quarta-feira, 4 de março de 2026

A ORAÇÃO CONSTANTE







Sabemos pelos Evangelhos que Jesus orava constantemente, sobretudo nos momentos de maior decisão.

A pergunta que devemos fazer então é se a Igreja reza constantemente, ou seja, se nós cristãos que somos Igreja rezamos continuamente, desde os ministros ordenados, aos consagrados e a todos nós leigos.

Lembro-me de ter lido há muito tempo atrás uma história em que um jornalista perguntava ao então Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, se ele para tomar um decisão importante quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, tinha lido muitos livros e estudado muito, ao que ele respondeu que sim, mas que verdadeiramente o tempo que mais “gastou” para tomar essa decisão foi de joelhos a rezar.

Como está então a nossa oração individual e também a comunitária?

Muitas vezes, reconheço-o em mim, “construímos” um esquema de oração diária e não saímos dele, de tal modo que, por vezes, se torna apenas numa rotina, (e não tem mal termos hábitos e rotinas de oração), quase sem expressão nem “calor” espiritual. 

E “programamos” tempos bem definidos para rezar, não cuidando de oferecer tudo o que fazemos como oração para Deus, e assim estarmos em oração permanente, tendo-O sempre presente nas nossas vidas.

Isto porque, segundo inúmeros Santos, Deus “lê” os nossos corações, as nossas intenções, mais do que as nossas palavras.

Assim, se a nossa intenção é oferecer-nos a Deus, oferecendo tudo aquilo que fazemos de bem no nosso dia a dia, então tudo isso é uma oração constante que Deus recebe no Seu infinito amor.

Então, em Igreja, podemos perguntar-nos também, quanto tempo rezamos e quanto tempo “gastamos” em reuniões e elaborações de planos e programas que, muitas vezes, nos “esquecemos” de oferecer a Deus em oração. 

Sem oração não há Igreja, começando, obviamente, pela Eucaristia.

Se não estamos em permanência com Jesus Cristo, tudo oferecendo ao Pai, guiados pelo Espírito Santo, não construímos a Igreja, mas apenas mantemos edifícios.

A Quaresma é, então, um tempo propício para reflectirmos sobre a nossa oração, quer individual, quer em Igreja.
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Marinha Grande, de Março de 2026
Joaquim Mexia Alves

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