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Dizemos com toda a ligeireza e sem pensarmos que amanhã é feriado, o dia do Corpo de Deus.
E dizemos que é o feriado do Corpo de Deus, (perdoem-me a crueza da comparação), como quem diz que amanhã é feriado de Carnaval.
A grande maioria, (mesmo cristãos católicos), nem sequer se detém um pouco para pensar o que é verdadeiramente o Corpo de Deus.
Passando “por cima” de quaisquer pensamentos de cariz teológico, eu tenho para mim que, simplificando, o Corpo de Deus é a Eucaristia permanente.
Quis Deus, na Pessoa do Filho, entregar-se não só por todos nós, mas dar-se como alimento divino àqueles que d’Ele se querem alimentar para viverem segundo a Sua vontade.
Não conseguimos, nem de leve, abarcar, compreender, sequer perceber o Mistério da Eucaristia, mas acreditamos que, guiados pelo Espírito Santo, quando o sacerdote “in persona Christi” profere as palavras da consagração, o pão e o vinho se transubstanciam no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
E não é uma representação, um simbolismo, uma imagem para os olhos verem, é a “realidade real” de que aquela hóstia e aquele vinho, já não são mais farinha nem sumo de uva, mas sim a Carne e o Sangue de Cristo.
A nossa razão humana não entende, aos nossos olhos humanos tudo permanece igual, a hóstia e o vinho não mudam de aspecto, mas a sua substância mudou total e realmente, e assim são agora a Corpo e o Sangue de Cristo que nos são dados por Sua imensa graça, para nosso alimento na Fé.
Eu posso mascarar-me de um qualquer animal, por exemplo, até vestir a pele do mesmo, colocar uma cabeça do mesmo, e aos olhos de quem me vê posso parecer esse animal, mas eu permaneço eu por dentro da máscara, a minha substância não mudou, continuo a ser um homem exactamente igual ao que sempre fui e serei.
Como podemos nós então dizer com tal leveza que no dia tal é o feriado do Corpo de Deus e nem sequer pararmos para pensar um pouco no que isso significa realmente?
«Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida.» Jo 6, 53-55
Como podemos nós não ficar esmagados por estas palavras?
Esmagados de amor, de adoração, de louvor, de temor de Deus, de gratidão eterna, de entrega ao Deus que se dá como alimento à Sua criatura.
No silêncio do Mistério de Deus que se faz alimento para o homem, abramos os nossos corações, as nossas mentes, todo o nosso ser, e deixemo-nos tomar pelo infinito amor de Deus que vem até nós tão verdadeira e realmente como há dois mil anos.
Em cada Eucaristia, humildemente, digamos interiormente: «Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!» Mc 9, 24
Marinha Grande, 3 de Junho de 2026
Joaquim Mexia Alves

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