terça-feira, 28 de abril de 2015

A IDADE DA REFORMA E A VIDA NOVA

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Ao chegar à idade e tempo da reforma, pus-me a pensar no que tal facto me dizia na minha relação com Deus.

Enquanto trabalhamos, (num trabalho fixo, porque os reformados nunca deixam de trabalhar), servimo-nos muitas vezes dessa situação para nos desculparmos interiormente com a falta de tempo para a oração, para um melhor conhecimento das coisa de Deus e da Igreja, para uma relação mais assídua e, portanto, fortalecida, com a família e com os outros.
Ora quem quer viver com Deus, segundo a vontade de Deus, sabe bem que Ele deve estar presente em todos os momentos e situações da vida, pelo que, quando nos desculpamos com a falta de tempo, estamos, mais coisa menos coisa, a dizer que a vida que Deus nos proporciona, é causa, afinal, da nossa falta de tempo para aquilo que verdadeiramente devemos fazer, segundo a sua vontade.

Claro que haveria muito a dizer sobre isto, mas o que me interessa agora é, em que medida, o tempo da reforma pode alterar tudo isto.
Logicamente, dispondo de mais tempo, por falta do trabalho fixo de condições exigentes e obrigatórias, podemos desaproveitar esse tempo nada fazendo, ou podemos aproveitá-lo então, para um maior e melhor tempo de oração, (ou seja de relação e diálogo com Deus), para ler, e quem sabe, frequentar alguma formação em Igreja, sobre Deus, a Doutrina, etc., para dar mais atenção à família, (sem o stress do trabalho diário que provoca, por vezes, incompreensões e discussões), tornando-a mais igreja doméstica, e também no serviço aos outros, que é sem dúvida serviço a Deus.

Então, e já que ainda há tão pouco tempo celebrámos a Páscoa, a Ressurreição, (que continuamos a celebrar durante 50 dias), podemos ver este tempo de reforma, como um tempo novo, na nossa vida.
E é assim curioso pensar, que o tempo de reforma, que aos olhos da sociedade é uma espécie de “fim de vida”, se pode tornar afinal numa vida nova, numa “ressurreição” para a vida, se realmente, mais livres do “mundo do trabalho”, e não só, nos aproximarmos mais de Deus, procurando ainda mais fazer a sua vontade, (em todas as circunstâncias da vida), sendo assim testemunhas do seu amor.

Quisera eu saber entregar-me assim e fazer aquilo que aqui escrevo, (para não ser «Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz»), e pela graça de Deus, dar uma vida nova à vida que Ele me deu.

Tudo e sempre para a sua glória!


Marinha Grande, 16 de Abril de 2015
Joaquim Mexia Alves

Nota: 
Texto da minha colaboração no "Grãos de Areia", Boletim Paroquial da Marinha Grande, do mês de Abril.
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (13)

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Lembras-te da tua mãe?
Claro, como poderia esquecê-la!

Já pensaste bem que tens duas mães no Céu a velar por ti?
Por vezes esqueço-me, mas depois sinto as suas presenças na minha vida.

Como assim?
Uma ensina-me a amar o seu Filho e a deixar-me amar por Ele. A outra lembra-me que foi ela a escolhida por Ele para me colocar no mundo.


Marinha Grande, 5 de Maio de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (12)

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Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida!
Alto lá, isso é Ele quem diz de Si próprio!

Pois é, mas acreditas no que Ele diz?
Claro que acredito!

Mas se Ele está em ti, também te repete as mesmas palavras.
Claro que repete!

Então porque teimas tantas vezes em querer fazer o teu caminho, declarar a tua verdade e viver a vida segundo a tua própria vontade?



Marinha Grande, 3 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 7 de abril de 2015

TESTEMUNHO DE VIDA

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Aceitem este meu "presente", que passou na RTP 2 no Domingo de Páscoa, sobretudo entre os minutos 9:22 e 16:18.

Tudo para a glória de Deus.

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domingo, 5 de abril de 2015

PÁSCOA

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Luz terna,
suave e acariciadora,
rompes a terra,
num parto de vida,
numa certeza,
de vida eterna,
dada por Jesus Nosso Senhor.

Sai do Teu lado,
a Luz,
ou sairá do teu olhar,
do teu coração,
do teu amar,
do teu Corpo,
inteiramente dado.

Sai de Ti,
bendito Jesus,
morto e ressuscitado,
essa bendita luz.

A terra ilumina-se,
e só não rompe as trevas,
quem não se aproxima da luz,
quem não acredita,
quem Te rejeita,
quem não Te procura,
glorioso,
ressuscitado Jesus.

A luz atinge-me,
ilumina-me,
torna-se vida,
vida tua,
Jesus,
em mim,
para que,
baptizado na tua Morte,
ressuscite enfim,
na tua Ressurreição.


Marinha Grande, 5 de Abril de 2015
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 2 de abril de 2015

TRÍDUO PASCAL

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Começam hoje os dias que me tocam particularmente.
Tocam não só profundamente a minha espiritualidade, mas todo o meu ser homem, sobretudo homem que pensa, age e se emociona.
Muitas vezes não consigo conter as lágrimas, (isto é coisa de agora, que considero graça de Deus), mas não são lágrimas de tristeza, mas de um amor profundo, de uma serenidade bonançosa, de uma esperança inabalável.
Penso n’Ele, tento viver para Ele, quero respirar o que Ele respira, ou melhor, quero respirá-Lo, a Ele, como se respira a vida.

E divido-me, divido-me sempre!
Muitas vezes me sinto ao Seu lado, querendo ser Simão de Cirene, querendo ser Verónica, querendo ser Maria e João, querendo viver em mim a Sua Paixão, e depois, brutalmente, confronto-me com a realidade da minha vida que tantas vezes me coloca no meio daqueles que Lhe dão beijos de traição, que O negam antes do “galo cantar”, que gritam com a multidão: crucifica-O, crucifica-O!

Mas Ele, no meio do sofrimento, no meio da humilhação, por entre a dor cravada no Seu Coração por aqueles que deliberadamente se condenam, olha-me nos olhos, toma-me pela mão, encosta-me ao seu peito cansado e diz-me cheio de ternura: É por ti, Joaquim, é por ti!
E eu, dividido entre mim, baixo os olhos e respondo-Lhe: Mas, Jesus, eu sou tão pecador!
Ele aperta-me ainda mais junto a Si, afaga-me a cabeça e diz-me com a Sua voz repassada de amor: Não entendes, Joaquim? Tudo isto é para te dizer que estejas de que lado estejas, Eu amo-te sempre, com amor eterno. Faças o que fizeres, se olhares para Mim, se Me procurares de coração arrependido, a minha Paixão enche-se de sentido, porque toda Ela é vivida para te perdoar as tuas faltas.

O amor, a confiança, a esperança transformam-se numa só virtude, num só sentimento, numa só vivência e os olhos rasos de lágrimas choram a alegria do Deus que me ama, que me perdoa, que me salva, que me dá a vida renascida.

Tranquilamente, Ele afasta-se de mim para continuar a sua caminhada de Paixão, mas antes diz-me ao ouvido, cheio de compaixão: É por ti e por todos! Por cada um dos que me amam e dos que me rejeitam. Vai agora, e proclama com a tua voz, com a tua vida, com todo o teu ser que morro por todos, para que todos se salvem! E lembra-te, e lembra-lhes, que a minha Paixão termina na Ressurreição!

Glória a Ti, Senhor, agora e para sempre, pelos séculos sem fim!


Marinha Grande, 2 de Abril de 2015
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 26 de março de 2015

UM DOMINGO EM LONDRES

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Estive em Londres quatro dias com a família, em férias.

No Domingo procurei, obviamente, uma igreja para participar na Missa Dominical.
O meu deficiente inglês ou a falta de precisão na pergunta, (se a Missa era Católica Romana ou Católica Anglicana), levaram-me ao “erro”, do qual só me apercebi quando reparei que quem presidia à celebração era uma mulher.
Podia ter percebido logo, visto que estava na Westminster Abbey e não na Westminster Cathedral.
Confusões de nomes!

Estava e deixei-me ficar.
Claro que tinha de fazer comparações!

Em primeiro lugar os fiéis foram acolhidos e levados aos lugares sentados que havia disponíveis, (chegavam para todos), e foi distribuído um “guião” com toda a liturgia que ia ser celebrada, Leituras e Evangelho, obviamente incluídas, bem como os cânticos da celebração.
Por esse “guião” pode perceber que as diferenças com a nossa liturgia eram mínimas.
Tal facto descansou-me um pouco mais.

A igreja estava cheia e a procissão inicial, (eram diversos clérigos), foi acompanhada pelas vozes de um extraordinário coro de vozes infantis e adultas, que ressoavam naquele ambiente como preces elevadas ao Céu.

Não posso deixar de dizer que a dignidade da celebração, não só por parte dos celebrantes, mas também dos fiéis em geral, me fez desejar que tal se passasse também na maior parte das nossas igrejas e celebrações.
Acreditam que nem um só telemóvel tocou durante a celebração?
Acreditam que praticamente não ouvi ninguém tossir ou conversar, durante a celebração?
Acreditam que a maioria dos fiéis, (ingleses, obviamente), respondiam e cantavam em voz alta, durante a celebração?
Acreditam que na fila para a Comunhão, (nas duas espécies), não vi ninguém falar, dar beijinhos, cumprimentar, ou andar de cabeça baixa, mas sim tudo com grande dignidade e silêncio correspondentes ao acto que iam fazer?
Acreditam, por fim, que no final da celebração, ainda antes da procissão final, se levantaram muito poucas pessoas, a quem no entanto, aquelas e aqueles que estavam a acolher pediram para permanecer nos seus lugares, e só no fim do cântico final os fiéis saíram da igreja?

Pois é, fiquei a pensar no que pensariam muitos daqueles fiéis, se participassem em algumas, (bastantes), das nossas celebrações dominicais?

Não o queria escrever como crítica, mas como chamada de atenção para cada um de nós, fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana em Portugal.



Marinha Grande, 26 de Março de 2015
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 19 de março de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (11)

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Estás seguro do que vais dizer logo à noite na igreja?
Estou bastante, mas mesmo assim não estou descansado!

Ainda bem!
Ainda bem porquê?

Porque assim vais deixá-Lo falar em ti, mais do que apenas falares por ti!


Marinha Grande, 27 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 16 de março de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (10)

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Como te sentes?
Sinto-me bem, sinto-me vivo.

Ah, sentes-te vivo porque já não tens febre?
Não! Sinto-me vivo porque comungo da vida d’Ele.


Monte Real, 26 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 11 de março de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (9)

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Vais dormir?
Vou.

Então dorme com Deus.
Sempre! Eu durmo e Ele vela por mim!


Marinha Grande, 24 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 6 de março de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (8)

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Estás doente?
Estou, mas não é nada de grave.

Falaste com Ele?
Então não havia de falar?

E o que é que Ele te disse?
Que estava comigo, que me agarrava na mão.

Só isso?
Não, disse também que para o sofrimento ter sentido, eu me unisse ao seu sofrimento e o oferecesse por aqueles que O rejeitam.

Fizeste isso?
Fiz, mas não é justo!

Não é justo?
Não, Ele sofre muito mais do que eu na Paixão, e amando-me como nos ama, ainda sofre também por eu não estar bem.


Marinha Grande, 22 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 2 de março de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (7)

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Tens tempo agora?
Tempo para quê?

Tempo para Deus!
Bem, agora estou um pouco ocupado!

E se quando precisares d’Ele, Ele responder como tu?
Tens razão! Obrigado meu Deus, por me lembrares de Ti e estares sempre comigo!


Monte Real, 19 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (6)

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Não sentes falta de nada?
Não me parece, porquê?

É que te esqueceste.
Esqueci-me de quê?

De entregar o dia, pela manhã, ao Senhor.
Agora que mo perguntas, percebo algo que me faltava.

E o que é que te faltava?
Sentir a presença inexplicável d’Ele comigo.

Mas olha que Ele está sempre contigo e com todos nós.
Pois está, mas eu é que não estava com Ele e por isso não O sentia comigo.



Monte Real, 18 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CHEGARAM OS DIAS DE PENITÊNCIA

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Chegaram os dias da penitência!

Este é um tempo favorável para podermos procurar dentro de nós a vontade de Deus e aferirmos como vivemos a Fé que afirmamos professar.
Entremos dentro de nós e peçamos que a nossa consciência seja iluminada pelo Espírito Santo.
Não queiramos ser nós a “aconselhar” a nossa consciência, mas deixemos que seja ela, “livre das nossas certezas”, a aconselhar-nos, mostrando-nos o caminho da vontade de Deus.
Temos tantas certezas! Temos tantas convicções! Temos tanto convencimento de que nos conhecemos!
E afinal, caímos, voltamos a cair, procurando na nossa vontade a vontade de Deus.

Chegaram os dias da penitência!

Não a penitência como um castigo ou uma tristeza inabalável, mas a penitência que nos afirma que Deus está connosco e nos quer revelar em cada momento a sua vontade para a vida que nos deu.
Se nos vestimos de saco, se colocamos cinzas na cabeça, façamo-lo com o sorriso sereno, provocado pela tranquila alegria de sabermos que Ele já nos salvou.
Lembremo-nos sempre que a vontade de Deus é a nossa felicidade.

Chegaram os dias da penitência!

Não queiramos mudar tudo de uma só vez.
Não comecemos pelas faltas grandes, porque dessas temos nós consciência plena de que as devemos mudar.
Comecemos antes pelas mais pequenas, aquelas que nos perseguem todos os dias, aquelas que mais vezes repetimos na Confissão, aquelas em que caímos já tão rotineiramente, que delas só nos apercebemos quando chega o tempo do exame de consciência.
E lembremo-nos que sozinhos nada somos, sozinhos nada conseguimos, só com Ele, no amor do Pai, iluminados pelo Espírito Santo, em Igreja, conseguiremos mudar o que precisa ser mudado, primeiro em nós, e depois dando testemunho no dia a dia, nos outros também.
E se mudarmos o “pequeno”, então o “grande” será mudado também!

Chegaram os dias da penitência!

Louvado seja o Senhor!



Marinha Grande, 18 de Fevereiro de 2015
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (5)

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E agora?
Agora o quê?

Então, acabaste de pecar?
É verdade!

Então e isso não te incomoda?
Claro que incomoda, mas estou tranquilo.

Estás tranquilo?
Claro! Tenho a consciência de que pequei, mas também tenho a consciência de que me arrependi e o amor d’Ele me perdoa.

É assim tão simples?
Não, não é assim tão simples! Precisas de te arrepender e sobretudo tentar verdadeiramente não voltar a pecar.

Mas isso é impossível!!!
Pois é! Mas por isso mesmo é que o amor d’Ele é infinitamente maior do que o nosso pecado!


Marinha Grande, 17 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves

Nota:
Apenas uma explicação para afirmar que neste curto diálogo está presente, implicitamente, claro, o indispensável acesso ao Sacramento da Confissão, o qual nos concede o perdão de Deus.
Não há "confissão" sem sacerdote, que isto seja bem claro.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

FALO DO ESPÍRITO SANTO!

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Vem o vento
e despenteia-me o cabelo,
fica todo sem jeito,
revolto, sem forma,
assim mais parece um trejeito.

E eu grito num momento
ao poderoso vento,
não a minha cabeleira,
despenteia-me antes,
a minha vida,
a minha alma toda inteira.

É que sabes,
Vento amigo,
já me deixo adormecer,
numa fé tão rotineira,
que qualquer dia nem me apercebo,
que afinal Tu estás comigo.

Ó Vento,
vem e não pares,
desloca-me e agita-me,
renova-me,
e ressuscita-me,
para que a vida nova que trazes,
seja tudo em meu ser,
agora e em todo o tempo.

Sim Vento amigo,
não falo do que sopra nas árvores,
nos mares,
que levanta as folhas do chão,
e me despenteia o cabelo.

Falo do Vento eterno,
que sopra sempre onde quer,
que faz alegria do pranto,
que agita o coração,
sempre que o homem quiser.

Falo de Ti, Vento Divino!
Falo de Ti, Espírito Santo!


Marinha Grande, 28 de Janeiro de 2015
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (4)

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Então, Maria é nossa mãe?
Sim, Maria é nossa mãe.

E porquê?
Porque o seu Filho assim quis!

Então e isso chega para ela ser nossa mãe?
Claro, se é vontade de Deus, deve ser nossa vontade também!


Monte Real, 16 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

TER UM FILHO!

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É como sair algo de nós,
que no entanto nos completa.

É assim como dar voz,
ao amor que nos une.

É uma alegria imensa,
que nos enche e nos reúne.

É sorrir embevecido,
e dizer coisas sem nexo.

É a chama do amor,
que se revelou no sexo.

É perene alegria,
que se faz vida verdade.

É realmente, sem dúvida,
«ser dois numa só carne.»


Marinha Grande, 31 de Janeiro de 2015
Joaquim Mexia Alves


Nota: 
Por causa de uns sobrinhos que tiveram o seu primeiro filho.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A TI, MEU AMIGO, QUE TE DESESPERAS

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Hoje apetece-me escrever-te, a ti, que fazes do desânimo, do desespero uma razão de viver ... para morrer.

Pois, não me venhas dizer que não sei do que falo, porque também eu um dia fiquei sem nada, vi o mundo ruir à minha volta, fiquei sem casa, sem horizonte, mas restou-me a esperança!

E sabes tu, qual era a minha esperança?

Chama-se Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que continuamente me repetia aos ouvidos do coração: «Não desistas, um dia compreenderás que sempre estive contigo.»

E eu perguntava: «Onde, que não Te vejo, quase não Te sinto, e o horizonte apresenta-se-me escuro, tão escuro, como a noite mais escura.»

E Ele não se calava, (oh sim, Ele nunca se cala quando O temos em nós), e dizia-me: «Olha para o teu lado, todos te abandonam! Mas não vês agarrados à tua mão, a tua mulher, os teus filhos, os teus verdadeiros amigos? Pois é neles que Eu estou, para te dizer que é uma curva no caminho, um obstáculo a ultrapassar, um meio que finaliza numa fé mais forte, mais coesa, mais vivida, mais sentida, mais dependente da minha vontade.»

«Mas Senhor, precisavas de ser tão duro, ou seja, precisavas de permitir que tal acontecesse?»

Ah, mas Ele não se cala mesmo, e respondia-me. «Mas, meu filho, e não era mesmo preciso? Falei-te tantas vezes e não me ouvias, embora me quisesses seguir. E Eu sabia que esse era o teu desejo mais profundo, seguir-Me. Tinha que mostrar-te tudo, ou seja, que nada do que vivias era Eu, ou melhor, que aquilo que vivias, o vivias sem Mim. E lembras-te, que percebeste então?»

«É verdade, Senhor!»

E ouve tu agora, meu amigo que fazes do desânimo, do desespero uma razão de viver ... para morrer.
Baixei a cabeça, entrei no fundo de mim, olhei para o Céu, sorri, e disse-Lhe que Ele e apenas Ele, era a minha razão de viver, e que tudo mais, família, amigos, trabalho e lazer apenas faziam sentido envolvidos no seu amor, porque assim sendo eram extensão d’Ele mesmo que assim me tocava, tão física e proximamente.

Vês agora, tu, meu irmão, que fazes do desânimo, do desespero uma razão de viver ... para morrer, que Ele também está sempre contigo, mesmo no “infinitamente” pouco que te dá a conhecer, ou melhor, em que se te dá a conhecer?

Razão para morrer há só uma, viver com Ele, nEle, para Ele, em todos os momentos e horas, até que Ele nos chame, para nEle morrermos, para com Ele vivermos, eternamente no amor!


Marinha Grande, 25 de Janeiro de 2015
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 25 de janeiro de 2015

CONVERSÃO DE SÃO PAULO

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No dia 25 de Janeiro a Igreja comemora a conversão de São Paulo.
Habituámo-nos a olhar para Saulo como um homem terrível, um criminoso que perseguia os cristãos para os matar. Enfim um homem que nada tinha a ver com Deus.
E realmente pelo que a Bíblia nos conta, Saulo, perseguia os cristãos para os prender, para os entregar à justiça daqueles tempos, justiça essa que invariavelmente os condenava à morte.
Tal se percebe logo no relato do martírio de Santo Estêvão, em que Saulo está presente, pois o Livro dos Actos dos Apóstolos narra especificamente que: «As testemunhas depuseram as capas aos pés de um jovem chamado Saulo.» Act 7, 58
Mas Saulo não era um homem “fora de Deus”!

Pelo contrário, Saulo era um homem que procurava Deus, que procurava viver Deus na sua vida, que estudava e tinha conhecimentos profundos das Escrituras e tentava vivê-las o mais fielmente que lhe era possível.
Devemos lembrar-nos que naqueles tempos as leis não eram as leis que hoje temos e que, portanto, aquilo que hoje aos nossos olhos é incompreensível, (os martírios, etc.), eram naquele tempo compreendidos de outro modo.
Aliás, os ensinamentos de Jesus Cristo vieram precisamente mudar esse tipo de leis, para fazer compreender aos homens que Deus é amor e que tudo o que é feito em seu nome, tem de ser feito em amor.

Saulo era portanto um homem que procurava Deus, que procurava com entrega total servir a Deus.
Quando Saulo se desloca para Damasco, (a pé, porque os Actos dos Apóstolos não nos referem cavalo algum), vai na sua consciência para servir a Deus, pois a sua missão era prender aqueles que seguiam a Cristo e que nesse tempo eram entendidos como uma seita fora de Deus.

E, «quem procura, encontra» Mt 7, 8, por isso Saulo, nessa sua procura de Deus, vai encontra-lO num caminho em que ele nunca O esperaria encontrar.
É o próprio Jesus Cristo que o vai fazer entender que o Deus que Saulo procura é Aquele que ele mesmo persegue. «Saulo, Saulo, porque me persegues?» Act 9, 4

A resposta de Saulo leva-nos logo a perceber que embora pergunte, «Quem és Tu, Senhor?», ele já sabe que encontrou o Deus a quem quer servir, pois logo O trata por Senhor.
De tal maneira O encontra que não hesita nem um pouco em fazer tudo aquilo que aquele Senhor lhe ordena que faça.
Saulo encontra Deus e uma vida nova lhe é dada, uma vida de inteiro serviço a Deus, uma vida já não como Saulo, mas agora como Paulo.

Duas notas interessantes são as seguintes:
1 – Saulo perseguia os cristãos e a voz que o interroga, Jesus Cristo, perguntando «porque me persegues?», faz perceber que, ao perseguir os cristãos, Saulo persegue o próprio Cristo, o próprio Deus, que assim se faz Um connosco.
Como nos diz o próprio São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, explicando-nos o Corpo Místico de Cristo: «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria.» 1Cor 12, 26

2 – Não interessa o que fizemos no nosso passado, se verdadeiramente queremos encontrar Deus nas nossas vidas.
Se O procuramos de coração aberto, Ele faz-se encontrado connosco, toma-nos pela mão, e faz de nós mulheres e homens novos.

Marinha Grande, 19 de Janeiro de 2015
Joaquim Mexia Alves

Nota:
Texto publicado no "Grãos de Areia", Boletim da Paróquia da Marinha Grande, distribuído este fim de semana.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

DIÁLOGOS COM O MEU EU (3)

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Agora a sério, tu acreditas mesmo?
Claro que acredito!

Acreditas que Jesus Cristo está mesmo na hóstia que comungas?
Já te disse que acredito com toda a força do meu ser!

Mas como é que podes acreditar se não O vês?
Estás enganado, eu vejo-O porque acredito!



Monte Real, 15 de Abril de 2013
Joaquim Mexia Alves
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