terça-feira, 1 de julho de 2008

CREIO EM TI

Creio em Ti,
Deus Criador,
E que assim sendo
És Pai.
Creio em Ti,
Deus que és Pai,
E assim sendo,
És Criador.
Creio em Ti,
Deus de todas as coisas,
Que tudo crias,
Em amor.
Creio em Ti,
Deus de amor,
Que tudo crias,
Para o amor.
Creio em Ti,
Deus que Te dás,
E recebes,
Quem se Te entrega.
Creio em Ti,
Deus que és Três,
E ao mesmo tempo,
Apenas Um.
Creio em Ti,
Deus que nos chamas
A sermos assim nós,
Um contigo também.
Creio em Ti,
Deus que não vejo,
E no entanto me habita.
Creio em Ti,
Deus que não toco,
E no entanto,
Te fazes sentir.
Creio em Ti,
Deus a quem falo,
E me responde
Sem palavras.
Creio em Ti
Deus vida eterna,
Minha esperança,
Minha lanterna.
Creio em Ti,
E no Teu querer,
Ó Deus de amor
E de bondade.
Creio em Ti,
Na Tua vontade
Porque a verdade
Ó meu Deus,
Ó meu Senhor,
É que só em Ti
Posso crer.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

"ARDER EM FEBRE E TREMER DE FRIO"

Aqueles que já tiveram paludismo, ou qualquer doença em que se registem febres altas, conhecem perfeitamente a sensação, a realidade de estarem a “arder em febre” e no entanto “tremerem de frio”.
Isto fez-me lembrar umas certas atitudes, ou melhor, certas maneiras de viver a vida religiosa, ainda muito enraizadas na nossa prática de viver a vida cristã.
São aquelas ou aqueles que permanentemente rezam orações, as mais variadas, preocupados mais com a quantidade, do que com a qualidade.
No fundo, não rezam, mas “debitam” orações como se de alguma fórmula mágica se tratasse, mas na sua vida diária não se reflecte a vivência da fé.
É assim mesmo, estão a “arder em febre”, mas a “tremer de frio”.
Ou seja, vivem no “calor” de um frenesim de orações, cheias de esquemas programados, mas ali não está a fé, a fé que aquece a alma, que aquece o coração, por isso “tremem de frio”.
É que rezar é elevar o coração ao Pai, é conversar com Jesus Cristo, é entregar-se ao Espírito Santo.
Rezar é falar, mas também é ouvir, também é escutar, também é deixar-se envolver no amor de Deus.
E muitas vezes temos medo de escutar, temos medo de nos deixarmos envolver no Seu amor, porque temos medo do que Ele nos vai pedir, da mudança que Ele quer operar em nós, das exigências da prática da vida cristã, que nos levam muitas vezes a pensar que nos afastam da vida do dia a dia, quando é precisamente o contrário, isto é, a mudança, (conversão), a vivência da prática cristã, dá sentido à vida, torna a vida mais fácil, mais segura e forte porque acompanhada pelo Senhor da Vida, no fundo e na realidade dá mais vida à vida, porque enraíza no Autor da Vida.
Isto não quer dizer que não se rezem o Rosário, as orações da Tradição da Igreja, as Ladainhas, as Novenas e sei lá quantas expressões da piedade popular, mas sim que a nossa fé não está na oração, na quantidade de oração, (no sentido de que é a oração que tudo realiza), mas sim que a nossa fé se torna esperança, vida, realidade, no Pai, no Filho, no Espírito Santo, que tudo fazem e tudo podem.
E mais ainda, se a nossa oração não nos levar a um encontro pessoal com Jesus Cristo e portanto à mudança, (conversão), das nossas vidas, então não estamos a rezar, estamos apenas a debitar palavras, palavras que saem da boca, mas não vêm do coração.
Podemos “arder de orações”, mas “trememos do frio da ausência da fé”.

«Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para satisfazer os vossos prazeres.» Tg 4,3

«É assim que também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.»
Rm 8,26

segunda-feira, 16 de junho de 2008

ADULTOS NA FÉ

Apareceram na Capela das Termas, por cima dos bancos, umas fotocópias com uma oração de intercessão a Santa Rita de Cássia.
Até aqui tudo bem, também sou devoto de Santa Rita de Cássia a quem peço muitas vezes intercessão, e de quem venero e admiro a vida de entrega total a Deus, ao longo de tantas dificuldades vividas em diversos estados de vida.
Só que no final do texto fotocopiado lá vem escrito que para o pedido ser “completo”, têm de se fazer 25 fotocópias e distribui-las, aguardando ao terceiro dia a graça pedida, que não “pode falhar”.
Santa Rita fica nossa “refém”, bem como Deus fica “refém” de Santa Rita e de nós próprios, porque se cumprirmos com as 25 fotocópias, Deus “não tem hipóteses” de não nos conceder a graça que pedimos, precisamente ao terceiro dia, nem antes nem depois!
E como este exemplo, tantos outros, servindo-se de Santos, Santas, Anjos e até de umas “não sei quantas almas benditas”, usando anúncios em jornais, revistas, fotocópias, pagelas, sei lá o quê…
Vivemos ainda numa fé, que é “fezada”, uma vida “religiosa” do “toma lá dá cá”, do “se eu fizer isto, Deus faz-me aquilo”, do “se eu me portar bem, Deus dá-me o que preciso, seja lá o que for”, e por aí a diante…
A verdade é que muitas vezes a nossa vida espiritual, o nosso caminho para Deus, continua a ser infantil, sem conhecimento, sem razão, sem entendimento, sem entrega, fechados em nós próprios e no que queremos e desejamos, baseando-se mais no medo, na superstição, no “comércio” de “favores”, do que na vivência do Evangelho, que nos leva à união com Cristo, abertos aos outros irmãos, ansiando que em nós seja feita a vontade de Deus, seja ela qual for, porque será sempre a melhor para nós, para as nossas vidas.
Somos muitas vezes como uma criança que não quer crescer e que fica sempre dependente de seus pais em tudo.
Com 30 anos, por exemplo, ainda são os pais que lhe dão banho, que lhe dão de comer, que lhe lêem livros e lhe vão dizendo para que servem as coisas e como utilizá-las, porque não quis aprender a ler, porque não quis aprender nada, mas limitou-se a viver, pura e simplesmente, e assim está à mercê dos outros, os que lhe querem bem e os que lhe querem mal.
Ridículo não seria?
Mas quando procedemos assim, quando nos agarramos a estas “religiosidades” estamos a proceder de modo igual nas nossas vidas espirituais.
Deus, deu-nos a Palavra, enviou o Seu próprio Filho para no-la explicar, derramou em nós o Espírito Santo para nos iluminar, deu-nos a Igreja para nos conduzir, que nos deu o Catecismo, para além de incontáveis documentos e livros que nos mostram caminhos, modos de orar, modos de viver e celebrar a Fé no Pai Criador, no Filho Salvador, no Espírito Santificador.
E nós muitas vezes, agarramo-nos à “quantidade” das nossas orações, a “fórmulas mágicas” que serviriam para “manietar” o poder de Deus, a expressões de religiosidade pontual, por medo ou superstição, ou porque tendo cumprido os “requisitos acordados” podemos viver como quisermos, porque já “cumprimos as normas”.

«Quanto a mim, irmãos, não pude falar-vos como a simples homens espirituais, mas como a homens carnais, como a criancinhas em Cristo. Foi leite que vos dei a beber e não alimento sólido, que ainda não podíeis suportar. Nem mesmo agora podeis, visto que sois ainda carnais.» 1 Cor 3,1-2
«Que fazer, então? Rezarei com o espírito, mas rezarei também com a inteligência; cantarei com o espírito, mas cantarei igualmente com a inteligência.» 1 Cor 14,15

É tempo de ouvirmos, de lermos, de perguntarmos, de entendermos, de vivermos empenhados naquilo em que acreditamos ou queremos acreditar.
É tempo de crescermos e sermos verdadeiros filhos de Deus, templos do Espírito Santo, pela graça do Baptismo que o Senhor nos concedeu.
E isto nada tem a ver com a religiosidade popular, expressão carinhosa, intima e também colectiva de um povo que caminha para Deus, mas sim com crendices para que nos deixamos arrastar, sem pensarmos, sem reflectirmos, sem discernirmos, sem perguntarmos, deixando-nos conduzir para uma religiosidade fácil, mas falsa, que a nada nos conduz, antes nos deixa na ignorância e à mercê de todos aqueles que de nós se queiram servir para os seus propósitos, que nunca são bons.
Dentro das capacidades de cada um, saibamos abrir o nosso coração e a nossa inteligência à Palavra de Deus, à Doutrina da Igreja, e confiando, e esperando no amor do Pai e do Filho, deixemos que o Espírito Santo transforme e converta tudo aquilo que em nós precisa de ser mudado e que por nós próprios não conseguimos mudar.
Cresçamos assim como adultos na Fé, afim de atingirmos a plenitude em Jesus Cristo, Senhor e Salvador dos homens.

domingo, 8 de junho de 2008

SEGUE-ME

Sentado na banca da segurança da sua vida, ia verificando tudo o que tinha ou lhe fazia falta para ter uma vida boa, descansada e sem problemas.
Analisou tudo e chegou à conclusão que em todas as coisas importantes da vida ele tinha a sua opinião formada e que as certezas eram uma constante da sua vida.
Tinha a sua família e ela era o garante da sua realização e a companhia certa nos dias que haviam de vir na velhice.
Tinha aquele trabalho onde era considerado, respeitado e onde ganhava mais do que o suficiente para o seu dia a dia e o dos seus.
A casa era sua propriedade, bem como a outra que tinha na praia para as suas férias.
No banco tinha uma conta recheada que lhe garantia o futuro sem surpresas.
Bem, tinha tudo afinal, nada lhe faltava, mas apesar de tudo isso...
Foi quando Tu, Senhor, por ali passaste e olhando-o nos olhos disseste:
Segue-Me! Mt 9,9-13
Levantou-se de um salto e seguiu-O.
Não olhou para trás, mas pensou:
E todas aquelas coisas que eu pensava serem a minha vida o que lhes faço?
O Senhor olhando-o amorosamente nos olhos, disse-lhe:
Traz tudo contigo, pois tudo faz parte da tua vida. Fui eu que te dei tudo como resultado do teu trabalho e tudo isso faz parte da tua vida. Quero que me sigas com aquilo que és e com aquilo que tens e que uses tudo para ti, para os teus e para aqueles que Eu for colocando na tua vida para ajudares com tudo o que tens, em bens espirituais e materiais.
Percebeu então o que era o “apesar de tudo isso”...
Faltava-lhe o sentido da vida, faltava-lhe a própria vida, que ele agora descobria ao levantar-se aceitando o Segue-Me!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

AO PARTIR DO PÃO...

Andas triste, perturbado, descrente, desanimado, com vontade de desistir?
Repara então nestas palavras:
Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém;
e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. Lc 24,13-17
Vês, também eles caminhavam na vida entristecidos, de tal modo que nem conseguiam reconhecer Aquele que deles se aproximava.
Mas continua a ler estas palavras:
Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo;
como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. Lc 24,19-21
Repara que estavam à espera de alguém que fosse resolver o problema das suas vidas, das suas dificuldades, das suas provações, do já e agora.
Queriam uma vitória sobre os outros, queriam não ter que se preocupar mais.
Pensavam apenas nesta sua vida do mundo, e esperavam alguém que fosse um chefe imbatível, que dominasse, que tudo vencesse pela força e pelo poder.
Afinal tudo levava a crer que aquele em quem eles esperavam tinha sido vencido pelos homens, pelo mundo.
Por isso mesmo é que estavam assim, tristes, descrentes, desanimados.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.» Lc 24,22-24
Ainda tinham ficado perturbados, mas já não conseguiam acreditar.
Pois foi, ouviram o que as mulheres contaram como se fosse uma história qualquer, mas que não tinha muito crédito, porque ninguém tinha visto com os olhos, aquele que eles esperavam.
Por isso, e ao verem que esse alguém que imaginavam de facto tinha morrido, e mais, que já tinham passado três dias e nada acontecia, não esperaram mais, tinham desistido e voltavam para a sua vida anterior.
Vês tu, que ao colocares a tua esperança nas coisas do mundo, nas coisas palpáveis, nas seguranças deste mundo, quando elas te falham ficas assim, triste, perturbado, descrente, desanimado e com vontade de desistir.
Mas, continua a ler as palavras deste episódio:
E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito. Lc 24,27
Olha que mesmo tristes, perturbados, descrentes, não mandaram o homem embora e foram ouvindo o que ele lhes ia dizendo.
Afinal parecia que os seus corações ainda tinham por ali uma réstia de esperança, uma vontade de mudar.
Parecia que aquilo que ouviam começava a fazer algum sentido.
De tal modo se deixaram envolver que se passou o seguinte:
Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles. Lc 24,28-29
Não o deixaram ir embora!
Aquele homem tinha alguma coisa especial!
A sua companhia era boa e fazia nascer nos corações qualquer coisa de muito bom.
Precisavam de ouvir mais, de sentir mais!
Por isso lhe pediram para ficar com eles, porque a sua expectativa era grande.
Ora repara:
E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Lc 24,30-31
Ao partir do Pão!
Reconheceram-No ao partir do Pão!
Vês como é importante a Eucaristia!
Vês que é na Eucaristia e em Eucaristia que podemos reconhecer Aquele que dá a vida, a vida em abundância!
Vês que é na Eucaristia e em Eucaristia que podemos reconhecer Aquele que dá a paz, não a paz que dá o mundo, mas a paz interior que se projecta na eternidade!
Vês que se O reconheces na Eucaristia não precisas de O ver com os olhos do corpo!
Ele pode desaparecer da tua vista, mas fica a habitar no teu coração!
E agora medita bem no que aconteceu a seguir:
Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!». E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão. Lc 24,32-35

Foi-se a tristeza, a perturbação, o desânimo, a descrença!
Perceberam a alegria que é conhecer o Senhor!
Correm agora para a vida nova sem hesitações, e são eles que confirmam já sem dúvidas, sem medo, que o Senhor ressuscitou e se lhes deu a conhecer!
E não te arde o coração também, quando percebes que de mansinho, sem imposições, Ele se te vai dando a conhecer pela Palavra até te levar ao reconhecimento dEle, sem dúvidas, na Eucaristia, ao partir do Pão?
Onde está agora a tristeza, o desânimo, a descrença, se reconheces que o que Ele te dá não cabe neste mundo, pois vai muito para além dele?
Levanta-te e corre, corre para a vida nova que Ele te oferece e conta a todos o que te aconteceu, confirma a todos que Ele ressuscitou, afirma a todos, que todos O podem reconhecer ao partir do Pão, na Eucaristia.
Ah, e não te esqueças que Ele é para todos, porque Ele quer ser companheiro de viagem de todos, de todos os que abrem o coração à Sua Palavra, ao Seu Amor.

terça-feira, 20 de maio de 2008

DESTE-ME ASAS, SENHOR...


Deste-me asas para voar
E eu não voo…
Tenho uma âncora de orgulho,
De vaidade,
Ligada a uma corrente de mundo,
De dinheiro, de sociedade,
Que não me deixa voar
Nas asas que Tu me deste…
E eu puxo Senhor,
Luto, revolto-me,
Mas acabo por deixar-me ficar
Preso a este mesmo chão,
Rasteiro sem poder voar…
Tens que ser Tu, Senhor
A partir a corrente,
A libertar a âncora,
A dar-me o golpe de asa
Que me levante aos céus
E me faça partir à desfilada
Nas nuvens da Tua graça.
Quero voar no vento
Que sopra do Teu amor
Agora e sempre
Em cada momento,
Quero voar para Ti
Voar sempre, sempre,
Cada vez mais alto e melhor.
Derruba Senhor
As barreiras,
os medos,
Dá força às minhas asas,
Que me levantem aos céus
E todos os dias me tragam
Para junto dos filhos teus.
Quero voar aqui,
Sem nunca daqui sair,
Pois é aqui que se voa
Até ao momento
De partir…
E quando então me chamares,
Que as asas que Tu me deste
Se aquietem Senhor,
Porque apenas quero ser levado
Nas asas do Teu amor…

terça-feira, 13 de maio de 2008

AINDA A MÃE...NESTE 13 DE MAIO...

Seguia cabisbaixo para casa.
As coisas não estavam a correr lá muito bem neste inicio de semana!
Tinha na mochila um teste com uma negativa muito “feia” e já receava pelas consequências desse facto.
Nos últimos tempos o seu comportamento na escola e as suas notas deixavam muito a desejar, e o seu pai já cansado de tanto o avisar tinha-lhe dito da última vez que tinha trazido para casa uma nota baixa:
«Aparece-me em casa com outra negativa e nem sabes o que te faço!»
E ele não era para brincadeiras!
Era justo nos castigos que dava, mas tinha a mão pesada.
Não que lhe batesse, mas os castigos que dava eram sempre muito penosos de cumprir.
Ainda para mais, no fim de semana depois da Catequese, tinha tido aquela discussão estúpida com eles!
É pá, ele não compreendia aquela história da Virgem Maria, da Mãe do Céu, como Lhe chamavam!
Se havia Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e já eram orações que chegassem, para quê agora também Maria a Mãe de Jesus!
E tinha sido malcriado a ponto do pai se irritar e o mandar calar já de mão aberta!
Chegou à porta de casa e entrou em silêncio, dizendo apenas um, “boa tarde mãe”, e escapuliu-se para o quarto.
Tinha de pensar numa maneira de resolver as coisas com um mínimo de problemas.
A mãe entrou no quarto e perguntou-lhe o que se passava, pois não tinha ido dar-lhe um beijo como fazia sempre que chegava a casa.
Disse-lhe que não, que estava tudo bem, mas ela sentou-se a seu lado e disse-lhe:
«Eu conheço-te. A mim não podes mentir. Passa-se alguma coisa contigo.»
Ele pensou rapidamente e chegou á conclusão que se havia alguém que acalmasse o pai quando lhe desse as noticias, era de certeza a mãe.
Cabeça baixa, disse quase em surdina:
«Ó mãe, tive outra negativa.»
Ela pegou-lhe na cara e fê-lo olhá-la nos seus olhos.
Os olhos dela estavam tristes, mas cheios de uma ternura imensa, de tal modo que não resistiu e umas lágrimas correram-lhe pela cara.
Antes que ela dissesse alguma coisa, ele começou a falar com a voz embargada:
«Ó mãe, eu não sei o que se passa comigo! Quero portar-me bem, quero estudar, quero agradar-vos e só faço asneiras! Ajuda-me mãe!»
Ela olhou-o mais uma vez e disse com voz terna:
«Meu filho eu amo-te muito e estou aqui para te ajudar. Conta-me tudo e vamos arranjar uma maneira de encontrares um caminho diferente daquele que estás a seguir».
Abriu o coração à sua mãe e disse tudo o que lhe veio à cabeça, das suas dificuldades, das amizades não muito boas, do despertar da adolescência, de todas as coisas que parecia o impeliam a não ser aquilo que ele até gostaria de ser.
Ela ouvia-o cheia de atenção, enquanto ternamente lhe passava as mãos pelo cabelo.
«Eu compreendo-te meu filho e se confiares em mim, se me fores contando o que se vai passando na tua vida, eu ir-te-ei ajudando a corrigires comportamentos, a descobrires caminho.»
Agradecido pela sua mãe tão compreensiva, não esqueceu no entanto que ainda tinha de “enfrentar” o pai e disse pegando-lhe nas mãos:
«E o pai, mãe? E o pai?»
Ela fazendo-lhe uma festa, respondeu:
«Não te preocupes, eu falo com ele. Claro vais ter um castigo, mas eu vou dizer-lhe que já falaste comigo, que estás arrependido, que prometeste portar-te bem e que eu confio em ti. Vais ver que te vai ralhar certamente, mas como ele sabe que eu tomo conta de ti e confia em mim, vai dar-te um castigo com certeza, mas vai ficar à espera da tua mudança de vida».
Olhou-a profundamente nos olhos, agarrou-se a ela cheio de ternura agradecida e disse-lhe ao ouvido:
«Ó mãe, obrigado. O que é que eu faria sem ti, sem o teu amor, sem os teus conselhos, sem a tua ajuda junto do pai?»
Ela levantou-se e saiu do quarto com um sorriso.
Aquele sorriso que as mães têm quando sentem os filhos perto delas.
O resto foi mais fácil.
O pai chegou, a mãe falou com ele e depois foi chamá-lo ao quarto para falar com o pai:
«A tua mãe já falou comigo. Estou triste meu filho pelo modo como te comportaste, mas ao mesmo tempo contente pela conversa que tiveste com a tua mãe e as promessas que lhe fizeste, que nos fizeste. Vais ficar de castigo, mas eu confio que de agora em diante tudo vai melhorar. Agora dá-me um beijo e podes ir.»
Tranquilo deu um beijo ao pai, e quando ia a sair da sala ele chamou-o novamente dizendo-lhe:
«Percebes agora como nos faz falta a Virgem Maria, a Mãe de Jesus, a Mãe do Céu?»

quinta-feira, 8 de maio de 2008

AINDA A MÃE...EM JEITO DE ORAÇÃO...

Senhor, ontem ouvi naquela aula no Seminário, (num aparte à Ética Teológica), uma comparação tão verdadeira e interessante, que a quero rezar aqui.
Se eu não digo mal da minha mãe, se não lhe descubro os defeitos em público, (e todas as mães têm defeitos, como todos nós temos), se só falo disso de quando em vez com os meus irmãos, porque me dedico tantas vezes a falar mal, a descobrir os defeitos em público da minha Mãe Igreja?
A minha mãe, que já tens junto a Ti, com todos os seus defeitos e qualidades foi quem me mostrou primeiro, o caminho para Ti, que despertou em mim as primeiras orações, que me levou ao Baptismo que me tornou filho de Deus, e sempre morou e ainda mora no meu coração cheio de amor por ela.
Tinha defeitos? Pois tinha, todos temos, e tinha também muitas qualidades.
Mas não me lembro, a não ser muito, muito raramente de deles falar em público, (do que eu rapidamente me arrependia, como se de uma traição se tratasse), e se os aflorava era apenas com meus irmãos e irmãs, carne da mesma carne, que os podiam entender e ajudar-me a entender.
A minha Mãe Igreja que me acolheu e me mostra caminho de crescimento na fé, que me leva pelo caminho da salvação, que me faz irmão de todas as criaturas de Deus, que me recebeu de braços abertos no dia em que regressei à Casa do Pai após tantos anos de afastamento, também mora no meu coração cheio de amor por Ela.
Como posso eu então, tantas vezes dizer mal da minha Mãe Igreja, de Lhe apontar defeitos, a maior parte das vezes publicamente e com outros que nem sequer A conhecem, não A querem conhecer ou até A querem apenas denegrir.
Porque não apenas falar deles, desses defeitos, com as minhas irmãs e irmãos, filhos da mesma Igreja, que me podem ajudar a entender tantas coisas que se calhar não são defeitos, e que eu posso também ajudar a reflectir sobre maneiras de estar e agir.
Porque esta minha Mãe Igreja, somos nós todos suas filhas e filhos, e se Ela tem defeitos, então é porque são os nossos defeitos.
Só nós, suas filhas e filhos, pela graça do Teu Espírito Santo, Senhor, os podemos corrigir e traçar caminho de virtude para a tornar mais perfeita e acolhedora.
Ao apontarmos defeitos em público à Mãe Igreja, apenas atiramos pedras, mas que são pedras que vão ficar de fora, sem construir, quando o que nós devíamos fazer era sermos pedras vivas e trazer mais pedras vivas, para que, colocadas nos alicerces, na construção diária, cimentadas na Doutrina, construíssem na Fé a Igreja de Cristo nos homens e para os homens.
Ah Senhor, ajuda-nos e ensina-nos a sermos Igreja, a sermos filhas e filhos amorosos desta Mãe Igreja que Tu nos deste, a construi-La com os defeitos de cada um, aplanados pelas virtudes de cada um.
.
«Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim.» Jo 17,22-23

domingo, 4 de maio de 2008

MARIA "AOS PÉS" DA CRUZ - DIA DA MÃE


Maria estava "aos pés" da cruz.
Também Ela entregava o Seu Filho à humanidade, porque estando cheia do Espírito Santo, sabia no Seu coração desde sempre, que Jesus ia morrer por nós.
Ao entregar o Seu Filho sabia que também Ela se estava a entregar à humanidade, como Mãe para sempre.
Ela sabia que era nossa Mãe, desde que sentiu Jesus Cristo no Seu ventre.
Sentia-o, porque sabia que o Seu Filho estava em todos nós e estando em todos, todos eram Seus filhos.
Também Ela entregava o Seu Filho no meio da dor e da tristeza da Mãe humana, mas vivia também a exaltação da Sua parte divina de Mãe de Deus, que Lhe afirmava a salvação dos homens Seus filhos, pelo sacrifício e ressurreição daquEle que agora Se entregava e que Ela tinha trazido ao mundo.
Humildemente aos pés da cruz, Ela chorava o Filho entregue e alegrava-se pela promessa de salvação para todos os Seus outros filhos, conseguida pela morte e ressurreição dO que Ela tinha gerado.
Nos Seus olhos brilhavam ao mesmo tempo a lágrima da dor e a alegria da promessa de vida eterna para a humanidade.
Também Ela obedeceu até à morte de Seu Filho e durante toda a Sua vida, mantendo-se na sombra, na humildade, no caminho, seguindo Jesus e aceitando desde logo a Sua cruz, que já Lhe estava garantida e desvendada por Simeão no templo.
Também Ela aceitou a vontade do Pai sem hesitações, entregando o que demais precioso tinha para entregar, o Seu próprio Filho.
E Ela sabia no Seu coração desde o principio, que não seria como Abraão: O Seu Filho não seria poupado, tinha de morrer, para ressuscitar vencendo a morte e assim trazer a salvação aos Seus outros filhos.
E Jesus na Sua agonia confirma-Lhe o que Ela já sentia, entregando-A como Mãe a João e entregando João a Maria como Seu filho.
Não se Lhe conhece um queixume, não se Lhe conhece uma reprovação, não se Lhe conhece uma inveja ou um ciúme de mãe, mesmo quando outras mulheres se acercam Jesus e Ele lhes dá atenção.
Não, Maria sabe no Seu intimo que tem de ser assim, também Ela tem de sofrer em silêncio, também Ela tem de dar exemplo de obediência à vontade do Pai, também Ela tem de se curvar à missão do Seu Filho, também Ela se deve deixar conduzir pelo Espírito Santo, para preencher completamente a condição de “bendita entre as mulheres, de cheia de graça, de ter o Senhor com Ela, de ser a Mãe do Salvador” e de, por isso mesmo, ser Mãe da Igreja e da humanidade.
Maria não lidera, não conduz, mas ora, mas intercede, mas suplica ao Seu Filho, para que o Espírito Santo, que já está nEla, desça também sobre os Apóstolos e sobre todos os Seus filhos, durante todos os tempos.
E quando os discípulos partem em missão, Ela fica a orar, a interceder, a suplicar, a Jesus dentro de Si, a Jesus à direita do Pai, a Jesus dentro de nós.
Por isso a Mãe é a grande intercessora, a poderosa advogada, Aquela que nos traz no coração, o mesmo coração que deu sangue a Jesus.
Assim o amor de Deus é tão grande, tão infinito, que nos quis dar este elo de ligação entre o divino e o humano, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, para que saibamos, que a virtude é sempre possível a todos nós, desde que nos entreguemos à vontade do Pai, à condução do Espírito Santo e ao amor de Jesus Cristo, que está em nós.
Todos somos um pouco Maria, pois temos Jesus Cristo em nós, só não sabemos é guardá-Lo para sempre, como Ela o fez desde a primeira hora.
.
Recupero este texto, que já tinha publicado em 2006, em homenagem às Mães, neste dia que lhes é dedicado.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

segunda-feira, 28 de abril de 2008

ESTOU CANSADO...OBRIGADO SENHOR!

Estou cansado Senhor, muito cansado!
Não Senhor, não é de Ti!
Como poderia eu cansar-me do amor, da alegria!
Estou cansado fisicamente, talvez emocionalmente, não sei bem Senhor, mas Tu que tudo sabes, tudo vês, sabes bem melhor do que eu o que vai dentro de mim.
Estou cansado Senhor, muito cansado e no entanto feliz, muito feliz!
Por Tua causa me cansei, no meu cansaço me fizeste feliz!
Ainda sou assim Senhor, é verdade, eu sei, não descanso em Ti.
Tudo quero fazer, tudo quero organizar, tudo quero perceber, talvez por minha vaidade, talvez para meu orgulho, só depois percebendo que tudo é possível porque … és Tu que fazes, és Tu que organizas, és Tu que dás o discernimento!
Ainda ontem me dizias pela voz daquele que colocaste junto a mim, que o meu orgulho, a minha vaidade, não eram razões para não fazer, ou melhor, para Tu não fazeres em mim.
Mas fico assim, tenso, preocupado, que algo não corra bem!
E Tu Senhor, gostas tanto de improvisar, de mudar o que já estava estabelecido … e sempre para melhor, porque és Tu que improvisas, és Tu que mudas as coisas e as fazes mais segundo a Tua vontade.
Estou cansado, muito cansado Senhor, mas estou feliz, muito feliz Senhor!
Obrigado Senhor meu Deus, e meu Tudo!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A PAZ DE JESUS CRISTO

«Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.» Jo 14, 27

Ontem falava no Grupo de Oração sobre esta Palavra de Jesus Cristo discernindo sobre a diferença da Paz de Deus e a paz do mundo.
A paz do mundo é normalmente entendida como a ausência de conflito, como o entendimento mais ou menos harmonioso entre as pessoas, entre as nações.
Só que muitas vezes para se obter essa paz acontecem injustiças, muitas vezes a paz é obtida por aceitação do mais fraco às razões do mais forte, a paz exterior aparece, mas interiormente a paz não existe, porque houve conflito e o mesmo não foi dirimido verdadeiramente ou não foi aceite e perdoado.
E isto tanto faz referirmo-nos às pessoas, como às nações, aos estados.
Claro que se existisse uma verdadeira paz, uma paz que viesse de dentro, que viesse do amor entre as pessoas, então essa paz transmitir-se-ia obviamente às relações entre os governos das nações, transmitir-se-ia à humanidade toda.
Mas essa paz pelo que percebemos, não é a paz que o mundo pode dar.
Essa paz, é a paz que Jesus nos dá, é a paz interior, que se reflecte no exterior.
É a paz daquele que confia porque crê no amor de Deus, porque crê que vivendo no amor e para o amor tudo é possível, tudo é ultrapassável, porque tem em vista um bem maior que é a salvação de cada um, que leva à salvação de todos. (1Tm 2,4)
É a paz daquele que coloca a sua esperança, a sua confiança, dando de si o melhor, nas Coisas do Alto, que são o tesouro incorruptível, e não nos bens terrenos, que provocam a intranquilidade, a inveja, o ciúme.
(Lc 12,33-34)
É a paz daquele que vive no amor e para o amor, dando e recebendo perdão, de modo que o seu coração não se deixa atribular por rancores, vinganças, mágoas e remorsos. (Mt 5,23-24)
É a paz daquele que vive a tribulação, a provação, na certeza de que Aquele que por ele se entregou na Cruz, aceita a comunhão na dor e a suaviza no Seu amor. (Cl 1,24)
É a paz daquele que não procura o fácil, nem o mágico, mas coloca ao serviço da vida que Deus lhe deu, a si e aos outros, todos os seus talentos, na certeza firme do seu coração, que essa vida é vida e vida em abundância. (Jo 10,10b)
É a paz daquele que vive na alegria que lhe vem do coração e não da gargalhada fácil e efémera. (Fl 4,4)
É a paz daquele que se sente amado pelo Seu Criador e que por isso mesmo apenas pode amar todos os seus irmãos e todas as outras criaturas. (Jo 15,12)
É a paz daquele que sabe no seu coração que na Casa do Pai há muitas moradas, e se alegra, não só porque tem morada, mas sobretudo porque todos os outros também a têm. (Jo 14,2)
É a paz daquele que crê, sabe e experimenta na sua vida diária a presença dAquele que tudo lhe deu, no Sacrifício total da Sua vida, e que Se continua a dar como Alimento Divino em todos os momentos e lugares deste mundo. (Mt 28,20)
É a paz daquele que dá inteiramente o seu coração ao Príncipe da Paz, para que Ele o dê aos outros, sabendo que lhe será retribuído abundantemente. (Lc 6,38)
É a paz daquele que se sabe coisa nenhuma, mas acredita que em Deus tudo pode. (Jo15,5)
É a paz daquele que não deixa o seu coração perturbar-se, ou acobardar-se, porque o amor vence todo o medo. (Jo 14,27c)
É a paz daquele que crê firmemente que Aquele que lhe dá a paz, venceu o mundo e o acolhe na alegria eterna da plenitude da vida. (Jo 16,33)
É a paz daquele que sabe que nunca conseguirá esgotar por palavras humanas o sentido da Paz de Deus.



1Tm 2,4 «que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.»
Lc 12,33-34 «Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.»
Mt 5,23-24 «Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta.»
Cl 1,24 «Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja.»
Jo 10,10b «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.»
Fl 4,4 «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!»
Jo 15,12 «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.»
Jo 14,2 «Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar?»
Mt 28,20 «E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»
Lc 6,38 «Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»
Jo 15,5 «Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.»
Jo 14,27c «Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.»
Jo 16,33 «Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!»

quinta-feira, 17 de abril de 2008

COMO CRIANÇA...

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Tenho a bailar na minha boca
Um cântico de louvor,
Que me sai do coração
Para Jesus Nosso Senhor.
Louvado sejas porque és belo,
Porque és amor para sempre.
Louvado sejas porque és vivo,
E Te fazes em nós presente.
Louvado sejas porque és paz,
Ternura e harmonia em nós.
Louvado sejas porque és liberdade,
E aos cativos dás voz.
Louvado sejas porque és Cruz,
Unindo-Te ao sofrimento.
Louvado sejas porque és alegria,
Sorriso de acolhimento.
Louvado sejas porque és tempo,
Que nos leva à eternidade.
Louvado sejas porque és Verdade ,
Vida e Caminho dos Teus.
Louvado sejas porque és Homem,
E também verdadeiro Deus.
Louvado sejas porque és Comunhão,
E Te dás como alimento.
Louvado sejas porque és agora,
Ontem, hoje…
E para sempre.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

E NO ENTANTO...TU AMAS-ME!

Sou vaidoso, orgulhoso, ciumento e por vezes apenas quero que me reconheçam…e no entanto, Tu amas-me!
Sou egoísta, palavroso, convencido e por vezes apenas chamo atenção para mim…e no entanto Tu amas-me!
Sou fraco, pecador, dou mau testemunho e por vezes apenas me deixo cair…e no entanto Tu amas-me!
Sou revoltado, murmurador, queixoso e por vezes apenas protesto da vida…e no entanto Tu amas-me!
Sou infiel, volúvel, desconfiado e por vezes apenas confio em mim…e no entanto Tu amas-me!
Sou falso, insincero, dissimulado e por vezes apenas sou uma máscara…e no entanto Tu amas-me!
Sou desconfiado, desesperançado, amargurado e por vezes apenas me apetece desistir…e no entanto Tu amas-me!
Não sei amar, não sei rezar, não sei adorar e por vezes nem sequer sei viver…e no entanto Tu amas-me!
Como posso eu ser isto tudo…e o Teu amor ser muito maior que tudo isto?
Obrigado Senhor!

domingo, 13 de abril de 2008

PARA TI, MINHA IRMÃ QUERIDA...

Minha querida irmã Belinha, minha madrinha que testemunhaste a graça do meu Baptismo, que me tornou filho de Deus, templo do Espírito Santo.
É hoje o dia do teu aniversário, e se a saudade aperta e a recordação ainda dói, elas são mitigadas pela certeza de acreditar que te encontras na casa do Pai, onde a festa da Vida é constante, onde só o Amor prevalece.
O Senhor na Sua infinita sabedoria chamou-te para junto dEle, porque queria precisar, seguramente, que intercedesses por nós, mais fracos e pobres que tu, no modelo que eras e continuas a ser, de alegria, de bondade, de mãe dedicada, de entrega aos outros e sobretudo, de testemunha do Evangelho, discípula de Cristo.
Não preciso de te pedir que peças por nós, porque tu o fazes certamente a todo o momento.
Pede-lhe que nos ilumine, que nos dê forças de entendimento, de acolhimento, para que sejamos a família que nossos pais, juntos contigo nessa felicidade eterna, sempre sonharam, sempre quiseram, sempre desejaram.
Obrigado minha irmã, porque te recordo na força da tua perseverança na fé, vivendo as imensas provações que o Senhor na Sua imensa sabedoria te permitiu passasses nesta vida e tu tão bem soubeste entregar pelos outros.
Como dizia o poeta:
«Se lá no assento etéreo onde subiste
memória desta vida se consente...»
pede por nós eternamente
para que a vida aqui na terra
seja abundante,
na esperança de um dia podermos ver,
o que já viste...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A TUA ÁGUA, SENHOR


Chove lá fora
E a água escorre
Nos vidros das janelas
Lavando-os do pó
Que foi levantado pelo vento
Que passou na terra seca.
Dentro de mim,
Do meu coração
O pó da minha secura
Agarra-se
Quase como desesperado,
Como algo que não quer ser lavado,
Como algo que ali está,
Sempre esteve,
A obstruir os canais da vida,
O pulsar de um sangue novo,
Que traz a vida nova
À vida envelhecida.
Abro o meu coração,
À Tua chuva Senhor,
Água de vida nova,
Água sempre a jorrar
Que docemente,
Gentilmente
Quase sem se notar,
Vai lavando o pó já velho
Que não me deixa amar.
E chove agora um rio
Um rio de água sem fim,
Que lava tudo à passagem
E desperta a vida nova
No meu coração,
Bem dentro de mim.
Sim é verdade
O dia está triste,
Cinzento,
Mas a verdade é que em mim
Tudo é festa no momento
Porque chove a água nova
Que lava todo o pecado,
Que dá força
E mata a sede,
A quem se abre à ventura
De se deixar encontrar
Ao jorrar
Do Teu amor.
Desse Teu amor sem fim.
Corrente de água pura,
Cristalina e santa,
Que lava todo o pó
Agarrado ao homem velho,
E que da semente já morta
Germinada no amor,
Regada na esperança,
Faz nascer a vida nova,
Vida que é para sempre,
Porque essa vida…
És Tu,
Só Tu,
E sempre Tu,
Senhor!

domingo, 6 de abril de 2008

BEATO PIER GIORGIO FRASSATI


Há coisas na vida que despertam em nós um orgulho são!
Um dia descobri que no mesmo dia em que o Senhor me concedeu a graça de existir e ser Sua criação, ser Seu filho, também tinha permitido ao mundo conhecer um jovem extraordinário, em quem Ele se revelou de forma nitida e perfeita, de tal modo que a Igreja o quis colocar nos altares.
Sobretudo aos jovens que visitam este espaço, peço e insisto que visitem este site e procurem conhecer este jovem, que vivendo no mundo, no mundo ajudou a construir o Reino de Deus.




Beato Pier Giorgio Frassati,
nós te pedimos neste dia,
que intercedas pelos jovens,
para que descubram as maravilhas
do amor de Deus,
realizado nos homens.
Amen.

...

Obrigado, Senhor meu Deus e Criador!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

MEME


Recebi este Meme da Mafaoli.
Trata-se de um Meme literário, que pretende que se escolha 5 autores preferidos, e 1 que mereça apodrecer na estante.

Aqui está a minha escolha:

1 – Bíblia – Não necessita explicação porquê!

2 – Jean Lafrance – Leva-me a descobrir a oração.

3 – Yves Congar – Leva-me a um melhor conhecimento, numa escrita acessível.

4 – João César das Neves – Pelo seu desassombro.

5 – Morris West – Pela profundidade da sua escrita.

A apodrecer na prateleira, deixo o Dan Brown e todos aqueles que pretendem mistificar e enganar.

Convido a continuarem este Meme:

A Malu – A Capela

A Fa – Partilhas em Fa menor

O André - Confidências

domingo, 30 de março de 2008

DOIS ANOS!

Hoje, este espaço completa dois anos de existência!

Não queria dizer nada, mas senti que devia dar graças a Deus por todos aquelas e aqueles que por aqui passaram, gostassem ou não, comentassem ou não.

O meu desejo neste dia é que o Senhor meu Deus, em Quem coloquei a vida que Ele mesmo me deu, me faça mais servo e menos eu.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado e Sua Mãe Maria Santíssima.