sábado, 26 de novembro de 2016

O ADVENTO 2016

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O Advento é assim como que uma gravidez da humanidade!

Uma gravidez provoca sempre na mulher mudanças, não só físicas, mas também de pensamentos, de comportamento, de sensibilidade, de entrega, enfim, toca todo o ser da mulher grávida.
Mas também toca o homem na devida proporção, ou seja, na sua disponibilidade, na sua entrega, na sua maneira de proceder, e por isso, também, em todo o seu ser.
A gravidez numa família provoca sempre um reflectir, um repensar, um reagir, um encontrar caminho, um preparar e acautelar o futuro, uma correcção de vícios e defeitos, no fundo, uma mudança, por vezes radical, ao encontro de algo melhor, algo que traz amor, paz e felicidade.
E, claro, a gravidez é sempre um tempo de espera de algo que, sabemo-lo intimamente, vai mudar as nossas vidas, vai preencher as nossas vidas, vai completar as nossas vidas, vai trazer mais amor e felicidade às nossas vidas.

Por isso a primeira frase: O Advento é assim como que uma gravidez da humanidade!

Já sabemos que Ele vem, mesmo já estando no meio de nós.
Estamos assim, “grávidos” de esperança!
Se estamos “grávidos” de esperança, temos que proceder como “grávidos”, e este é o tempo para isso mesmo.
«Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas.» Lc 3, 4

É então o tempo de reflectir, de repensar, de reagir, de reencontrar caminho, para preparamos e acautelarmos o dia-a-dia do nosso futuro, no nosso encontro pessoal, diário, em cada momento, com Jesus Cristo, Nosso Senhor, que vem/veio ao mundo para nossa salvação.
Preparemos o caminho, “endireitando” os nossos erros, os nossos vícios, os nossos defeitos, e arrependidos, abeiremo-nos da Confissão, para encontrarmos o perdão e a reconciliação, e assim preparamos o coração para o recebermos, como um presépio de amor.
Só assim esta “gravidez de esperança” chegará a bom termo, e só assim ouviremos naquela Santa Noite os anjos a cantarem - «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade» - e correremos pressurosos, misturados com os pastores, misturados com todos e cada um, numa grande família, (a família de Deus), ao encontro do Salvador que nos foi dado, pelo amor do Pai, no Espírito Santo!

Um Santo Advento para todos, na certeza de que esta “gravidez de esperança” acontece sempre que levantamos o nosso coração para Deus.


Marinha Grande, 15 de Novembro de 2016
Joaquim Mexia Alves

Texto publicado no Boletim da Paróquia da Marinha Grande - "Grãos de Areia"
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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

RENDO-ME, SENHOR!

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Rendo-me, Senhor! Rendo-me!

Dentro de mim lutam as minhas vontades, as minhas certezas, os meus orgulhos, as minhas vaidades, e eu vejo-me a lutar contra elas!

Tenho que vencer, Senhor, ajuda-me, porque me quero render incondicionalmente a Ti!

Quero vencer, Senhor, não pela vitória, mas para me fundir em Ti, ou melhor, para que “já não seja eu a viver, mas Tu a viver em mim”!

É uma força, uma vontade, um poder muito maior do que eu que assim me faz lutar! És Tu, Senhor!

Não quero saber das lágrimas que afloram aos meus olhos, (são lágrimas de alegria por Te ter, de tristeza por Te ofender), não quero saber da voz que me diz que eu não sou digno, que eu não sou nada, que Tu estás longe de mim!

Não, Senhor, porque Te sinto aqui, junto de mim, com esse imenso sorriso de amor, essa imensa paz com que me envolves, com a alegria do pastor que coloca aos seus ombros a ovelha perdida.

Ah, Senhor, rendo-me! Rendo-me!

Eu sei que ainda há em mim muita coisa para atirar fora, muita coisa para mudar, para converter, para purificar, para libertar, mas que interessa isso se a minha vontade é render-me, incondicionalmente, a Ti, Senhor!

Salta-me o coração do peito, sinto-Te aqui, neste momento em que escrevo, e já não sou que escrevo, és Tu que escreves em mim.

Oh, Senhor, obrigado! Precisava tanto, tanto deste momento!

Acalma-se-me o coração, secam-se-me as lágrimas, uma paz imensa invade-me, olho-Te nos olhos e digo-Te: Rendo-me, Senhor! Rendo-me!


Monte Real, 11 de Novembro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 1 de novembro de 2016

“DAR-SE”!

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Ao pensar neste tempo de verbo, ou melhor, nesta atitude que representa um despojamento de si próprio, e que é “dar-se”, “entregar-se”, “colocar os outros à frente”, um nome muito óbvio me vem de imediato ao coração e à mente: Trinda!

Para a família o nome é totalmente conhecido, mesmo pelos mais novos de todos, é conhecido de amigos, de colegas de trabalho e de muita gente anónima, cuja vida um dia passou e ainda passa pela vida da Trinda.
Para os que não sabem, a Trinda é a Maria da Trindade, (que nome tão bem posto), quarta filha de um casal, que quis Deus fossem também meus pais, e pais de mais oito.

Sempre, desde muito novo me habituei a ver a Trinda a trabalhar em tudo quanto fosse festa de família, (desde os Natais até aos casamentos), dando tudo até ao limite das suas forças.
Mas a Trinda não se esgota nas festas, a Trinda leva o “dar-se” a uma atitude permanente, no dia-a-dia, no hora-a-hora, em qualquer momento.
A Trinda pensa sempre primeiro nos outros e depois nela própria!

Que o diga não só a família, mas também os amigos, os colegas de trabalho, e todos e qualquer um que passe pela sua vida e necessite de qualquer coisa.
E mesmo que não necessite, a Trinda, há-de arranjar maneira de “dar-se” de algum modo!

E depois de tudo fazer, depois de “dar-se” inteiramente, olha-nos com aqueles seus olhos e diz-nos com toda a veemência: Obrigado, obrigado por terem vindo, obrigado por isto, por aquilo, por aqueloutro!!!!

A Trinda olha-nos e sente-nos, a nós seus irmãos, todos já para cima dos 67 anos, (exacto, eu sou o mais novo), com aquele sentimento de mãe protectora que não quer que nada falte aos seus, e diz-nos sempre “autoritariamente disponível”: O menino, (que bem que sabe este "menino"!), já sabe, se precisar de alguma coisa telefone que eu venho logo!

A Trinda nunca se despede, seja ao vivo, seja pelo telefone, com um simples adeus!
Eu acho que ela nunca se quer despedir e por isso fica eterna e ternamente, a dizer: Beijinhos, beijinhos, beijinhos….

Nós seus irmãos, as nossas mulheres, (suas cunhadas), bem como os nossos filhos e filhas, nunca temos um marido sozinho ou uma mulher sozinha, uma só mãe ou um só pai, a tomar conta de nós nas nossas doenças ou vicissitudes, porque a Trinda está sempre presente.
A Trinda chega para saber como está tudo a correr, e depois vai ficando, vai organizando, vai fazendo os outros descansar, enquanto ela “se vai dando”, inteiramente.
E se assim é com a família, também é com toda a gente que ela conhece e que a conhecem.

A Trinda é a minha querida irmã, (as outras duas já estão com Deus), e a Trinda não existe verdadeiramente!

Acredito que Deus Nosso Senhor lhe deu esta forma humana, lhe deu esta face humana, lhe deu este corpo humano, mas colocou nela um coração de anjo, um anjo da guarda que se vê, que se toca e que tem ombros e mãos, para neles podermos descansar e percebermos verdadeiramente o que Jesus Cristo quis dizer com: «amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!»

E a Trinda faz anos hoje!
Oitenta e um, para ser preciso!
Mas ninguém lhos adivinha, porque não mudou de modo nenhum o seu modo de viver, não esmoreceu em nada o seu “dar-se”!

Por isso, Senhor, a Ti  elevo a minha prece mais sentida, a minha oração mais viva, para Te dizer e pedir:
Obrigado, Senhor, pela Trinda, o anjo que deste à nossa família!
Obrigado, Senhor, porque pela Trinda nos quiseste ensinar o “dar-se”!
Agora, Senhor, protege-a, guarda-a e envolve-a nos Teus braços, de tal modo que ela possa sentir no seu dia-a-dia o Amor verdadeiro, que é o Teu, e que vai muito para além de todo o amor que nós lhe temos!


Carvide, 1 de Novembro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 30 de outubro de 2016

PORQUE HOJE É DOMINGO!

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Hoje Domingo,
Dia do Senhor,
faço-me missa para Te celebrar,
faço-me patena para te mostrar,
faço-me cálice para Te conter,
faço-me comunhão para Te partilhar,
faço-me sacrário para Te guardar,
despojo-me de tudo o que sou,
torno-me um nada sem importância,
abro-me inteiramente a Ti,
Senhor,
para ser a mais pequena porção,
o mais ínfimo testemunho,
do Teu amor,
em mim,
para os outros,
e abandono-me em Ti,
neste dia,
e sempre,
para viver eternamente
a mais completa alegria!



Marinha Grande, 30 de Outubro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

DE MÃOS LEVANTADAS!

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Naqueles dias, Amalec veio a Refidim atacar Israel.
Moisés disse a Josué: «Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão».
Josué fez o que Moisés lhe ordenara e atacou Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo da colina.
Quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec.
Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos. Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr do sol, e Josué desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada. Ex 17, 8-13


Ao ouvir ontem esta passagem bíblica na Missa Dominical, e ouvindo a homilia do Padre Patrício, fui levado a reflectir na mesma e em tudo o que ela pode significar, para além do óbvio, digamos assim.

Não sei se a origem da frase - «baixar os braços» - com o sentido daquele que desiste, vem desta passagem, mas faria todo o sentido que assim fosse.

Deixando a “batalha”, o confronto violento, de lado, podemos perceber que Deus assiste àqueles que persistem, que não desistem, que n’Ele confiam e esperam, que pedem, mas que também fazem a parte que lhes compete, ou seja, são activos, “levantam os braços”.

A liberdade que Deus dá a cada um, também nos pode levar a desistir, a não querer acreditar, não querer confiar, não querer esperar, e assim “baixamos os braços”, e Deus nada pode fazer, pois nunca interfere na nossa liberdade, na liberdade que Ele mesmo deu a cada um.

Depois é curioso perceber que foi preciso que Aarão e Hur, «um de cada lado», segurassem as mãos de Moisés, para que elas se mantivessem levantadas, sem desistir, firmes no crer, no confiar, no esperar.

É que cada um de nós não é só, não está só, e é em comunidade, em Igreja, com os outros, em oração e comunhão, que encontramos Deus, e n’Ele a força para persistir, para crer, para confiar, para esperar.

Só assim, então, na comunhão em Deus, com os outros, em Igreja, é que podemos “desbaratar” o mal que nos quer perder, que nos quer fazer desistir, sobretudo nos momentos mais difíceis e complicados das nossas vidas.


Marinha Grande, 17 de Outubro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CHOVE LÁ FORA!

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Chove lá fora!

Por momentos apetecia-me sair para a rua e deixar que a água da chuva me encharcasse por completo, sentir a água da chuva na cara, no cabelo, em todo o meu corpo.
Quase como uma lavagem revigorante em toda a minha pele!

Depois penso: E por dentro de ti, pelo teu interior? Como poderás tu lavar o teu interior? Como poderás tu revigorar o teu íntimo, o teu ser?

Ouço então uma voz que me diz ao coração: Eu sou a fonte da água viva!

«Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: 'dá-me de beber', tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!» Jo 4, 10

Ah, Senhor, deixa que me lave na Tua água!
Inunda, Senhor, todo o meu ser, com a água viva que Tu és!
Lava o meu coração!
Lava os meus pensamentos!
Lava o meu sentir e o meu agir!
Lava o meu falar, o meu ouvir, o meu olhar!
Lava-me de mim, Senhor, para que me possa “vestir” de Ti em tudo e para todos!

Chove lá fora!
Mas ainda melhor, chove dentro de mim!

Obrigado, Senhor!


Monte Real, 12 de Outubro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O CAMINHO

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Olha em frente, tentando descortinar a estrada da vida!

Mas os seus olhos não o ajudam e ele não consegue perceber sequer o caminho para amanhã, quanto mais para o futuro.

O que fazer? Por onde ir? Onde está a estrada segura?

Nada, nem uma resposta, nem uma visão, nem um conselho, nem nada que os seus olhos possam ver!

Assim, pensou, não é possível caminhar, ou seja, não é possível viver, pois não há uma direcção segura, uma estrada para percorrer, um caminho que leve à meta desejada da felicidade.

Desiste de olhar, de ver, e fecha os olhos com a resignação de quem pensa já nada haver a fazer.

Percebe então que no seu íntimo existe outra maneira de ver, pois quase jurava que o seu coração tem olhos, e que esses olhos vêem um caminho à sua frente, bem marcado e presente.

No entanto o seu primeiro entusiasmo por ver aquele caminho, começa a esmorecer, quando percebe um caminho estreito, por vezes ladeado por abismos sem fim, pedras, com curvas e contra-curvas, obstáculos, subidas e descidas, enfim, um caminho humanamente desaconselhável.

Regressa ao coração e deixa-se guiar por ele.

Tem então a noção de que em cada sítio mais complicado do caminho existe sempre uma luz, uma mão, um ombro, uma palavra, um conselho e que, apesar de tudo, se seguir esse caminho deixando-se conduzir por tudo isso, o fim é perfeitamente alcançável, e que esse fim se prefigura como um paraíso, onde o amor e a felicidade comungam, e afinal se chama Deus!

A decisão está tomada!
Aquele é a estrada a percorrer, a direcção segura, a vida com sentido, que leva à meta desejada!

Procura uma placa de informação, algo que lhe diga como se chama esse caminho, e então vê na borda do caminho estreito, o nome que Alguém lhe deu: Igreja!


Marinha Grande, 7 de Outubro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (13)

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Senhor, Tu amas-me?

Claro que te amo, meu filho, com amor eterno.

Senhor, Tu amas-me assim, apesar dos meus defeitos, das minhas fraquezas, dos meus pecados?

Não, meu filho, Eu não te amo apesar dos teus defeitos, das tuas fraquezas, dos teus pecados. Eu amo-te com os teus defeitos, com as tuas fraquezas, com os teus pecados.

Ó, Senhor, então Tu amas-me como eu sou e não como eu deveria ser!

Sim, meu filho, Eu amo-te como tu és e é no meu amor que encontras sentido e forças para lutares e te libertares dos teus defeitos, das tuas fraquezas e dos teus pecados.

Ah, Senhor, então é com esse amor que Tu queres que nos amemos uns aos outros?

Claro, meu filho. Só amando os outros como eles são, (e não como gostaríeis que eles fossem), é que podereis amar os que vos querem bem, os que não vos querem tão bem e até mesmo os que vos querem mal. É no meu amor, que encontrareis sentido e razão, para amar com este amor pleno.

Senhor, como é bom o amor!!!

Sim, meu filho, o amor é a maravilha de Deus aos homens e para os homens.



Marinha Grande, 30 de Setembro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 27 de setembro de 2016

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (12)

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E eu, Senhor, o que sou eu, ou quem sou eu?
Um nada, mas amo-te com amor infinito e sem ti o mundo não seria completo.
Porquê, Senhor? Sou eu mais importante do que os outros?

Não, mas porque fazes parte do Meu plano, que envolve todos aqueles que criei, sem os quais o mundo também não seria completo.




Marinha Grande, 22 de Setembro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 11 de setembro de 2016

SALMO DE UM PECADOR

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Coitado,
pobre de mim,
na minha condição de pecador,
que deixo ir a minha vontade,
até ao fim,
assim ferindo o Teu amor.

Aparto-me do meu eu,
o meu eu que é o Teu,
Senhor,
porque o eu da minha vontade
é o meu eu pecador.

Prostro-me de joelhos,
a cara pelo chão,
e digo-Te,
olhos nos olhos:
Que será de mim,
Senhor,
se não vieres ao meu coração!

Nada mereço,
nem teu empregado ser,
quanto mais Teu filho,
ou chamares-me…
Teu irmão.

Corres para mim,
abraças-me junto ao peito
no Teu amor de abundância,
e dizes-me com a maior ternura:
Vem a Mim,
Meu filho,
toma tudo o que te dou,
toma tudo o que Eu sou,
porque não há pecado,
ou pecador,
que fique fora da esperança,
da grandeza do Meu amor!

Obrigado, obrigado Senhor!


Marinha Grande, 11 de Setembro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 6 de setembro de 2016

MINHA QUERIDA IRMÃ ASIA BIBI

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Minha querida irmã Asia Bibi

Permito-me, humildemente, dirigir-te estas palavras, que peço à Mãe do Céu te entregue no teu coração.
Sinto-me um nada ao dirigir-me a ti, um nada que vive no conforto de uma casa com uma igreja ao lado e com a liberdade de rezar a qualquer hora a Deus Nosso Senhor.

Tu, querida irmã, desde 2009 que sofres na tua vida, no teu coração, a privação da tua liberdade física, o afastamento da tua família, dos teus filhos, do teu marido, apenas e só porque acreditas e és discípula do mesmo Senhor Jesus Cristo em que eu também acredito.

Verdadeira discípula, (não como eu que tantas vezes me afasto dEle), porque tudo largaste para afirmar o teu indizível amor por Ele, deixando inclusivamente a tua família.
Porque, verdadeiramente, poderias estar com eles, poderias estar a viver normalmente no mundo, com a tua família, se abdicasses da tua Fé, se renegasses Jesus Cristo, se fizesses o que os homens querem, em vez daquilo a que a vontade de Deus te chama e que é uma provação imensa.

Claro que não é a vontade de Deus que te quer encarcerada, mas sim a vontade dos homens.
A vontade de Deus é que vivas inteiramente o Seu infinito amor por ti, e ao permitir este teu sofrimento, Deus retira dele uma infinitude de graças que derrama sobre aqueles que, mais fracos como eu, provavelmente não seriam capazes de se entregar como tu, querida irmã, te entregas.

Mas, mesmo não estando a teu lado fisicamente, sei que não estás presa, (apenas o teu corpo permanece encerrado na cela), porque acredito que do teu coração saem orações diárias ao Senhor que deu a vida por ti, que deu a vida por nós, e não serão apenas por ti, mas sim e com certeza, com essa fé indomável com que Deus te agraciou, serão orações por todos, sobretudo por aqueles que sofrem como tu.
Impotente para resolver a tua situação, não o sou contudo na capacidade de rezar, e por isso, minha querida irmã, todos dias rezo uma Avé Maria por ti, para que seja feita a vontade de Deus na tua vida.

Pedimos nós, todos os dias, sinais da presença de Deus entre nós e nada vemos, porque tantas vezes somos cegos de coração, somos cegos de fé, só temos olhos para ver as nossas vontades, os nossos desejos, os nossos quereres.
Tu, querida Asia Bibi, és um sinal permanente de Deus no meio de nós, um Deus que o príncipe do mundo quer encarcerar, (como a ti encarcerou), para perder o Homem criado à imagem e semelhança do próprio Deus Criador.
Mas Deus criou-nos livres, criou-nos na liberdade do Seu infinito amor, amor que não pode ser encarcerado, porque não há prisão que o prenda.
Por isso, o amor de Deus emana do teu coração, da tua vontade de entrega, do teu sim, e atravessa as paredes da cela, as barras da janela, e vem, livremente, tocar os nossos corações para dizer-nos, como diz a ti todos os dias: No Meu amor, és sempre livre!

Minha querida irmã, mesmo a quilómetros de ti, estou junto a ti, e de joelhos rezo contigo:

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, ouvi a nossa oração pela Asia Bibi e por todos aqueles que como ela sofrem a privação da liberdade, por causa de Ti.
Seja feita a Tua vontade, mas fá-los sentir, nós Te pedimos, a liberdade dos filhos de Deus conquistada por Cristo na Cruz do Amor.
Envolve-a no Teu amor e fá-la sentir o conforto da Tua presença no seu coração.
Querida Mãe do Céu, intercede por ela e por todos, como só Tu sabes fazer.
Amen.


Marinha Grande, 6 de Setembro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 16 de agosto de 2016

NO CÉU, NO CÉU, COM MINHA MÃE ESTAREI

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Venho devagarinho e deito-me no teu colo, minha querida Mãe do Céu.
Abandono-me nos teus braços de amor, para neles encontrar o amor do teu Filho, minha querida Virgem Mãe.
Contigo, hoje, subo também ao Céu, por um pouco.
Esse pouco, reforça a minha confiança, renova a minha esperança.
E canto, então, cheio de alegria:
«No Céu, no Céu, com minha Mãe estarei.»

Marinha Grande, 15 de Agosto de 2016
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 14 de agosto de 2016

FOGO DIVINO

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Vem,
ó fogo divino,
que queimas o mal,
e alumias o bem.

Vem,
ó fogo divino,
que purificas a terra,
para que nela nasça a nova planta,
a planta do amor,
fruto da nova semente,
plantada pela dor,
na cruz do nosso Salvador.

Vem,
ó fogo divino,
e queima em mim o que não presta,
purifica-me de todo o mal,
ilumina-me no caminho,
e faz do que em mim resta,
uma nova criatura,
toda voltada para Deus!




Marinha Grande, 14 de Agosto de 2016 
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 9 de agosto de 2016

OS SOLDADOS DA PAZ

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Estive numa guerra!
Estive na guerra da Guiné, onde jovens se fizeram homens, por vezes com grande sacrifício e dor.
Vi heróis, não só em actos de guerra, mas também e sobretudo em actos de amor ao outro, de entrega ao outro, de procura do bem-estar e da felicidade do outro.
O “fogo” da guerra consome-nos por dentro, destrói-nos, por vezes, o querer, a alegria, o ser, e deixa-nos marcas permanentes, indeléveis, que às vezes demoram anos a aparecer, e quando aparecem, é só para nos magoar no mais intimo do nosso ser.
Nós, combatentes, não fomos para a guerra, para fazer a guerra, mas para, apesar da guerra, encontrarmos a paz.
Mas sabíamos que podíamos morrer, e até, infelizmente, matar!
O “fogo” da guerra consome-nos por dentro!

A guerra do fogo, é bem diferente, tão diferente, que os homens que a combatem se chamam «Soldados da Paz»!
Não vão pensando em morrer, e muito menos, pensando que pode morrer alguém, vão apenas e só para viver e deixar os outros viver, para além do fogo que os quer matar.
São heróis, desconhecidos, a quem tantas vezes “falta o ar”, o ar do reconhecimento, da gratidão, da homenagem, o ar das palavras obrigado, bem hajam, vós sois os nossos heróis!
Dêem-se medalhas aos feitos desportivos, aos feitos sociais e solidários, mas interrompam-se as férias, (do tal homem dos afectos), para dizer em bom som e bem alto:
Portugal, os Portugueses, estão-vos gratos, tão gratos, que vos consideramos os heróis do tempo presente, neste tempo da guerra do fogo, em Portugal!

Para vós, bombeiros de Portugal, elevo a minha prece a Deus: 
Senhor, abençoai, protegei e guardai os bombeiros de Portugal, no vosso infinito amor!

Marinha Grande, 9 de Agosto de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 26 de julho de 2016

PÉRE JACQUES HAMEL

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Pére Jacques Hamel estava ali, servindo o Senhor, quando em nome de um deus que não existe, (porque não há nenhum deus que exija a morte, que fomente o ódio, que enalteça a morte dos outros), é barbaramente morto, decapitado, como se por acaso o Deus de infinito amor não recebesse com superlativo amor, aquele que perde a cabeça, (porque apaixonado se deixa guiar pelo coração), no Seu seio, e não fizesse a festa no Céu por aquele que foi sacrificado pelo “rebanho”.

Decapitado ou morto por leões, numa europa que cada vez mais se aproxima dos circos romanos, onde se matava em nome de nada e os cidadãos se compraziam com o espectáculo, anestesiados por governantes corruptos e débeis na vontade, na força e no carácter.

Não, não pode haver vingança a ser servida, mas tão só a realidade dos factos, a justiça que deve ser exercida e exigida, e a demonstração que a civilização tocada por Cristo, é muito melhor do que o ódio que poderia humanamente ser aceitável contra tais indivíduos, porque é uma civilização tocada pelo amor, em que o mandamento principal depois do amor a Deus, é o amor aos outros, mesmos àqueles que nos fazem mal.

É que se nos deixarmos levar por esse ódio, então damos-lhes a vitória, porque perdemos o que de mais sagrado nos une a Deus, que é amor a Ele e aos outros.

Dizem-nos vários relatos dos martírios dos Santos de Deus no Circo de Roma, que eles cantavam, louvavam a Deus, enquanto morriam.

Sem deixarmos a tristeza tão humana inerente à perca de uma vida humana dedicada a Deus, demos também nós graças a Deus por este Seu filho, Jacques Hamel, e alegremo-nos porque temos um Santo no Céu a interceder por nós.

Rezemos também pelos seus algozes, por muito que nos custe, na certeza de que Jacques Hamel junto de Deus, Lhe diz neste momento: Perdoa-lhes Pai, que não sabem o que fizeram!

Tudo e sempre para a maior glória de Deus, nosso começo e nosso fim, nossa confiança e esperança, nossa vida eterna em plenitude.


Marinha Grande, 26 de Julho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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O MEU PAI FARIA HOJE 117 ANOS

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O meu pai faria hoje 117 anos.

Sempre que não sei bem como proceder em determinados momentos, penso no que ele faria, mas por vezes neste mundo, dito moderno, é muito difícil seguir os seus passos.

Quando tinha talvez os meus 16/17 anos, juntava-me com os amigos numa "leitaria", (que naquele tempo tudo vendiam, até cervejas), na Rodrigo da Fonseca em Lisboa.
O Sr. Augusto, dono da leitaria, conhecia os meus irmãos mais velhos a todos e por isso permitia-me certas coisas e uma delas era o poder beber umas cervejas agora e "pagar depois".
Claro que entre cervejas, sanduíches, etc.,  a coisa não deu grande resultado e quando dei por mim, ao fim de alguns meses já devia uma grossa maquia talvez à volta de 5 contos, como se dizia naquele tempo. Ele nunca me exigiu nada, mas quando me apercebi do montante fiquei em "pânico".

Os meus pais, ("presos" em Monte Real pelas Termas e pelo  cargo de Governador Civil de Leiria), vinham a Lisboa uma vez por semana, dormindo normalmente de Terça para Quarta Feira.

Enchi-me de coragem, (o meu pai era um homem de contas e de uma honestidade acima de qualquer prova), e falei com o meu pai sobre o meu "problema".
Fiquei espantado, porque em vez de um enorme "ralhete", coisa que esperava, tal como, me desse de imediato o dinheiro para pagar a divida, apenas olhou para mim, e disse-me: Para a semana falamos!

Obviamente o meu pânico aumentou e durante a semana quase não fui ao Sr. Augusto, (assim chamávamos a leitaria), com vergonha da minha divida.

Chegou a próxima Terça Feira, o tempo foi passando, Quarta Feira e o meu pai nada de falar comigo sobre o assunto, nem lá perto.

Aproximava-se a hora de regressarem a Monte Real e nada, e o meu pânico ia-se transformando em desespero.
Quando já estavam para sair o meu pai disse: Joaquim, chega aqui pois quero falar contigo.
Entrei no quarto a pensar: Estou tramado!
Olhou para mim e perguntou-me: Quanto àquele problema que me contaste, como é que passaste esta semana?
Envergonhado disse-lhe: Ó pai, tenho tanta vergonha que não pus os pés no Sr. Augusto e até tenho dormido mal.
Olhou para mim, tirou o dinheiro necessário para pagar a divida do seu bolso e disse-me: Espero bem que tenhas aprendido a lição!

Era assim o meu pai!


Marinha Grande, 26 de Julho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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