terça-feira, 21 de março de 2017

QUARESMA 2017 (12)

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Sigo o caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra no meu caminho, tem hoje escrito: Perdão!

Tu és um homem de perdão, diz-me o “outro”, não ligues a esta pedra.
Eu sei o que ele quer, por isso não lhe ligo e sento-me na pedra.

Sim, realmente, se pensar na minha vida hoje em dia, tudo faço para perdoar ofensas antigas e para pedir perdão pelas ofensas que cometi, embora nem sempre seja fácil.
O Senhor ensinou-me a rezar por aqueles que me ofenderam ou eu ofendi, e essa tem sido a melhor maneira de perdoar e recordar tudo sem mágoa e ressentimento.

Mas, e o perdão àqueles que não me ofendem directamente, que ofendem, por exemplo, a minha espiritualidade, a fé cristã, ofendem a humanidade, praticando actos terríveis contra outros, contra populações ou comunidades inteiras?
É tão “fácil” classificá-los de inumanos, de “animais irracionais”, de tudo e mais alguma coisa.
É tão “fácil” desejar quase a sua morte, como castigo pelas atrocidades que cometem contra outros.
Mas não são eles homens como eu, criados por Deus também?
E todos eles serão conscientes, verdadeiramente conscientes do mal que fazem?
Só muita oração, por eles, pelo seu encontro com uma consciência humana bem formada, pelas suas vitimas, e por mim próprio, para que Deus consiga que eu veja neles, apesar de todo o mal, a Sua criação, e assim sendo, sempre o possível arrependimento, emenda e salvação, visto que Cristo morreu por todos, mesmo por todos e por cada um em particular.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “perdão”, na qual preciso meditar muito tempo, antes de me levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “perdão” vem de Ti, mas que também parte da nossa vontade, para podermos perdoar fazendo a Tua vontade.


Monte Real, 21 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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