quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

NOVO ANO

.
.















O ano de 2025 chega ao fim e, para mim, isso representa apenas mais um ano que Deus me quis dar para eu ir encontrando caminho, purificando as minhas faltas e fazer-me mais disponível para amar e ser amado.

E será isso também que procurarei viver no ano que vai começar, para além, obviamente, do desejo de que toda a minha grande família e amigos, encontrem o que mais precisam, que nem sempre é o que mais desejamos.

Era bom que neste novo ano o mundo fosse mais fraterno, que a humanidade fosse verdadeiramente aberta à vida, que cessassem as guerras, a fome, e todas aquelas coisas más que muitas vezes repetimos como desejos rotineiros.

A verdade é que tudo isso pode acontecer, mas depende de cada um de nós, em todas as partes do mundo, cumprirmos o mandamento de Deus: «Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos».

Escrito assim, como quem diz uma frase da boca para fora, parece nada, e muito provavelmente é nada, porque não é sentido, nem vivido.

É que o mandamento não é para repetir, é para sentir, não é uma máxima, é uma vida, não é para dizer, é para viver.

E o mandamento começa por mim, por cada um de nós, que se dispõe, apesar de todas as suas fraquezas, a vivê-lo em verdade e amor.

Depois … depois o Pai, o Filho e o Espírito Santo se encarregarão de tudo o resto!

Bom Ano Novo para todos e vossas famílias, na paz, no amor e na alegria de Deus.







Marinha Grande, 31 de Dezembro de 2025
Joaquim Mexia Alves

sábado, 27 de dezembro de 2025

MISSA DO GALO

.
.











Sentado no banco da igreja espero o início da celebração da Missa do Galo.

A curiosidade leva-me a pensar neste nome de Missa do Galo e o que ele me diz.

Em parte alguma da Bíblia se fala da Missa do Galo, obviamente, mas o galo é citado, pelo menos, quando das três negações de Pedro.

Já regressado a casa procurei o porquê da Missa do Galo e, para além, da tradição romana haverá também uma ligação em Espanha, uma lenda que conta que antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite do dia 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo, Espanha, matava um galo em memória daquele que cantou quando Pedro negou Jesus. A ave era levada para a Igreja e, depois, doada aos pobres, garantindo-lhes um Natal mais feliz

Essa ligação, com as negações de Pedro, que já me tinha surgido na igreja, tornou-se agora mais sensível, digamos assim.

A seguir às negações de Pedro o galo canta, (como lhe disse Jesus), e logo Pedro percebe a sua grande falta e, cruzando o seu olhar com o de Jesus, chora amargamente porque, com certeza, apercebendo-se do seu pecado, apercebe-se também do amor e do perdão misericordioso de Jesus

Regressando à Missa do Galo, ela como que nos anuncia o Nascimento do Salvador, Aquele que veio para nos salvar, Aquele que veio, com a Sua Paixão, Morte e Ressurreição, libertar-nos dos nossos pecados quando para Ele “olhamos” arrependidos, pedindo perdão.

O galo, que na gíria popular anuncia a madrugada, na Missa do Galo anuncia-nos a nova e eterna alvorada.

Santo Natal para todos em cada dia do Novo Ano.





Marinha Grande, 27 de Dezembro de 2025 
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

COMO CONSTRUIR UM PRESÉPIO

.
.












Pegas no teu coração e começas a aparar tudo o que estiver mal, ou seja, o orgulho, a vaidade, o ciúme, a maledicência, o julgamento dos outros, a preguiça, a superioridade, enfim, tudo o que, num bom exame de consciência, sabes que está mal e não faz do teu coração um presépio lindo para nascer Jesus.

Depois enche-o de amor, de paz, de alegria, de carinho, de ternura, de boa vontade, de sorrisos, de tudo o que de bom possas e queiras encontrar em ti, para tornar o teu coração acolhedor.

Depois chamas a família, os amigos, todos aqueles que guardas dentro de ti, e coloca-os bem dentro do teu coração, como aqueles a quem queres mostrar Jesus.

Por fim, coloca um lindo e confortável berço bem no centro do teu coração, para acolher Jesus que vai nascer.

Pensando bem, não te preocupes tanto com tudo isto.

Claro que deves assumir o que está mal em ti e prometeres a ti mesmo solenemente que tudo vais fazer para te emendares.

Claro que deves assumir tudo o que está bem em ti e prometeres a ti mesmo que assim vais continuar e até melhorar.

Claro que deves chamar a família, os amigos, todos aqueles que guardas dentro de ti, mas não te esqueças de convidar aqueles de quem tu não gostas tanto e, sobretudo, todos aqueles a quem deves pedir perdão e a quem deves perdoar.

Por fim, mais uma vez, lembra-te que o Filho de Deus não quis nascer em berço dourado, mas apenas numa manjedoura, numas palhinhas deitado, e para isso o nosso coração serve perfeitamente.

Lembra-te, também, que Ele quis nascer para todos e, por isso, todos são bem vindos.

Então, ali no teu coração, já com Maria e José a sorrir, há-de nascer o Deus Menino, Aquele que vem salvar todo aquele que a Ele se quiser entregar.

Perceberás então todos aqueles que chamaste para o teu coração, como os pastores em adoração, e ouvirás dentro de ti os anjos do Céu que cantam alegremente e para sempre: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado.» (Lc 2, 14)





Marinha Grande, 23 de Dezembro de 2025
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

CONTO DE NATAL 2025

.
.


Que porcaria de vida, pensou ele com os seus botões.
Afinal era tão bom a dar conselhos e não os conseguia aplicar na sua vida.

Tinha tentado controlar tudo tanto e tão bem, que acabou por fazer o vazio à sua volta e nada mais lhe restava a não ser um pouco do seu orgulho e teimosia em viver assim.

Nada lhe faltava financeiramente e até tinha muitos amigos.
Quando pensou nos amigos sorriu interiormente porque tinha bem a noção de que os amigos que tinha, nada tinham a ver consigo, pois eram fruto apenas da vida dispersa que levava e, verdadeiramente, se precisasse deles nenhum apareceria.

Nem a família lhe restava, porque ao tentar controlar tudo e todos, a mulher e os filhos tinham acabado por se afastar de si.

Afinal tinha tudo e … não tinha nada.

Era dia vinte e quatro de Dezembro, e a véspera de Natal fazia-o sentir-se ainda mais sozinho e desamparado.
Longe iam os tempos em que em família celebravam o Natal com paz e alegria, mas agora tudo isso era apenas recordação.

Já que assim é, pensou ele, vou jantar a um bom restaurante, comer e beber do bom e do melhor e depois … depois volto para casa sozinho, claro.
Telefonou para o restaurante a marcar mesa para jantar e ficou um pouco incomodado quando lhe perguntaram se a mesa era só para uma pessoa, mas não pensou mais nisso.

Vestiu-se a preceito e saiu para o frio da rua, rumo ao restaurante.

Entrou no restaurante e indicaram-lhe a sua mesa
Sentou-se e reparou que na mesa ao lado estava outro homem sozinho também.
Apetecia-lhe muito meter conversa com ele, mas não encontrava motivo para tal

A certa altura um papel qualquer caiu da mesa do seu “vizinho” e ele aproveitou para chamar a atenção do outro para isso.
O “vizinho” agradeceu e isso deu azo a conversarem um pouco sobre várias coisas, até à constatação de que afinal estavam os dois sozinhos na noite de Natal

Convidou o outro para a sua mesa e ele de pronto aceitou.
A conversa foi fluindo e o seu colega de mesa disse-lhe que estava sozinho na vida, sem família, e inevitavelmente acabaram por falar do Natal, referindo o outro, no entanto, que estava com uma certa pressa pois queria ir à Missa do Galo, que era uma tradição sua desde menino a que não queria faltar.

Ele respondeu de imediato que dantes também ia sempre a essa Missa e então o outro convidou-o para irem juntos nessa noite.

Sem perceber muito bem porquê acedeu ao convite, e depois de jantarem saíram para a rua em direção a uma igreja que ficava ali perto.

Entraram e deixaram-se ficar pelos bancos logo à entrada da igreja.
Vários sentimentos tomaram conta dele à medida que a Missa avançava, e deu por ele a pensar que se sentia ali muito bem e com umas saudades imensas da sua família.
Fez um esforço para reter as lágrimas e deixou-se envolver por aquele momento.

De tal modo estava enlevado pelo momento que não se apercebeu que a Missa tinha acabado e o seu novo amigo olhava para ele à espera de uma qualquer resposta da sua parte.

Sentiu então uma mão no seu ombro e ao voltar-se para ver quem era, deu com a cara da sua mulher que, acompanhada dos seus filhos, saíam da Missa naquele momento.
Os filhos abraçaram-no com força e ele, desta vez, não conseguiu reter as lágrimas que lhe correram pela cara abaixo.

A sua mulher perguntou-lhe então se estava sozinho e, perante a sua resposta afirmativa, disse-lhe que ela e os seus filhos gostariam muito que ele fosse lá a casa cear nesse dia.
Surpreendido disse logo que sim, mas referiu que tinha aquele recente amigo que também estava que estava sozinho naquela noite.
Claro que o convite de imediato se estendeu ao amigo recente, que de pronto aceitou, sem se fazer rogado.

Já em casa, sentados à mesa, antes de começar a ceia a sua mulher pediu-lhe para ele fazer uma pequena oração.

Envergonhado e tímido disse então: Obrigado, Jesus, que hoje me trouxeste para o presépio da minha família e me deste mais um amigo, rompendo assim a minha solidão.

Numa certa gruta em Belém, dois mil anos antes, que agora se faziam presente, Jesus, Maria e José sorriam felizes com o Natal daquela família.






Marinha Grande, 24 de Novembro de 2025
Joaquim Mexia Alves


Com este Conto de Natal desejo a todos que visitam esta página e às suas famílias um Santo e Feliz Natal.

Nota: As fotografias são do presépio da igreja da minha paróquia da Marinha Grande.
Um presépio em construção ao longo do Advento.
As fotografias são do meu pároco, Padre Patrício, mas o pobre arranjo das mesmas é meu, que não tenho jeito para estas coisas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A REGA ESPIRITUAL

.
.












Aqui na capela onde fazemos adoração ao Santíssimo Sacramento, está um vaso com uma planta de folhas verdes.

Durante a adoração, reparei que as folhas da planta estão a encarquilhar e viradas para o chão, o que indica, obviamente falta de água, falta de rega.

Também nós quando não “mergulhamos” na água viva que brota de Cristo, perdemos a vivacidade, perdemos o sentido, perdemos a vida.

Quando não nos deixamos “regar” pela água viva que brota de Cristo, também nós nos viramos para o chão, nos viramos para o mundo, e deixamos de ansiar pelas coisas do Alto.

Só em Cristo e com Cristo podemos ser “regados” em permanência, podemos viver para o Alto, podemos ser sempre criaturas novas, apesar da idade que possamos ter.

Sem a água viva que Cristo nos dá, não podemos dar fruto e secamos, servindo assim apenas para ser consumidos pelo fogo que tudo destrói e não pelo fogo do Espírito Santo que tudo transforma e vivifica.

A fé é uma "planta" muito sensível que precisa ser “regada” continuamente pela oração, pelos sacramentos, pela comunhão, pelo amor.

Só o amor do Pai, em Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, em Igreja, pode “regar” continuamente a nossa fé, se assim o desejarmos em nossos corações.

Senhor Jesus, aqui na Tua frente, junto a Ti, peço-Te: Dá-nos sempre da Tua água viva, a única que nos sacia a sede de Ti.





Garcia, 24 de Novembro de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

PESCADORES DE HOMENS

.
.











Aqui na Tua presença, Jesus, medito no Evangelho de hoje.

Chamas-nos a ser pescadores de homens.

Vêm ao meu coração pelo menos duas condições importantes, contidas neste Evangelho: Deixar tudo para Te seguir, e insistirmos na pesca.

Verdadeiramente estas duas condições estão intimamente ligadas, porque deixar tudo para Te seguir passa, também, pelo libertarmo-nos dos nossos planos, das nossas certezas, das nossas ideias e, até, dos nossos orgulhos e vaidades, porque muitas vezes julgamos saber pescar, quando pescar, como pescar e onde pescar.

Por isso, Tu nos chamas a deixarmos tudo, e assim, livres de tudo, deixarmo-nos guiar por Ti, porque tantas vezes queremos pescar onde não há peixe para a pesca.

E quando nos libertamos de nós próprios, então talvez a humildade tome conta de nós e assim, humildemente servindo-Te, outros possam ver-Te nas nossas vidas e nas nossas acções.

Depois já não interessa ou não deveria interessar, ver se as redes estão cheias, porque, confiando em Ti, acreditamos que Tu as encherás conforme a Tua vontade.

Ensina-nos a pescar, Senhor Jesus, para sermos pescadores de homens segundo a Tua vontade.





Garcia, 4 de Setembro de 2025
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)