quinta-feira, 24 de junho de 2010

NAQUELE TEMPO, NESTE TEMPO

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“Naquele tempo”, escreveram assim os evangelistas que nos deram a conhecer os passos de Jesus Cristo, quando, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, esteve entre nós ensinando e revelando o Deus de amor que nos criou, seguido por multidões que avidamente O escutavam.

“Neste tempo” poderia escrever alguém, sobre este tempo em que Jesus Cristo entre nós, não visível aos olhos humanos, mas presente na vida e no coração de cada um, nos interpela, nos chama, nos quer continuar a ensinar e a guiar no caminho da salvação.

E “neste tempo”, talvez seja assim!

«Pára um pouco, homem, quero-te falar do mundo que criei para ti e para todos.»
Desculpa, não tenho tempo! Estou muito ocupado com o meu trabalho, ajudando a construir o mundo e retirando dele todas as coisas de que necessito para a minha vida.
«Mas repara, não é melhor parares um pouco para reflectires sobre o que vais fazendo no mundo e ao mundo? É que sabes, ele não me parece melhor e mais harmonioso!»
Não há problema, temos agora que retirar do mundo tudo o que precisamos, mesmo que seja em excesso, e depois logo se vê! Os que vierem ainda terão muito com certeza. E o mundo tem tanto para dar!

«Deixa-me então falar-te da vida, do sentido da vida, da vida que Eu te dou.»
Agora não, estou muito ocupado em gerir a minha vida à minha vontade.
E depois ando também muito empenhado em criar a vida, porque não duvides, nós homens também somos capazes de criar vida!
«Mas e a alma, também consegues criar a alma?»
O que é isso de alma? É algo que se possa ver com os nossos olhos ou tocar com as nossas mãos?
Se não é, não existe, não interessa, não tem sentido porque não pode ser experimentado e provado.
«Não te entendo, homem, dei-te a vida, tu dizes-me que queres e podes criar vida e no entanto fazes leis e mais leis para destruir a vida!»

«Pelo menos, deixa-me falar-te do amor.»
Do amor? O amor é coisa passageira! Experimenta-se, e se dá resultado tudo bem, se não parte-se para outra!
«Mas ouve, espera, o amor não é uma experiência. É antes um doar-se, um dar-se a conhecer, um partilhar e viver as coisas boas e as coisas más, num projecto de vida em comum, que Eu abençôo.»
Doar-se, dar-se a conhecer, partilhar? Nem pensar. Era o que mais faltava! Isso era colocar-me à disposição do outro e ficar dependente dele. Nem pensar. O que é preciso é retirar duma relação tudo o que me interessa, e quando estiver esgotada, arranja-se outra. E o outro se quiser que faça a mesma coisa!
«Mas, homem, isso não é amor, é individualismo e egoísmo! Então e a ajuda aos outros, o amor pelos outros, aqueles que mais precisam?»
Para isso também não tenho tempo, mas de vez em quando lá dou umas moedas a algum pedinte e já faço muito!
Isto é como todas as coisas, uns nasceram do lado certo e outros do lado errado, o que se há-de fazer!
Eu não tenho culpa nenhuma que assim seja, e o que tenho custou-me muito a ganhar, é meu! Uns têm e outros não, é a vida!

«Então e Deus?»
O que é que tem Deus? Deus está lá e nós estamos cá, se é que Ele existe.
Ele trata das coisas d’Ele e nós das nossas! Agora é assim, separação total, cada um sabe de si, e depois elegemos uns de nós que tratam de tudo o que é preciso. Não precisamos que Deus interfira nas coisas dos homens.
E já Te dei muito tempo afinal, por isso vou-me embora que tenho mais que fazer!

E enquanto se afastava de Deus, o homem ia ouvindo no seu coração:
«Em verdade, em verdade te digo, mesmo que te afastes de Mim, mesmo que não me queiras, Eu amar-te-ei sempre com amor eterno, e estarei sempre à tua espera para te receber e acolher. É que sabes, sem Mim, sem o amor que Eu sou, a tua vida não tem sentido.»


Monte Real, 24 de Junho de 2010
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

ESTRANHAMENTE SÓ!

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A Igreja Católica em Portugal não se irá intrometer nas eleições presidenciais de 2011, disse esta tarde o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga.
Em declarações aos jornalistas no final da Assembleia Plenária Extraordinária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga recordou que tem sido essa a atitude da Igreja Católica em Portugal: não se intrometer “o mínimo que seja” em qualquer questão de índole política.
“Não nos intrometemos até agora e não nos intrometeremos nesta questão”, afirmou.
Para o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o trabalho da Igreja Católica é “formar as consciências” para, depois, cada cidadão optar no momento do voto.
Questionado sobre campanhas em curso, até com propostas de homilias, incentivando ao envolvimento da Igreja Católica nas eleições presidenciais de 2011, D. Jorge Ortiga disse que são iniciativas de alguns católicos, no direito que têm de se manifestarem.
“O facto de alguns católicos se unirem para manifestar algum tipo desejo, isso é uma questão pessoal e um direito que se lhes assiste”, referiu.
O Presidente da Conferência Episcopal frisou, no entanto, que “não gostaria de ver o nome de ‘católico’ envolvido nestas coisas”.
Para D. Jorge Ortiga, campanhas que possam estar em curso são de iniciativa individual e não correspondem a “uma atitude da Igreja em Portugal”.

Agência Ecclesia – 17.06.10



Depois de ler esta notícia da Ecclesia sinto-me estranhamente só!
Não me sinto apenas estranhamente só, sinto-me também um anónimo, sem identificação, sem referências!

Sinto-me só, porque a minha Igreja me diz pela voz de um seu pastor que, se eu quiser colocar em prática e viver os ensinamentos do cristianismo na minha vida interior e em sociedade, tentando ajudar a construir um mundo à luz do ensinamento de Jesus Cristo, a minha Igreja não me acompanha, porque não se “intromete nessas questões”!

Julgava eu ainda, que uma das especificidades do cristianismo e da sua prática, era a comunhão em Cristo, por Cristo e com Cristo, em Igreja, no testemunho e na vivência dos valores do homem enquanto criado por Deus e para Deus, na construção dum mundo novo querido por Deus, mas afinal é-me dito que a manifestação desse desejo “é uma questão pessoal e (apenas) um direito que me assiste”!

Aliás estou tão só, que se me envolver numa campanha dessas, faço-o apenas como “iniciativa pessoal”, pois a Igreja a que pertenço afirma, pela voz desse pastor, que tal iniciativa não é “uma atitude da Igreja em Portugal”.

Mas “sinto-me” também anónimo, sem identificação, sem referências porque esse mesmo pastor “não gostaria de ver o nome de ‘católico’ envolvido nestas coisas”, o que quer dizer, que se me envolver “nessas coisas”, não poderei referenciar-me como católico, e por isso mesmo como cristão, mas apenas como um cidadão sem Deus, sem Fé.

Sim, eu sei que estou a exagerar nas considerações que faço, mas não deveria haver muito mais cuidado nas coisas que se dizem, e sobretudo não deveria haver uma reflexão bem mais profunda sobre o papel da Igreja na sociedade portuguesa?

Claro que isto não diminui em nada a minha comunhão e o meu amor pela Igreja, que é uma das matrizes imprescindíveis na minha vida.


Monte Real, 18 de Junho de 2010
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

QUE CAJADO É ESTE, SENHOR?

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Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Ampara-me quando caio,
e ajuda-me a levantar.
Mas não torna o caminho mais fácil,
não endireita as curvas,
não afasta as pedras,
não remove os obstáculos,
nem aplana as subidas,
mas torna muito mais fácil,
seguir a direito e curvar,
caminhar sobre as pedras,
sem sequer me magoar,
ultrapassar os obstáculos,
sem neles ficar retido,
escalar o monte mais íngreme,
com vontade de continuar.
E mesmo que esteja ferido,
porque alguém me quis ferir,
o Teu cajado conforta,
cura e faz sarar,
dá ânimo e nova força,
para que a alegria retorne,
e eu volte de novo a sorrir.
Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Coloca-lo na minha mão,
mas dizes muito baixinho,
cheio de ternura e carinho:
«olha que este cajado,
que te dou para toda a vida,
pode estar na tua mão,
mas é extensão do coração.»
Agarro-me a ele com força,
sem ele já não sei viver,
faz parte de mim,
do meu todo,
só com ele eu posso ser.
É ele que me dá sentido,
ao caminho a percorrer,
é ele que faz em mim,
tudo o que eu não sei fazer,
é ele que me transforma,
numa vontade que é Tua,
é ele que me faz falar,
de Ti,
aos outros,
a todos,
na rua.
Que cajado é este,
Senhor
que Tu me dás para caminhar?
Um cajado que não tem fim,
que não se esgota no uso,
e não se esgota no tempo,
que pode ser frio e calor,
quer de noite, quer de dia,
a dormir ou acordado,
que transmite confiança,
e faz viver a esperança,
de saber que o tenho comigo,
sempre que eu quiser.
Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Este cajado tão forte,
tão eterno e tão presente,
sei-o agora,
Senhor
porque Tu mo queres mostrar.
Vem do Teu Coração,
como fonte a jorrar!
Este cajado,
Senhor,
que a mim e a todos dás,
é a vida,
é a paz,
é o Teu eterno Amor.


Monte Real, 9 de Junho de 2010
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Um blogue que recomendo vivamente!
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quinta-feira, 3 de junho de 2010

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO

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Fico-me assim, espantado, olhando para aquele “pedaço de Pão”, imaculado, o coração aberto, mais do que a boca escancarada.

És Tu que ali estás Senhor, mas não Te vejo com os olhos do corpo, (impedidos de Te verem), mas com o amor do coração, (que Tu lá colocaste, Senhor).

Quero ver-Te, Senhor, quero acreditar-Te, Senhor, quero adorar-Te, Senhor, mas pobre humanidade minha que me quer negar o que o espírito me diz: Tu estás ali, Senhor, vivo e presente, todo entregue, todo amor!

Deixo-me seduzir por Ti, abrem-se os meus olhos á «fracção do Pão», e o espírito vai-se fazendo, (por Tua graça), um com o corpo, e assim já é toda a minha humanidade que Te vê, que Te acredita, que Te adora.

Digo baixinho, para dentro de mim, «eu não sou digno», mas Tu respondes-me firme no amor, «és digno sim, porque sou Eu quem te dá a dignidade»!

Como posso eu, Senhor, não aceitar essa dignidade que Tu me dás para Te poder receber e seres o meu alimento de vida?

Retorno á minha frase inicial, Senhor, para perceber que para Te receber é muito mais preciso o coração aberto do que a boca escancarada!

E Tu vais guiando e dizendo ao meu pobre coração admirado: «Abre-te coração, mas para Te abrires a Mim, tens de te abrir a todos».

Que Mistério, que loucura, Aquele que é Deus, faz-se «pedaço de Pão», entrega-se como alimento e vai dizendo a cada um: «Não Me podes receber, se não receberes os outros!»

Assim tão simples, tão humilde, a colocares-Te tão igual a cada um, a fazeres-Te tão presença em cada um, porque «queres ser Um em todos, para que todos sejam um em Ti».

Queres assim, Senhor, que cada um seja sacramento para os outros, porque o Sacramento é a Tua presença viva no meio de nós.

Fico-me assim, Senhor, exaltado em adoração, perante o Teu Mistério e peço-Te humildemente: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Lc 24, 29



Marinha Grande, 3 de Junho de 2010

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

A GRAÇA DO PERDÃO

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Num destes dias enviaram-me uma mensagem que contava a história que abaixo reproduzo.

Conta uma história que dois amigos caminhavam pelo deserto. Num determinado momento da viagem, começaram a discutir. Um dos amigos deu uma bofetada no outro. Magoado, mas sem dizer nada, escreveu na areia: “Hoje o meu melhor amigo deu-me uma bofetada!”

Continuaram a caminhar até que encontraram um oásis. Decidiram tomar banho. O amigo que tinha sido esbofeteado começou a afogar-se, mas o seu amigo salvou-o. Depois de recuperar-se, escreveu numa pedra: “Hoje o meu melhor amigo salvou-me a vida!”

O amigo que tinha dado a bofetada e salvo o seu melhor amigo, perguntou: “Quando te magoei escreveste na areia. Porquê?”
O outro amigo respondeu: “Quando alguém nos ofende devemos escrever na areia, onde os ventos do perdão possam apagá-lo. Mas quando alguém faz uma coisa boa, por nós ou para nós, devemos gravá-la na pedra, onde nenhum vento possa apagá-lo”.

Fiquei a pensar nesta história, em como ela retrata bem, (ao contrário), esta situação nas nossas vidas.

Com efeito, quando alguém nos magoa, nos ofende, “guardamos” essa ofensa, essa mágoa e deixamos muitas vezes que ela tome conta da nossa vida.

Mas quando alguém nos faz bem, agradecemos na hora, talvez ainda recordemos um pouco, mas muito rapidamente esquecemos, e às vezes até com o passar do tempo começamos a desvalorizar a ajuda que nos deram, deixando que pensamentos como, “não fez mais que a sua obrigação”, ou, “eu também lhe fazia o mesmo se pudesse”, tomem conta de nós e vão apagando da nossa memória o bem que nos fizeram.

O curioso é que, quando guardamos a ofensa, a mágoa, ela vai tomando conta da nossa vida e vai crescendo na dor e na amargura, de tal modo que, muitas vezes nos começa a levar para sentimentos de vingança, ou no mínimo de sentimentos onde desejamos que aquele, ou aquela que nos fez mal, sofra também o que nós sofremos, ou talvez até mais um pouco.

Assim, normalmente o que fazemos é “escrever o mal que nos fazem na pedra, e o bem que nos fazem na areia”.

Percebemos então que somos muito mais vulneráveis ao mal, e à tentação que ele nos traz, do que apegados ao bem, e ao amor que ele nos quer fazer viver.

Mas o que é interessante e que nós a maior parte das vezes não nos apercebemos, é que o mal, a falta de perdão, quando o permitimos, nos vai envenenando a vida, nos vai tornando amargos, rancorosos, não só com quem nos ofendeu, mas também com aqueles que nos rodeiam, e que por isso mesmo se vão afastando de nós.
Por outro lado o bem, se o guardamos, traz-nos alegria, paz, serenidade e vontade de viver, que se vai transmitindo àqueles que nos rodeiam e os torna também a eles mais felizes e desejosos de estarem connosco e partilharem connosco as suas alegrias e tristezas.

Sabemos tudo isto, sentimo-lo sem dúvida, e no entanto quando somos ofendidos a nossa primeira reacção não é normalmente o perdão.

E no entanto se fosse, seriamos bem mais felizes!!!

Monte Real, 31 de Maio de 2010
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segunda-feira, 24 de maio de 2010

PEQUENEZ!

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Disseram-me ontem, Senhor, que eu sou muito grande e tapo a vista aos outros.
Não que isso me incomodasse, pois tenho-o ouvido tantas vezes, e em tantos momentos da minha vida.

Mas fiquei a pensar nisso, até porque naquela altura respondi com um sorriso a quem mo dizia:
«Sabe, tenho tentado como João Baptista diminuir, para que Ele cresça, mas pelos vistos não tenho conseguido.»

E agora, Senhor, fiquei mesmo a pensar se eu serei “realmente grande”, ou melhor, se ainda me acho “grande”, e assim sendo não deixo que Tu cresças em mim.

Era uma procissão, Senhor, e queriam ver a imagem de Tua Mãe que passava, vinda da Capelinha das Aparições para Leiria, e não conseguiam porque eu lhes tapava a vista.

E eu fico a pensar:
Será que nessa minha “grandeza”, eu não deixo que os outros vejam que estás em mim, como neles também?
Será que sou eu que apareço muito mais, do que Tu apareces em mim?
Será que eu dou muito mais testemunho de mim, do que eu faço, do que testemunho a Tua presença na minha vida e das maravilhas que fazes em mim?
Será que eu acho que sou capaz de fazer alguma coisa, se não fores Tu a fazer em mim, na minha disponibilidade e entrega a Ti e aos outros?
E será que eu estou disponível para Ti e para os outros?

Ah, Senhor, que ao olhar para dentro de mim, afinal ainda vejo mais o meu tamanho exterior, do que a minha pequenez interior, e por isso mesmo, Senhor, em vez de Te “mostrar” em mim, ainda tapo a vista aos que querem “ver-Te”!

Perdoa-me, Senhor e deixa que faça minha a oração de João Baptista, «Ele é que deve crescer, e eu diminuir.» Jo 4,30.
Que esta oração saia do meu coração como um compromisso assumido, que só se tornará realidade se eu for realmente disponível e entregue à Tua presença em mim.

Então, Senhor, serei tão pequeno que ninguém me verá, mas por Tua graça, somente verão a Ti.

Monte Real, 24 de Maio de 2010
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segunda-feira, 17 de maio de 2010

BENTO XVI - 2

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Desde a chegada a Lisboa, a Missa no Terreiro do Paço, a oração na Capelinha das Aparições, a entrada na igreja da Santíssima Trindade, (onde ansiosamente o esperávamos), a Missa no Porto e a despedida, que vou olhando para a figura, para a presença de Bento XVI, tentando perceber o que ela me faz sentir, o que ela me provoca, ouvindo as suas palavras e querendo deixar que elas me apontem caminho, me façam ver aquilo que ainda não vi e preciso ver, na minha caminhada de conversão diária.

E “vejo”, “vejo” claramente a passagem bíblica da “tempestade acalmada”, Mc 4, 35-41

A barca, (a Igreja), no meio da tempestade, as ondas alterosas atirando-se contra ela, fustigando-a de todos os lados, e «Jesus, à popa, dorme sobre uma almofada.» Mc 4, 38

Os homens estão cheios de medo, não sabem o que fazer, olham uns para os outros, interrogando-se nos olhares sobre como vencer aquela tempestade.

E Jesus dorme!

Jesus dorme, porque há uma diferença nesta passagem, tal como a “vejo” agora!

É que no meio da barca, serenamente, está um homem de pé, de branco vestido, que aponta o caminho, que diz aos homens como fazer, para não perecerem na tempestade.

Com uma humildade desconcertante, mas com uma firmeza constante, ensina como navegar, como aproveitar os ventos alterosos, como dominá-los, como converte-los em ventos de feição, em ventos de crescimento, em ventos de fazer caminho.

Não se perturba, o seu olhar é tranquilo, o seu sorriso é constante, as suas palavras são firmes, mas repassadas de amor, e de todo ele emana uma paz que se vai transmitindo aos outros.

Vai explicando que na barca há alguns que navegaram e navegam contra corrente, que se afastaram, e afastam da rota de marear, mas que é preciso retornar ao caminho, à rota inicial, àquela que leva a bom porto.

E calmamente vai dizendo que todos cabem na barca, os que foram prejudicados por uma rota errada, e também aqueles que erraram a rota.

A uns é preciso acolhê-los e amá-los, tentando dar-lhes o que lhes tiraram.
Aos outros é preciso fazê-los sentir que erraram, mas que ainda há tempo de corrigir a rota, e encontrar a navegação certa.

É que a barca é grande e tem muitos compartimentos, onde todos e cada um são precisos, com missões diferentes, mas todos trabalhando para a mesma navegação que fará chegar a barca a porto seguro.

A tempestade continua, as ondas ainda se abatem sobre a barca, mas os homens na barca começam a ganhar mais confiança, porque aquele homem de pé, de branco vestido, lhes transmite essa mesma segurança, quando lhes diz:
Não temais que esta barca nunca se afunda!

Fitam-no, alguns surpreendidos, outros incrédulos ainda, mas olhando-o nos olhos perguntam-lhe:
Como podes tu ter tanta certeza que a barca nunca se afunda?

E ele sorrindo, num sorriso tranquilo e confiante, aponta-lhes a popa da barca e diz-lhes em voz firme:
Não vedes que Ele está sempre connosco, até ao fim da viagem?!

E prossegue firme nas palavras a dizer-lhes, a dizer-nos, (é que nós também vamos na barca):
Não nos ensinou Ele a rota para o bom porto? Não nos ensinou Ele a navegar mesmo nas ondas alterosas e nos ventos contrários? Não nos disse Ele e nos mostrou ao dar a vida por nós, que nada nem ninguém pode nada contra a Barca que Ele construiu e contra as vidas daqueles que Ele criou?

E continua ainda sem desfalecimento:
Então o que esperais? Mãos à obra! É preciso voltar à rota inicial, à rota que Ele mesmo nos ensinou. Não nos disse Ele, que se n’Ele permanecêssemos, Ele permaneceria connosco? Não nos disse Ele que mandaria um Vento Novo que nos conduziria na navegação perfeita? Então deixemos que esse Vento Novo nos conduza, e poderemos ter a certeza que todos os outros ventos e todas as ondas se acalmarão, e chegaremos ao porto que não tem fim.

Olhando-nos nos olhos, diz-nos então sem uma única expressão de dúvida:
E sabeis como sei eu isto? É que Ele está ali, sempre, a dormir na popa, sem nunca nos abandonar!

Reparai, disse ainda:
Na Sua entrega por todos nós reside esta certeza de que o porto seguro nos espera e está sempre ao nosso alcance, porque neste dormir tranquilo, Ele nos diz que confia mais em nós, do que nós confiamos n’Ele. É que sabeis, Ele conhece-nos, bem melhor do que nós nos conhecemos, e nunca permite nada que esteja acima das forças que Ele mesmo nos deu!

E termina dizendo:
Confiai nisto que Ele nos diz sem cessar, «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»Mt 28, 18-20

Marinha Grande, 15 de Maio de 2010
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

BENTO XVI - 1

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Ontem estive em Fátima, na igreja da Santíssima Trindade para rezarmos as Vésperas com o Papa Bento XVI.
Foi algo que me foi oferecido e que eu agradeço a Deus do mais fundo de mim próprio.
Claro que tinha de escrever sobre tudo isto!
Sentado aqui, com este teclado na minha frente, deixo extravasar as minhas emoções e as minhas vivências destes dias.

Bento XVI é uma figura frágil, quase apagada, tímida, e no entanto a sua presença faz-se sentir e toma conta de nós.
João Paulo II apresentava-nos a fragilidade da doença que como um verdadeiro mártir abraçava, tenho a certeza por todos nós.
Bento XVI apresenta-nos também uma fragilidade, de tal modo que dá vontade de o proteger, mas quando olha, quando fala, quando ora, percebe-se a firmeza, a segurança, a radicalidade da entrega confiante.
Cada um dos seus gestos é uma expressão da interioridade da Fé que vive e à qual se entrega, e percebe-se que todos eles têm uma explicação doutrinal e catequética.
Nada é dito que não tenha importância e em todas as suas palavras há um profundo ensinamento.
Percebe-se, digo eu, que mesmo reconhecendo-se a si próprio como homem profundamente inteligente e de cultura absolutamente invulgar, reconhece que nada disso serve para nada se não for iluminado pelo Espírito Santo que o conduz.
E percebe-se isso, digo eu, porque cada momento de pausa, (e ele provoca muitos momentos de pausa), são passados em profunda oração, como a esperar a condução do Espírito para o próximo momento.
Poderemos dizer que as homilias já estão escritas, é certo, mas atrevo-me a dizer que foram escritas em oração e iluminadas pela oração que constantemente toma conta dele.
O sorriso é tímido, quase envergonhado, mas é ao mesmo tempo de uma humildade confiante, desconcertante.
O brilho nos olhos muito vivos, revela uma paz e uma confiança que vão muito para além das suas capacidades, porque são a certeza do Emanuel, o Deus connosco, que ele não cessa de repetir à saciedade: Jesus Cristo está connosco, está no meio de nós!
E as suas palavras revelam isso mesmo.
Num mundo que quer encontrar um deus que sirva as suas necessidades, Bento XVI afirma-nos contra a corrente que provavelmente andamos enganados, pois Deus não se encontra fora, mas sim e primeiro dentro de nós e nos outros.
Afirma aos sacerdotes e a todos nós, que Deus se encontra em nós na oração, na prática diária do amor, e não na azafama das coisas que não têm a ver com a missão, seja ela sacerdotal, seja ela a de simples leigos discípulos de Cristo.
Essas virão por acréscimo, e serão abençoadas por Deus, porque se Ele vive em nós, também por Ele são queridas e abençoadas.
É o recentrarmo-nos em Cristo, fonte, princípio e fim de todas as coisas, porque só n’Ele, com Ele e por Ele, essas mesmas coisas têm sentido.
Em Fátima mesmo sem o dizer, ele diz-nos que Maria só pode ser entendida e “usufruída” quando iluminada por Cristo.
E então, quando assim é, que poderosa intercessora, que insigne advogada, temos na Mãe que o próprio Senhor nos quis dar.

Ao ouvir, ver e tentar perceber Bento XVI, questiono os meus saberes, as minhas certezas, e fico incomodado com as minhas vaidades e os meus orgulhos, percebendo então que nada sou e que só quando me entrego verdadeiramente a Jesus Cristo, tudo o que me foi dado saber, aprender e viver, tem sentido e pode servir aos outros.

Esta será para mim uma primeira lição, e que importante lição, saber que devo viver na entrega constante, porque só quando me entrego totalmente e deixo que Deus faça em mim, eu sou verdadeira “imagem e semelhança” d’Ele, e que só assim posso ser para os outros o que Jesus Cristo é para mim e em mim.

Monte Real, 13 de Maio de 2010
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sexta-feira, 7 de maio de 2010

DEUS NÃO SE ENCONTRA NO MEDO

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Recebi recentemente um pps em que, para se afirmar a presença de Deus no mundo, se enunciavam algumas situações de pessoas e atitudes, (como por exemplo o Titanic), que teriam “desafiado” Deus e acabaram por morrer, ou acabaram por ter alguma “desgraça”.

Julgava eu que esse tipo de argumentos, (Deus castiga!), já tinham desaparecido das mentes dos cristãos e católicos, tanto mais que esse caminho há muito foi abandonado do ensino da catequese das crianças e dos adultos.

Deus, o nosso Deus, Aquele em quem acreditamos, é um Deus de amor e não um Deus de vingança mesquinhas contra aqueles que o repudiam ou até contra Ele se encarniçam.

Deus, o nosso Deus, Aquele em quem acreditamos, é um Deus de braços abertos sempre pronto a acolher a todos, mesmo aqueles que não O querem e repudiam.

Deus, o nosso Deus, Aquele em quem acreditamos, é um Deus que só se pode encontrar no amor e não no medo.

Se Deus se “vingasse” daqueles que não O querem e repudiam, onde estava então a liberdade em que nos criou?

Deus não obriga ninguém a n’Ele acreditar, a aceitá-Lo, a amá-Lo, a adorá-Lo, porque que nos criou livres, porque nos criou no amor.

Se assim não fosse, pobres de nós!

Deus, o nosso Deus, Aquele em quem acreditamos, é um Deus de amor e como tal “apenas é capaz” de amar!

Coisa bem diferente é estar sobre a protecção de Deus, porque n’Ele acreditamos, porque O amamos e adoramos, porque a Ele recorremos, porque com Ele e a Ele comungamos.

É que se a nossa vida for vivida em comunhão com Ele e com os outros, vivemos na confiança, na paz, na esperança, e então não há em nós desesperos, nem atitudes contra a vida, que tantas vezes nos condenam.

Mas não é Deus que nos condena, (Ele “apenas” nos ama), somos nós que nos condenamos ao vivermos dependentes da carne, que leva à dependência e à escravidão dos vícios.

E o resto, o resto é parte da vida deste mundo, onde tantas vezes encontramos “icebergues” que nos querem afundar, mas que, se estivermos em comunhão e paz com Deus, longe de ser uma desgraça, é um caminho de crescimento, e mesmo que pereçamos, nunca é o fim, mas sim um começo de uma vida nova que nunca mais acaba.

E essas mensagens que aqui refiro acabam sempre com dois tipos de “advertências”, como que a exigir-nos que as façamos passar a outros, coisa que nunca faço.

Por um lado tentam fazer chantagem, dizendo coisas como: “Se és amigo de Jesus…, se tens coragem…”, e por aí fora. Por outro lado, ameaçam, tal como: “Se não fazes isto acontece uma desgraça, etc., etc.”

Deus ama-nos inteira e totalmente, não nos ameaça nem invoca a Sua ou a nossa amizade para nos exigir o que quer que seja.

Quem ama dá-se, comunga-se, vive-se, não faz chantagens, nem ameaças!

Por isso mesmo, Deus, o nosso Deus, Aquele em quem acreditamos, não se deixa “manipular” pelos homens, nem os “manipula”, mas “apenas” os ama, e quer ser amado, porque é Pai, para nos dar a vida em plenitude, a vida que não tem fim, a Vida Nova que se vive quando nos encontramos pessoalmente e intimamente com Jesus Cristo, no Espírito Santo.

Monte Real, 7 de Maio de 2010
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sexta-feira, 30 de abril de 2010

CARTA ABERTA AO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA

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Exmo. Senhor Presidente da República

Aparece nos órgãos de comunicação social a “notícia” de que V. Exa. estaria a preparar o veto à vulgarmente chamada, “Lei dos casamentos homossexuais”.

Com toda a sinceridade não acredito muito nessa hipótese.

Com efeito, e se olharmos para trás, percebemos que em todos os momentos em que foi preciso o Presidente da República ter uma intervenção a favor dos valores que enformam a sociedade portuguesa, V. Exa. sempre decidiu de acordo com a minoria que grita mais alto e que se arroga do direito, (com uma pretensão de modernidade), de mudar tudo o que faz parte da cultura e dos valores da Nação Portuguesa.

Foi assim com a “Lei do Aborto”, com a “Lei para facilitar os divórcios”, para apenas focar estas, mas, curiosamente, quando a “Lei do Estatuto Regional dos Açores” beliscou os poderes da Presidência da República, aí e nesse caso, tomou uma posição de força e “comprou” mesmo uma “guerra” com o Governo.

Por isso, e por este modo de proceder a que nos habituou, é que eu duvido muito que a referida “notícia” tenha alguma credibilidade.

Mas já agora aproveito para pedir a V. Exa. que nos poupe à leitura de uma qualquer nota que decida enviar à Assembleia da República, tal como fez quando da “Lei do Aborto”, pois essas notas não são mais do que um lavar de mãos, uma atitude do tipo: “Eu não concordo, mas assino”.

Tenho eu alguma coisa contra os homossexuais poderem viver juntos e até terem direitos reconhecidos por lei civil dessa mesma união?

Não, não tenho nada contra, pois essa é uma opção de cada um, que eu não julgo, nem tenho de julgar, embora vá contra a Doutrina e a Fé que eu professo na minha vida.

Posso afirmar essa Fé e essa Doutrina, testemunhando-a e tentando cumpri-la, mas não posso, não devo, nem quero impô-la a ninguém que a não queira aceitar e seguir.

Outra coisa bem diferente é aceitar que a instituição do Casamento, que desde sempre se entendeu como a união entre um homem e uma mulher, (escuso-me de pensamentos exaustivos sobre o assunto que já são do conhecimento de todos), para em circunstâncias normais constituírem uma família, seja posta em causa, apenas para tornar normal aquilo que o não é.

E o problema maior é que com estas leis que V. Exa. vai aprovando, (embora afirmando que o faz a contragosto), a sociedade portuguesa se vai desagregando e dando sinais de uma degradação progressiva.

Neste momento e julgo que nestes últimos dois anos, já morrem em Portugal mais Portugueses do que aqueles que nascem.
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O aborto que seria para as excepções, (se é que há excepções quando se trata de defender a vida humana?), tornou-se prática comum, de tal modo que constitui já, no fundo, um método anticoncepcional com a ironia, (se é que assim se lhe pode chamar), de o ser já depois da concepção.

Os compromissos assumidos num casamento, são menos importantes e defendidos em lei do que um vulgar contrato de trabalho, o que leva cada vez mais à desresponsabilização das pessoas, à destruição fácil das famílias, e ao cada vez mais periclitante desenvolvimento harmonioso das crianças e dos jovens, com as consequências que estão à vista na nossa sociedade.

Afirma-se em defesa da aprovação destas leis que as mesmas faziam parte dos programas dos partidos sufragados em eleições, como se algum Português que queira ser verdadeiro acredite que antes de votar, cada cidadão lê algum desses programas.

Mas a ser assim, e se essa fosse uma razão de peso para a aprovação dessas leis, também V. Exa. se poderá socorrer da sua condição de cristão e católico, pois que os Portugueses que em si votaram sabiam dessa sua “condição”, que V. Exa. não fez segredo nenhum em mostrar.

É que não se é cristão e católico para umas coisas e outras não!

Um cristão e católico deve pautar a sua vida pela Fé e pela Doutrina que afirma professar e tanto uma como a outra estão acima dos seus próprios interesses, ou mesmo os dos outros, quando os mesmos ferem e cortam a sua relação com Deus.

Foi por isso, por exemplo, que Pedro e João depois de proibidos pelo Sinédrio de falar ou ensinar em nome de Jesus Cristo, responderam:
«Julgai vós mesmos se é justo, diante de Deus, obedecer a vós primeiro do que a Deus. Quanto a nós, não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos.» Act 4, 19-20

Senhor Presidente da República

Este Governo e as leis que fez aprovar na Assembleia da República, verdadeiros atentados à vida, aos valores, à sociedade, irá ficar na história de Portugal como um dos períodos mais negros da sua existência.

As notas que V. Exa. enviou e enviar à Assembleia da República, invocando o seu tímido desacordo não passam disso mesmo: notas, que não ficarão para a posteridade!

Como tal, o que ficará na história será o facto de V. Exa. ter aprovado também essas leis iníquas, o que o torna conivente com a degradação da sociedade Portuguesa.

V. Exa. sabe bem que o referendo pedido por tantos Portugueses para esta lei nunca foi admitido, porque havia a certeza, pela parte dos fautores da lei, que o mesmo lhes seria adverso, pois basta ver e ler as sondagens que foram feitas sobre o assunto.

V. Exa. não tem que concordar com o Governo e as forças políticas que pouco a pouco vão destruindo a nossa sociedade, até porque uma maioria na Assembleia, não significa forçosamente uma maioria no País.

E depois, mesmo que houvesse uma maioria, a verdade é que há maiorias que se enganam.

Senhor Presidente da República, V. Exa. poderá ficar na história de Portugal de dois modos.

Ou como aquele que ratificou leis que destruíram a nossa sociedade, ou como aquele que teve a coragem de se lhes opor por um bem maior, sendo coerente com os seus princípios e com os valores da Nação Portuguesa.

Do primeiro modo, rapidamente será esquecido, do segundo será lembrado para sempre.

É certo que o veto poderá não impedir que a lei seja mais tarde novamente aprovada pela Assembleia da República e assim, (julgo eu), ter V. Exa. a “obrigação” de a ratificar.

Mas perante esse facto tem V. Exa. a oportunidade de demonstrar que a coerência de vida assente na Fé e Doutrina que afirma professar, fala mais alto que uma qualquer função pública, (por mais importante que ela seja), e então recusar-se novamente a ratificar a referida “lei”.

E se para tal, for preciso renunciar às suas funções como Presidente da República, faça-o, porque ganha o País ao passar-lhe V. Exa. uma tal imagem de coragem e coerência, ganhamos todos nós ao percebermos que afinal ainda há cristãos e católicos que não desistem de colocar «Deus acima de todas as coisas», e ganha com certeza o Aníbal Cavaco Silva a quem Deus abençoará na sua decisão e dando-lhe, em todos nós que acreditamos, o respeito e a admiração devidas por tal atitude.

Dará também aos Portugueses, que tanto andam deprimidos e desinteressados da vida Portuguesa, um novo alento, pois perceberão que ainda vale a pena lutar por uma sociedade mais justa, mas sem fazer concessões àqueles que no fundo a querem destruir, pensando apenas nos seus próprios interesses.

Muitos dirão que sou um sonhador!
Sê-lo-ei, sem dúvida, mas prefiro acreditar que ainda é possível testemunhar a coerência de tudo em que dizemos acreditar.

Se em algum momento desta carta, ofendo V. Exa. peço que me perdoe, pois não é nem foi esse o meu intuito.

Com os meus respeitosos cumprimentos.
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

OS DOIS MARES

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No Sábado passado, fui ao Porto, participar na Assembleia Diocesana do Renovamento Carismático Católico, em que o pregador convidado era o Padre Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia desde 1980, salvo o erro.

Homem sereno, percebendo-se mesmo sem um contacto directo uma simpatia e alegria tocantes, fala com profundidade, mas com uma simplicidade e humildade desconcertantes.

Nos intervalos “passeou” no meio das pessoas e com todas as que se lhe dirigiram falou sem constrangimentos.

Muito retive e todos retivemos do que nos ensinou, mas queria aqui neste escrito salientar uma “imagem” que apesar de já a ter ouvido, me tocou profundamente.

A imagem é esta:
O rio Jordão alimenta dois mares, o Mar de Tiberíades e o Mar Morto.
O primeiro cheio de vida, o segundo sem vida nenhuma.
No primeiro, o rio Jordão entra, alimenta o mar e sai novamente.
No segundo, o rio Jordão entra e fica, já não sai para lado nenhum.

Este é um ensinamento de vida, que nos serve sem dúvida para tudo o que devemos fazer da vida de cada um.

Se nos fechamos em nós próprios, no egoísmo, na avareza, no auto-prazer, no auto-elogio, na auto-comiseração, na pena de nós próprios, ficamos mortos e a nossa vida para nada serve, nem mesmo para nós.

Se pelo contrário, nos damos, nos entregamos, se partilhamos de nós e o nosso, a nossa vida torna-se fonte de alegria, de felicidade para os outros e para nós.

E se isto é verdade na nossa vida em sociedade, ainda se torna mais verdadeiro na nossa vida como filhos de Deus, que o devemos ser também em sociedade, claro.

Com efeito se a nossa vivência da Fé, (Dom de Deus), é partilhada, testemunhada, torna-se chamamento, exortação e ensinamento para os outros, dos quais recebemos também a mesma prática de vida.

Se pelo contrário nos fechamos e guardamos a sete chaves o tesouro da Fé, acabamos por estiolar, nada aprender, e perder a própria Fé que nos foi dada.

A vida e a fé são dons de Deus, talentos que Ele nos dá para serem colocados a render.
Se assim não for, nada rendem, perdem o valor e acabam por morrer. São o Mar Morto!

«Ninguém acende uma candeia para a cobrir com um vaso ou para a esconder debaixo da cama; mas coloca-a no candelabro, para que vejam a luz aqueles que entram. Porque não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba e venha à luz.
Vede, pois, como ouvis, porque àquele que tiver, ser-lhe-á dado; mas àquele que não tiver, ser-lhe-á tirado mesmo o que julga possuir.» Lc 8, 16-18 (Lc 19,26; Mt 25,29; Mc 4,25)

Por isso a Igreja, por isso sermos Igreja!

É em comunhão que devemos caminhar, à Luz de Cristo, dando-nos a todos e de todos recebendo, (os que estão em Igreja e os que estão fora), porque a salvação, (dádiva de Deus), não se alcança sozinho, mas sim na união fraterna em comunhão com Cristo.

Sejamos os Cireneus uns dos outros na procura e entrega a Jesus Cristo, (os que O conhecem e os que ainda d’ Ele não ouviram falar), porque só assim seremos Igreja e então, assim sendo, será novamente verdade o que se afirmava das primeiras comunidades cristãs.

«Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, o temor dominava todos os espíritos. Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um.
Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação.» Act 2, 42-47


Monte Real, 23 de Abril de 2010
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

"LIVRA-NOS, SENHOR, DOS NOSSOS AMIGOS..."

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É muito “velha” a frase: «Livra-nos Senhor dos nossos amigos, porque com os inimigos podemos nós bem!»

Vem isto a propósito de uma “volta” que dei por diversos blogues cristãos católicos, (alguns de sacerdotes), em que me dei conta de que alguns enveredaram pelo caminho mais fácil, e, utilizando o menor denominador comum, embarcam afinal na campanha de ataque à Igreja Católica que está em curso na comunicação social.

Se juntarmos a isto, alguns textos de alguns sacerdotes, que se consideram “fazedores de opinião”, publicados em diversos jornais, a “velha” frase é perfeitamente compreensível.

Em primeiro lugar, afirmo desde já, que sou totalmente contra o encobrimento de actos ignóbeis, pecados graves, sejam eles pedófilos ou outros, cometidos por membros da Igreja contra a sociedade e sobretudo sobre os mais pequenos, não só em idade, mas também em formação e maturidade espiritual e física.

Mas também sou frontalmente contra a exploração para além dos limites, de uma culpa que é pessoal e não colectiva, e também do permanente “abrir ferida”, mesmo perante a assumpção da culpa e respectivo pedido de perdão e nalguns casos até condenação.

Mesmo na sociedade civil, o indivíduo depois de se reconhecer culpado e cumprir a pena imposta, tem direito a não ser permanentemente julgado na praça pública pelo crime que cometeu, já reconheceu e já pagou.

No ensinamento cristão, o perdão faz parte inalienável da Doutrina e depois de reconhecido, confessado o pecado e perdoado, deve apenas servir de reflexão para o próprio e não para recordação diária e constante dos outros, com o fim de "apedrejarem" o pecador.

Vivemos num tempo em que muitos citam Jesus Cristo, interpretando-O a seu belo prazer e segundo as suas conveniências, tentando que a Doutrina por Ele ensinada esteja de acordo com o pensamento geral do momento em que vivemos, afastado da moral e dos valores.

Compreende-se, é mais fácil assim, não exige luta diária contra o pecado, e, sobretudo, tem-se o elogio da dita sociedade, ganhando-se até um certo protagonismo.

E se esta prática já é condenável naqueles que se dizem cristãos e católicos é totalmente inadmissível naqueles que consagrados na Igreja, se servem até dessa posição para melhor serem ouvidos por toda uma sociedade que quer um deus e uma igreja à medida das suas conveniências.

E é de tal modo inebriante este protagonismo, e os elogios que vão recebendo, estes consagrados na Igreja, que partem às vezes para o insulto gratuito e descabido ao Papa e aos Bispos e até aos seus colegas Sacerdotes, colocando-se numa posição de superioridade que apenas lhe é conferida pelo seu auto-convencimento.

E recebem comentários e elogios ofensivos para a Igreja, para o Papa, para os Bispos, para os Sacerdotes, para os Leigos empenhados, e longe de se colocarem numa posição de bom senso e sobretudo de comunhão cristã, ainda “ajudam à festa”, indo por vezes mais longe que os próprios comentadores ou elogiadores.

Pois é, os tempos são difíceis!

Não é agora tão fácil ser cristão católico, pois para além da luta diária contra uma sociedade que se vai afastando todos os dias dos valores da dignidade da vida, tal como ela foi querida e criada por Deus, tem também de se arrostar com uma enorme quantidade de insultos, incompreensões e até perseguições, não só daqueles que querem “matar” Deus, mas também daqueles que se acham, mesmo dentro da Igreja por Ele fundada, detentores da verdade absoluta, colocando de lado toda a Tradição, todo o Magistério, toda a História da Igreja.

É, realmente é mais fácil assim!

É mais fácil estar em concordância com a “moral” vigente, do que ter de defender o Ensinamento de Cristo, do que ter de defender a Doutrina, do que ter de defender a Igreja e o seu Magistério.

E traz mais protagonismo, mais visibilidade, mais “amigos”, mais reconhecimento agora, claro, nestes tempos, porque como diz outra “velha” frase: «Dos fracos não reza a história!»

E acho extraordinário que estes consagrados não se perguntem porque é que são sempre chamados, escolhidos, para darem a sua opinião acerca dos assuntos da Igreja e da Doutrina?

Não pensam sequer, (muito me espanta com a sua inteligência), que se por acaso tivessem um discurso diferente, ou seja, um discurso coerente com a verdadeira Doutrina, seriam postos de lado tal como são postos de lado a, (graças a Deus), grande maioria dos consagrados fiéis a Jesus Cristo em comunhão de Igreja?

Ou pensam precisamente nisso, e por isso mesmo vão adaptando o seu discurso ao sabor do mundo, ao sabor do pensamento imoral da sociedade em que vivemos.

Mas curiosamente não abandonam a Igreja que eles tanto criticam e na qual só vêem erros e maldades!
Não, isso não fazem, porque sabem bem que perderiam o protagonismo, pois sendo cidadãos comuns já não teriam o mesmo peso as suas declarações e já ninguém os quereria ouvir.

Peço perdão a Deus pelos julgamentos que aqui faço de irmãos meus consagrados na Igreja, mas por vezes a revolta é mais forte que a contenção dos pensamentos e das palavras, e também porque é tempo de aqueles que são fiéis a Cristo em comunhão de Igreja, levantarem a sua voz para dizer que não pensam, nem vivem a Fé como esses “arautos de opinião”, embora saibamos bem que nunca teremos o mesmo “tempo de antena”, nem de projecção mediática, que têm aqueles que alinham com o “pensamento moderno” que julga que o homem pode construir um deus à sua maneira e para servir os seus interesses e conveniências.

Rezo por estes irmãos que induzem em erro tantos que os lêem, rezo pelas vítimas dos pecados de alguns irmãos meus da Igreja, rezo por esses irmãos que cometeram tais actos, rezo pelo Papa, pelos Bispos, pelos Sacerdotes, pelos Leigos, pela Igreja, enfim, e rezo por esta sociedade que se vai perdendo, porque todos os dias se afasta um pouco mais de Deus.

Monte Real, 15 de Abril de 2010
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

A FALTA DE TEMPO!

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Aquela pessoa vagamente conhecida, chegou perto dele logo pela manhã e disse-lhe:
- Sabe, preciso de conversar um pouco. Preciso de desabafar. Ando tão sozinha e tão preocupada! Podemos conversar um pouco?
Fez um gesto de enfado e apressadamente disse:
- Agora não posso. Estou muito ocupado. Outro dia talvez. Depois telefone-me.
Afastou-se rapidamente e como cristão que é, olhou para o Céu e rezou:
- Senhor, desculpa, mas sabes bem que agora não tenho tempo!

Um pouco mais tarde na rua alguém lhe estendeu a mão.
Tentou disfarçar, mas era difícil, e então, entre dentes, disse para o pedinte um pouco incomodado:
- Desculpe, mas agora não tenho tempo. Fica para a outra vez!
Mais uma vez olhou para o Céu e rezou:
- Senhor, desculpa, mas sabes bem que agora não tenho tempo!

Finalmente no escritório, já sentado, bateram à porta e ele mandou entrar.
Era um dos seus empregados, talvez o mais tímido de todos, que lhe disse:
- Estou com um grave problema familiar. Preciso de ajuda. Pode ouvir-me por um instante.
Mesmo sem levantar os olhos dos seus papéis, falou num tom condescendente:
- Oh, homem, agora não que estou muito ocupado. Mas volte mais tarde.
Assim que se fechou a porta levantou mais uma vez os olhos ao Céu e repetiu:
- Senhor, desculpa, mas sabes bem que agora não tenho tempo!

Ao fim da tarde, chegou a casa e a mulher disse-lhe preocupada:
- Precisamos de falar por causa de uns problemas da nossa família.
Olhou para ela e disse com um ar enfadado:
- Ainda agora cheguei a casa! Tem paciência deixa-me descansar um pouco. Temos tempo para falar.
E afastando-se para o quarto, mais uma vez olhou para o Alto e rezou novamente:
- Senhor, desculpa, mas sabes bem que agora não tenho tempo!

Pouco depois, sentado na sala, frente à televisão, chegou o seu filho que lhe dá um beijo, dizendo:
- Oh pai, quero falar contigo por causa de uma coisa que aconteceu hoje na escola e me preocupa muito.
Sem tirar os olhos da televisão, dirigiu-se ao filho de uma maneira algo ríspida:
- Caramba, será que nem sequer posso ver as notícias na televisão? Com certeza que isso pode esperar, não?
O filho saiu cabisbaixo da sala e ele olhando mais uma vez para cima rezou:
- Senhor, desculpa, mas sabes bem que agora não tenho tempo!

Chega agora a sua hora de deitar.
Enquanto caminha para o quarto sente uma dor aguda no peito e percebe que o seu coração está a falhar.
Levanta os olhos ao Céu e reza angustiadamente:
- Senhor preciso de Ti! Ajuda-me depressa!
Ouve então uma Voz que lhe diz calmamente, repassada de amor:
- Não sei que resposta esperavas de Mim, mas para Ti, meu filho, estou sempre, sempre disponível, e pronto a ouvir-te e ajudar-te!


Monte Real, 25 de Março de 2010
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terça-feira, 6 de abril de 2010

OBRIGADO, SENHOR!

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Dou-te graças Senhor, pelo dom da vida, pelo dom do amor.

ConTigo, para Ti e em Ti, tudo quero viver.

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

SEXTA-FEIRA SANTA

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Ó que tempo de amor silencioso!
Ó que tempo de paz e tranquilidade!
Ó que tempo de tão humilde serenidade!
Ó que tempo de um esperar tão ditoso!
Repousa agora o Senhor,
E a vida deita-se com Ele!
Tudo se faz silêncio
Pois o Senhor de todas as coisas
Repousa o sono dos justos.
No Céu prepara-se a festa
Que se há-de derramar na terra
Como promessa cumprida
Da esperança já esperada!
Tudo está em silêncio!
Mas não é silêncio de morte,
É um silêncio de vida,
Porque a morte nada pode,
Contra o Senhor da vida.
A Semente desceu à terra,
Morre agora para dar vida.
Sente-se que a esperança cresce,
Toda no amor envolvida.
A terra abriu os braços
Àquele que é o seu Senhor,
Toda ela se faz prenhe
Da vida e do amor.
Agora já nada podem
Aqueles que O querem matar
Porque ao darem morte à Vida,
Fizeram-na renascer,
Agora para não morrer.
Rasguem-se as vestes,
Abram-se os corações,
Choremos as lágrimas todas,
Que os olhos possam conter!
Porque num instante,
Numa eternidade,
A vida irá romper!
Gloriosa, vitoriosa, deslumbrante,
Já nada haverá a temer.
Repousemos também com Ele,
N’Ele deixemo-nos morrer,
Porque no terceiro dia,
O mundo se espantará,
Com a glória do Senhor!
E então quem n’Ele estiver,
Quem n’Ele permanecer,
Será vida para sempre,
No gozo eterno de Deus,
Que por amor aos homens,
Se deixou assim morrer.
Repara na brisa suave
Que passa por toda a terra,
Agita as plantas e árvores,
Passa nos vales e nos montes,
Mergulha nos rios e mares,
Toca todos os animais,
Do ar, da terra e do mar,
E vem direita ao coração
Do homem que quer amar.
Faz-se silêncio na terra,
Tudo se prostra e recolhe.
Já quer explodir a alegria
Que no peito incontida,
Quer gritar ao mundo todo:
«Eu sou a Ressurreição e a Vida»!

Monte Real, 2 de Abril de 2010

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domingo, 28 de março de 2010

40º DIA DA QUARESMA - CARTA A JESUS NUM DOMINGO

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Meu querido Jesus

Hoje é Domingo, o dia em que a Igreja celebra a Tua Ressurreição, o dia em que venceste a morte e nos deste, por Tua graça, a vida eterna.

Vem à minha mente, querido Jesus, o pensamento de alguém que dizia: “Acreditar que Jesus Cristo nasceu, viveu entre nós, passou pela Paixão e Morte na Cruz, é fácil e muitos acreditam, acreditar que Ele ressuscitou é que já é questão de Fé, e por isso muitos não acreditam”.

Eu, por graça Tua, acredito na Tua Ressurreição e por isso Te quero pedir perdão por nem sempre dar testemunho dessa verdade, sobretudo quando me deixo abater com as contrariedades da vida e me apresento triste e sem ânimo.
Como posso eu, Jesus amado, ficar triste e abatido, quando acredito que Tu estás sempre comigo, connosco e que ressuscitaste abrindo-nos as portas da vida eterna?

Perdoa-me, adorado Jesus, porque é muitas vezes ao Domingo, que menos rezo, que menos estou contigo, para além da Eucaristia dominical, porque me deixo levar pela preguiça, porque às vezes, calcula Jesus, quase me deixo levar por um sentimento de que o Domingo é dia de descanso em tudo, como se pudesse haver algum cansaço em estar contigo.

Perdoa-me Jesus, porque fico muitas vezes a olhar para o Céu: «Homens da Galileia, por que estais a olhar para o céu?» Act 1,11 e não cuido de Te encontrar em mim e nos outros.

Perdoa-me, amado Jesus, porque às vezes vem a dúvida, a incerteza, o raciocínio humano a querer falar mais alto do que a Fé.

Perdoa-me, querido Jesus, porque às vezes pergunto-me onde Tu estás, quando quero firmemente acreditar que és um Deus sempre presente, como Tu nos prometeste.

Porque é tão fraca a minha Fé? Porque é que às vezes sou tão incrédulo? Porque é que de vez em quando me sinto tão sozinho?

Eu sei, Jesus amado, que Tu estás sempre comigo, eu é que nem sempre estou conTigo. Perdoa-me Jesus.

Lembro-me de uma frase que um dia colocaste no meu coração e que é tão verdadeira: “Não duvido do Teu amor por mim, Jesus, duvido é do meu amor por Ti”.

Quero dizer-Te como os discípulos de Emaús: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Lc 24,29
É que assim, Jesus, não haverá noite na minha vida, nas nossas vidas, e a Tua Luz romperá as trevas das nossas noites.

Um beijo a Tua Mãe, senta-nos, senta-me, no colo do Pai, para que nos deixemos envolver no Seu amor, e pelo Espírito Santo, concede-nos, concede-me uma Fé forte e perseverante.

Encostado ao Teu peito, peço-Te a Tua bênção, para este Teu irmão pequenino que cada vez mais quer ser apenas Teu.

Joaquim
09.07.06

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Amanhã prossegue a meditação quaresmal no Nova Civilização da Gisele.
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terça-feira, 23 de março de 2010

COREI DE VERGONHA!

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Paquistão: casal cristão nega a converter-se e é alvo de violência
ROMA, segunda-feira, 22 de março de 2010 (ZENIT.org). – Por se negarem a converter-se ao Islão, um casal cristão foi alvo de brutal violência por parte de extremistas muçulmanos, que aparentemente agiram com o apoio de polícias. O homem, Arshed Masih, foi queimado vivo e sua esposa, Martha Masih, violentada, enquanto seus três filhos, com idades entre 7 e 12 anos, foram obrigados a assistir a seus pais serem brutalizados.
O terrível episódio ocorreu no dia 19 de Março em Rawalpindini, próximo da capital paquistanesa Islamabad, na propriedade de Sheikh Mohammad Sultan, um empresário muçulmano rico, para quem Arshed e Martha Masih trabalhavam.
Segundo a AsiaNews, em Janeiro líderes religiosos fundamentalistas e Mohammad Sultan impuseram a conversão forçada de toda família Masih ao Islão. Diante de sua recusa, os extremistas prometeram-lhes “terríveis consequências”.
Em razão das ameaças, Arshed Masih manifestou sua intenção de deixar a propriedade de seu empregador com a sua família, mas Sultan prometeu “matá-lo” caso tentasse.
Na semana passada, as tensões acirraram-se quando Mohammad Sultan accionou a polícia para reportar o suposto roubo de 500 mil rúpias (cerca de 6 mil dólares) da sua casa, acusando a família Masih de envolvimento e exigindo, mais tarde, que se convertessem para que a queixa fosse retirada. Mais uma vez, o casal recusou-se.
Na sexta-feira passada, o casal foi finalmente atacado por um grupo de extremistas que, de acordo com fontes locais, incluía diversos polícias. Enquanto parte do grupo ateava fogo ao corpo de Masih, alguns dos oficiais de polícia violaram Martha.
Arshed, de 38 anos, permanece internado em estado gravíssimo no hospital da Sagrada Família de Rawalpindi, onde também se encontra a sua esposa Martha. Ele tem mais de 80% do corpo queimado e, segundo os médicos, “tem poucas chances de sobreviver”.
O governo da província de Punjab ordenou uma investigação sobre o ocorrido. “Os culpados serão presos”, garantiu Rana Sanaullah, ministro da justiça do governo local.
Após o crime, diversas manifestações de protesto por parte da comunidade cristã foram registadas nos arredores de Rawalpindi e Lahore.
Até o momento ninguém ainda foi preso.


Hoje ao ler esta notícia na ZENIT, corei de vergonha!

Vivemos num país onde ainda é livre a expressão religiosa e no entanto fazemos pouco ou nenhum uso dela.

Quando a nossa Fé é atacada por todos os lados, desde as notícias parciais e dirigidas na comunicação social, a um Estado que teima em fazer e aprovar leis que vão ao arrepio de todo um passado cultural e religioso do nosso povo, nós calamo-nos e não resistimos, ao menos com um testemunho credível de Fé.

Quando a Igreja é atacada, ofendida, quando a família é mutilada e desprezada por um Estado e seus Partidos, que se dizem laicos, mas apenas se assanham contra a religião cristã e católica, nós cristãos portugueses e até a hierarquia da nossa Igreja, calamo-nos ou damos respostas tímidas e envergonhadas, tentado viver de bem com Deus e o Diabo.

Quando até a Bíblia, Palavra de Deus, e os Sacramentos são vilipendiados e nós cristãos católicos somos apelidados de tudo e mais alguma coisa, por uma minoria activa e protegida pelo poder, na sociedade portuguesa, calamo-nos e timidamente nada fazemos, e às vezes até ajudamos, criticando a Igreja e colocando em causa a Doutrina.
E no entanto, aquele casal de indianos cristãos, no meio da falta de liberdade, ameaçados na sua própria vida, sem qualquer protecção, nem mesmo da polícia, não se envergonham, não recuam, não pactuam, não se deixam intimidar, e corajosamente, como verdadeiros filhos de Deus, afirmam a sua Fé e confiam-se à misericórdia de Deus, que não lhes faltará nunca, porque não pode faltar, pois foi Ele mesmo quem disse:
«Digo-vos ainda: Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens, também o Filho do Homem se declarará por ele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que me tiver negado diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus.»
Lc 12,8-9

De nós cristãos envergonhados, tíbios, mornos, ninguém falará, ninguém testemunhará, será uma geração sem rumo, sem sentido e fraca nas suas convicções e atitudes, uma geração de cristãos católicos que pelos vistos só o é por tradição e não por convicção, por Fé verdadeira.
Daqueles, como aquele casal, todos falarão, ficarão na história, serão companheiros fiéis dos mártires, e todos, todos, até aqueles que não acreditam, se deixarão admirar pelo seu testemunho de Fé, de Esperança, de Caridade.

E que não se façam comparações com outras atitudes que poderiam parecer iguais, mas não o são!
É que uns violentam, violentam-se, matam e matam-se pelo seu Deus, mas estes são violentados, são mortos porque dão testemunho do seu Deus e assim alcançam a vida eterna no seu Deus, que também já se entregou por eles, e por todos nós.

Corei de vergonha, hoje ao ler esta notícia!
Espero que não seja o único!

Monte Real, 23 de Março de 2010
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Grande consolação, para quem faz tão pouco, quando me coloco diante do testemunho acima descrito.
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