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Chegou ao jantar e a sala já tinha bastante gente.
Decidiu sentar-se numa mesa a meio da sala, porque embora conhecesse há muito anos o aniversariante, há muito tempo que não estavam juntos e ele não conhecia ali praticamente ninguém.
Para além do mais a vida não lhe corria muito bem, e o fato que vestia denotava bem que já era muito usado.
Sentaram-se algumas pessoas na mesa onde estava, e rapidamente se apercebeu pelos seus olhares que a sua presença não lhes era muito agradável.
Levantou-se da mesa com o intuito de se ir embora, mas o seu velho amigo tinha insistido tanto na sua presença, que decidiu sentar-se na última mesa junto à porta onde ninguém desse conta da sua presença.
Notou alguma agitação nos convidados, e percebeu então que o aniversariante seu amigo tinha entrado na sala.
Decidiu ficar e que mal tivesse oportunidade de lhe falar assim faria e depois sairia sem ninguém notar.
Reparou que o seu amigo continuava de pé junto à mesa principal e ia olhando para todas as mesas a ver quem estava na sala.
Foi então que os seus olhares se encontraram e o aniversariante atravessou toda a sala para lhe vir dar um enorme abraço e dizer-lhe que tinha de ir para a sua mesa, pois precisava falar com ele para “matar saudades”.
Lá foi um pouco envergonhado, percebendo os olhares de toda a gente em cima de si, como a perguntarem-se quem seria ele tão importante, mas que afinal não tinha assim um aspecto muito “famoso”.
Pouco depois de estar sentado em franca conversa com o seu amigo, sorriu de tal modo que o seu amigo lhe perguntou o que se passava.
Então ele disse-lhe com toda a franqueza e alegria, que se tinha lembrado do Evangelho da Missa de Domingo dessa manhã em que Jesus dizia para os convidados de um banquete não escolherem os primeiros lugares porque «quem se exalta, será humilhado, e quem se humilha, será exaltado».
Deram os dois uma sonora gargalhada e alegremente foram comendo e conversando felizes com aquele reencontro.
Marinha Grande, 31 de Agosto de 2025
Joaquim Mexia Alves
1 comentário:
Quanto mais se sobe maior pode ser o tamanho da queda se essa subida nao for bem alicerçada; mais uma vez Jesus nos mostra como devemos viver em sociedade
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