quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (4)

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Levanto-me de manhã, olho para o espelho e vejo o cabelo todo revolto, os olhos ainda meio fechados, a cara por lavar e tudo o mais que acontece em cada manhã.
Tomo banho, lavo os dentes, penteio o cabelo, olho para o espelho e julgo que já estou apresentável.
Ergo os olhos ao Céu para agradecer, e lembro-me do meu interior.

Ó Senhor, digo então num pequeno diálogo, precisava de um espelho onde visse o meu interior, para dele também cuidar cada manhã.

A resposta vem de imediato:
Mas Eu dei-te um espelho, inquebrável e imutável, onde podes sempre aferir o teu interior.

Qual, Senhor?
Respondo eu admirado.

A minha Palavra, meu filho, a minha Palavra!
Só tens de abrir o Livro, ler com o coração o que te digo em tantas passagens, e reparares se nesse “espelho” da minha Palavra, está reflectido o teu interior.
Se o teu interior não corresponde à imagem que o Livro te devolve, então meu filho, precisas de lavar a alma, purificar o coração e “pentear” os teus pensamentos, até que o teu interior coincida o mais possível com a reflexão que te dá o “espelho” da minha Palavra.

Obrigado, Senhor, Tu nunca me faltas com o teu amor.

Vai, meu filho, e lembra-te que só com o teu interior reflectido no “espelho” da minha Palavra, poderás viver cada dia braço dado com o meu amor.


Marinha Grande, 30 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

«DOU-VOS A MINHA PAZ»

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Confesso que estou cansado! Mais do que cansado, estou farto!
Um Cardeal, um Bispo, o próprio Papa não podem emitir uma opinião, que não venha logo alguém, escalpelizar, interpretar, retorcer e distorcer a seu belo prazer o que o senhor em questão possa ter dito.

E depois as “notícias”, (conforme o que lhes interessa), lá vão rotulando e adjectivando os intervenientes, como progressistas, conservadores, tradicionalistas, liberais, procurando argumentar da veracidade da opinião de cada um, com coisas tão “palpáveis” e “verdadeiras” como: “muito próximo do Papa Francisco”, “colaborador de Bento XVI”, “teólogo mais importante”, “teólogo mais profundo”, “profundo conhecedor dos Evangelhos”, etc., etc.
E paulatinamente vai-se instalando a zizânia, a divisão, vão-se extremando campos, vão-se “comprando” guerras doutrinais, pastorais, etc., e a oração, (a meu ver), vai ficando cada vez mais para trás.

E então veio ao meu coração este versículo do Evangelho de São João: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.» Jo 14, 27
Não andaremos nós à procura da paz do mundo?
Ou seja, não andaremos nós à procura de satisfazer o mundo em detrimento do que Jesus nos ensinou?

Nesse mesmo capítulo também Jesus nos diz: «Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos» Jo 14, 15 e ainda «o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece» Jo 14, 17
Mas andaremos nós à procura de cumprir os mandamentos, ou apenas à procura de fazer as nossas vontades e aquilo que achamos melhor para o mundo?

Curioso que este capítulo termina da seguinte forma: «Já não falarei muito convosco, pois está a chegar o dominador deste mundo; ele nada pode contra mim, mas o mundo tem de saber que Eu amo o Pai e actuo como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui!» Jo 14, 30-31

Cada vez mais … me interessam menos as notícias sobre a Igreja, o Sínodo, etc., veiculadas pela comunicação social em geral.

Cada vez mais … me interessa mais amar e rezar, rezar e amar, amar rezando e rezar amando!


Marinha Grande, 22 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 11 de Outubro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (3)

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Agora vai e não voltes a pecar.

Mas, Senhor, sabes que eu sou pecador! Como queres que eu não volte a pecar?

Meu filho, conheço-te melhor do que tu te conheces. Eu sei que vais voltar a pecar, mas o que Eu te peço é que te comprometas a resistir ao pecado até ao limite das tuas capacidades.

Mas, Senhor, eu sou tão fraco!

Alguma vez te abandonei? Sozinho não terás forças, mas comigo podes resistir ao pecado.

Mas às vezes parece que não estás ali, a meu lado, a dar-me a mão.

Não será antes tu que me afastas, que olhas para o lado para não me veres? Não estou Eu sempre de mão estendida para ti, como estendi a Pedro quando ele se afundava no mar da Galileia?

Tens razão, Senhor! Desculpa, mas às vezes o pecado é tão “bom”!

Ah, sim, compreendo-te! Mas repara que é bom naquele exacto momento. Depois não te deixa incomodado, dividido, quase irritado por teres caído nele? E ficas triste e por vezes desanimado, por teres caído mais uma vez.

É verdade, Senhor! São tantas vezes que caio, que por vezes me apetece desistir, quase convicto de que nunca serei capaz de resistir.

Acreditas em Mim, no meu amor? Então acredita, meu filho, que o meu amor é muito maior do que o teu pecado e de todas as vezes que nele caias.
Acredita que cada vez que estendes a mão para mim, ansiando pelo meu perdão, Eu levanto-te das ondas alterosas do mar, aperto-te junto ao peito e digo-te: Amo-te com amor eterno. «Ninguém te condenou? Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» Jo 8, 10-11



Marinha Grande, 10 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 7 de Outubro de 2014

SÍNODO EXTRAORDINÁRIO SOBRE A FAMÍLIA

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Ganhei este hábito de tentar todas as semanas colocar um texto neste espaço da net.
Desde ontem que tento encontrar inspiração para escrever e … nada!
Apenas me vem à mente e ao coração o Sínodo Extraordinário sobre a Família, que está a decorrer no Vaticano. E tem toda a razão de ser!

Este Sínodo é de uma imensa importância, dada a situação em que hoje em dia vive a família, em todos os campos, mas sobretudo na sua desagregação, (muitas vezes provocada por leis civis iníquas), que em vez de a protegerem como a célula mais importante da sociedade, a fragmentam e destroem.

É necessária também a reflexão profunda sobre o Sacramento do Matrimónio, em que para além de tanto para analisar, é, quanto a mim, imprescindível perceber o que fazer para dar aos católicos a verdadeira noção do que é o Sacramento, (desde a mais tenra idade), por forma a que o mesmo não seja visto e celebrado como uma mera tradição “popular” ou uma festa mais “bonita”.
Que aqueles que querem celebrar o Matrimónio saibam claramente o que é o Sacramento e o que a Igreja quer que assumam ao celebrarem as suas núpcias na Igreja.

Para além de todas e tantas vertentes que hoje em dia tocam a família há também a problemática sobre os divorciados e recasados e o seu acesso aos sacramentos.
Sobre isso não me pronuncio e espero pacientemente por aquilo que a Igreja nos há-de dizer, sabendo de antemão que o meu coração aceitará de bom grado tudo o que for decidido.

No pouco que posso fazer, ou que todos podemos fazer, está com certeza a oração por este Sínodo, pedindo que o Espírito Santo ilumine os homens, para que façam a vontade de Deus.
Pedindo a intercessão de Maria, esposa e Mãe, e de José, seu esposo, Pai adoptivo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
E para isso, nada haverá melhor que todos os dias, de manhã ao acordar e de noite ao deitar, rezar a oração que o Papa Francisco compôs para este Sínodo.

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA PELO SÍNODO

Jesus, Maria e José
em vós nós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, a vós dirigimo-nos com confiança.

Sagrada Família de Nazaré,
faz também das nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
nunca mais nas famílias se vivam experiências de violência, fechamento e divisão: quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado receba depressa consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
o próximo Sínodo dos Bispos possa despertar de novo em todos a consciência da índole sagrada e inviolável da família, a sua beleza no desígnio de Deus.

Jesus, Maria e José
escutai, atendei a nossa súplica.


Marinha Grande, 7 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves


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quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (2)

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Segue-me!

Como, Senhor?

Deixa tudo e segue-me!

Ó Senhor, mas então e a família, a casa, os bens e tantas outras coisas.

Repito, deixa tudo e segue-me!

Queres mesmo que deixe tudo para Te seguir?

Sim, tens que deixar tudo para me seguires.

És duro, Senhor, com aqueles que Te amam.

Ora pensa lá bem, com o coração iluminado pela fé o que é que Eu quero quando te digo, segue-me?

Ah, Senhor, de coração livre! Enformado primeiro pelo teu amor, para poder amar os outros, a família, os que colocares no meu caminho. Para poder fazer uso das coisas que me deste com amor, sobretudo amor aos outros.

Vês, como percebeste! Vá, agora deixa tudo e segue-me!



Marinha Grande, 2 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 23 de Setembro de 2014

A JUSTA RETRIBUIÇÃO DE DEUS

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The Parable of the Laborers in the Vineyard. 1637 - Rembrandt






O Evangelho deste Domingo fez-me pensar na justa retribuição de Deus.

Em termos humanos, a justa retribuição tem a ver, sem dúvida, com o desempenho de cada um.
Obviamente, para nós homens, não é justo que alguém que trabalha menos, ganhe tanto como aquele que trabalha mais.
Mas a retribuição dos homens aos homens é sempre limitada, e por isso mesmo, tem graduações, pode e deve medir-se, tem “tamanho”, tem “valor” calculado, enfim é ajustada àquilo que foi feito.

A retribuição de Deus não tem limites.
Como poderia ter, se Ele se deu inteiramente por todos os homens?
Poderá Deus amar mais um homem do que outro?
E se pudesse, porque seria? Porque um homem se “porta melhor” do que outro? Mas Ele até nos disse que veio para os pecadores!
O amor de Deus não tem graduações: Deus ama, ponto final!
E como ama, porque é amor, tanto ama aquele que O segue, como aquele que O rejeita.
A sua “retribuição” é sempre o amor, e, por isso, o amor é igual tanto para aquele que “trabalhou” mais, como para aquele que “trabalhou” menos, como nos conta a parábola.

Qual é a “retribuição” final de Deus, se não a vida eterna, na eternidade do gozo de Deus?
E pode-se viver na eternidade do gozo de Deus, só um “bocadinho”, ou menos, ou mais do que qualquer outro que vive eternamente o gozo de Deus?
Claro que não!

Humanamente quase nos parece injusto que aquele que viveu sempre para Deus e com Deus, viva a mesma retribuição, (a eternidade do gozo de Deus), exactamente como aquele que viveu uma vida inteira afastada de Deus, até O descobrir no fim dessa mesma vida.

E é esse pensamento humanamente frágil, que nos leva, por vezes, a criticar os outros que “agora” chegam a Deus, agora chegam à Igreja, e nos leva a apontá-los, e a considerarmo-nos, por vezes, mais merecedores do que eles.

E quando assim pensamos, e quando assim fazemos, (e arrisco a dizer que nalgum momento todos já assim procedemos), então é porque ainda não entendemos a parábola da “retribuição aos trabalhadores da vinha”, então é porque ainda não nos deixamos envolver totalmente na infinitude do amor de Deus.

Um dia, no gozo de Deus, perceberemos então como a retribuição de Deus, o seu Amor, é afinal a retribuição mais justa e perfeita de todas.



Marinha Grande, 23 de Setembro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

CARTA À MÃE DO CÉU NO SEU ANIVERSÁRIO

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Minha querida Mãe do Céu

Deixa-me confessar-te que nem sempre te amei como Mãe.

Sabes Mãe, por vezes era tanta a insistência em impelirem-me para te amar, que humanamente me defendia para dar mais amor ao teu Filho.

E no fundo Mãe, é apenas e só isso tu queres, não é Mãe?
Mas como amar o Filho e não amar a Mãe que O gerou?

Que difícil é esta relação Mãe!
Pelo menos para mim, querida Mãe!

Olho para ti e vejo-te assim, humilde, silenciosa, cheia de graça e guardando no coração, não só o que o teu bendito Filho faz, mas tudo o que os teus filhos, aqui na terra vão fazendo, uns amando o teu Filho e n’Ele amando os outros, outros rejeitando-O, e ao rejeitá-lO, rejeitando os outros.

Sabes, Mãe, não sei o que é mais fácil, se é o amor que desponta no coração e é existência permanente, se é o amor de quem quer amar, exigindo-se, porque a vida tem sentido nesse amor?

Debato-me com o coração, que é todo do teu Filho, e é Ele mesmo que me diz, baixinho ao meu ouvido: Ama a minha Mãe, porque se a amas, ela toda se faz Mãe para ti, para te trazer a mim!

Oh, como eu queria, como tantos santos, ter esse amor acrisolado, rendido, inquestionável, por ti, Mãe!
E, no entanto, como me é tão difícil entender que tantos te amem tanto, e não queiram ver e amar ainda mais o teu Filho.

Eu sei, Mãe, que não é isso que tu queres, eu sei Mãe que tu apenas apontas ao teu Filho, ao Salvador, mas que queres Mãe, humanamente não consigo distanciar-me, e custa-me não conseguir atingir todo o amor que te devo ter, para amar ainda mais o teu Filho.

Ai, querida Mãe, que escrita tão confusa que agora aqui escrevo. Mas acredito que o teu Filho, e tu também, Mãe, percebem tudo o que me vai no coração, tudo o que me vai na alma.

Minha querida Mãe, parabéns!
Parabéns pelo teu aniversário, e peço-te Mãe, (que como todas as mães sabes ler o coração dos filhos), encontra no meu coração o amor imenso que tenho por ti, e diz ao teu Filho que o amo mais do que à sua Mãe, porque só amando-O assim, te posso amar Mãe.

Do teu filho pobre, confundido por vezes, fraco, mas teu filho, porque irmão do teu Filho Jesus

Joaquim


Natividade da Virgem Santa Maria
Marinha Grande, 8 de Setembro de 2014 
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (1)

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Pois é, Senhor, sinto-me tão cansado por vezes!

Cansado de quê, meu filho?

Não sei, Senhor. Parece que nada corre com eu quero! Parece que quando anseio por descanso, é quando tudo se abate sobre mim.

Mas, meu filho, o querias tu? Sou Eu por acaso que coloco tudo sobre os teus ombros? Fui Eu quem escolheu a vida que tu vives? Não é a tua vida uma escolha que tu fazes todos os dias?

É verdade, Senhor. Mas podias ajudar-me a escolher melhor, a escolher o que fosse melhor para mim, segundo a tua vontade.

Mas, meu filho, não te dou eu a conhecer pela minha Palavra, pela Igreja, qual é a minha vontade? Se Eu te dirigisse não estaria a atentar contra a liberdade que te dei?

Pois, Senhor. Sabes, nós queremos tudo! Queremos que interfiras à posteriori para corrigir os erros que vamos fazendo por não Te ouvirmos. Mas se antes nos alertas para os erros que vamos cometer, não Te queremos ouvir e seguir.

É verdade, meu filho! Mas o meu amor por ti, por vós, consubstancia-se nesta total liberdade que vos dei e dou, de aceitarem e viverem ou não a minha vontade, tendo vós sempre como garantido que Eu estou sempre convosco, mesmo quando vos afastais de mim.

Olha, Senhor, sinto-me melhor, sinto-me mais descansado, sinto-me mais livre, sabes porquê?

Sei, meu filho, mas diz-me tu com palavras tuas.

É que ter-te comigo no coração, procurar a tua vontade, é a maior liberdade que posso viver com a vida que me deste, porque na tua vontade está a minha felicidade. Obrigado, Senhor!


Marinha Grande, 4 de Setembro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

SENHOR, TU ÉS A MINHA ALEGRIA!

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Inclino-me perante Ti,
deixo que as minhas pernas se dobrem,
caio de joelhos,
e …
sorrio!

Sorrio,
porque sinto a Tua presença,
porque sinto o Teu olhar,
porque ouço a Tua voz,
como um calmo rio,
que se espraia,
enchendo todo o meu mar.

Abro-me todo a Ti,
deixo que me preenchas,
todo eu sou mar aberto,
a receber a Tua água,
a água que purifica,
que me acalma o deserto,
e que em tudo o vivifica.

Já não sorrio,
mas rio,
abandono-me ao Teu existir,
que faz da minha longa noite,
o meu mais brilhante dia,
e grito bem alto,
para que todos possam ouvir:
Senhor,
Tu és a minha alegria!


Joaquim Mexia Alves
Monte Real, 27 de Agosto de 2014
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terça-feira, 19 de Agosto de 2014

“GOSTOS” E “AMENS” EM IMAGENS E FRASES NAS REDES SOCIAIS

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Surgem bastantes vezes nas redes sociais, imagens e frases cristãs, pedindo a colocação de um “gosto” ou de um “ámen”, àqueles que visitam essas páginas.
Obviamente que, desde que colocadas com boa intenção, não fazem mal nenhum, nem a colocação das ditas imagens/frases, nem os “gostos” ou “amens”, mas verdadeiramente, quanto a mim, não servem para nada, a não ser, muitas vezes, um desejo de ter muitos “gostos” e “amens”, como num qualquer concurso de uma possível popularidade.

Reparemos que não é por eu colocar um “gosto” ou um “amen”, numa essas imagens/frases, que a minha fé aumenta, ou sequer, que assim eu testemunho a minha fé em Deus.
Podemos até, com a maior simplicidade, servirmo-nos das palavras em causa para perceber isso mesmo.
Com efeito, gostar não é amar, e a Deus ama-se, adora-se, não se gosta, ou seja, não se fica pelo gostar, porque é pouco, muito pouco, para tudo o que Deus é, deve ser, para aqueles que n’Ele acreditam.
A palavra ámen vai ainda mais longe, ou seja, é um “assim seja”, que implica uma adesão, que implica o assentimento ao que foi dito, mostrado, que implica o acreditar.
Ora o acreditar em Deus e em tudo aquilo que O envolve, está “inscrito” no Dom da Fé, (graça do próprio Deus), e vai para além da simples adesão ou assentimento, porque se torna, ou deve tornar, vida, modo de vida, naquele que acredita, naquele que vive a Fé.

Esta vivência da fé não se “demonstra” com “gostos” ou “amens” colocados nas redes sociais a propósito da publicação das tais imagens/frases, que podem ser lindíssimas, cheias de significado, mas que não passam de algo estático, que pode até roçar a superstição, a superstição do tipo, «se eu não puser lá nada pode acontecer-me algo de mal!»
Sobretudo quando essas imagens/frases vêm acompanhadas com “sentenças” do tipo, «se acreditas coloca “gosto” ou “ámen”», quase como que a dizer que «se não colocas nada é porque não acreditas.»
E há ainda que ter o cuidado de perceber que muitas dessas imagens não são verdadeiramente cristãs e sobretudo genuinamente católicas, porque mostram conceitos que não são os da Doutrina da Igreja, como as “energias” e as “luzes”, etc., etc., bem como algumas frases que subtilmente contêm erros de sentido doutrinal, ou “endeusam” figuras que não devem ser “endeusadas”, até da própria Virgem Maria, nossa querida Mãe do Céu.

Com certeza que esmagadora maioria das pessoas que colocam estas imagens/frases o fazem com a melhor das intenções e sem segundos sentidos, mas são muitas vezes aqueles que as fazem e as lançam ao público, que se aproveitam da boa vontade daqueles que as colocam.

Verdadeiramente, e desculpem a “brutalidade” das palavras, este tipo de publicações leva a que se viva uma fé “oca”, assente em coisas exteriores, assente nos nossos interesses e desejos, nos nossos pedidos de ajuda, etc., e não numa verdadeira entrega a Deus, procurando e vivendo a sua vontade, em oração diária e comprometida.
Nunca um “gosto” ou um “ámen” deste tipo pode substituir um Pai Nosso, uma Avé Maria, um Glória, uma recitação do Rosário, para já não dizer, uma celebração Eucarística.
E o problema é que muitas vezes se fica apenas por esses “gostos”, esses “amens”, julgando assim que se vive uma vida com Deus, para Deus e em Deus.

O meu intuito não é magoar ninguém, nem criticar ninguém, mas chamar a atenção para algumas práticas que, não sendo propriamente erros de vivência cristã católica, também para nada servem, nem constroem as nossas vidas com e para Deus.

Eu próprio já coloquei “gostos” e “amens” em algumas coisas desse tipo, mas é muito raro que não aproveite para reflectir, meditar sobre o que essas imagens/frases dizem à minha vivência da fé, e dá-lo a conhecer aos outros, partilhando assim, aquilo que, quero acreditar Deus me vai colocando no coração.

Vivamos verdadeiramente a Fé que nos foi dada em união de oração com toda a Igreja, testemunhando não só com palavras, mas também com gestos e actos, o amor com que Deus permanente e infinitamente nos ama.

Sempre, sempre para a maior glória de Deus!


Marinha Grande, 18 de Agosto de 2014
Joaquim Mexia Alves


Nota:
E tenhamos muito cuidado com algum tipo de imagens e frases que envolvem “energias” e “luzes”, frases do Papa Francisco e de outros que afinal nunca as disseram, bem como nomes de anjos, lembrando-nos que a Bíblia apenas nos refere três nomes de anjos: Gabriel, Rafael e Miguel.
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segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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Desde sempre o coração foi visto e sentido, pelo homem, como a fonte do amor, o gerador dos sentimentos do homem.
É normal ouvir-se dizer que uma pessoa boa é uma pessoa de bom coração.
O coração é assim, (para além dos conceitos médico/científicos), o centro da vida do homem em tudo aquilo que ele vive física, emocional, sentimental e até espiritualmente.

Que dizer então do Coração do Homem perfeito, daquele que sendo Homem era Deus, e sendo Deus se fez Homem?
Que dizer do Coração de Jesus Cristo? 

É afinal o Coração de Deus, do Deus que se fez Homem, do Deus que quis ter coração como o coração dos homens.

Mas o Coração de Jesus, Coração de Deus, Coração do Homem, é:
Um Coração que “apenas” sabe amar.
Um Coração que “apenas” sabe querer.
Um Coração que “apenas” sabe acolher.
Um Coração tão grande e infinito que nele todos cabem: os que O amam, os que não O amam, os que O rejeitam, os que Lhe dedicam indiferença.


“Dou-te o meu coração”, dizemos nós, quando queremos mostrar o nosso amor por alguém. Mas é sempre, obviamente, uma afirmação simbólica, um desejo que nunca conseguimos cumprir na totalidade.

“Dou-te o meu Coração”, diz Jesus, e dá-O efectivamente, entrega-O, esgota-O, (embora Ele nunca se esgote), é enfim um desejo divino que se torna inteira e total realidade.

No Coração de Jesus encontramos o tudo da salvação, o amor e o perdão, o acolhimento e o envio, o divino e o humano, a vida agora e a vida para além da morte, a porta aberta de um Coração que não aprisiona, porque “apenas” ama, e o amor é sempre liberdade.

Sabemos bem que todos estamos no Coração de Deus!
A pergunta que nos devemos fazer é saber se nos nossos corações está também, por nossa vontade, o Sagrado Coração de Jesus.


Marinha Grande, 19 de Junho de 2014
Joaquim Mexia Alves


Nota: 
Texto publicado no “Grãos de Areia”, boletim mensal da paróquia da Marinha Grande.
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segunda-feira, 28 de Julho de 2014

OS “GESTOS” DO PAPA FRANCISCO

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Agora lemos e vemos permanentemente em jornais, revistas, televisões, etc., frases acompanhadas de fotografias, tais como:
«Papa Francisco almoça na cantina do Vaticano.»
«Papa Francisco pára para falar com deficiente.»
«Papa Francisco telefona a esta ou àquele.»
e podia continuar, enchendo folhas e folhas de papel com todas estas notícias sobre o Papa Francisco.

Antes de mais, quero louvar a Deus por este Papa que nos quis dar, neste tempo em que o mundo tanto necessita de testemunhos de paz, de humildade, de amor, enfim, testemunhos de Deus.
Depois afirmar que, para mim, todas estas notícias, todos estes testemunhos, me tocam e exortam a querer ser melhor cristão, mais católico, (universal), a querer ser mais Igreja com todos e para todos.

Mas também me apetece perguntar se a razão da comunicação social tanto noticiar o Papa Francisco se prende com a bondade de querer testemunhar este extraordinário exemplo, ou se pretendem fazer comparações com outros Papas, (criando divisão), ou de alguma forma atacar a Igreja antes deste Papa?
E depois perguntar ainda se, de alguma forma, os testemunhos deste Papa são noticiados para exercerem boa influência na sociedade, ou se são noticiados apenas como “fait divers”, que não levam a qualquer reflexão sobre a vida e a sociedade, até da parte daqueles que colocam tais notícias?

É que se as notícias sobre estes testemunhos da Papa Francisco servem apenas como “arma de arremesso” em desfavor dos anteriores Papas, ou como se houvesse uma pretensa “nova” Igreja, desiludam-se porque não é essa de modo nenhuma a vontade de Francisco, mas apenas e tão só ser o homem que o Espírito Santo entendeu colocar à frente da Igreja com todos as suas qualidades, capacidades, carismas e até defeitos, (que os terá, sem dúvida), no tempo certo, para sociedade deste tempo.

Vejamos todas essas fotografias com olhos de ver, leiamos todas essas notícias com a bondade do coração, rezemos cada vez mais pelo Papa Francisco e pela Igreja, e, sobretudo, tentemos imitar o seu testemunho de humildade e amor ao próximo.

Então sim, acredito que estaremos a entender perfeitamente os gestos do Papa, estaremos a construir a Igreja de Cristo, que começou em Pedro e continuou pelos seus Sucessores, até chegar a este Francisco que Deus nos deu.


Marinha Grande, 28 de Julho de 2014
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 25 de Julho de 2014

CHEGOU O VERÃO! CHEGARAM AS FÉRIAS!

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Chegou o Verão!
Chegou o calor!
Chegaram as férias!

Durante um ano inteiro as pessoas trabalham, enervam-se com os problemas decorrentes das profissões de cada um, “queimam” tempo demasiado na carreira profissional, que porventura deveria ser tempo para cada um, tempo para a família, tempo para o descanso e lazer.

Muitos, sem dúvida, mesmo durante este tempo de trabalho não deixam de ter tempo para Deus, tempo para as celebrações comunitárias, (mormente a Eucaristia Dominical), de tal modo que o seu trabalho, as suas preocupações constituem também uma oração diária e de entrega a Deus, com Ele colaborando, na sua obra criadora do mundo.

Outros há, também, que se servem do trabalho, da carreira profissional, como desculpa para não ter tempo para Deus, para não perceberem que a vida é dom de Deus e que o trabalho que lhes é dado e sai das suas mãos, pode e é também sinal de Deus para eles e para os outros.

Em ambos os casos as férias chegam e devem ser vividas como tempo de descanso, tempo de família, tempo necessário para cada um, tempo de descontracção e lazer.

Os primeiros viverão, com certeza, essas férias com Deus, para aproveitar um tempo mais próximo com Ele e de maior entrega em oração.

Os segundos, terão agora a desculpa de que, estando em férias, têm que aproveitar todos os momentos para si próprios e por isso continuarão a não ter tempo para Deus, ou então, para Lhe dar apenas as “sobras” do “seu” tempo.

Como posso eu querer ter tempo para mim, para descansar, para estar em família, para me retemperar, e não fazer desse tempo um tempo de Deus e para Deus?

Alguma vez o homem se constrói, se encontra a si próprio, se faz verdadeiramente humano, se não estiver em comunhão com Deus?

E se Deus fizesse férias de nós?


Monte Real, 25 de Julho de 2014
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 21 de Julho de 2014

JOIO E TRIGO

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Sou joio e trigo da mesma seara,
Senhor,
que um dia em mim semeaste,
embora o joio saia de mim
e o trigo seja todo o fruto
que me vem do teu amor.

O joio quero arrancar,
para que o trigo cresça
e dê fruto,
cem por um,
e cem por mil,
mas apenas se fores Tu,
com a tua água a regar
a seara que em mim,
Senhor,
Tu quiseste semear.

Quem me dera ser só trigo,
não ser joio do pecado,
apenas estar contigo,
permitir a tua ceifa,
e fazer da minha vida,
o teu amor partilhado.


Marinha Grande, 20 de Julho de 2014

Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 14 de Julho de 2014

TESTEMUNHO SOBRE O ALPHA

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Há três, quatro anos atrás, o Pe Armindo Ferreira e o Pe Pedro Viva, da Paróquia da Marinha Grande, falaram comigo acerca do Curso Alpha, do qual eu já tinha algum, pouco, conhecimento, por ouvir falar do mesmo em Lisboa.

Confesso que não me entusiasmava, e que, tinha até para mim a ideia de que seria mais uma “coisa” da Igreja, que não levaria a grandes resultados.

Entretanto, o Pe Pedro Viva foi para Roma e chegou à Marinha Grande o Pe Patrício Oliveira, e o tal do Curso Alpha voltou “à baila”, pois a Vigararia da Marinha Grande seria a “porta de entrada” do Alpha na Diocese de Leiria-Fátima, e pediam-me, com outros, que fossemos a um fim-de-semana em Lisboa tomar contacto com aquilo que é, como é e para que serve o Curso Alpha.

E assim lá fomos e mais uma vez não me entusiasmou, não me pareceu que fossem possíveis os resultados que “apregoavam”.
Uma coisa, no entanto, me chamou a atenção, e que foi uma certa identificação com uma espiritualidade muito similar à do Renovamento Carismático Católico, sobretudo no chamado fim-de-semana do Espírito Santo, espiritualidade essa que vivo diariamente e me levou a ser hoje em dia um cristão que tenta ser empenhado, vivendo a fé diariamente em Igreja.

Para encurtar razões, lá fomos, viemos, e programámos o primeiro Percurso Alpha.
Tentei colocar de lado todas as minhas reservas e dúvidas e parti para o Alpha de coração aberto a tudo que pudesse acontecer.
Logo de início e sendo eu a dar o primeiro tema sobre Jesus Cristo, agradou-me muito a forma como o tema era abordado, bem como depois, todos os outros temas.
Começou aí uma mudança na minha relação com o Alpha e pensei cá nos meus “orgulhos” que afinal talvez a “coisa” tivesse “pernas para andar”.

As semanas foram correndo e foi muito interessante ver os convidados e a equipa a tornarem-se cada vez mais próximos uns dos outros, perceber uma maior facilidade e abertura para debater os temas, uma maior procura da verdade de Deus e da Doutrina da Igreja, e uma alegria que se ia instalando em todos os participantes.

O fim-de-semana do Espírito Santo, (apesar de eu já ter algumas expectativas sobre o mesmo), ultrapassou largamente tudo que eu esperava e foi visível a mudança que na maioria dos convidados se operou, e até mesmo nos membros da equipa.
Tornou-se mais claro o viver cristão, não assente em “crendices” ou “coisas já estabelecidas”, mas numa vivência e procura de encontrar cada vez mais a Deus em comunhão de Igreja.
Nem falo, obviamente, dos testemunhos que se abriam aos nossos olhos quando no fim-de-semana rezámos individualmente pelos convidados que assim o desejaram.

Daí até ao fim do Alpha, foi um crescendo de empenhamento e dedicação de todos, de tal modo que ficaram saudades quanto o Percurso acabou.
E a realidade de que como mudaram as prioridades e a vivência cristã, foi bem demonstrada em todos os convidados, que se ofereceram para fazer parte do novo Alpha que começou passadas algumas semanas.

Falar dos outros dois Alpha entretanto realizados é repetir um pouco o que acima testemunho.

Deus realmente faz muito, faz tudo, com o tão pouco que nós somos!
Basta que nos abramos à sua presença, e deixar que Ele faça em nós e se sirva de nós, e tudo o mais vem por acréscimo.

Acredito que o Percurso Alpha, pela graça de Deus, pode chamar e mudar aqueles que andam afastados ou mais descrentes, que andam sem rumo, sem sentido na vida, sobretudo pela falta de um encontro pessoal com Jesus Cristo.

E, ao realizar essa mudança nos homens, torna cada vez maior e mais real a comunhão em Igreja, caminho de salvação por Cristo, com Cristo e em Cristo.


Marinha Grande, 8 de Julho de 2014
Joaquim Mexia Alves


Nota: 
Sobre o Alpha, ver este link: http://alphaportugal.org/
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