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terça-feira, 17 de maio de 2011

AS ELEIÇÕES E O CRISTÃO CATÓLICO

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Aproxima-se mais um dia de eleições no nosso país.

Nunca é demais recordar que é um dever de cada cristão católico empenhar-se na construção de um mundo melhor, mais justo e mais fraterno, dando testemunho da Fé que vive e da Doutrina que enforma o seu modo de viver.

Assim, para além de tudo o que pessoalmente possa e deva fazer, na família, na paróquia, no trabalho, no lazer, nos que lhe estão próximos, também é sua missão escolher os governantes das nações, que melhor sirvam os valores que são indeléveis à vida cristã católica.

Não se trata aqui de “imiscuir” a religião na política, trata-se isso sim, de que o cristão primeiro é filho de Deus, e só depois é Português, ou qualquer outra nacionalidade ou especificidade.

E o cristão católico é constantemente chamado ao testemunho da Fé que professa e da Doutrina que vive, e como tal tem que ser coerente com esse mesmo testemunho e com essa vivência da Fé.

Não é por muitas palavras que se chama alguém à verdade, mas sim, se essas palavras são acompanhadas de um testemunho de vida condizente com as mesmas.

Como diz o velho ditado português: «Bem prega frei Tomás, faz o que ele diz não faças o que ele faz.»

Por isso mesmo se pode enganar muita gente durante algum tempo, mas nunca toda a gente, a tempo inteiro e para sempre.

Os governos e os governantes passam, até os países vão aparecendo e por vezes desaparecendo, mas a fé em Jesus Cristo, a comunhão em Igreja, Católica, sempre acontece, sempre é vida, apesar das quedas, das provações ou de tempos mais ou menos difíceis.

A Igreja Católica, não deve fazer discursos políticos?

Claro que não, não é essa a sua missão!

Mas é sem dúvida sua missão ensinar e conduzir o Povo de Deus ao encontro da Verdade, e só o pode fazer, se constantemente chamar a atenção dos seus filhos para a incoerência de uma vida cristã que apoia politicamente aqueles que estão contra a Doutrina que a própria Igreja Católica defende e ensina.

O homem primeiro pertence a Deus, e é para Deus que caminha, vivendo no mundo.

Mas a sua vida no mundo deve pautar-se pela vontade de Deus e não pela vontade dos homens, por isso mesmo a Igreja nos apresenta tantos mártires ao longo da História da Revelação de Deus aos homens.

Viveram no mundo fazendo a vontade de Deus e não cedendo à vontade, aos caprichos, aos erros dos homens.

A essa heroicidade espiritual e física daquele tempo, tem que hoje corresponder uma heroicidade espiritual e mental, ou intelectual, (se assim quisermos chamar-lhe), que leve cada cristão católico a não abdicar dos seus valores para votar em alguém, ou “alguens”, que preconize e leve à prática tudo aquilo que é contrário à Fé e à Doutrina que todos os dias esse mesmo cristão católico se compromete a viver, quando chama a Deus, Pai, ao rezar o Pai Nosso, ou quando afirma crer no próprio Deus, Trindade Santíssima, ao rezar o Credo.

E será preciso indicar quem são esses homens ou mulheres que assim apresentam um programa político que não vá contra a coerência de uma vida cristã católica?

Cada um deve abrir a sua consciência ao dom do Espírito Santo e não se deixar enganar por siglas, por discursos, por afirmações indignadas, não esquecendo nunca que «há muitos lobos no meio das ovelhas, só que estão vestidos com as peles das mesmas.»

E não vale a pena dizer a outrem que não se votou neste partido ou nesta pessoa, para esconder a sua incoerência, porque se o outro não pode saber a verdade, Deus sabe-a, sem dúvida.

O testemunho do cristão católico não se esgota na Igreja, bem pelo contrário, pois a Igreja do cristão católico é o mundo em que vive e em que dá, em cada momento e atitude, testemunho de Jesus Cristo.

Porque uma coisa é a Igreja Católica e outra é a igreja edifício em que se vai celebrar, que só é Igreja na medida em que reúne a Assembleia dos filhos de Deus em oração.

“Não vale a pena”, é expressão que nunca deve constar do vocabulário ou pensamento de um cristão católico, porque todos e cada um, cada vida e cada momento de cada vida, é importante e amado por Deus nosso Senhor, que deu a vida por cada um, e ressuscitou para a cada um dar a vida eterna.

E essa só se alcança por Sua graça, fazendo a Sua vontade a todo o tempo.

Que Deus nosso Senhor, Trindade Santíssima, nos ilumine e conduza a exercermos, com consciência cristã católica, o nosso direito e dever de voto.




Nota:

V. Conclusão

9. As orientações contidas na presente Nota entendem iluminar um dos mais importantes aspectos da unidade de vida do cristão: a coerência entre a fé e a vida, entre o evangelho e a cultura, recomendada pelo Concílio Vaticano II. Este exorta os fiéis “a cumprirem fielmente os seus deveres temporais, deixando-se conduzir pelo espírito do evangelho. Afastam-se da verdade aqueles que, pretextando que não temos aqui cidade permanente, pois demandamos a futura, crêem poder, por isso mesmo, descurar as suas tarefas temporais, sem se darem conta de que a própria fé, de acordo com a vocação de cada um, os obriga a um mais perfeito cumprimento delas”. Queiram os fiéis “poder exercer as suas actividades terrenas, unindo numa síntese vital todos os esforços humanos, familiares, profissionais, científicos e técnicos, com os valores religiosos, sob cuja altíssima hierarquia tudo coopera para a glória de Deus”
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

OS CRISTÃOS E AS ELEIÇÕES

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Falta menos de uma semana para irmos a votos no nosso Portugal.

Escrevo então, o mais humildemente que me é possível, para os cristãos deste nosso país que porventura me leiam.

Por vezes esquecemo-nos que ser cristão representa não só a adesão a Cristo, mas também por força disso mesmo, a missão de levarmos Cristo aos outros e os outros a Cristo, de lutarmos por um mundo mais fraterno, que viva do amor e no amor que Jesus Cristo nos veio revelar e que é e tem de ser sempre a matriz do nosso viver, do nosso pensar, do nosso agir cristão.

E um dos direitos de que todos os homens são detentores, (ou deveriam ser), é o de concorrerem pelo exercício da sua liberdade, na escolha daquelas e daqueles que devem governar as nações.

Mas para nós cristãos este não é só um direito, mas também um dever, porque se o somos verdadeiramente, devemos viver neste mundo e ajudar a transformá-lo, a conformá-lo à vontade de Deus, porque acreditamos que só a vontade de Deus é o melhor para o Homem, qualquer Homem.

Esquecemo-nos muitas vezes dos pecados por omissão e omissão é com certeza não nos empenharmos na construção de um mundo mais fraterno e harmonioso, que como nós sabemos e acreditamos, tem de ser edificado segundo a Palavra de Deus, que é Deus de todos e não só de alguns.

E devemos exercer esse direito e dever livremente, sem impor nada a ninguém, mas não deixando de dar testemunho daquilo em que acreditamos, para que outros possam tomar conhecimento e acreditar no Deus que nos criou.

Poderemos pensar e até dizer que o temos feito, mas isso não é verdade, pois basta ver o resultado do referendo ao aborto para percebermos que muitos cristãos pensaram que não era nada com eles, ou então ingenuamente julgaram que Deus faria aquilo que eles não se predispuseram a fazer.

Ou então, ainda, eram cristãos só de “apelido” e não conheciam verdadeiramente a Palavra de Jesus Cristo, pelo que, em vez de se conformarem com a Palavra, quiseram conformar a Palavra com aquilo que era sua vontade, quiseram que a Palavra fosse para servir os seus interesses.

E temos muito em que pensar, ou até talvez não!

Com efeito andam para aí uns partidos que arrogando-se de defenderem os “fracos e oprimidos” pareceria que defendiam aquilo que Jesus Cristo nos veio ensinar, mas nada mais falso, porque a coberto dessa capa têm escondido o ataque mais insidioso à célula mais importante da sociedade que é a família, para além de muitas outras coisas.

E não se coíbem de citar pessoas da Igreja com um despudor inadmissível, para servir os seus propósitos, interpretando a seu belo prazer aquilo que homens da Igreja disseram.

Chegam ao cúmulo de afirmar que têm padres nas suas fileiras, padres esses que tendo-se separado da Igreja continuam no entanto a usar esse “título”, porque se assim não fizessem, ninguém os ouviria.

E quando dizemos que a Igreja deveria ser bem mais clara, aconselhando os cristãos e chamando-lhes a atenção para a falta de valores cristãos da maior parte desses programas de “governo”, ainda pretendem citar Jesus Cristo dizendo: «A César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Mas então interpretemos literalmente como eles pretendem a Palavra, e logo reparamos que a Deus não interessam as “moedas de César” e que são de César, a Deus interessa a vida que é de Deus e que eles desde logo negam a partir da sua concepção.

Não nos deixemos enganar, porque esta suposta defesa dos direitos do homem, não passa de uma arrogância sem limites que afinal atenta contra o próprio homem, atenta contra a dignidade do homem, atenta contra a vida do homem.

Hoje, já bastante às claras, o ataque à Igreja e aos cristãos é visível em todo o lado, mas ainda é pouco, pois a sua vontade é destruir tudo o que vem de Deus, para que alguns homens possam dominar o homem.

Então pergunto eu, seremos nós cristãos que lhes daremos o poder, para que eles nos possam destruir?

Temos dúvidas?

Não sabemos se este ou aquele partido serve aquilo em que acreditamos, se é conforme ao que de mais profundo queremos viver nas nossas vidas, se é um partido que quer servir o homem enquanto filhos de Deus?

É muito simples a solução:
A Bíblia numa mão, o Catecismo na outra, para lermos e vivermos no Espírito Santo e não no nosso fraco espírito, no coração a fé, a confiança que nos anima, juntamente com a coragem que nos vem pela graça de Deus, e vamos lá colocar a cruzinha naqueles que defendem os valores da vida e do amor, para que não venha depois uma cruz bem maior sobre os nossos ombros e sobre as nossas consciências.
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