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As pessoas em geral, cristãos e não só, indignaram-se, (e muito bem, sem dúvida), com as palavras do Presidente dos EUA sobre o Papa Leão XIV.
O desmando verbal da pessoa em questão é tão óbvio que me levou a olhar para o acontecido com outra perspectiva, até porque a condenação de tais palavras parece ser quase unânime.
E a outra perspectiva levou-me a pensar que a figura do Papa nestes últimos tempos se torna cada vez mais próxima do comum mortal, seja ele cristão ou não.
Há algumas décadas atrás seria impensável que alguém, mesmo nada tendo a ver com a Igreja Católica, proferisse tais palavras sobre o Papa.
Poderá ser impressão minha, mas penso desde Pio XII a figura do Papa se aproximou de todos nós, e que essa aproximação se vai tornando cada vez mais nítida ao longo da sucessão destes últimos Sumo Pontífices, especialmente desde João XXIII.
Obviamente que isto não é de forma nenhuma uma crítica aos Papas anteriores, homens de uma dignidade e santidade sem mácula, embora em anos remotos possa ter havido alguns erros.
Longe de ser criticável esta proximidade é, ao contrário, de louvar, de enaltecer, tanto mais que, quanto a mim, muito mais do que o desejo de cada Papa em ser mais próximo, foi, é o Espírito Santo que vai moldando cada pontificado de modo a que cada vez mais os cristãos e não só, percebam que o Papa é no fundo e sem dúvida um de nós.
Lembro-me bem de quando estudei num curso para leigos no Seminário de Leiria, aquilo que foi dito sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, (o Papa Leão XIV tem vindo a fazer às quarta feiras catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II de muito interesse), e como essa Constituição de um modo simples mas assertivo, em vez de começar pela hierarquia da igreja, começa por falar do Povo de Deus, acentuando assim, julgo de uma forma simples de perceber, que o Papa, tal como os Bispos e Sacerdotes, são primeiro e antes de tudo Povo de Deus e dele emanam.
Na minha idade, já bastante vivida, lembro-me bem, quando era mais novo, de como falar com um Bispo era “coisa” complicada, e até os Sacerdotes tinham, digamos assim, um “estatuto” que os fazia diferentes e por vezes distantes.
Com isto não quero dizer que o respeito devido ao Papa, Bispos e Sacerdotes, seja algo para esquecer ou menosprezar, mas que, antes pelo contrário, esta proximidade os torna mais presentes, mais “humanos”, perdoe-se-me o termo.
E o que têm as frases iniciais deste texto com tudo isto?
Têm tudo e nada a ver, mas a verdade, acredito eu, é que há algumas décadas atrás nenhum presidente de uma qualquer nação se lembraria de falar de tal modo sobre o Papa.
Estando mais próximos, estamos mais vulneráveis, estando mais vulneráveis, estamos mais abertos à humildade e, como tal, mais abertos à acção do Espírito Santo em todos nós.
Marinha Grande, 15 de Abril de 2026
Joaquim Mexia Alves





















