quinta-feira, 16 de agosto de 2018

PERDÃO!

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Para perdoar
preciso despir-me de mim,
enfrentar-me,
olhos nos olhos,
e verificar,
que também eu,
ofendo os outros,
enfim.

Para perdoar,
preciso sair,
do meu orgulho,
da minha vaidade,
do meu eu,
para me abrir,
por completo,
à graça do meu Senhor,
à graça da sua bondade.

Para perdoar,
preciso da minha vontade,
moldada,
por um constante orar,
expulsar de mim a discórdia,
deixando-me tomar por inteiro,
por Ti,
Senhor,
pela tua misericórdia.

Para perdoar,
preciso pedir perdão,
para poder perceber,
o que sente quem ofendi,
e mitigando a sua dor,
ter a certeza em mim,
que preciso perdoar,
a todo o meu ofensor.

Para perdoar,
preciso abraçar a Cruz,
e deixar que meu perdão,
seja o perdão de Jesus.


Monte Real, 16 de Agosto de 2018
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 7 de agosto de 2018

CAMINHAR SOBRE AS ÁGUAS


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Chamas-me para ir ter contigo,
e eu vou!
Salto para a água,
e consigo caminhar,
sobre ela.

Sinto-me exultante,
vejo-me forte,
capaz de tudo.
Um orgulho gritante,
toma conta de mim,
e já não me vejo caminho,
vejo-me mais …
como um fim.

Parece que já não preciso de Ti,
para caminhar sobre as águas,
porque sou capaz,
porque o consigo fazer,
apenas e só por mim.

E de repente!

De repente,
começo a afundar,
não tenho pé,
não consigo nadar,
percebo o meu orgulho,
no fundo das águas,
sempre a puxar,
sempre a puxar.

Olho-Te nos olhos,
imploro-Te,
de mão estendida:
Perdoa-me,
Senhor,
salva-me,
com o teu amor!

Seguras-me a mão,
retiras-me da água,
levantas-me do chão,
e dizes-me com ternura:
«Homem de pouca fé,
porque duvidaste?»

E eu respondo-Te,
envergonhado:
Porque sou fraco,
Senhor,
e ainda não entendi,
que a minha vida,
é o teu amor,
que da tua entrega total,
por tua graça,
a todos e a mim foi dado!



Marinha Grande, 7 de Agosto de 2018
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 25 de julho de 2018

«QUE QUERES?»*

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Sabes o que eu quero,
Senhor?

Deixa-me preparar a minha lista,
de pedidos vários,
de desejos que tenho em vista,
de coisas que preciso para mim,
talvez para os outros,
também,
de riquezas e alegrias,
de coisas boas,
enfim!

Mas a lista é tão comprida,
Senhor,
que desisto,
e não a faço,
talvez não a queira,
afinal,
na minha própria vida.

Sabes, então, o que eu quero,
Senhor,
o que eu quero,
por fim?

Quero apenas o que Tu queres,
todos os dias,
para mim!



* Mt 20, 21

Monte Real, 25 de Julho de 2018
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 21 de julho de 2018

O TEMPO QUE TU ME DÁS


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Já não me sobra tempo,
do tempo que Tu me dás,
porque o tempo que em mim fazes,
se esgota no tempo,
para me entregar a Ti,
na Tua amorosa paz.

Eu sei e acredito,
que Tu me dás todo o tempo,
mas que faço eu do tempo,
que em todo tempo
me dás?

O Teu tempo é todo amor,
no amor infinito que dás,
procuro eu nesse tempo,
viver nos outros,
para os outros,
o Teu amor,
a Tua paz?

Quero deixar-me tomar,
pelo tempo que me dás,
para que tomado por Ti,
no tempo,
seja eu também,
tempo de amor,
e de paz.

Apenas para Te servir,
no tempo,
e em todo o tempo,
para dar aos outros o amor,
manifestar-lhes a paz,
que agora e sempre,
Tu,
Senhor,
em todo o tempo me dás.


Marinha Grande, 21 de Julho de 2018
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 10 de julho de 2018

ERAM COMO OVELHAS SEM PASTOR…

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Sou Tua ovelha,
Senhor!

Por vezes,
afasto-me do meu Pastor,
procurando as pastagens do mundo.

Mas logo me arrependo,
e volto para o Amor,
que és Tu
e só Tu,
meu Deus
e Senhor!


Monte Real, 10 de Julho de 2018
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 2 de julho de 2018

SEGUE-ME!

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Segue-me!
E eu segui-Te,
Senhor!

Mas o caminho tem tantas curvas,
tem tantos escolhos,
tem, por vezes,
tanta dor!

Há momentos do caminho,
em que não Te quero seguir,
quase penso que estás enganado,
no caminho que me dás,
mas é nesses precisos momentos,
que Te vejo,
a sorrir!

É então que me pegas ao colo,
que me abraças ainda mais,
que me agarras a mão,
puxando-me com ternura,
dizendo-me ao coração:
Anda, força, coragem,
este caminho só tem fim,
quando estiveres em felicidade,
tão perto, tão perto,
que apenas vivas em Mim!

Segue-me!
E eu segui-Te,
Senhor!

Os escolhos,
ponho-os de lado.
Já não me interessa a dor,
nem as curvas do caminho.
Agarro-me ao Teu braço,
o braço que me foi dado,
e repouso de mansinho,
assim,
totalmente abandonado,
ao Teu sorridente de amor.

Segue-me!
E eu segui-Te,
Senhor!


Monte Real, 2 de Julho de 2018
Joaquim Mexia Alves 
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quarta-feira, 27 de junho de 2018

BASTA UM “AMO-TE”!

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Nada! Vazio!
Quero escrever, ou melhor, escrever-Te, e nada, estou vazio, nem um pensamento, um sentimento, uma emoção!
Nada, mesmo nada!

E, no entanto, Senhor, Tu mereces tudo, porque Tu és o tudo para mim.

Quero tanto dizer-Te o que me vai no coração, o que vai no meu ser, da minha vontade de estar contigo e fazer a Tua vontade, e nada, nem uma palavra me toca ou me move!

Quero cantar-Te, louvar-Te, bendizer-Te, adorar-Te, e nada, nem um movimento, nem um sentimento, nem um leve estremecer!

Quero tanto caminhar contigo, seguir-Te, deixar-me envolver por Ti, e nada, nem um passo, nem um abrir de braços desperta em mim!

E agora, Senhor, e agora?

Ouço-Te e vejo o Teu sorriso amoroso:
Basta um “amo-Te”, meu filho, para Eu te apertar ainda mais nos Meus braços!
Eu apenas leio o que o teu coração escreve, voltado para Mim!


Monte Real, 27 de Junho de 2018
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 6 de junho de 2018

INACESSÍVEL?

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No lugar mais inacessível
podemos encontrar-Te,
Senhor!

Infelizmente,
tantas vezes o lugar mais inacessível,
 é o nosso coração,
 e nós desistimos de Te procurar,
embora Tu estejas sempre lá,
à nossa espera,
dando-nos a mão!
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Monte Real, 6 de Junho de 2018
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 24 de maio de 2018

DESABAFO ESCRITO

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Preparo-me para completar a reflexão que me pediram para fazer num dia que se aproxima.

E vem a indecisão! Não tanto a indecisão, mas mais a dúvida.

Será que é o que Deus quer? Ou será que é o que eu acho que é importante dizer?

Estou e estarei humildemente ao serviço de Deus para os outros, ou é o meu orgulho, a minha vaidade, a minha possível ânsia de protagonismo, que me levam a aceitar e fazer o que me pedem?

Porque é cada vez mais difícil, para mim, falar em Seu nome aos outros?

Será que é o inimigo que instila em mim estes pensamentos para me levar a desistir, ou será, que é o Espírito Santo a chamar-me a atenção para as minhas fraquezas mundanas?

Deus fala-nos também através dos outros e por isso quero acreditar que se me pediram esta reflexão, será por Sua vontade.

Abandono-me, entrego-me e peço-Lhe que, se em algum momento o meu eu for mais audível e visível do que a Sua vontade, então que me cale, que me tire a voz, mesmo que isso constitua para mim uma humilhação, porque nada quero fazer para os outros, que não seja Ele a fazer em mim.

“Mãe, ensina-me a ser nada para que Cristo seja tudo em mim.”


Marinha Grande, 24 de Maio de 2018
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 21 de maio de 2018

É O MEU BISPO!

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Fiquei a pensar no “meu” Bispo D. António Marto, e nesta relação de proximidade, mesmo de amizade, que a ele me liga.
Verdade seja dita, que é fácil gostar do D. António, porque ele é uma pessoa próxima, acolhedora, que parece distinguir cada um que dele se aproxima com o seu sorriso.
E não pude deixar de estabelecer comparação com o meu tempo de menino e moço, em que, falar com um bispo era coisa quase impensável, quanto mais dar-lhe um abraço que é como normalmente D. António me cumprimenta.
Com isto não quero dizer que os bispos de então não eram pessoas simpáticas e acolhedoras, mas sim que os tempos são outros e as maneiras de estar e ser, também.
E é engraçado sentir-me de algum modo orgulhoso por o “meu” Bispo ir ser criado Cardeal.
É como se eu fizesse parte também dessa honra, dessa dignidade, dessa missão.
E, no fundo, tenho que fazer parte, não só pela relação de proximidade, de amizade, que nos une, mas porque sinto vontade de rezar por ele ainda mais, para que cada vez mais o Espírito Santo o ilumine e o ajude, connosco, a construir a Igreja Católica.
Sinto-me um pouco criança, como aquelas crianças que quando o pai delas é elogiado, homenageado, distinguido, olham para as pessoas que as rodeiam com um olhar de: É o meu pai!!!
Assim, desculpem-me a “criancice”, mas deixem-me dizer-lhes: É o meu Bispo!!!!
Obrigado, Senhor, que fazes tudo muito bem feito! 
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Marinha Grande, 21 de Maio de 2018
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 10 de maio de 2018

A BELEZA DE DEUS

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A incúria do homem, a fraqueza do homem, a procura do homem dos bens materiais mais do que a procura da verdadeira felicidade, leva-o a cometer actos de destruição, não só dele próprio, mas também, e sobretudo, da obra criada por Deus para servir o próprio homem.

Mas a paciência de Deus para com o homem, sobretudo o amor eterno de Deus pelo homem, leva-O sempre a “correr” para o homem, esperando que o homem perceba a beleza de Deus, e regresse ao Seu amor.

Por isso Deus envia sinais, que só são visíveis ao homem que abre o seu coração à presença de Deus na sua vida.

Do inferno dantesco provocado pelas chamas ateadas pelo homem, da imagem de desolação que desanima e desespera, Deus faz nascer a beleza da Sua “cor”, do Seu amor, da Sua verdade: «Eu renovo todas as coisas.» Ap 21, 5


Marinha Grande, 10 de Maio de 2018
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 7 de maio de 2018

SALMO DE UM HOMEM CANSADO

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Estou cansado,
Senhor.

Não sei de quê,
mas estou cansado.

Não estou cansado de Ti,
que enches o meu viver,
não estou cansado do amor,
que faz de mim melhor,
não estou cansado dos outros,
que colocas à minha volta,
para me ajudar a ser,
não estou cansado da vida,
que me foi dada por Ti.

Talvez esteja cansado de mim,
de querer preferir a certeza,
da minha vontade própria,
à dúvida e incerteza,
de Te querer procurar melhor.

Talvez esteja cansado de mim,
dos pecados repetidos,
da fraqueza,
da falta de interioridade,
dos projectos de santidade,
afinal nunca vencidos.

Estou cansado,
Senhor,
por isso,
refugio-me no Teu amor,
deixo que me tomes pela mão,
me apertes no Teu coração,
me enchas o  meu viver,
e abandono-me,
assim,
simplesmente,
ao Teu amoroso querer.


Monte Real, 7 de Maio de 2018
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 3 de maio de 2018

DEUS PELA MANHÃ

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Acordo às seis da manhã, mais uma vez, e o meu pensamento vai directo para Deus.
Já estou habituado a este acordar a esta hora, sem nenhuma razão aparente, e como sempre, lembro-me de Samuel e digo baixinho, interiormente: «Fala, Senhor, que o teu servo escuta.»
Como sempre também, nada acontece, não ouço voz nenhuma, não recebo nenhuma mensagem, nem uma “luzinha” sequer!

Deixo-me ficar e lentamente começam a vir ao meu coração as “coisas” que tenho de fazer brevemente, “coisas” de Deus, claro, a que sou chamado por outros, (em Seu nome, quero acreditar), e que, em vez de com o tempo se tornarem mais fáceis, pelo contrário, cada vez mais sinto um peso de responsabilidade, de ignorância, de receio de não dizer o que Ele quer, mas, apenas e só, o que eu acho.

É também, nesses momentos, que me surgem de repente textos que mais tarde escrevo e partilho com os outros.

Fecho os olhos, tento dormir porque ainda é tão cedo, mas nada!
Nem um bocadinho de sono!

É então que começam a surgir no meu pensamento versículos da Bíblia, frases lidas aqui e acolá, pensamentos ouvidos ou já falados, e que vão construindo dentro de mim a estrutura daquilo que mais tarde hei-de dizer, falar, rezar.
A minha vontade é levantar-me e escrever tudo para não me esquecer, mas algo me diz que não me preocupe, que quando chegar a hora me hei-de lembrar daquilo que agora me vem ao coração.

E é aí que regressa o receio!
E se eu não me lembro?
E se eu deixo que o meu orgulho ou vaidade “apaguem” a voz d’Ele em mim, e apenas seja a minha voz a falar?
E porquê eu?
Mas alguém acredita num “tipo” como eu?

Invoco o Espírito Santo, “remédio” para os receios, as dúvidas, as incertezas.
Rezo as orações da manhã e assim já é “meio caminho andado”!
E sem me aperceber, adormeço novamente.

E agora, à medida que escrevo, vou-me apercebendo que este texto, escrevi-o hoje às seis da manhã no meu coração, no meu pensamento.
Se serve para alguma coisa não sei, pois deixo isso nas Suas mãos.
Eu apenas o plantei, a semente é d’Ele, a rega é d’Ele, o crescimento é com Ele, o fruto é d’Ele, sempre para os outros, e unicamente para Sua maior glória.

No fim, no meio de uma gratidão imensa e eterna ao meu Deus e Senhor, um só pensamento:
«Ele é que deve crescer, e eu diminuir.» Jo 3, 30


Marinha Grande, 3 de Maio de 2018
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 10 de abril de 2018

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (16)

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Nascer de novo, Senhor?

Sim, meu filho, nascer de novo!

Mas, Senhor, quando Te encontrei, ou melhor, quando Tu me fizeste encontrar-Te ao fim de tanto tempo, não foi esse um “nascer de novo”?

Sim, foi meu filho, e houve alegria no Céu pelo teu novo nascimento, mas sabes que em Mim, o nascer, o crescer, o morrer, faz tudo parte do “Novo” que Eu sempre sou.

Como pode ser isso, Senhor?

Repara quando nasces em e para Mim, nasces de novo para a vida que Eu Te dou.
Mas quando cresces nessa vida, nasces sempre um pouco em e para Mim, num processo contínuo, que é feito de contínuo nascimento e crescimento, de contínuo crescimento e nascimento.

Então, Senhor, e a morte?

Na morte, meu filho, voltas a nascer em e para Mim, se a tua vida foi um contínuo nascimento e crescimento em e para Mim.
Só que a morte em Mim, torna-se no derradeiro nascimento, no último crescimento, porque a partir daí já não necessitas de voltar a nascer, de continuar a crescer, nem voltarás a morrer, porque estarás em Mim, e Eu sou a eternidade.

Obrigado, Senhor, quero nascer e crescer sempre de novo, para morrer em Ti, nascendo para a vida.

Lembra-te sempre, meu filho: «Eu renovo todas as coisas». Ap 21, 5


Marinha Grande, 10 de Abril de 2018
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 2 de abril de 2018

PÁSCOA – VIGÍLIA PASCAL


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Na Vigília Pascal, na minha querida paróquia da Marinha Grande, foram baptizados quatro adultos, numa celebração extraordinária de intimidade com Deus, emotiva até, que me fez dar graças a Deus por me ter feito reencontrá-lO.

As palavras do Vigário Paroquial, Padre Patrício Oliveira, (que bela homilia, tão simples, tão próxima, tão cheia de Deus), vieram directas ao meu coração e fizeram-me lembrar tudo o que fui, tudo o que sou e tudo o que posso vir a ser, pela graça de Deus.

Esta Páscoa do Senhor Ressuscitado, sentia-a também como a minha Páscoa, a Páscoa da minha vida, quando renasci e encontrei a Vida Nova, aquela que nunca acaba.

Com efeito, andei tanto tempo afastado de Deus, por caminhos de vícios vários, que bem posso dizer que estava morto para a vida verdadeira, e que foi o reencontro com o Senhor Crucificado, Morto e Ressuscitado, que há anos atrás, foi e continua a ser a Páscoa que sempre quero viver na minha vida.

E durante esta Vigília Pascal tudo me passou pela memória, mas já não senti vergonha nem culpa, (como as poderia sentir se acredito na misericórdia de Deus e no seu infinito perdão), mas senti uma paz imensa que me levou ainda mais a acreditar que “se com Cristo morremos, com Ele ressuscitamos”.

Como gostaria de ter palavras que exprimissem o que senti, o que vivi naquela Santa Noite e que ainda vivo no meu coração!
E, depois, dar aos meus irmãos na fé, na Comunhão, o Corpo do Senhor na Hóstia Consagrada, emocionou-me, fez-me sentir que a bondade de Deus atinge todos, até mesmo aqueles que durante tanto tempo O rejeitaram, mas que para Ele e por Ele continuaram a ser amados pelo Amor verdadeiro.

Senti-me um pouco como aqueles que foram baptizados, crismados e que pela primeira vez receberam o Corpo do Senhor, ou seja, como se Ele me dissesse, (como tantas vezes me faz sentir no coração), «Eu renovo todas as coisas».

De coração cheio, de alma repleta de alegria, só posso dizer a Deus as palavras que pouco exprimem, mas que saem de dentro de mim:

Obrigado meu Deus pela paróquia que me deste, pelos sacerdotes que colocaste ao seu/teu serviço, por todas as minhas irmãs e irmãos na fé que chamaste a fazerem parte desta comunidade paroquial.
Obrigado, meu Deus, porque me achaste digno de receber a graça de Te reencontrar.
Glória e louvor a Ti, Senhor, hoje, sempre, pelos séculos sem fim.


Marinha Grande, 2 de Abril de 2018
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 30 de março de 2018

QUE É A VERDADE? - SEXTA FEIRA SANTA 2018


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Começa o julgamento.
Agora vai ser julgada a Verdade, vai ser julgada a Justiça, vai ser julgado o Amor!

A justiça torna-se injustiça, porque os homens de coração fechado, cegos pelo ódio, tolhidos pelo medo de perderem as suas prerrogativas, não conseguem ver a Verdade, não conseguem ver o Amor.

Pilatos pergunta-Lhe o que é a Verdade e não obtém resposta, porque a Verdade está diante dele e ele não a consegue ver, cego que está pelo seu poder.
Entregam-no aos seus algozes, como “cordeiro ao matadouro” no dizer cru de Isaías, e Ele nada diz, nem um queixume se ouve.

As bofetadas, as cuspidelas, as palavras ofensivas que Lhe são dirigidas não Lhe interessam, não O ofendem sequer.
Aquilo que O ofende e faz sofrer, são os nossos pecados, as nossas fraquezas, que Ele sabe continuarão, apesar do Seu sacrifício.

Colocam-Lhe a cruz aos ombros.
A cruz da ignominia, a cruz dos condenados, é colocada aos ombros do Perdão, aos ombros daquEle que não condena, mas usa de toda a misericórdia para com todos.
Cada passo, cada queda, cada olhar de escárnio que Lhe dirigem, suscita sempre n’Ele a mesma oração, agora intima, interior, mas que mais tarde, na hora derradeira, se vai tornar audível: «Perdoa-lhes Pai, que não sabem o que fazem.»

Deitam-nO sobre a cruz.
Apontam os cravos, pegam nos maços e com fortes batidas rasgam a Sua carne, perfuram as Suas mãos e os Seus pés.
Cada som cavo de cada martelada, lembra-nos o meu pecado, o nosso pecado!
Que fácil é atirar as culpas para cima daqueles que o faziam, como se não fossemos nós todos que O crucificamos!

Levantam-nO ao céu.
A cruz enterrada na terra, aponta agora o Céu.
É uma escada que devemos subir, fortemente agarrados, entregues a ela, porque só nela encontramos a salvação.

De cima da cruz, Ele olha para os seus algozes, Ele olha para nós, com o mesmo olhar com que olhou para Pedro a seguir a este O ter negado.
É o único olhar que Ele tem, o olhar da compaixão, o olhar da misericórdia, o olhar do perdão.

«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.»

Nesta entrega ao Pai, entrega-nos também a nós, entrega o Seu espírito, para que esse mesmo Espírito seja derramado sobre todos nós, sobre mim, e assim possamos abrir os olhos e reconhecer a Verdade, a Justiça e o Amor.

Faz-se um silêncio avassalador!
Não o silêncio da morte, mas o silêncio da espera, o silêncio que se vai tornar alegria na hora da Ressurreição!

Ah, Senhor, prostrado, joelhos em terra, olhos baixos de vergonha, com lágrimas de contrição, apenas Te digo: Perdoa-me, Senhor, que não sei o que fiz, que não sei o que faço, quando Te crucifico com o meu pecado.

E Tu, Senhor, nesse Teu infindável amor, com esse Teu olhar de misericórdia, com o coração repleto de perdão, apenas me dizes: Levanta-te e anda. Vigia e ora para que não entres em tentação. Não temas que Eu estou sempre contigo.
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Sexta Feira Santa 2018
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 20 de março de 2018

DONS E TALENTOS AO SERVIÇO

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Há dias atrás, no Sábado do retiro da equipa do Alpha Marinha Grande em São Pedro de Moel, fomos, alguns de nós, tomar o pequeno almoço a uma pastelaria perto da Capela daquela praia.

Dentro da pastelaria, voando e saltitando por entre as mesas estava uma pequena ave, como a fotografia demonstra.
É, pelos vistos, visita permanente na pastelaria.
Diligentemente ia comendo as migalhas que caiam pelo chão, mantendo assim aquele espaço limpo, pelo menos de migalhas.

Fiquei a pensar em tudo aquilo e quis ver ali a mão de Deus, não tanto pela existência da ave e o que fazia, mas como símbolo dos dons e talentos que Deus vai dando a cada um.

A pequena ave tem um “talento” e um “serviço” que é limpar de migalhas o chão daquela pastelaria, e fá-lo com graça, com alegria, (até assim podemos dizer), tornando-se agradável a quem ali vai.

Muitos de nós temos dons e talentos que Deus nos dá e não os colocamos ao serviço dos outros.
Por vezes até, sendo chamados, ou pedindo-nos para fazermos determinados serviços que nos parecem menores, desculpamo-nos com razões tais como, “eu não tenho jeito para isso”, ou “não sou capaz”, etc., etc., porque temos vergonha, porque não queremos ser vistos em tais trabalhos.

E, no entanto, conseguimos ver a beleza de Deus naquela ave e naquilo que ela ali faz, conseguimos ver como Deus nos toca através daquela simples ave e do “serviço” que ela faz com alegria e simplicidade.

Deus na Sua infinita bondade, aprecia de igual modo o que varre a igreja e o que dá formação aos outros.
Se os nossos dons e talentos vêm de Deus, então todos eles são importantes e agradáveis de igual a modo ao próprio Deus.
Arrisco-me até a dizer que aqueles que, humildemente, aceitam fazer trabalhos, serviços que parecem aos nossos olhos menores, têm aos olhos de Deus um “valor” diferente, porque não se importam com os respeitos humanos, colocando acima das “vergonhas humanas”, o servir a Deus, servindo os outros.

Sejamos pois disponíveis, diligentes, alegres, empenhados no serviço, seja ele qual for, a que formos chamados para servir a Deus servindo os outros, na certeza de que Ele olha para nós com todo o Seu amor e não deixará de tocar o coração de outros irmãos nossos, servindo-se do nosso testemunho de humilde serviço e entrega.


Marinha Grande, 20 de Março de 2018
Joaquim Mexia Alves
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Nota: A fotografia não é muito nítida. A ave em questão está nas costas da cadeira da esquerda da mesa em frente.
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sábado, 10 de março de 2018

24 HORAS PARA O SENHOR


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Estive três horas, Senhor, hoje em adoração, em oração, de madrugada, cumprindo o pedido das vinte e quatro horas de adoração feitas pelo Papa Francisco.

E sinto-me um herói!?
Pobre tolo!
De vinte e quatro horas de um dia inteiro que me foi dado por Ti, Senhor, dei-Te três horas, e sinto-me herói!?

Ah, pois, Tu “só” deste a Tua vida por mim!
Ah, pois, Tu “só” estás comigo vinte e quatro horas por dia comigo, até mesmo quando eu não estou contigo, e eu dei-Te três horas!?
Ah, pois, Tu “só” Te preocupas comigo em todas as coisas da minha vida, mesmo nas mais comezinhas, mas eu sinto-me herói porque estive contigo três horas!?

E estive essas três horas por Ti e pelos outros, ou por mim e pelas coisas que eu acho que necessito?

Ai, Senhor, como posso eu dizer que Te amo, se me sinto herói por te dar três horas da vida que Tu me deste?

Ai, Senhor, como eu gostaria de ser muito mais como o Santo Francisco Marto, para Te fazer companhia, para fazer companhia ao «Jesus escondido», e não procurar que Tu me faças companhia nas escassas três horas que Te dei!

Resta-me a consolação de saber que Tu sabes quem eu sou e como sou, e a consolação de saber que a Tua misericórdia é infinitamente maior do que o meu eu, e que, portanto, olhas para mim com o Teu olhar de bondade, de amor, e me apertas junto a Ti, dizendo-me: Gostei tanto, Joaquim, das tuas três horas que me deste!

E eu envergonhado, baixo a cabeça, fujo ao Teu olhar e digo-te: Oh, Jesus, ensina-me a amar como Tu!



Marinha Grande, 10 de Março de 2018
Joaquim Mexia Alves
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