terça-feira, 30 de junho de 2026

SONO


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Aqui na Tua presença, Senhor, abate-se um sono inexplicável sobre mim, de tal modo que me é difícil manter os olhos abertos.

Lembro-me de Santa Teresinha e, se estivesse aqui sozinho, apetecia-me fazer como ela, fechar os olhos e adormecer frente a Ti que velas por mim.

Talvez que assim a dormir me entregasse verdadeiramente nas Tuas mãos, talvez assim me abandonasse sem quaisquer reservas ao Teu amor, talvez assim não pusessem entraves a tudo quanto queres fazer em mim.

Estes momentos são para mim inexplicáveis e, por muito que queira discernir o que querem dizer, (se é que querem dizer alguma), coisa nada consigo entender, por isso abandono-me e vivo-os em amor.

Sou um pobre por nada perceber e, no entanto, sou infinitamente rico por Te ter.

Fecho os olhos por uns momentos e deixo-me guiar aonde me quiseres levar.

No fundo aquilo que me dizes é simples e vem sempre de Ti, do Teu amor, pois dizes-me que o que devo fazer sempre é amar, sempre amar, a Ti primeiro, e em Ti amar os outros.

Talvez que eu sonhe acordado, mas percebo na Tua presença tudo o que preciso para ser um homem completado.







Garcia, 18 de Junho de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

sábado, 27 de junho de 2026

FIM DE TARDE EM MATO CÃO


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O calor quase te sufoca.

O suor escorre-te pela cara, pelos braços, fruto de uma humidade insuportável.

Sentes-te dentro de uma estufa, só que esta é aberta a um horizonte sem fim, à visão de uma bolanha que ondeia ao sabor do vento.

E, no entanto, é já fim de tarde.

O sol vai-se escondendo por detrás de uma mata cheia de segredos e a sua luz avermelha ainda mais a terra vermelha que cobre todo o espaço onde estás sentado, num cadeirão de palha.

As fogueiras à entrada das tabancas vão-se acendendo, e os cheiros quentes do óleo de dendê da comida dos militares guineenses, vão-te enchendo de saudades de um bom refogado em azeite da tua terra.

Olhas mais ao longe, para além do pequeno planalto onde agora permaneces, e sentes, apesar de tudo, um bem-estar inexplicável, talvez fruto daqueles que ao teu lado vão contando histórias, que não ouves, mas sentes.

Por uma qualquer razão, que nem sequer te dás ao trabalho de discernir, a guerra está parada no teu pensamento, e agora apenas pretendes viver e desfrutar do pouco que tens, ali naquele sítio esquecido de todos, e basta-te uma cerveja fresca de uma velha arca a petróleo, para te sentires bem melhor do que muitos que por aquele território de África penam.

Vêm-te ao pensamento imagens de casa lá longe, a milhares de quilómetros, mas afasta-las de imediato, para fazeres um sorriso e um aceno de cabeça a algo que te perguntaram, mas tu nem sequer ouviste, envolvido que estás naquele momento de paz inexplicável.

A noite cai, e sabes que rapidamente vais ficar na escuridão, porque ali, naquele “buraco” como lhe chamam os teus camaradas de armas, não há gerador, não há luz, não há nada, afinal.

Acendem-se uns petromax, (mais ou menos escondidos para não chamarem a atenção do escuro da mata), e também uns candeeiros improvisados, feitos de garrafas de cerveja vazias, com um qualquer óleo e um pavio, que vai ardendo sem se queimar.

Também tu vais ardendo de saudades, mas com a tua maneira de ser, não te importas, porque neste momento nada podes fazer para matar tais saudades.

Olhas um pouco mais à frente de onde estás sentado e ris-te ao ver um buraco no chão que deveria ser um poço de água, fruto de uma mente de militar “superior” que se lembrou de mandar fazer um poço no cimo de um tão pequeno planalto.

Ouves a voz do Geba que, no sopé do planalto, vai correndo para o mar.
Se fosse tempo de macaréu a voz do Geba seria bem mais ruidosa.

O dia chegou ao fim e são horas de te enfiares no abrigo onde tens cama, envolvida num mosquiteiro, (que naquela terra os mosquitos são aviões de combate), e deitas-te empapado em suor, para dormires mais uma noite com um olho aberto.

Amanhã será um novo dia, ou melhor, será menos um dia na contagem de regresso a casa.

Que Deus nos proteja e nos faça regressar a bom porto.







Marinha Grande, 25 de Junho de 2026
Joaquim Mexia Alves 


NOTA: Fotografia do Destacamento de Mato Cão na Guiné, onde estive cerca de 8 meses em 1972/1973, como Alferes Miliciano de Operações Especiais, a comandar o Pelotão de Caçadores Nativos 52.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O CANSAÇO DOS PADRES


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Há alguns anos, num domingo, tive de fazer uma Celebração da Palavra numa das capelas da nossa paróquia.

No fim da celebração veio uma senhora falar comigo, perguntando porque é que o Padre não tinha ido celebrar a Eucaristia.

Disse-lhe que o Sacerdote estava de férias, tendo ela ficado muito indignada como era possível o Padre estar de férias e não vir celebrar a missa.

Escuso-me a referir a minha resposta, que talvez tenha sido um pouco ríspida.

Vem isto a propósito de alguns textos que tem surgido ultimamente sobre o cansaço dos padres e de como poucos leigos, (às vezes até a própria hierarquia da Igreja), se preocupam minimamente com esta realidade.

Os Padres, pelo visto, são uma espécie de “respirar”.
Todos têm direito a respirar, mas poucos se preocupam se há “oxigénio” para todos.

Os Padres são uma espécie de direito adquirido para os que vão à missa, para os que não vão, para os que não querem saber da Igreja para nada, mas querem um Baptismo ou um Matrimónio e, de um modo geral, para toda a gente, (praticante ou não), devem estar “ao serviço” vinte e quatro horas por dia e, como diriam certas pessoas, de noite também.

Têm de estar disponíveis para tudo, celebrações de sacramentos, reuniões, catequese, aconselhamento, encontros dos mais diversos movimentos, etc., etc.

Ao mesmo tempo que têm de fazer tudo, são criticados precisamente por fazerem tudo.

É mais do que repetitiva a resposta - “pergunta ao padre” - perante a pergunta de como fazer determinada que, afinal, qualquer um pode fazer na paróquia.

Ri-se, é demasiado alegre! Confraterniza, é um folião!
Não se ri, só fala o essencial, não é muito dado a “comezainas” e convívios, é um mal-disposto!

E cuidamos nós, leigos e não só, de saber do seu estado de espírito, das suas preocupações, das suas dores, dos seus problemas particulares?

Esquecemo-nos que os Padres também têm vida, digamos normal, isto é, têm famílias, têm amigos, têm amigas, (cuidado que logo haverá alguém a querer ver o que não existe), têm doenças, têm dores, têm bons e maus momentos, enfim, curiosamente para quem não sabe, cansam-se!

A verdade é que eles não precisam “apenas” das nossas orações, (isso é fácil, digamos assim), precisam da nossa disponibilidade, precisam do nosso sorriso, do nosso abraço, do nosso convite para almoçar ou jantar, precisam da nossa amizade, precisam de se sentir amados, sim, precisam de se sentir mais amados do que “precisados”.

Somos tão rápidos a criticar a duração da Missa, o conteúdo da homilia, as actividades da paróquia, mas somos tão lentos, (ou nem sequer o fazemos), a dizer-lhes que gostámos muito daquela celebração, que aquela homilia nos tocou o coração, que aquela nova ideia que ele colocou em prática deu frutos e foi muito boa.

Às vezes precisam apenas de companhia, sem falar da Igreja, sem falar de tudo o que envolve as suas vidas na paróquia, mas apenas conversa de amigo, sobre o tempo, a política, o futebol, enfim, o dia a dia.

Nenhum de nós, leigos, podemos alcançar, perceber, o que será o cansaço físico e sobretudo espiritual de estar umas horas a confessar, por exemplo, a tensão que tal pode envolver, o controle das emoções humanas quando o penitente confessa os pecados dos outros, mas os seus têm que ser “arrancados a ferros”, salvo seja, com muita paciência, dedicação e bom senso.

Eu por mim falo, que tenho mau feitio, mas quantas vezes lhes há-de apetecer responder mais duramente, quando a resposta para novas ideias, para nada mudar, é: Mas ó Senhor Padre foi sempre assim!

Eu até me admiro como em certos fins de semana de não sei quantos baptizados, matrimónios, funerais e as missas habituais, eles não se enganam e não casam as crianças, não enterram os noivos e não casam os defuntos!!!
Estou a ironizar, obviamente, mas a verdade é que muitas vezes só de pensar na correria da maior parte dos padres ao fim de semana, até eu fico cansado!

Se acrescentarmos o facto muito real de que os Padres em actividade se apercebem de que tão cedo não poderão descansar, porque as vocações sacerdotais não existem e, por isso mesmo, os seminários estão vazios, e assim esse cansaço diário já se projecta também no futuro.

Quando eu era novo era um orgulho imenso as famílias terem um filho sacerdote.
Hoje nem dessa vocação se fala aos filhos, mas depois queremos ter Padres que sirvam a Igreja e a todos nós.

Pois é, os Padres precisam de nós, precisam que nós nos lembremos que, se eles nos servem na sua missão, também é nossa missão servi-los no que de nós possam precisar.

Sejamos como Aarão e Hur para os nossos Padres, como eles foram para Moisés.
«E acontecia que, enquanto Moisés tinha as mãos levantadas, era Israel o mais forte; mas quando descansava as mãos, o mais forte era Amalec. Mas as mãos de Moisés ficaram pesadas. Pegaram então numa pedra e puseram-na debaixo dele, e ele sentou-se sobre ela. Aarão e Hur sustentavam as mãos dele, um de um lado e outro do outro. E assim as mãos dele permaneceram firmes até ao pôr-do-sol.» Ex 17, 11-12

No fim deste longo texto resta-me perceber um pouco da minha impotência para mudar tal situação, mas também me comprometo a rezar mais pelos Padres e pelas vocações e, sobretudo, a tentar ser um ombro, uma mão, (ou as duas mãos), um amigo, (mais do que um paroquiano), uma certeza de que aqueles Padres com quem trabalho, com quem vivo a fé em Igreja no dia a dia, terão em mim, sempre, alguém que está disposto a ouvir, a estar simplesmente ao lado, a rezar e a ser o que de mim precisarem, assim, Deus me ajude.







Marinha Grande, 22 de Junho de 2026
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 17 de junho de 2026

SILÊNCIO

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Procuro-Te no silêncio, Senhor, mas não consigo fazer silêncio em mim.

O silêncio das palavras é simples, Senhor, pois basta-me fechar a boca e não proferir qualquer som.

Mas o ruído dos pensamentos, das coisas da vida no dia a dia, irrompe em mim e distrai-me da concentração que eu muito anseio por ter nestes momentos frente a Ti, no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Porque é tão difícil, Senhor, calar o mundo em mim?

Como eu gostaria de ser capaz de desligar o meu cérebro, as minhas preocupações que nada valem, os meus desejos que não me servem para nada.

Ó, Senhor, derrama o Espírito Santo para que Ele cale em mim tudo aquilo que neste momento eu não quero pensar, nem viver, para que vazio de mim me deixe encher de Ti.

Com tantas coisas mundanas a ocupar-me, como posso eu abrir espaço em mim para Ti?

Ouve a minha súplica, Senhor, e ensina-me a adorar em espírito e verdade.

Concede-me, Senhor, eu Te peço, o dom do silêncio, o dom da humildade, o dom da entrega de mim próprio inteiramente a Ti.

Sim, Senhor, continuarei a perseverar até que um dia, por Tua inteira graça, eu deixe de estar cheio de mim, para apenas Te ter a Ti.






Garcia 11 de junho de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 15 de junho de 2026

LIMPAR AS “LENTES” PARA TE VER MELHOR


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Quando me preparo para ler a Tua palavra na Tua presença, Senhor, percebo que as lentes dos meus óculos estão sujas e tenho de limpá-las para ver melhor.

Vem ao meu pensamento que também muitas vezes as “lentes dos olhos” do meu coração estão sujas com os meus pecados, com as minhas fraquezas, com os meus erros.

E isso pode impedir-me de Te ver em mim, Senhor, de Te perceber em mim e também nos outros, em quem me chamas a ver-Te, a perceber-Te.

Percebo então, que preciso limpar com muito mais frequência as “lentes dos olhos” do meu coração, da minha vida, para que desimpedidas de tudo o que as suja, do que as obstrui, possa ver bem mais claramente a Tua presença na minha vida e em todas as coisas.

De repente, Senhor, vejo-me a sorrir interiormente, ao lembrar-me que costumo servir-me do lenço que tenho que sempre no meu bolso para limpar as lentes dos meus óculos, e pergunto-me onde vou eu arranjar um lenço para limpar as “lentes dos olhos” do meu coração, da minha vida.

Agora és Tu que sorris, Senhor, e dizes ao meu coração cheio de amor: O lenço que Eu te dou para limpares as “lentes dos olhos” do teu coração, da tua vida, chama-se Sacramento da Penitência, e está sempre à tua disposição se o quiseres procurar.

Reconheço, Senhor, que afinal tenho sempre tanta disponibilidade para tanta coisa que faço em Igreja e, afinal, a maior disponibilidade que eu devia ter era para me reconciliar Contigo no Sacramento da Penitência, porque só em comunhão Contigo é que tudo aquilo que eu faço em Igreja pode dar fruto, não por meu mérito, mas apenas e só por Tua graça, porque és Tu em mim que tudo fazes e deves fazer.

Obrigado, Senhor, por que me levas e ensinas a limpar as “lentes” da minha vida que estão sujas pelo pecado, para liberto de tudo o que me aprisiona ao mundo, me entregue à liberdade do amor que Tu nos dás.






Garcia, 8 de Junho de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 8 de junho de 2026

CONVERSAS COMIGO II

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Quando te perguntas se podes dizer ou fazer isto ou aquilo, se é bom ou se é mau, se está ou não de acordo com a vontade de Deus, desconfia de ti próprio e ouve a tua consciência em oração.

Se te perguntas é porque algo dentro de ti já te está a alertar para a realidade de que aquilo que queres dizer ou fazer não é, com certeza, vontade de Deus.

Então não procures argumentos para te convenceres a ti próprio de que é bom aquilo que já duvidas de o ser.

Procura quem te ajude a discernir, mas não andes a “bater a todas as portas” até encontrares uma que te diga aquilo que queres ouvir.

Quando aquilo que desconfias não ser bom acaba por parecer coisa boa aos olhos do mundo, desconfia, porque o mundo sabe embelezar o mal, sabe argumentar para te convencer a fazer o contrário daquilo que Deus coloca no teu coração.

Repara, desde logo, se aquilo que queres dizer ou fazer, te provoca divisão, te provoca mal estar, te provoca incómodo.

É que o que vem de Deus é sempre união, é sempre amor, é sempre bem estar e traz sempre paz àquele que quer viver segundo a vontade de Deus.

Os Sacramentos, mormente a Eucaristia, a oração contínua, a meditação da Palavra de Deus, o aconselhamento espiritual, dar-te-ão sempre o que necessitas para discernir bem, para discernires em comunhão com Deus.





Garcia, 28 de Maio de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

sexta-feira, 5 de junho de 2026

O ENGANO DAS MENSAGENS "PIEDOSAS"...

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Chegou às minhas mãos mais uma dessas mensagem com imagens, música e texto, igual a tantas outras que circulam por aí e constantemente invadem as nossas caixas de correio electrónico.

Fiquei a pensar no assunto e percebendo como estas mensagens são um logro, um engano em que às vezes aqueles que estejam menos preparados, ou mais frágeis emocionalmente, podem cair.

E são engano e logro em, pelo menos, dois sentidos:

Primeiro porque não levam a nada em termos práticos, a não ser criar falsas esperanças e ideias “perigosas” na cabeça das pessoas, tais como, que não é preciso trabalhar, esforçar-se, porque com o “poder da mente”, porque deus, (aqui de propósito em letra pequena), tudo faz e nós não temos que fazer nada a não ser pensar.

Segundo porque são um embuste “religioso”, ou seja, falando de Deus e levando a crer que têm a ver com a fé em Deus, (sobretudo a fé cristã, embora não sejam especificas nesse campo), acabam por ser apenas e só portadoras de uma mensagem de espiritualidades baseadas no homem e apenas no homem.

O primeiro engano é claro, porque muito que digam que experimentaram e deu resultado, não deveriam conseguir enganar ninguém, porque se assim fosse, não existiriam problemas, nem crises de qualquer espécie.
Bastava pensar, meditar, e tudo passava!!!

Segundo porque falando de Deus, apontam para tudo menos para Deus, que nestas mensagens acaba por ser apenas o “fazedor” daquilo que nós queremos e desejamos.

Claro, que nelas existe uma parte em que se afirma que o que desejamos não pode ser contra outros, que tem que ser para o bem, etc., mas também era o que mais faltava que não dissesse!

Mas a verdade é que toda a mensagem é voltada para as capacidades do homem sozinho e a referência a Deus apenas ali aparece como modo de enganar as pessoas que têm fé, mas não têm uma verdadeira formação cristã enraizada nas suas vidas.

O início da mensagem que me enviaram, por exemplo, começa assim:
Você acredita no poder da mente?
No poder da vibração?
Da energia que emanamos e que nos conecta com todo o universo?
Com Deus, com os Anjos e Santos?
Com todas as pessoas, coisas e seres?

Se repararmos, Deus vem em quarto lugar, pois nos três primeiros aparece o homem e as suas possíveis capacidades.

Claro que o homem tem capacidades, Deus dotou-o com elas!
Mas estas capacidades atingem a sua plenitude na comunhão com Deus, e é nEle, por Ele e com Ele, que elas levam o homem ao melhor de si próprio e o levam a vencer as dificuldades que a vida lhe apresenta.

Poderíamos analisar essas mensagem e reparar que em tudo elas apontam para uma falsa felicidade, a felicidade em que tudo é conseguido apenas com o esforço da mente e em que Deus é “peça” secundária, pois está ali apenas para fazer o que nós desejamos.

E Deus tem ali os tempos marcados! Fica nosso refém!

Tem que nos dar o que pedimos ao fim de alguns minutos, numas mensagens.
Noutras ao fim de x dias, ou depois de distribuirmos não sei quantas fotocópias!
Sim porque também existe este “fenómeno” das orações de intercessão dos Santos, (que são uma prática religiosa da tradição da Igreja em tudo saudável), mas que nada têm a ver com um x número de fotocópias que se distribuem pelas igrejas, como forma de obter o que se pede!
Como se Deus estivesse a contar o número de fotocópias!!!

E depois estas mensagens trazem sempre uma mensagem sub-reptícia de temor, que tem a ver com a possibilidade de, não fazendo o que se pede, poder acontecer algo de mau, ou então se não enviar a mesma para não sei quantas pessoas o pedido, o desejo, não acontecer.

E pior ainda, pois se não reenviarmos a mensagem para outros tantos, não somos amigos de Deus, não somos bons cristãos!!!

É também de reparar nos símbolos utilizados, como pirâmides, esferas, e por aí fora, que apontam para “espiritualidades” que nada têm a ver com Deus e com a fé cristã e católica.

Bem, não será preciso alongar muito mais esta reflexão, para se chegar à conclusão de que Deus é tratado nestas mensagens como o “génio da lâmpada”!

A verdade é que estas mensagens são fantasias dos homens, vozes de falsos profetas, que apenas confundem as pessoas, e que mais tarde ou mais cedo as podem levar a um desespero pela não obtenção dos seus desejos e a uma revolta contra Deus, que afinal nada tem a ver com estas práticas dos homens.

É na nossa comunhão com Deus e com os outros, fazendo o trabalho a que somos chamados com empenho e dedicação, aceitando e ultrapassando as dificuldades e provações próprias das nossas vidas, preocupando-nos e ajudando os que mais precisam, orando e celebrando o nosso Deus de misericórdia, louvando-O, glorificando-O, dando-Lhe graças em tudo e pedindo a Sua ajuda, sempre segundo a Sua vontade, que encontraremos a felicidade da vida eterna na Sua presença, que começa já aqui e agora, se quisermos ser parte viva do Reino de Deus.





Marinha Grande, 5 de Junho de 2026
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O CORPO DE DEUS - SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO


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Dizemos com toda a ligeireza e sem pensarmos que amanhã é feriado, o dia do Corpo de Deus.

E dizemos que é o feriado do Corpo de Deus, (perdoem-me a crueza da comparação), como quem diz que amanhã é feriado de Carnaval.

A grande maioria, (mesmo cristãos católicos), nem sequer se detém um pouco para pensar o que é verdadeiramente o Corpo de Deus.

Passando “por cima” de quaisquer pensamentos de cariz teológico, eu tenho para mim que, simplificando, o Corpo de Deus é a Eucaristia permanente.

Quis Deus, na Pessoa do Filho, entregar-se não só por todos nós, mas dar-se como alimento divino àqueles que d’Ele se querem alimentar para viverem segundo a Sua vontade.

Não conseguimos, nem de leve, abarcar, compreender, sequer perceber o Mistério da Eucaristia, mas acreditamos que, guiados pelo Espírito Santo, quando o sacerdote “in persona Christi” profere as palavras da consagração, o pão e o vinho se transubstanciam no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E não é uma representação, um simbolismo, uma imagem para os olhos verem, é a “realidade real” de que aquela hóstia e aquele vinho, já não são mais farinha nem sumo de uva, mas sim a Carne e o Sangue de Cristo.

A nossa razão humana não entende, aos nossos olhos humanos tudo permanece igual, a hóstia e o vinho não mudam de aspecto, mas a sua substância mudou total e realmente, e assim são agora a Corpo e o Sangue de Cristo que nos são dados por Sua imensa graça, para nosso alimento na Fé.

Eu posso mascarar-me de um qualquer animal, por exemplo, até vestir a pele do mesmo, colocar uma cabeça do mesmo, e aos olhos de quem me vê posso parecer esse animal, mas eu permaneço eu por dentro da máscara, a minha substância não mudou, continuo a ser um homem exactamente igual ao que sempre fui e serei.

Como podemos nós então dizer com tal leveza que no dia tal é o feriado do Corpo de Deus e nem sequer pararmos para pensar um pouco no que isso significa realmente?

«Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida.» Jo 6, 53-55

Como podemos nós não ficar esmagados por estas palavras?

Esmagados de amor, de adoração, de louvor, de temor de Deus, de gratidão eterna, de entrega ao Deus que se dá como alimento à Sua criatura.

No silêncio do Mistério de Deus que se faz alimento para o homem, abramos os nossos corações, as nossas mentes, todo o nosso ser, e deixemo-nos tomar pelo infinito amor de Deus que vem até nós tão verdadeira e realmente como há dois mil anos.

Em cada Eucaristia, humildemente, digamos interiormente: «Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!» Mc 9, 24







Marinha Grande, 3 de Junho de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 1 de junho de 2026

CONVERSAS COMIGO I


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Rezas e continuas a rezar dizendo muitas vezes ao Senhor que n’Ele confias e n’Ele esperas.

Mas preocupas-te sempre no dia a dia com o que tens para viver, como se algo te faltasse para puderes confiar e esperar no futuro.

Vezes sem conta deitas contas à vida, (e, claro, que deves ter consciência do que tens), espreitas a conta bancária o pouco ou muito que tens e, afinal, parece que apesar de tudo é nessas coisas que depositas confiança e esperança para a tua vida.

Realmente, refletindo com realidade, é bem verdade que te aproximas mais de Deus, ou melhor, mais frequentemente Lhe rezas e pedes quando estás em dificuldades, sejam elas quais forem, mas sobretudo a saúde e a subsistência, do que verdadeiramente confias que Ele não te falta nunca.

Mas, por acaso, uma boa conta bancária te permite comprar a saúde, o amor, ou a paz diária?

Será que o ter muito te concede uma família harmoniosa ou uma vida em sociedade sem problemas?

Claro que deves trabalhar e tentar ganhar legitimamente o fruto do teu trabalho, mas será apenas isso que te dará a certeza de um bom futuro?

Não preferirias antes a proteção de Deus durante todos os dias da tua vida?

Essa proteção de Deus deve levar-te sempre a perceber que o pouco ou muito que tens é fruto do teu trabalho, mas que te deve levar também a abrir o coração para partilhar o que tens com os outros que mais precisam.

Há alegria maior do que dar sem esperar recompensa?

Confia em Deus e tudo terá então sentido, e perceberás finalmente como Santa Teresa que só Deus basta.








Garcia, 18 de Maio de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)