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No passado dia 26 de Julho passaram 127 anos sobre o nascimento de meu pai, e ao recordá-lo pergunto-me, a começar por mim, onde estão os homens como ele, e, naquele tempo, até havia muitos.
Se podia reflectir no que foi o seu servir a “cousa pública” sem dela se servir nunca, nem em honrarias, nem em presentes e, muito menos em aproveitamentos lícitos ou ilícitos, prefiro deter-me no seu ser cristão católico, que enformou toda a sua vida.
Onde está a humildade, a começar por mim, de ser cristão sem se querer alcandorar a ser alguém importante na Igreja, para que todos olhem e reconheçam?
E se isso era uma constante na vida do meu pai, era-o também na grande maioria dos sacerdotes, bispos e leigos.
Nada faziam para dar nas vistas ou ser notícia, fosse ela qual fosse, e apenas lhes interessava dar testemunho do Cristo humilde que deu a vida por nós, servindo o povo de Deus em Igreja.
Já não há cristãos assim?
Com certeza que há, graças a Deus, mas não querendo ser pessimista, serão hoje em dia poucos, mais uma vez repito, a começar por mim que o não sou.
Acredito que aqueles a quem me refiro, no seu tempo, eram sem dúvida guiados pelo Espírito Santo no seu testemunho de vida, que acabava por ser bem mais importante do que as palavras que iriam proferindo em cada momento das suas vidas.
E não são importantes as palavras?
Claro que sim, mas só se forem acompanhadas pelo testemunho de vida que suporta as mesmas palavras e, hoje em dia, nós falamos muito e testemunhamos pouco ou, pior ainda, testemunhamos o contrário do que dizemos.
Ver entrar o meu pai numa igreja para a celebração da Eucaristia era algo que me tocava naquele tempo e mais ainda hoje em dia, pois percebo as coisas de uma maneira mais conscientemente cristã.
É que o meu pai como que desaparecia no seu grande tamanho, para ser apenas um entre todos, celebrando, comungando e louvando a Deus.
Sim estarei a ser pessimista e demasiado crítico, mas parece-me que nestes tempos muitos de nós cristãos chamamos mais a atenção para nós próprios do que para Jesus Cristo, que afirmamos seguir.
Nesse tempo os sacerdotes, os bispos, nada acrescentavam da “sua lavra” à Liturgia, mas, em comunhão com toda a Igreja, celebravam com as mesmas palavras e posturas a mesma Eucaristia, desde as antípodas até à nossa pequena ou grande comunidade paroquial.
E não me refiro ao latim, (do qual não tenho nada contra, embora prefira a língua vernácula), mas sim à obediência às palavras do Missal Romano, “avalizado” e autorizado pelo Sumo Pontífice e o Magistério da Igreja.
E era tão mais fácil, profundo e sagrado, o ser cristão em Igreja, quer para os Ministros Ordenados, quer para os leigos, que celebravam e comungavam em uníssono a Liturgia da Igreja.
Todos sabíamos o que ouvíamos e todos sabíamos o que responder.
Todos o fazíamos com consciência cristã?
Talvez não, mas de um modo geral saíamos edificados e construídos interiormente por uma Igreja que se fazia igual para todos aqueles que a Ela queriam pertencer em verdade.
Que me perdoem os sacerdotes e bispos que se dão inteiramente a Cristo em Igreja, (que acredito serem a maioria), e não “inventam” liturgias para agradar a quem quer uma igreja de acordo com os seus “apetites”, uma igreja de “venda” de serviços e, talvez, mais agradável ao mundo do que a Deus.
A homilia, sim, tem espaço para a “criatividade” do sacerdote, do bispo, guiados pelo Espírito Santo, mas a Liturgia está “escrita” no Missal Romano para ser rigorosamente igual em toda a terra onde é celebrada, salvo melhor opinião, para a Igreja ser, sem margem para dúvidas, comunhão de todos em Cristo.
Tenho para mim, pobre coitado cristão que o aprendeu a ser já bem avançado na idade, (e que ainda está bem longe de ser verdadeiramente cristão discípulo de Cristo), que a chamada crise nas vocações sacerdotais tem muito a ver com a quebra do salutar radicalismo de seguir e servir a Cristo, guiados pelo Espírito Santo no amor do Pai, nesta Igreja que somos todos nós, mas da qual não somos donos, porque Ela é de Cristo e só em Cristo com Cristo e em Cristo ê verdadeiramente Igreja.
Os jovens têm mais “apetite” por um certo radicalismo, do que por um “vale tudo” quase sem exigências de verdade.
«Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me.» (Lc 9,23)
Esta cruz de cada um tem tudo o que abarca as nossas vidas, mas comporta também, com certeza, a obediência à Doutrina, à Liturgia, à Igreja, (só nessa obediência nos podemos “negar a nós próprios”), para que todos, guardando a individualidade de cada um, possamos ser comunhão em Igreja, verdadeiramente discípulos de Cristo.
Marinha Grande, 29 de Julho de 2026
Joaquim Mexia Alves


















