segunda-feira, 27 de julho de 2020

FALTA DE INSPIRAÇÃO


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Como é possível não ter inspiração para escrever sobre Ti?

Debato-me perante a folha vazia de palavras escritas e apenas me surge a frase: Deus é bom!

Penso então em tantas coisas boas da vida e chego sempre à mesma conclusão: São efémeras!
Deixam saudades, (algumas até doem), boas lembranças, sorrisos de recordação, mas no fundo todas, mais tarde ou mais cedo, acabaram.

Deus é bom!

Mesmo quando, sem percebermos porquê, acontecem coisas más, Deus não deixa de ser bom e de trazer bondade às nossas vidas.
Nem que essa bondade seja “apenas” um “estar aqui”!

Não desejamos nós tantas vezes em que estamos mal, ter alguém ao nosso lado, mas sem dizer nada, sem fazer nada, sem aconselhar nada?
Só Alguém faz isso perfeitamente: Deus!

Ele nem diz – estou aqui – “apenas” dá a sentir a Sua presença muitas vezes de uma forma que nem percebemos, mas nos faz sentir que não estamos sós.
Não exige falar connosco, se não falarmos com Ele, não aconselha, se não pedimos conselho, não dá a mão, se nós não lha dermos primeiro, a única coisa que continuamente tem, é o coração aberto para nós!

Ainda bem que não tinha inspiração, porque assim, mais uma vez pude ver como Deus é bom!



Marinha Grande, 27 de Julho de 2020
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 5 de julho de 2020

O AMORIMETRO!!!


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Falou-se ontem na homilia na dimensão do amor, que não se podia medir, como por exemplo, com uma fita métrica!

Claro que logo me apeteceu perguntar a Deus se Ele media o amor e como o media, se havia algo para o medir.
Para meu espanto respondeu-me logo que sim!!!

Então, perguntei eu, mas é um aparelho ou qualquer coisa assim?
Ele divertido respondeu: É o amorimetro!

Bem, pedi eu, explica-me lá, se fazes favor, meu Senhor e meu Deus, se tem uma unidade de medida.
Claro, respondeu Ele, é a intenção do coração!

E a conversa continuou:
Mas tem uma escala?
Não, meu filho, é um contínuo!

Como é isso, perguntei?
Se a intenção do teu coração é amares sem reservas a todos, então entras no contínuo da escala e vais preenchendo o amorimetro!

Oh, Senhor, responde-me depressa, eu já estou considerado no amorimetro?

Olhou para mim, riu-se e disse:
Se tentas amar a todos, amigos e inimigos, como Eu vos amo, então meu filho, já estás decididamente na escala do meu amorimetro!!!!

Complicado, confuso, não: É "apenas" amar como Ele nos ama!



Marinha Grande, 4 de Julho de 2020
Joaquim Mexia Alves

NOTA: Escrito “à conta” da homilia do Pe Rui Ruivo, Vigário Paroquial da Marinha Grande
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quinta-feira, 25 de junho de 2020

CONVERSANDO EM CONFUSÃO


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Fecho os olhos por um pouco.
Estou cansado, Senhor, não fisicamente, mas desta falta de liberdade de não poder ir onde quiser e estar com quem quiser.

Senhor, não vou perguntar porquê, porque confio em Ti e acredito que mesmo daquilo que é mau, Tu retiras sempre um bem.
Podia aproveitar para rezar um pouco mais, mas a inércia toma conta de mim e deixo-me arrastar numas Avé Marias, nuns Pai Nossos, e numa rotina paralisante.

Preciso falar conTigo, assim, olhos nos olhos, contando-Te a minha vida, o que penso, o que gostaria, se calhar até o  meu almoço ou jantar, sei lá, falar e escutar no coração o Teu riso suave dizer-me com o Teu humor, que também Tu estás “confinado” desde o inicio a amar-nos com amor eterno.

Tu sabes, Senhor, que isto são desabafos, momentos em que quero exigir de mim, o estar contigo sempre, já que Tu, sei-o bem, nunca falhas ao nosso lado.

No fundo o que eu Te quero dizer é que Te amo com todo o meu ser, mas queria dizê-lo com mais palavras, com mais expressões, com mais entrega.

Tu bem nos avisaste para não repetirmos palavras, só por repetir, mas sim que abríssemos o coração e o deixássemos fluir em amor por Ti.

Olha, Senhor, Tu sabes o que quero dizer, Tu sabes o que eu sinto, Tu sabes o que eu quero viver.

Não, agora não Te quero pedir nada a não ser sentir o Teu sorriso, sentir a Tua mão, ouvir o bater do Teu coração e deixar-me levar por Ti, pelos vales tenebrosos ou pelas planícies verdejantes, desde que eu me sinta ovelha, (com as outras ovelhas), e Tu o Pastor que me/nos conduz ao silêncio do deserto falado em que ouço a Tua voz e me deixo repousar nos Teus braços.

É uma escrita muito confusa, não é Senhor?

Mas Tu, como sempre, entendê-la-ás e lhe responderás segundo a Tua vontade.

Obrigado, Senhor, amo-Te com todo o meu ser.



Marinha Grande, 25 de Junho de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 18 de junho de 2020

FAÇA-SE LUZ!


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No meio da escuridão, ouviu-se uma voz perguntar: Queres luz?

A escuridão respondeu de imediato: Para quê? Assim não se vê nada por isso está tudo bem!

A voz retorquiu: Mas na escuridão não se pode ver o mal nem o bem!
A escuridão riu-se, e disse: Assim não há problemas. O bem está feito e o mal vai-se fazendo mas ninguém dá conta dele!

Disse a voz num tom bastante duro: Tu escuridão, para além de esconderes o mal, protegendo-o e incentivando-o, nem sequer queres que se veja o bem!

Respondeu a escuridão com um riso demoníaco: Assim, mais tarde ou mais cedo, até os que fazem o bem deixam de o fazer e o mal prevalece!!!

Foi então que a Voz num brado forte ordenou: Faça-se Luz!


Marinha Grande, 18 de Junho de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 11 de junho de 2020

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO


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Tenho fome e sede, Senhor!
Tens fome e sede de quê, meu filho?

Tenho fome e sede de paz, paz interior, tenho fome e sede de amor, amor doação, tenho fome e sede de alegria, alegria serena, tenho fome e sede de silêncio, silêncio que é a Tua voz, tenho fome e sede dos outros, dos outros que não sei amar como Tu, tenho fome e sede de mim, de mim quando estou em Ti e Tu estás em mim!

E não sabes Tu, meu filho, quem pode matar essas tuas fomes e sedes. que são também fomes e sedes do mundo?

Sei, Senhor, que Tu és o Alimento e Bebida Divinas que mata todas as fomes e sedes!

Então come a minha Carne e bebe o meu Sangue e quando o fizeres, faz-te tu também minha Carne e Meu Sangue para os outros, dando paz, doando amor, repartindo alegria, dando silêncio ouvinte aos que querem ser ouvidos, e dá aos outros tudo o que Te dou a Ti.

Se assim fizeres, meu filho, o Corpo e Sangue de Cristo serão vida em Ti e nos outros!

Obrigado, Senhor, eu não sou digno, mas Tu fazes-me digno de Ti!


Marinha Grande, 11 de Junho de 2020
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 30 de maio de 2020

UM “RECOMEÇO”


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Recomeçam hoje as Missas com a participação dos fiéis. Graças a Deus!

Embora condicionadas por força da Pandemia, vamos esperar que tudo se normalize e brevemente nos possamos juntar como sempre para celebrar o nosso Deus.
Talvez seja importante reflectir em como “afinal” a Missa é importante e como Ela nos faz falta e aproveitar para rezar por aqueles que pelo mundo fora vivem diária e seguidamente aquilo que nós agora vivemos, ou seja a ausência da Eucaristia, seja pela força das armas, seja porque razão for, de ódio ou de incompreensão.

Mas mesmo aqui entre nós, julgo que para além de muito mais será preciso fazer grande “uso” de duas grandes virtudes: A obediência e a paciência.

Sabemos que o número de presentes terá de ser limitado e que terá de haver algumas regras a serem seguidas.
Haverá equipas, (pelo menos na nossa paróquia), para ajudar e dirigir as pessoas aos seus lugares dando as indicações necessárias.

Ora é importante perceber que essas pessoas, essas irmãs e irmãos, estão a cumprir ordens e a velar por nós e não têm portanto culpa do Covid ou das condições que a Igreja determinou.
É preciso lembrarmo-nos também que a igreja/edifício é lugar sagrado onde o respeito deve ser mantido e como tal não é local de discussões nem de irritações.

Por isso, por favor, não discutamos e obedeçamos a quem está a fazer o trabalho de organização, que com o seu próprio esforço, (se não estivessem lá voluntariamente a Missa não poderia acontecer nas circunstâncias em que vivemos agora), ali dedica o seu serviço a Deus, servindo os outros.

As equipas são forçosamente pequenas, por isso é preciso “usar e abusar” da nossa paciência, (aproveitemos para rezar o terço), enquanto esperamos a nossa vez de entrar e de comungar.

A estas virtudes, obediência e paciência, é preciso juntar outra bem importante e que é a humildade, sobretudo para que não entremos logo com vontade de criticar e de dizer mal de tudo e de todos.

Lembremo-nos que o Jesus que levarmos no coração a seguir à Eucaristia é o Jesus que devemos testemunhar aos outros cá fora, ou seja, um Jesus verdadeiro que sofreu a Paixão e morreu por nós, e não um “jesus” que vai criticar e dizer mal de tudo o que se passou.

Temos ideias planos que nos parecem ser melhores do que aqueles que estão a ser executados?
Óptimo!
Vamos escrevê-los e entregá-los de modo a que cheguem aos nossos sacerdotes e equipas e assim possam reflectir na possibilidade de mudar para melhor o “sistema” que vai ser usado, mas lembremo-nos sempre, que os membros das equipas naquele momento nada podem mudar, nem têm tempo para nos ouvir.

Se devia haver Missas como antes, com toda a gente, ou isto ou aquilo, não é neste momento discussão para aqui chamada neste lugar, nem eu, respeitando a opinião dos outros, a permitirei nesta minha página.

Em vez de nos deixarmos ter ideias de “como é que isto vai correr”, rezemos antes para que tudo corra bem e que Deus seja louvado, dentro ou fora da Eucaristia.

Um Santo Domingo a todos e que Deus nos abençoe, proteja e guarde.



Marinha Grande, 30 de Maio de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 21 de maio de 2020

CONFIAR EM DEUS


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O que é confiar em Deus, quanto a mim, claro, que não sou teólogo nem coisa que se pareça?

Claro que a confiança em Deus tem que residir primeiro no acreditar firme de que Deus é Deus.

Se confio em Deus também tenho que confiar que nada Lhe é impossível.
Se confio em Deus também confio no Seu amor e que Ele me ama com o Seu amor infinito e quer sempre o meu bem.
Se confio em Deus também confio que Ele me criou em liberdade e que essa liberdade dá os frutos correspondentes às minhas escolhas pessoais.
Se confio em Deus sei obviamente que o ser humano é frágil, não só espiritualmente, como psicologicamente e fisicamente, mas confio que seja o que for que eu tenha de atravessar, Ele está comigo e acompanha-me em todos os momentos.

Mas falando da confiança em termos, digamos, simplesmente humanos, muitas vezes a minha confiança em Deus "resume-se" a acreditar que Ele me dará o que eu Lhe peço, seja saúde, seja bens materiais.

Mas então se eu confio em Deus, no Seu amor infinito por mim e que Ele só quer o meu bem, como posso eu duvidar dessa confiança se não obtiver o que peço?

Afinal quem sabe o que é melhor para mim? Eu ou Deus?

Quando somos crianças e pedimos coisas aos nossos pais, todas elas nos parecem lógicas e, no entanto, há coisas que eles nunca nos dão a pensar no nosso próprio bem!
Ora se eles o sabem, quanto mais Deus há-de saber melhor o que realmente eu necessito?

Claro que esta conversa escrita poderia não ter fim, mas para mim, e repito para mim, que não sou ninguém, a minha confiança em Deus reside no facto de Ele ser Deus, me amar com amor infinito e apenas querer o meu bem, por isso a minha confiança em Deus tem que ser ou tenta ser um Sim como o  de Maria.

Senhor, que queres de mim?
Amo-Te com todas as minhas forças por isso faça-se sempre a Tua vontade em mim, mesmo que eu não a entenda!



Marinha Grande 20 de Maio de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 13 de maio de 2020

CARTA DA MÃE DO ROSÁRIO AO SEU FILHO JESUS

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Meu querido e adorado Filho

Estavas preocupado que a Tua Mãe ficasse sozinha na Cova da Iria, (sem os filhos que lhe deste aos pés da Cruz), local onde me mandaste aparecer para avisar da oração, da penitência, do arrependimento, da reconciliação, que levam à paz, à tranquilidade, ao amor, ao perdão, e assim todos pudessem caminhar a esperança verdadeira da salvação.

Mas sabes, meu Filho, eu vi todo aquele enorme recinto vazio, “apenas” cheio de amor por Ti, e perguntei-me onde estariam todos.

Depois percebi!
Os homens não mandam em Deus, que lhes deu toda a liberdade, menos, claro, a liberdade que quererem mandar nos Teus planos.

Sabes então, meu Jesus, que percebi isso imediatamente quando vi vir para junto de mim, todos os filhos que me deste na Cruz, transformados em gotas de chuva incontáveis, que se fossem fisicamente humanos, o Santuário não conteria!

Foi a maior peregrinação de sempre, meu Filho e senti-me tão amada!

É todo esse amor que eu deposito a Teus pés, porque todo esse amor é Teu, é por Ti e para Ti.

E sabes o que cada gota de chuva me dizia aos ouvidos:
Oh Mãe, diz ao teu Filho Jesus, na unidade do Espírito Santo e no amor do Pai, que O amamos, com amor total e que Lhe damos graças pela Tua presença de Mãe junto de nós.

No fim, cantei com todos eles:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!!!


Marinha Grande 13 de maio de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 30 de abril de 2020

CAMINHOS


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O caminho,
abre-se à tua frente!

Será mesmo por ali,
perguntas tu,
vai por ele tanta gente!

Olhas em redor
e descobres outro caminho,
mais pobre,
mais difícil de seguir,
e vão tantos por ali também,
que sentes vontade de ir.

Olhas para o longe,
a ver se vês conhecidos,
uns conheces de vislumbre,
outros conheces bem,
mas lá ao fundo,
à frente do caminho,
ias jurar para ti próprio
que vês uma figura de Mãe.

Por onde vai a Mãe,
pensas tu,
vou bem com certeza!

O caminho pode ter buracos.
planícies e montanhas,
curvas e linhas rectas,
coisas de fácil transpor,
outras cheias de artimanhas,
rios e vales também,
mas se é por lá que vai a Mãe,
é por lá que vai o amor,
e se por lá vai o amor,
então,
sem dúvida,
é o caminho de
Deus Nosso Senhor.  



Marinha Grande, 30 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 26 de abril de 2020

EMAÚS


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E lá íamos nós, o Cléopas e eu, a caminho de casa em Emaús porque pelos vistos a promessa afinal não tinha passado disso mesmo, promessa.
Íamos calados e pesarosos porque a esperança tinha sido grande mas afinal nada tinha acontecido.

Quando aquele sujeito se juntou a nós e começou a fazer perguntas dissemos duas coisas ou três, não fosse o homem ser algum espião ou coisa assim parecida.
Curiosamente o olhar dele, a face sorridentemente calma, a postura de uma total entrega, tranquilizara-nos apesar das perguntas que o homem nos tinha feito, sobre uma coisa tão conhecida que ele nem parecia deste mundo.

Não lhe perguntámos nada mas a certa altura começo a explicar-nos as Escrituras, mas de um tal modo, que parecia mais algo vindo dele, do que da história que já tantas vezes tínhamos ouvido contar.
Parecia algo que não nos entrava pelos ouvidos ou pela cabeça, mas que ia direitinho ao coração.
Curiosamente Emaús parecia cada vez mais longe e a nossa vontade de lá chegar ia diminuindo à medida que o homem nos falava.

Começava a anoitecer e olhando um para o outro perguntávamo-nos como fazer para ele ficar connosco.
Ora uma refeição nunca se nega e por isso logo o convidamos para cear, para ficar connosco.
Estranhamos um pouco o modo amoroso como pegou no pão, mas daquele homem tudo havia a esperar, já o tínhamos percebido!

Então, abençoou o pão com palavras de puro amor e deu-nos a comer.
Quando demos por isso tinha desaparecido, ou melhor já não estava à nossa vista, à vista dos nossos olhos, mas sentiamo-lO profundamente no coração, no nosso todo, na nossa vida!

Exclamámos ao mesmo tempo: É o Senhor!

Nós não O víamos, mas viamo-lO! Estranho! Os nossos olhos abriam-se mas nada viam, enquanto parecia que o nosso coração via melhor que os nossos olhos, pois víamos distintamente o Ressuscitado connosco.

Partamos, partamos, dissemos um ao outro, vamos dizer aos nossos irmãos em Jerusalém que o caminho de Emaús afinal acabou em caminho de promessa cumprida.

Já não interessava a noite, nem o caminho pedregoso, o importante agora era dizer aos ouros que afinal a promessa tinha sido cumprida e que Jesus Cristo tinha Ressucitado!
Depois de dizermos aos outros, que entretanto se alegraram connosco porque também já sabiam da Boa Nova, partimos cada um para o seu lado.

Já ao longe olhámos para trás e gritamos um ao outro: Temos que O anunciar!!! Adeus Cléopas! Adeus Joaquim!!!!

E assim tem sido até hoje pelos caminhos de Emaús!




Marinha Grande, 26 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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Nota: A "culpa" é do Padre Rui Ruivo, Vigário Paroquial da Marinha Grande
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sexta-feira, 24 de abril de 2020

DEPOIS VEM E SEGUE-ME!


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Senhor, que hei-de fazer para Te seguir, para Te viver?

Olha para ti:
Traz essa roupa e apenas o que tiveres de teu.
Traz todos os teus defeitos e fraquezas, mas também as qualidades e os talentos.
Não queiras ir buscar mais nada pois o que tens agora até te sobra.

Ah, não te esqueças de trazer o teu passado, o bom e o mau, as ofensas e os perdões, os gritos e as lágrimas, as doenças e o bem estar, os desânimos e as alegrias, as tristezas e as alegrias, enfim toda a tua vida, e não tenhas medo porque vais ver que afinal tudo isso não pesa nada.

Traz também a família que tens e no coração traz os vizinhos e todos os outros também.

E não te esqueças, dá a mão à Minha Mãe.

Depois, depois vem e segue-Me!




Marinha Grande, 24 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 23 de abril de 2020

BEM FEITA!!!!!


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Obediente , não só pela idade mas também pela pressão da família, e do espírito militar que ainda vive nos meus neurónios, não tenho saído de casa nem um poucochinho.

Mas hoje teve que ser, pois era absolutamente necessária uma ida ao supermercado.

Lá me fardei a propósito, ou seja, arranjei umas luvas e uma máscara e avancei sem temor para o meu destino.
Que diabo uma bala da Kalash há-de ser mais rija do que porcaria dum vírus chinês.
(Se ainda fosse um RPG7)???

Cheguei, estacionei e constatei que as luvas serviam na ponta das orelhas, (que as minhas mãos são do tipo pá), e que ter aquilo ou não era “igual ao litro”! Por isso lixo com elas!

Coloquei então a máscara, (que raio de coisa incómoda), e pus-me na bicha, desculpem, fila, que hoje em dia tem que se ter muito cuidado com as palavras!!!

Estava  eu ali meditando na minha capacidade de paciência, quando um garboso Agente da PSP perguntou: Está aqui alguém com mais de 70 anos???

Pensei logo em pirar-me não fosse alguma chamada para a bicha, perdão, fila da eutanásia!!!!

Mas não, pois no seguimento do meu temeroso sim, ou seja, que já vou nos 71, mandaram-me entrar pois tinha prioridade!!!!

Afinal a idade sempre é um posto!!!!
E se morrer hoje também já não chateio amanhã!!!!!

Lá entrei e curiosamente consegui andar com o carrinho sem bater nos outros, e as pessoas cumprimentavam-se a algumas até sorriam, pareceu-me!!!!
(Também podia ser a pensar: Este na próxima pandemia já não chateia ninguém!!! Maldade minha, claro!)

A meio do percurso das compras começou então o meu martírio, para além das dores nas costas.
O raio da máscara não me deixava respirar bem, (tenho problemas em respirar pelo nariz), e a coisa tornou-se de tal modo que comecei a pensar se a máscara era para me salvar ou me matar mais depressa.

Tomei uma decisão à Ranger e pus a máscara a ¾, ou seja, era só para “inglês ver”!!!!

Fiz as minhas compras e reparei que desta vez não tinha ninguém na caixa incomodado com a minha vagareza, nem ninguém com aqueles esgares do tipo – o raio do velho bem podia ficar em casa – mas até a menina da caixa me ajudou diligentemente a colocar todas as compras.

Então aí é que foi bom de se ver eu a sair da loja com o meu ar triunfal ao qual só faltava um grito contido: Tenho mais de 70 anos! Tenho mais de 70 anos! Bem feita!!!!!

Obrigado meu Deus pelos meus 71 anos!


Marinha Grande 23 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 17 de abril de 2020

HUMILDADE II


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Humildade no fundo é a verdade!

A humildade é conscientemente, em verdade, procurar-se e encontrar-se como realmente se é.
E esta procura não vem só de cada um, mas também de ouvir os outros sobre nós, e mesmo que não agrade o que se ouve, tentar encontrar o meu eu verdadeiro, muito especialmente perante Deus.

Pode-se enganar a Deus?
Claro que não!
Mas podemos muito bem pensar que O conseguimos enganar.
Mas Deus não ouve as minhas palavras, ou seja, ouve-as mas com o sentido do meu coração e é esse sentido que Lhe interessa.
Correspondem as minhas palavras ao verdadeiro sentir do meu coração elevado a Deus?
Então sou humilde, porque reconheço em Deus a capacidade de me ouvir e atender segundo a Sua vontade.
As minhas palavras pretendem levar Deus a fazer aquilo que eu quero?
Então não há humildade em mim, porque não tenho humildade para aceitar a Sua vontade.

Mas posso eu alguma vez considerar-me “não humilde” perante Deus?
Claro que sim e a Bíblia está cheia de histórias dessas.

Se o ser humilde, se a humildade é a verdade de reconhecer Deus em mim e o que Ele faz em mim, então essa humildade repercute-se junto dos outros e nos outros.

Posso eu apresentar-me aos outros para agradar, (por exemplo), de modo que eu sei conscientemente que não eu sou?
Posso, claro, mas se acredito que Deus está nos outros e não podendo enganar a Deus, rapidamente a minha falta de humildade vem ao de cima.

Então e se eu fizer uma coisa bem feita e me elogiarem e aplaudirem devo recusar tais expressões?
Claro que não, mas sim agradece-las e transformá-las num louvor a Deus que fez em mim o bem que eu expressei.

Deus quer servir-se de nós, na medida em que nos disponibilizamos para Ele, mas aprecia, obviamente, essa nossa disposição e reconforta-a com o agradecimento dos outros, mas sobretudo com aquilo que Ele na Sua infinita sabedoria sabe que necessitamos, por isso mesmo a verdadeira humildade reconhece em Deus a obra feita embora a ferramenta possamos ser nós.

Então não é “mau” quando me elogiam sentir-me um pouco vaidoso?
Claro que não!
Deus conhece-nos e sabe que essa é uma das nossas fraquezas.
Mau seria se me detivesse nesse orgulho com pensamentos de superioridade, tais como “Deus escolheu-me porque não havia mais ninguém”, ou “Deus recompensou o trabalho que tenho feito”…
Pedro era pescador e fez o discurso/homilia mais célebre da história da Igreja.
(Não consta que se tenha preparado afincadamente para isso a não ser pensar, aqui estou Senhor!).

Será que eu posso ver a minha humildade?
Comparando-me com quê ou com quem?
Com Jesus?
É melhor não!

Claro que muito haveria para dizer, escrever, sobre a humildade e mais ainda se lhe juntarmos a obediência, mas estas mal alinhadas palavras são apenas provocação para meditação, pensamento. Mais para mim do que para ouros.
No fundo é uma fala comigo passada a papel.

Há um momento em que sabemos que somos verdadeiramente humildes!
É quando pudermos dizer verdadeiramente: «Já não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim.»




Marinha Grande, 17 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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