quarta-feira, 28 de agosto de 2024

DIÁLOGOS COM O SENHOR 30

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Então o que decides sobre esse assunto que tens de resolver?
Oh, Senhor, não sei bem pois tenho, pelo menos, duas soluções, julgo eu.


E ambas são justas e dignas?
Bem, uma julgo que o é, mas a outra teria que “torcer” um pouco a consciência para conseguir ter êxito, mas é muito mais fácil do que a outra.

Então, volto a perguntar, qual delas escolhes?
Bem, Senhor, eu gostava muito que me dissesses qual eu deveria escolher.

Mas Eu já te disse!
Como, Senhor?

Com tudo o que ensinei, com tudo o que está escrito na Minha Palavra, com tudo o que te ensina a Igreja.
Pois, Senhor, mas eu penso que a solução mais fácil, não é assim tão má.

Não é assim tão má ou não tem nada errado?
Bem, não será completamente correcta, mas também não é algo de muito mau.

Pergunto-te mais uma vez, o que decides então?
E eu volto a pedir-Te, Senhor, que me digas qual devo escolher?

Eu não to posso dizer. Dei-te tudo o que precisas para tomares a decisão correcta, mas não a posso tomar por ti, porque senão violaria a tua liberdade, a liberdade que Eu te dei.
Ah, Senhor, mas eu cedo na minha liberdade e assim podes dizer-me.

Nem isso te posso fazer, porque a liberdade é fruto do Meu amor por ti, e eu nunca abdico de te amar, mesmo quando fraquejas.
Está bem, Senhor. Entrego-me nas Tuas mãos, rezo e decido.

Qual foi então a tua decisão?
Não posso ir contra a minha consciência cristã, não posso “torcer” a verdade para alcançar uma solução, por isso, e porque só assim faço a Tua vontade, vou pela solução mais difícil, mas que é aquela que é justa, digna e correcta.

Eu te abençoo, meu filho. Vai que Eu estou sempre contigo.
Obrigado, Senhor, pelo Teu amor e porque afinal me disseste claramente que decisão eu devia tomar. Eu é que não queria ver a verdade que é só uma. A que vem de Ti, que és o Caminho, a Verdade e a Vida.





Marinha Grande, 28 de Agosto de 2024
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

HÁ FRASES … E FRASES CRISTÃS!

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Há tempos atrás li esta frase em qualquer sítio da internet.

"Você tem que estar disposto a dar sua vida para defender a fé de todos os outros, mesmo que não seja a tua fé." Beato Álvaro Del Portillo

Sabendo que hoje em dia, infelizmente, muitas frases são falsas ou falsamente atribuídas a Beatos, Santos e pessoas da Igreja, como por exemplo o Papa Francisco, (que é particularmente citado nesse tipo de frases/mensagens), e pensando que, embora a referida frase nos remeta para um proceder cristão, embora não no sentido de defender a fé dos outros, mas sim defender a liberdade dos outros praticarem a sua fé, perguntei por email ao Opus Dei da veracidade de tal frase.

Foi-me, simpaticamente, respondido que não foi possível encontrar tal frase nos escritos e memórias do Beato Álvaro Del Portillo.

Realmente a frase, tirando aquele pormenor referido, revela uma verdade, que é o dever de todo o cristão defender o próximo, em tudo, e até na vivência da fé de cada um.

Jesus Cristo di-lo por outras palavras: «Portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas.» Mt 7, 12

Mas esta situação acontecida com esta frase, falsamente atribuída a um Beato, deve levar-nos a pensar nas inúmeras frases atribuídas a tantos outros, principalmente o Papa Francisco.

É que ao lermos essas frases, elas parecem-nos lindíssimas, cheias de conteúdo, de verdade, mas quando as lemos atentamente percebemos que, a maior parte das vezes, no meio de todo esse conteúdo estão pensamentos errados, ou no mínimo distorcidos, do que é a verdade cristã ensinada por Cristo e pela Igreja.

Para lhes dar credibilidade precisam então de citar alguém que mereça essa credibilidade, como o Papa, Bispos, Sacerdotes, e, até mesmo, Santos e Beatos da Igreja.

Sabemos bem, ou devíamos saber, que o inimigo da Fé Cristã, tem como sua melhor maneira de actuar, a manipulação, o disfarce, o fazer parecer verdade, aquilo que afinal é mentira.

E cada um de nós, cristãos, quando sem discernirmos, procurando a verdadeira autoria e veracidade de tais frases, as publicamos, reencaminhamos, etc., estamos, mesmo sem querermos, a pactuar com a divulgação de uma falsidade que pode induzir os outros em erro.

E afinal é fácil perceber que, por exemplo, as frases do Papa Francisco, poderão ser aferidas, comprovadas, nos sites da Santa Sé, e, se não temos a certeza da sua autoria, não as devemos publicar ou reencaminhar, quer as dele, quer as de outros.

«Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.» Jo 8, 31-32




Marinha Grande, 26 de Agosto de 2024
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

A VINHA DO AMOR

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Chamaste-me para a Tua vinha, Senhor, primeiro para a conhecer e depois para nela trabalhar.

Já lá estavam muitos a trabalhar e depois de mim ainda chegaram bastante mais.

Nem sempre trabalhei de sol a sol, e houve até momentos em que fingi que trabalhava, como se Tu não estivesses sempre atento, e não soubesses bem tudo aquilo que cada um dos Teus trabalhadores faz em cada momento.

Não andas pela vinha como capataz a vigiar o trabalho de cada um, andas sempre a ensinar a trabalhar, a dar a mão quando o trabalho é mais pesado, e a dessedentar aqueles que têm sede.

E depois, Senhor, não é ao fim do dia que me pagas, que nos pagas, porque o Teu pagamento é feito permanentemente e é sempre igual para todos.

E ainda mais do que isso, o Teu pagamento é a totalidade do bem com que nos pagas, porque o Teu pagamento é o amor, e o Teu amor é sem medida, e sem exclusão de ninguém.

Sabes, Senhor, às vezes sou um pouco como aqueles trabalhadores de que falas, aqueles que vieram nas primeiras horas, e acham que deviam ter uma paga maior do que os outros que chegaram no fim.

Mas depois percebo, porque sou “atingido” pelo Teu amor, e compreendo então que o Teu amor é sempre infinitamente o mesmo para todos.

Obrigado, Senhor, porque me chamas a trabalhar na Tua vinha de amor.





Marinha Grande, 21 de Agosto de 2024
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

O AMOR NUNCA MORRE

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Li recentemente numa página do Facebook este curioso diálogo.

“- Mãe.
- Sim.
- O amor acaba quando as pessoas morrem?
- Claro que não.
- Mas o coração deixa de bater e deixa de sentir.
- Meu filho, quando um relógio pára, o tempo deixa de passar?
- Não.
- Com o coração é a mesma coisa. Pode parar e deixar de bater, mas o amor que trazia nunca vai passar, porque o deixou ficar por onde passou.”

Este diálogo, quase poderia ser o seguimento do versículo da 1 Cor 13, 8 «O amor jamais passará»

Claro que este amor de que se quer falar naquela frase, quero acreditar, é o amor verdadeiro, aquele que é descrito nos versículos anteriores ao citado acima, e que, sendo um amor perfeito, é verdadeiro, e, portanto, só pode vir de Deus.

Por isso o primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas, logo seguido do amar o próximo como a si mesmo, como nos ensina Jesus no Evangelho de São Mateus. (Mt 22, 36-39)

Porque realmente, «nós amamos porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19) e assim sendo o nosso amor é sempre vindo de Deus, porque só esse amor é o amor verdadeiro.

Se o nosso amor viesse apenas de nós, morreria quando nós morremos, mas vindo de Deus para nós, e em nós para os outros, existe para sempre porque Deus é eterno.

Por isso o amor não morre quando o coração pára, quando o cérebro deixa de viver ou o corpo morre.

Por isso é que podemos viver para sempre em Deus, se vivermos no amor e do amor que vem de Deus, porque «Deus, o amor jamais passará».

E mesmo que “desapareçam” aqueles que nos são mais próximos e nós amamos “mais”, o amor permanece, porque é amor de Deus em nós, e se «nós permanecemos em Cristo, também Ele permanece em nós» (cf Jo 15, 4), ou seja, “se permanecemos em Deus que é amor, também Deus, também o amor permanece em nós”.






Marinha Grande, 19 de Agosto de 2024
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 13 de agosto de 2024

“ACTUALIZAR” A PALAVRA

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No mundo em que hoje vivemos, bem mais urbano que rural, só algumas pessoas sabem e percebem de agricultura, pastoreio e até dos sinais do tempo que indicam o tempo que vai fazer.

Ora isto leva a pensar que, se Jesus Cristo estivesse agora entre nós como há dois mil anos, (porque Ele está sempre connosco embora de outra forma), provavelmente os seus ensinamentos focar-se-iam naquilo que hoje em dia é do conhecimento geral do homem, ou seja, naquilo que todos os dias entra pelas nossas casas adentro.

Obviamente que o pastoreio e a agricultura, com os seus tempos e modos, vão para além da representação simples dessas actividades, levando-nos a encontrar outros simbolismos em tudo aquilo que são e representam.

Mas poderíamos fazer um exercício simples, apenas para utilizar o que hoje é do conhecimento geral, para os ensinamentos de Jesus Cristo.

“Olha pelo teu computador.
Não deixes que ele sirva para escreveres palavras ofensivas ou falsas, para veres coisas que não prestam e que sabes que te vão tentar e fazer cair em pecado, porque ao fazê-lo estás a abrir a porta aos vírus que essas publicações e esses sites sempre contêm.

Mantém o teu computador sempre limpo de vírus, limpa o histórico das procuras na net e tantas outras coisas que, afinal, só carregam para o teu computador coisas do mundo e não o deixam trabalhar com toda a potencialidade com que foi criado.

E lembra-te que, se depois de limpares o computador de tais vírus, não o protegeres com um antivírus, esses vírus ou outros ainda mais perigosos, regressarão, multiplicar-se-ão e tomarão conta do computador, podendo até vir a infectar outros, que ao teu computador estejam ligados.”

É simples e talvez até mais compreensível para os mais jovens que vivem muito este tipo de situações, mas é apenas um exercício, até para percebermos que a Palavra de Deus pode ser ensinada de muitas maneiras, desde que mantenha a pureza e a verdade que Lhe é essencial.

Somos muito resistentes à mudança.

Com isto não se quer dizer que a Palavra de Deus deve ser “actualizada”, porque a Palavra de Deus é sempre actual, mas precisamente por o ser, também deve ser lida, explicada e discernida com tudo o que a humanidade hoje vive.

Isso significa que o que era pecado, que era errado, passa a não ser?
Não, de modo nenhum, porque o que foi revelado por Cristo e em Cristo é eterno, não muda nunca.

Mas, talvez, devamos pensar bem quais são as “lepras” de hoje em dia, quem são os “vendilhões do templo” neste tempo, quem são os “sepulcros caiados” desta sociedade, etc., etc.

A Palavra de Deus é amor e o verdadeiro amor é eterno, porque Deus é eterno e Deus é amor.

«Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.» 1 Jo 4, 8





Marinha Grande, 13 de Agosto de 2024
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

“SÓ DEUS BASTA”!

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Com tudo isto que nos é dado ver e ouvir, e sem querer ser profeta, que não sou, parece-me que brevemente a Europa será terra de mártires da fé cristã

E isso não me assusta, antes pelo contrário dá-me ânimo para acreditar ainda mais na Verdade que é Cristo nossa vida.

As redes sociais enchem-se com pequenos sinais de como começa a ser difícil socialmente afirmar-se cristão, como por exemplo, as imagens logo elogiadas de um conhecido tenista que, perante a sua vitória, retirou de dentro da sua camisa o crucifixo, o beijou e mostrou ao público.

Este era, ainda há bem pouco tempo, um gesto que passaria sem qualquer referência, porque não era de nada extraordinário que alguém afirmasse publicamente a fé cristã.

Hoje em dia, no entanto, nesta Europa ainda vai sendo possível viver a fé cristã com relativa liberdade, sem grandes ataques físicos, mas o mesmo já não se pode dizer da pressão mediática e social do “politicamente correcto”, que rotula os cristãos com todos os epítetos possíveis e, sobretudo, com nítidas campanhas baseadas em falsidades de todo o tipo.

Lembro-me sempre, desde criança, de ouvir dizer que, quando a Igreja é atacada e perseguida, a sua resposta é um maior crescimento na fé daqueles que, talvez com algum medo, mas fortalecidos pelo Espírito Santo, afirmam e confirmam que em Deus tudo é possível, até a entrega da sua própria vida.

Pode parecer algo dramático este texto, (tal não acontecerá provavelmente no meu tempo), não sou um qualquer profeta da desgraça, nem um obcecado com o fim do mundo, mas os sinais estão aí, bem expressos no dia a dia desta sociedade europeia.

Mas nunca nos esqueçamos que: «em tudo isso saímos mais do que vencedores, graças Àquele que nos amou.» Rm 8, 37

Apenas receio não ter em mim forças para me acreditar como um tal mártir, mas peço insistentemente ao Espírito Santo que me dê tudo o que necessito para afirmar sempre com a vida que me deu e com todo o meu ser, que Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Não para me destacar dos outros, mas para me “perder” na multidão daqueles e daquelas que se afirmaram por Cristo, com Cristo e em Cristo e O viveram sempre nas suas vidas, d’Ele dando testemunho até ao fim.

E então poderei dizer como o poeta “o mais que faço não vale nada”, e afirmar como Santa Teresa D’Ávila: “Só Deus basta”!






Marinha Grande, 5 de Agosto de 2024
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 31 de julho de 2024

PADRE JOSÉ DA LAPA – UM HOMEM SIMPLES

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Foi sempre assim, simples e humilde, deixando tudo entregue ao Espírito Santo.

Descobrimos cá em casa, numas arrumações, talvez o primeiro livro que o Padre José da Lapa me ofereceu, para me introduzir na “descoberta” do Espírito Santo.

A dedicatória, simples e concisa, diz apenas: “Toma e lê”.

Podia ter dissertado sobre o livro, podia ter escrito uma frase de exortação, podia ter escrito um conselho a propósito, mas não, entregou o livro e deixou ao Espírito Santo o “trabalho” de me fazer perceber o conteúdo do livro e assim ir mudando o meu coração e a minha vida.

Já quando me reaproximei de Deus e da Igreja, escrevi ao Padre José da Lapa, (ao fim de muitos anos sem o ver, e de algum modo criticar, até porque Deus naquele tempo anterior não me “interessava”), e na sua carta resposta, sem quaisquer conselhos, escrevendo apenas que estava feliz pelo meu contacto, convidava-me para uma Assembleia da Pneumavita em Fátima, (do Renovamento Carismático Católico), com quase as mesmas simples palavras: “Vem e vê”.

Nunca o vi querer tomar lugares de destaque, fosse aonde fosse, nem querer usar da palavra, a menos que tivesse mesmo que o fazer.

Lembro-me sempre da frase, que muitas vezes repito para mim próprio, (orgulhoso como sou), de como se definia com toda a simplicidade: “Sou apena o burrinho de Jesus”.

Não lhe conheci carismas extraordinários de cura, profecia, ou outros da mesma “importância”, mas tinha, quanto a mim, o enorme carisma dos santos, que é a humildade e o servir os outros, numa obediência total ao Espírito Santo, que o fazia “engolir”, algumas vezes, ingratidões sem sentido.

Poucas vezes, infelizmente, me confessei com ele, mas lembro-me sempre do seu acolhimento e escuta atenta e, sobretudo, de começarmos sempre, a seu pedido, louvando a Deus de forma espontânea, terminando sempre do mesmo modo.

Gostava quando, com firmeza e alguma dureza amiga, me chamava a atenção para os meus exageros de “principiante” na fé, para o meu activismo incessante, para que eu percebesse que só com o Espírito Santo é que o que fazemos pode dar fruto.

Hoje tenho-o sempre nas minhas orações, não para pedir por ele, que acredito não precisa por estar bem junto de Deus, mas para pedir que lá, junto de Deus, interceda por quem lhe peço e me continue a guiar no caminho que em boa hora, ou seja, na hora do Espírito Santo me deu a conhecer e viver.

Obrigado, meu Deus, pelo dom da vida do Padre José da Lapa.








Marinha Grande 30 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

domingo, 28 de julho de 2024

À OFENSA RESPONDE O AMOR

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Vejo na imprensa aquelas imagens da incrível e abjecta “paródia” à Última Ceia, e a minha primeira reação é de quase violência, é a de querer fazer valer a minha fé cristã, nem que seja à força, e dizer àquela gente de forma brutal, de forma que lhe doa, que não têm o direito de ofender a fé cristã.

E, realmente, não têm esse direito, porque no tal mundo livre em que dizem vivermos, o respeito pelos outros deve ser o garante da liberdade de cada um.

Sobretudo a hipocrisia de achincalharem a única religião que eles sabem que tem na sua génese e fundamento, os ensinamentos de Jesus Cristo, ali ofendido, que nos exorta a responder com amor aos insultos e violências contra Ele e a Igreja praticados.

Foi assim, nesse amor infinito e eterno, que Cristo deu a vida por nós que vivemos a fé cristã, mas também por aqueles que a não vivem e até a insultam e repudiam.

Responder ao ódio com o amor, é a melhor resposta para aqueles que quiseram ofender a nossa fé cristã, e é, sem dúvida, a única e melhor resposta que os deve incomodar e surpreender.

Estariam à espera de que nos revoltássemos, que partíssemos para uma qualquer guerra “santa” e, no entanto, de nós apenas deverão ter a resposta de Cristo: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.» Lc 23, 34

Claro que isso não impede que denunciemos com toda a força da nossa voz, os actos de ofensa à fé cristã que vivemos nas nossas vidas em Igreja.

Mas, perante o ódio, apenas o amor de uma oração por eles:

Pai, a Ti nada é impossível, por isso em nome de Jesus Cristo, Teu Filho, Nosso Senhor, toca com o Espírito Santo os corações daqueles que Vos ofendem, para que, recebendo o Vosso perdão, percebam que só em Cristo, podem encontrar o Caminho a Verdade e a Vida que Ele verdadeiramente é.

Mergulhados no amor e na paz de Deus, vivamos por Cristo, com Cristo e em Cristo, porque «De acordo com o que está escrito: Por causa de ti, estamos expostos à morte o dia inteiro, fomos tratados como ovelhas destinadas ao matadouro. Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores, graças àquele que nos amou.
Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso.» Rm 8, 36-39





Marinha Grande, 28 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

NOTA: Recuso-me a colocar aqui as imagens ofensivas da Última Ceia.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

«SAIU O SEMEADOR A SEMEAR» Lc 8, 5

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«Saiu o semeador a semear»
não pelos campos agrícolas
mas pelas estradas do mundo
andando a evangelizar.

E foi deixando sementes
nos corações que encontrou
uns mais abertos
outros mais fechados
mas em todos semeou.

Nos corações de pedra
a semente mal brotou
ficou logo asfixiada
na dureza que encontrou

Nos corações entreabertos
cheios de amargos espinhos
ainda conseguiu crescer um pouco
mas não deu fruto
nem muitos
nem poucochinhos
porque a aspereza a sufocou.

Nos corações abertos
desejosos de viver
encontrou a terra boa
onde pode germinar
e em cada dia crescer
dando fruto
e mais fruto
para a todos alimentar
do Deus
eterno e absoluto
que a todos quer salvar.





Marinha Grande, 25 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 23 de julho de 2024

PERMITAMO-NOS SONHAR!

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Quando, nestes nossos tempos, lemos as notícias diariamente, não há um só dia em que alguém não tenha matado alguém, a maior parte das vezes por motivos insignificantes, por violência gratuita, por puro ódio.

E não me refiro aos que morrem nas guerras e atentados por este mundo fora, mas sim àqueles que morrem nesta sociedade do dia a dia, que cada vez mais vai perdendo valores, sobretudo o valor da vida.

E também já nem sequer me refiro à incrível “matança” de bebés não nascidos e àqueles que vão sendo mortos a coberto de leis iniquas que pretendem determinar quando uma pessoa deve viver ou morrer, mesmo que a decisão seja da própria pessoa, o que nem sempre acontece como muito bem sabemos.

Numa sociedade que enche a boca com a liberdade, nunca se foi tão vigiado como hoje em dia, com todos os meios tecnológicos que deviam estar ao serviço do homem, e parecem estar antes ao serviço do controle do homem.

Num mundo que se diz plural, onde se combate, e muito bem, o racismo, continua a haver, ou verdadeiramente até há uma maior clivagem entre ricos e pobres, quer no acesso aos bens de primeira necessidade, quer nas condições minimamente dignas de habitação, quer na proteção da vida de cada um.

O acesso à justiça está cada vez mais determinado pelas condições financeiras de cada um.
Os que têm posses e por isso podem pagar a advogados em permanência, inundam os tribunais de recursos sobre recursos, impedindo que as decisões que cheguem a ser tomadas num qualquer julgamento, “entrem em vigor”, acabando por chegar muitas vezes à prescrição.
O comum cidadão é julgado e condenado, (por vezes erradamente), mas como não tem posses para pagar a advogados permanentes, por ali fica, vítima da sua condição.

E afinal tudo isto acontece porque o homem se afasta de Deus.

Não, não é castigo de Deus, é a ausência de Deus na vida de cada um, na vida da sociedade.
Deus não castiga.

Deus ama e acolhe, e ensina que todos somos iguais, e por isso nos devemos amar uns aos outros como Ele nos ama.

É a enorme diferença que o ensinamento de Jesus Cristo nos traz.
Ele não nos diz: “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”.
Ele diz-nos antes: “Faz aos outros aquilo que queres que te façam a ti”.

Ah, se assim acontecesse, a começar por mim, como seria diferente este mundo e esta sociedade em que vivemos!

Por todas as razões fáceis de perceber e até pela liberdade, que então sim viveríamos, porque viveríamos do amor de Deus, («Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.» 1 Jo 4, 19), para Deus e para os outros, e o verdadeiro amor é inteiramente livre, por isso mesmo Deus nos criou livres, até de O aceitarmos ou não nas nossas vidas.

Se assim fosse, viveríamos então num tempo em que: «Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um.» Act 2, 44-45

Permitamo-nos sonhar, porque a Deus nada é impossível, assim o homem queira!





Marinha Grande, 23 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 19 de julho de 2024

“ADORMECIDO”

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Já não te admiras com as coisas que Deus te faz?

Já não te espantas com Deus?

Já não consegues perceber e sentir quando Ele te toca em diversos momentos?

Já não te sentes pecador?

Já não sentes necessidade de te confessar?

Já não vives verdadeiramente a Eucaristia como um encontro com Deus?

Aproximas-te da Comunhão como uma atitude repetitiva e “normal”?

A tua oração já não tem calor, nem se renova de quando em vez?

Já não és capaz de falar com Deus na simplicidade do teu coração?

Já não te sentes Igreja e olhas para a Igreja como algo fora de ti?

Pede o Espírito Santo, agora, porque tudo isso que te acontece é porque O deixaste “adormecido” em ti.

Pede o Espírito Santo, continuamente, implora, suplica, deseja que Ele venha sobre ti, que te acenda, te reavive, te ilumine, te preencha, te faça levantar do torpor que afastou de ti o Amor.





Marinha Grande, 19 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

domingo, 14 de julho de 2024

ESPANTAS-ME E SEDUZES-ME!

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Há coisas que Deus nos dá e nós nem sequer nos apercebemos a maior parte das vezes quando acontecem.

Em virtude de um dos sacerdotes da paróquia da Marinha Grande estar de férias, foi-me pedido que “fizesse” uma Celebração da Palavra em São Pedro de Moel.

Nervoso, como sempre me acontece, deparo no meio dos fiéis, que celebravam comigo a Palavra de Deus, com a minha cunhada e o meu cunhado.

Fosse eu presbítero ordenado, com curso de Teologia e unção sacramental devida, nem sequer uma fimbria do meu ser me incomodaria.

Mas não, sou um pobre de Cristo, a quem pedem para celebrar e falar em Seu Nome, coisa de que eu não me sinto agora, nem me sentirei nunca, digno de fazer.

E depois, ao olhar para estes meus queridos cunhados, recordo com gratidão imensa, ao meu Senhor e meu Deus, o caminho que nos tem feito percorrer, sempre guiados e iluminados pelo Espírito Santo.

Vão tão longe, já, as minhas noites “perdidas” em São Pedro, que ver-me agora, em família, celebrar o Deus que me redimiu e me fez encontrar a vida nova que Ele me deu, que a única coisa que me vem ao coração é a gratidão imensa de Lhe dizer que realmente sem Ele a vida não tem sentido.

Sentado, tentando disfarçar o meu nervosismo, escuto a minha querida cunhada ler a Leitura da Carta aos Efésios da Liturgia deste Domingo, e apenas posso pensar que Tu, Senhor, fazes coisas inimagináveis para nós, Teus filhos.

Depois, (Tu nunca queres que nos orgulhemos com aquilo que fazes em nós para Te servir), colocas nas minhas mãos uma píxide com as Hóstias consagradas que és Tu mesmo ali presente, e reparo que nem com muito boa vontade chegam para “alimentar” aqueles que de Ti se querem saciar.

Pelo meio das minhas mãos a tremer, do meu proclamar, Corpo de Cristo, cada vez que Te dou como alimento divino, o Espírito Santo ainda me faz dizer em voz alta a todos os presentes: Precisamos de um milagre, porque as Hóstias não chegam para todos.

Então, com uma alegria que a todos toca, oiço aqueles que Te esperam receber, dizer: Parta as Hóstias, assim chegarão para todos.

E agora, passadas já algumas horas depois do acontecido, só me posso lembrar dos discípulos de Emaús que Te reconheceram ao «partir do Pão».

As coisas que Tu fazes, Senhor, e eu ainda me continuo a espantar e a deixar seduzir pela forma como Tu nos espantas e seduzes.




Marinha Grande, 14 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 10 de julho de 2024

MISSIONÁRIO

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Despe-te de ti
“veste-te” de Jesus
exterior e interiormente
carrega a tua cruz
e deixa que tudo o que fazes
e vives
O mostre a toda a gente.

Abre o teu coração
ao que passa por ti
ao pobre ao indigente
àquele que mais precisa
entrega-te ao outro
simplesmente.

Fala de Deus
quando to pedirem
mas mostra-O sempre
na tua vida
nos teus actos
nas tuas atitudes
no teu ser
de tal modo
que tu diminuas tanto
que só Ele possa aparecer.

Não te preocupes
com o que deves falar
mostra antes alegria
aprende apenas a amar
seja qual for a companhia
nunca mostres desencanto
e deixa-te guiar
encher
e iluminar
pelo Espírito Santo.





Marinha Grande, 10 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 8 de julho de 2024

DEUS FALA NO SILÊNCIO

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«É no silêncio que encontramos Deus, e é no silêncio que descobrimos quem realmente somos.» Bento XVI

Cala-te e recolhe-te!

Por um momento, o mais longo que te for possível, não peças nada, não supliques, não te lamentes, não te preocupes, não te desanimes.

Por um momento cala, não só a tua voz exterior, mas também a tua voz interior.

Por um momento, (pelo menos tenta), deixa de imaginar situações que vives, deixa de pensar na tua vida e até na vida dos outros por quem intercedes, faz silêncio na tua mente.

Por um momento, não te preocupes se estás de pé, sentado, deitado ou a andar, mas apenas se estás, totalmente presente, neste momento.

Por um momento, não penses se és capaz, se consegues, mas apenas abandona-te e deixa-te estar, assim, em silêncio.

Ah, como Ele gosta do silêncio, do silêncio activo, ou seja, daquele que faz silêncio apenas para O ouvir.

Por enquanto ainda não consegues distinguir o que é o teu silêncio, ou melhor aquilo que apesar de todo o silêncio sentes, e aquilo que Ele já te faz sentir.

É o momento do amor, do puro amor, que é o d’Ele, claro, por ti e em ti.

Não consegues entender bem, mas, ou no teu coração ou na tua mente, começas a perceber palavras ou imagens, ou seja lá o que for, mas sentes que é Ele que fala contigo.

Ah, não ouses agora responder-Lhe, não ouses quebrar o teu silêncio, apenas escuta com o teu coração, com a tua mente, com todo o teu ser, aquilo que Ele te diz, aquilo que Ele te mostra, aquilo que Ele te faz viver, agora, neste momento.

Deixa-te tomar inteiramente por Ele.

Já não és tu que pensas, é Ele que pensa em ti, já não és tu que falas, é Ele que fala em ti, já não és tu que sentes, é Ele que sente em ti, já não és tu que amas, é Ele que ama em ti.

Por este momento conheces-te verdadeiramente, ou seja, percebes bem que sem Ele nada és, nem nada tens, mas com Ele tudo se transforma, e sabes, por este momento, que Ele é o tudo em ti, que Ele é o amor em ti, que Ele é a vida em ti.

Deixa que o suspiro de vida saia do teu coração, e agora sim, ainda imerso n’Ele, abre a tua boca e diz-Lhe cheio de amor, como uma revelação que Ele mesmo te deu:

Obrigado, meu Senhor e meu Deus!





Marinha Grande, 8 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 2 de julho de 2024

COMEÇAR DE NOVO

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Ontem vimos Ronaldo chorar perante a sua impotência em reverter o penalti falhado.

Percebemos a sua dor por não ter conseguido atingir a meta a que se tinha proposto.

Não cabe neste texto analisar Ronaldo, nem futebol, mas senti com ele a sua mágoa e frustração, mas ao mesmo tempo pudemos perceber a sua força em não desistir, não desanimar e até ir ao ponto de marcar outro penalti, quando muitos naquelas circunstâncias, muito provavelmente, recusariam fazê-lo.

Quis ver em tudo isto uma lição também para mim e para a minha vivência da fé cristã.

Quantas vezes falho nas metas espirituais, e não só, a que me proponho, quando me deixo levar pelas minhas fraquezas e defeitos?

E alguns desses “falhanços” pesam-me, magoam-me, fazem-me chorar por dentro.

Mas ao contrário do penalti falhado de Ronaldo, todos esses erros, todas essas quedas nas minhas fraquezas, todos esses momentos “falhados”, podem ser “revertidos”, pois o amor de Deus alcança-nos sempre que a Ele nos abrimos, e dá-nos sempre novo caminho, novo momento para podermos emendar “os penaltis falhados”.

Regressando ainda a Ronaldo e à sua persistência, sou levado a reflectir que, apesar das falhas que cometo, das fraquezas e defeitos que tenho, não devo deixar-me ficar sentado, chorando, como que “lambendo as feridas”, mas sim, dando a mão a Jesus, envolto no amor do Pai, devo deixar-me levantar pelo Espírito Santo e recomeçar de novo, tendo a certeza de que, estando em comunhão de Igreja com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, há sempre um tempo novo, um caminho novo, uma vida nova que Ele sempre nos dá.

Curiosamente o Evangelho de hoje narra-nos a tempestade acalmada e aquilo que Jesus nos diz todos os dias: «Porque temeis, homens de pouca fé?» Mt 8, 26

Afinal este escrito não é sobre o Ronaldo, mas sobre levantar-se depois de cair, para recomeçar de novo o caminho que Deus sempre nos dá.







Marinha Grande, 2 de Julho de 2024
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 25 de junho de 2024

A IMPORTÂNCIA DAS PALAVRAS

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Talvez seja rigoroso demais, mas a verdade é que muitas vezes utilizamos uma linguagem como cristãos católicos que pode induzir os outros em erro, ou melhor, pode não dizer o que verdadeiramente queremos e devemos dizer, enquanto testemunhas de Cristo.

Com toda a facilidade dizemos, por exemplo, que “assistimos à Missa”.
Mas realmente o que nós devemos fazer/dizer é participar, celebrar a Missa, porque a Missa não é um qualquer espectáculo a que se assiste, como uma peça de teatro, por exemplo.
Numa peça de teatro, num filme que vemos, etc., nós não participamos realmente, apenas exprimimos com diversas reacções o que sentimos.

Na Missa/ Eucaristia nós participamos, celebramos, (embora haja um, o sacerdote, que preside à celebração), somos parte integrante da celebração e só assim o Sacramento, digamos assim, tem sentido para as nossas vidas e alimenta a nossa fé.

Dizemos, também, muitas vezes, que pertencemos à Igreja Católica, ou então, pior ainda, quando nos referimos à Igreja para comentar ou opinar sobre determinado assunto da Igreja, referimo-nos a “eles”, como se fosse algo exterior a nós.

Mas realmente e assim tem de ser verdadeiramente, nós somos Igreja.

A Igreja não é o edifício imóvel, embora chamemos aos templos em que nos reunimos, igrejas.
A Igreja é um “edifício divino”, mas feito por homens e mulheres, e, por isso mesmo, move-se em direcção a Deus.

Não é uma questão de pertença, é sim uma questão de vivência, de ser pedra viva da Igreja peregrina.
Por isso, não “pertencemos” à Igreja como se pertence a uma qualquer associação, mas sim, somos Igreja viva, unida em comunhão com Cristo, guiada pelo Espírito Santo, no amor do Pai.

A linguagem que vamos usando, não sendo um problema maior, é, no entanto, muitas vezes redutora e, sobretudo, não espelha a realidade do que queremos dizer em Igreja.
Os exemplos são muitos, mas, para não tornar demasiado longo este texto, refiro apenas mais uma situação.

Desde há uns anos que ajudo irmãs e irmãos a perceberem, quando mo pedem, claro, se haverá razões para um pedido de Nulidade do Matrimónio que celebraram, a esmagadora maioria das vezes, obviamente, quando se dá a ruptura da união, o divórcio civil, e uma nova relação.

É vulgar então ouvir, não só nesses que tal procuram, mas também nos fiéis em geral, (e até a sacerdotes), referirem-se a tal processo como um pedido de “anulação”.
A Igreja não “anula” matrimónios!
Se o fizesse estaria a fazer uma espécie de “divórcio religioso”, (já lhe ouvi chamar isso mesmo), o que é completamente errado e a Igreja não tem poder para o fazer.

O que a Igreja faz, por meio de um processo em Tribunal Eclesiástico, é analisar perante provas, se o Sacramento do Matrimónio foi válido, isto é, se estavam reunidas todas as condições essenciais para que o Sacramento do Matrimónio pudesse ser celebrado e assim ser válido, isto, para descrever de um modo muito simples o que pode dar origem a um processo de nulidade.

Se essas condições não estavam reunidas, (não cabe neste texto descrever tais condições), o Sacramento não foi válido e assim é nulo e sem qualquer efeito, pelo que, por exemplo, aqueles que o celebraram, para a Igreja são solteiros, e não divorciados.

Afinal não custa muito sermos mais rigorosos com os termos que usamos em Igreja, para não criar confusão, nem induzir em erro os outros que nos ouvem.

Assim Deus nos ajude.





Marinha Grande, 25 de Junho de 2024
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 18 de junho de 2024

DIÁLOGOS COM O SENHOR 29

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Estou à espera.
Estás à espera de quê?

Que Ele fale comigo.
Que fale contigo sobre o quê?

Que me responda a tantos pedidos que Lhe fiz.
Ah bem, e já O cumprimentaste, já Lhe disseste que O amas, e O louvaste e honraste com a tua entrega a Ele?

Mas isso Ele sabe muito bem que sim, que O amo, que O louvo, que me entrega a Ele.
Ah, então Ele sabe isso tudo e julgas tu que Ele não sabe do que necessitas?

Pois, isso é verdade. Mas talvez seja preciso lembrar-Lhe, salvo seja, dos pedidos que Lhe faço.
Então, mais uma vez, não julgas que será preciso também lembrar-Lhe de como O amas, O louvas e a Ele te entregas.

Hum, estás a complicar tudo!
Achas que sim, que estou a complicar tudo, ou estou apenas a lembrar-te a ti, do que deves fazer primeiro.

Mas afinal quem és tu que estás a falar comigo e eu não te vejo?
Talvez seja a voz da tua consciência, talvez seja a voz do amor d’Ele em ti, talvez seja o teu eu que a Ele se entregou.

Obrigado! Reconheço que peço muito, louvo pouco e, se calhar, agradeço ainda menos.
Não te preocupes que Eu sou Aquele a Quem tu pedes e o meu amor por ti é infinito, pelo que descansa e não temas, porque Eu sei bem de tudo o que realmente precisas, e nunca te faltarei com nada do que necessitas.

Desculpa, Senhor, que eu estava tão absorto em pedir e receber, que nem me lembrei de dar primeiro o que Te é devido, para depois aguardar com serena confiança o que Tu me quiseres dar.

Vai em paz, meu filho!






Marinha Grande, 18 de Junho de 2024
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 14 de junho de 2024

SER TESTEMUNHA

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Não podemos falar do testemunho cristão sem falar do Espírito Santo.

Podemos nós dar testemunho de Cristo sem ser o Espírito Santo a dá-lo em nós, ou melhor servindo-se de nós para o dar?

Só depois do Pentecostes, os Apóstolos tiveram a coragem e também as palavras, (Pedro era um homem tão simples onde foi ele arranjar as palavras?) para darem testemunho de Cristo, para anunciarem Cristo, para proclamarem com palavras, gestos e a própria vida o Evangelho, a Boa Nova de Jesus Cristo.

E aqueles que se lhes seguiram fizeram-no também, porque o Espírito Santo foi derramado neles pela imposição das mãos.

É Jesus quem nos diz muito claramente que temos de ser testemunhas da Boa Nova.

Dos Actos dos Apóstolos
«Mas ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo.» Act 1, 8

Portanto, o testemunho dos cristãos é imperativo, é decisivo, para que o Evangelho chegue a todo o lado.

Lembremo-nos da narrativa da Samaritana no Evangelho de São João.
«Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram nele devido às palavras da mulher, que testemunhava» Jo 4, 39

Pelo testemunho daquela mulher muitos foram à procura de Jesus Cristo para O ouvirem e serem tocados por Ele.

Depois … depois o “resto” é com Ele.

«Já não é pelas tuas palavras que acreditamos; nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo.» Jo 4, 42

Escreve o Frei Raniero Cantalamessa, hoje, Cardeal, no seu livro “Vem, Espírito Criador”:
«Em certo sentido, o Espírito Santo tem necessidade de nós para ser Paráclito. Ele quer consolar, defender, exortar; mas não tem boca, mãos, olhos, para dar corpo à sua consolação.
Ou melhor, tem as nossas mãos, os nossos olhos, a nossa boca.»

Há muitos anos atrás, talvez 1998 ou 1999, numa Assembleia da Pneumavita em Fátima, ao princípio da tarde o Pe Lapa pediu-me que fosse ter com ele ao palco.
Fui, obviamente, e fui surpreendido quando ele me disse que queria que eu desse testemunho da minha vida, da minha conversão, logo a seguir.
Olhei, vi aquele mar de gente e fiquei em pânico.
Eu tinha começado a minha caminhada há tão pouco tempo!

Recorri ao Pe António Fernandes que me levou para trás do palco e rezou por mim.
Depois abriu a Bíblia e leu-me esta Palavra:
«Por isso recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, pela imposição das minhas mãos, pois Deus não nos concedeu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de bom senso. Portanto, não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas compartilha o meu sofrimento pelo Evangelho, apoiado na força de Deus.» 2 Tm 1, 6-8

Aquela Palavra deu-me um ânimo, uma força que eu não conhecia em mim que, ainda para mais, eu não gostava de falar em público.
Ainda hoje em dia, de quando em vez, há pessoas que vêm ter comigo e me lembram esse testemunho.

As coisas que o Espírito Santo faz!!!

Dar testemunho é entregar a vida a Cristo pelo outro, ou seja, é sair de nós próprios, dos nossos medos, das nossas vergonhas e deixando-nos conduzir pelo Espírito Santo anunciarmos com as nossas vidas a Boa Nova de Jesus Cristo.

Já não nos interessa se somos “mal vistos”, se não estamos a viver segundo o que o mundo quer, e já não nos importamos com as eventuais consequências que nos podem acontecer, porque não podemos calar Cristo que vive em nós, porque não podemos calar o amor do Pai que sentimos em nós, porque não podemos aprisionar o Espírito Santo em nós.

E o nosso testemunhar não têm só a ver com o que dizemos, com as palavras que proferimos, arrisco até a dizer que, mais importante do que as palavras, são as nossas atitudes, os nossos gestos, a nossa simpatia, a nossa ajuda aos que de nós necessitam, quer material, quer espiritualmente, e, também, muito especialmente, a alegria com que vivemos e testemunhamos.

Claro que não é a alegria da gargalhada fácil, mas alegria que nos vem de termos Jesus Cristo no coração e assim vivermos a paz e o amor que o Espírito Santo derrama em nós.

Mas São Paulo na Carta a Timóteo que acima referi, fala-nos de termos um espírito que Deus nos concede «de fortaleza, de amor e de bom senso.»

Um espírito de bom senso!

Realmente o nosso testemunho tem que ser percorrido pelo bom senso, o que significa, por exemplo, o não nos impormos, o não deixarmos falar os outros, o não ouvirmos os outros, o não lhes respondermos com um simples e duro “estás errado”, mas sim procurar ajudar o outro a encontrar o caminho que nós já vamos percorrendo.

Há tempos atrás, numa reunião dos Cursos Alpha a nível nacional, ouvi um sacerdote de Braga dizer uma verdade de que muitas vezes não nos lembramos.
Quando estamos a conversar ou a ouvir outros que querem desabafar, pedir conselho, já temos muitas vezes as nossas respostas, da nossa pretensa sabedoria, na “ponta da língua” para responder ao outro, e, por isso, nem sequer quase o deixamos falar, não ouvindo tudo o que nos quer dizer.
Isto é tão verdade!

Há uns anos atrás ouvi uma senhora que queria falar comigo, pedir conselho.
Sentámo-nos e a senhora começou a falar, e não se calava, e eu cheio de vontade de a presentear com algumas “pérolas da minha pretensa sabedoria”.
Ao fim de algum tempo calou-se, olhou para mim, deu-me um abraço e disse-me: eu só queria que ouvissem!
Eu não tinha dito nada!

Numa reunião do RCC de Lisboa ouvi o Pe Victor Gonçalves dizer a seguinte frase que ele tinha lido algures:
«Não fales muito de Deus se não to pedirem, mas vive de tal maneira que to peçam.»

Realmente o testemunho não deve ser forçado, não deve ser, desculpem que o diga assim, como uma arma de arremesso, ou até "chato", mas sim algo que surge das circunstâncias, da oportunidade, do tal bom senso de que fala São Paulo.

O Pe Lapa, nos primeiros tempos do meu regresso a Deus e à Igreja, e, perante a minha ansiedade e activismo, chamou-me a atenção e disse-me fortemente para eu me acalmar e deixar que o Espírito Santo me conduzisse e não eu a querer conduzir o Espírito Santo.

Quantas vezes o fazemos nós, ou seja, quantas vezes não somos nós que queremos ter a condução do que fazemos e dizemos, quando afinal nós sem Ele nada somos.

Lembremo-nos do que referi no início destas palavras:
Nós estamos aqui porque os Apóstolos, cheios do Espírito Santo derramado em Pentecostes, deram testemunho das suas vidas tocadas por Jesus Cristo, pelo amor do Pai.

Nós somos agora, ou devemos ser, esses apóstolos deste tempo, ou seja, devemos dar testemunho de Jesus Cristo, envoltos no amor do Pai e sempre, mas sempre, guiados pelo Espírito Santo.

Não nos esqueçamos que um bom testemunho é sempre evangelizador.

Jesus Cristo diz hoje a cada um de nós:

«Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em todo o Portugal, na Europa, e até aos confins do mundo.» cf Act 1, 8





Marinha Grande, 11 de Junho de 2024
Joaquim Mexia Alves


NOTA: Texto/notas que preparei para falar de “ser testemunha”, no Grupo de Oração Pneumavita em Lisboa no passado dia 11.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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Deixa, Senhor Jesus, que me abrigue no Teu Sagrado Coração, não para fugir do mundo, mas para resistir ao mundo, deixando-me tomar pelo Teu amor.

Como diz Paulo, nunca conseguiremos compreender minimamente «a largura, o comprimento, a altura e a profundidade», do Teu amor, do Teu Sagrado Coração.

“Apenas” podemos acreditar que Ele está sempre aberto a todos os que O quiserem procurar.

Apetece-me acreditar que a ferida que Te foi provocada pela lança, (provocada por nós, afinal), é a abertura permanente do Teu Sagrado Coração aos que se rendem ao Teu amor.

Deixo-me envolver pelo Teu amor e contemplo o Teu Sagrado Coração que, apesar de ferido pelo nosso pecado, continua a amar infinitamente e a servir de porto de abrigo para o homem pecador.

Ah, se nós homens nos amássemos uns aos outros como Tu nos amas!

Então, esse Teu imenso e Sagrado Coração seria a morada da humanidade, onde apenas reinaria o amor e o ódio não teria lugar.

Faltam-me as palavras, porque o meu amor é fraco, por isso repito hoje e sempre nas minhas orações:
Sagrado Coração de Jesus, que tanto me amais, fazei que eu vos ame cada vez mais!





Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
Marinha Grande, 7 de Junho de 2024
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 6 de junho de 2024

DE REPENTE…

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E de repente vem aquela secura, aquele tempo escuro, em que parece que não Te sinto, não Te toco, em que quero rezar e os pensamentos, as palavras não me saem, em que escrita, sempre tão presente em mim, (presente Teu, sem dúvida), é quase “arrancada a ferros” e não me satisfaz.

E é curioso que muitas vezes isto acontece depois de ter tido uma experiência viva, tocante, emocionante, da Tua presença em mim, tocando-me com o Teu infinito amor, como há poucos dias aconteceu.

Talvez seja, Senhor, para que eu não dê nada como adquirido, nada como se eu fosse merecedor de algo, para que eu nunca desista de Te procurar em mim e nos outros.

Sim, Senhor, mesmo que o tempo seja de secura, seja escuro, a luz da Fé, que um dia semeaste em mim, continua acesa e dá-me a certeza inabalável que Tu estás aqui, dando-me a mão, ajudando-me no caminho de cada momento, de cada dia.

Vem Espírito Santo afasta a secura e a escuridão, abre-me o coração, encharca-me de vida, de amor, de oração, e faz-me ver, faz-me sentir o amor do Pai, a vida no Filho e o Teu encanto, Espírito Santo!




Marinha Grande, 6 de Junho de 2024
Joaquim Mexia Alves