sexta-feira, 21 de setembro de 2007

SACRÁRIOS VIVOS...

Os sacrários são normalmente peças de muita beleza exterior, mesmo aqueles que primam pela simplicidade.
No entanto o seu interior é, normalmente, apenas constituído por paredes nuas, sem qualquer decoração.
Assim poderemos dizer, que os sacrários são muito belos por fora, mas despidos de beleza por dentro.
No entanto tudo se transforma quando no sacrário está Jesus Cristo Sacramentado!
Podemos afirmar então, que a maior beleza do sacrário está no seu interior, e que já não interessa sequer aquilo que ele é por fora.
Aliás os sacrários têm um fim, que é conterem, guardarem dentro de si, Jesus Cristo Sacramentado.
E sabemos que eles estão a cumprir essa missão quando há uma luz, sempre acesa, que nos diz que ali está Jesus Cristo Sacramentado.
Se assim não for, a luz está apagada e os sacrários para nada servem, a não ser para decoração, para museus, e não nos suscitam mais nada, a não ser a apreciação da sua beleza, ou a falta dela.
Enfim não nos detemos neles, e nada acrescentam às nossas vidas!
Nós somos muitas vezes assim, como os sacrários!
Arranjamo-nos exteriormente, não só cuidando do aspecto do corpo e do que vestimos, mas também tantas vezes aparentando uma maneira de ser que nada tem a ver connosco, (com o que nós realmente somos), e no interior somos apenas paredes nuas, sem qualquer beleza, sem luz, porque não nos preocupamos em ser amor para nós e para os outros, porque em nós não mora Jesus Cristo, fonte do Amor.
Podemos conversar com quem quisermos, mas as nossas conversas são apenas palavras, não deixam rasto, nada acrescentam às vidas que por nós passam.
No entanto, quando nos abrimos a Ele, e deixamos que Ele faça em nós morada, o aspecto exterior conta pouco ou nada, porque a expressão que transmitimos é a beleza do amor, há uma luz acesa em nós, e as conversas que possamos ter, o testemunho de vida, deixa sempre uma impressão indelével, que leva muitas vezes os outros a deterem-se e pensarem nas suas próprias vidas.
Tal como os sacrários também nós temos um fim!
Esse fim é sermos sacrários vivos, ou seja, enquanto os sacrários na igreja “apenas” contêm Jesus Cristo Sacramentado, mas estão ali, estáticos, sem nada nos transmitirem de si próprios, nós poderemos ser sacrários vivos, ou seja, levarmos Jesus Cristo aos outros, transmitirmos tudo o que Ele faz em nós, dar testemunho da Sua presença viva em nós e no meio de nós.
Os sacrários na igreja podem “conter” Jesus Cristo Sacramentado, mas não mudam, são sempre do modo como foram feitos.
Nós se formos sacrários vivos vamos sendo moldados, aperfeiçoados, pela presença de Jesus Cristo em nós, e essa mudança reflecte-se em nós e de nós para os outros.
Enquanto nos sacrários na igreja, a luz indica a presença de Jesus Cristo Sacramentado no seu interior, em nós, quando somos sacrários vivos, a luz é o Próprio Jesus Cristo que brilha em nós
!

Faz do teu coração um Sacrário vivo, onde more sempre Jesus Cristo!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

ATÉ JESUS SENTIU ADMIRAÇÃO!


Lucas 7,1-10.
«Quando acabou de dizer todas as suas palavras ao povo, Jesus entrou em Cafarnaúm.
Ora um centurião tinha um servo a quem dedicava muita afeição e que estava doente, quase a morrer.
Ouvindo falar de Jesus, enviou-lhe alguns judeus de relevo para lhe pedir que viesse salvar-lhe o servo.
Chegados junto de Jesus, suplicaram-lhe insistentemente: «Ele merece que lhe faças isso, pois ama o nosso povo e foi ele quem nos construiu a sinagoga.»
Jesus acompanhou-os.
Não estavam já longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por uns amigos: «Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados sob as minhas ordens, e digo a um: 'Vai', e ele vai; e a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu servo: 'Faz isto', e ele faz.»
Ouvindo estas palavras, Jesus sentiu admiração por ele e disse à multidão que o seguia: «Digo-vos: nem em Israel encontrei tão grande fé.»
E, de regresso a casa, os enviados encontraram o servo de perfeita saúde.»

Onde está a minha fé? Será forte a minha fé? Serei eu capaz de acreditar como este centurião?
É que ele não faz a coisa por menos:
Compara as ordens que ele dá aos seus soldados, gente habituada a obedecer, com o poder que Jesus tem de dar ordens às doenças e as mesmas obedecerem, ficando os doentes curados!
É espantosa esta fé que acredita que Ele nem precisa de ver o servo para o curar, porque nesta fé também está implícito que o centurião acredita que Jesus tudo sabe, tudo vê, de tal modo que nem precisa de explicar nada sobre a doença!
E depois a humildade de reconhecer que não é digno da presença de Jesus na sua casa, mas ao mesmo tempo a confiança na misericórdia, na compaixão de Jesus, perante aqueles que sofrem!
E depois ainda esta certeza “radical” de fazer o pedido: «Diz uma só palavra e o meu servo ficará curado»!
Não há outra hipótese!
Ele ficará curado, porque ele não duvida que Jesus vai dizer a palavra, porque não duvida da compaixão de Jesus!
Perante esta fé, até Jesus ficou admirado!
Perante esta fé, Jesus apenas disse no Seu intimo: «Faça-se aquilo em que acreditas!»
Onde está a minha fé? Será forte a minha fé? Serei eu capaz de acreditar como este centurião?

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

QUERES QUE TE FAÇAM, FAZ TU PRIMEIRO!

Lucas 6,27-38.
«Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam.
A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica.
Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames.
O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.
Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»
«Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.
Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço.
A medida que usardes com os outros será usada convosco.»

O Evangelho de hoje é de uma beleza indescritível!
É também dos ensinamentos de Jesus Cristo, aquele que se torna mais difícil a cada um de nós viver.
O modo como muitas vezes somos educados, o modo como as pessoas à nossa volta se comportam no dia a dia e nós também tantas vezes, o modo como o mundo nos quer ensinar a individualidade e a importância do eu, o modo até como certas “espiritualidades”, “religiosidades” enaltecem o individuo na sua pretensa “capacidade” de sozinho tudo conseguir, o modo como a sociedade enaltece como “inteligentes” os que não olham a meios para atingir os seus fins, e como “fracos” os que se preocupam em não “pisar” ninguém, o modo como nos achamos possuidores das coisas, como propriedade individual e não como algo que o Senhor nos deu para nos servirmos a nós e aos outros, tornam a vivência deste ensinamento de Jesus Cristo uma extraordinária prova.
Reparemos numa grande diferença!
Antes aprendemos: «Aquilo que não queres para ti, não o faças aos outros» Tb 4, 15.
Agora é-nos dito: «O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.» Lc 6, 31.
Por isso Jesus Cristo nos diz muito claramente:
«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição.» Mt 5, 17
E esta perfeição exige de nós uma missão, um empenhamento, uma vivência!
Já não podemos “ficar sentados” a viver as nossas vidas, não fazendo nada pelos outros, esperando que também eles nada nos façam.
Temos sim de nos entregarmos, de ajudarmos, de darmos não só o que nos é dado em bens materiais, mas também o que o Senhor por Sua graça vai derramando nas nossas vidas: A Fé, o Amor, a Confiança, a Esperança, a certeza de que Ele está sempre connosco, enfim, a Boa Nova!
Ainda por cima a recompensa é infinita, é eterna, porque é o Pai, que está nos Céus, que no-la vai dar!
Maior que tudo o que nos possam retribuir neste mundo por algum bem que façamos, é esta promessa de Jesus Cristo Nosso Senhor:
«Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus. » Lc 6, 35b

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

BEATA MADRE TERESA DE CALCUTÁ

«O seu trabalho piedoso com os pobres espalhou-se por todo o mundo e levou milhares de irmãs e voluntários a aderirem à congregação. O que lhe valeu o Prémio Nobel da Paz - que recebeu em Oslo em Dezembro de 1979.
Na altura, no discurso que fez, afirmou: "Não é suficiente dizer 'Eu amo Deus', mas não o meu vizinho. [Ao morrer na cruz] Deus tornou-se o faminto, o nu e o sem abrigo. A fome de Jesus é aquilo que temos de encontrar e aliviar. Cristo está nos nossos corações, Cristo é o pobre que encontramos, o sorriso que damos e que recebemos".
Contudo, três meses antes, numa carta enviada ao padre Michael Van Der Peet, confessou: "Jesus tem um amor muito especial por si. [Mas] para mim - o silêncio e o vazio é tão grande - que olho e não vejo - Escuto e não ouço. A língua mexe-se [na oração] mas não fala...Quero que reze por mim".
O conteúdo desta e outras cartas formam o livro, lançado hoje nos EUA, da autoria do padre Brian Kolodiejchuk. A obra revela que a madre Teresa duvidou da existência de Deus durante 50 anos (e mesmo assim continuou ao seu serviço). Muitos desconheciam-no. Até agora.»
Diário de Noticias de 4 de Setembro
.
Entendi mal, ou este é mais um “brilhante” texto que nos quer levar a pensar, a acreditar, que a Beata Madre Teresa de Calcutá “duvidava” da existência de Deus!!!
É que é realmente espantoso como se retira de cartas como esta, essa certeza de que Madre Teresa “duvidava” da existência de Deus, quando para mim elas revelam uma fé inquebrantável, a fé daqueles que acreditam sem verem.
Só quem se entrega totalmente aos caminhos de Deus, pode saber o que é a aridez da oração, o deserto da solidão, a aspereza da falta de consolação…
E no entanto, a oração é constante, a certeza de que Ele está connosco é total, embora não O sintamos, não O vejamos, não O ouçamos…
E no entanto a consolação é consolar, porque é verdade que “mais vale consolar, do que ser consolado”…
Já li algumas obras sobre madre Teresa e sempre me impressionou essa força extraordinária de alguém que viveu o deserto, a aridez e nunca deixou de acreditar na presença de Deus nos outros, nunca deixou de acreditar que «o que fizeres aos mais pequeninos é a Mim que o fazes…»
E agora, (perante um livro que ainda não li), mas que, (escrito por quem se empenha na canonização de madre Teresa), só pode mostrar-nos essa incrível luta de fé de uma mulher, que não tendo experiências místicas profundas como outros Santos, querem fazer-nos pensar que madre Teresa “duvidava” da existência de Deus.
Teresa de Calcutá, perante o terrível deserto e aridez em que Deus a quis provar, (e ninguém é provado acima das suas forças), continuou a orar, a construir, acreditando sem margem para dúvidas que Ele, o Cristo amado, estava ali, nos outros, com ela e nela.
Quantas vezes eu me perguntei, quantas vezes cada um de nós que acredita, se perguntou, ou melhor Lhe perguntou: «Estás aí Senhor? Conheces-me? Amas-me? Posso contar conTigo?».
E mesmo assim, ou até por causa disso, ainda se entregou mais, ainda orou mais, ainda fez mais, porque a fé não é algo que se compra, que se venda, é um dom, uma graça que o Senhor coloca nos corações abertos para Si.
Diz-nos o Papa Bento XVI sobre madre Teresa: «Por um lado, temos de suportar este silêncio de Deus, em parte também para poder compreender nossos irmãos que não conhecem Deus.»
Realmente, muitas vezes os nossos irmãos afastados da fé não compreendem, como podemos nós acreditar em algo que não vemos, que não palpamos, e também nós por vezes não entendemos como não vêm eles aquilo que para nós é óbvio.
Assim neste “silêncio de Deus”, vivendo esta experiência, talvez possamos nós entender melhor e dar a conhecer melhor aos outros esta presença de Deus nas nossas vidas, este amor de Deus por cada um, seja ele qual for.
Um dos maiores Santos da Igreja, Pedro, fez mais que duvidar de Deus, negou a Deus e no entanto acabou por entregar a totalidade da sua vida pelo Deus que tinha negado!
“Não é preciso ver para acreditar, mas é preciso acreditar, para ver”, e isso que se passou com Tomé, e tantas vezes com cada um de nós, foi a vida de madre Teresa:
Porque acreditava, via, sentia Cristo nas suas irmãs e irmãos necessitados, por isso lhes entregava a sua vida, porque sabia que a estava a entregar ao Senhor, ao seu Deus de infinito Amor.
Tudo o mais são interpretações, mais ou menos “maldosas”, de quem não “vê, porque não acredita”.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

PRÉMIO



A Fa, (Partilhas em Fa Menor), decidiu atribuir este prémio, a este blogue, resultado seguramente da sua simpatia pelo "Que é a Verdade?"
Sirvo-me das suas palavras para explicar o significado do mesmo:
"Este prémio é uma tentativa de reunir os blogues que são adeptos aos relacionamentos "inter-blogues" fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo"- é este o perfil schmoozed.
Schmooze: (Verbo) fofocar, jogar conversa fora, trocar idéias. (Substantivo) conversa, bate-papo.
Agradeço reconhecido, até porque entendo que os blogues, (pelo menos os cristãos e católicos), servem para isso mesmo: A relação entre pessoas, o testemunho de vida, de vivências, a discussão amiga sobre aquilo que cada um vive e sente.
Só assim, para mim, fazem sentido.
Não nomeio ninguém, porque todos aqueles que me visitam e eu visito, (são mais do que 5!!!), seguem esta prática de relacionamento entre pessoas.
Grato pelo prémio, apenas prometo à Fa, empenhar-me mais!
.
Quis o António, (A Partilha ), atribuir-me também este prémio, do que só agora tive conhecimento.
Agradecido, repito as palavras acima e prometo-lhe, tal como fiz à Fa, cada vez mais empenho, entrega e testemunho da vivência da Fé que o Senhor, por Sua bondade, me quis conceder.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

MEU DEUS E MEU SENHOR

Tão perto Senhor,
estás Tu de mim,
e eu ainda tão longe,
de Ti…
Vens junto a mim,
e mostras-me as mãos e o lado,
e eu não consigo ver,
porque os meus olhos
ainda estão cheios de dúvidas…
Chamas-me meigamente,
e dizes-me cheio de amor:
«Coloca a tua mão no Meu lado,
olha-me nos olhos…»
Mas eu baixo a cabeça,
cruzo as mãos atrás das costas…
Tenho medo, Senhor!
Tenho medo de não ver,
tenho medo de não acreditar,
tenho medo de que a minha vida,
não Te sirva Senhor…
Tantos sinais,
tantas palavras,
tantos momentos de amor,
tantos milagres,
(ah Senhor,
a minha vida agora
é um milagre Teu!),
e eu assim,
nestes momentos de nada,
como se eu não soubesse,
que és Tu Senhor,
a Vida da minha vida…
Que paciência tens Tu, Senhor,
para este coração de pedra,
para este olhar tão cego,
para este acreditar tão frágil…
Tomas-me pela mão,
deitas a minha cabeça no Teu colo,
afagas o meu cabelo,
recolhes as minhas lágrimas,
e bebe-las cheio de amor…
E eu vou acalmando,
a paz vem como um rio,
e banha-me no Teu amor…
O coração abre-se,
torna-se mole,
porque és Tu que o moldas Senhor…
Vão-se as dúvidas,
fica a certeza, a fé,
na Tua presença Senhor…
Retira-se a nuvem dos meus olhos,
a luz irrompe,
já Te posso ver, Senhor…
Abrem-se os meus lábios,
e de dentro do meu peito,
surgem as palavras,
num louvor:
Meu Deus e meu Senhor!…

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

"PARÁBOLA" DAS DUAS PORTAS

(Pecado e Confissão)
Um homem muito atarefado, que mal tinha tempo para se alimentar, conheceu um Senhor muito bom, que lhe fez a seguinte proposta:
“Se mantiveres a porta da frente da tua casa sempre aberta, todos os dias te virei alimentar, sem nada te pedir em troca, a não ser, que mantenhas fechada a porta das traseiras e não a abras por motivo algum”.
Pareceu àquele homem que era uma boa proposta, e assim, pondo de parte o receio, decidiu entregar-se nas mãos daquele Senhor, passando a deixar a porta da frente de sua casa sempre aberta e confiando inteiramente todos os seus bens e inclusive a sua vida, àquele que lhe tinha feito tal proposta.
Constatou imediatamente que nunca lhe faltava alimento, que todos os seus bens estavam bem utilizados, e que eram para si fonte de alegria e não motivo de preocupação, com receio de os perder.
Constatou também que a vida lhe corria melhor, que as contrariedades continuavam a existir, mas que a presença constante, sem imposição, daquele Senhor, lhe transmitia paz, tranquilidade, confiança, esperança e muito amor.
Um dia, (a curiosidade foi mais forte), quis espreitar a parte de trás de sua casa e distraído deixou aberta a porta das traseiras.
Passado pouco tempo, estando na sala a descansar, viu surgir junto de si, um individuo elegante, bem vestido, confiante, de falas doces e sedutoras.
Em vez de o mandar sair de imediato, (visto que tinha entrado em sua casa sem pedir licença), deu-lhe ouvidos e começou a interessar-se pelo que este lhe dizia.
Disse-lhe então o individuo que o alimento que ele estava a receber era bom, sim senhor, mas não dava muito prazer ao corpo e que ele reparasse bem, pois afinal os seus bens que tanto lhe custavam a ganhar, eram utilizados por todos, o que no entender do individuo, não era justo, pois se tinha sido ele e só ele, sem a ajuda de ninguém, a adquiri-los com tanto esforço, só ele então, se deveria servir deles.
Afirmou ainda o individuo, que o homem sozinho e sem nenhum cansaço, poderia preparar um alimento muito melhor todos os dias, e que não se deveria preocupar porque ele o ajudaria em tudo.
Apenas lhe pedia que fechasse a porta da frente da sua casa, para não serem incomodados pelo Senhor e mantivesse sempre aberta a porta das traseiras, para que ele pudesse entrar sempre e a qualquer hora, para assim o poder ajudar.
Levado pela conversa do outro, o homem assim fez.
Ao principio tudo parecia correr bem. O homem andava feliz e contente, e embora a sua cabeça estivesse um pouco perturbada e não conseguisse pensar direito, o corpo andava cheio de prazer e engordava a olhos vistos.
Reparou então, que o individuo, em vez de pedir licença para entrar todos os dias, (como fazia o Senhor anteriormente), já se tinha instalado em sua casa e impondo a sua presença, punha e dispunha de todas as suas coisas, sem nada lhe perguntar.
Começou também a reparar, que embora o prazer corporal fosse bem maior, os seus pensamentos eram mais frios, sombrios, e que a paz, tranquilidade, amor e boa companhia que antes sentia já não existia, e no seu lugar se tinham instalado a dúvida, o nervosismo, a tristeza, a solidão e o medo de perder os seus bens.
Decidiu então expulsar o “novo amigo”, mas isso tornou-se tarefa muito difícil, porque ele não queria sair de sua casa e revelando-se muito insistente, fez novas promessas de felicidade e também algumas ameaças, como se a vida dele já lhe pertencesse.
Assustado, decidiu procurar o Senhor, pedindo-lhe que voltasse para sua casa, e também que o ajudasse a libertar-se daquele “amigo” tão incómodo e que já lhe inspirava tanto medo.
O Senhor e verdadeiramente seu único amigo recebeu-o de braços abertos e disse-lhe:
“Não tenhas medo, que eu também quero voltar à nossa tão antiga amizade, mas para isso tens de fazer duas coisas:
A primeira é, (sem medo, porque eu estou contigo), expulsar esse individuo para fora da tua vida e fechar definitivamente a porta das traseiras da tua casa.
A segunda, (imprescindível, pois sem a satisfazeres não poderei regressar), é que procures um dos meus "agentes", e eu tenho-os em todos os sítios, converses com ele, contando-lhe toda a história, como se passou e tudo o que fizeste durante todo o tempo em que estiveste com esse individuo, e lhe digas que sabes agora que estavas enganado, que procedeste mal, e que queres emendar tudo o que fizeste de errado.
Posso afirmar-te, que se o meu "agente" confirmar que estás verdadeiramente arrependido e decidido a não mais abrir a porta das traseiras, não terá dúvidas, a em meu nome te perdoar, e assim será imediato o meu regresso”.
O homem assim fez, e finda a conversa com o "agente" daquele Senhor, verificou com alivio, que a alegria, a paz, a tranquilidade, a esperança, o amor tinham voltado à sua vida, à sua casa, que os seus bens já não lhe causavam qualquer preocupação e que, sobretudo, o alimento que de imediato lhe começou a ser dado, tinha muito mais gosto, reparando ainda que esse gosto se mantinha permanente nele e não era causa de tristeza ou solidão, mas sim de alegria, paz e amor.
Grato ao seu Senhor, tomou a decisão de fechar e barricar a porta das traseiras com tudo o que o seu Senhor lhe fornecesse e estivesse ao seu alcance, resolvendo nunca mais dar ouvidos a quem com sedução o quisesse enganar.
.
Escrito em 11 de Janeiro de 2001

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

OH MEU JESUS AMADO!

Oh meu Jesus amado,
queria tanto sofrer conTigo,
viver a Tua Paixão.
Queria tanto orar conTigo
no Horto das Oliveiras,
e afinal era eu quem estava
com os que Te vieram prender.
Queria ser Tua testemunha,
junto de Caifás e Pilatos,
e afinal fui eu quem fugiu,
e também Te condenava,
no meio da multidão.
Queria proteger a Tua Face,
e o Teu Corpo amoroso,
e afinal era eu quem Te batia
e colocava a coroa de espinhos.
Queria dizer que Te amava,
que eras o meu Senhor e Guia,
e afinal era eu quem Te insultava
e gritando escarnecia.
Queria caminhar conTigo
levando a Tua Cruz,
e afinal era eu quem mais pesava,
e Te fazia cair.
Queria aliviar Tuas dores,
pôr bálsamo nas Tuas feridas,
e afinal era eu quem martelava
os cravos nas Tuas mãos.
Queria prostrar-me em adoração,
perante o Teu sofrimento,
e afinal era eu quem trespassava
o Teu peito com a lança.
Queria tanto estar conTigo
na hora da Tua morte,
e afinal fui eu quem fugiu,
quando o dia se fez noite.
Queria ter sido testemunha,
da Tua Ressurreição,
e afinal andava perdido,
na minha vida de dúvidas.
E Tu mesmo assim
olhaste-me.
E Tu mesmo assim
chamaste-me.
E Tu mesmo assim
escolheste-me.
E Tu mesmo assim
perdoaste-me.
E Tu mesmo assim
deste-me amor,
para encher a minha vida.
Que hei-de fazer e dizer,
que seja minha conversão,
a não ser para sempre amar-Te
com todo o meu coração,
para sempre cantar louvores,
com a voz que Tu me deste,
com a minha alma adorar-Te,
prostrado sempre a Teus pés,
viver em Ti o caminho
da vida que em mim criaste,
esperando quando partir,
desta vida tão efémera,
ver o Teu Coração aberto,
os teus braços á minha espera,
para viver no Teu amor,
o tempo que não tem fim.


Escrito em 29 de Agosto de 2000

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

HINO AO NOSSO DEUS E SENHOR

SENHOR,
Que bom e grande Tu és !
Sem Ti, SENHOR,
eu não sou nada.
Sou um peixe que não nada,
uma ave que não voa,
uma ovelha perdida,
à mercê do predador,
um ponto sem referência,
uma curva que acaba em circulo,
( fechado sobre si próprio ),
um ser vivo,
sem ter vida,
uma morte anunciada.
Mas, SENHOR,
quando a Ti me entrego,
cruzo as águas como seta,
nascem-me asas nos pés,
o predador parte os dentes,
no escudo que Tu me dás,
a curva é uma recta,
a indicar a eternidade,
a vida pulsa tão forte,
que se estende aos que estão perto,
a morte é uma passagem,
para ir ao Teu encontro.
Porque Tu, SENHOR,
és tudo para mim,
a razão do meu viver,
a razão de eu caminhar,
a razão de eu amar,
a razão de eu falar,
a razão do testemunho,
que pretendo sempre dar,
a razão do coração,
a arder em Teu louvor.
Em Ti me refugio,
em Ti, me fortaleço,
em Ti,
quanto mais fraco sou,
mais forte eu me pareço,
quanto mais pobre sou,
mais rico em Ti eu cresço.
Em mim abates barreiras,
da vergonha à timidez,
tornas-me clara a palavra,
tornas fácil o falar.
E meu SENHOR,
mais ainda,
pois transformas os problemas,
em oração de louvor,
transformas alguma amargura,
num simples acto de amor,
transformas a breve tristeza,
na Tua mais linda alegria,
transformas o ingrato desânimo,
na vontade de lutar,
transformas a terrível dúvida,
na mais bonita certeza,
transformas o meu passado,
num presente a caminhar,
transformas o gaguejar,
na mais bonita oração,
transformas o meu pensar,
num canto do coração,
feito p’ra Te louvar.
Assim, meu DEUS, e SENHOR,
só por Ti posso amar,
só em Ti posso viver,
só conTigo caminhar.
Vem depressa, não demores,
e mesmo que estejam fechados,
os portões da minha vida,
arromba-os, SENHOR meu DEUS,
abre todos os cadeados,
enche-me de Ti e sorri-me,
pega-me na mão e conduz-me,
para que não me possa perder,
mas antes testemunhar,
que a vida deve ser sempre,
um canto de puro louvor,
a Ti,
meu DEUS e SENHOR.

.
Escrito há uns anos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"CÂNTICO BRANCO"

«"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...» José Régio

Se eu vim ao mundo,
Foi para Te seguir, Senhor,
E rasgar com os passos que Tu me dás
A indiferença e o abandono
A que são votados os desprezados
Da sociedade.
A minha glória é esta:
Seguir-te sempre
Ser todo entregue a Ti...
Tudo o mais que eu faça,
Não vale nada,
Se não for feito conTigo
Se não for Tua vontade...
Nada me pode dar o mundo,
A não ser aquilo que Tu,

Senhor,
Queres que ele me dê...
A minha força vem de Ti,
E se por vezes fico fraco,
É porque me afasto do Teu amor...
No mundo corre o sangue que morre,
Só do Teu Lado corre o Sangue da Vida...
E quando me abro ao Teu Espírito,
E deixo que Ele faça em mim,
Sinto alegria, paz e tranquilidade e amor
E sinto cânticos de louvor
Que do coração
vêm aos meus lábios...
E louvo-Te Senhor
Porque me deste pai e me deste mãe,
E neles Tu me criaste Senhor,
Para que no Teu Coração
No Teu amor,
Sem principio nem fim,
Eu possa viver por Tua graça,
Para a eternidade em Ti...
Que o mundo não me diga para onde ir,
Porque eu não vou...
O meu caminho é o Teu,
Que a Tua Igreja me aponta...
A minha vida “alevanta-se”
Porque és Tu que a despertas...
Já não quero ser eu a viver,
Mas sim que Tu vivas em mim...
Sei bem para onde ir,
Porque és Tu o meu guia,
E mesmo que eu me perca
E por vezes erre o caminho
Eu sei bem que ali estás,

Senhor,
Que não me deixas cair
E me dizes com voz de amor:
Vem por aqui,
Meu filho,
Só em Mim encontras a Vida

Que Eu tenho para ti...

.
Considero José Régio um dos maiores poetas portugueses.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

SOMOS SEMENTES...


Fazes de nós sementes, Senhor, para a Tua seara no mundo…
Mas a semente nada é, a não ser aquilo que pode vir a ser…
A semente só é, aquilo que pode gerar.
Enquanto semente, tão simplesmente, não semeada, não serve para nada, é apenas promessa de algo que ainda não é…
E mesmo depois de semeada, se não deixar que o seu interior rompa o seu invólucro, se não morrer como semente para ser planta, de nada serve também.
És Tu Senhor, a Planta da Vida que está dentro de nós, Tuas sementes…
Se não nos abrirmos para que o mundo veja o que fazes em nós, para nada servimos, e Tu Senhor, porque nada fazes contra a nossa vontade, porque nunca rompes o que não quer ser rompido, ficas ali dentro de nós, estiolando, até que a semente é posta de lado, porque já passou o seu tempo de ser planta.
Se não morrermos para a nossa existência de sermos apenas sementes, no meio de tantas sementes que não querem ser semeadas, para nada servimos e acabaremos por ser queimadas no fogo que tudo destrói.
Mas se deixarmos que as Tuas mãos nos toquem, nos tirem do saco de semeador e nos coloquem em terra fértil, se não quisermos de saber de nós enquanto sementes, mas apenas de Ti que és Planta de Vida em nós, se nos deixarmos morrer para nós e para o mundo, para que a Planta cresça e dê fruto e sombra aos outros, aos necessitados, então Senhor poderemos dizer como o Teu filho Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»…

segunda-feira, 23 de julho de 2007

MARTA, MARTA, ANDAS INQUIETA E PERTURBADA...

Evangelho segundo S. Lucas 10,38-42.

Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa.
Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra.
Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.»
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»


Andamos tão atarefados Senhor, “fazendo o bem”.
Corremos de obra caritativa para obra caritativa, de “pobre” para “pobre”, de intervir aqui e acolá, de fazer mais este e aquele curso, de aprender a orar melhor, de aprender a ler melhor, de aprender a meditar e a contemplar, de aprender a melhor Te “agradar”.
E não temos tempo Senhor, para Te escutar!
Andamos tão ocupados a fazer tudo o que achamos certo, (para nosso deleite, para nossa consolação?), que não temos tempo Senhor, para estar conTigo!
Ah Senhor, mas estamos convencidos que fazemos a Tua vontade em ocuparmo-nos assim tanto, em “fazer o bem”!
Mas dizes-nos então, Senhor, que temos que Te escutar, que devemos ficar quietos, um pouco, a receber de Ti?
Mas Senhor, nós queremos dar tudo e sempre, queremos ser “bons”, se calhar Senhor, até queremos ser “reconhecidos”!
O quê, Senhor?
Dizes que só interessa dar, se for com amor e por amor?
Pois é Senhor, compreendo agora!
Se não formos aprender o amor, buscar a Ti o amor, o que temos nós para dar?
Apenas o que é nosso, e o que é nosso é sempre finito!
Deixa-nos sentar Senhor, como Maria, aos Teus pés e ouvirmos, escutarmos, guardarmos no coração o que tens para nos dizer, para nos ensinar.
Assim Senhor, conTigo no coração, saberemos dar o que é Teu, o que Tu nos dás para darmos, e não a nossa pequenez, que é pouca e pobre.
Daremos então Senhor o Teu amor, que Tu nos dás, e servir-Te-emos segundo a Tua vontade, porque, por graça Tua, soubemos guardar a melhor parte.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

OS POBRES DE JESUS CRISTO

Vou lendo pelos diversos espaços que visito alguns textos, e embora compreendendo-os e com eles concordando, deixam-me a pensar na sua total dimensão e alcance.
Com este texto que agora aqui coloco, quero reflectir com todos os que me visitam, no sentido de aprofundar a minha vivência da Fé, e se Deus quiser de todos nós.
Refiro-me ao facto de apontarem a vinda de Jesus Cristo como prioridade aos pobres, subentendendo-se muitas vezes e sobretudo os pobres no aspecto material.
Claro que entendo e concordo com o que querem dizer, afirmar, mas dito às vezes de um modo muito peremptório e definido, e tantas vezes repetido, leva-me a pensar se não estamos a “reduzir” o alcance infinito da vinda de Jesus Cristo, a “reduzir”, ou a dar prioridade à salvação de alguns.
E isso leva-me a pensar na pobreza, sobretudo a pobreza de que fala Jesus, e que me parece vai muito mais longe do que a pobreza dita material, aliás, tão longe que nos abarca a todos forçosamente, porque Ele, (sem dúvida para mim), veio para todos os homens, no sentido de humanidade, claro.
Quem será mais pobre: Aquele que nada tem de material, mas o coração aberto à presença de Deus na sua vida, ou aquele que tendo tudo, e muitas vezes por força disso, tem o coração fechado para Deus, provavelmente na convicção errada de que não precisa dEle?
Todos nós, ou pelo menos alguns de nós, já sentiram isso mesmo, quando falamos com ou para os outros.
Aqueles que menos têm materialmente estão abertos, ávidos, da Palavra de Deus, aqueles que mais têm são por vezes muito mais cépticos, e têm dificuldades em aceitar a mensagem que leva à mudança das suas vidas.
Então quem é mais pobre: O que nada tem mas anseia pela sua salvação, ou aquele que possuindo, nem sequer consegue entender que precisa de salvação?
Tenho assim para mim, que é mais “fácil” ajudar os que nada têm, com a Palavra de Deus e com alguma parte do que necessitam materialmente, do que aqueles que tendo muito, fecham a sua vida à presença de Deus, fecham o seu coração à Palavra que dá vida às suas vidas.
Com isto não estou a afirmar, logicamente, que aqueles que têm posses, estão forçosamente todos ou mesmo a maioria, de coração fechado à Palavra de Deus.
A “verdadeira” pobreza, para mim, está mais no coração do que no corpo, do que na cabeça.
Porque se o corpo sofre, se a cabeça se desanima, o coração muitas vezes abre-se ao amor de Deus que lhe é dado a conhecer e a viver.
Mas se o corpo incha de satisfação e a cabeça não se preocupa, então o coração fecha-se ao amor gratuito e apenas se deixa conduzir pelo que pensa poder comprar.
Falamos e preocupamo-nos muito com os pobres materialmente, e devemos fazê-lo, obviamente.
Mas precisamos também de arranjar maneira de entrar nos corações daqueles que julgam ter tudo e afinal são mais pobres do que os outros.
Porque se a Palavra for semente nos seus corações, para além das suas vidas se abrirem ao amor de Deus, à salvação, também essa mudança de vida levará a que entendam que o que têm, que o que possuem, não é seu por exclusividade, mas sim para que, depois de servirem as necessidades das suas vidas, partilharem também com aqueles que nada têm.
A pobreza tem “cura”, na vida com e para Deus, o coração fechado é condenação à vida sem Deus.
Que o Espírito Santo nos ilumine, para que possamos dar a cada um, pela graça de Deus, aquilo que ele necessita, espiritual e materialmente, porque Jesus Cristo ama a todos e cada um infinitamente, como só Ele sabe amar, e entregou-Se por todos nós e por cada um individualmente.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

EIS AS 7 MARAVILHAS NA MINHA VIDA

Respondendo ao desafio da Malu e da Fá menor.
A uma amiga nada se recusa!
.
1 - O dom de ser filho de Deus.
Apesar de tantas vezes dele me esquecer.

2 - O dom da Fé
Apesar de tantas vezes duvidar.

3 - O dom do Amor
Apesar de tantas vezes não o viver.

4 - O dom da Oração
Apesar de tantas vezes não o praticar.

5 - O dom da Vida
Apesar de tantas vezes me deixar morrer.

6 - O dom da Igreja
Apesar de tantas vezes aos outros não me entregar.

7 - O dom da Família
Apesar de tantas vezes só em mim pensar.
.
Outros agora que se sintam desafiados, ou melhor, com vontade de nos revelar as 7 maravilhas das suas vidas.

domingo, 8 de julho de 2007

NADA SOU

Deixo apenas que as palavras saiam
De dentro do meu coração.
Que me interessa a mim o que pensam
De tudo aquilo que eu sou!
Nada sou, sei-o bem,
Nem nada eu quero ser,
Mas apenas as palavras,
Que me brotam do coração.
Sou nada, porque sou tudo,
Quando me abro ao amor,
Quando escrevo as palavras,
Que Tu me ditas Senhor!
Sou assim, tão simplesmente,
Uma criatura Tua,
Que fala, e também sente,
A Tua presença em mim.
Dispo-me de tudo,
Entrego-me assim, Alma desnudada,
Faz-me sentir Senhor,
A Tua presença, no meu nada.
Se por acaso quiseres,
Num momento de loucura,
Servir-te de mim, Senhor,
Não hesites, aqui estou!
Abranda a minha secura,
Na água do Teu amor,
Enche-me de Ti,
E manda, Senhor, que eu vou,
Onde for Tua vontade, falar de Ti,
Do Teu amor,
Aos homens de boa vontade.
Serei assim, realmente,
Imagem e Semelhança de Deus,
Que nasceu para todos nós,
Mulheres e homens,
Filhos Seus...

17.12.06

quarta-feira, 4 de julho de 2007

MEU SENHOR E MEU DEUS

Hoje na Missa, durante a Homilia, o Sacerdote chamava-nos a atenção para que Tomé, não tinha "recebido" a Fé porque tinha visto, mas sim tinha visto, porque tinha acreditado.
O problema de não ver, como Tomé não viu, é porque não acreditamos, não cremos.
Quando acreditamos, quando cremos, "vemos" Jesus Cristo em nós, no meio de nós, mesmo sem O vermos.
Se eu não acredito, então a Hóstia consagrada, não é mais que um pedaço de farinha.
Mas se eu creio, com a graça de Deus, então Jesus Cristo está ali presente totalmente, embora eu não O veja.
Se eu não Lhe tocar, como disse Tomé, não acredito.
Mas o importante não é eu tocar-Lhe, mas sim deixar-me tocar por Ele.
Então sim, o meu coração e todo o meu ser, abrem-se e eu posso vê-Lo.

sábado, 30 de junho de 2007

HINO DE AMOR

Andava um dia
Em pequenino
Nos arredores
De Nazaré,
Em companhia
De São José,
O Deus-Menino,
O Bom-Jesus.
Eis senão quando
Vê num silvado
Andar piando
Arrepiado
E esvoaçando
Um rouxinol,
Que uma serpente
De olhar de luz
Resplandecente
Como a do sol,
E penetrante
Como diamante,
Tinha atraído,
Tinha encantado.


Jesus, doído
Do desgraçado
Do passarinho,
Sai do caminho
Corre apressado,
Quebra o encanto;
Foge a serpente;
E de repente
O pobrezinho,
Salvo e contente,
Rompe num canto
Tão requebrado,
Ou antes pranto
Tão soluçado,
Tão repassado
De gratidão,
Duma alegria,
Uma expansão,
Uma veemência,
Uma expressão,
Uma cadência,
Que comovia
O coração!


Jesus caminha
No seu passeio;
E a avezinha
Continuando
No seu gorgeio,
Em quanto o via:
De vez em quando
lá lhe passava
À dianteira;
E, mal pousava,
Não afrouxava
Nem repetia;
Que redobrava
De melodia!

Assim foi indo
E o foi seguindo.
De tal maneira
Que, noite e dia,
Numa palmeira,
Que havia perto
Donde morava
Nosso Senhor
Em pequenino,
(Era já certo)
Ela lá estava
A pobre ave
Cantando o hino
Terno e suave
Do seu amor
Ao Salvador!


João de Deus

Não resisti à memória da infância.

terça-feira, 26 de junho de 2007

O TEU OLHAR SENHOR

O Teu olhar Senhor, debruça-se sobre mim.
Da testa caem-Te grossas gotas de sangue, mas o Teu olhar continua terno e quente.
As Tuas costas, o Teu peito Senhor, não tem mais espaço para rasgar, para ferir, e o Teu olhar cheio de carinho.
As Tuas mãos, e os Teus pés Senhor, são uma chaga viva, e o Teu olhar repleto de perdão.
O Teu Corpo cede, entorta-se, geme de dor, e o Teu olhar é um abraço de acolhimento.
Todo Tu Senhor, és um hino de dor e sofrimento, e o Teu olhar é um oásis de paz.
Pende-Te a cabeça, entregas-Te todo ao Pai, na consumação do sacrificio total, e o Teu olhar é só misericórdia.
Baixo a cabeça, baixo os olhos, envergonhado, culpado, contrito, mas o Teu olhar de amor entra-me no coração e segreda-me aos ouvidos:
«É porque te amo, meu filho»!