quinta-feira, 27 de julho de 2023

JMJ

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Ei-los que chegam
jovens ainda
vestidos de esperança
caminhando por seu pé
vivendo na confiança
que anima a sua fé.

Vêm de longe
de outras terras
de outros costumes
cansados de guerras
de dúvidas e incertezas
que querem deixar para trás
trazendo no coração
um imenso desejo de paz.

Vêm à procura
do Deus que se fez Homem
encontrá-lo nas suas vidas
abandonar a secura
de oportunidades perdidas.

Ei-los que chegam
ansiosos pela luz
que lhes ilumine o caminho
que mesmo passando na cruz
os leve ao encontro do amor
ao encontro de Jesus.




Marinha Grande, 27 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: A fotografia é da Daniela Sousa, uma querida amiga e excelente fotógrafa da Marinha Grande.

A igreja é a da Marinha Grande, hoje na Missa da recepção aos muitos jovens que irão ficar connosco até rumarem a Lisboa na próxima semana. 

terça-feira, 25 de julho de 2023

O QUE É MORRER?

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O que é morrer, Senhor, quando penso em Ti, ou melhor, quando anseio por Ti na minha vida?

Sim, Senhor, o que é morrer, senão viver uma vida muito mais para além do que a vida que morreu.

Abriste no tempo uma estrada, Senhor, quando ressuscitaste dos mortos e nos mostraste a vida eterna que Tu és e que queres que todos sejamos Contigo.

E já nada, nem ninguém pode fechar essa estrada que abriste em Ti, para cada um de nós.

Então, Senhor, e mais uma vez, o que é a morte?

Um momento de vida em que a vida se torna vida para sempre.

Porque é então que a Tua vida em nós se torna no tudo e no todo da vida que em nós criaste e que só se completa totalmente quando é vida em Ti para sempre.

Então, Senhor, permite que pergunte mais uma vez o que é a morte?

É uma exaltação, um grito da alma que anseia por Ti, mais ainda, um desejo incomensurável de vida que se torna para sempre vida em Ti.

Ah, Senhor, não tenho medo da morte!

Tenho medo de não viver a vida sempre em Ti, por Ti e para Ti, porque sou fraco e pecador.

Ah, Senhor, mas nem das fraquezas da minha vida afinal tenho medo, porque sei, porque acredito, que o Teu amor é sempre maior que o meu pecado e, por isso, me abraças e dizes sempre ao meu coração: Não tenhas medo!

Obrigado, Senhor, não tenho medo porque já sei o que é a morte.

A morte é afinal vida, vida que em Ti vivida, levada pelo Espírito Santo, me aconchega nos braços do Pai para assim ser eternamente.




Marinha Grande, 25 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 18 de julho de 2023

SANTOS

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Ainda vemos muitas vezes a santidade como algo de extraordinário, algo de inalcançável para o comum mortal, algo que vai muito para além do nosso dia a dia.

Prestamos muita atenção às coisas extraordinárias feitas pelos santos sem percebermos que, muitas vezes no seu dia a dia, a sua vida era tentar viver sempre segundo a vontade Deus que eles tentavam escutar sempre nos seus corações, nas suas consciências.

E afinal a santidade ou ser santo não é fazer coisas extraordinárias, (embora nos tempos em que vivemos seguir Cristo já é extraordinário), mas sim viver segundo a vontade de Deus, deixando-se guiar pelo Espírito Santo, tentando acolher os outros como Cristo, querendo amar como o Pai nos ama.

A verdade, (falo por mim), é que também escutamos nos nossos corações, nas nossas consciências, o Espírito Santo que nos quer conduzir segundo a vontade de Deus, mas nós, com as nossas “sabedorias”, as nossas certezas, as nossas ideias, os nossos planos, e também os nossos medos e vergonhas humanas, acabamos por fazer o que queremos e não o que Deus quer para nós.

Mas a verdade, acredito eu, é que cada um de nós tem a santidade inscrita no seu ser e, por isso mesmo, a “única” atitude a tomar é abraçar essa santidade em nós, fazendo a vontade de Deus em cada momento de família, de trabalho, de lazer, de alegria, de tristeza, de saúde, de doença, de boa disposição, de má disposição, enfim em tudo e sempre no dia a dia de cada um.

E os santos fizeram sempre a vontade de Deus em tudo no seu dia a dia?

Não, claro que não, porque eram pecadores como nós, mas sempre recomeçavam caminho, nunca desistiam, porque viam sempre os braços do Pai abertos para eles, quando regressavam a casa.

Por isso o Céu está cheio de santos e são precisamente esses santos “anónimos” que devemos almejar, que devemos querer, que devemos acreditar poder ser.

Ser “Santo de altar” não é mais nem menos do que ser santo como todos os outros que comungam da visão eterna de Deus.

Ser “Santo de altar” não devia ser para nos admirarmos com o extraordinário, mas sim com a atitude da vida diária desses Santos em todos momentos e, reflectindo nas semelhanças com os momentos das nossas vidas, querer imitá-los na sua entrega, no seu amor, na sua resistência a fazer a sua vontade, antes da vontade de Deus.

Afinal ser santo é fácil!

Basta querer deixar-se guiar pelo Espírito Santo e, quando a nossa vontade “falar” mais alto do que Ele, resistir à nossa vontade, fazendo a vontade de Deus.

É também saber e acreditar no mais íntimo de nós próprios que Deus nos criou santos, porque nos ama com amor eterno e, por isso mesmo, quando erramos o caminho, Ele está sempre de braços abertos à nossa espera para retomar o caminho connosco.

Ah, e ser santo não é desistirmos de nós próprios, mas sim sermos nós próprios, tal como Deus nos criou no Seu infinito amor.



Marinha Grande, 18 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 14 de julho de 2023

ENTREGARMO-NOS À VONTADE DE DEUS

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Entregarmo-nos à vontade de Deus é confiar no amor, é viver na esperança de que n’Ele tudo é vida, mesmo na morte que por Ele foi vencida.

Entregarmo-nos à vontade de Deus é ser um pouco santo, porque é vencermo-nos a nós próprios, para sermos verdadeiramente à «Sua imagem e semelhança».

Entregarmo-nos à vontade de Deus é sermos mais para os outros do que para nós próprios, é sermos caridade como testemunhos Seus.

Entregarmo-nos à vontade Deus é dizermos ao mundo em que vivemos que o preservamos porque obra de Deus, mas que obedecemos a Deus e não ao mundo, porque só Deus ama sem limites.

Entregarmo-nos à vontade Deus é deixarmo-nos conduzir pelo Espírito Santo e, em oração, dizer em cada momento, estou aqui, Senhor, serve-Te de mim.

Entregarmo-nos à vontade Deus é espantarmo-nos todos os dias com a beleza da Sua criação, descobrir em cada flor a alegria da cor, ver em cada animal a multiplicidade da vida.

Entregarmo-nos à vontade Deus é admirar-nos com a grandeza de Deus em cada cume de montanha, na imensidade do mar, no ribombar do trovão, na força do vento impetuoso, na força do rio caudaloso, que nos inunda o coração.

Entregarmo-nos à vontade Deus é ser o mais pequenino de entre os pequeninos, é ser criança ao colo, é ser aprendiz do amor, é ser testemunha de bondade, é ser abraço acolhedor.

Entregarmo-nos à vontade Deus é sorrir sem medida, abraçar com força desmedida, cantar em cada dia de Deus a Sua alegria.

Entregarmo-nos à vontade Deus é sermos nada sendo tudo, porque no nada que somos, Deus se faz tudo para todos.






Marinha Grande, 14 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 13 de julho de 2023

CANSAÇO!

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Abate-se em mim um cansaço inexplicável.

Esta doença, sem cara, meio benigna ou meio maligna, afinal, (ou como se queira ver o copo meio cheio ou meio vazio), provoca esta situação sem nenhum sentido.

A gente não percebe sequer porque está cansado, mas a verdade é que os braços, as pernas, todo o corpo, parecem pesar toneladas, o esforço para se mover leva quase à exaustão e nós sem percebermos porquê.

E depois penso naqueles que têm outras doenças cheias de dores, que têm às vezes até o “horizonte” marcado, e apenas posso dar graças a Deus por “apenas” ter esta “coisa”, que não se vê, mas se sente.

Assim aproveito o momento menos bom e dou graças a Deus por estar comigo em cada momento.

Aproveito, e atrevo-me até a rezar como Jesus:
«Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.» Mt 26, 39

Mas depois penso na pobreza da minha minúscula doença perante a grandeza da entrega da vida de Jesus Cristo, meu Senhor e meu Deus, e apenas posso pedir perdão pela comparação que ousei fazer.

Mas novamente aproveito o momento e digo com aquela que quero que seja a minha mais sincera humildade:
Aceita, Pai, por Jesus Cristo, guiado pelo Espírito Santo, este pouco da minha vida que Te quero oferecer por todos os que sofrem, sobretudo aqueles que não abrem os seus corações a Ti e assim não podem receber de ti o amor que faz o «Teu jugo suave e o Teu fardo leve». Mt 11, 30

E então ganho asas, levanto-me, abro os braços, dou graças e clamo bem alto:
Obrigado, meu Deus, porque Te fazes presente na minha vida!!!





Marinha Grande, 13 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 7 de julho de 2023

O PÃO DE CADA DIA

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Às vezes apetece-me sentar no banco da vida e desistir de me incomodar com certas coisas que me vão acontecendo, ou melhor, que deviam acontecer e não acontecem.

Seria tão mais fácil deixar andar sem nada resolver e deixar que o tempo resolvesse aquilo que eu não consigo ou que aqueles amigos a quem peço ajuda também não resolvem.

E depois tento sempre dissociar a amizade que lhes tenho e, acredito, eles me têm a mim, de todos os assuntos por resolver.

Sinto-me até às vezes culpado por os incomodar com as minhas coisas, mas a verdade é que eu estou sempre disponível para ajudar, quando para tal sou solicitado.

Ah, mas eu prezo muito mais a amizade do que os assuntos por resolver, porque esses, mais tarde ou mais cedo resolvem-se ou não, mas a amizade é coisa diária, é fruto do coração, é vida permanente que não se apaga, nem deixa extinguir.

E assim vou sublimando em mim a irritação muito humana, para deixar que o amor, (muito mais humano porque impregnado do divino), tome conta de mim e me vá fazendo rezar pelos meus amigos todos, para que encontrem, no mínimo, o mesmo amor de Deus que eu encontrei.

E resulta! Oh se resulta!

Parece então que O ouço dizer-me ao ouvido ou será ao coração:
Mas Eu alguma vez te faltei? Não sabes que te amo com amor eterno? A Mim nunca precisas de perguntar três vezes se Eu te amo, porque a resposta está sempre bem dentro de ti, na certeza que tens do Meu amor.

Levanto-me então do tal banco da vida, (quase como um banco de cobrador de impostos), deixo os assuntos nas mãos d’Ele, e sigo-O cheio de confiança, revestido de esperança, todo envolto em amor.

E Ele toma-me pela mão, diz-me que já se faz tarde, já anoitece, e então eu peço-Lhe humildemente que fique connosco, que fique comigo, e que eu sempre O reconheça ao “partir do pão” de cada dia.





Monte Real, 7 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 5 de julho de 2023

SOU TEU!

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Ver-Te na brilhante luz do Sol,
na suavidade do luar,
no vento que tudo move,
na montanha que se eleva,
na imensidão do mar,
na onda que não acaba,
nos infinitos grãos de areia da praia,
na beleza de uma flor,
num beijo,
num abraço,
num terno encontro de amor.

Ver-Te no respirar,
no coração a bater,
no sangue sempre a fluir,
no coração,
na mente,
num suspiro de viver,
num desejo de partir,
sabendo um dia chegar,
vendo-Te sem nunca Te ver.

Voar por cima das nuvens,
correr sem nunca parar,
procurar-Te em cada momento,
deixar-me levar pelo Teu Vento,
que me faz acreditar,
que sempre que me entregar,
sempre Te hei-de encontrar.

Ou então,
quedar-me quieto em silêncio,
fechar os olhos,
sonhar,
sentir o coração,
cheio de amor,
a pulsar,
abrir os braços em cruz
e exclamar:
Sou Teu,
aqui me tens,
meu Senhor,
doce Jesus!




Monte Real, 5 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 26 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O SENHOR 26

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«Não julgueis e não sereis julgados.» Mt 7, 1



- Pois, Senhor, mas é muito raro alguém ouvir-me a dizer mal ou a julgar o outro em público.
- Talvez seja um pouco verdade, meu filho, mas achas tu que só aquilo que sai da tua boca é que é julgamento e dizer mal dos outros?
E no teu pensamento?
E naquilo que interiormente pensas do outro, embora o possas não dizer de viva voz?
Não fazes tu um julgamento do outro?
Não “dizes” tu mal do outro para ti mesmo?

- É verdade, Senhor, realmente e afinal julgo e penso muitas vezes mal do outro no meu pensamento! Perdoa-me, Senhor!
- Sabes que quando o fazes assim nem sequer dás ao outro a possibilidade de responder ao teu julgamento, à tua maledicência em pensamento? Fica irremediavelmente manchado pelo teu pensamento.

- Reconheço, Senhor, que assim sou, que assim faço.
- Calcula tu que podias escutar os pensamentos dos outros em relação a ti? Não te revoltarias com a maior parte deles porque achavas para ti que não eram justos? Mas já percebeste que não lhes podias responder porque estavam apenas no pensamento dos outros?

- Mais uma vez, Senhor, perdoa-me e ajuda-me a não julgar nem dizer mal de ninguém, nem em público nem de viva voz. Purifica, Senhor, o meu pensamento e o meu falar.
- Sabes bem meu filho que tens sempre o meu perdão, por isso não te esqueças de confessar esses pecados da próxima vez que te abeirares da Confissão.
«Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» Jo 8, 11




Marinha Grande, 26 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 22 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O DIABO (17)

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Diz ele: Porque estás para aí preocupado com o que hás-de rezar?
Digo eu: Porque às vezes não sei o que dizer-Lhe, como hei-de estar com Ele.

Diz ele: E julgas que Ele se importa? Julgas que Ele tem necessidade das tuas orações?
Digo eu: Não é uma questão de Ele se importar ou não, nem sequer uma questão de Ele ter necessidade das minhas orações. Eu é que tenho necessidade d’Ele, eu é que necessito absolutamente de estar com Ele e Lhe dizer da vida que Ele me deu.

Diz ele: Então e julgas que Ele não sabe do que necessitas?
Digo eu: Eu sei muito bem que Ele sabe do que eu necessito, mas também sei que quando a Ele me dirijo agradecendo e pedindo, estou a reconhecer que Ele é Deus e tudo pode e que me ama com amor eterno.

Diz ele: Se Ele te amasse com esse amor eterno, não precisava que te dirigisses a Ele pois dava-te de imediato o que precisasses.
Digo eu: Lá estás tu a querer confundir-me. Já te disse que Ele não precisa de nada de mim, a não ser que faça a Sua vontade, mas até isso que Ele muito deseja que eu faça, é para minha salvação e nada acrescenta ao Seu amor por mim.

Diz ele: Mas porque é que tens de fazer a vontade d’Ele e não a tua? Então tu não sabes bem o que é melhor para ti?
Digo eu: Às vezes dás-me vontade de rir, embora tu não tenhas graça nenhuma. Claro que a vontade d’Ele é o melhor para mim, porque só Ele sabe do que necessito para ser feliz e viver no amor. A minha vontade é fraca, e muitas vezes até és tu que a queres comandar, por isso te incomoda que eu procure fazer a Sua vontade.

Diz ele: E julgas que tu me interessas para alguma coisa? Só falo contigo para ta ajudar a encontrares o teu caminho.
Digo eu: Dizes bem, que eu não te interesso para nada. Eu não te interesso, mas enquanto filho de Deus queres a minha perdição porque julgas que será uma vitória na tua luta contra o bem. Desengana-te porque Ele já te venceu e por isso mesmo O procuro para permanecendo n’Ele também eu vença as insidias com que me provocas.

Diz ele: És um chato! Não se pode falar contigo que estás sempre de “pé atrás”.
Digo eu: Não tenhas dúvidas de que assim estou sempre que te insinuas para falares comigo. Mas pensando bem até te agradeço esta conversa.

Diz ele: Agradeces-me???
Digo eu: Sim agradeço porque no início desta nossa conversa disseste que Ele não tem necessidade das minhas orações, e realmente não tem, por isso mesmo agora cala-te, porque eu quero estar com Ele em silêncio, porque é muitas vezes no silêncio que eu sinto o Seu amor e Ele “fala” comigo.



Monte Real, 22 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 19 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O SENHOR 25

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- Quem achas tu que és?
- Oh, Senhor, essa pergunta, perdoa-me, deveria ser respondida por Ti, pois Tu é que me conheces total e perfeitamente, como nem eu me conheço.

- Mas Eu não te perguntei quem és, mas sim quem achas tu que és?
- Oh, Senhor, quem acho eu que sou? Perante Ti apenas posso responder que sou um homem fraco e pecador que Te procura insistentemente para saber verdadeiramente quem sou.

- Mas que dizes tu de ti próprio?
- Digo que quando me confronto percebo que sou orgulhoso, vaidoso, muitas vezes convencido de ser melhor do que outros e que isso é, infelizmente, uma constante na minha vida.

- Não lutas tu contra tudo isso que agora me dizes?
- Sim, Senhor, Tu sabes bem, todos os dias, mas é tantas vezes uma luta que me parece não conseguir ganhar, embora tenha consciência de que, apesar de tudo, vou tendo pequenas vitórias.

- E travas essa luta sozinho?
- Eu julgo que não, Senhor, porque Te sei a meu lado, comigo, mas muitas vezes parece que me deixas, permitindo que eu caia, para depois me levantares e eu perceber que é em Ti e Contigo que estas lutas se travam.

- Então tu achas que só tens defeitos?
- Não, Senhor, verdadeiramente tenho de reconhecer, espero que humildemente, que também tenho qualidades, dons ou talentos, porque me vêm da Tua graça.

- E o que fazes com essas qualidades, com esses dons ou talentos que Eu te dou?
- Tento, Senhor, tento sempre colocá-los ao Teu serviço, servindo outros, mas infelizmente muitas vezes me ufano deles.

- Mas reconheces que não são teus, mas sim fruto da minha graça?
- Sim, Senhor, acredito, quero acreditar, que são Teus e apenas fruto da Tua graça.

- Achas então que não os mereces, ou melhor, que Eu não tos deveria conceder?
- Oh, Senhor, quem sou eu para saber o que mereço ou não e o que Tu deves conceder e a quem. Acredito que Tu não concedes essas graças por qualquer merecimento, que nunca teremos, mas por Tua livre vontade, que não conseguimos abarcar totalmente.

- Não fazes então nada para receber esses dons ou talentos que a minha graça te concede?
- Se alguma coisa faço, Senhor, é porque Tu me conduzes e ajudas a fazê-lo pelo Espírito Santo. Talvez, Senhor, eu esteja disponível, ou melhor, me entregue a Ti e assim podes actuar em mim e servires-te de mim para Te servir, servindo outros.

- E achas que isso é pouco? Achas que essa disponibilidade e entrega tentando fazer a minha vontade é pouco?
- Que sei eu, Senhor, pobre de mim da verdade das minhas razões? Só Tu, Senhor, sabes verdadeiramente da sinceridade dessa minha disponibilidade e entrega. Abandono-me, ou desejo abandonar-me a Ti e que seja verdade em mim também o Sim de Tua Mãe.

- Olha, meu filho, quem mede o teu orgulho, a tua vaidade, o teu convencimento, sou Eu e não tu, por isso descansa porque enquanto reconheceres essa luta dentro de ti, Eu estarei sempre aqui para te ajudar a lutar, e sempre te abençoarei com o meu perdão, cada vez que me procurares com arrependimento, confessando as tuas fraquezas.

Baixo os olhos e digo cheio de alegria serena, de confiança reforçada, de esperança concretizada:
- Obrigado, Senhor, porque me amas apesar de mim!



Monte Real, 19 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 15 de junho de 2023

CONVERSAS NO CAMINHAR II

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Provocação - O que é a Verdade?
Reflexão - Já me fiz essa pergunta muitas vezes e ao relembrar Jesus perante Pôncio Pilatos é claro que só posso responder que a Verdade é Jesus Cristo, é Deus.
Ele próprio nos disse: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida»

P - Mas se a Verdade é Jesus Cristo, é Deus, como podemos nós chegar ao conhecimento da Verdade?
R - Bem, parece-me que chegando ao conhecimento de Deus chegaremos ao conhecimento da Verdade.

P - Mas Deus, embora o possamos conhecer, nunca O conheceremos plenamente enquanto vivemos na terra, porque Deus é também Mistério, não é?
R - Realmente teríamos de considerar que se assim é nunca poderemos chegar, durante a nossa vida terrena, ao conhecimento da Verdade em toda a sua plenitude.

P - Mas que Verdade é esta de que falamos?
R - Bem, falamos da Verdade perfeita, ou seja, não falamos de uma verdade que apenas se poderia considerar a “não mentira”, o “não verdadeiro”, o “engano”, a “manipulação”, mas sim uma Verdade que transforma, que nos enche, que é justiça, que nos faz encontrar com Deus, com o nosso verdadeiro eu.

P - Mas uma Verdade assim vai para além da nossa compreensão. Quer dizer, de um modo geral em tudo o que fazemos, tudo o que dizemos, tudo o que pensamos, há sempre muita coisa que não é verdade, ou seja, que não é perfeita, que não é pura.
R - Sim, isso é verdade, mas não é a Verdade. O nosso conhecimento de Deus é imperfeito enquanto aqui vivemos, assim como o nosso conhecimento da Verdade, julgo eu, também será imperfeito.

P - Então para o conhecimento da Verdade temos também que considerar a Fé? Quer dizer, a certa altura o nosso caminho para a Verdade tem que ter a Razão iluminada pela Fé?
R - Talvez uma analogia com o amor nos possa fazer perceber melhor tudo o que estamos a falar.
Nós conhecemos o amor, mas não o conhecemos plenamente. Para conhecermos o amor pleno teremos, julgo eu, que estar na presença de Deus. Mas isso não impede que tentemos conhecer o amor, que tentemos viver o amor, que tentemos ser amor.

P - Mas nós temos tantos defeitos, tantas fraquezas, como poderemos nós almejar viver agora o amor plenamente?
R - Parece-me perceber nas palavras de Nicodemos quase uma resposta a isso.
«Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» Jo 3, 4
Se pudéssemos entrar novamente no ventre da nossa mãe e viver ali como vivemos então no tempo de gestação, nada haveria em nós que pudesse macular o amor, pois ainda nada tínhamos aprendido, ainda nada tínhamos analisado, ainda nada tínhamos “corrompido” com a nossa humanidade.
No entanto, até aí, até nesse momento eramos captivos do pecado original, pelo que o nosso amor estaria ferido na sua relação com Deus, e por isso o amor não seria perfeito, por isso a Verdade não era plena e total.

P - Mas então nesta vida nunca poderemos conhecer a Verdade como atrás dizíamos?
R - Julgo que não. Por isso Jesus Cristo responde a Nicodemos que «aquilo que nasce do Espírito é espírito.» Jo3, 6. Só no Espírito Santo podemos caminhar se queremos almejar conhecer a Verdade.
E disse ainda «Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz» Jo 3, 21 o que para mim, significa que quando procuramos Deus, quando praticamos a Sua Palavra, quando procuramos viver segundo a Sua vontade, aproximamo-nos de Deus, aproximamo-nos da Verdade, aproximamo-nos do Amor.

P - Mas tu queres conhecer a Verdade?
R - Com todas as minhas forças, com toda a minha alma, com todo o meu ser, porque a Verdade para mim é Deus, é o Amor e eu quero, pela graça de Deus, viver na Verdade, no Amor em Deus.

P - Mas na tua vida aqui não o conseguirás!
R - Pois não, mas tenho a confiança na promessa de Jesus Cristo «que todo o que nEle crê tem a vida eterna.» Jo 3, 15 e, por isso, posso já viver na Verdade, no Amor, em Deus, se procurar em tudo fazer e viver segundo a Sua vontade, porque assim, em mim, já está inscrita, pela graça de Deus, a vida eterna, que eu “já, mas ainda não”, vivo!

P - Então quando poderemos acreditar que conheceremos a Verdade plenamente?
R - Julgo perceber que tal só será possível perante Deus, na vida eterna plena. Só então pela graça de Deus, O conheceremos plenamente, (porque estaremos livres desta “tenda humana” que nos “aprisiona” na imperfeição), e então poderemos conhecer a Verdade e o Amor plenamente.





Marinha Grande, 15 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

domingo, 11 de junho de 2023

VER COM AMOR

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«Naquele tempo, Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus …»

Realmente percebemos a diferença entre o olhar, o acolher, o chamar de Jesus e o nosso modo de olhar os outros, até mesmo aqueles que nos são próximos.

Jesus viu um homem chamado Mateus, não viu um cobrador de impostos, um homem que trabalhava para o opressor daquele tempo.
Jesus quis ver quem era aquele homem Mateus, não quis ver o que era aquele homem, como ele se portava ou o que ele fazia.
Jesus quis amar e acolher aquele homem e assim poder, pelo amor, libertar aquele homem de tudo o que nele era errado.

Nós veríamos, em primeiro lugar, o tal odiado cobrador de impostos, o tal traidor que colaborava com o opressor, veríamos um pecador, sem cuidarmos de nos lembrarmos que também nós somos pecadores.
E por o vermos assim e assim tantas vezes vermos os outros nos seus defeitos, é que em vez de acolhermos e amarmos, ou melhor, de amarmos e acolhermos, é que não ajudamos ou somos ocasião para também os outros encontrarem o Jesus que amamos e queremos nas nossas vidas, porque só Ele nos dá a vida em abundância.

Mais à frente, na narração do Evangelho, e perante a forma como os fariseus vêem Mateus, (ou como nós vemos os outros, às vezes até mesmo em Igreja), Jesus diz-lhes que percebam bem o que quer dizer «prefiro a misericórdia ao sacrifício».

Realmente quantas vezes fazemos o que fazemos em Igreja por preceito apenas, e não o fazemos em primeiro lugar por amor a Deus e aos outros?

Interpretando literalmente a frase «prefiro a misericórdia ao sacrifício», pergunto-me o que me é mais difícil: Fazer um sacrifício de jejum, (que posso e devo fazer, sem dúvida), ou perdoar a quem me ofendeu?

Claro que uma não invalida a outra, mas de que vale o sacrifício se não faço a paz com o meu irmão, se não amo o meu irmão vivendo o mandamento de amor que Cristo nos deixou: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.»?

Uma coisa Te peço, Senhor, que me faças sempre ver no meu próximo, um irmão, que quero amar em vez de julgar.




Marinha Grande, 11 de Novembro de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: Texto suscitado pela homilia do Padre Patrício Oliveira, pároco da Marinha Grande, na Missa das onze horas deste Domingo.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

CORPO DE DEUS PÃO DE DEUS

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Que Pão é este
que vindo dos Céus
alimenta o homem
e o faz eternidade em Deus.

Não é Pão de um momento
nem de existência efémera
é Pão de divino alimento
que leva à vida eterna.

Este é um Pão consagrado,
no sacrifício da Cruz,
é um Pão que nos é dado
prometido por Jesus.

Não é um qualquer maná
que perece brevemente
é Pão que Deus nos dá
por amor tão simplesmente.

Este Pão mata a fome
afasta a tristeza e a dor
é um Pão que se consome
como puro e eterno amor.

Dá-nos sempre deste Pão
nosso Deus, nosso Senhor
para que em cada coração
viva sempre o Teu amor.




Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
Marinha Grande, 8 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 6 de junho de 2023

FAZER ANOS DEPOIS DOS SETENTA

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É curioso isto de ir fazendo anos a partir dos setenta, não digo de propósito envelhecendo, porque ficar velho é uma coisa e fazer anos é outra.

Podemos ir fazendo anos e, claro, as dores aparecem, as articulações não ajudam, uma série infindável de achaques fazem-se presentes, mas não temos que ficar velhos, isto é, não temos que ficar como aqueles que de quem se diz está um chato, está um velho!

O cérebro envelhece?
Não sei, não faço ideia, (tirando obviamente as doenças que o possam atacar), mas tenho para mim que continua a “trabalhar” perfeitamente e mais ainda, que nos guarda surpresas fantásticas.

É que faz-nos lembrar de coisas passadas a que não ligávamos nada, e agora são motivo para um sorriso que nos aparece na boca, para uma conversa, não só com os mais novos, mas também com os da nossa idade, conversas que a maior parte das vezes arrancam gargalhadas aos intervenientes e fazem as delícias dos mais novos que as ouvem.

Alguns desses mais novos até nos olham com aquele olhar de quem se espanta como o pai, o irmão, o amigo, fizeram aquelas coisas que estão a contar e, afinal, se divertiram tanto com coisas tão simples.

E quando avançamos para os acontecimentos mais arriscados, mas temerários, mais aventureiros, quase nos digladiamos amigavelmente a ver quem fez “pior”, mais arriscado, enquanto os mais novos ficam espantados com as loucuras que aquela gente de mais idade fez durante a vida.

Às vezes até ficamos todos orgulhosos quando os ouvimos contar aos amigos das suas idades, as aventuras do pai, do irmão ou do amigo!!!

E é curioso que não se cansam de ouvir repetidas essas histórias de um passado que não conheceram, e às vezes até são eles que no-las recordam, para que as repitamos, fazendo-o nós sempre com todo o gosto e acrescentando sempre um qualquer pormenor para dar mais sumo à história tantas vezes recontada.

A gente até pensa, às vezes, que devia escrever aquelas histórias, mas o que é verdade é que lidas perdem bastante do seu encanto e, claro, não lhes podemos acrescentar mais uma coisa ou outra que mesmo não sendo totalmente verdade, não são, com certeza, mentira e dão mais brilho à narrativa.

E o que é engraçado é que a gente só se vai lembrando destas coisas à medida que vamos fazendo anos, talvez assim a partir dos setenta, e por isso mesmo não vamos ficando mais velhos, vamos é acrescentado anos às histórias dos nossos anos!





Monte Real, 6 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 1 de junho de 2023

EM ADORAÇÃO

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Ajoelhas-te no chão duro, baixas a cabeça, despes-te de ti, fazes silêncio em ti e entregas-te ao Espírito Santo, insistindo ternamente que Ele venha, te ilumine e guie.

Docemente deixas-te envolver no momento, abres os teus olhos e fixas longamente a Hóstia Consagrada, deixando que o Espírito Santo te mostre o Cristo vivo que ali está.

Não sabes o que dizer, o que orar, mas ao teu coração vem a certeza de que Ele te está a ouvir e a abraçar.

Percebes então que as tuas palavras têm pouca importância, porque o que importa verdadeiramente é o teu coração aberto a Cristo, é o teu ser todo inteiro desejar ardentemente estar totalmente na Sua presença, como naquela Última Ceia.

Deixas-te levar pelo Espírito Santo e vais até ao Monte das Oliveiras onde adormeces enquanto Ele ora ao Pai.

Ouves a sua voz e levantas-te apressado, mas depressa te afastas porque O vês ser preso e tens medo.

À distância segue-lO e juntas-te a outros que ali estão também, enquanto o interrogam, a Ele que é inocente.

Quando os que te rodeiam te perguntam se O segues, negas, porque tens medo, mas o olhar de compaixão com que Ele te olha faz-te arrepender e chorar amargamente.

Vê-lO carregar a cruz, mas mais uma vez o medo tolhe-te e não te aproximas para O ajudar.

Crucificam-nO à tua frente e quando Ele baixa a cabeça e num murmúrio diz que tudo está consumado, percebes então, porque o Espírito Santo to mostra, que Ele morreu por ti, que Ele morreu por todos nós.

Um silêncio maior toma conta de ti e agora nem sequer ousas olhar para o Jesus Sacramentado e murmurando baixinho vais dizendo: Perdão, Senhor, perdão!

Mas o Espírito Santo vem mais uma vez em teu auxílio e levanta-te a cabeça para que vejas no Sacramento da Eucaristia o Cristo glorioso que se faz ali presente, abrindo os braços para ti, chamando-te pelo teu nome, e dizendo-te que te ama com amor eterno.

Então surge em ti um grito abafado que te enche por completo e apenas podes dizer, repetindo sem cessar:

Obrigado, Senhor, obrigado!
Glória a Ti por todo o sempre!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pelos séculos sem fim!

Levantas-te e partes entusiasmado, com essa vontade dentro de ti de testemunhar a todos a alegria, a paz e o amor que vivem em ti porque Ele te ama e te faz amor para os outros.




Monte Real, 30 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: Na terça feira recebi a comunicação do grupo dos Irmãos Nómadas a que pertenço, à distância, visto que reúnem todas as quarta feira em Lisboa.
Nesta quarta feira fizeram adoração ao Santíssimo e, quando recebi a comunicação na terça feira, escrevi este texto que lhes enviei, como participação/união minha em oração.

segunda-feira, 29 de maio de 2023

MARIA, MÃE DA IGREJA

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Mãe!

Não é um grito,
um chamamento,
uma súplica
ou um lamento.

Mãe!

Não é um tempo
ou uma ausência,
é um momento
em permanência.

Mãe!

Não é um ai
vindo da dor.
É uma beleza
uma certeza,
toda feita de amor.

Mãe!

É toda coração
é o amor que se deseja
que faz de cada um irmão
dos todos que somos Igreja!




Marinha Grande, 29 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 26 de maio de 2023

PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES II

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 PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (3)

«Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfémia contra o Espírito Santo» consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus. Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfémia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — em qualquer pecado — e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.»

Encíclica DOMINUM ET VIVIFICANTEM do Papa João Paulo II sobre o Espírito Santo (46)


Lemos nos Evangelhos como Jesus Cristo nos fala sobre o pecado contra o Espírito Santo e como esse pecado não tem perdão nem agora, nem sempre.

São João Paulo II explica-nos que pecado é esse nesta passagem da sua Encíclica Dominum et Vivicantem.

É o Espírito Santo que nos dá a consciência do pecado, o reconhecermos o pecado em nós, seja ele qual for do mais “pequeno” ao “maior”.

Mas também nos dá a consciência, mais do que a consciência a certeza na fé, de que o amor de Deus é sempre maior do que o nosso pecado, seja ele qual for, que o Seu perdão é constante perante o nosso arrependimento e propósito de emenda, confessando o nosso pecado.

Mas se recusamos esse amor, se recusamos esse perdão, como pode Deus actuar em nós, Ele que nos criou em inteira liberdade?

Deus nada faz contra a nossa vontade e se a nossa vontade é recusar o Espírito Santo, porque nos dá a consciência do nosso pecado, então fechamos a porta a Deus e Ele nada pode fazer, porque nunca viola a liberdade que nos deu.

A fé, que o Espírito Santo nos dá e faz crescer em nós, depende da nossa vontade de querer acreditar, mais do que querer, a vontade de nos abrirmos inteiramente a Deus para que o Espírito Santo faça a Sua obra em nós.

Se recusamos o Espírito Santo, recusamos também o Pai e o Filho, porque se rejeitamos Um rejeitamos a unidade perfeita que é Deus.

E se rejeitamos o Espírito Santo não temos a consciência do pecado e não tendo a consciência do pecado somos tomados pelo pecado e fechamo-nos nele até à nossa total perdição.

Por isso, agora e sempre, abramo-nos ao Espírito Santo derramado nos nossos corações, para que, guiados por Ele, reconhecendo-nos pecadores, acreditemos sempre que o amor de Deus e o Seu perdão, estão sempre ao nosso alcance, porque «Ele permanece fiel» (2 Tm 2, 13), mesmo na nossa infidelidade.

Vem Espírito Santo, leva-nos à consciência do sermos pecadores e enche-nos do teu amor, para que saibamos sempre reconhecer o nosso pecado, dele nos arrependermos, confessando-o, abrindo-nos ao perdão e à misericórdia de Deus.



Marinha Grande, 25 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (4)

Baixamos a cabeça, fechamos os olhos, abrimos os braços, levantamos as mãos para o céu e dentro de nós em surdina vamos repetindo:
Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo!

Não sabemos como pedir, como rezar, mas o nosso desejo de receber o Espírito Santo é imenso e Deus lê os nossos corações e sabe das nossas intenções.

Há uma melodia, um qualquer som que não entendemos, mas sai de nós, da nossa boca, quase inaudível, mas repousante, terno, amoroso, que se vai repetindo quase sem darmos conta.

Parece que os limites do local em que estamos se abrem de tal modo que já não são limites, mas apenas um estar, um ser, um pertencer, um receber para dar.

Chega-nos um cântico ao coração e, interiormente, apenas com a voz do amor, vamos cantando:

Vem agora Santo Espírito
vem e habita em todo o meu ser
leva-me ao silêncio
ensina-me a rezar
mostra-me a glória de Deus.*

Lentamente o peso do “nós” em nós vai desaparecendo, e no seu lugar um vazio doce preenchido de amor, vai tomando conta de nós.

Uma leve brisa na face, um calor puro no coração, um frémito que nos percorre, e vamos tomando consciência de que o Espírito Santo nos preenche.

Há uma alegria tranquila que não sabemos explicar, umas lágrimas de amor que rolam nas nossas faces, um sentir tão profundo e intenso de amor, que nos deixamos levar, e assim repousamos no Espírito Santo que se faz vida em nós.

Nem sequer conseguimos pedir nada, mas apenas louvar, dar glória, cantar as maravilhas de Deus, deixando-se encantar.

Queremos ficar naquele momento e não mais o deixar, mas o Espírito Santo sussurra-nos ao coração:

Agora abre os olhos, levanta a cabeça e vai!
Vai levar o amor que te dei aos outros!
Vai testemunhar o amor do Pai, do Filho, do Espírito Santo até onde Eu te levar!



*Cântico do Renovamento Carismático Católico


Marinha Grande, 26 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES I

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PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (1)

Tomar a consciência da presença do Espírito Santo em nós, é abrirmo-nos a Ele e deixar que Ele faça a Sua obra em nós.

Se assim fizermos as orações deixam de ser nossas para passarem a ser dEle, que ora em nós.

Mesmo quando não soubermos o que rezar ou como rezar, quando nos abrimos ao Espírito Santo, Ele reza em nós «como deve ser», por vezes com «gemidos inefáveis». (Rm 8, 26)

Só guiados pelo Espírito Santo o nosso testemunho é verdadeiro e, assim sendo, toca os outros que o vêem e sentem.

Só entregues ao Espírito Santo as nossas palavras são verdadeiras e testemunham Cristo em nós, porque o Espírito Santo «falará em nós». (Mt 10, 20)

Por isso devemos todos os dias rezar com o coração, com a boca, com todo o nosso ser:
Vem Espírito Santo, e faz a Tua obra em mim e em todos nós.



Marinha Grande, 23 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


PREPARAÇÃO PARA O PENTECOSTES (2)

«Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor" a não ser pela acção do Espírito Santo» (1Cor 12, 3). «Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: "Abbá! Pai!'» (Gl 4, 6).
«Este conhecimento da fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contacto com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele que nos precede e suscita em nós a fé. Em virtude do nosso Baptismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo na Igreja.» 
Catecismo da Igreja Católica


É afinal tão claro o Catecismo sobre o Espírito Santo, que nos devemos perguntar porque existe ainda um tão grande desconhecimento, ou melhor, uma tão pequena consciência do Espírito Santo em nós, cristãos católicos?

Nesta preparação para o Pentecostes será muito mais importante tomarmos essa consciência do Espírito Santo em nós, do que as causas para que essa consciência não seja uma realidade diária em nós.
Percebermos que sem o Espírito Santo a fé não passa de uma “crendice”, porque é algo que sai apenas de nós e não de Deus.

Só Deus se pode revelar a Si próprio àqueles que O quiserem conhecer.

É o Pai que nos ama com amor eterno que nos dá o Filho, Jesus Cristo.
É Jesus Cristo, o Filho de Deus Vivo, que nos dá a plenitude da revelação de Deus e a Vida.
É o Espírito Santo que inspira as Sagradas Escrituras que nos levam à revelação de Deus, e é Ele mesmo que desperta em nós a fé que nos leva a acreditar e sobretudo a viver.

E, se o Espírito Santo desperta em nós a fé, então é o Espírito Santo que nos leva ao encontro pessoal com Jesus Cristo, a vivermos o amor do Pai e do Filho, a termos Vida em nós e Vida que permanece para sempre.

E essa Vida que nos é dada, tem de ser “alimentada” e, por isso mesmo, é o Espírito Santo em nós que nos leva a ser Igreja, que nos dá Cristo nos sacramentos, que nos leva à oração, que nos leva à missão.

E não há “separação”, porque onde está o Pai, está o Filho e o Espírito Santo, na unidade perfeita, a qual somos chamados a acreditar e a viver.

Sem a consciência do Espírito Santo em nós, poderemos afirmar que a nossa fé é morta, exactamente porque será “nossa” fé, e não o dom da Fé que Deus suscita em nós, pelo Espírito Santo.

Por tudo isso devemos pedir constantemente, todas as manhãs, durante o dia, ao adormecer, o Espírito Santo, para que, iluminados e conduzidos por Ele sejamos habitação permanente do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Vem Espírito Santo, enche os nossos corações, as nossas mentes, as nossas vidas, faz de nós habitação permanente do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Marinha Grande, 24 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 19 de maio de 2023

SÍMBOLOS DAS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE

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Passaram e estiveram ontem na nossa querida paróquia da Marinha Grande os símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude.
Foi um dia muito preenchido e vivido em que houve muita “pressa e alegria no ar”!

Não seriamos uma multidão, mas aqueles muitos que ali estavam, ali participaram, ali celebraram, “compensaram” em entusiasmo e alegria a falta dos que não puderam vir.

Senti a certa altura uma certa inveja de já não ser jovem, para poder entusiasmar-me com tudo o que ali se passava, prenunciando o que há-de vir em Agosto, mas logo senti no meu coração aquela “voz” que me perguntava se não estava eu verdadeiramente entusiasmado com tudo o que se passava e ainda há-de passar?

E, claro, que apenas podia responder a mim próprio que sim, que estava entusiasmado, que me sentia jovem na fé, (porque a fé é sempre “jovem”), e que aos olhos de Deus, eu e todos seremos sempre jovens que Ele toma ao colo para nos encher de amor.

Nunca pensei que a presença daqueles símbolos fosse tão «presença»!

Olhei para eles durante muito tempo e senti-me “transportado” em Igreja para o caminho de vida que Deus a todos propõe desde sempre e para sempre.

Tocou-me particularmente aquela grande cruz, “despida” de adornos, (não me refiro à presença da figura de Jesus Cristo que estava ali bem presente), que se “impunha” no centro da nossa igreja.

E, naquela grande cruz, para além de Jesus Cristo Nosso Senhor, com a Mãe a Seus pés, vi retratados os três Papas das Jornadas Mundiais da Juventude, com tudo aquilo que as suas vidas podem e devem ser para nós exemplo de vida.

Muito particularmente veio ao meu coração de cada um desses Papas um exemplo, uma lição, uma missão, para os jovens e para todos nós.

São João Paulo II mostra-nos a entrega total perante a adversidade, seja ela qual for, e nele muito especialmente a saúde.
Aceita a terrível doença e vive-a numa entrega total a Cristo pela Igreja, (que somos todos nós), em Igreja e com a Igreja, mostrando-nos que só, unindo-nos a Ele, somos vida e testemunho para os outros.

Bento XVI ensina-nos a humildade, reconhecendo a sua fragilidade e pela Igreja, em Igreja e com a Igreja retira-se, para também nos mostrar que em momento algum nos devemos agarrar a cargos ou posições “importantes”, mas que apenas e só devemos estar disponíveis para servir conforme a vontade Deus.

Francisco leva-nos a querer viver pela Igreja, em Igreja e com a Igreja, a procura permanente dos outros, o sermos realmente os próximos do outro, sobretudo daquele que mais necessita espiritualmente ou materialmente.

À noite, com o nosso Bispo D. José, celebrámos a Fé em Igreja e não nos despedimos dos símbolos, mas guardamo-los no coração, para que nos levem sempre a essa consciência de que só somos verdadeiramente discípulos de Cristo em Igreja, pela Igreja e com a Igreja.

Sempre para a maior glória de Deus!




Marinha Grande, 19 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 16 de maio de 2023

ESPÍRITO SANTO

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«As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas, ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem ele. De igual modo, a dialética mais convincente, sem ele, permanece impotente em relação ao espírito dos homens. E, ainda, os mais bem elaborados esquemas com base sociológica e psicológica, sem ele, em breve se demonstram desprovidos de valor.» Evangelii Nuntiandi §75

São Paulo VI na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi sobre a Evangelização, exorta-nos a percebermos a imprescindibilidade do Espírito Santo nessa mesma Evangelização.

Aproximamo-nos da Solenidade de Pentecostes e se é sempre tempo para falar ou perceber a acção do Espírito Santo, é, com certeza, este um tempo favorável para dEle tomarmos verdadeira consciência.

E a primeira constatação que faço, (e obviamente posso estar completamente enganado), é que nós cristãos católicos, na generalidade, temos um enorme desconhecimento de Quem é o Espírito Santo, da Sua Obra, da Sua acção na Igreja e em cada um dos fiéis baptizados.

Sim, com certeza, todos sabemos que é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que nos benzemos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e, infelizmente, muitas vezes, pouco mais vamos além disso, passe o exagero.

Até mesmo a Igreja, embora, obviamente, reze e fale do Espírito Santo, é muito “tímida” ao falar dEle e a insistir com os fiéis a necessidade imperiosa de pedirem continuamente o Espírito Santo e a Ele se abrirem e entregarem, porque só com Ele podem chegar ao encontro pessoal com Cristo, que transforma vidas, e podem perceber e sentir o amor do Pai que corre para nós abrindo os braços.

Tome-se, por exemplo, a Profissão de Fé feita no Baptismo e repare-se que na “fórmula” utilizada, embora o Pai e o Filho tenham perguntas especificas, o Espírito Santo é referido, digamos assim, na pergunta que envolve a Igreja e outras verdades da Fé.
Com certeza que há uma explicação teológica/litúrgica para tal, (que na minha ignorância não conheço), mas a verdade é que a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade não tem uma “pergunta” especifica, para uma resposta especifica.

Vejam-se também, por exemplo, os documentos papais ou do Magistério sobre o Espírito Santo e ficaremos admirados por encontrar tão pouco que a Ele se refira especificamente.
Correndo o risco de estar enganado diria que os únicos documentos papais existentes, especificamente sobre o Espírito Santo são, a Carta Encíclica Divinum Illud Munus, de Leão XIII, e a Carta Encíclica Dominum et Vivificantem, de João Paulo II.

E, no entanto, a Igreja nasceu pela acção do Espírito Santo no seguimento dos Apóstolos terem recebido o Espírito Santo no dia de Pentecostes.
Onde foi Pedro buscar as palavras que dirigiu à multidão que o ouviu?
Onde foram todos os Apóstolos com Paulo e todos os outros buscar a coragem e a sabedoria para proclamarem o Evangelho?

Ao lermos os Actos dos Apóstolos, não podemos deixar de perceber a presença constante e imprescindível do Espírito Santo.

«O Espírito Santo e nós próprios resolvemos…» Act 15, 28
Poderemos, verdadeiramente, hoje em Igreja afirmar isto mesmo?
Com certeza que acredito que a Igreja continua a ser conduzida pelo Espírito Santo, e que o Papa Francisco e o Magistério da Igreja têm disso consciência.

Mas têm os cristãos católicos essa consciência?
Têm os cristãos católicos a consciência de que só podem dizer «Jesus é o Senhor pela acção do Espírito Santo» 1 Cor 12, 3?
Têm os cristãos católicos a noção de que sem o Espírito Santo tudo se resume a preceito, obrigação e rotina?
Têm os cristãos católicos a noção de que só com o Espírito Santo podemos celebrar, participar verdadeiramente na Eucaristia, porque só Ele nos pode “fazer ver” Jesus Cristo nas duas espécies eucarísticas?

Percebemos nos Actos dos Apóstolos que aquelas primeiras comunidades invocavam constantemente o Espírito Santo e que rezavam uns pelos outros pedindo o Espírito Santo.
Porque não o fazemos nós hoje em dia, continuamente, nas nossas comunidades em Igreja?

Porque não é a Solenidade de Pentecostes uma Solenidade mais vivida, mais celebrada, mais falada, mais “importante” na Igreja?
Pobre de mim que nada sou, mas porque não pelo menos uma semana, incluindo o domingo anterior ao Pentecostes, de preparação “intensa” para o Domingo de Pentecostes?

Remeto-me à minha insignificância, ao meu pouco ou nenhum saber, mas não posso deixar de testemunhar e afirmar que, se não fosse o Espírito Santo levar-me ao encontro pessoal com Jesus Cristo no amor do Pai, eu me tinha irremediavelmente perdido no mundo, perdido de Deus, perdido da Igreja.

Por isso todos os dias de manhã a minha oração é a Sequência da Missa de Pentecostes, pedindo-Lhe que apesar do meu ser pobre e fraco, Ele faça a Sua obra em mim, para que dê sempre testemunho aos outros do que Ele faz em mim, apesar de mim.

Vem Espírito Santo!




Marinha Grande, 16 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves