segunda-feira, 16 de março de 2026

ESPINHOS

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Por vezes esqueço-me de Ti e deixo-me levar por pensamentos que alimentam o meu orgulho e a minha vaidade.

Mas logo, num momento, Tu segredas ao meu coração o meu nome, com tanto amor, que de imediato percebo que me estou a deixar levar por mim, em vez de me deixar guiar por Ti.

E então zango-me comigo próprio, barafusto, e tento sair da teia que o inimigo, que tão bem me conhece, vai urdindo para me perder em coisas vãs.

Levanto os olhos ao Céu, ou melhor, baixo os olhos, envergonhado, e digo-Te com tristeza, mas confiando: Porquê, Senhor, porque permites que continue a cair nestas armadilhas?

Tu sorris, com aquele sorriso de Quem ama infinitamente, e dizes-me com ternura: «vigia e ora para não caíres em tentação»

Oh, Senhor, nestes momentos sinto-me tão pobre, tão frágil, tão inconstante, tão volúvel, tão nada, afinal, como se todo o caminho percorrido me escorregasse por entre os dedos e eu voltasse tão para trás como no início.

Tens-me ajudado a vencer tantas coisas, Senhor, mas esta tão especifica, do meu orgulho e da minha vaidade, quando a julgo vencida, vem de novo para me atormentar.

Tens-me dado tanto, Senhor, em dons e batalhas vencidas, mas, perdoa Senhor, quase trocava tudo pelo dom da humildade.





Marinha Grande, 16 de Março de 2026
Joaquim Mexia Alves

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