domingo, 2 de maio de 2021

MÃES!

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Mãe de Jesus

Mãe de amor

junto à Cruz

do meu Senhor.


Mãe de Nazaré

bom dia,

neste teu dia!

 

Sabes que a minha mãe,

era Maria,

também,

e de Nazareth,

como ela própria escrevia?

 


Olha por ela,

querida mãe,

que tanto a ti pedia,

entregue em oração,

protege-a com o teu véu,

e quando a encontrares no céu,

dá-lhe um beijo de alegria,

deste vosso pequeno filho,

que vos tem no coração.

 

 

Marinha Grande, 2 de Maio de 2021

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 22 de abril de 2021

«EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DO CÉU.» (Jo 6, 51)

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Prostro-me perante o Pão da Vida.

Que imagem esta, Senhor, tão humilde, tão básica ao alimento do homem: o pão!

Não quiseste dar-Te de outro modo que não fosse por este alimento que vai à mesa dos pobres e dos ricos e porque anseiam todos aqueles que têm fome.

O pão!

Um pouco de farinha, água, fermento, sal, tudo amassado pelas mãos do homem e eis o pão que sacia a fome.

Depois podem-se juntar tantas coisas ao pão, mas nenhuma delas muda a essência do pão, apenas são formas de comer o pão, que é afinal o essencial.

E Tu, Senhor, serviste-te do pão para Te dares a nós inteiramente!

Pelo Mistério Divino transubstancias aquela massa de farinha, água, fermento e sal, amassada pelas mãos do homem, no Teu próprio Corpo e assim Te entregas como alimento que sacia a fome, (não a fome física), mas a fome de vida, a fome de amor, a fome de eternidade.

E podemos nós acrescentar alguma coisa a esse Pão que és Tu, Senhor?

Não, nada!!!

Mas podemos juntar-Lhe a oração, a acção de graças, o amor, a adoração, a entrega a Ti e por Ti aos outros e assim o Pão que Tu és, torna-se vida em nós e vida que permanece em abundância.

Pobre de mim a querer explicar o inexplicável, a querer dizer algo sobre o indizível, a querer amar o próprio amor!

Calo-me, deixo de escrever, baixo a cabeça, fecho os olhos e digo-Te de mansinho, cheio de amor e temor:

Dá-me sempre desse Pão, que és Tu, Senhor!

 

Marinha Grande, 22 de Abril de 2021

Joaquim Mexia Alves

sábado, 17 de abril de 2021

«SOU EU. NÃO TEMAIS.»

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Podem levantar-se ondas

e o vento soprar forte,

a tempestade ser forte,

mas nunca será demais,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

Podem vir as tentações,

as dores, dificuldades,

todas as tribulações,

mas nunca será demais,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

Podem-me trair,

enganar ,

desiludir,

mas nunca será demais,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

 

Pode vir a tristeza,

a doença,

a incerteza,

mas nunca será demais,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

Posso ter a maior dor,

o momento mais escuro,

podem não se ouvir os meus ais,

mas nunca me faltará o amor,

porque ouço sempre a Tua voz:

«Sou Eu. Não temais».

 

 

Marinha Grande, 17 de Abril de 2021

Joaquim Mexia Alves

domingo, 4 de abril de 2021

DOMINGO DE PÁSCOA - 2021

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O dia nascera calmo e sereno. Sentia-se no ar uma brisa leve e suave que ao passar de mansinho colocava tudo em movimento, as folhas, as flores, o pó das estradas, a erva, os cabelos das pessoas que passeavam, podia afirmar-se até que era uma brisa semelhante a um sopro de vida, que em tudo o que tocava, fazia viver.

 

Parecia que da terra ou do céu, um odor penetrante, mas macio, inundava a atmosfera e perfumava tudo o que existia.

Os animais, as plantas, as águas, as montanhas, as nuvens, toda a natureza e os seres humanos, pareciam sorrisos abertos, fontes de vida inesgotáveis, oásis de esperança, mares de tranquilidade.

Pairava no ar realmente, uma atmosfera de coisa nova, de alegria, de paz, de expectativa, de existência de vida.

 

De repente e enchendo todo o universo, todas as partes sem excepção, toda a existência, chegou com um fragor imenso, mas calmo e sereno, o Anúncio, como um grito de paz e verdade:

 

RESSUSCITOU O SENHOR, RESSUSCITOU!!!

 

Quedou-se muda de espanto a criação, para logo em seguida, baixando a cabeça e abrindo o sorriso, gritar também dentro de si mesma e para fora:

 

RESSUSCITOU O SENHOR, RESSUSCITOU!!!

 

Ah, que verdade imensa, que mistério de vida, o proscrito, o condenado, o humilhado, o desprezado, o derrotado, o já esquecido, ressuscitara, vencera a morte, vivia novamente para sempre na glória que tudo vencia.

Ah, que derrota profunda para aquele que, convencido que vencera, precipitado nos infernos, percebia que o Ressuscitado estava com aqueles que criara, para sempre.

 

A Carne e o Sangue unidos na vida e oferecidos para sempre, gritavam glória ao Senhor que vencera a morte, ao Senhor do Céu e da Terra, ao que veio para salvar, entregando-Se em obediência.

 

Tudo era novo, nada era como dantes: Os que tinham esperado, subiam agora à visão eterna, os que esperavam, vestiam-se de esperança, os que haviam de esperar, iam nascendo na certeza da Promessa.

 

Como era bom e grande o mundo, abençoado pela vida de Quem derrotara a morte.

A Palavra permanecia, era proclamada todos os dias, guardada nos corações, era a esperança da vida, depois da vida acabada.

 

Oh, que profundo e infinito amor, do Deus que tudo criou, por nós Se entregou e para nós ressuscitava.

Oh, que infinita misericórdia, do Deus tão ofendido, que com um sorriso nos abençoava.

Oh, que infinita bondade, do Deus tão abandonado, que até uma Mãe nos dava.

Oh, que infinita fidelidade, do Deus todos os dias traído, que nunca nos abandonava.

Oh, que infinita esperança, de Deus dono do tempo, que em todo o tempo para sempre, dia a dia nos acompanhava.

Oh, que alegria suprema, que gozo eterno e constante, que fogo sempre a arder, na certeza de saber, que tendo ressuscitado, subido aos Céus e vencido, Jesus Cristo é para sempre, ontem, hoje e amanhã, com o Pai e o Espírito Santo, o nosso Deus Vivo e Verdadeiro.

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MG, 04/04/21

Joaquim Mexia Alves

sábado, 3 de abril de 2021

SÁBADO SANTO - Semana Santa 2021

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Um túmulo, o Corpo, uma esperança, o Salvador!


A pedra cobre a entrada do túmulo, mas não poderá conter a força do Ressuscitado.

Também assim as pedras das nossas vidas não conseguem impedir o amor de Cristo por nós.


Repousa o Corpo, cansado de tanto sofrer, mas a semente da esperança cresce e torna-se certeza quando Ele ressuscitar.

Também em nós se aviva a esperança de que, apesar do nosso morrer, cada um que a Ele se entregue, pode em Cristo renascer.

 

O pecado é destruído, vencido, e ficará para sempre naquele túmulo sepultado. Porque o Corpo Ressuscitado venceu para sempre o pecado.

E nós pecadores, acreditamos então, que se permanecermos nEle, num arrependimento sincero, o pecado é perdoado.

 

O silêncio impera, na serenidade do Seu amor.

Calemo-nos e escutemos, porque o próprio Deus nos fala na Sua entrega por nós.

 

A alegria de Deus já rompe, prenunciando a Ressurreição.

Deixemos que ela nos encha, nos envolva, se faça vida no coração.

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MG, 03/04/21

Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 2 de abril de 2021

SEXTA FEIRA SANTA - Semana Santa 2021

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Olho para a Cruz e percorrem-me sentimentos que tomam conta de mim.

Por um lado, uma tristeza imensa por ver o Salvador cravado naquela Cruz, vilipendiado, insultado, ridicularizado, enfim, uma imagem de derrota que sinto e sei não corresponder à realidade, porque aquela derrota é para sempre uma vitória, pela Ressurreição de Jesus Cristo.

Por outro lado, uma tranquilidade imensa, uma esperança bonançosa, uma paz tão sensível, por saber que o Salvador ali está, porque Se entregou por mim, por todos nós.

Sinto ainda uma vergonha imensa por, também eu, ser causador de toda aquela dor do meu Senhor, mas tranquilizo-me sabendo que Ele perdoa as minhas faltas, e até, que dali, daquela Cruz, pede ao Pai que me perdoe, porque “eu não sei o que faço”.

Nasce em mim um arrependimento duro, sentido, que me leva às lágrimas.

E mesmo na Cruz sinto-O junto a mim, consolando-me e dizendo-me: Não chores, meu filho, é porque te amo!

És Tu que me consolas, Senhor?

Mesmo na Cruz, sofrendo o martírio, preocupas-te comigo?

Tão grande é o teu amor, Senhor!

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MG, 02/04/21

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 1 de abril de 2021

QUINTA FEIRA SANTA - Semana Santa 2021

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Permite, Senhor, que hoje esteja contigo na Última Ceia. Colocar-me-ei debaixo da tua mesa, como os cachorrinhos à espera de uma migalha que caia. (cf Mt 15, 27-28)

Olhas-me nos olhos e respondes-me: Não, meu filho, levanta-te, porque se me abres a porta, Eu entro e ceio contigo e tu comigo. (cf Ap 3, 20)

Mas, Senhor, eu não sou digno que entres na minha morada! (cf Mt 8, 8)

Não temas, meu filho, porque Eu quero entrar em ti, não dando-te migalhas, mas dando-me inteiramente como alimento divino. (cf Jo 6, 56)

Que se passa, Senhor, que Te diriges a mim e me queres lavar os pés? Como posso eu consentir em tal coisa? Se Pedro não se achava digno, então eu, Senhor, pobre de mim! (cf Jo 13, 3-8)

É preciso que Eu te lave os pés para perceberes bem o que faço e o que digo. Se Eu tos lavo deves também lavar os pés aos outros. Deves entender que seguir-Me é estar pronto a servir e não a ser servido. (cf Jo 13, 13-14; Mt 20, 26-27)

Obrigado, Senhor. Permite então também que Te acompanhe nesta noite, na tua Paixão, libertando-me dos meus medos, pois quero estar a teu lado. (cf Mt 16, 24)

Permito com certeza, meu filho, mas fica a saber que tu vais negar-me e abandonar-me algumas vezes. (cf Mt 26, 31-34)

Ah, Senhor, não tenho dúvidas disso, infelizmente, pois sou fraco e pecador, mas confio na tua misericórdia e no teu perdão. (cf Jo 20, 23)

Quando me negares olhar-te-ei nos olhos, com todo o meu amor. Perceberás então a tua negação e abrir-te-ás ao arrependimento. (cf Lc 22, 61-62)

Obrigado, Senhor. Permite também que me coloque aos pés da cruz, com tua Mãe, para Te adorar em silêncio. (cf Jo 19, 26)

Sim, meu filho, e mais do que isso dar-te-ei a ti, a todos vós, minha Mãe como Mãe, e a todos vós como filhos, a minha Mãe. (cf Jo 19, 26-27)

Permite ainda, Senhor, que acompanhe José de Arimateia e as mulheres que Te seguiam até ao túmulo onde vais ser depositado e acende em mim a fé e a esperança firme na tua Ressurreição. (cf Lc 23, 50-55)

Podes fazê-lo, meu filho, e Eu espero-te no primeiro dia da semana, para que quando regressares ao túmulo nesse dia, a tua esperança se torne realidade, e acreditando na minha Ressurreição, tenhas a vida eterna. (cf Lc 24, 1-6)


Em silêncio sigo-Te, Senhor, consciente da fragilidade da minha fé, mas confiando na tua misericórdia, no teu infinito amor, esse amor com que Te dás em Alimento e Te entregas na Cruz, por mim e por todos nós.

Glória a Ti, Senhor, pelos séculos dos séculos sem fim!

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Marinha Grande, 1 de Abril de 2021

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 25 de março de 2021

MAIS DO QUE UM MOMENTO!

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É muito mais que um sentimento,

que uma emoção,

que um sentir,

é um momento,

em que o coração

todo ele se vai abrir!

 

Porque és Tu,

Senhor,

que bates à minha porta,

queres estar comigo,

e se eu não abro,

se eu digo não,

deixas ali o amor,

para que o sinta no coração.

 

Já não Te espero!

Para quê esperar,

se Tu estás sempre ali,

Tu sim à minha espera,

esperando que Te deixe entrar!

 

E quando abro a porta,

a porta do meu viver,

é muito mais que um sentimento,

que uma emoção,

que um sentir,

é um momento,

em que o coração

todo ele se vai abrir!

 

 

Marinha Grande, 25 de Março de 2021

Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

QUARTA FEIRA DE CINZAS 21

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Dentro de mim vive expectante a alegria da Ressurreição do meu Senhor.

Começa hoje o caminho que a Ela me vai levar e eu preciso de me preparar, para, por Sua graça, O poder receber de alma limpa, de coração aberto, de vida entregue, nesse dia que se avizinha.

Não sei se poderei confessar-me, (por causa do confinamento), mas sei que posso e quero arrepender-me e ter propósito sério de emenda de todas as minhas fraquezas e pecados.

Do Seu perdão não duvido, porque o Seu amor é infinitamente maior do que os meus pecados, duvido sim da minha constância na fé, da minha entrega total e até do meu amor por Ele, que queria inabalável perante tudo e todos e tantas vezes fraqueja.

Mais que receber as cinzas do arrependimento, queria ser a cinza resultante da fogueira onde ardessem todas as minhas faltas, sobretudo aquelas que fiz aos meus irmãos quando tiveram fome e não lhes dei de comer, quando tiveram sede e não lhes dei de beber, quando estiveram doentes ou presos e não os fui visitar.

Hoje, Quarta Feira de Cinzas, não baixo os olhos, não baixo a cabeça, mas ergo-a para Ti, Senhor, para ver nos Teus olhos a dor que Te causei, quando a causei aos outros pelo meu egoísmo, porque nesse olhar quero encontrar o olhar que deste a Pedro naquela noite e para que assim também eu chore amargamente os meus pecados, mas tendo sempre a certeza do Teu infinito perdão.

Toma-me pela mão, Senhor, e leva-me a fazer a viagem do meu encontro cada vez mais pessoal contigo, para que, do que receber de Ti, tudo entregue aos outros, porque só assim a semente germinará e dará fruto segundo a Tua vontade.

 

Quarta Feira de Cinzas

Marinha Grande, 17 de Fevereiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

ENTREGA QUARESMAL

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Aproxima-se o tempo que começa já amanhã.

É um tempo pelo qual anseio cada vez mais, um tempo que me faz pensar, que me remete àquilo que sou, um filho de Deus permanentemente ao encontro do Pai.

Podia escrever que sou fraco, que sou pecador, que sou um nada perante a imensidão de Deus, mas prefiro baixar a cabeça e dizer-Te de coração aberto: Aqui estou, Senhor, quero ir contigo para o deserto, deixar-me tentar, (só porque acredito que estás comigo), passar fome e sede, para me purificar, ou melhor, para que me purifiques, de tanta “comida” e de tanta “bebida”, que me enchem, esvaziando-me de Ti.

Sabes como me debato com o meu eu, aquele que Tu tão bem conheces e que tanto amas, (apesar de ser o meu eu), porque acredito, Senhor, que és Tu que no dia a dia mo fazes conhecer cada vez melhor, para cada vez mais o tentar conformar conTigo.

Parto para esta Quaresma, confinado da sociedade, mas, Senhor, quero aproveitar para estar confinado conTigo  muito mais do que distraído com o que me rodeia.

Sinto um tempo de mudança, e relembro cada vez mais a frase do teu filho Paulo, «onde aumentou o pecado, superabundou a graça», e acredito, quero acreditar, que deste mundo em convulsão, Tu vais fazer um mundo mais perto de Ti, mais perto do amor, mais perto do perdão, mais perto da graça da salvação.

Começo amanhã, (se é que não comecei já hoje ou há muito tempo atrás), a dizer-Te, a afirmar-Te, de coração aberto: Eis-me aqui, Senhor, faz de mim o que quiseres pelos outros, Senhor, pelos outros. Para Tua glória, Senhor, apenas e só para Tua glória.

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Marinha Grande, 16 de Fevereiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

FRAQUEZAS

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Debato-me, Senhor, com as minhas fraquezas que Tu tão bem conheces.

Por vezes querem tomar conta de mim e convencer-me que nada faço de mal, que sim que é normal e até “justo” que eu assim seja.

Este orgulho, esta vaidade, esta ânsia de estar em tudo, é uma “coroa de espinhos”, (perdoa-me, Senhor, a comparação), que me atormenta e não me dá descanso.

Ah, Senhor, se me libertasses e eu pudesse ser um bocadinho só como Tu, ou seja, tudo entregar para todos e em tudo Te dar graças, em tudo reconhecer que nada é meu, mas que tudo Te pertence e vem de Ti!

Sabes, Senhor, há momentos em que parece que me consigo vencer, por Tua graça, claro, mas se descanso um pouco, se me distraio um pouco, logo os meus pensamentos se detêm no mesmo, se detêm na minha “importância”, pobre de mim!

E. se por acaso, penso que é melhor tudo deixar para assim não viver esta tentação, fechar-me, em nada participar, mas apenas “misturado” em todos “apagar-me” para ninguém me ver, logo me surge a dúvida se não é isso precisamente que o inimigo quer para que eu não dê tudo o que Tu me dás para dar!


Leio o que escrevo e novamente me sinto confrontado comigo próprio:

Publico esta “confissão” porque pode servir a outros como eu.

Publico-a por orgulho, afinal, para chamar a atenção sobre mim.

Ou não a publico e deixo-a apenas para mim.


Olha, Senhor, aqui a deixo, escrita, pensada, reflectida, à espera que o Espírito Santo me dirija segundo a Sua vontade.

Obrigado, Senhor, porque me fazes reconhecer as minhas fraquezas.

 

Marinha Grande, 9 de Fevereiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

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domingo, 24 de janeiro de 2021

A PESCA E O ANZOL

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Hoje, na homilia, o Pe Patrício, nosso Pároco da Marinha Grande, (via Youtube), numa imagem bem disposta, falou-nos de sermos pescadores de homens e de como o “homem pescado” poderia “sofrer” por causa do “anzol nas beiças”.

A imagem era apenas um exercício de bom humor, mas fez-me reflectir nesta pesca de homens em que podemos ser pescadores mas também “pescados por um anzol”, só que este é um “anzol de amor”, é o “anzol” da Palavra de Deus, o “anzol” do encontro pessoal com Cristo.

E, depois, pensei, (quem já pescou à linha sabe-o bem), que o peixe despois de “fisgado” pelo anzol, debate-se e tenta livrar-se do anzol.

Claro, este anzol da pesca faz sofrer o peixe, tenta tirá-lo da água, e sem água o peixe morre, por isso, ele se debate para se libertar.

Connosco, ao contrário, o “anzol de amor”, o “anzol da Palavra”, o “anzol do encontro pessoal com Cristo”, não nos magoa, não nos quer retirar da água, pelo contrário, dá alívio às nossas “dores”, e quer mergulhar-nos na água que jorra do lado aberto de Cristo.

Só que, muitas vezes, tal como os peixes, nós debatemo-nos e queremos livrar-nos desse “anzol”, porque não queremos mudar, porque ainda não percebemos, (mas também não queremos perceber), porque ainda não nos entregámos nas mãos dAquele que nos quer dar a vida, para sermos “pescados” e também “pescadores”.

Por mim, Senhor, espero e desejo que o Teu “anzol” esteja tão fundo no meu coração, no meu tudo, que nunca dele me possa libertar, porque assim sei que viverei na água do Baptismo que me deste e que me dá a vida todos os dias, para sempre.

 

 Marinha Grande, 24 de Janeiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

DECISÕES DE ANO NOVO

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Quarto dia do novo ano e penso nas promessas, nos desejos, nas decisões para este ano, e são tantas e tão variadas que julgo serem demasiadas para pessoa tão “fraca” como eu.

Deixar isto, fazer aquilo, mudar aqueloutro, o feitio, o mau feitio, a crítica, a má-língua, as respostas agressivas, as mudanças de temperamento, as irritações extemporâneas, os maus pensamentos, a má vontade, a indiferença, a falta de humildade, a falta de empenho, …. enfim um nunca acabar de coisas a fazer, que nunca estão feitas!

E, depois, penso: E se eu tentar verdadeiramente, ao menos desejar verdadeiramente, fazer sempre a vontade de Deus para mim e para os outros, não estarão incluídas nela todas estas coisas que me parecem quase obcecantes?

Claro que sim, e, por isso mesmo, tomo “apenas” uma decisão firme para este novo ano: Querer fazer, querer, ao menos, desejar fazer, a vontade de Deus sempre e em tudo, em mim e nos outros.

A decisão é, afinal, apenas uma, mas é “trabalho” diário, que só com o Espírito Santo posso cumprir, ao menos, minimamente!

Obrigado, Senhor, e, perdoa-me a simplicidade, “vamos a isso”!

 

Marinha Grande, 4 de Janeiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

MÃE DE DEUS

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Maria

Mãe de Deus 

e nossa Mãe 

Mãe de amor

Mãe de alegria

somos todos filhos teus.

 

Maria 

Mãe de doçura 

Mãe companhia

Mãe da ternura

que nos envolve

em cada dia.

 

Maria

Mãe de oração

Mãe de intercessão

que não cessas de pedir por nós,

para que o teu Filho

ouça a nossa voz.

 

Maria

Mãe do Sim

Mãe da humildade

que a todos os teus filhos

queres mostrar a Verdade.

 

Maria

querida Mãe,

ensina-nos a sermos como Tu,

também!

 

 

Marinha Grande, 1 de Janeiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (20)

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Então, meu filho, este ano está a acabar. O que Me queres dizer sobre ele?

Oh, Senhor, foi um ano complicado, com tantas coisas que não correram bem e sobretudo esta pandemia. Mas houve coisas muito boas, sem dúvida!

Então e nessas coisas que não correram tão bem, encontraste algo para a tua vida?

A pandemia, Senhor, fez-me reflectir na nossa fragilidade, na nossa pequenez!

Afinal um vírus, coisa tão ínfima, coloca em perigo a humanidade, o Homem, que se julga tantas vezes invencível.

Mas Eu estou sempre convosco, sabes bem!

Sim, Senhor, eu sei e acredito firmemente que sim.

E toda esta situação faz-me pensar, (e espero bem que os outros também assim pensem), em como na nossa sociedade, apesar de tantas promessas de solidariedade, afinal íamos/vamos ficando cada vez mais individualistas, egoístas, “frios” nos sentimentos, e com as distâncias obrigatórias da pandemia, percebemos agora como nos fazem falta os afectos, os abraços, os sorrisos, (agora tapados por máscaras), enfim, os toques de amor entre nós.

É verdade, meu filho, o homem só é feliz em comunidade, em comunhão de amor, coMigo e com os outros e por isso precisa sempre de gestos, atitudes e palavras.

Senhor, neste novo ano que vai começar, afasta de nós esta pandemia, mas sobretudo, afasta de nós o individualismo, o egoísmo, a indiferença, que tantas vezes fazemos sentir aos outros, principalmente àqueles que mais necessitam, quer materialmente, quer emocionalmente.

Para isso, meu filho, voltai-vos para Mim, e «tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»* Enfim, meu filho, procurai em tudo fazer a Minha vontade.

Obrigado, Senhor, nas Tuas mãos entrego este novo ano, o meu e o de todos os homens.

 

Marinha Grande, 31 de Dezembro de 2020

Joaquim Mexia Alves

 

*Mt 11, 29-30

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O NATAL É SEMPRE QUE O HOMEM … O DEIXAR SER!!!

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Passado o Natal, (no entender de alguns), o presépio ainda lá continua, mas provavelmente passamos por ele e já nem o olhamos, quanto mais reflectirmos sobre ele, sobre o Nascimento do Salvador.

Parece que o deixamos sair do nosso coração, (onde devia ter nascido e continuar a nascer todos os dias), e partir para o Egipto, isto é, para um sítio onde não “incomode”, não nos “obrigue” a mudar nada.

Sabemos que lá está, mas não influi na nossa vida.

«E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.» Lc 2, 52

E se o Nascimento de Jesus fosse também para cada um de nós ocasião para crescermos em “sabedoria”, conhecendo melhor as coisas de Deus, em “estatura”, da nossa fé, e em “graça”, lutando cada vez mais contra o pecado e vivendo mais e mais o amor?

«Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso.» Lc 2, 51

Para isso será então necessário “descermos” do nosso eu, “voltarmos” a ser Igreja, e sermos submissos à vontade de Deus.

Então o Natal será sempre presente na nossa vida, o presépio será uma constante dos nossos dias, porque o Menino “regressará dos nossos egiptos” para morar entre nós, para morar em nós.

Então sim, o Natal será sempre que o Homem … o deixar ser Natal!

 


Marinha Grande, 28 de Dezembro de 2020

Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

CONTO DE NATAL 2020

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Olhavam um para o outro com a tristeza nos olhos.

Como seria possível, com a situação de pandemia, juntar os seus dois filhos e as suas famílias no Natal, como sempre faziam todos os anos.

Vivendo longe uns dos outros, era a única noite do ano em que a família toda se juntava, pais, filhos e netos.

 

Decidiram então propor a todos que cada um tomasse a decisão de vir, (ou não), passar o Natal, na certeza de que a sala da casa, sendo grande, dava para todos estarem à distância necessária com as máscaras colocadas.

Seria muito estranho, mas ao menos, poderiam olhar-se nos olhos.

Quanto à ceia de Natal, haveria uma mesa no meio da sala, e cada um iria servir-se e voltava para o lugar marcado para cada família e afastados uns dos outros.

Quanto mais pensavam naquilo, mais achavam estranha a situação, mas ficaram felizes quando todos disseram que viriam, então, passar o Natal.

O dia 24 chegou e com ele começaram a chegar os filhos e as suas famílias, para dar vida aquele casarão enorme, que normalmente estava vazio só com eles os dois.

Foram muito emocionais as chegadas, tanto mais que os cumprimentos eram “longínquos”, para não colocar em risco quer as crianças, quer os mais velhos.

Era uma coisa muito confusa pois pareciam famílias dentro de uma família!

Quando chegou a hora da ceia e já estavam todos na sala nos lugares previamente designados para cada família, (com as crianças um pouco irrequietas, o que era normal), ele, o pai da família, pediu a todos que, depois de irem buscar a comida e quando tirassem as máscaras para comer, fizessem um momento em que todos olhariam uns para os outros e sorririam de modo a que se pudessem ver sem a barreira da máscara.

E assim foi.

Depois de se servirem, estando todos nos seus lugares, tiraram as máscaras e olharam uns para os outros, sorrindo e com algumas lágrimas incontidas correndo por algumas caras.

As crianças, claro que achavam tudo aquilo muito estranho, mas a visão dos presentes junto ao presépio, ultrapassavam a sua estranheza.

Então ele, o pai da família, pediu a todos que rezassem um Pai Nosso pela família e também por todos os que não tinham Natal.

E foi extraordinário, porque parecia que todos estavam de mãos dadas e que uma só voz fazia subir a oração ao Céu.

E o mais pequenito, que já falava, gritou de alegria: Que bom é o Natal!

 

Marinha Grande, 12 de Novembro de 2020

Joaquim Mexia Alves

NOTA: Com este Conto de Natal desejo a todos quantos por aqui passarem um Santo Natal e um Feliz Ano Novo cheio das bênçãos de Deus.

A fotografia é do presépio da nossa igreja paroquial da Marinha Grande.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

«FAZEI TUDO QUE ELE VOS DISSER!»

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Olhava embevecida para o Menino que dormia calmo e sereno sobre as palhas da manjedoura.

 O Salvador do mundo!!!

Sorria interiormente ao pensar nas surpresas de Deus, e esta era sem dúvida uma “surpresa surpreendente”!

 E veio-lhe ao pensamento uma frase pequena e que tanto peso tinha para Ela: Mãe do Salvador!

Um arrepio incómodo perturbou-a sem Ela perceber porquê, pois estava tudo bem com o Menino.

Olhou-O uma vez mais e foi então que sentiu a razão do arrepio que a tinha perturbado.

Naquele Menino, sentiu Ela, estavam todos os meninos, todos os adultos, todos os velhos que existiam e haviam de existir e percebeu que, de alguma forma, Ela era a Mãe de todos!

Estremeceu, perturbou-se mais uma vez, e perguntou em surdina ao Menino que ali estava deitado: O que quer isto dizer? Como é possível ser Mãe de todos sendo Tua Mãe?

Ouviu uma voz no seu coração que lhe dizia: Não te preocupes, Maria, a Deus nada é impossível!

Serenou, acalmou o seu coração e ficou a pensar: Como posso eu ser Mãe de todos e o que lhes hei-de dizer em cada momento?

O Menino mexeu-se e Ela parece que ouviu a sua voz dizer-lhe ao coração: Diz-lhes apenas para fazerem a Minha vontade, sempre.

Ela assentiu logo que sim, que o importante era todos fazerem o que o Menino lhes dissesse para fazerem.

Tomou-O ao colo, recostou-lhe a cabeça no seu peito e docemente adormeceu olhando aquela face tão bela.

Enquanto adormecia, um sorriso aflorou aos seus lábios, porque teve o pensamento de que um dia ainda havia de dizer a alguém: Fazei tudo o que Ele vos disser!

 

Marinha Grande, 21 de Dezembro de 2020

Joaquim Mexia Alves

sábado, 19 de dezembro de 2020

APETECE-ME ESCREVER!!!

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Sento-me frente ao computador e penso que hoje gostava de escrever sobre o que me vai no íntimo, no coração.

E penso em todas as coisas que uns e outros vão dizendo, escrevendo sobre a Igreja, sobre o Papa Francisco, sobre os Bispos ou os Padres, sejam eles “conservadores” ou “progressistas” e concluo que, pela graça de Deus, “sei” amar a “minha” Igreja em toda a sua diversidade, desde que assente em Jesus Cristo, no Papa e no Magistério, e, portanto, não é sobre isso que quero escrever.

Ah, mas então penso na misericórdia de Deus, infinita, sem limites, para os pecadores, (afinal somos todos pecadores), mas também descanso na certeza de que a misericórdia de Deus é para todos, desde que os todos, ou cada um, a queira reconhecer e aceitar.

Penso então nas celebrações, na liturgia, nas mais “formais” e nas mais “criativas”, e também descanso, na certeza de que todas aquelas que forem celebradas em comunhão com a Igreja, com a Santa Sé, com o Papa e o Magistério, são celebrações queridas por Deus, quer eu goste mais de umas ou de outras.

Depois penso ainda nos tais “assuntos fracturantes”, que dominam as notícias, e descanso também, porque sirvo-me do Catecismo, do ensinamento do Papa e do Magistério, e ajo, e sinto-me de acordo com eles, portanto, em comunhão de Igreja.

E penso em tantas outras coisas e descanso mais uma vez, porque sou intransigente comigo mesmo, ao tentar, (sim, tentar, porque nem sempre sou capaz), seguir o que me diz a Igreja da qual quero ser sempre pedra viva, e assim sendo, sigo a Verdade e a Verdade fará de mim um discípulo, embora pecador.

 

E assim, o que me resta para escrever?

Apenas uma oração que me vai vindo ao coração.

 

Obrigado Pai

que nos enviaste o Teu Filho Jesus Cristo para se fazer homem como nós excepto no pecado, para dar a vida por nós, para nos libertar do pecado e da morte eterna.

O Teu Filho, que contigo Pai, derramou em nós o Espírito Santo, que nos conduz na revelação do Vosso Amor, que faz de nós filhos de Deus muito amados.

Obrigado por fazeres de mim Igreja, (pedra pequenina, mas que não queres dispensar), e sendo Igreja, ser Teu discípulo, ser Tua testemunha, ser um pouco de Ti para os outros como os outros são um pouco de Ti para mim.

Obrigado, meu Deus, porque me parece que escrevi o que querias de mim, pelo menos para mim.

Sou Teu, independentemente da minha teimosia, do meu pecado, do meu eu, porque cada vez que por Ti chamo me estendes a mão e me dizes: “Porque temes, homem de pouca fé.”

Obrigado, meu Senhor e meu Deus!

 

 

Marinha Grande, 19 de Dezembro de 2020

Joaquim Mexia Alves