sexta-feira, 27 de março de 2026

CONHECIMENTO

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Senhor, precisamos adquirir mais conhecimentos, lendo mais, refletindo mais, para melhor Te conhecermos e melhor Te amarmos.

Mas todo esse conhecimento que possa vir do estudo, da leitura, da reflexão, da procura, só levará a um amor maior por Ti, e em Ti pelos outros, se nos abrirmos decididamente a Ti, em oração, para recebermos de Ti o Espírito Santo, porque só com Ele e por Ele tudo se pode transformar na Vida Nova, por Tua graça.

Que interessa o muito conhecimento e o muito estudo se for apenas para nos vangloriarmos do nosso pretenso saber, da nossa pretensa sabedoria.

Se assim for tudo o que possamos adquirir fecha-se em nós e só nos serve a nós, acabando por não constituir uma vida aberta aos outros, mas apenas fechada às nossas inclinações humanas.

Se tudo isso não nos levar ao Teu encontro e a encontrarmos-Te nos nossos irmãos, de nada vale.

Se, no entanto, em todo esse estudo, essa procura de conhecimento, nos colocamos nas Tuas mãos para melhor amar e servir, então tudo serve para os outros, porque será a Tua luz a brilhar em nós e não a nossa fraca e débil inteligência.

Que interessa ao homem ser admirado e elogiado, ser servido pelos homens, se a sua vida, o seu saber, não serve a Deus servindo os outros?

Haverá sempre quem vai mais longe do que nós, e aqueles que se fecham em si próprios e vivem para si próprios, rapidamente são esquecidos e nada têm para dar, e, assim sendo, o muito ou pouco que têm de nada lhes servirá e até lhes será retirado.

De Ti, Senhor, vem a sabedoria, vem a luz, vem o amor, e, por isso mesmo, só em Ti o homem pode encontrar a verdadeira sabedoria, a verdadeira luz e o verdadeiro amor, que nos fazem cada vez mais à Tua imagem semelhança.

Quanto mais nos aproximamos de Ti mais livres e felizes seremos, porque o Teu amor nos enche e se faz amor em nós.

Ajuda-nos, Senhor, a procurar apenas a Tua vontade em tudo o que fazemos, porque só na Tua vontade seremos aqueles por quem Tu desta a vida e ressuscitaste para nos salvar.







Garcia, 26 de Março de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 23 de março de 2026

TODOS A CAMINHO

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Vamos todos a caminho ajudando-nos uns aos outros, seguimos de corações unidos na estrada que Tu nos dás.

Mas reparamos que alguns querem percorrer caminhos diferentes e assim acabam por se separar de todos nós.

É então que Tu nos dizes para irmos ao seu encontro e os ajudarmos a regressar ao caminho da Verdade.

Claro que em nós logo desperta a pergunta: E se eles não quiserem vir, Senhor?

Então, com todo o Teu amor e ternura, dizes a cada um de nós: Fazei um pouco de caminho com eles, mostrai-lhes como o caminho que abandonaram, e que é o Meu caminho, é aquele que deve ser vivido, que deve ser caminhado.
Não os exaspereis, não lhes deis lições de moral ou quaisquer outras, não queirais ser “professores”, mas antes pelo amor do vosso testemunho fazei com que eles encontrem o caminho que vos fez amor em Mim, para amardes os outros como a vós mesmos.

Mas, Senhor, então não devemos tentar persuadi-los com as nossas razões, aquelas que acreditamos nos vêm de Ti?

Sim, com certeza, mas deveis fazê-lo muito mais com os vossos testemunhos de vida do que com a vossa sabedoria humana, porque quando chegar o momento de falar, se estiverdes entregues em oração, acreditai que o Espírito Santo falará em vós e então tudo se poderá transformar.

Mas, Senhor, e se mesmo assim não quiserem vir, não quiserem ser igreja connosco?

Então deixai-os caminhar os seus caminhos, mas orai por eles com esperança e amor e, no tempo certo, confiai que eles se possam abrir à Verdade.
Mais não podeis fazer, porque e liberdade de cada um, é a liberdade que a todos dei em amor e por amor.

Obrigado, Senhor, por este caminho que nos dás e por fazeres sempre esse caminho connosco.

Vigiai e orai, porque o caminho tem obstáculos, e em todos os momentos precisais de estar sempre em comunhão Comigo e em comunhão com todos, sendo Igreja.






Garcia, 19 de Março de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 16 de março de 2026

ESPINHOS

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Por vezes esqueço-me de Ti e deixo-me levar por pensamentos que alimentam o meu orgulho e a minha vaidade.

Mas logo, num momento, Tu segredas ao meu coração o meu nome, com tanto amor, que de imediato percebo que me estou a deixar levar por mim, em vez de me deixar guiar por Ti.

E então zango-me comigo próprio, barafusto, e tento sair da teia que o inimigo, que tão bem me conhece, vai urdindo para me perder em coisas vãs.

Levanto os olhos ao Céu, ou melhor, baixo os olhos, envergonhado, e digo-Te com tristeza, mas confiando: Porquê, Senhor, porque permites que continue a cair nestas armadilhas?

Tu sorris, com aquele sorriso de Quem ama infinitamente, e dizes-me com ternura: «vigia e ora para não caíres em tentação»

Oh, Senhor, nestes momentos sinto-me tão pobre, tão frágil, tão inconstante, tão volúvel, tão nada, afinal, como se todo o caminho percorrido me escorregasse por entre os dedos e eu voltasse tão para trás como no início.

Tens-me ajudado a vencer tantas coisas, Senhor, mas esta tão especifica, do meu orgulho e da minha vaidade, quando a julgo vencida, vem de novo para me atormentar.

Tens-me dado tanto, Senhor, em dons e batalhas vencidas, mas, perdoa Senhor, quase trocava tudo pelo dom da humildade.





Marinha Grande, 16 de Março de 2026
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 4 de março de 2026

A ORAÇÃO CONSTANTE







Sabemos pelos Evangelhos que Jesus orava constantemente, sobretudo nos momentos de maior decisão.


A pergunta que devemos fazer então é se a Igreja reza constantemente, ou seja, se nós cristãos que somos Igreja rezamos continuamente, desde os ministros ordenados, aos consagrados e a todos nós leigos.


Lembro-me de ter lido há muito tempo atrás uma história em que um jornalista perguntava ao então Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, se ele para tomar um decisão importante quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, tinha lido muitos livros e estudado muito, ao que ele respondeu que sim, mas que verdadeiramente o tempo que mais “gastou” para tomar essa decisão foi de joelhos a rezar.


Como está então a nossa oração individual e também a comunitária?


Muitas vezes, reconheço-o em mim, “construímos” um esquema de oração diária e não saímos dele, de tal modo que, por vezes, se torna apenas numa rotina, (e não tem mal termos hábitos e rotinas de oração), quase sem expressão nem “calor” espiritual.


E “programamos” tempos bem definidos para rezar, não cuidando de oferecer tudo o que fazemos como oração para Deus, e assim estarmos em oração permanente, tendo-O sempre presente nas nossas vidas.


Isto porque, segundo inúmeros Santos, Deus “lê” os nossos corações, as nossas intenções, mais do que as nossas palavras.


Assim, se a nossa intenção é oferecer-nos a Deus, oferecendo tudo aquilo que fazemos de bem no nosso dia a dia, então tudo isso é uma oração constante que Deus recebe no Seu infinito amor.


Então, em Igreja, podemos perguntar-nos também, quanto tempo rezamos e quanto tempo “gastamos” em reuniões e elaborações de planos e programas que, muitas vezes, nos “esquecemos” de oferecer a Deus em oração.


Sem oração não há Igreja, começando, obviamente, pela Eucaristia.


Se não estamos em permanência com Jesus Cristo, tudo oferecendo ao Pai, guiados pelo Espírito Santo, não construímos a Igreja, mas apenas mantemos edifícios.


A Quaresma é, então, um tempo propício para reflectirmos sobre a nossa oração, quer individual, quer em Igreja.
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Marinha Grande, 4 de Março de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 2 de março de 2026

CAMINHO

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Olha para trás para os passos que vais dando nesta tua caminhada para Deus e com Deus.

Se há alguns passos que estão bem marcados e mostram firmeza no caminhar, muitos outros são ténues, imprecisos, hesitantes, quase arrastados, como se não soubesses o caminho, ou melhor, como se hesitasses em percorrê-lo.

Alguns desses passos estão invertidos, ou seja, são passos a recuar em vez de avançar.

E, no entanto, há dentro de ti uma enorme vontade de caminhar, mas há tantas pedras de tropeço, tantas barreiras a transpor, tantas montanhas a subir, tantos abismos a saltar.

Repara que muitas vezes, pelo meio desses passos, estão marcadas as palmas das tuas mãos e percebe então que foram as vezes em que caíste no caminho e foram tantas, infelizmente.

Percebe também que onde estão marcadas as palmas das tuas mãos, se vêem também os passos de Quem te ajudou a levantar e então diz-Lhe em segredo no teu coração: Obrigado, Senhor!

Olha agora para a frente e continua a caminhar, decidido a não parar, a não querer hesitar, a tudo fazer 
para não cair.

Sabes bem que hás-de novamente olhar para trás e que, mais uma vez, verás as mesmas marcas dos teus passos, mas esperas confiadamente que, então, a maioria sejam passos bem marcados e firmes, porque acreditas que o Senhor, vai contigo e te ajudará a caminhar.



Marinha Grande, 27 de Fevereiro de 2026
Joaquim Mexia Alves