezes, é preciso arrostar com tempestades, ventos contrários, temores e receios, que são muitas vezes a “secura de oração”, o não ter palavras para dizer, o nada sentir, o parecer que estamos sós.

Mas é então que Ele nos responde: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?».

E, com certeza, acrescenta baixinho ao nosso coração: “Abandona-te ao Espírito Santo. Ele está contigo e colocará no teu coração, na tua boca, as palavras que Me hás-de querer dizer!”

Então acalmam-se as tempestades, cessam os ventos, faz-se a paz dentro de nós e tudo em nós é oração, às vezes mesmo sem dizer palavras.

Não esperemos mais e passemos à “outra margem”, levando connosco tudo o que aprendemos e vivemos de bom na margem em que estamos.




Marinha Grande, 21 de Junho de 2021
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 17 de junho de 2021

SOMBRA NO SACRÁRIO

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Ontem à noite, quando rezávamos o Terço dos Homens na igreja paroquial da Marinha Grande, reparei na sombra projectada na parede junto ao sacrário.

E nessa sombra, (vista pelos olhos de quem reza), vi um homem de barba, segurando o seu chapéu atrás das costas, ajoelhado em cima de uma árvore e rezando à entrada de uma capela.

Coincidências, dirão alguns, não é mais do que uma sombra sem qualquer significado.

E têm razão, pois não é mais do que uma sombra projectada numa parede, mas a circunstância de ser ao lado do sacrário, de acontecer durante a recitação do terço, de estarmos num ambiente de recolhimento e oração, tudo pode transformar quando acreditamos que Deus está presente em tudo e nos dá sinais, por vezes quase imperceptíveis, da Sua presença.

E ao ler o Evangelho de hoje, chamaram-me a atenção estes versículos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito.

Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes.»

Reparei então que a sombra em causa representa também um silêncio, o silêncio de um homem em recolhimento, prostrado de joelhos, levantando a cara ao Céu, numa súplica humilde, (a sua postura de segurar o chapéu atrás das costas), em cima de uma árvore, (como Zaqueu), à procura de Jesus Cristo que ali passa, pois está no sacrário.

É um milagre, uma visão, um acontecimento místico, sequer?

Claro que não!

É apenas e tão só o Deus que nos fala quando estamos atentos e receptivos a crer que Ele está sempre connosco e que se compraz em dizer ao Homem: “Sei bem do que precisas. Acredita, ama, confia e espera, porque Eu estou sempre convosco!”

Obrigado, Senhor, glória a Ti por toda a eternidade.



Marinha Grande, 17 de Junho de 2021
Joaquim Mexia Alves

domingo, 6 de junho de 2021

NU, PARA TI, MEU DEUS!

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Eu «ouvi o rumor dos vossos passos no jardim» (Gen 3, 10),
meu Deus
e não soube o que fazer.

Vinhas ao meu encontro,
como um Deus que ama aquele que criou,
e eu com medo,
ou melhor,
com vergonha da minha nudez,
tapei-me com as “capas” das minhas culpas,
das minhas fraquezas,
tentando evitar,
Aquele que sempre me amou.


E afinal,
meu Deus,
querias que fosse ter contigo,
nu,
completamente nu,
liberto de tudo aquilo que me cobre,
que me enche,
e me afasta de Ti,
porque me reveste,
porque me enche de mundo!

E arranjei desculpas
e mais desculpas,
dizendo-Te que não tinha sido eu,
mas os outros,
todos os outros
que me levaram a pecar,
a afastar-me de Ti,
a deixar de querer
ser Teu!

E Tu
respondeste-me
com o teu abraço de amor,
perguntando-me,
se por acaso,
eu não sabia que me tinhas criado livre,
tão livre que podia escolher o meu caminho,
sabendo que podia,
ou não,
apresentar-me diante de Ti
nu,
como aliás,
Tu me apresentaste ao mundo?

Nu,
meu Deus,
diante de Ti,
sem mais nada a não ser,
o meu ser pecador,
a não ser,
o meu pecado, 
que Tu por teu infinito amor, 
perdoas,
não me deixando ser condenado.

Eu
«ouvi o rumor dos vossos passos no jardim» (Gen 3, 10),
e quedei-me quieto,
prostrei-me diante de Ti,
e disse:
aqui estou,
meu Deus,
que a Tua vontade
se faça em mim!




Marinha Grande, 6 de Junho de 2021
Joaquim Mexia Alves

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Suscitado pela homilia do Pe Rui Ruivo, hoje de manhã, na Missa Dominical na Marinha Grande.

terça-feira, 11 de maio de 2021

BREVE INSPIRAÇÃO DO “VENTO”!



 



E eu fui
e ninguém me dizia nada
porque não havia nada
a dizer.

Olhava para mim,
bem dentro de mim,
e pretendia ver,
o meu ser,
para além de tudo o que mais fosse,
enfim.

O vento corria nas serras,
que se baixavam à sua passagem,
só eu me mantinha de pé,
como se tivesse coragem.

Nem sei que poema é este,
qual é a inspiração,
mas escrevo,
deixo-me escrever,
aonde me leva o coração,
aonde me leva o vento,
agreste,
silencioso,
brisa,
por vezes,
mais amigo, 
quase bondoso,
vento breve,
vento alegre,
vento de paz,
que apenas o amor,
num breve soprar,
nos traz.

Ah,
e eu fui,
porque me deixei levar,
pelo mais suave canto,
pelo mais doce cantar,
que nos vem ao coração,
quando é todo doação,
ao Divino Espírito Santo.





Marinha Grande, 11 de Maio de 2021
Joaquim Mexia Alves

domingo, 2 de maio de 2021

MÃES!

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Mãe de Jesus
Mãe de amor
junto à Cruz
do meu Senhor.

Mãe de Nazaré
bom dia,
neste teu dia!

Sabes que a minha mãe,
era Maria,
também,
e de Nazareth,
como ela própria escrevia?

Olha por ela,
querida mãe,
que tanto a ti pedia,
entregue em oração,
protege-a com o teu véu,
e quando a encontrares no céu,
dá-lhe um beijo de alegria,
deste vosso pequeno filho,
que vos tem no coração.




Marinha Grande, 2 de Maio de 2021
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 22 de abril de 2021

«EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DO CÉU.» (Jo 6, 51)

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Prostro-me perante o Pão da Vida.

Que imagem esta, Senhor, tão humilde, tão básica ao alimento do homem: o pão!

Não quiseste dar-Te de outro modo que não fosse por este alimento que vai à mesa dos pobres e dos ricos e porque anseiam todos aqueles que têm fome.

O pão!

Um pouco de farinha, água, fermento, sal, tudo amassado pelas mãos do homem e eis o pão que sacia a fome.

Depois podem-se juntar tantas coisas ao pão, mas nenhuma delas muda a essência do pão, apenas são formas de comer o pão, que é afinal o essencial.

E Tu, Senhor, serviste-te do pão para Te dares a nós inteiramente!

Pelo Mistério Divino transubstancias aquela massa de farinha, água, fermento e sal, amassada pelas mãos do homem, no Teu próprio Corpo e assim Te entregas como alimento que sacia a fome, (não a fome física), mas a fome de vida, a fome de amor, a fome de eternidade.

E podemos nós acrescentar alguma coisa a esse Pão que és Tu, Senhor?

Não, nada!!!

Mas podemos juntar-Lhe a oração, a acção de graças, o amor, a adoração, a entrega a Ti e por Ti aos outros e assim o Pão que Tu és, torna-se vida em nós e vida que permanece em abundância.

Pobre de mim a querer explicar o inexplicável, a querer dizer algo sobre o indizível, a querer amar o próprio amor!

Calo-me, deixo de escrever, baixo a cabeça, fecho os olhos e digo-Te de mansinho, cheio de amor e temor:

Dá-me sempre desse Pão, que és Tu, Senhor!

 

Marinha Grande, 22 de Abril de 2021

Joaquim Mexia Alves

sábado, 17 de abril de 2021

«SOU EU. NÃO TEMAIS.»

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Podem levantar-se ondas
e o vento soprar forte,
a tempestade ser forte,
mas nunca será demais,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».

Podem vir as tentações,
as dores, dificuldades,
todas as tribulações,
mas nunca será demais,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».

Podem-me trair,
enganar ,
desiludir,
mas nunca será demais,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».

Pode vir a tristeza,
a doença,
a incerteza,
mas nunca será demais,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».

Posso ter a maior dor,
o momento mais escuro,
podem não se ouvir os meus ais,
mas nunca me faltará o amor,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».



Marinha Grande, 17 de Abril de 2021
Joaquim Mexia Alves

domingo, 4 de abril de 2021

DOMINGO DE PÁSCOA - 2021

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O dia nascera calmo e sereno. Sentia-se no ar uma brisa leve e suave que ao passar de mansinho colocava tudo em movimento, as folhas, as flores, o pó das estradas, a erva, os cabelos das pessoas que passeavam, podia afirmar-se até que era uma brisa semelhante a um sopro de vida, que em tudo o que tocava, fazia viver.

 

Parecia que da terra ou do céu, um odor penetrante, mas macio, inundava a atmosfera e perfumava tudo o que existia.

Os animais, as plantas, as águas, as montanhas, as nuvens, toda a natureza e os seres humanos, pareciam sorrisos abertos, fontes de vida inesgotáveis, oásis de esperança, mares de tranquilidade.

Pairava no ar realmente, uma atmosfera de coisa nova, de alegria, de paz, de expectativa, de existência de vida.

 

De repente e enchendo todo o universo, todas as partes sem excepção, toda a existência, chegou com um fragor imenso, mas calmo e sereno, o Anúncio, como um grito de paz e verdade:

 

RESSUSCITOU O SENHOR, RESSUSCITOU!!!

 

Quedou-se muda de espanto a criação, para logo em seguida, baixando a cabeça e abrindo o sorriso, gritar também dentro de si mesma e para fora:

 

RESSUSCITOU O SENHOR, RESSUSCITOU!!!

 

Ah, que verdade imensa, que mistério de vida, o proscrito, o condenado, o humilhado, o desprezado, o derrotado, o já esquecido, ressuscitara, vencera a morte, vivia novamente para sempre na glória que tudo vencia.

Ah, que derrota profunda para aquele que, convencido que vencera, precipitado nos infernos, percebia que o Ressuscitado estava com aqueles que criara, para sempre.

 

A Carne e o Sangue unidos na vida e oferecidos para sempre, gritavam glória ao Senhor que vencera a morte, ao Senhor do Céu e da Terra, ao que veio para salvar, entregando-Se em obediência.

 

Tudo era novo, nada era como dantes: Os que tinham esperado, subiam agora à visão eterna, os que esperavam, vestiam-se de esperança, os que haviam de esperar, iam nascendo na certeza da Promessa.

 

Como era bom e grande o mundo, abençoado pela vida de Quem derrotara a morte.

A Palavra permanecia, era proclamada todos os dias, guardada nos corações, era a esperança da vida, depois da vida acabada.

 

Oh, que profundo e infinito amor, do Deus que tudo criou, por nós Se entregou e para nós ressuscitava.

Oh, que infinita misericórdia, do Deus tão ofendido, que com um sorriso nos abençoava.

Oh, que infinita bondade, do Deus tão abandonado, que até uma Mãe nos dava.

Oh, que infinita fidelidade, do Deus todos os dias traído, que nunca nos abandonava.

Oh, que infinita esperança, de Deus dono do tempo, que em todo o tempo para sempre, dia a dia nos acompanhava.

Oh, que alegria suprema, que gozo eterno e constante, que fogo sempre a arder, na certeza de saber, que tendo ressuscitado, subido aos Céus e vencido, Jesus Cristo é para sempre, ontem, hoje e amanhã, com o Pai e o Espírito Santo, o nosso Deus Vivo e Verdadeiro.

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MG, 04/04/21

Joaquim Mexia Alves

sábado, 3 de abril de 2021

SÁBADO SANTO - Semana Santa 2021

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Um túmulo, o Corpo, uma esperança, o Salvador!


A pedra cobre a entrada do túmulo, mas não poderá conter a força do Ressuscitado.

Também assim as pedras das nossas vidas não conseguem impedir o amor de Cristo por nós.


Repousa o Corpo, cansado de tanto sofrer, mas a semente da esperança cresce e torna-se certeza quando Ele ressuscitar.

Também em nós se aviva a esperança de que, apesar do nosso morrer, cada um que a Ele se entregue, pode em Cristo renascer.

 

O pecado é destruído, vencido, e ficará para sempre naquele túmulo sepultado. Porque o Corpo Ressuscitado venceu para sempre o pecado.

E nós pecadores, acreditamos então, que se permanecermos nEle, num arrependimento sincero, o pecado é perdoado.

 

O silêncio impera, na serenidade do Seu amor.

Calemo-nos e escutemos, porque o próprio Deus nos fala na Sua entrega por nós.

 

A alegria de Deus já rompe, prenunciando a Ressurreição.

Deixemos que ela nos encha, nos envolva, se faça vida no coração.

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MG, 03/04/21

Joaquim Mexia Alves