terça-feira, 16 de agosto de 2016

NO CÉU, NO CÉU, COM MINHA MÃE ESTAREI

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Venho devagarinho e deito-me no teu colo, minha querida Mãe do Céu.
Abandono-me nos teus braços de amor, para neles encontrar o amor do teu Filho, minha querida Virgem Mãe.
Contigo, hoje, subo também ao Céu, por um pouco.
Esse pouco, reforça a minha confiança, renova a minha esperança.
E canto, então, cheio de alegria:
«No Céu, no Céu, com minha Mãe estarei.»

Marinha Grande, 15 de Agosto de 2016
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 14 de agosto de 2016

FOGO DIVINO

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Vem,
ó fogo divino,
que queimas o mal,
e alumias o bem.

Vem,
ó fogo divino,
que purificas a terra,
para que nela nasça a nova planta,
a planta do amor,
fruto da nova semente,
plantada pela dor,
na cruz do nosso Salvador.

Vem,
ó fogo divino,
e queima em mim o que não presta,
purifica-me de todo o mal,
ilumina-me no caminho,
e faz do que em mim resta,
uma nova criatura,
toda voltada para Deus!




Marinha Grande, 14 de Agosto de 2016 
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 9 de agosto de 2016

OS SOLDADOS DA PAZ

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Estive numa guerra!
Estive na guerra da Guiné, onde jovens se fizeram homens, por vezes com grande sacrifício e dor.
Vi heróis, não só em actos de guerra, mas também e sobretudo em actos de amor ao outro, de entrega ao outro, de procura do bem-estar e da felicidade do outro.
O “fogo” da guerra consome-nos por dentro, destrói-nos, por vezes, o querer, a alegria, o ser, e deixa-nos marcas permanentes, indeléveis, que às vezes demoram anos a aparecer, e quando aparecem, é só para nos magoar no mais intimo do nosso ser.
Nós, combatentes, não fomos para a guerra, para fazer a guerra, mas para, apesar da guerra, encontrarmos a paz.
Mas sabíamos que podíamos morrer, e até, infelizmente, matar!
O “fogo” da guerra consome-nos por dentro!

A guerra do fogo, é bem diferente, tão diferente, que os homens que a combatem se chamam «Soldados da Paz»!
Não vão pensando em morrer, e muito menos, pensando que pode morrer alguém, vão apenas e só para viver e deixar os outros viver, para além do fogo que os quer matar.
São heróis, desconhecidos, a quem tantas vezes “falta o ar”, o ar do reconhecimento, da gratidão, da homenagem, o ar das palavras obrigado, bem hajam, vós sois os nossos heróis!
Dêem-se medalhas aos feitos desportivos, aos feitos sociais e solidários, mas interrompam-se as férias, (do tal homem dos afectos), para dizer em bom som e bem alto:
Portugal, os Portugueses, estão-vos gratos, tão gratos, que vos consideramos os heróis do tempo presente, neste tempo da guerra do fogo, em Portugal!

Para vós, bombeiros de Portugal, elevo a minha prece a Deus: 
Senhor, abençoai, protegei e guardai os bombeiros de Portugal, no vosso infinito amor!

Marinha Grande, 9 de Agosto de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 26 de julho de 2016

PÉRE JACQUES HAMEL

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Pére Jacques Hamel estava ali, servindo o Senhor, quando em nome de um deus que não existe, (porque não há nenhum deus que exija a morte, que fomente o ódio, que enalteça a morte dos outros), é barbaramente morto, decapitado, como se por acaso o Deus de infinito amor não recebesse com superlativo amor, aquele que perde a cabeça, (porque apaixonado se deixa guiar pelo coração), no Seu seio, e não fizesse a festa no Céu por aquele que foi sacrificado pelo “rebanho”.

Decapitado ou morto por leões, numa europa que cada vez mais se aproxima dos circos romanos, onde se matava em nome de nada e os cidadãos se compraziam com o espectáculo, anestesiados por governantes corruptos e débeis na vontade, na força e no carácter.

Não, não pode haver vingança a ser servida, mas tão só a realidade dos factos, a justiça que deve ser exercida e exigida, e a demonstração que a civilização tocada por Cristo, é muito melhor do que o ódio que poderia humanamente ser aceitável contra tais indivíduos, porque é uma civilização tocada pelo amor, em que o mandamento principal depois do amor a Deus, é o amor aos outros, mesmos àqueles que nos fazem mal.

É que se nos deixarmos levar por esse ódio, então damos-lhes a vitória, porque perdemos o que de mais sagrado nos une a Deus, que é amor a Ele e aos outros.

Dizem-nos vários relatos dos martírios dos Santos de Deus no Circo de Roma, que eles cantavam, louvavam a Deus, enquanto morriam.

Sem deixarmos a tristeza tão humana inerente à perca de uma vida humana dedicada a Deus, demos também nós graças a Deus por este Seu filho, Jacques Hamel, e alegremo-nos porque temos um Santo no Céu a interceder por nós.

Rezemos também pelos seus algozes, por muito que nos custe, na certeza de que Jacques Hamel junto de Deus, Lhe diz neste momento: Perdoa-lhes Pai, que não sabem o que fizeram!

Tudo e sempre para a maior glória de Deus, nosso começo e nosso fim, nossa confiança e esperança, nossa vida eterna em plenitude.


Marinha Grande, 26 de Julho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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O MEU PAI FARIA HOJE 117 ANOS

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O meu pai faria hoje 117 anos.

Sempre que não sei bem como proceder em determinados momentos, penso no que ele faria, mas por vezes neste mundo, dito moderno, é muito difícil seguir os seus passos.

Quando tinha talvez os meus 16/17 anos, juntava-me com os amigos numa "leitaria", (que naquele tempo tudo vendiam, até cervejas), na Rodrigo da Fonseca em Lisboa.
O Sr. Augusto, dono da leitaria, conhecia os meus irmãos mais velhos a todos e por isso permitia-me certas coisas e uma delas era o poder beber umas cervejas agora e "pagar depois".
Claro que entre cervejas, sanduíches, etc.,  a coisa não deu grande resultado e quando dei por mim, ao fim de alguns meses já devia uma grossa maquia talvez à volta de 5 contos, como se dizia naquele tempo. Ele nunca me exigiu nada, mas quando me apercebi do montante fiquei em "pânico".

Os meus pais, ("presos" em Monte Real pelas Termas e pelo  cargo de Governador Civil de Leiria), vinham a Lisboa uma vez por semana, dormindo normalmente de Terça para Quarta Feira.

Enchi-me de coragem, (o meu pai era um homem de contas e de uma honestidade acima de qualquer prova), e falei com o meu pai sobre o meu "problema".
Fiquei espantado, porque em vez de um enorme "ralhete", coisa que esperava, tal como, me desse de imediato o dinheiro para pagar a divida, apenas olhou para mim, e disse-me: Para a semana falamos!

Obviamente o meu pânico aumentou e durante a semana quase não fui ao Sr. Augusto, (assim chamávamos a leitaria), com vergonha da minha divida.

Chegou a próxima Terça Feira, o tempo foi passando, Quarta Feira e o meu pai nada de falar comigo sobre o assunto, nem lá perto.

Aproximava-se a hora de regressarem a Monte Real e nada, e o meu pânico ia-se transformando em desespero.
Quando já estavam para sair o meu pai disse: Joaquim, chega aqui pois quero falar contigo.
Entrei no quarto a pensar: Estou tramado!
Olhou para mim e perguntou-me: Quanto àquele problema que me contaste, como é que passaste esta semana?
Envergonhado disse-lhe: Ó pai, tenho tanta vergonha que não pus os pés no Sr. Augusto e até tenho dormido mal.
Olhou para mim, tirou o dinheiro necessário para pagar a divida do seu bolso e disse-me: Espero bem que tenhas aprendido a lição!

Era assim o meu pai!


Marinha Grande, 26 de Julho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 22 de julho de 2016

“PROMULGO, OBVIAMENTE”

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Quando um católico assumido, chamado inúmeras vezes pela Igreja a dar testemunho da "sua" fé, tem uma frase destas sobre um assunto que vai contra a Doutrina da Igreja, que vai contra a Fé vivida em Jesus Cristo, apenas posso pensar noutra frase, que ele poderia proferir: “Obviamente a Fé e a Doutrina que afirmo professar são muito menos do que a política que quero viver.”

Claro que há inúmeros argumentos para que ele proceda deste modo, até o velho “argumento bíblico”, já “estafado” e sempre mal-entendido, do «dar a César o que é de César…»

Claro, também, que a renuncia a assinar tal diploma, implicaria provavelmente um pedido de demissão do cargo de Presidente da República, mas o que é isso perante a coerência da vivência da Fé, sobretudo, porque tendo sido chamado tantas vezes a dar testemunho da fé que afirma viver, teria agora oportunidade de afirmar, bem alto, que para ele Deus está primeiro, e só depois a vontade dos homens.

Com muito mais razão, se assim quisermos dizer, Asia Bibi poderia dizer as mentiras necessárias para a sua libertação, visto que está em perigo a sua vida, (e não uma carreira política), e a exigência da sua condição de mãe.

Já sei que não se podem comparar as situações, etc., etc., mas a verdade é que há uns que perante o risco da própria vida e até da vida dos seus, afirmam a sua fé e a sua obediência de amor à Doutrina, enquanto outros se resguardam em argumentos “inteligentes”, para nos momentos difíceis, esquecerem o primeiro Mandamento - «Amar a Deus acima de todas as coisas» - e colocarem de lado a Doutrina que afirmam professar.

Por isso a Igreja recorda os mártires da Fé, que tudo arrostaram para colocar Deus em primeiro lugar, como ainda hoje em dia podemos ver e ouvir em tantas regiões deste mundo sem paz, deste mundo que se quer afastar de Deus.

Sim, sim, é utópico o texto, é utópica a atitude pretendida!
É sempre utópica, quando interfere nas nossas comodidades, quando interfere nas nossas vontades.


Marinha Grande, 22 de Julho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 15 de julho de 2016

SÓ O AMOR É VENCEDOR!

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Estamos outra vez perante a barbárie, em que alguém, (cobardemente, é bom que tal se diga), fere e mata o seu semelhante.
E pretende fazê-lo em nome de um qualquer deus.

Mas, afirmo-o com toda veemência e certeza, em nome de Deus não o faz com certeza, mas em nome de Satanás, embora provavelmente não tenha plena consciência disso mesmo.

Porque Deus, só há Um, (e é o mesmo dos cristãos, dos muçulmanos, dos judeus, dos homens de boa vontade), e é sempre e só amor.
Se o não fosse, não era Deus!

E precisamente porque Deus é amor e só amor, é que, perante esta barbárie, Ele mesmo nos lembra ao coração: Reza pelas vitimas, mas não te esqueças de rezar pelos algozes!

E é aqui que Lhe perguntamos: 
Senhor, Tu disseste que a “porta era estreita”, mas por vezes, parece-nos tão estreita que não conseguimos passar por ela!

E Tu, Senhor, respondes-nos, cheio de amor: 
Como queres tu entrar no Meu Reino, com ressentimento, com raiva, com ódio ao teu semelhante, no teu coração?
Por isso te peço que rezes, não só pelas vitimas, mas também pelos algozes. Se o coração deles não se mover com a oração, pelo menos o teu há-de mover-se pela força do Espírito Santo que está presente na oração.

Mas, Senhor, como lidar com esta gente que mata o seu semelhante com tal crueza, sem o mínimo sentimento de compaixão?

E Tu, Senhor, mais uma vez respondes: 
Que a justiça dos homens seja exercida, (mas sem se tornar igual à barbárie dos agressores), porque nunca te esqueças que só o amor vencerá, porque só o amor é vencedor.


Marinha Grande, 15 de Julho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 13 de julho de 2016

A VITÓRIA!

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Confesso, “prontos”, confesso que também eu rezei para que a selecção nacional ganhasse o europeu de futebol.

Andei por ali uns tempos a pensar se poderia rezar por tal intenção, e depois pensei: Se colocares a intenção segundo a vontade de Deus, porque não?

Depois, claro, pensei também porque é que Deus se haveria de meter em assuntos de futebol, e ser Sua vontade que Portugal ganhasse?

Parei para reflectir um pouco e achei que ao pedir a Deus que a selecção nacional ganhasse, não Lhe estava a pedir que alterasse o resultado, nem Lhe estava a pedir que a selecção francesa perdesse, (embora tal fosse implícito numa vitória de Portugal), mas apenas e tão só que nos concedesse essa alegria, não por mérito “religioso” algum que tivéssemos, mas pela alegria em si.

E ganhámos porque Deus quis?

Não, decididamente não!

Ganhámos, porque como muito bem diz Fernando Santos - «agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado.»

Deus iluminou e guiou, mas a sabedoria, a perseverança, a humildade e o trabalho, foram do homem, que se entregou a Deus.

Uma vitória, em desporto, nunca é, ou nunca deve ser, contra alguém, e a nossa selecção nacional não jogou, com certeza, “contra” a selecção francesa, mas sim para ganhar um desafio, para conquistar um prémio, conquista na qual colocou o seu trabalho, a sua perseverança, a sua humildade, na certeza de que estava a fazer tudo o que podia para ganhar.

Depois … depois, quando o homem se entrega em tudo, como que lhe compete e faz a sua parte, ganha, não porque Deus quis, mas porque se entregou, e alguém que lidera a equipa já tem no seu coração este profundo desejo: «Espero e desejo que seja para glória do Seu nome.»

«O homem põe e Deus dispõe.»

Glória a Deus em tudo e sempre!


Marinha Grande, 13 de Julho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 26 de junho de 2016

«Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus» Lc 9, 62


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Deito as mãos ao arado,
e não olho para trás.

Quero,
com a tua graça, Senhor,
abrir sulcos na terra,
e neles semear a paz,
para que nasça o amor.

Para isso,
também me faço semente,
em que Tu possas habitar,
para que deitado à terra,
por onde o arado passar,
o Teu fruto em mim cresça,
e eu o saiba testemunhar.

Deito as mãos ao arado,
e não olho para trás.

És Tu quem me guias,
Senhor,
se eu me deixar guiar!


Marinha Grande, 26 de Junho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 12 de junho de 2016

«mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama»

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«mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama» Lc 7, 47



Quando sinto que me devo prostrar diante de Deus, colocar a minha cara sobre a terra, reconhecer-me pecador, pedindo perdão, não me sinto de modo nenhum humilhado, desprezado ou abandonado, mas sim, um homem feliz, cheio de confiança e esperança, porque sei que Deus me ama, olha para mim, toma-me pela mão, levanta-me do chão e diz-me ao coração:
Porque muito queres amar, muito conhecerás o amor, e assim, melhor te reconheces pecador, porque o pecado é sempre “desamor”, e Eu abomino o pecado, mas amo o pecador!


Marinha Grande, 12 de Junho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 3 de junho de 2016

COMPARAR PAPAS?

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Por vezes alguns textos ou intervenções sobre o Papa Francisco, parecem sub-repticiamente e às vezes até declaradamente, querer fazer comparações com outros Papas, sobretudo os seus antecessores mais directos.

Passe a desproporção da comparação, faz-me lembrar um pouco o “endeusamento” da Mãe do Céu, face ao seu Filho Jesus Cristo, ao próprio Deus, que alguns "praticam".
Parece-me sempre ouvir, (no coração, claro), a Virgem Maria, protestando, indignando-se, com tal modo de a venerar, pois Ela em tudo apenas quer apontar sempre para Cristo.

Confusa a comparação com as duas situações?

Talvez, mas onde quero chegar é que se alguém perguntasse ao Papa Francisco se tudo o que ele faz e diz é para ser “melhor” ou até para “criticar” os seus antecessores, tenho a certeza, a absoluta convicção, de que a sua indignação seria total, e ele diria sem margem para dúvidas que é apenas e só um continuador, no tempo, (outro tempo), e no espaço, (outro espaço), de tudo o que os «Pedros» ao longo do tempo foram fazendo na e em Igreja, iluminados pelo Espírito Santo.

Que coisa tão comezinha nos atinge na nossa humanidade, o querer comparar o que não é comparável, o querer colocar em confronto pessoas que afinal apenas têm e vivem o mesmo extraordinário objectivo: Ser de Cristo, para com Cristo, em Cristo e para Cristo, “mandatados” por Cristo, iluminados pelo Espírito Santo, cheios do infinito amor do Pai, serem Igreja de Cristo.

Todo o seu objectivo e toda a sua acção é continuar, é unir, é comungar, é ser realmente Igreja, e toda e qualquer interpretação que se queira dar das suas palavras, das suas acções, agora e anteriormente, que queira fazer comparações com o antes e o agora, que seja vista como crítica ou posição contrária ao “antes”, que divida, enfim, em vez de unir, é realmente uma “ofensa” à sua entrega em Igreja a Deus.

Procuremos antes ouvir, aprender, reflectir, discernir e seguir o que Francisco nos diz, porque mesmo sendo ele a dizê-lo, é sempre Pedro, Paulo, João Paulo, Bento e todos os outros Sucessores de Pedro que o dizem, para glória de Deus e salvação dos homens.


Marinha Grande, 2 de Junho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 26 de maio de 2016

O CORPO E O SANGUE DE CRISTO

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O Corpo de Cristo
é a semente lançada à terra.
O Sangue de Cristo
é a rega dessa semente.

E nasce o trigo do amor,
que se faz alimento para todos,
inteira doação,
de Jesus Cristo
Nosso Senhor!

Faz-se num pedaço de pão,
pequenino,
inesgotável alimento,
dado ao homem,
para deleite do coração.

O grão de uva,
regado pela Água do Lado,
faz-se Sangue divino,
mata a sede para sempre,
e afasta todo o pecado.

Assim é,
o Corpo e Sangue,
de Nosso Senhor Jesus Cristo,
verdadeiro Homem,
verdadeiro Deus,
e,
perante tal Mistério,
apenas posso exclamar:
«meu Senhor e meu Deus.»


Marinha Grande, 26 de Maio de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 14 de maio de 2016

PENTECOSTES

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Desde que, por graça de Deus, O reencontrei e reencontrei a Igreja, a maior revelação que ocorreu na minha fé cristã, (se assim posso dizer), foi a percepção, o sentir, o viver, a realidade da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo.

Quando era “menino e moço”, o Espírito Santo era o “ilustre desconhecido”, e constato ainda hoje, que apesar de algumas diferenças ocorridas no e pelo Concílio Vaticano II, o Espírito Santo continua, na maior parte dos fiéis, a ser um “desconhecido”, tanto naquilo que Ele é, como naquilo que Ele faz.

E é frequente, (demasiado frequente), quando falo sobre o Espírito Santo, ou ouço falar sobre o Espírito Santo, reparar que muitos cristãos que ouvem, ficam admirados, ou no mínimo surpresos, e chegam mesmo a dizer posteriormente, que nunca tinham ouvido falar assim do Espírito Santo e sobretudo, da acção do Espírito Santo na vida dos que acreditam e até mesmo dos que não acreditam.

Permitam-me que afirme mais uma vez, que o Espírito Santo foi e é a maior revelação do meu reencontro com Deus e com a Igreja, passados mais de 20 anos de afastamento da fé.

É que a revelação do Espírito Santo na minha vida, levou-me ao encontro pessoal com Jesus Cristo, um encontro permanente, não só na Eucaristia, mas realmente em cada momento da minha vida, levou-me ao conhecimento e ao sentir profundo do amor do Pai, fazendo-me perceber que o Seu amor e o Seu perdão são sempre maiores que o meu pecado, e, fez-me até descobrir o amor da Mãe do Céu e a sua intercessão poderosa e constante junto de Seu Filho.

Por isso, hoje, dia de Pentecostes, quero fechar-me com Maria e os Apóstolos naquela sala, pedindo incessantemente o Espírito Santo, na certeza profunda que tenho, pela graça de Deus, que Ele será derramado em nós e em mim, e abrirá todas as portas e janelas, derrubará barreiras, incertezas e dúvidas, e levar-nos-á, levar-me-á, a “sair para fora”, a dar testemunho do infinito amor de Deus, a falar novas línguas, incompreensíveis para mim, mas que podem tocar os corações dos outros, a sentir-me “embriagado” pelo poder de Deus, ou melhor, a sentir-me inebriado pela presença real e viva de Deus no meio de nós e em mim..

Por isso quero clamar sem cessar: Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo!


Marinha Grande, 14 de Maio de 2016
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

VISITA DA IMAGEM PEREGRINA À PARÓQUIA DA MARINHA GRANDE

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Todo o dia choveu!
À noite, quando chegava a hora de receber a Imagem Peregrina de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, o céu aquietou-se, afastou a chuva e as nuvens, e algumas estrelas brilharam no firmamento.
Sabemos todos que é uma imagem, mas a serenidade do momento, transmite-nos uma emoção terna e amorosa, por vezes acompanhada de lágrimas de gratidão, e conseguimos perceber então a presença da Mãe do Céu, derramando amor, e lembrando-nos continuamente: «Fazei tudo o que Ele vos disser!»
A procissão, ao longo da cidade da Marinha Grande, é uma “avenida” de gente, que reza, canta e se une à volta da Mãe de Deus e nossa Mãe, que vem visitar os seus filhos.
Na igreja, repleta de fiéis, canta-se o Akathistos, Hino em honra da Virgem, Mãe de Deus, de uma beleza indescritível, não só a melodia, mas também o texto, com imagens escritas de rara beleza.
A interpretação é primorosa e conduz-nos a meio caminho entre o Céu e a Terra!
O nosso Bispo, D. António Marto, presente desde o primeiro momento, despede-se de nós algo emocionado e sobretudo grato a Deus e à Virgem Maria, por aqueles momentos sublimes, lembrando-nos que a Mãe nos prometeu que o seu Imaculado Coração triunfará!
Depois uma noite inteira de oração.
No tempo que nos foi distribuído, ao Alpha, aos Jovens, aos Escuteiros, é exposto o Santíssimo Sacramento, porque é esse sempre o maior desígnio da Mãe: Mostrar-nos o seu Filho, conduzir-nos ao seu Filho, entregar-nos ao seu Filho, interceder por nós junto do seu Filho!
E que bem Ela o faz, “desaparecendo” na sua humildade imensa, para que Jesus Cristo, o seu Filho eterno, nos abrace no seu infinito amor.
Ia jurar que ontem à noite, na igreja e em Igreja, ouvi Jesus dizer a sua Mãe:
Mãe, vai abraçando e beijando desse lado todos e cada um, enquanto Eu o faço deste lado. Depois trocamos, para que nenhum, hoje e sempre, deixe de se sentir amado, por Mim e por Ti!
E hoje de manhã a surpresa de uma igreja cheia de gente para cantar as Laudes, fervorosamente, seguidas de uma despedida emocionada, que é sempre um “até já”, ou melhor, um “ficar, partindo”!
E no fim de tudo, apenas e só estas palavras vêm ao meu coração: Obrigado meu Deus, obrigado Jesus, obrigado Mãe!

Marinha Grande, 8 de Maio de 2016
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 25 de abril de 2016

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (11)

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- Senhor, fazei que eu veja!

- Meu filho, tu já vês!

- Eu sei, Senhor, mas era a Ti que eu queria ver melhor.

- Mas para isso precisas de acreditar.

- Senhor, faz-me acreditar!

- Meu filho, tu já acreditas!

- Eu sei, Senhor, mas queria acreditar melhor.

- Para acreditares melhor, precisas de ver mais!

- Senhor, não brinques comigo!

- É que, meu filho, para Me veres precisas de fechar os olhos!

- Para Te ver preciso de fechar os olhos???

- Sim, meu filho. Para Me veres precisas primeiro fechar os olhos para Me veres no teu
  interior, no teu intimo, na tua vida. Quando assim Me vires, já podes abrir os olhos, porque
  então Me verás nos outros e em todas as coisas. Mas para isso, precisas de acreditar!

- Senhor!!!                                     

- Abandona-te, crê, confia, espera, deixa-te conduzir, e o Meu Espírito te fará acreditar para
  que possas ver melhor, e te fará ver para que possas acreditar mais!

- Meu Senhor e meu Deus!



Marinha Grande, 25 de Abril de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 15 de abril de 2016

AMAR!

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Amar
é acreditar,
é um não descrer,
que tudo é sempre possível
no dar,
e no receber.

Amar
é ser paciente,
no amor impaciente,
de quem se dá,
a um, ao outro,
a toda a gente.

Amar
é perdoar,
é esquecer,
porque nunca querer declinar,
o verbo ofender.

Amar
é deixar a sua vontade,
procurando a vontade do outro,
entregando-se,
totalmente,
para juntos encontrarem,
a perene felicidade.

Amar
é ser esperança,
que tudo crê e tudo espera,
é viver na confiança,
de que quem ama,
não desespera.

Amar
é fazer da alegria
a mais permanente certeza,
de que quem ama,
amando,
na ausência,
não tem tristeza.


Amar
é estar sempre ali
é um pôr-se a jeito,
é satisfazer
e também ser satisfeito.

Amar
é ser nada para si,
sendo tudo para os outros,
sendo tudo para os seus.

É ser sempre assim,
um pouco…
como Deus!


Marinha Grande, 15 de Abril de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 5 de abril de 2016

«VIMOS O SENHOR!»

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Tinham combinado encontrar-se os três amigos, pois já não se viam há algum tempo.

Quando Tomé chegou perto do local do encontro, reparou ainda à distância, que os seus dois amigos estavam envolvidos numa conversa acesa, sentados a uma mesa da esplanada do café, mas sobretudo reparou na alegria e no entusiasmo com que falavam e se olhavam.
Não se lembrava nada deles serem assim, (aliás o Pedro era até um pouco taciturno, embora o João fosse mais aberto e simpático), por isso perguntava-se o que teria acontecido na vida daqueles dois para todo aquele entusiasmo, para toda aquela demonstração de vida?
Aproximou-se deles, abraçaram-se como velhos amigos que eram e perguntou num repente:
O que é vos aconteceu, que me parecem diferentes, mais animados, mais vivos, se assim posso dizer?

Eles olharam para ele e disseram a sorrir: «Vimos o Senhor!»

Olhou para eles, espantado, e perguntou: Referem-se ao Senhor, Senhor? Àquele que nos foi ensinado na catequese e há muito tempo que não pensamos nEle?

Eles responderam com um sorriso provocador: Sim, Esse mesmo!

Estão a gozar comigo ou quê? Há que tempos que não ligamos a essas coisas! – respondeu ele.

Responderam-lhe com uma convicção que não lhes conhecia antes: Isso é verdade, mas há uns tempos atrás, por causa de uma doença de um amigo nosso que estava a ficar cego, lembramo-nos dEle, com outras pessoas começámos a rezar, e com tudo isso aproximamo-nos dEle e Ele de nós e tudo mudou nas nossas vidas.

Tomé insistiu: E o que é que isso tem a ver com essa frase «Vimos o Senhor!»?

Muito simples - responderam eles - é que esse amigo nosso dois dias depois de receber os últimos exames que tinha feito à vista, soube que ia ficar cego no espaço de pouco tempo. Rezámos então mais insistentemente, e um dia, depois de rezarmos por ele com mais outras pessoas pedindo a sua cura se fosse da vontade dEle, ele sentiu uma paz imensa e um calor estranho nos olhos. Quando fez novos exames já nada tinha de mal! Já lá vão vários meses e ele continua a ver cada vez melhor! Ora não nos digas que isto não é «ver o Senhor!»

Olhou para eles, incrédulo, e disse-lhes: Pois eu não acredito nisso e só se vir com os meus olhos acontecer uma cura dessas e puder atestar com exames que alguém ficou curado à minha frente, é que acredito que Ele está connosco.

Conversaram mais um pouco, mas entretanto Tomé teve que se ir embora, pois nesse dia recebia os exames médicos que a sua filha tinha feito, e que muito o preocupavam.
Quando se afastava, ainda ouviu Pedro e João dizerem-lhe para rezar pela sua filha e que acreditasse que Ele estava mesmo presente nas vidas de cada um.

Em casa as notícias não podiam ser pior, pois os exames davam como certo que o mal tinha alastrado e o corpo da sua querida filha estava já todo minado por aquela terrível doença.
A hipótese de sobrevivência era nula e o desfecho final deveria acontecer muito rapidamente.

Tomé sentiu-se desfalecer e sem saber o que fazer! Sentiu-se imensamente só!

Passado um momento lembrou-se da última frase dos seus amigos Pedro e João e decidiu voltar-se para Ele, rezando e pedindo a cura da sua filha.
Nesses dias mais próximos uma estranha calma tomou conta dele, mas, embora cada vez rezasse mais e mais intensamente a sua filha piorava cada vez mais.

Um dia ao fim da tarde, junto à cama da sua filha no hospital, veio de repente ao seu pensamento, ao seu coração, uma vontade incrível de ir a uma Missa.
Sabia que havia Missa na capela do hospital nesse fim de tarde e levantando-se foi para a capela.
Por um lado achava tudo aquilo ridículo, sem grande sentido, mas por outro lado sentia que ali devia estar e por isso mesmo concentrou-se na Missa e nas orações que ia fazendo no seu coração.
Quando chegou a altura da Comunhão, e não podendo comungar, ajoelhou-se e rezou intensamente, pedindo a Ele que se fizesse sentir na sua vida e, sobretudo, pedindo-Lhe a cura da sua filha.
Sentiu então uma enorme serenidade e admirado com o que estava a sentir no seu coração, ouviu-se dizer: Seja feita a Tua vontade, Senhor!

Ao chegar ao quarto percebeu que a sua filha estava diferente, e ela própria lhe disse que se sentia muito melhor, que um estranho calor tinha percorrido o seu corpo e ela se sentia agora muito bem.

Chamou o médico e pediu, insistiu, reclamou por novos exames que foram feitos de seguida.
Esperou um tempo interminável, de mão dada com a filha, que alguém lhes viesse dizer os resultados dos exames que tão ansiosamente esperavam.

Passadas largas horas, o médico entrou no quarto e olhou para os dois com um olhar estranho, um olhar de admiração, e disse-lhes: Os exames estão todos bem! A doença desapareceu e eu não sei explicar porquê!

Tomé olhou o médico, olhou a filha, e apenas pode dizer: «Meu Senhor e meu Deus!»


Marinha Grande, 5 de Abril de 2016
Joaquim Mexia Alves
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