quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PRESSA EM SERVIR

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«Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia.» Lc 1, 39


«Maria dirigiu-se à pressa.»

Maria podia ter ficado a “contemplar-se”, a “encher-se de gozo”, por saber agora ter sido a escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, a Mãe do Salvador!

Eu não tenho dúvidas que essa seria a minha atitude, ou seja, “deliciar-me” com a “escolha” feita por Deus da minha pessoa.
Sentir-me-ia importante, chamaria ou far-me-ia encontrado com outros para lhes contar do que me tinha acontecido, recordaria passo por passo a visitação e as palavras proferidas pelo Anjo, apenas para meu deleite!
Não conseguiria conter o orgulho de me sentir mais do que os outros, ou seja, ser servido em vez de servir.
Por isso é que nunca poderia ser escolhido!

Mas Maria não!
«Por aqueles dias», ou seja, logo a seguir a ter conhecimento do Mistério de graça a que o Senhor a tinha chamado, parte «à pressa», para servir a sua prima que precisa de ajuda.

Não devia ser esta a nossa atitude quando nos deixamos encontrar por Deus, quando O sentimos nas nossas vidas, porque Ele se nos dá a conhecer?

Não foi isso mesmo que o Pai fez em Jesus Cristo, que Se fez Homem por e entre nós: servir-nos a Palavra, servir-nos o Amor, servir-nos a Verdade, servir-nos o Caminho, servir-nos a Vida, dar-Se inteira e totalmente em serviço divino ao homem.

Pois é, quando o encontro de Deus com cada um de nós acontece, (por Sua graça, por Seu amor), a urgência das nossas vidas deve ser servir!

Servir a Deus, servir a Palavra, servir em Igreja.

Não podemos já adiar a missão que nos foi dada, (a nossa missão), que é uma missão de serviço em qualquer estado/vocação a que somos chamados.

Não podemos já pensar que amanhã é que começamos, não podemos já pensar que para o ano que vem é que damos inicio à missão, não podemos já pensar que ainda temos tempo e que a missão pode esperar.

Não, o tempo é agora e devemos nós também «dirigirmo-nos à pressa para a montanha», que é a missão a que somos chamados como filhos de Deus, discípulos de Cristo.

O tempo é agora, porque desde logo é tempo de oração, tempo de testemunho, tempo de entrega, tempo de servir, porque o tempo d’Ele é o tempo de estar connosco, sempre!

Não percamos tempo, e «dirijamo-nos à pressa para a montanha», que é caminho de e para Deus.



Monte Real, 16 de Agosto de 2010



Nota: Esta reflexão foi provocada/inspirada pela bela e profunda homilia do Padre Manuel Henrique, (Vigário da minha paróquia da Marinha Grande), na Missa Vespertina da Assunção da Virgem Santa Maria.
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A PERGUNTA CRUCIAL

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«Quem dizem as multidões que Eu sou?» Lc 9,18

Se hoje, Senhor Jesus, fizesses esta pergunta, como Te responderiam as multidões?

Uns dir-Te-iam que não exististe, e que nem sequer existes.
Outros dir-Te-iam que foste uma figura histórica, um revolucionário, um homem com um pensamento avançado para a sua época.
Outros dir-Te-iam ainda que não soubeste “cavalgar a onda do poder” e mudar tudo o que estava mal.
Uns quantos dir-Te-iam também que foste um grande meditador transcendental, uma espécie de mestre de yoga dos tempos antigos.
Mais uns quantos fingirão que nunca ouviram falar de Ti, ou que, não lhes interessa nada o que Tu foste ou possas ser.
Finalmente, uns quantos afirmando que Tu não exististe, desejarão mesmo que não tivesses existido.


«E vós quem dizeis que Eu sou?» Lc 9,20

E se hoje, Senhor Jesus, fizesses esta pergunta àqueles que se dizem Teus seguidores, o que responderíamos nós?

Uns dir-Te-ão que sim, que Tu és o Filho de Deus, que nos trouxeste uns ensinamentos que devemos seguir segundo a nossa consciência, e que é a nossa consciência e só a nossa consciência a luz do nosso proceder.
Estes dir-Te-ão, sem dúvida, que a instituição da Igreja é uma mera interpretação que alguns fazem da Bíblia, porque verdadeiramente cada um sabe de si e da sua vida e que a Igreja não é precisa para nada.

Outros dir-Te-ão que Tu és o Filho de Deus, e que tudo o que Tu nos disseste e está nas Escrituras deve ser seguido exactamente como está escrito, que não há lugar a interpretações, que uns são escolhidos e outros excluídos, e que apenas e só nessa radical leitura e seguimento, se será verdadeiramente Teu discípulo.

Outros ainda dir-Te-ão que Tu és o Filho de Deus, mas que tudo aquilo que Tu nos disseste se destinava apenas àquele tempo e que por isso mesmo, tudo se deve adaptar aos tempos de agora, e assim sendo, a vida pode ser questionada, seja ela na gestação inicial, seja ela na sua recta final.
Que as relações entre mulheres e homens devem ser ao gosto de cada um, porque isso pertence ao homem definir, e aquilo que Tu nos disseste sobre isso mesmo, era apenas para aquele tempo, para aquela cultura.
Dir-Te-ão que nós homens já “matámos” o demónio, porque o “dito cujo” nunca existiu.
Dir-Te-ão que a Igreja, é afinal as igrejas, edifícios onde vão rezar, (de pé, claro), e que toda a estrutura da Igreja são afinal apenas meros funcionários ao sabor das vontades de cada um, bem como a Doutrina, que deve ser seguida segundo a própria interpretação dos que assim pensam, e sempre mudando ao sabor dos tempos.

E outros tantos Te dirão isto e aquilo nas mais variadas formas e interpretações, reclamando-se como teus verdadeiros seguidores e teus legítimos “intérpretes”.

E haverá, finalmente, aqueles, (e eu espero bem ser um deles), que Te responderão dizendo:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» Mt 16,16

E nesta revelação, «porque não foi a carne nem o sangue que no-lo revelou, mas o Pai que está no Céu» Mt 16,17, tudo estará contido e aceite como Caminho, Verdade e Vida, desde o Filho de Deus, Jesus Cristo Nosso Senhor, à Igreja e à Doutrina, que Tu mesmo nos ensinaste e deixaste.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.


Monte Real, 9 de Agosto de 2010
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

«A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR E A DEUS O QUE É DE DEUS» Mc 12,17

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«o imperador e Jesus personificam duas ordens diferentes de realidades, que não devem necessariamente excluir-se uma à outra pois, na sua contraposição, encontra-se o rastilho de um conflito que tem a ver com as questões fundamentais da humanidade e da existência humana. «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mc 12,17): dirá Jesus mais tarde, exprimindo assim a essencial compatibilidade das duas esferas. Quando, porém, o império passa a interpretar-se a si mesmo como divino – implícito já na auto-apresentação de Augusto como portador da paz mundial e salvador da humanidade – então o cristão deve «obedecer antes a Deus do que aos homens» (Act 5,29)»
Jesus de Nazaré – Joseph Ratzinger – Bento XVI



Muitas pessoas têm citado a passagem bíblica, «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mc 12,17), para de alguma forma tentarem respaldar a feitura e aprovação de leis iníquas, como a “lei do aborto”, “lei do casamento homossexual”, etc., afirmando que o governo, e a feitura das leis, competem aos homens segundo a sua vontade, tentando demonstrar com essa citação que essa seria a vontade de Deus, ou seja, que os homens governassem e fizessem as leis segundo a sua própria vontade.

E realmente Deus, tendo-nos criado em liberdade, não interfere na governação dos homens, mas não “avaliza” todos os actos dos homens que governam e legislam.

Porque sendo as duas esferas, (para citar o Papa), compatíveis, só o são na medida em que o homem reconhece a Deus a primazia sobre o homem e a vida.
E se falarmos então em políticos cristãos, esta verdade tem de ser indestrutível, pois só se é verdadeiro cristão se em tudo na sua vida se der a primazia a Deus.

E o Papa, nesta pequena passagem deste seu livro, mostra-nos com uma perfeita clareza o porquê desta frase bíblica não poder ser “utilizada” para respaldar leis que vão contra a vida, tal como ela foi criada e desejada por Deus.

É que quando o homem legisla sobre o direito à vida, (lei do aborto, por exemplo), e sobre o modo como ela foi desejada e querida por Deus, (lei do “casamento” homossexual, por exemplo), está a transformar-se em “Augusto”, ou seja está a querer divinizar-se e ser senhor daquilo que pertence apenas e só a Deus.

E desta verdade não há, (ou não deve haver), a menor dúvida para qualquer cristão que acredita que o Senhor e Criador da vida é Deus, e que, por isso mesmo, o homem não tem o direito de ir contra a vida que não lhe pertence, e ainda, que todo o cristão perante este tipo de leis deve «obedecer antes a Deus do que aos homens» (Act 5,29).

E assim, mais uma vez, esta verdade torna-se mais premente e obrigatória para aqueles que sendo cristãos, foram chamados ao governo das nações, à feitura das leis dos homens, pois que deveriam assumir essa missão como uma vocação que Deus colocou nas suas vidas, para também aí, (como em tudo), serem testemunhas da fé que afirmam viver.

Quando assim não procedemos, eles, os políticos, e cada um de nós que aceita e segue essas leis, rompemos com Deus, pois estamos a tentar colocarmo-nos em pé de igualdade com Ele, atacando o maior dom do Seu amor que é a vida de cada um, tal como por Ele foi criada e desejada.

Podemos “assobiar para o lado”, podemos fingir que não compreendemos, podemos argumentar milhentas razões para aprovarmos esse tipo de leis, podemos até distorcer a nossa consciência como cristãos, mas no fundo quem segue Jesus Cristo, e com Ele, a Ele e n’Ele comunga, reconhece sempre no seu íntimo, onde Ele habita, que deve sempre «obedecer antes a Deus do que aos homens» (Act 5,29).


Monte Real, 3 de Agosto de 2010
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quinta-feira, 29 de julho de 2010

DEUS NUNCA FAZ FÉRIAS DE NÓS

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Ali sentado, de frente para o mar, iniciava as suas férias.

Olhou para o alto e disse baixinho:
- Senhor, agora estou de férias e por isso vou também abrandar o meu ritmo de oração diária.
Sabes, levanto-me mais tarde, vou para a praia, quero estar assim sem pensar em nada, sem me preocupar com nada.
Perdoa-me, mas eu sei que Tu me entendes.

Deixou-se ficar assim e passado um pouco estranhou não sentir no coração aquela sensação de resposta de Deus, que sempre sentia mais ou menos “visível” quando a Ele se dirigia em oração.

Passado um pouco mais de tempo, começou mesmo a ficar preocupado, pois parecia-lhe que a presença constante de Deus a seu lado, que ele sentia mesmo “sem sentir”, ou seja, uma presença inexplicável, mas segura, continuava a não se fazer presente.

Baixou a cabeça e baixinho perguntou:
- Senhor, Tu estás aí?

Nada!
Nem sequer uma leve sensação de presença se sentiu no seu ser, no seu coração.

Voltou a perguntar, num tom já um pouco mais alto:
- Senhor, Tu estás aí, não estás?

Nada, rigorosamente nada!
Começou a ficar angustiado! Aquilo nunca lhe tinha acontecido!

Sem se preocupar se alguém o ouvia, gritou:
- Senhor, responde-me! Estás aí, não estás?

Ouviu então uma voz no seu coração que lhe dizia:
- Chamaste? Passa-se alguma coisa?

Aliviado respondeu:
- Não, Senhor, não se passa nada! É que fiquei preocupado, pois chamava por Ti e Tu não me respondias! Senti-me tão sozinho!

Ouviu então a resposta com a ternura a que estava habituado:
- Ah, estavas preocupado, desculpa.
É que como decidiste fazer férias de Mim, Eu achei que também era bom fazer umas férias de Ti e dedicar-me um pouco mais aos outros, por isso não te ouvi chamar!



Graças a Deus, que Deus nunca faz férias de nós, se não ficaríamos tão sós que a vida não teria sentido.
Não façamos nós também férias de Deus, mas aproveitemos as férias, para no descanso darmos graças a Deus e na contemplação da natureza, no lazer e nos divertimentos, encontrarmos Deus e com Ele partilharmos todos esses momentos.
Aproveitemos também as férias para estarmos mais com a família e sobretudo chamarmos Deus a estar ainda mais connosco, em família.
Obrigado, Senhor, porque nunca fazes férias de nós.


Nota:
Com este leve e simples texto inicio um período de semi-férias, em que a minha presença aqui poderá não ser tão assídua.
A todos umas boas férias sempre com Deus, para Deus e em Deus.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

A PARTILHA FRATERNAL

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Na semana passada vi algo na televisão que muito me incomodou.
Tratava-se de um reportagem realizada numa paróquia do Norte de Portugal, em que as pessoas protestavam pela mudança e consequente saída do seu pároco, fruto de uma decisão que a todo o tempo os Bispos têm de tomar, obviamente, para uma melhor organização das Igrejas locais.

Aquela gente que protestava, eram, supostamente, cristãos fiéis, de prática cristã activa, de Missa Dominical, de vivência da fé.
Gente portanto, cujo testemunho devia ser exemplo para os outros, devia ser testemunho de paz, de alegria, de aceitação, de entrega.

Nada mais contrário, infelizmente, pois alguns rostos expressavam rancor, violência, quase ódio e as expressões utilizadas confirmavam isso mesmo.
O testemunho que estava a ser dado era exactamente o contrário do verdadeiro testemunho cristão.

Claro que as pessoas até podem não concordar com uma decisão do seu Bispo, e podem manifestá-la no sítio certo, ou seja, pedindo para serem recebidas e ordeiramente explicarem as suas razões.
Devem no entanto estar preparadas para as mudanças necessárias nas suas paróquias, não só como melhoria de organização da Igreja local, mas também porque a missão do sacerdote, para além de ser de disponibilidade total, deve ter sempre novos desafios que o levem a uma maior e empenhada vivência da fé, e também ao descobrir de novos caminhos na proclamação da Palavra, no anúncio da Boa Nova.

Sabemos que quando temos missões de responsabilidade na condução dos homens, (seja na vida religiosa, seja na vida social civil), se ficamos muito tempo no mesmo lugar, tendemos a entrar na rotina, a adormecermos sobre os caminhos conquistados, e assim todas as conquistas alcançadas, não são mais do que conquistas repetidas, que não provocam novas vivências, novos empenhos, novas alegrias.

Ser Igreja é também mais dar do que receber.
Ora se sentimos o nosso pároco como um bem para nós, alguém de quem muito gostamos e queremos, que belo e cristão será proporcionarmos que outros o possam conhecer e dele receberem os talentos e dons que Deus lhe concedeu.

Não será esta uma partilha fraternal, que nos faz mais unidos, mais Igreja?
Não será bem mais belo e cristão, fazermos uma linda festa de homenagem e despedida àquele de quem tanto gostamos, e juntos, em alegria, irmos acompanhá-lo à sua nova missão?
Que seria da cristandade se as comunidades que Paulo visitava e com as quais ficava, o retivessem e não deixassem sair em missão para outras comunidades?

Na minha paróquia estamos neste momento a passar por uma fase semelhante, e o nosso pároco que connosco está há treze anos, e é por todos amado e querido, bem como o vigário paroquial, estão de saída para novas missões e a paróquia está a organizar em alegria e paz, um jantar de despedida, em que, acolhendo a todos, também queremos acolher representantes das novas comunidades onde eles vão passar a exercer o seu sacerdócio.

Verdade seja dita que, julgo eu, estas manifestações têm também muito a ver com a reacção dos próprios sacerdotes à sua saída das paróquias, e também ao modo como transmitem esses factos ao povo crente.
Se recebem a notícia com espírito de missão e aceitação, por muito que lhes custe, (são humanos como todos nós), transmitirão aos seus paroquianos uma imagem de paz, de aceitação firme e pessoal e até de alegria pela nova missão que lhes é confiada.
Logicamente uma tal maneira de anunciar a sua saída de pároco, coloca imediatamente de lado toda e qualquer manifestação que não seja de concordância, e, embora revestido de tristeza, esse acontecimento, pode e torna-se com certeza num momento de unidade, alegria e partilha fraternal, assim entendida como acima escrevo.

Peço ao Pai e ao Filho que derramem o Espírito Santo sobre estes sacerdotes, e sobre nós fiéis, para que tenhamos sempre na mente e no coração o primeiro mandamento, «amar a Deus acima de todas as coisas», bem como o testemunho de unidade cristã à volta dos nossos Bispos e Sacerdotes, na procura da certeza de que só unidos e disponíveis uns para os outros é que podemos realizar a Palavra de Deus:
«Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação» Act 2,47


Monte Real, 26 de Julho de 2010
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

TU, AMAS-ME?

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Tu, amas-me?
Perguntas-me Tu, Senhor.
E eu baixo a cabeça,
e cheio de amor
respondo-Te:
Não Te sei responder, Senhor.


Tu, amas-me?
Repetes Tu, Senhor,
a pergunta.
E eu mais uma vez
respondo-Te envergonhado:
Não Te sei responder, Senhor.


Tu, amas-me?
Insistes Tu, Senhor,
os olhos marejados de amor.
E eu olho-Te nos olhos,
fugazmente,
e respondo-Te
humildemente:
Tu é que sabes, Senhor,
se Te amo,
verdadeiramente!


É que eu não sou Pedro,
Senhor,
sou mais pobre,
e bem mais fraco,
cheio de dúvidas,
e incertezas,
na constância do meu amor.


E, Senhor,
se me vais perguntar tantas vezes,
quantas foram as que Te neguei,
temo, meu Senhor e meu Deus,
que não cheguem todos os dias
da vida que Te entreguei.


Ah, Senhor,
Mas uma certeza eu tenho:
que Tu me amas,
com eterno amor.


Ah, Senhor,
Tu conheces-me,
o meu ser todo inteiro,
(como eu não me conheço),
por isso só Tu podes saber,
se o meu amor por Ti,
é puro e verdadeiro.


É que eu julgo que Te amo,
com todas as minhas forças,
mas também tenho a certeza,
que este amor que Te tenho,
é muitas vezes…
interesseiro.


Amar-Te com todo o meu ser
viver para Ti e por Ti,
ser-Te em todos os actos,
mostrar-Te no meu viver,
é para mim um desejo,
um sonho, uma vontade,
que eu tento perseguir
hoje e sempre,
e no porvir.


Mas, Senhor,
eu sou tão fraco,
tão pobre e pequenino,
que apenas Te posso amar,
com um amor verdadeiro,
se me deres do Teu amor,
(mais rico que o ouro fino),
confirmando a Tua Palavra,
que Tu me amaste…
primeiro.




Monte Real, 15 de Julho de 2010
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segunda-feira, 12 de julho de 2010

SENHOR, EU NÃO SOU DIGNO

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Há dias, no grupo de oração do Renovamento Carismático Católico que coordeno, meditávamos e partilhávamos a Palavra, centrados no episódio da «cura do servo do centurião» Lc 7,1-10

Depois de cada um partilhar com todos a sua reflexão pessoal sobre aquilo que mais o tocava nessa passagem bíblica, (como sempre fazemos), introduzi então alguns pormenores específicos para uma melhor compreensão e meditação de toda a riqueza desta passagem, que como toda a Palavra, nunca se esgota em tudo o que nos vai revelando.

Chamei a atenção para o facto do homem que pede ser um centurião, portanto um “inimigo” dos judeus, um ocupador da sua terra, mas apesar disso, ser com certeza um homem bom, pois a passagem diz claramente que ele tinha muita afeição pelo seu servo, (o que naquele tempo seria coisa rara), e que até tinha mandado construir a sinagoga para os judeus.

Percebemos também que este homem se sente indigno de se aproximar de Jesus e por isso pede a outros que por ele intercedam, levando-nos a pensar na importância da intercessão.

Meditámos ainda no facto de Jesus se admirar da fé daquele homem. Com efeito aquele homem dando a perceber a sua autoridade sobre aqueles que ele comanda, reconhece em Jesus Cristo uma autoridade bem maior, ou melhor, a autoridade total, pois vai muito para além das coisas do mundo, acreditando ele, centurião, que Jesus Cristo com uma só palavra pode curar o seu servo.

Detivemo-nos então na frase: «Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado.» Lc 7,6-7

Enquanto falava sobre esta frase, veio ao meu coração, ao meu pensamento algo de muito simples, verdadeiro e extraordinário, mas que nunca tinha pensado ou percebido.

Esta frase, usada na Liturgia da Eucaristia, «Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e eu serei salvo», mesmo antes de recebermos o Senhor em nós, nas nossas vidas, é repetida milhares de vezes todos os dias, nas mais diversas línguas, por esse mundo fora.

Esta frase que, (pelo menos falo por mim), tantas e tantas vezes, dizemos de forma rotineira e “banal”, nos introduz no Mistério maior de um Deus que se faz alimento para aqueles que ama, e nos irmana num só povo que, reconhecendo-se indigno, aceita a dignidade que lhe é oferecida pelo seu Senhor.

Esta frase que se confirmou na cura do servo do centurião, (pela graça de Deus, admirado da fé daquele homem), e que nós repetimos de forma ligeira e tantas vezes irreflectida, não percebendo que por essa mesma graça, o Senhor nos alcança a salvação, mesmo perante a nossa fraca fé.

Esta frase em que, como o centurião, nos devemos abandonar numa total confiança ao Senhor Nosso Deus, acreditando que tudo Lhe é possível.

E depois, depois percebermos, que esta frase que nos une como irmãos, filhos de Deus, foi proferida pelo centurião que afinal poderíamos dizer em linguagem simples de hoje, “estava fora da Igreja de então”!

Para que percebamos que não é o “pertencer à Igreja”, que não é o “ir à Missa”, que não é o “repetir Senhor, Senhor”, que nos salva, mas sim a fé em Jesus Cristo que a todos ama e chama por igual.

E para correspondermos a esse amor temos que “viver a e em Igreja”, temos que “participar e celebrar a Missa”, temos que “repetir Senhor, Senhor”, muito mais com o coração do que com a boca.

Sei que não consegui exprimir bem tudo o que senti, vivi e reflecti, (as palavras são tão vazias por vezes), mas posso afirmar que esta frase ganhou um novo sentido na minha vida, e que quero olhar para aqueles que não estão ainda em Igreja, com a bondade e o amor do olhar de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador.


Monte Real, 12 de Julho de 2010
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

‘Blood Money’ (Dinheiro de sangue) - o documentário choque e polémico actual nos Estados Unidos

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Este é um novo filme independente que retrata a indústria do aborto com o nome “Blood Money” (Dinheiro de sangue) e que têm como objectivo expor a corrupção da Planned Parenthood.

Por isso peço-lhe que divulgue em todos os seus contactos este vídeo e assim talvez seja possível trazer este trabalho até Portugal.



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quinta-feira, 1 de julho de 2010

A CENTRALIDADE DA PALAVRA

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Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.»
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»
Lc 10,38-42


«Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»

Maria escolheu a Palavra!
A Palavra é o próprio Deus.
Sem a Palavra nada mais tem sentido.
Por isso a Palavra é central à vida de todo o cristão e toda a sua vida tem de ser orientada e vivida pela Palavra.
E a centralidade da Palavra é perfeitamente compreendida nesta passagem da Bíblia.

Reparemos que antes deste encontro com Marta e Maria, o evangelista Lucas nos narra a Parábola do Bom Samaritano, contada por Jesus para bem fazer entender o mandamento do amor. Lc 10, 25-37
Esta parábola leva-nos à vivência do amor, a Deus e aos outros, leva-nos a entender que a nossa vida cristã tem de ser também acção, obra, testemunho permanente do amor de Deus em nós, e para os outros
Ora este amor de Deus a cada um e de cada um para os outros, é-nos transmitido na Revelação do próprio Deus, é-nos transmitido portanto, na Palavra e pela Palavra.
Mas a seguir, Lucas conta-nos como Jesus ensinou os seus discípulos a orarem, prosseguindo com vários ensinamentos sobre a oração. Lc 11,1-4ss
A oração, alimento do cristão, é-nos então dada na Palavra, sai da Palavra e é suscitada pela Palavra.
Maria, sentada aos pés de Jesus, tem não só uma atitude de escuta, mas também uma atitude orante, que leva à intimidade com o Senhor.
E não é a oração individual, (e até a colectiva), um diálogo íntimo e pessoal com Jesus Cristo?
Não é na oração que amamos a Deus, que Lhe prestamos o nosso louvor e até intercedemos pelos outros?
Não é na oração que nos unimos a Cristo, e que com o mesmo Cristo, nos unimos aos outros?

Então é a escuta da Palavra que nos leva á oração, pela oração à comunhão com Cristo e com os outros, e nessa comunhão à acção vivida do mandamento do amor.

Então a Palavra, que se faz e nos leva à oração, faz também da acção uma oração na vivência da Palavra!

Então acolher a Palavra e vivê-la, é fazer da vida uma oração, no diálogo e na acção, nas obras, tudo em comunhão com Deus, que se faz tudo em nós, servindo-se de nós na nossa entrega ao seu amor.

A oração de hoje podemos esquecê-la amanhã, a acção de hoje sairá da nossa memória passado um tempo, mas a Palavra fica, e é semente permanente que dá fruto na oração e na acção.

Por isso:
«Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»


Monte Real, 1 de Julho de 2010
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quinta-feira, 24 de junho de 2010

NAQUELE TEMPO, NESTE TEMPO

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“Naquele tempo”, escreveram assim os evangelistas que nos deram a conhecer os passos de Jesus Cristo, quando, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, esteve entre nós ensinando e revelando o Deus de amor que nos criou, seguido por multidões que avidamente O escutavam.

“Neste tempo” poderia escrever alguém, sobre este tempo em que Jesus Cristo entre nós, não visível aos olhos humanos, mas presente na vida e no coração de cada um, nos interpela, nos chama, nos quer continuar a ensinar e a guiar no caminho da salvação.

E “neste tempo”, talvez seja assim!

«Pára um pouco, homem, quero-te falar do mundo que criei para ti e para todos.»
Desculpa, não tenho tempo! Estou muito ocupado com o meu trabalho, ajudando a construir o mundo e retirando dele todas as coisas de que necessito para a minha vida.
«Mas repara, não é melhor parares um pouco para reflectires sobre o que vais fazendo no mundo e ao mundo? É que sabes, ele não me parece melhor e mais harmonioso!»
Não há problema, temos agora que retirar do mundo tudo o que precisamos, mesmo que seja em excesso, e depois logo se vê! Os que vierem ainda terão muito com certeza. E o mundo tem tanto para dar!

«Deixa-me então falar-te da vida, do sentido da vida, da vida que Eu te dou.»
Agora não, estou muito ocupado em gerir a minha vida à minha vontade.
E depois ando também muito empenhado em criar a vida, porque não duvides, nós homens também somos capazes de criar vida!
«Mas e a alma, também consegues criar a alma?»
O que é isso de alma? É algo que se possa ver com os nossos olhos ou tocar com as nossas mãos?
Se não é, não existe, não interessa, não tem sentido porque não pode ser experimentado e provado.
«Não te entendo, homem, dei-te a vida, tu dizes-me que queres e podes criar vida e no entanto fazes leis e mais leis para destruir a vida!»

«Pelo menos, deixa-me falar-te do amor.»
Do amor? O amor é coisa passageira! Experimenta-se, e se dá resultado tudo bem, se não parte-se para outra!
«Mas ouve, espera, o amor não é uma experiência. É antes um doar-se, um dar-se a conhecer, um partilhar e viver as coisas boas e as coisas más, num projecto de vida em comum, que Eu abençôo.»
Doar-se, dar-se a conhecer, partilhar? Nem pensar. Era o que mais faltava! Isso era colocar-me à disposição do outro e ficar dependente dele. Nem pensar. O que é preciso é retirar duma relação tudo o que me interessa, e quando estiver esgotada, arranja-se outra. E o outro se quiser que faça a mesma coisa!
«Mas, homem, isso não é amor, é individualismo e egoísmo! Então e a ajuda aos outros, o amor pelos outros, aqueles que mais precisam?»
Para isso também não tenho tempo, mas de vez em quando lá dou umas moedas a algum pedinte e já faço muito!
Isto é como todas as coisas, uns nasceram do lado certo e outros do lado errado, o que se há-de fazer!
Eu não tenho culpa nenhuma que assim seja, e o que tenho custou-me muito a ganhar, é meu! Uns têm e outros não, é a vida!

«Então e Deus?»
O que é que tem Deus? Deus está lá e nós estamos cá, se é que Ele existe.
Ele trata das coisas d’Ele e nós das nossas! Agora é assim, separação total, cada um sabe de si, e depois elegemos uns de nós que tratam de tudo o que é preciso. Não precisamos que Deus interfira nas coisas dos homens.
E já Te dei muito tempo afinal, por isso vou-me embora que tenho mais que fazer!

E enquanto se afastava de Deus, o homem ia ouvindo no seu coração:
«Em verdade, em verdade te digo, mesmo que te afastes de Mim, mesmo que não me queiras, Eu amar-te-ei sempre com amor eterno, e estarei sempre à tua espera para te receber e acolher. É que sabes, sem Mim, sem o amor que Eu sou, a tua vida não tem sentido.»


Monte Real, 24 de Junho de 2010
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

ESTRANHAMENTE SÓ!

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A Igreja Católica em Portugal não se irá intrometer nas eleições presidenciais de 2011, disse esta tarde o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga.
Em declarações aos jornalistas no final da Assembleia Plenária Extraordinária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga recordou que tem sido essa a atitude da Igreja Católica em Portugal: não se intrometer “o mínimo que seja” em qualquer questão de índole política.
“Não nos intrometemos até agora e não nos intrometeremos nesta questão”, afirmou.
Para o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o trabalho da Igreja Católica é “formar as consciências” para, depois, cada cidadão optar no momento do voto.
Questionado sobre campanhas em curso, até com propostas de homilias, incentivando ao envolvimento da Igreja Católica nas eleições presidenciais de 2011, D. Jorge Ortiga disse que são iniciativas de alguns católicos, no direito que têm de se manifestarem.
“O facto de alguns católicos se unirem para manifestar algum tipo desejo, isso é uma questão pessoal e um direito que se lhes assiste”, referiu.
O Presidente da Conferência Episcopal frisou, no entanto, que “não gostaria de ver o nome de ‘católico’ envolvido nestas coisas”.
Para D. Jorge Ortiga, campanhas que possam estar em curso são de iniciativa individual e não correspondem a “uma atitude da Igreja em Portugal”.

Agência Ecclesia – 17.06.10



Depois de ler esta notícia da Ecclesia sinto-me estranhamente só!
Não me sinto apenas estranhamente só, sinto-me também um anónimo, sem identificação, sem referências!

Sinto-me só, porque a minha Igreja me diz pela voz de um seu pastor que, se eu quiser colocar em prática e viver os ensinamentos do cristianismo na minha vida interior e em sociedade, tentando ajudar a construir um mundo à luz do ensinamento de Jesus Cristo, a minha Igreja não me acompanha, porque não se “intromete nessas questões”!

Julgava eu ainda, que uma das especificidades do cristianismo e da sua prática, era a comunhão em Cristo, por Cristo e com Cristo, em Igreja, no testemunho e na vivência dos valores do homem enquanto criado por Deus e para Deus, na construção dum mundo novo querido por Deus, mas afinal é-me dito que a manifestação desse desejo “é uma questão pessoal e (apenas) um direito que me assiste”!

Aliás estou tão só, que se me envolver numa campanha dessas, faço-o apenas como “iniciativa pessoal”, pois a Igreja a que pertenço afirma, pela voz desse pastor, que tal iniciativa não é “uma atitude da Igreja em Portugal”.

Mas “sinto-me” também anónimo, sem identificação, sem referências porque esse mesmo pastor “não gostaria de ver o nome de ‘católico’ envolvido nestas coisas”, o que quer dizer, que se me envolver “nessas coisas”, não poderei referenciar-me como católico, e por isso mesmo como cristão, mas apenas como um cidadão sem Deus, sem Fé.

Sim, eu sei que estou a exagerar nas considerações que faço, mas não deveria haver muito mais cuidado nas coisas que se dizem, e sobretudo não deveria haver uma reflexão bem mais profunda sobre o papel da Igreja na sociedade portuguesa?

Claro que isto não diminui em nada a minha comunhão e o meu amor pela Igreja, que é uma das matrizes imprescindíveis na minha vida.


Monte Real, 18 de Junho de 2010
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

QUE CAJADO É ESTE, SENHOR?

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Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Ampara-me quando caio,
e ajuda-me a levantar.
Mas não torna o caminho mais fácil,
não endireita as curvas,
não afasta as pedras,
não remove os obstáculos,
nem aplana as subidas,
mas torna muito mais fácil,
seguir a direito e curvar,
caminhar sobre as pedras,
sem sequer me magoar,
ultrapassar os obstáculos,
sem neles ficar retido,
escalar o monte mais íngreme,
com vontade de continuar.
E mesmo que esteja ferido,
porque alguém me quis ferir,
o Teu cajado conforta,
cura e faz sarar,
dá ânimo e nova força,
para que a alegria retorne,
e eu volte de novo a sorrir.
Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Coloca-lo na minha mão,
mas dizes muito baixinho,
cheio de ternura e carinho:
«olha que este cajado,
que te dou para toda a vida,
pode estar na tua mão,
mas é extensão do coração.»
Agarro-me a ele com força,
sem ele já não sei viver,
faz parte de mim,
do meu todo,
só com ele eu posso ser.
É ele que me dá sentido,
ao caminho a percorrer,
é ele que faz em mim,
tudo o que eu não sei fazer,
é ele que me transforma,
numa vontade que é Tua,
é ele que me faz falar,
de Ti,
aos outros,
a todos,
na rua.
Que cajado é este,
Senhor
que Tu me dás para caminhar?
Um cajado que não tem fim,
que não se esgota no uso,
e não se esgota no tempo,
que pode ser frio e calor,
quer de noite, quer de dia,
a dormir ou acordado,
que transmite confiança,
e faz viver a esperança,
de saber que o tenho comigo,
sempre que eu quiser.
Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Este cajado tão forte,
tão eterno e tão presente,
sei-o agora,
Senhor
porque Tu mo queres mostrar.
Vem do Teu Coração,
como fonte a jorrar!
Este cajado,
Senhor,
que a mim e a todos dás,
é a vida,
é a paz,
é o Teu eterno Amor.


Monte Real, 9 de Junho de 2010
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Um blogue que recomendo vivamente!
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quinta-feira, 3 de junho de 2010

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO

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Fico-me assim, espantado, olhando para aquele “pedaço de Pão”, imaculado, o coração aberto, mais do que a boca escancarada.

És Tu que ali estás Senhor, mas não Te vejo com os olhos do corpo, (impedidos de Te verem), mas com o amor do coração, (que Tu lá colocaste, Senhor).

Quero ver-Te, Senhor, quero acreditar-Te, Senhor, quero adorar-Te, Senhor, mas pobre humanidade minha que me quer negar o que o espírito me diz: Tu estás ali, Senhor, vivo e presente, todo entregue, todo amor!

Deixo-me seduzir por Ti, abrem-se os meus olhos á «fracção do Pão», e o espírito vai-se fazendo, (por Tua graça), um com o corpo, e assim já é toda a minha humanidade que Te vê, que Te acredita, que Te adora.

Digo baixinho, para dentro de mim, «eu não sou digno», mas Tu respondes-me firme no amor, «és digno sim, porque sou Eu quem te dá a dignidade»!

Como posso eu, Senhor, não aceitar essa dignidade que Tu me dás para Te poder receber e seres o meu alimento de vida?

Retorno á minha frase inicial, Senhor, para perceber que para Te receber é muito mais preciso o coração aberto do que a boca escancarada!

E Tu vais guiando e dizendo ao meu pobre coração admirado: «Abre-te coração, mas para Te abrires a Mim, tens de te abrir a todos».

Que Mistério, que loucura, Aquele que é Deus, faz-se «pedaço de Pão», entrega-se como alimento e vai dizendo a cada um: «Não Me podes receber, se não receberes os outros!»

Assim tão simples, tão humilde, a colocares-Te tão igual a cada um, a fazeres-Te tão presença em cada um, porque «queres ser Um em todos, para que todos sejam um em Ti».

Queres assim, Senhor, que cada um seja sacramento para os outros, porque o Sacramento é a Tua presença viva no meio de nós.

Fico-me assim, Senhor, exaltado em adoração, perante o Teu Mistério e peço-Te humildemente: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Lc 24, 29



Marinha Grande, 3 de Junho de 2010

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

A GRAÇA DO PERDÃO

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Num destes dias enviaram-me uma mensagem que contava a história que abaixo reproduzo.

Conta uma história que dois amigos caminhavam pelo deserto. Num determinado momento da viagem, começaram a discutir. Um dos amigos deu uma bofetada no outro. Magoado, mas sem dizer nada, escreveu na areia: “Hoje o meu melhor amigo deu-me uma bofetada!”

Continuaram a caminhar até que encontraram um oásis. Decidiram tomar banho. O amigo que tinha sido esbofeteado começou a afogar-se, mas o seu amigo salvou-o. Depois de recuperar-se, escreveu numa pedra: “Hoje o meu melhor amigo salvou-me a vida!”

O amigo que tinha dado a bofetada e salvo o seu melhor amigo, perguntou: “Quando te magoei escreveste na areia. Porquê?”
O outro amigo respondeu: “Quando alguém nos ofende devemos escrever na areia, onde os ventos do perdão possam apagá-lo. Mas quando alguém faz uma coisa boa, por nós ou para nós, devemos gravá-la na pedra, onde nenhum vento possa apagá-lo”.

Fiquei a pensar nesta história, em como ela retrata bem, (ao contrário), esta situação nas nossas vidas.

Com efeito, quando alguém nos magoa, nos ofende, “guardamos” essa ofensa, essa mágoa e deixamos muitas vezes que ela tome conta da nossa vida.

Mas quando alguém nos faz bem, agradecemos na hora, talvez ainda recordemos um pouco, mas muito rapidamente esquecemos, e às vezes até com o passar do tempo começamos a desvalorizar a ajuda que nos deram, deixando que pensamentos como, “não fez mais que a sua obrigação”, ou, “eu também lhe fazia o mesmo se pudesse”, tomem conta de nós e vão apagando da nossa memória o bem que nos fizeram.

O curioso é que, quando guardamos a ofensa, a mágoa, ela vai tomando conta da nossa vida e vai crescendo na dor e na amargura, de tal modo que, muitas vezes nos começa a levar para sentimentos de vingança, ou no mínimo de sentimentos onde desejamos que aquele, ou aquela que nos fez mal, sofra também o que nós sofremos, ou talvez até mais um pouco.

Assim, normalmente o que fazemos é “escrever o mal que nos fazem na pedra, e o bem que nos fazem na areia”.

Percebemos então que somos muito mais vulneráveis ao mal, e à tentação que ele nos traz, do que apegados ao bem, e ao amor que ele nos quer fazer viver.

Mas o que é interessante e que nós a maior parte das vezes não nos apercebemos, é que o mal, a falta de perdão, quando o permitimos, nos vai envenenando a vida, nos vai tornando amargos, rancorosos, não só com quem nos ofendeu, mas também com aqueles que nos rodeiam, e que por isso mesmo se vão afastando de nós.
Por outro lado o bem, se o guardamos, traz-nos alegria, paz, serenidade e vontade de viver, que se vai transmitindo àqueles que nos rodeiam e os torna também a eles mais felizes e desejosos de estarem connosco e partilharem connosco as suas alegrias e tristezas.

Sabemos tudo isto, sentimo-lo sem dúvida, e no entanto quando somos ofendidos a nossa primeira reacção não é normalmente o perdão.

E no entanto se fosse, seriamos bem mais felizes!!!

Monte Real, 31 de Maio de 2010
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segunda-feira, 24 de maio de 2010

PEQUENEZ!

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Disseram-me ontem, Senhor, que eu sou muito grande e tapo a vista aos outros.
Não que isso me incomodasse, pois tenho-o ouvido tantas vezes, e em tantos momentos da minha vida.

Mas fiquei a pensar nisso, até porque naquela altura respondi com um sorriso a quem mo dizia:
«Sabe, tenho tentado como João Baptista diminuir, para que Ele cresça, mas pelos vistos não tenho conseguido.»

E agora, Senhor, fiquei mesmo a pensar se eu serei “realmente grande”, ou melhor, se ainda me acho “grande”, e assim sendo não deixo que Tu cresças em mim.

Era uma procissão, Senhor, e queriam ver a imagem de Tua Mãe que passava, vinda da Capelinha das Aparições para Leiria, e não conseguiam porque eu lhes tapava a vista.

E eu fico a pensar:
Será que nessa minha “grandeza”, eu não deixo que os outros vejam que estás em mim, como neles também?
Será que sou eu que apareço muito mais, do que Tu apareces em mim?
Será que eu dou muito mais testemunho de mim, do que eu faço, do que testemunho a Tua presença na minha vida e das maravilhas que fazes em mim?
Será que eu acho que sou capaz de fazer alguma coisa, se não fores Tu a fazer em mim, na minha disponibilidade e entrega a Ti e aos outros?
E será que eu estou disponível para Ti e para os outros?

Ah, Senhor, que ao olhar para dentro de mim, afinal ainda vejo mais o meu tamanho exterior, do que a minha pequenez interior, e por isso mesmo, Senhor, em vez de Te “mostrar” em mim, ainda tapo a vista aos que querem “ver-Te”!

Perdoa-me, Senhor e deixa que faça minha a oração de João Baptista, «Ele é que deve crescer, e eu diminuir.» Jo 4,30.
Que esta oração saia do meu coração como um compromisso assumido, que só se tornará realidade se eu for realmente disponível e entregue à Tua presença em mim.

Então, Senhor, serei tão pequeno que ninguém me verá, mas por Tua graça, somente verão a Ti.

Monte Real, 24 de Maio de 2010
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segunda-feira, 17 de maio de 2010

BENTO XVI - 2

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Desde a chegada a Lisboa, a Missa no Terreiro do Paço, a oração na Capelinha das Aparições, a entrada na igreja da Santíssima Trindade, (onde ansiosamente o esperávamos), a Missa no Porto e a despedida, que vou olhando para a figura, para a presença de Bento XVI, tentando perceber o que ela me faz sentir, o que ela me provoca, ouvindo as suas palavras e querendo deixar que elas me apontem caminho, me façam ver aquilo que ainda não vi e preciso ver, na minha caminhada de conversão diária.

E “vejo”, “vejo” claramente a passagem bíblica da “tempestade acalmada”, Mc 4, 35-41

A barca, (a Igreja), no meio da tempestade, as ondas alterosas atirando-se contra ela, fustigando-a de todos os lados, e «Jesus, à popa, dorme sobre uma almofada.» Mc 4, 38

Os homens estão cheios de medo, não sabem o que fazer, olham uns para os outros, interrogando-se nos olhares sobre como vencer aquela tempestade.

E Jesus dorme!

Jesus dorme, porque há uma diferença nesta passagem, tal como a “vejo” agora!

É que no meio da barca, serenamente, está um homem de pé, de branco vestido, que aponta o caminho, que diz aos homens como fazer, para não perecerem na tempestade.

Com uma humildade desconcertante, mas com uma firmeza constante, ensina como navegar, como aproveitar os ventos alterosos, como dominá-los, como converte-los em ventos de feição, em ventos de crescimento, em ventos de fazer caminho.

Não se perturba, o seu olhar é tranquilo, o seu sorriso é constante, as suas palavras são firmes, mas repassadas de amor, e de todo ele emana uma paz que se vai transmitindo aos outros.

Vai explicando que na barca há alguns que navegaram e navegam contra corrente, que se afastaram, e afastam da rota de marear, mas que é preciso retornar ao caminho, à rota inicial, àquela que leva a bom porto.

E calmamente vai dizendo que todos cabem na barca, os que foram prejudicados por uma rota errada, e também aqueles que erraram a rota.

A uns é preciso acolhê-los e amá-los, tentando dar-lhes o que lhes tiraram.
Aos outros é preciso fazê-los sentir que erraram, mas que ainda há tempo de corrigir a rota, e encontrar a navegação certa.

É que a barca é grande e tem muitos compartimentos, onde todos e cada um são precisos, com missões diferentes, mas todos trabalhando para a mesma navegação que fará chegar a barca a porto seguro.

A tempestade continua, as ondas ainda se abatem sobre a barca, mas os homens na barca começam a ganhar mais confiança, porque aquele homem de pé, de branco vestido, lhes transmite essa mesma segurança, quando lhes diz:
Não temais que esta barca nunca se afunda!

Fitam-no, alguns surpreendidos, outros incrédulos ainda, mas olhando-o nos olhos perguntam-lhe:
Como podes tu ter tanta certeza que a barca nunca se afunda?

E ele sorrindo, num sorriso tranquilo e confiante, aponta-lhes a popa da barca e diz-lhes em voz firme:
Não vedes que Ele está sempre connosco, até ao fim da viagem?!

E prossegue firme nas palavras a dizer-lhes, a dizer-nos, (é que nós também vamos na barca):
Não nos ensinou Ele a rota para o bom porto? Não nos ensinou Ele a navegar mesmo nas ondas alterosas e nos ventos contrários? Não nos disse Ele e nos mostrou ao dar a vida por nós, que nada nem ninguém pode nada contra a Barca que Ele construiu e contra as vidas daqueles que Ele criou?

E continua ainda sem desfalecimento:
Então o que esperais? Mãos à obra! É preciso voltar à rota inicial, à rota que Ele mesmo nos ensinou. Não nos disse Ele, que se n’Ele permanecêssemos, Ele permaneceria connosco? Não nos disse Ele que mandaria um Vento Novo que nos conduziria na navegação perfeita? Então deixemos que esse Vento Novo nos conduza, e poderemos ter a certeza que todos os outros ventos e todas as ondas se acalmarão, e chegaremos ao porto que não tem fim.

Olhando-nos nos olhos, diz-nos então sem uma única expressão de dúvida:
E sabeis como sei eu isto? É que Ele está ali, sempre, a dormir na popa, sem nunca nos abandonar!

Reparai, disse ainda:
Na Sua entrega por todos nós reside esta certeza de que o porto seguro nos espera e está sempre ao nosso alcance, porque neste dormir tranquilo, Ele nos diz que confia mais em nós, do que nós confiamos n’Ele. É que sabeis, Ele conhece-nos, bem melhor do que nós nos conhecemos, e nunca permite nada que esteja acima das forças que Ele mesmo nos deu!

E termina dizendo:
Confiai nisto que Ele nos diz sem cessar, «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»Mt 28, 18-20

Marinha Grande, 15 de Maio de 2010
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