quarta-feira, 4 de outubro de 2006

ORAÇÃO EM LÍNGUAS

Porque "A Capela" se mostrou interessada nesta oração.

"... falarão novas línguas" (Mc 16,17).
"... o Espírito Santo que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, também a educa para a vida de oração, suscitando expressões que se renovam no âmbito de formas permanentes, benção, petição, intercessão, acção de graças e louvor" (do Catecismo da Igreja Católica).
Sendo o dom das línguas o mais comum de todos os carismas, não deixa talvez de ser também o mais estranho. A primeira manifestação do dom das línguas coincidiu com o aparecimento da Igreja, diante do Cenáculo de Jerusalém "... e começaram a falar em outras línguas ..." (Act 2,4 ).
O dom das línguas ou glossologia é, antes do mais, uma oração que se faz a Deus. Trata-se de uma oração feita em língua desconhecida, nunca estudada e nunca ouvida. Quem a profere, empregando sons dos quais não compreende o sentido, sente-se envolvido por um misterioso sentimento de alegria e paz.
A oração em línguas integra sempre a oração comunitária, onde brota com naturalidade e se traduz numa força poderosa. Faz também parte da oração pessoal, quando as palavras nos faltam, a fraqueza nos invade e se apodera de nós uma sensação de desânimo, impedindo a nossa concentração. Rezar em línguas abre o caminho para uma oração mais profunda, para um contacto mais imediato com Deus. Jean Lafrance diz que a oração brota do mais profundo do nosso ser como um "grito", e diz também que "Jesus revela-nos o verdadeiro objectivo da nossa oração, que é a efusão do Espírito Santo no coração de cada um". Como diz S. Paulo na 1ª Carta aos Coríntios 14,2 "aquele que fala em línguas, não fala aos homens mas a Deus: ninguém de facto entende pois no Espírito diz coisas misteriosas", e acrescenta em 14,4 "quem fala em línguas edifica-se a si mesmo".
O Cardeal Suenens dá testemunho da dimensão espiritual da oração em línguas, quando afirma: "este modo de rezar é uma forma de desprendimento de si, de desbloqueio e de libertação interior diante de Deus e dos outros. Se no ponto de partida da experiência se aceita este acto de humildade, (...) experimenta-se a alegria de descobrir um modo de rezar para além das palavras e para além de todo o cerebralismo. Este modo de rezar é criador de paz e expansão".
Na 1ª Carta aos Coríntios 14,15 S. Paulo diz: "Rezarei com o Espírito, mas rezarei também com a inteligência, cantarei com o Espírito, mas cantarei também com a inteligência". Santo Agostinho chama ao cântico em línguas o cântico no júbilo e explica que o júbilo é uma alegria que não pode expressar por palavras o que se canta com o coração. A voz humana expressa o que é concebido interiormente e não pode ser explicado por palavras. "A voz da alma extravasa felicidade expressando o que sente sem reflectir em nenhuma significação especial. Para manifestar esta alegria o homem não usa palavras que podem ser pronunciadas ou entendidas, mas simplesmente deixa que a sua alegria irrompa sem palavras".
A oração em línguas é apropriada em qualquer circunstância, porque sabemos que é o Espírito que inspira as intenções e as palavras. Como oração de louvor é o meio mais fácil para glorificar a Jesus e ao Pai. Como oração de súplica e intercessão e combate às tentações, é forte e poderosa porque as palavras chegam a Deus mediante o poder do Espírito.
Quem não se sentiu tocado quando num grupo de oração carismático, espontânea e imperceptivelmente se começa a rezar em línguas, sem que alguém tenha transmitido qualquer ordem ou sinal nesse sentido? Do mesmo modo, quando ao terminar se seguem alguns instantes de silêncio, quem não sentiu ali a presença de Deus, viva e real que nos une amorosamente?


Lurdes Azinheiro; Isabel Soares de Almeida - Grupo Pneumavita, Lisboa

Retirado do site da Pneuma

9 comentários:

Andante disse...

Já cheguei Joaquim
Imprimi para saborear a leitura e apreender o que está escrito.

Podias escrever o endereço do Pneuma.
Era só para viajar e peregrinar até lá mais vezes.

Obtrigada

Beijos peregrinos

joaquim disse...

Cara andante
Podes chegar ao site da Pneuma pelo link que aqui está no blog.
Que Deus nosso Senhor te guie na procura.
Abraço em Cristo
Joaquim

joaquim disse...

Mais três achegas sobre o tema.

Dois livros:

"O dom das Línguas" - Luis I. J. Stadelmann, SJ - Paulus

"Falar em Línguas" - Benigno Juanes, SJ - Edições Loyola

Jean Lafrance em "A Graça da Oração"
"Quando o Espírito Santo reza em nós, não o faz com vocábulos, pois as nossas palavras são enganadoras e nem sempre traduzem o desejo profundo que temos no coração; por isso o Espírito reza em nós com gemidos inefáveis."

Abraço em Cristo
Joaquim

nahar disse...

Confesso que meaz um pouco de confusão este tema...
este ano estive com um grupo de espanha do renovamento. Sentia alguma coisa que nunca teinha sentido. mas não sei separar onde começa o sentimentalismo e a razao e a fé...percebes a minha dúvida?
mas o facto é que senti uma presença tao boa...

abraço em Cristo

joaquim disse...

Caro nahar

Quando a primeira vez ouvi esta oração, pensei, sinceramente que estava tudo "doido".
No entanto qualquer coisa me transmitia paz, amor, tranquilidade e uma forte presença de Deus.
Esforcei-me por colocar de lado emoções, embora nós também sejamos feitos de emoções e um dia deixei-me conduzir.
Ao principio parecia algo irreal, mas ao perder a vergonha e o respeito humano, já não era que "tomava conta da oração" mas a oração que tomava conta de mim.
Oro assim todos os dias, para além lógicamente das orações espontaneas e "tradicionais", mas sobretudo quando preciso de "força" para vencer o deserto, a aridez e então o Espírito Santo faz maravilhas no meu espírito.
Sem qualquer "desprimor" para a razão sinto que a oração em línguas é um abandono de nós mesmos, na "nossa totalidade" ao Espírito Santo.
Desculpa a longa resposta e no que eu puder ajudar, pobre de mim junto a quem está a tirar o curso de Teologia, dispõe.
Abraço em Cristo
Joaquim

nahar disse...

Obrigado Joaquim por esta resposta longa :)
no curso de Teologia não temos a vida e a experiencia de grupos que vivem determinada experiencia ou verdade ou espiritualidade. Limitamo-nos à teoria. A vivenvia vem da nossa parte.

abraço em Cristo

a capela disse...

Agradeço-te Joaquim o Post. Já cá tinha vindo e não abri os comentários por outras razões. Tem sido um dia muito cheio de emoções. Estão todos 'abrasados' no Amor, comovo-me e calo o que me vai na alma.

Assim, por ora digo-te que estou cá e que acompanho. Mas já agora uma palavra sobre o que Nahar diz e a tua resposta, porque tb eu pensei assim e até tive que conter um riso (se isto se diz!) mas era uma sala ampla e outros riram mesmo!

Valeu-me o Padre R. Degrandis que ensinava rindo-se do meu riso. Revi-me em muitas das situações que apontou. Afinal errar é humano e o Espírito não se impõe. Espera a nossa total entrega nEle, o nosso abandono completo. Foi o que fiz e é-me difícil explicar essa minha experiência. E há igualmente o que reservar, naturalmente.

Espero portanto as tuas próxomas palavras, Joaquim e agradeço-te entretanto as leitruas que recomendas.

Obrigada e um abraço,

Malu

P.S. Tb vou ao Site que indicas. Obrigada.

nahar disse...

Ahhh e o facto de estudar Teologia não que dizer que não aprenda contigo, pois é isso que faço, aprender com quem vive

Andante disse...

Bonito Nahar.
Aprender com quem vive.

Aqui, na blogosfera, tenho encontrado muitas almas gémeas que, como eu, querem rezar na partilha.

Obrigada Joaquim

Beijos peregrinos