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Esta reflexão não tem como centro Cristiano Ronaldo, embora possa parecer que sim.
Findo o campeonato mundial de futebol para Portugal, eu, que não percebo nada de futebol, olho para a figura de Cristiano Ronaldo e deixo-me encontrar paralelos entre a sua vida e a vida dos cristãos.
Não vou escrever para elogiar Cristiano Ronaldo, (que ele não precisa dos meus elogios), mas tenho forçosamente que me render ao extraordinário atleta que ele é, pois, vindo de condições muito humildes, sofreu, lutou, persistiu quase até à exaustão, e assim continua a fazer todos os dias, para alcançar o estatuto de maior futebolista de todos os tempos e ser reconhecido em todo o mundo como tal.
Alguns escrevem e julgam-no vaidoso e egoísta, mas eu que o sou, não me atrevo a fazer tal julgamento, pois penso que se tivesse o estatuto que ele tem, seria com certeza bem mais vaidoso e egoísta do que ele.
«Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão.» (Mt 7,5)
Alia a tudo isto um coração generoso, (alguns acham que é apenas para que os outros vejam), em atitudes e gestos, quer de empatia e apoio a outros, como dispondo da sua imensa fortuna para ajudar mais necessitados, como ainda agora fez com as vítimas do tremor de terra na Venezuela.
E se estas suas particularidades devem servir de exemplo a cada um de nós que se diz cristão, (pois mesmo que não tenhamos fortuna podemos ter sempre um sorriso, um abraço, uma palavra de apoio a quem precisa), a sua vida como desportista deveria ser um exemplo para o nosso ser discípulo de Cristo.
Ser cristão comporta sempre um radicalismo de coração e, como tal, uma luta constante no querer ser santo, não para nos vangloriarmos, mas para glória de Deus.
Não interessa se se é rico ou pobre, porque cada um que quer seguir Cristo é sempre rico na graça que Ele lhe dá.
Mas seguir Cristo, ser cristão, ser Igreja, é sempre um caminho exigente, que em cada momento nos confronta com os nossos cansaços, com as nossas dificuldades, com as nossas fraquezas, com o nosso comodismo.
Porque é que Cristiano Ronaldo, aos quarenta e um anos, com uma fortuna invejável, sem precisar de provar mais nada, continua a lutar, a exigir do seu corpo a perfeita forma física, a tentar, apesar de todas as condicionantes da idade, jogar mais e melhor futebol.
Acredito que, para além de outras motivações, é porque quer continuar a ser o melhor e a ser reconhecido como tal.
E nós cristãos, apesar de todas as condicionantes de cada um, continuamos a lutar para ser melhores cristãos, continuamos a persistir para ser reconhecidos, (não para nossa glória), como aqueles que amam acima de tudo Deus e os outros?
Continuamos a perseverar na oração pelos outros, pela Igreja, pela paz, pelas vocações, apesar de tantas vezes parecer que não obtemos de Deus aquilo que pedimos, como se Ele tivesse de nos mostrar tudo o que faz com as nossas orações?
Continuamos a querer conhecer cada vez melhor a Doutrina que enforma o nosso ser cristão, não poupando esforços de acordo com as possibilidades de cada um, em mais aprender para melhor compreender e, compreendendo melhor, vivermos no dia a dia a fé que Deus nos dá?
Continuamos a tudo fazer em acolhimento, simpatia, entrega, em Igreja e fora dEla, para sermos reconhecidos como aqueles que amam a todos sem olhar a quem?
A lista de tantas coisas que devíamos fazer e viver seria interminável e, afinal, tantas vezes por comodismo, arranjando desculpas espúrias, deixamo-nos cair na rotina, sentamo-nos na vida, e não lutamos para ser cada vez mais discípulos de Cristo, templos do Espírito Santo, pedras vivas da Igreja, testemunhas do amor do Pai.
Parece que temos muito que aprender com o Cristiano Ronaldo na persistência, na perseverança, na entrega, na exigência de nós próprios, para sermos verdadeiros cristãos e alcançarmos apenas e só a graça de sermos considerados servos inúteis de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Como escrevi ao início, esta reflexão não tem como centro Cristiano Ronaldo, mas sim o ser Cristão.
Marinha Grande, 8 de Julho de 2026
Joaquim Mexia Alves



















