sexta-feira, 17 de abril de 2020

HUMILDADE


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Confesso que estou confundido.
Está coisa da humildade é um dom de muito difícil interpretação.

Se me ofereço é para dar nas vistas!
Se não me ofereço é à espera que convidem

Se "digo coisas" é porque estou a chamar a atenção para mim.
Se nada digo é porque me considero superior.

Se fazem o que eu acho sou fantástico.
Se não fazem o que eu acho estão enganados e não querem ouvir os outros.

Se agradeço os elogios é porque não sou humilde.
Se ninguém os faz é porque não perceberam nada do que eu disse.

Se só ouvem os jovens é porque não ligam aos velhos.
Se ouvem os velhos é para os contentar coitados.

Se sou preciso é porque sou bom.
Se não sou preciso é porque nada acrescento.

Se rezo muito é para me mostrar.
Se rezo pouco é porque tenho vergonha.

Se fico cá atrás na igreja é porque não quero que me vejam.
Se vou lá para a frente é para que todos me vejem.

Se falo e pergunto é porque sou chato.
Se nada pergunto ou opino é porque não me interesso.

Se dou abraços é para dar nas vistas.
Se não os dou é porque sou distante.

Se sou humilde é só para armar em humildade
Se não sou humilde é porque sou um vaidoso.

Se faço estas e outras perguntas é porque sou burro e não sei o que é a humildade.
Se não as faço é porque não me importo com o ser humilde.

Oh Jesus o que é a humildade?

É isso tudo e muito mais.
Ė sobretudo amor, muito amor aos outros, vestindo o avental!

Deixa-me que Te diga uma coisa Senhor: Não é nada fácil ser Teu discípulo!!!!!


Marinha Grande, 16 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 12 de abril de 2020

LUZ QUE GERA VIDA


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Sinto-me solo
e semente.
Sinto-me água
e um pouco de gente.

Sinto-me planta,
e vejo-me flor.
desponto da terra
sob o calor
do meu Senhor.

É sem dimensão este Sol
todo de vida iluminado
porque a sua luz
chega sempre a todo o lado!

Nem podia deixar de ser,
pois não é possível conter
a Luz do Ressuscitado!!!!!


Domingo de Páscoa
Marinha Grande, 12 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 11 de abril de 2020

A GRANDE FESTA!


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Começo a escrever e sinto que estou a rasgar o silêncio do papel.

É que o silêncio hoje, por mais ruidoso que seja, é um silêncio profundo que vem de dentro para fora, como a Vida que já rompe a morte para proclamar a vitória.

Tudo se aquieta, e mesmo o barulho da vida, é silencioso, como o cantar do pássaro é o prenúncio do salmo mais belo: O Salmo da Vida!

Hoje a tristeza em mim chama-se espera, a minha ansiedade chama-se confiança e a vida em mim é toda ela esperança.

Há um pulsar novo na terra!
Será que a terra faz festa quando uma semente rompe a terra e sai para fora verde de esperança?

Se assim for, meu Deus, que festa extraordinária se prepara, quando dentro em pouco, vencida a morte da terra, a Vida do Céu despontar iluminando tudo e todos!!!!

O melhor é calar-me, parar de escrever, aquietar o coração e ….
Esperar a RESSURREIÇÃO!



Marinha Grande, 11 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 10 de abril de 2020

A CRUZ É A LIBERDADE!


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A Cruz é a liberdade!
Estranho, não é?
E, no entanto, foi com toda a liberdade que abraçaste a Cruz, porque era vontade do Pai.
Não Te foi imposta.
Foi por Ti querida e aceite.

E a minha cruz é vontade do Pai, também?
Nalgumas coisas será, porque só Ele sabe o que é bom para mim, noutras é vontade minha e quando assim é torna-se sofrimento insuportável, em nada comparável à liberdade.

Ah, sim, sou livre de aceitar o que o mundo me propõe, mas rapidamente me apercebo que o mundo depois exige mais e mais e me vai coerctando a liberdade de dizer não.

Quando aceito a minha cruz, ou melhor, a cruz que permites em mim, não me revolto, vivo-a, sou livre, sou até livre de a retirar dos meus ombros se eu quiser.
E, no entanto, nada me exiges!

Como um verme, uma simples lagarta, rastejo por aqueles pedras no sopé da Tua Cruz.

De repente os nossos olhos cruzam-se e Tu dizes-me: Anda sobe à Cruz. Melhor ainda, abraça a minha Cruz que Eu abraçarei a tua.

Lentamente vou me arrastando com a minha cruz e subindo a Tua Cruz e quanto mais subo mais se confundem a Tua Cruz e a minha, porque a minha cruz deixa de existir para passar a ser apenas Tua.

E sinto-me livre!
Livre de tudo o que me quer retirar da Tua vontade e deixo-me ficar assim abraçado a Ti, à Tua Cruz e começo a sentir-me cada vez mais “imagem e semelhança Tua”, aquela para que fui criado.

Vês, dizes Tu, porque me entreguei por vós?
Porque sou livre e quero que todos vós sejais livres comigo!

De repente saio da minha meditação, mas ainda ouço no meu coração as Suas palavras:
Morre comigo e para mim, e assim viverás para sempre!!!



Sexta Feira Santa
Marinha Grande 10 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 9 de abril de 2020

QUINTA FEIRA SANTA NA MINHA SALA


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Hoje, quando estiver sentado na minha sala esperando a celebração da Quinta Feira Santa vou tentar abstrair-me de tudo, da tal forma que, como disse São Paulo, eu diminua e Ele apareça.

Não, não vou fazer um esforço de imaginação e transportar-me para aquela Mesa.

Mas vou-me deixar ficar à espera do meu tempo, do tempo em que Ele sem eu perceber como, se der como alimento a mim, a este nada que no entanto Ele ama com amor infinito 

Não vou sentir o sabor do pão, da hóstia consagrada, mas vou sentir, eu sei, chegar ao meu coração aquele infindo amor, aquela paz, aquela infinda graça de me sentir possuído por Ele, sem cadeias nem correntes, mas com laços de amor tão profundos que serão inquebráveis.

E então vou prostrar-me dentro de mim e vou dar-Lhe graças, vou goza-lO em mim, vou deixar que Ele tudo toque em mim e por um tempo serei um com Ele e Ele, um comigo.

E há-de vir o inimigo instilar em mim pensamentos de que aquilo não foi nada, que só se O recebesse na hóstia consagrada é que era comunhão, que não aconteceu ali Eucaristia nenhuma, mas apenas teatro, e então o Espírito Santo há-de irromper em mim e dizer à horrenda figura: Vai-te que não és nada. Já foste vencido. A Deus, nestas circunstâncias, basta o desejo sincero do coração para tornar realidade a Comunhão desejada.

Nem me dou ao trabalho de o ver sair cabisbaixo, derrotado, porque o Espírito Santo já me tomou nas Suas mãos e leva-me a Jesus e ao Pai, dizendo:
Aqui está ele. Já aprendeu connosco que o amor não tem distância.

E eu na minha sala vou dizer baixinho: Meu senhor e meu Deus. Glória a Ti, para sempre!


Marinha Grande 9 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 8 de abril de 2020

PREPARANDO A QUINTA FEIRA SANTA


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A sério, Senhor????
Um bocadito de pão e um copito de vinho????
Nem uma medalhita de ouro e um perfume daqueles mais caros, (de nardo, por exemplo), para ficares connosco recordando a Tua presença junto de nós????

Ah, pois, se assim fosse nem todos poderiam ter acesso à medalhita ou ao perfume, mas Tu que és Deus resolvias isso num instante, como fizeste com os pães e com o vinho!

Já percebi que és “especialista” em coisas simples, tipo pão e vinho.
Assim para “valores” maiores não tens tanto jeito!!!!

Bem, a verdade é que quem já tem ouro ou perfume caro liga pouco ao pão e ao vinho, que há--de ser coisa corrente nas suas vidas.
Já quem tem só pão e vinho, vai-se satisfazendo com isso e o ouro e perfume são apenas “miragens”.

O simples, o pobre é que consegue distinguir o sabor do pão, o sabor do vinho, consegue distinguir se têm o condimento mais importante: O amor!
Já o ouro por muito que se trinque, é rijo e sabe sempre à mesma coisa e nem sequer serve de alimento.
E o perfume? Nem perto chega do sabor do vinho, que vem do esforço do homem e da terra, e que não precisa do perfume para fazer a festa!

E é curioso pensar que se dividires o pão, cada um humildemente se contentaria com o seu bocado, mas se dividisses o ouro haveria muitos que queriam ficar com o do vizinho também!!!
E o vinho? Dá prazer na sua bebida e faz-se sabor em cada um, sabor que permanece e é recordado sempre.
O perfume fica por um pouco, mas por mais forte que seja acaba por se perder no ar que nada retém.

O pão e o vinho toda a gente sabe o que é!
Já o ouro e o perfume são coisas desconhecidas para muitos.

Mesmo alguém muito rico, se estiver cheio de fome, prefere um pouco de pão e vinho a um bocado de ouro e perfume.
E se tiver apenas ouro e perfume não pode matar a fome nem a sede a ninguém.

Mas aquele que tem pão e vinho pode sempre matar a fome a ele e aos que dele se aproximarem dividindo com amor aquilo que tem.

A sério, Senhor????
Um bocadito de pão e um copito de vinho????

A Tua sabedoria é tão grande como o Teu amor!
Obrigado, Senhor!


Marinha Grande 8 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 7 de abril de 2020

ENTREGAR-TE E NEGAR-TE


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«Em verdade, em verdade vos digo: Um de vós Me entregará».

Não precisei olhar para o lado, pois sabia bem que aquelas palavras eram-me dirigidas.
Quando quero ser verdadeiro e fazer um verdadeiro exame de consciência, aquelas palavras veem ao meu coração e lembram-me a fraqueza, o nada que eu sou!

Entrego-O tantas vezes com tantos beijos que ninguém vê!!!
E corro a esconder-me, pobre de mim, convencido que Tu me persegues, quando afinal vens arás de mim só para me abraçar e dizer que me amas apesar das minhas negações.

Deitas-me o olhar de Pedro, o mesmo olhar que deitaste a Judas, mas que ele não quis ver, ou melhor, que ele não quis viver!

Umas vezes como Pedro choro amargamente, outras pretendo arranjar desculpas para o meu comportamento. (Foi a serpente, Senhor!)
É tão fácil arranjar “serpentes” para as nossas negações!!!
E elas estão sempre prontas e dispostas a servir-nos de desculpa tentando sempre que tal se torne uma prática habitual.

Vou escrevendo e meditando como seria bom Senhor, que eu fosse culpado de Te entregar aos outros!!!
Mas entregar-Te em amor, em dar-Te a conhecer, em dar-Te a viver, em dar a Vida que Tu és a cada um daqueles que ainda a não tem!

Ah, Senhor, perdoa-me, mas já não precisaria do Teu olhar, porque ele estaria de tal modo gravado no meu coração que já seria vida em mim.

Sim, Senhor, deixa-me entregar-Te, deixa-me negar-Te, mas não permitas nunca que me afaste do Teu olhar e que faça do Teu olhar, do Teu amor a fonte da minha vida, para que seja uma vida para os outros, uma vida para Te entregar em amor.



Marinha Grande 7 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 5 de abril de 2020

DOMINGO DE RAMOS NA MINHA PARÓQUIA


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Sentei-me na minha sala, pronto para “assistir” à Missa de Domingo de Ramos da minha paróquia da Marinha Grande.

Na “minha” igreja, estavam o Pe Rui a presidir, o Pe Patrício a concelebrar, duas acolitas, o nosso maestro, (que por si só é um coro), uma fiel paroquiana e julgo que o homem da câmara, mas que não estava visível.
A igreja assim vazia, apenas com estas pessoas, fazia impressão de recolhimento, de silêncio, mas ao mesmo tempo, transmitia uma certa dignidade a toda aquela celebração, a todo aquele momento.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amen.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
Foi nessa altura que ao respondermos «Bendito seja Deus, que nos reuniu no amor de Cristo», o milagre aconteceu.
De repente a igreja ficou cheia de Igreja, não havia lugares para mais ninguém, pois estavam os que costumam estar, alguns que não costumam estar, outros que já não podem estar e sobretudo, por cima de todos nós miríades de anjos, (os anjos da guarda, com certeza e não só),
que entoavam louvores a Deus, inaudíveis aos nossos ouvidos, mas sentidos no coração.
Atrás do Altar, aos pés da Cruz de Cristo, estava ajoelhada a Nossa Senhora do Rosário, entregando ao crucificado todos os seus filhos.

E foi a Primeira Leitura que, quanto a mim, não foi lida, mas sussurrada aos ouvidos do leitor, por um anjo do Senhor.
Veio outro anjo e servindo-se da voz do cantor cantou/rezou o Salmo, de uma tal beleza que nos sentimos transportados ao momento.
Novo anjo sussurrou aos ouvidos da leitora a mensagem de Deus e todos a ouviram num silêncio meditado.

Chegada a altura do Evangelho, o espaço da igreja abriu-se para dar lugar a todas as figuras da Palavra de Deus, desde Jesus Cristo, ao humilde Cireneu.
Quando o Pe Patrício chegou ao ambão para ler, em lugar do Evangelho estava o próprio Cristo que lhe disse: Lê-me!
Olhou para os ouros que o iam acompanhar na narração e percebeu que a todos estava a acontecer a mesma coisa.

Calma e serenamente toda aquela multidão ouviu e perguntou-se no silêncio instalado: E seu lá estivesse deixava que tal acontecesse? Zombaria de Jesus Cristo? Escolheria Barrabás? Levantaria ao menos a minha voz para protestar?

Ao fundo, a um canto da igreja ouve-se a voz forte de um homem que grita indignado: Eu não O conheço, eu não O conheço?
E quantos de nós j assim pensámos, quantas vezes já o dissemos: Eu não O conheço!
Não passou muito tempo até ver aquele homem rude, chorando copiosamente, num desalento, numa vergonha insuportável., que só o olhar de Cristo acalmou, porque era só compaixão, amor e perdão.

O padre tomou então o pão e o vinho, e iluminado pelo Espírito Santo vê aqueles dons transformarem-se no Corpo e Sangue de Cristo.
Mas não é só ele, pois todos os que ali estão de coração aberto vêem o mesmo Cristo a entregar-se por cada um de nós.

Entretanto os anjos não param de louvar, de cantar, de dançar, de fazer a festa de Deus!

Então o Pai, com Jesus Cristo e o Espírito Santo, no centro do altar, dão as mãos àqueles sacerdotes, que as dão a todos os outros e, acompanhados pelas melodias dos anjos, rezam ferverosamente o Pai Nosso.

Chega a altura da Comunhão e o Pe Rui confidencia ao Pe Patrício: As hóstias não vão chegar! Olha para a igreja cheia a deitar por fora?

O Pe Patrício, cheio de calma com o seu optimismo diz-lhe: Quem enche uma igreja assim de Igreja, também dá alimento a todos os que se queiram alimentard’Ele!

E a fila é interminável e em cada um que comunga, Cristo faz-se comunhão com todos, ali na igreja ou nas casas de cada um.

Serenamente o “Jesus escondido” recolhe-se, e cada um fica com Ele no coração.

Então e mais uma vez, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, servindo-se das mãos do seu sacerdote, a todos abençoam em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.

Feliz e sorridente o Pe Rui diz: Ide em paz o Senhor vos acompanhe!

E sobre todas as vozes que respondem, sobrepõe-se as vozes da Trindade Santa que diz: Não te preocupes, Nós vamos com eles!


Domingo de Ramos
Marinha Grande, 5 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 3 de abril de 2020

O AMOR, O SIM


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Li algures uma frase, julgo que de Bento VXI, em que ele afirmava que a verdadeira liberdade é dizer sim, sim a Deus.

Há algo mais livre do que o amor?
E, no entanto, o amor nada exige daquele que ama, a não ser o amor e o amor é livre.

Se eu amo sou fiel!
Porquê? É uma regra, uma norma do amor?
Não, não é, é uma característica indelével do amor. Sem fidelidade não há amor.

Se eu amo interessa-me em primeiro lugar a felicidade do amado!
Porquê? É uma regra, uma norma do amor?
Não, não é, é o que define o amor. O amado é sempre mais importante que o amante, porque a recíproca é verdadeira também, e só assim há amor.

Se eu amo coloco sempre em primeiro lugar o amado!
Porquê? É uma regra, uma norma do amor?
Não, não é, é inerente ao amor. No amor o servidor é o senhor e o senhor é o servidor. Só assim acontece o amor.

Se eu amo escuto sempre o amado!
Porquê? É uma regra, uma norma do amor?
Não, não é, é a trave mestra do amor. Ao escutar o amado, também o amado escuta o que ama e assim se conhecem na pureza das intenções. Só escutando e falando o amor existe e se torna sempre novo.

Se eu amo sou feliz!
Porquê? É uma regra, uma norma do amor?
Não, não é, é uma verdade do amor. A felicidade não se “mede” exteriormente, mas sente-se interiormente. Se o amado sofre, o amor do que ama, torna o momento em felicidade, a felicidade da paz, da serenidade, da companhia, da compreensão em silêncio, torna o momento triste em algo que nos diz: Ainda bem que amo!

Se eu amo deixo de existir para existir apenas o amado!
Porquê? É uma regra, uma norma do amor?
Não, não é, e nem sequer é amor. O amor não apaga a essência de cada um, antes pelo contrário a reforça e torna a comunhão dos amados no verdadeiro amor.

Se eu amo não posso deixar de falar do amor, de dar testemunho do amor, de me “eclipsar” para apenas aparecer o amor.

Por tudo isso é que o Sim de Maria é maior do que todos os nossos sins, porque nos nossos sins, há sempre, sempre um “mas”, que cada qual pode encontrar se o quiser procurar.

E dar a vida por todos?
Esse é o AMOR!


Marinha Grande, 3 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 1 de abril de 2020

AINDA HÁ MUITO POR FAZER


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Tomas-me pela mão e levas-me contigo pelo jardim adentro.
Paras, olhas para mim e dizes-me para ficar ali vigiando um pouco, enquanto vais rezar.

Recosto-me na árvore, balbucio umas orações, mas rapidamente me deixo vencer pelo sono e só acordo quando sinto a Tua mão no meu ombro e o Teu olhar triste, mas compreensivo dizendo-me: Não pudeste vigiar e orar nem um pouco? Como queres tu não cair em tentação?

Afasta-se novamente de mim, mas deste vez sigo-O escondido no silêncio. A Sua cara transforma-se numa tristeza indescritível, o Seu corpo fecha-se sobre Si próprio como numa dor insuportável, todo Ele treme, (mas sem um queixume), e da testa vejo caírem grossas gotas de sangue como de suor se tratasse.

A imagem esmaga-me e sinto-me impotente, sinto-me nada, sinto-me quase perdido sem saber o que fazer.
O sofrimento d’Ele esgota-me totalmente.

Pergunto-Lhe docemente, em sussurro, quase a medo, os olhos rasos e lágrimas: Porquê, Senhor, porquê???

Olha-me com um olhar de compaixão que me trespassa inteiramente de um misto de vergonha, mas de esperança também.

E diz-me com aquela Sua voz que se devia ouvir por todo o mundo, mas que infelizmente só alguns corações abertos querem ouvir:
É por ti, meu filho!

Estremeço de dor e quero protestar, mas Ele continua:
É por ti, porque é por todos.

Diz-me para eu ver, mas eu não consigo ver, pois a visão não se forma na minha incredulidade e Ele vai-me descrevendo tudo o que se passa por diante dos Seus olhos:
As crianças arrancadas do ventre das suas mães, os homens que se matam por coisa nenhuma, as mulheres violentadas e desprezadas, os velhos abandonados e mais do que isso, condenados à morte por leis iniquas, os que sofrem por todo o lado, doenças, abandono, desprezo, indiferença.
Fala-me das crianças violentadas tantas vezes por aqueles em quem mais deviam confiar, e com horror maior ainda os que são mortos invocando infamemente o Seu Nome.
As famílias desagregadas, os filhos abandonados, os dirigentes que roubam, membros da Sua Igreja que cometem faltas horríveis, a destruição do mundo e sobretudo isto e muito mais, alguém que se ri desmesuradamente porque julga que já venceu e que o mundo já é dele.

Mais não, grito eu, mais não!!!!!

E Ele responde-me: Aquilo que tu e tantos outros já não conseguem suportar, nem mesmo imaginar, suporto-o Eu nesta hora e na Minha Cruz por todos vós.

Timidamente, de cabeça baixa, pergunto-lhe em voz sussurrada: Que posso eu fazer, Senhor, para Te consolar, Te amparar, te ajudar, para, sei lá, enxugar as Tuas lágrimas.

E Tu respondes-me com o sorriso de amor mais lindo que alguma vez vi:
Acorda e ora, com todos! Vigiai, não baixeis os braços. Eu já vos dei a vitória. Tomai conta dela e exibi-a sem medo, sem respeitos humanos, pelas casas, pelas praças, pelas ruas. O vosso testemunho tem que ser o Meu amor, porque nunca vos esqueçais que o meu amor já venceu, sempre vencerá e sempre permanecerá.

Tomando-me pelo braço disse-me com voz de Deus: Agora vamos que há muito por fazer!



Marinha Grande, 1 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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