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Quando lemos e meditamos na Tua Paixão, Senhor, ao percebermos ou tentarmos perceber tudo o que sofreste naquele caminho do Calvário com a Cruz às Tuas costas, cada um de nós pensa interiormente, com certeza, que, se ali estivesse, Te ajudaria a levar a Tua Cruz.
É fácil pensar assim, agora, a esta distância toda de anos, a distância que nos separa daquele tempo, pois não conseguimos nem de perto abarcar todo o Teu sofrimento, talvez mais do que físico, espiritual, por perceberes o pecado do Homem que pesa na Tua Cruz.
Não conseguimos sequer perceber como o ódio que naquele tempo era vivido contra Ti, contra os Teus, (talvez hoje se comece a sentir esse mesmo ódio em tantos lugares da Terra), como esse ódio geraria em nós um medo de nos aproximarmos de Ti para Te ajudar e, muito provavelmente, como os Teus discípulos naquele tempo, seguiríamos o Teu caminho de longe, anónimos no meio da multidão, sem interferir.
Aliás ainda hoje fazemos isso tantas vezes, quando Te vemos “deitado pelo chão”, sozinho, sem nada material para viver dignamente, sem saúde física ou espiritual, e não nos aproximamos de Ti, mas apenas Te vemos ao longe, fingindo nada ver, para não termos que Te ajudar.
É tão fácil ser “piedoso” quando estamos na igreja em celebrações, quando rezamos interiormente ou com os nossos irmãos em Igreja, quando nos afirmamos cristãos no meio daqueles que o são também.
Afinal como poderemos nós ajudar-Te a levares a Cruz no caminho do Calvário?
E Tu respondes cheio de amor e compaixão: «Toma a tua cruz, dia a dia, e segue-me» (Lc 9,23)
Se aceitarmos e tomarmos cada um a sua cruz, Senhor, para Te seguirmos em espírito de verdade, podemos acreditar que “dividiremos” o peso da Tua Cruz sobre os Teus ombros, porque no fundo a Cruz que carregas não é Tua, mas é sim a soma de todas as nossas cruzes que Tu carregas sobre Ti para nos “aliviares” do pecado, da dor do pecado, das consequências do pecado, e nos dares a «vida em abundância» (Jo 10,10) como Tu nos prometeste.
Afinal, Senhor, com toda a simplicidade, talvez a melhor forma de Te ajudar no caminho do Calvário a levares a Cruz sobre os Teus ombros, seja aceitarmos as nossas cruzes e levarmo-las aos ombros todos os dias com um sorriso, com a força do Teu amor, sabendo sempre que nunca deixarás que as nossas cruzes sejam mais pesadas do que as forças que dás a cada um para as levar.
E, claro, ajudar, com amor, os outros a levarem as suas cruzes em tudo o que nos for possível fazer por eles e com eles.
Talvez, um dia possam dizer de nós «Vede como eles se amam», (Tertuliano Apolog. 39), e assim possamos nós também «ter a simpatia de todo o povo». (Act 2,47)
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)


















