terça-feira, 13 de maio de 2025

SECURA!

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Que secura é esta, Senhor, parece que Te afastastes de mim, que já não me tocas com o Teu sopro de amor, que já não sinto as Tuas palavras em mim.

Olho-Te no Santíssimo Sacramento da Eucaristia e um cansaço imenso abate-se sobre mim,

Que fiz eu, Senhor, que não me sinto transportado até Ti e por Ti?
Porque Te afastas de mim, Senhor?
Esta secura, esta fome, esta sede que não se sacia, que não sacias agora, o que quer dizer Senhor?
Acaso fiz eu o que não devia ou não me entreguei como deveria entregar?

Tudo me parece frio sem calor, sem chama.

O amor, o Teu amor, parece que não me toca, que não me move, que não me alegra.
A Tua paz, Senhor, essa paz da serenidade, do alento, da bondade, parece não estar em mim.

Não, Senhor, não estou revoltado.
Estou admirado, estou surpreso, estou sem perceber o que fazer e como fazer.

Sim, Senhor, não morreu em mim, apesar deste momento, o desejo profundo de estar Contigo, de me aninhar a Teus pés, de ouvir a Tua voz, mesmo que nada ouça, agora.

Eu acredito, Senhor, que Tu estás aqui, mesmo que os meus olhos Te não vejam, mesmo que, por agora, o meu coração não Te sinta, mesmo que esta secura me seque, me incomode, me esconda a Tua presença.

Eu sei, Senhor, que estás aqui!

Por isso abandono-me assim, sem nada sentir, sabendo que me tomas nos Teus braços e me amas apesar de tudo o que eu não possa ver, nem sentir.

Se me provas, Senhor, então deixa que Te diga que apesar de mim e de tudo o que agora não sinto, eu Te amo com todo o amor de que sou capaz, com toda a força, que afinal me vem de Ti, apesar de mim e do que neste momento sinto e vivo.

Sou Teu, Senhor, mesmo no deserto do meu sentir, do meu ouvir, do meu pobre rezar.

Abraça-me, Senhor, porque eu preciso de Ti.





Garcia, 12 de Maio de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

sexta-feira, 9 de maio de 2025

O MEU PAPA

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Já decidi que o meu Papa é Leão XIV!
Está decidido e já não mudo de opinião.

E porque é que ele é o meu Papa?
Porque foi escolhido pelo Colégio de Cardeais reunidos no Conclave, em Igreja.

Aliás Leão XIV é o meu Papa porque Pedro é o meu Papa.

Portanto e resumindo só tenho dois Papas: Pedro e Leão XIV.

Claro que no tempo da minha vida houve outros Papas, desde Pio XII até Francisco, mas neste tempo em que vivo tenho apenas estes dois Papas: Pedro e Leão XIV.

Acredito que pela voz dos Cardeais eleitores também Jesus disse a Leão XIV:
«Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.» Mt 16, 18-19

Gostei do sorriso, da emoção sincera, da simplicidade digna, das primeiras palavras, enfim de tudo, mas nada disso o fizeram mais meu Papa do que já era a partir do “Habemus papam” e da frase “qui sibi nomen imposuit Leonem XIV”.

A centralidade das primeiras palavras em Cristo Ressuscitado e na Sua paz para os homens, (que não é a paz dos homens), encheram o meu coração.

Leão XIV conta a partir de hoje com as minhas pobres orações diárias, sobretudo pedindo que o Espírito Santo o ilumine e lhe dê forças para conduzir a Igreja, para nos conduzir em Igreja, à Verdade revelada em Jesus Cristo, no amor do eterno Pai.

“O Espírito Santo, que é o espírito da verdade, porque procede do Pai, Verdade eterna, e do Filho, Verdade substancial, recebe de ambos, juntamente com a essência, toda a verdade que depois comunica à Igreja, assistindo-a para que nunca erre, e fecundando os germes da revelação até que, no momento oportuno, atinjam a maturidade para a saúde dos povos. E como a Igreja, que é o meio de salvação, deve durar até o fim dos tempos, é precisamente o Espírito Santo que nutre e aumenta a sua vida e virtude: «Eu rogarei ao Pai, e ele vos enviará o Espírito da verdade, que permanecerá convosco para sempre»”
Carta Encíclica Divinum Illud Munus de Leão XIII




Marinha Grande, 8 de Maio de 2025
Joaquim Mexia Alves

domingo, 4 de maio de 2025

MÃE!

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Neste Dia da Mãe, (que para mim será sempre dia 8 de dezembro), começo por uma declaração da minha parte: Sou pai!

Ou seja, sou pai, amo os meus filhos, julgo eu, com amor idêntico ao de sua mãe, mas realmente nunca passei pelas dores de os ter, a não ser aquelas que se têm por simpatia e por amor.

Dito isto poderia escrever sobre a minha mãe e não teria nunca palavras suficientes para o fazer.

Escrevo então sobre as mães, todas mães, tendo no meu pensamento aquelas que fazem parte da minha vida.

E sei lá eu bem o que é ser mãe?!

Mas sei, sem dúvida, o que é ser filho, e por isso mesmo posso afirmar, penso eu, que ser mãe é ser vida para os filhos, sendo também vida dos filhos.

Ser mãe, penso eu, é ter uma extensão de si própria, que acaba por não ser extensão, mas sim vida da sua própria vida.

Ser mãe é viver a vida dos filhos vivendo a sua própria vida, e muitas vezes colocando de lado a sua vida, para viver a vida dos filhos.

Ser mãe é sofrer a dor de ter os filhos, para depois de os ter, sofrer as dores que os filhos têm.

Ser mãe é dar a vida a cada passo, pela vida que já deram, no momento em que os filhos nasceram.

Ser mãe é amar com um amor tão grande e absoluto, que só Deus no Seu infinito amor pode conter em Si próprio.

Ser mãe é ser Aquela Maria, que amando o Seu Filho com todo o seu amor de mãe, O deixou entregar-se por todos os outros filhos, que o próprio Filho lhe deu.

Ser mãe é deixar de ser de si própria, para ser a vida dos filhos, que são afinal a sua própria vida.

Por isso, hoje e sempre, obrigado mãe, obrigado mães!





Dia da Mãe
Marinha Grande, 4 de Maio de 2025
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 2 de maio de 2025

O TUDO

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Hoje não tenho palavras, Senhor, não sei o que hei de escrever, embora esteja a escrever.

Sinto-Te no meu íntimo, e ao mesmo tempo sinto como que um vazio de Ti, mas eu sei, Senhor, que estás aqui, Tu não ocupas espaço, nem tempo, por isso estás sempre presente em cada momento.

És o Deus do Eu sou, Eu estou!

Não precisamos de procurar longe, porque Tu estás desde logo naqueles que Te procuram em verdade.

Tu não Te fazes encontrado, porque Tu és o próprio encontro!

És o constante, o presente, o fiel, o que abraça, que beija, que ama.

És o amor e a liberdade, a força e a vontade. o caminho e o caminhar, a vida e o viver, a fome e o alimento, a sede e a água viva, o tudo no nosso nada.

E fazes-Te assim presente neste sublime Sacramento da Eucaristia, para que Te possamos ver com os olhos do corpo, e Te se sentir com o pulsar do coração.

Tu és cada batida do nosso coração, cada gota de sangue que nos percorre, és o infinito que nos toca, és a esperança da nossa espera, a confiança da nossa entrega, a fé que nos move em cada dia.

És assim o Tudo e não chegam as palavras, nem há palavra alguma que Te defina, que Te retrate, ou minimamente Te revele.

Só a Tua Palavra, Senhor, animada pelo Espírito Santo, Te revela, porque Tu és o Verbo que veio habitar entre nós, e está no meio de nós e em nós, permanecendo para sempre.

Glória a Ti, Senhor, hoje e para sempre pelos séculos sem fim.




Garcia, 23 de Janeiro de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 28 de abril de 2025

FRUTOS

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Sou, ou somos, muitas vezes tentados, quando estamos nestas horas de adoração, a pensar que tal prática para nada parece servir, ou então que nos serve apenas a nós, que sentimos ou não o Seu amor, a Sua presença, mas que nada mais se retirará de fruto nestas horas de adoração.

Penso nestes momentos, por exemplo, nas Irmãs Clarissas ou outras ordens religiosas, que vivem e adoração perpétua, e pergunto-me, um pouco envergonhado, se realmente toda essa adoração, toda essa contemplação, toda essa oração, produz frutos para além daqueles que a praticam, que a vivem.

Coitado, pobre de mim, queria então saber quais as graças que o Senhor pode derramar em alguém, porque alguns se dedicam, se entregam, à adoração ao Santíssimo, em silêncio.

E penso também, que se soubesse que estas horas de adoração, produzem frutos noutrem, me poderia orgulhar e envaidecer por pensar que teria algum mérito nisso.

Mas a verdade é que acredito que estas horas de adoração, como a adoração perpétua, feita em tantos lugares, por todo o mundo, produz frutos e frutos abundantes na humanidade e na igreja, que só Ele sabe quais são.

Assim remeto-me à minha insignificância, e penso que é bem melhor nada saber, e apenas agradecer tudo o que ele faz em mim nestes momentos, e na minha vida em cada dia que passa.

Aliás, prefiro até dizer-Lhe, olhos nos olhos, que não leve em conta a minha fraqueza, a minha fragilidade, as minhas dúvidas, muito provavelmente, a minha insinceridade, mas sim que, apesar de mim, derrame as Suas graças naqueles que mais precisam.

Que aproveite, (oh, sim, e Ele aproveita), todos os momentos em que tantos e eu também, Lhe entregamos a vida, o coração, nestes tempos de adoração, e os transforme em bênçãos para aqueles que mais necessitam.

Ah, se soubéssemos o que o Senhor faz com os momentos de adoração de cada filho, de cada filha, não cessaríamos nunca de adorar em permanência o Santíssimo Sacramento da Eucaristia.




Garcia, 24 de Fevereiro de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 21 de abril de 2025

PAPA FRANCISCO

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Morreu o Papa Francisco!
Rezo por ele hoje, como rezei todos os dias do seu pontificado.
Era um homem bom, acredito firmemente que imbuído sempre do enorme desejo de servir a Cristo, servindo os homens em Igreja.
Foi o “meu” Papa como todos os anteriores foram os “meus” Papas.
Em algumas coisas não estive de acordo com ele, mas duas coisas sempre falaram mais alto, para que eu curvasse a cabeça e obedecesse: Porque era o Bispo de Roma escolhido para liderar a Igreja, servindo a Deus, servindo os homens e, em segundo lugar, pela simples constatação de que eu não sou nada, nem ninguém, para colocar em causa as suas decisões, a sua obra.
O que sempre me tocou nele foi a proximidade às pessoas e a nítida vontade de querer edificar uma Igreja para todos aqueles que a quisessem procurar em verdade.
E isso faz-me sempre lembrar, sem dúvida, as primeiras comunidades cristãs que se amavam entre eles, mas amavam também aqueles que ainda procuravam Jesus Cristo com sinceridade de coração.
Era eu ainda bastante novo e pouco consciente das coisas da Igreja, quando aconteceu o Concilio Vaticano II, mas já nesse tempo algumas coisas não foram entendidas como deveriam ser, por muita gente.
O tempo, guiado pelo Espírito Santo, se encarregou de conduzir as reformas de modo a construir uma Igreja mais fraterna e actual.
E é exactamente nisso que acredito que o Espírito Santo fará com a obra do Papa Francisco
Deus lhe dê o descanso no eterno amor de Deus que ele tanto, com certeza, merece.



Marinha Grande, 21 de Abril de 2025
Joaquim Mexia Alves

sábado, 19 de abril de 2025

O MELHOR RÉU

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Senhor, desculpa, mas Tu és o melhor réu em tribunal, mas ao mesmo tempo o mais desconcertante.

Quando Te querem prender, em vez de fugires, ainda vais ter com os que Te vão prender, apresentas-Te a eles confirmando a Tua identidade, e até o fazes segunda vez, para que não haja dúvidas, facilitando o seu trabalho.

Aliás, ainda curas um dos teus captores, que tinha sido ferido pela espada, em Tua defesa.

Depois, vais sem resistência, para que Te apresentem àqueles que Te vão julgar.

Quando Te acusam de afirmares seres o Filho de Deus, em vez de negares tê-lo dito, voltas a confirmar que o disseste e, mais ainda, que és mesmo o Filho de Deus.

Seguidamente acusam-te de afirmares ser o rei dos judeus, e mais uma vez Tu confirmas que sim, que és Rei.

De tal modo a Tua resposta é desconcertante, que esse Teu julgador fica tão atrapalhado, que logo diz não encontrar nada de culpável em Ti.

Vem um novo julgador que Te faz muitas perguntas e Te pede um milagre.

Mas Tu nada respondes, e nem um pequeníssimo milagre Tu fazes, para que reconheçam o Teu poder, dando assim azo a que continuem a condenar-Te.

Regressado ao segundo julgador, pretendem trocar a Tua liberdade pela de um confesso assassino e, mais uma vez, nada argumentas, nada invocas, em Teu favor, deixando que esse seja solto em Teu lugar.

Perante a pergunta que Te é dirigida - “que é a verdade?” - nada voltas a responder, pois sabes bem que não vale a pena mostrar a Verdade que Tu és, a quem está cego à Verdade.

Por fim deixas-Te levar a uma tortura insuportável, carregas a Cruz, (que não é Tua), sobre os Teus ombros, para nela morreres, por amor, só por amor.

Sim, Senhor, és verdadeiramente “culpado”, és verdadeiramente um réu de amor, que se entrega por amor, por todos nós, até por aqueles que Te condenam.

Não precisavam, sequer, de Te perguntar se eras culpado de amar sem limites a todos por igual, porque a Tua resposta seria sem dúvida: Tu o dizes!




Marinha Grande, 18 de Abril de 2025
Joaquim Mexia Alves

Nota:
Inspirado pela homília do Padre Patrício Oliveira, meu pároco, na Quinta Feira Santa.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

MORRER DE AMOR! - Tríduo Pascal 2025

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Vejo-Te a caminhar para Jerusalém e longe de estares triste ou desanimado, há uma paz e uma alegria serena que habitam o Teu coração.

Vais dar-Te, entregar-Te todo em doação, por aqueles que Tu mais amas!

E sabes por tudo o que vais passar, Senhor, porque assim Te é dado conhecer, mas nem mesmo isso Te faz entristecer, Te demove da Tua obediência ao Pai que Te olha com o infinito amor que Vos percorre no Espírito Santo.

Talvez se possa ver no Teu olhar uma névoa de tristeza, mas não é por Ti ou por tudo o que vais sofrer, é sim por aqueles que, apesar da Tua entrega, Te vão rejeitar e rejeitar a salvação que Tu lhes vais alcançar.

Comes com os Teus essa última refeição, que acabas por transformar em refeição eterna para queles que de Ti se vão querer alimentar.

Então oras.

Tu estás sempre a orar, Senhor, porque Tu, afinal, és a própria oração.

Depois com um beijo, um símbolo de amor, és traído e entregas-Te àqueles que verdadeiramente nada podem contra Ti, mas acredito, Senhor, que ainda lançaste o Teu olhar de amor e perdão àquele que Te traiu.

Humildemente, como só Tu sabes proceder, ouves as acusações iniquas que Te fazem e nada respondes, porque sabes que as Tuas respostas nunca serão aceites por aqueles que, decididamente Te querem rejeitar.

Apenas afirmas, ao Teu jeito de responder, que és a Verdade, mas eles não a podem ver, porque estão cegos à Luz que Tu és.

Humilham-te, escarnecem de Ti, batem-Te, e finalmente fazem-Te carregar a Cruz na qual Te vão crucificar.

Cais por terra com o peso da Tua Cruz, que somos nós, afinal, mas logo Te levantas e continuas o caminho da Paixão, que queres seguir por todos nós, pecadores.

Os cravos rasgam-Te as mãos e os pés, mas nem um queixume se Te ouve, apenas me parece ouvir-Te dizer baixinho, repassado de amor: É por ti, meu filho! É por todos vós!

Mas ainda nos dás mais, porque na pessoa do Teu discípulo amado, fazes nossa Mãe a Tua Mãe, para que Ela sempre nos lembre de fazermos tudo o que Tu nos disseres, em cada momento das nossas vidas.

Finalmente entregas-Te ao Pai, (não sem antes Lhe pedires perdão por todos nós), baixas a cabeça e exalas o Teu último suspiro, que é o Espírito Santo derramado em todos nós.

Rompe-se o tempo, ou melhor, o tempo fica em espera, enquanto a morte vai sendo vencida pela Vida.

Então sim, recomeça o tempo, que já não é igual ao tempo que era, porque se torna eternidade na Tua Ressurreição!







Marinha Grande, 17 de Abril de 2025
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 14 de abril de 2025

QUARESMA 2025 XII

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Aqui, Jesus amado, neste momento de encontro Contigo, abro-me ao Teu amor, deixo-me tocar por Ti, e anseio apenas viver-Te e fazer a Tua vontade.

Aqui, frente a Ti, recordo o que sempre nos dizes: «Nem uma hora pudeste vigiar?» Mc 14, 37

Aproxima-se a Semana Santa.

Já percorres, Senhor, os caminhos em direção a Jerusalém, onde o Teu amor por nós, Te levará à entrega total nas mãos daqueles que Te querem matar.

Permite, Jesus amado, que eu faça este caminho Contigo, pobre de mim pecador, para viver verdadeiramente a Tua entrega por mim, por todos nós.

Permite que eu seja o burrinho com que entras em Jerusalém, permite eu seja como um cãozinho debaixo de Tua mesa da Última Ceia, comendo as Tuas migalhas, permite, Jesus amado, que eu seja um Cireneu e Te ajude a levar a Cruz, que é afinal a soma de todas as nossas cruzes.

Olha para mim, Jesus amado, como olhaste para Pedro que Te negou três vezes, para mim pobre pecador, que Te nego incomparavelmente mais vezes, todos os dias.

Permite, Jesus amado, que me aproxime de Ti na Cruz, e que ali fique a contemplar-Te e a chorar por Ti, ou melhor, a chorar por mim e por todos nós, que Te colocamos na Cruz.

Permite, Jesus amado, que como o centurião, Te reconheça como o Filho de Deus feito Homem para nos salvar.

Que poderei eu, Senhor, fazer para aliviar a Tua dor por tantos filhos Teus que se perdem?

Entrego-me tão só nas Tuas mãos, Jesus amado, nelas deposito a vida Tu mesmo me deste, e peço-Te que a aceites por aqueles que não Te aceitam, por aqueles que não te conhecem nem querem conhecer, por todos aqueles que conhecendo-Te, Te rejeitam.

Abandono-me a Ti sabendo que a viagem começou e não acaba nunca, a não ser no encontro definitivo com o Teu amor.





Garcia, 10 de Abril de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quinta-feira, 10 de abril de 2025

QUARESMA 2025 XI

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Hoje, Senhor, dizes-nos muito claramente pela Tua Palavra: «Eu sou a luz do mundo»

Aqui, frente a Ti, posso ser testemunha da Tua luz.

E é dessa luz e nessa luz que quero, que queremos viver.

Tu chamas-nos, Senhor, a sermos também luz no mundo.

Somos luz com a Tua luz, ou melhor, conTigo e em Ti, que és a verdadeira luz.

Ser luz no mundo é ser testemunha da luz que és Tu, Senhor.

Somos nós, sou eu, verdadeiras testemunhas da Tua luz, Senhor?

Reflectimos a Tua luz, ou julgamos nós, de quando em vez, que temos a nossa própria luz?

A Lua não tem luz própria, apenas reflete a luz do Sol.

Assim também nós não temos luz própria, mas apenas podemos refletir a luz que que nos vem de Ti, que és a verdadeira luz.

E só essa Tua luz é que ilumina e guia.

Só essa Tua luz é que é caminho Teu, e para Ti.

A luz que muitas vezes pretendemos ter, apenas aponta para nós próprios e, como tal, não é caminho, mas apenas obstáculo ao caminho.

Aqui, junto de Ti no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pergunto-me se realmente dou testemunho verdadeiro da minha fé na Tua presença real na Eucaristia.

Afinal a Eucaristia tem que ser o centro da nossa vida cristã, da nossa fé, porque a Eucaristia és Tu, Senhor, realmente presente para nós.

Quando penso na “nossa” fé, pergunto-me se a minha fé é a fé da Igreja, ou é uma fé que eu tenho à minha medida.

É que se não for a fé da Igreja, então não posso refletir a Tua luz, nem posso ser testemunha da Tua presença real na Eucaristia, do Teu infinito amor por todos nós.

Faz, Senhor, que eu seja humilde como a Lua e apenas reflita a Tua luz, o Teu amor, a Tua presença em mim e no meio de nós, na Eucaristia.

Faz-me espelho, Senhor, que reflita a Tua luz, espelho que apenas reflete, mas não se faz notado.






Garcia, 7 de Abril de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

terça-feira, 8 de abril de 2025

QUARESMA 2025 X

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Aqui estou, mais uma vez, frente a Ti sobre o altar.

Olhas para mim e eu envergonhado baixo os olhos.

Quem sou eu para olhar para Ti?

As Tuas mãos levantam-me a cabeça e o Teu olhar penetra o meu.

Sinto-me inundado de amor!

Sinto que neste momento nada me falta, porque tudo está preenchido pelo Teu amor.

Dizes-me ao ouvido, num murmúrio terno: Este momento deves vivê-lo sempre, porque o Meu amor está sempre contigo, mesmo quando te afastas de Mim.

Eu quero acreditar, eu quero ir mais além deste momento, eu quero viver-Te, Jesus, em cada tempo da vida que me deste.

O Teu amor inunda-me, preenche-me, envolve-me, quase me assusta de tão presente vivo e forte ele é!

Baixo os olhos mais uma vez, e cheio de amor, sussurro:
Obrigado Jesus, obrigado Senhor!






Garcia, 3 de Abril de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 2 de abril de 2025

QUARESMA 2025 IX

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Obrigado, Senhor, porque quiseste fazer-Te presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia para que todos Te pudessem ver, Te pudessem sentir, Te pudessem adorar na humildade da hóstia consagrada.

E que paciente Tu és, Jesus, que estás horas infindas no sacrário esperando que alguém Te visite, para assim Te fazeres presente na vida daqueles que Te procuram em espírito e verdade.

Não preciso de Te dizer, Senhor, que eu não sou nada paciente, pois Tu conheces-me bem melhor do que eu me conheço.

Nem sequer em tudo aquilo que Te peço em oração, pois quero que tudo me seja dado de um momento para outro, sem cuidar de discernir primeiro se é de Tua vontade conceder-me o que Te peço.

O pior, Senhor, é quando essa minha impaciência é visível aos outros.

Quando tenho atitudes de incómodo por uma homília mais longa, quando encolho os ombros por um conselho repetido, quando o meu olhar endurece pela falta de paciência porque alguém não faz algo como eu acho que deve ser feito.

Quando tenho gestos e expressões de enfado para com aqueles que falam comigo e de quem eu já conheço o discurso repetitivo.

Como se Tu não ouvisses de mim, permanentemente, as mesmas coisas e não as guardasses no Teu coração, olhando-me com o Teu doce olhar.

Mas eu quero que tudo seja como eu quero, e quando demora mais tempo a acontecer, logo julgo que não queres saber de mim.

Então, pacientemente, vais-me dando sinais, para que eu perceba se o que peço é de Tua vontade, ou seja, se é bom para mim ou para aqueles por quem peço.

E eu, impacientemente, vou desdenhando desses sinais, porque a impaciência me tolda o discernimento.

Senhor, perdoa-me e dá-me um pouco da Tua paciência para que possa saber esperar e confiar que tudo me vem de Ti, e que Tu só me dás o que é bom e necessário para mim.

Dá-me um pouco da Tua paciência, para eu ser paciente com os outros e paciente com tudo o que acontece na minha vida.

Ajuda, Senhor, a minha paciência, para que eu saiba amar, porque o amor é paciente.




Garcia, 31 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 31 de março de 2025

QUARESMA 2025 VIII

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Na Tua presença, Senhor, vem ao meu coração uma palavra: obediência.

Reflicto e percebo que tantas vezes não obedeço ao que tu me dizes pela voz da Igreja.

Tudo aquilo que não me agrada, que não faz parte do que eu penso, tantas vezes critico e rejeito no meu dia a dia.

Percebo agora, Senhor, a minha presunção de julgar que sei melhor a Tua vontade para a Igreja, do que a própria Igreja.

Pobre de mim, pecador, convencido de uma qualquer auto-suficiência.

Curiosamente ou não, a palavra obediência, vem acompanhada no meu coração pela palavra amor.

Obedecer por amor!

Foi o que Tu fizeste, Senhor, quando obedeceste à vontade do Pai e desta vida por nós!

Que graças sem fim foram derramadas nos nossos corações por essa obediência feita amor, o por esse amor feito obediência.

Como pois quero amar, ou dizer que Te amo, se não Te ouvir quando me falas pela voz da Igreja e a Ela não obedeço?

E se não obedeço à Igreja, como posso ser Igreja, como posso ser comunhão com os outros, como posso eu ser pedra viva que constrói a Tua Igreja?

Eu sei, Senhor, que obedeço na maior parte do tempo a tudo o que a Igreja me diz, mas a verdade é que muitas vezes me rebelo contra aquilo que não entendo ou não quero entender.

Afinal, Tu «fazes novas todas as coisas», e tantas vezes eu sou avesso às coisas novas.

Quem sou eu para julgar que sei mais, que não preciso obedecer, e se não obedeço, é porque ainda não sei amar como Tu queres que eu ame.

Abre o meu coração, Senhor, à humildade, para que obedecendo, ame, e para que amando, obedeça.

Para Tua glória, Senhor, para Tua glória, sempre.





Garcia, 27 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quinta-feira, 27 de março de 2025

QUARESMA 2025 VII

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Frente a Ti, Senhor, em adoração, pergunto-me como está a minha confiança em Ti.

É tão fácil dizer da “boca para fora” que confio em Ti e que em tudo aceito a Tua vontade.

Mas a verdade, Senhor, é que quando tudo corre bem, essa confiança em Ti é mais uma constatação do óbvio, do que o reconhecimento que Tu me dás a mão e me levas a viver esses momentos.

Talvez por isso, Senhor, peço-Te tanto e tão pouco Te agradeço.

Reconheço que as minhas orações deveriam ser mais de louvor e agradecimento do que orações de petição e de lamento.

E onde está a minha confiança em Ti, Senhor, quando a vida não me corre como eu desejo ou quando as provações e dificuldades acontecem?

Esta confiança de que falo, Senhor, não é confiar que me livras das provações e dificuldades, mas sim a confiança de crer firmemente que estás comigo, me dás a mão, e me ajudas a ultrapassar e a vencer os maus momentos.

A confiança que devo ter em Ti, Senhor, é acreditar que estás comigo e me dás as “ferramentas” necessárias para eu vencer as provações da vida sejam elas quais forem.

É a confiança que assenta no amor, no Teu amor, confiar que amando-me como Tu amas, com amor infinito, nada me faltará do que for realmente importante para a vida que me deste.

Mas soçobro tantas vezes, Senhor!
Tantas vezes me pergunto, perante as dificuldades, onde estás Tu, se me esqueceste e abandonaste.

Perdoa, Senhor, esta minha pobre fé e ajuda-me, ensina-me a acreditar que estás sempre comigo e nunca me abandonas.

Faz-me perceber que Tu queres que eu faça a minha parte, e não apenas esperar que Tu tudo faças.

Ajuda, Senhor, a minha fé.
Ajuda, Senhor, a minha confiança.
Ajuda, Senhor, a minha esperança.
Que seja sempre feita apenas e só a Tua vontade.




Garcia, 24 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 24 de março de 2025

QUARESMA 2025 VI

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Mais uma vez aqui junto a Ti, Senhor, olhando para Ti, recebendo de Ti, tentando deixar-me conduzir pelo Espírito Santo, para estar Contigo no amor do Pai.

Hoje reflito sobre as minhas distrações na oração.
Tantas vezes, Senhor, que quero rezar, mesmo nestes momentos de adoração, e a minha mente divaga por coisas que acontecem, coisas que desejo, coisas que vejo, enfim, coisas do mundo.

Quero concentrar-me em Ti, na oração, mas passados uns breves momentos iniciais, os meus pensamentos distraem-me de Ti e tornam a minha oração mais “mecânica” do que vivida.

Senhor, como posso eu controlar estas distrações que irrompem permanentemente em mim?

Parece que ainda são maiores, mais frequentes, quando quero estar Contigo mais intimamente, quando quero entregar-me à oração.

Sabes, Senhor, que a minha vontade é estar Contigo, escutar-Te no meu coração, fazer a Tua vontade e, no entanto, todos estes pensamentos têm muito mais a ver com a minha vontade, e com tantas coisas que cruzam a minha vida.

Eu sei, Senhor, eu acredito, que Tu lês a intenção do meu coração, e só isso me deveria bastar para confiar que recebes com amor, todo o pouco que Te dou de mim.

E se essas distrações se transformassem em razão de oração?
Se essas distrações, esses pensamentos, que são no fundo aquilo que vivo ou julgo querer viver, fossem razão para eu discernir em oração a Tua vontade sobre tudo isso na minha vida?

Então talvez essas distrações passassem a ser também um modo de Te escutar e tentar perceber a Tua vontade para mim.

E mesmo que sejam distrações diferentes, como ruídos, chuva ou vento ou tantas coisas mais que me podem distrair, então louvar-Te por elas e fazer delas um motivo para Te agradecer tudo o que me mostras e fazes em mim e por mim.

Perdoa, Senhor, as minhas distrações e pensamentos, e recebe-as amorosamente com as pequenas ou grandes fraquezas que tenho, mas quero corrigir segundo a Tua vontade.

Sempre para Te adorar, louvar e amar acima de tudo, Senhor.




Garcia, 20 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quinta-feira, 20 de março de 2025

QUARESMA 2025 V

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Diante de ti, Senhor, leio e medito no Evangelho de hoje, luz em mais este dia de caminhada Quaresmal.

Oh, Senhor, o que seria de mim se me julgasses com a severidade com que tantas vezes eu julgo os outros?
Se me condenasse como tantas vezes condeno os outros?
Se não me perdoasses ou fosses lento a perdoar, como tantas vezes eu faço com os outros?

E afinal quem sou eu, Senhor, para julgar os outros, para condenar os seus actos, quando tantas e tantas vezes caio nos mesmos erros e fraquezas?

Tantas vezes deixo os meus pensamentos criticarem meu irmão, julgarem as suas atitudes, sem ter em conta que eu sou tão pecador como ele ou até talvez mais do que ele.

E, no entanto, quanto erro corro para Ti, ansioso pelo Teu perdão, desejoso que não me julgues com severidade, sabendo eu, acreditando eu, que a Tua misericórdia é sempre maior que o meu pecado, quando dele me arrependo.

Como posso eu ter um coração duro e fechado ao outro, se digo que Te amo, a Ti, que a todos amas sem exceção, nem acepção.

Pobre de mim que nem reconheço as minhas fraquezas, os meus julgamentos errados, as minhas faltas tantas vezes repetidas.

Ajuda-me, Senhor, a olhar os outros com o Teu olhar de misericórdia.
Ensina-me a ver em mim os erros que aponto aos outros.
Leva-me, Senhor, a perdoar como Tu me perdoas

Nas Tuas mãos entrego o meu querer, o meu ser, o meu viver.

Não me julgues com severidade, Senhor, nem uses a medida que eu tantas vezes uso com os outros.

Em vez disso abre o meu coração, Senhor, para pesar sempre primeiro as minhas faltas e, reconhecendo-me pecador, ter sempre um olhar de compaixão para com os outros que cruzam a minha vida.

Abre o meu coração, Senhor, e habita nele, para que sejas Tu e apenas Tu, o pulsar do amor que me dá vida.






Garcia, 17 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 17 de março de 2025

QUARESMA 2025 IV

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Defronto-me agora, Senhor, frente a Ti, e nesta caminhada quaresmal pelo deserto Contigo, com a “pedra” da rotina.

Eu sei, Senhor, que para mim fraco e inconstante, a rotina é importante, para que sempre me lembre de estar Contigo, de rezar, celebrar, louvar, adorar e bendizer.

Mas a verdade, Senhor, é que, por vezes, as minhas orações diárias são mais ditas do que rezadas, são mais um hábito do que um amor por Ti, são mais uma, diria, vã repetição do que um estar ligado a Ti em oração.

E quando assim é, Senhor, reconheço que afinal estou apenas a “papaguear” palavras que o meu coração não acompanha.

Quase como um medo de que se o não fizesse, algo de mal poderia acontecer.

E Tu, Senhor, lês sempre os nossos corações, e por isso percebes bem que, nesses momentos, o meu coração está “frio” de Ti, por causa das orações que se tornam apenas rotineiras, ou seja, sem chama, nem sentido.

Reconheço, Senhor, esta minha fraqueza, fruto com certeza de algum comodismo, de alguma preguiça espiritual, não me entregando verdadeiramente ao desejo, à vontade, de estar Contigo em oração em cada momento da vida que me deste.

Perdoa, Senhor, a minha rotina, quando ela não me leva a Ti, e se torna apenas num cumprir de um hábito sem calor, sem amor, sem entrega.

Que o Espírito Santo suscite em mim uma oração sempre nova, uma vontade de rezar sempre contínua, um desejo de estar sempre Contigo, para melhor conhecer a Tua vontade e a ela me entregar.

Tu, Senhor, que «renovas todas as coisas», faz também sempre nova a minha oração.





Garcia, 13 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 12 de março de 2025

QUARESMA 2025 III

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Aqui, Senhor, perante Ti, tropeço nesta pedra desta caminhada no deserto, Contigo.

Já há muito tempo que me chamas a atenção para ela, para essa pedra em que tropeço tantas vezes, a pedra do orgulho, da vaidade, de achar que eu sou alguém importante.

Quando há dias entrei na igreja para participar da Missa, quis ir muito antes, para poder estar Contigo, para poder rezar.

E ali estava eu, para rezar, mas afinal estava atento a quem ali estava, a quem entrava, e cumprimentava toda a gente, fazendo-me visível para todos, para quê e porquê, Senhor?

Na Tua bondade, na Tua compaixão, chamaste-me a atenção para o que afinal eu estava ali a fazer, se a rezar e a estar Contigo, ou a querer ser visto ou qualquer outra coisa parecida.

Envergonhado fechei os olhos, e prometi que só os abriria quando começasse Eucaristia.

Abstraí-me do exterior, entrei mim, e pedi-Te que ficasses comigo e aceitasses a minha pobre oração.

E por esses momentos fiquei ali Contigo, ouvindo o meu coração, rezando, louvando, tentando-me fazer o mais pequeno possível.

Porque me é tão difícil, Senhor, vencer o orgulho, a vaidade, a ânsia de protagonismo?

Eu sei, Senhor, que reconheço vezes sem conta estas minhas fraquezas, mas a verdade é que se as vou vencendo de quando em vez, talvez sejam mais as vezes que nelas caio.

Ah, Senhor, se me desses uma “fórmula”, um modo de me libertar destas fraquezas, que tantas vezes me consomem e envergonham, eu seria bem mais feliz.

Peço-Te, Senhor, tantas vezes, e continuarei sempre a pedir-Te o dom da humildade.

Esta pedra que sempre reconheço em cada dia e agora neste caminho quaresmal, só a poderei “partir” à força de tantas vezes tropeçar e cair nela, por Tua graça, Senhor.

Que o Teu amor, Senhor, que a Tua compaixão, me levantem sempre que nela tropeçar e cair.

Talvez assim seja, Senhor, para que eu perceba que devo estar sempre vigilante, porque sou fraco e pecador e só em Ti posso encontrar a força para me vencer.

Tem compaixão, Senhor, deste pobre pecador que Te dá a mão neste caminho de deserto.





Garcia, 10 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 10 de março de 2025

QUARESMA 2025 II

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Nestes primeiros passos, deste caminho quaresmal, levado por Ti, Senhor, encontro a minha cruz.

Está pelo chão, porque muitas vezes eu não a coloco aos ombros, para a levar comigo.

E, no entanto, Senhor, Tu dizes-nos que devemos tomar a nossa Cruz para Te seguirmos.

Reflicto, Senhor, que muitas vezes sou mais rápido a querer ajudar os outros a levarem as suas cruzes, do que me apresto a levar a minha.

Talvez, Senhor, ou de certeza, porque reconhecer as cruzes dos outros, ou pensar que as reconheço, ser bem mais fácil do que reconhecer a minha própria cruz.

E nesta reflexão, Senhor, não penso nas tribulações e provações da vida do dia a dia, mas sim nas fraquezas, nos defeitos, nos erros tantas vezes cometidos.

Realmente é tão mais fácil dar conselhos, como quem ajuda os outros a levar a cruz, do que ouvir conselhos ou, se quer, aplicar os conselhos que dou a mim próprio.

Como posso eu querer ajudar outros a levarem as suas cruzes, se deixo a minha pelo chão e não a aceito na minha vida?

Esta cruz em que penso, é a cruz dos meus pecados cometidos, das tais pequenas faltas que repito diariamente e, tantas vezes, não as quero reconhecer ou reconhecendo-as, não faço tudo para as ultrapassar e para as vencer.

Realmente, Senhor, é tão mais fácil ver a cruz dos outros e querer ajudá-los a levá-las, como se isso substituísse a necessidade imperiosa de colocar a minha cruz aos ombros e transportá-la em cada dia da minha vida.

Ajuda-me, Senhor, nesta Quaresma, a reconhecer a minha cruz, a colocá-la sobre os meus ombros e a levá-la com todo o amor, e então sim, poderei ajudar outros a levarem também as suas cruzes.

Ajuda-me, Senhor a encontrar-me verdadeiramente, porque encontrando-me, encontro-Te a Ti em mim.





Garcia, 6 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 5 de março de 2025

QUARESMA 2025 I

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Leva-me Contigo, Jesus, até ao deserto.

Tu não precisas do deserto, mas eu preciso muito, e preciso da Tua companhia, mais do que da Tua companhia, preciso da Tua ajuda para encontrar as minhas pedras no caminho.

Peço-Te, Jesus, que apenas me dês água, quando levado por Ti, encontrar cada fraqueza que vive em mim, delas tome consciência, me arrependa e tudo faça para as vencer e ultrapassar.

Leva-me, Jesus, dá-me a mão e que o Espírito Santo me mostre aquilo que está escondido em mim, e tantas vezes me leva a afastar-me de Ti.

Aquelas coisas que tenho por hábito chamar pequenas coisas, mas que acabo por repetir tantas vezes em cada dia.

Neste caminho pelo deserto, Jesus, faz-me tropeçar nessas pedras que me fazem cair.

Deixa-me cair, Jesus, e depois, quando eu tomar verdadeira consciência do erro, peço-Te que me dês a mão e me levantes por Teu amor.

Não sei se faço mal, Jesus, mas quero pedir que não me avises antes de encontrar essas pedras, mas que me deixes tropeçar nelas e cair, para que tome verdadeira consciência de como elas são obstáculos da minha vida.

Esta viagem de quarenta dias começa agora, e quero muito, Jesus, em cada momento de queda, ou seja, de reflexão, eu me detenha a pensar no que devo fazer para não cair outra vez, e isso, Jesus, só Tu e o Espírito Santo, podeis fazer em mim, para que a conversão aconteça todos os dias desta caminhada.

Agora já és Tu mesmo, Jesus, que me dizes: Partamos ao encontro de ti, meu filho, para que te possas conhecer melhor e, nesse conhecendo-te melhor, encontres o caminho que Eu te dou.

Sim, Jesus, partamos porque eu quero muito ir.





Garcia, 3 de Março de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 3 de março de 2025

CARNAVAL

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Aproxima-se o Carnaval, um tempo em que muitas pessoas se mascaram, se querem fazer passar por outra coisa que não elas próprias.

Às são vezes sonhos mal sonhados, desejos nunca concretizados, coisas que afinal talvez nem quisessem ser, mas que no Carnaval acabam por assumir, mascarando-se.

Mas a verdade, Senhor, é que muitos de nós andamos mascarados no dia a dia das nossas vidas.

Muitas vezes queremos mostrar aos outros virtudes que não temos, ou que não assumimos, e acabamos por viver algo que não somos nós verdadeiramente, mas a imagem que queremos passar de nós próprios.

Alguém já usou uma expressão como o Carnaval da vida, e realmente, quando nos “mascaramos” do que não somos realmente, vivemos esse “carnaval”.

Mas nós, que nos afirmamos cristãos, mais do que cristãos, queremos ser discípulos de Cristo, não podemos viver “mascarados”, não podemos viver na mentira, mas temos sim que viver como realmente somos, com as nossas virtudes, mas também com os nossos defeitos, lutando sempre para «sermos perfeitos como o Pai é perfeito».

A seguir ao Carnaval, vem o tempo de Quaresma, o tempo ideal para colocarmos as nossas “máscaras” de lado e procurarmos a verdade das nossas vidas.

Não somos “príncipes encantados”, nem sequer “reis” ou “deuses”, ou qualquer outra “máscara” que nos engana, somos sim Teus filhos, Senhor, feitos «à tua imagem e semelhança», para a qual queremos sempre viver, embora, por enquanto, sejamos todos pecadores.

Ajuda-nos, Senhor, nesta Quaresma e sempre, a retirarmos as nossas “máscaras”, e a voltarmos para Ti «em espírito e verdade», para que, vivendo no Teu amor e para o Teu amor, sejamos sempre amor uns para os outros.





Marinha Grande, (escritos em adoração)
Joaquim Mexia Alves