quarta-feira, 29 de julho de 2026

CONSIDERAÇÕES SOBRE O SER CRISTÃO

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No passado dia 26 de Julho passaram 127 anos sobre o nascimento de meu pai, e ao recordá-lo pergunto-me, a começar por mim, onde estão os homens como ele, e, naquele tempo, até havia muitos.

Se podia reflectir no que foi o seu servir a “cousa pública” sem dela se servir nunca, nem em honrarias, nem em presentes e, muito menos em aproveitamentos lícitos ou ilícitos, prefiro deter-me no seu ser cristão católico, que enformou toda a sua vida.

Onde está a humildade, a começar por mim, de ser cristão sem se querer alcandorar a ser alguém importante na Igreja, para que todos olhem e reconheçam?

E se isso era uma constante na vida do meu pai, era-o também na grande maioria dos sacerdotes, bispos e leigos.
Nada faziam para dar nas vistas ou ser notícia, fosse ela qual fosse, e apenas lhes interessava dar testemunho do Cristo humilde que deu a vida por nós, servindo o povo de Deus em Igreja.

Já não há cristãos assim?
Com certeza que há, graças a Deus, mas não querendo ser pessimista, serão hoje em dia poucos, mais uma vez repito, a começar por mim que o não sou.

Acredito que aqueles a quem me refiro, no seu tempo, eram sem dúvida guiados pelo Espírito Santo no seu testemunho de vida, que acabava por ser bem mais importante do que as palavras que iriam proferindo em cada momento das suas vidas.

E não são importantes as palavras?
Claro que sim, mas só se forem acompanhadas pelo testemunho de vida que suporta as mesmas palavras e, hoje em dia, nós falamos muito e testemunhamos pouco ou, pior ainda, testemunhamos o contrário do que dizemos.

Ver entrar o meu pai numa igreja para a celebração da Eucaristia era algo que me tocava naquele tempo e mais ainda hoje em dia, pois percebo as coisas de uma maneira mais conscientemente cristã.
É que o meu pai como que desaparecia no seu grande tamanho, para ser apenas um entre todos, celebrando, comungando e louvando a Deus.

Sim estarei a ser pessimista e demasiado crítico, mas parece-me que nestes tempos muitos de nós cristãos chamamos mais a atenção para nós próprios do que para Jesus Cristo, que afirmamos seguir.

Nesse tempo os sacerdotes, os bispos, nada acrescentavam da “sua lavra” à Liturgia, mas, em comunhão com toda a Igreja, celebravam com as mesmas palavras e posturas a mesma Eucaristia, desde as antípodas até à nossa pequena ou grande comunidade paroquial.

E não me refiro ao latim, (do qual não tenho nada contra, embora prefira a língua vernácula), mas sim à obediência às palavras do Missal Romano, “avalizado” e autorizado pelo Sumo Pontífice e o Magistério da Igreja.

E era tão mais fácil, profundo e sagrado, o ser cristão em Igreja, quer para os Ministros Ordenados, quer para os leigos, que celebravam e comungavam em uníssono a Liturgia da Igreja.
Todos sabíamos o que ouvíamos e todos sabíamos o que responder.

Todos o fazíamos com consciência cristã?
Talvez não, mas de um modo geral saíamos edificados e construídos interiormente por uma Igreja que se fazia igual para todos aqueles que a Ela queriam pertencer em verdade.

Que me perdoem os sacerdotes e bispos que se dão inteiramente a Cristo em Igreja, (que acredito serem a maioria), e não “inventam” liturgias para agradar a quem quer uma igreja de acordo com os seus “apetites”, uma igreja de “venda” de serviços e, talvez, mais agradável ao mundo do que a Deus.

A homilia, sim, tem espaço para a “criatividade” do sacerdote, do bispo, guiados pelo Espírito Santo, mas a Liturgia está “escrita” no Missal Romano para ser rigorosamente igual em toda a terra onde é celebrada, salvo melhor opinião, para a Igreja ser, sem margem para dúvidas, comunhão de todos em Cristo.

Tenho para mim, pobre coitado cristão que o aprendeu a ser já bem avançado na idade, (e que ainda está bem longe de ser verdadeiramente cristão discípulo de Cristo), que a chamada crise nas vocações sacerdotais tem muito a ver com a quebra do salutar radicalismo de seguir e servir a Cristo, guiados pelo Espírito Santo no amor do Pai, nesta Igreja que somos todos nós, mas da qual não somos donos, porque Ela é de Cristo e só em Cristo com Cristo e em Cristo ê verdadeiramente Igreja.
Os jovens têm mais “apetite” por um certo radicalismo, do que por um “vale tudo” quase sem exigências de verdade.

«Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me.» (Lc 9,23)

Esta cruz de cada um tem tudo o que abarca as nossas vidas, mas comporta também, com certeza, a obediência à Doutrina, à Liturgia, à Igreja, (só nessa obediência nos podemos “negar a nós próprios”), para que todos, guardando a individualidade de cada um, possamos ser comunhão em Igreja, verdadeiramente discípulos de Cristo.





Marinha Grande, 29 de Julho de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 27 de julho de 2026

O CRIVO DO AMOR


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O Teu amor, Senhor Jesus, é como um crivo que nos recebe quando de Ti nos aproximamos.

Derramamo-nos inteiramente nesse crivo e, tudo o que é bom em nós e no que fazemos, Tu guardas no teu coração.

O que é mau e fizemos de mal fica retido nesse crivo.

Não para disso Te lembrares, mas à espera que nós reconheçamos essas nossas fraquezas e delas nos arrependamos, pedindo perdão.

Então, Senhor Jesus, pegas no Teu crivo, e tudo o que lá ficou retido atiras para o lixo do Teu esquecimento, para que assim sejamos purificados das nossas fraquezas.

À medida que nos vamos, cada vez mais, aproximando de Ti, o Teu crivo vai se tornando mais apertado, mas não porque queiras dificultar a nossa aproximação, mas porque, cada vez mais perto de Ti, nos vamos apercebendo das fraquezas que até então não tínhamos notado em nós.

Assim, Senhor Jesus, vais recebendo tudo o que é de bom em nós e vais retendo o que é mau até ao nosso arrependimento, para nos ires purificando de todo o mal.

Ajuda-me, Senhor Jesus, para que eu saiba sempre reconhecer tudo aquilo que não passa no Teu crivo e assim arrepender-me, pedir perdão por tudo isso, e emendar-me para percorrer o caminho que Tu me dás.

Obrigado, Senhor Jesus, pelo crivo do Teu amor.







Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O AMENDOIM

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Durante a Eucaristia Dominical veio à minha mente a imagem do amendoim.
Chegado a casa tentei perceber se isso significava alguma coisa para mim.

Quem gosta de comer amendoins sabe que o processo para os comer tem três fases, digamos assim.

Em primeiro lugar é preciso abrir a vagem onde estão os amendoins.
Em segundo lugar é preciso retirar a película à volta do amendoim.
Em terceiro lugar pode-se então usufruir do fruto, comendo o amendoim.

Percebi, então, um paralelo com o caminho de conversão na vida de um cristão.

Para abrir a vagem onde estão contidos os amendoins é preciso algum esforço, é preciso partir com a força dos dedos a camada exterior, para colocar à disposição os amendoins.

Esta vagem são os pecados mortais, duros, os mais difíceis de “partir”, mas sem os “abrir” não podemos ter acesso à vida cristã que queremos viver em comunhão com Cristo.

Depois vem a tal película que envolve os amendoins e se separa em vários bocados que, sendo mais fácil de limpar, agarra-se, no entanto, aos nossos dedos, fica como que colada e, muitas vezes, esses bocados da película tornam-se difíceis de retirar e são, digamos assim, mais numerosos que as vagens.
Há um processo para os limpar que torna tudo mais fácil, e que é esfregar os amendoins ainda com essa película entre as mãos, depois soprar, e o sopro faz voar para “longe” esses bocados de película.

Esta película e os seus “bocados” são os pecados veniais, aqueles que são as fraquezas mais comuns no homem, mas que é preciso afastar para poder ter “acesso” à vida completa em comunhão com Cristo.

E aquele sopro que afasta esses bocados, é o Espírito Santo a Quem nos entregamos para que nos dê forças e afaste de nós as nossas fraquezas diárias.

Findo todo o processo de limpeza do exterior do amendoim, podemos então usufruir da riqueza desse fruto e de todo o seu sabor.

A conversão do cristão nunca está acabada, mas se for fiel ao “processo” de reconhecimento das suas faltas, dos seus erros, de tudo aquilo que tem de emendar no dia a dia, de se arrepender e confessar, atirando fora as “vagens e películas” da sua vida, então também terá “acesso” à «vida em abundância» (Jo 10,10), prometida e alcançada para todos nós pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo Nosso Senhor.




Marinha Grande, 19 de Julho de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 13 de julho de 2026

«SAIU O SEMEADOR A SEMEAR»



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E tu semeador cristão quando e como sais a semear?

Como quem se acha melhor do que os outros, ou ouvindo pacientemente e respondendo com sensatez?

Com um sorriso e a alegria de quem tem Deus, ou como um peso, uma carga que esmaga e não liberta?

A gritar e a “atirar” a “sua” verdade, ou a mostrar com a sua vida o amor de Deus?

A ensinar o perdão, ou a proclamar vinganças?

A ameaçar com castigos, ou a testemunhar o amor de Deus que ama incondicionalmente?

É que quando semeias o amor de Deus, se o fazes bem, até nas rochas pode brotar a semente.

É que se te deixas guiar pelo Espírito Santo quando semeias, até no meio dos espinheiros a semente dá planta que cresce.

É que se o fazes na paz e na alegria de Deus, até a semente que cai à berma do caminho rebenta e produz fruto.

É que se quando semeares te entregas inteiramente a ser discípulo de Cristo, não esperando outra recompensa que não seja o amor de Deus, a semente que cai em terra boa cresce e dá muito fruto e fruto que permanece.

Somos chamados a ser semeadores da semente que é a Palavra de Deus, tudo o resto é Deus Quem faz, que rega, que protege, que dá o sol, que é a vara que apoia o caule da planta, que é a seiva que dá vida à planta e aos seus frutos, que tudo faz, enfim.

E nós apenas devemos dar graças por sermos chamados a ser semeadores pela graça de Deus.







Marinha Grande, 12 de Julho de 2026
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 8 de julho de 2026

ENCONTRAR PARALELOS


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Esta reflexão não tem como centro Cristiano Ronaldo, embora possa parecer que sim.

Findo o campeonato mundial de futebol para Portugal, eu, que não percebo nada de futebol, olho para a figura de Cristiano Ronaldo e deixo-me encontrar paralelos entre a sua vida e a vida dos cristãos.

Não vou escrever para elogiar Cristiano Ronaldo, (que ele não precisa dos meus elogios), mas tenho forçosamente que me render ao extraordinário atleta que ele é, pois, vindo de condições muito humildes, sofreu, lutou, persistiu quase até à exaustão, e assim continua a fazer todos os dias, para alcançar o estatuto de maior futebolista de todos os tempos e ser reconhecido em todo o mundo como tal.

Alguns escrevem e julgam-no vaidoso e egoísta, mas eu que o sou, não me atrevo a fazer tal julgamento, pois penso que se tivesse o estatuto que ele tem, seria com certeza bem mais vaidoso e egoísta do que ele.
«Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão.» (Mt 7,5)

Alia a tudo isto um coração generoso, (alguns acham que é apenas para que os outros vejam), em atitudes e gestos, quer de empatia e apoio a outros, como dispondo da sua imensa fortuna para ajudar mais necessitados, como ainda agora fez com as vítimas do tremor de terra na Venezuela.

E se estas suas particularidades devem servir de exemplo a cada um de nós que se diz cristão, (pois mesmo que não tenhamos fortuna podemos ter sempre um sorriso, um abraço, uma palavra de apoio a quem precisa), a sua vida como desportista deveria ser um exemplo para o nosso ser discípulo de Cristo.

Ser cristão comporta sempre um radicalismo de coração e, como tal, uma luta constante no querer ser santo, não para nos vangloriarmos, mas para glória de Deus.

Não interessa se se é rico ou pobre, porque cada um que quer seguir Cristo é sempre rico na graça que Ele lhe dá.

Mas seguir Cristo, ser cristão, ser Igreja, é sempre um caminho exigente, que em cada momento nos confronta com os nossos cansaços, com as nossas dificuldades, com as nossas fraquezas, com o nosso comodismo.

Porque é que Cristiano Ronaldo, aos quarenta e um anos, com uma fortuna invejável, sem precisar de provar mais nada, continua a lutar, a exigir do seu corpo a perfeita forma física, a tentar, apesar de todas as condicionantes da idade, jogar mais e melhor futebol.

Acredito que, para além de outras motivações, é porque quer continuar a ser o melhor e a ser reconhecido como tal.

E nós cristãos, apesar de todas as condicionantes de cada um, continuamos a lutar para ser melhores cristãos, continuamos a persistir para ser reconhecidos, (não para nossa glória), como aqueles que amam acima de tudo Deus e os outros?

Continuamos a perseverar na oração pelos outros, pela Igreja, pela paz, pelas vocações, apesar de tantas vezes parecer que não obtemos de Deus aquilo que pedimos, como se Ele tivesse de nos mostrar tudo o que faz com as nossas orações?

Continuamos a querer conhecer cada vez melhor a Doutrina que enforma o nosso ser cristão, não poupando esforços de acordo com as possibilidades de cada um, em mais aprender para melhor compreender e, compreendendo melhor, vivermos no dia a dia a fé que Deus nos dá?

Continuamos a tudo fazer em acolhimento, simpatia, entrega, em Igreja e fora dEla, para sermos reconhecidos como aqueles que amam a todos sem olhar a quem?

A lista de tantas coisas que devíamos fazer e viver seria interminável e, afinal, tantas vezes por comodismo, arranjando desculpas espúrias, deixamo-nos cair na rotina, sentamo-nos na vida, e não lutamos para ser cada vez mais discípulos de Cristo, templos do Espírito Santo, pedras vivas da Igreja, testemunhas do amor do Pai.

Parece que temos muito que aprender com o Cristiano Ronaldo na persistência, na perseverança, na entrega, na exigência de nós próprios, para sermos verdadeiros cristãos e alcançarmos apenas e só a graça de sermos considerados servos inúteis de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como escrevi ao início, esta reflexão não tem como centro Cristiano Ronaldo, mas sim o ser Cristão.







Marinha Grande, 8 de Julho de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 6 de julho de 2026

SERVO INÚTIL

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Serves-Te das minhas mãos impuras para Te fazeres presente na custódia e assim Te podermos adorar, louvar e agradecer.

Tu estás ali, sem qualquer dúvida, assim firmemente acredito, e estás também em nós quando ao Teu amor nos abrimos.

E eu não posso neste momento deixar de pensar em tudo o que fui, como te neguei em tantas coisas na minha vida.

Quando desprezei alguém que julguei menos do que eu, foi a Ti que desprezei, quando fiz mal alguém mais pequenino do que eu, foi a Ti que tratei mal, quando traí alguém mais frágil do que eu, foi a Ti que traí, quando menti a alguém menos seguro do que eu, foi a Ti que menti, e a lista, Senhor, não teria fim.

E, no entanto, Senhor, abriste-me os Teus braços, apertaste-me junto a Ti, e disseste-me para Te seguir, para ser testemunha do Teu amor.

Realmente, Senhor, o Teu amor é incomparável e não tem limites.

Hoje, dia de são Pedro e São Paulo, lembro-me de que se Pedro Te negou, Paulo Te perseguiu e fez mal àqueles que Te seguiam.

Mas, mesmo assim, quiseste servir-Te deles para proclamarem a Tua Palavra, o Caminho, a Verdade e a Vida que Tu és, e é por causa deles, e de todos os que chamaste e aceitaram a missão que colocaste nas suas mãos, que eu aqui estou e Te posso contemplar e adorar, que dando graças por tudo quando fizeste e em mim.

Pobre de mim que tão fraco sou e, mesmo assim, Te queres servir de mim para Te fazeres presente para todos no Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.

Nada sou e nada quero ser, mas apenas servo inútil para Te servir segundo a Tua vontade.







Garcia, 29 de Junho de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)