quinta-feira, 26 de maio de 2016

O CORPO E O SANGUE DE CRISTO

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O Corpo de Cristo
é a semente lançada à terra.
O Sangue de Cristo
é a rega dessa semente.

E nasce o trigo do amor,
que se faz alimento para todos,
inteira doação,
de Jesus Cristo
Nosso Senhor!

Faz-se num pedaço de pão,
pequenino,
inesgotável alimento,
dado ao homem,
para deleite do coração.

O grão de uva,
regado pela Água do Lado,
faz-se Sangue divino,
mata a sede para sempre,
e afasta todo o pecado.

Assim é,
o Corpo e Sangue,
de Nosso Senhor Jesus Cristo,
verdadeiro Homem,
verdadeiro Deus,
e,
perante tal Mistério,
apenas posso exclamar:
«meu Senhor e meu Deus.»


Marinha Grande, 26 de Maio de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 14 de maio de 2016

PENTECOSTES

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Desde que, por graça de Deus, O reencontrei e reencontrei a Igreja, a maior revelação que ocorreu na minha fé cristã, (se assim posso dizer), foi a percepção, o sentir, o viver, a realidade da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo.

Quando era “menino e moço”, o Espírito Santo era o “ilustre desconhecido”, e constato ainda hoje, que apesar de algumas diferenças ocorridas no e pelo Concílio Vaticano II, o Espírito Santo continua, na maior parte dos fiéis, a ser um “desconhecido”, tanto naquilo que Ele é, como naquilo que Ele faz.

E é frequente, (demasiado frequente), quando falo sobre o Espírito Santo, ou ouço falar sobre o Espírito Santo, reparar que muitos cristãos que ouvem, ficam admirados, ou no mínimo surpresos, e chegam mesmo a dizer posteriormente, que nunca tinham ouvido falar assim do Espírito Santo e sobretudo, da acção do Espírito Santo na vida dos que acreditam e até mesmo dos que não acreditam.

Permitam-me que afirme mais uma vez, que o Espírito Santo foi e é a maior revelação do meu reencontro com Deus e com a Igreja, passados mais de 20 anos de afastamento da fé.

É que a revelação do Espírito Santo na minha vida, levou-me ao encontro pessoal com Jesus Cristo, um encontro permanente, não só na Eucaristia, mas realmente em cada momento da minha vida, levou-me ao conhecimento e ao sentir profundo do amor do Pai, fazendo-me perceber que o Seu amor e o Seu perdão são sempre maiores que o meu pecado, e, fez-me até descobrir o amor da Mãe do Céu e a sua intercessão poderosa e constante junto de Seu Filho.

Por isso, hoje, dia de Pentecostes, quero fechar-me com Maria e os Apóstolos naquela sala, pedindo incessantemente o Espírito Santo, na certeza profunda que tenho, pela graça de Deus, que Ele será derramado em nós e em mim, e abrirá todas as portas e janelas, derrubará barreiras, incertezas e dúvidas, e levar-nos-á, levar-me-á, a “sair para fora”, a dar testemunho do infinito amor de Deus, a falar novas línguas, incompreensíveis para mim, mas que podem tocar os corações dos outros, a sentir-me “embriagado” pelo poder de Deus, ou melhor, a sentir-me inebriado pela presença real e viva de Deus no meio de nós e em mim..

Por isso quero clamar sem cessar: Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo!


Marinha Grande, 14 de Maio de 2016
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

VISITA DA IMAGEM PEREGRINA À PARÓQUIA DA MARINHA GRANDE

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Todo o dia choveu!
À noite, quando chegava a hora de receber a Imagem Peregrina de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, o céu aquietou-se, afastou a chuva e as nuvens, e algumas estrelas brilharam no firmamento.
Sabemos todos que é uma imagem, mas a serenidade do momento, transmite-nos uma emoção terna e amorosa, por vezes acompanhada de lágrimas de gratidão, e conseguimos perceber então a presença da Mãe do Céu, derramando amor, e lembrando-nos continuamente: «Fazei tudo o que Ele vos disser!»
A procissão, ao longo da cidade da Marinha Grande, é uma “avenida” de gente, que reza, canta e se une à volta da Mãe de Deus e nossa Mãe, que vem visitar os seus filhos.
Na igreja, repleta de fiéis, canta-se o Akathistos, Hino em honra da Virgem, Mãe de Deus, de uma beleza indescritível, não só a melodia, mas também o texto, com imagens escritas de rara beleza.
A interpretação é primorosa e conduz-nos a meio caminho entre o Céu e a Terra!
O nosso Bispo, D. António Marto, presente desde o primeiro momento, despede-se de nós algo emocionado e sobretudo grato a Deus e à Virgem Maria, por aqueles momentos sublimes, lembrando-nos que a Mãe nos prometeu que o seu Imaculado Coração triunfará!
Depois uma noite inteira de oração.
No tempo que nos foi distribuído, ao Alpha, aos Jovens, aos Escuteiros, é exposto o Santíssimo Sacramento, porque é esse sempre o maior desígnio da Mãe: Mostrar-nos o seu Filho, conduzir-nos ao seu Filho, entregar-nos ao seu Filho, interceder por nós junto do seu Filho!
E que bem Ela o faz, “desaparecendo” na sua humildade imensa, para que Jesus Cristo, o seu Filho eterno, nos abrace no seu infinito amor.
Ia jurar que ontem à noite, na igreja e em Igreja, ouvi Jesus dizer a sua Mãe:
Mãe, vai abraçando e beijando desse lado todos e cada um, enquanto Eu o faço deste lado. Depois trocamos, para que nenhum, hoje e sempre, deixe de se sentir amado, por Mim e por Ti!
E hoje de manhã a surpresa de uma igreja cheia de gente para cantar as Laudes, fervorosamente, seguidas de uma despedida emocionada, que é sempre um “até já”, ou melhor, um “ficar, partindo”!
E no fim de tudo, apenas e só estas palavras vêm ao meu coração: Obrigado meu Deus, obrigado Jesus, obrigado Mãe!

Marinha Grande, 8 de Maio de 2016
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 25 de abril de 2016

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (11)

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- Senhor, fazei que eu veja!

- Meu filho, tu já vês!

- Eu sei, Senhor, mas era a Ti que eu queria ver melhor.

- Mas para isso precisas de acreditar.

- Senhor, faz-me acreditar!

- Meu filho, tu já acreditas!

- Eu sei, Senhor, mas queria acreditar melhor.

- Para acreditares melhor, precisas de ver mais!

- Senhor, não brinques comigo!

- É que, meu filho, para Me veres precisas de fechar os olhos!

- Para Te ver preciso de fechar os olhos???

- Sim, meu filho. Para Me veres precisas primeiro fechar os olhos para Me veres no teu
  interior, no teu intimo, na tua vida. Quando assim Me vires, já podes abrir os olhos, porque
  então Me verás nos outros e em todas as coisas. Mas para isso, precisas de acreditar!

- Senhor!!!                                     

- Abandona-te, crê, confia, espera, deixa-te conduzir, e o Meu Espírito te fará acreditar para
  que possas ver melhor, e te fará ver para que possas acreditar mais!

- Meu Senhor e meu Deus!



Marinha Grande, 25 de Abril de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 15 de abril de 2016

AMAR!

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Amar
é acreditar,
é um não descrer,
que tudo é sempre possível
no dar,
e no receber.

Amar
é ser paciente,
no amor impaciente,
de quem se dá,
a um, ao outro,
a toda a gente.

Amar
é perdoar,
é esquecer,
porque nunca querer declinar,
o verbo ofender.

Amar
é deixar a sua vontade,
procurando a vontade do outro,
entregando-se,
totalmente,
para juntos encontrarem,
a perene felicidade.

Amar
é ser esperança,
que tudo crê e tudo espera,
é viver na confiança,
de que quem ama,
não desespera.

Amar
é fazer da alegria
a mais permanente certeza,
de que quem ama,
amando,
na ausência,
não tem tristeza.


Amar
é estar sempre ali
é um pôr-se a jeito,
é satisfazer
e também ser satisfeito.

Amar
é ser nada para si,
sendo tudo para os outros,
sendo tudo para os seus.

É ser sempre assim,
um pouco…
como Deus!


Marinha Grande, 15 de Abril de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 5 de abril de 2016

«VIMOS O SENHOR!»

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Tinham combinado encontrar-se os três amigos, pois já não se viam há algum tempo.

Quando Tomé chegou perto do local do encontro, reparou ainda à distância, que os seus dois amigos estavam envolvidos numa conversa acesa, sentados a uma mesa da esplanada do café, mas sobretudo reparou na alegria e no entusiasmo com que falavam e se olhavam.
Não se lembrava nada deles serem assim, (aliás o Pedro era até um pouco taciturno, embora o João fosse mais aberto e simpático), por isso perguntava-se o que teria acontecido na vida daqueles dois para todo aquele entusiasmo, para toda aquela demonstração de vida?
Aproximou-se deles, abraçaram-se como velhos amigos que eram e perguntou num repente:
O que é vos aconteceu, que me parecem diferentes, mais animados, mais vivos, se assim posso dizer?

Eles olharam para ele e disseram a sorrir: «Vimos o Senhor!»

Olhou para eles, espantado, e perguntou: Referem-se ao Senhor, Senhor? Àquele que nos foi ensinado na catequese e há muito tempo que não pensamos nEle?

Eles responderam com um sorriso provocador: Sim, Esse mesmo!

Estão a gozar comigo ou quê? Há que tempos que não ligamos a essas coisas! – respondeu ele.

Responderam-lhe com uma convicção que não lhes conhecia antes: Isso é verdade, mas há uns tempos atrás, por causa de uma doença de um amigo nosso que estava a ficar cego, lembramo-nos dEle, com outras pessoas começámos a rezar, e com tudo isso aproximamo-nos dEle e Ele de nós e tudo mudou nas nossas vidas.

Tomé insistiu: E o que é que isso tem a ver com essa frase «Vimos o Senhor!»?

Muito simples - responderam eles - é que esse amigo nosso dois dias depois de receber os últimos exames que tinha feito à vista, soube que ia ficar cego no espaço de pouco tempo. Rezámos então mais insistentemente, e um dia, depois de rezarmos por ele com mais outras pessoas pedindo a sua cura se fosse da vontade dEle, ele sentiu uma paz imensa e um calor estranho nos olhos. Quando fez novos exames já nada tinha de mal! Já lá vão vários meses e ele continua a ver cada vez melhor! Ora não nos digas que isto não é «ver o Senhor!»

Olhou para eles, incrédulo, e disse-lhes: Pois eu não acredito nisso e só se vir com os meus olhos acontecer uma cura dessas e puder atestar com exames que alguém ficou curado à minha frente, é que acredito que Ele está connosco.

Conversaram mais um pouco, mas entretanto Tomé teve que se ir embora, pois nesse dia recebia os exames médicos que a sua filha tinha feito, e que muito o preocupavam.
Quando se afastava, ainda ouviu Pedro e João dizerem-lhe para rezar pela sua filha e que acreditasse que Ele estava mesmo presente nas vidas de cada um.

Em casa as notícias não podiam ser pior, pois os exames davam como certo que o mal tinha alastrado e o corpo da sua querida filha estava já todo minado por aquela terrível doença.
A hipótese de sobrevivência era nula e o desfecho final deveria acontecer muito rapidamente.

Tomé sentiu-se desfalecer e sem saber o que fazer! Sentiu-se imensamente só!

Passado um momento lembrou-se da última frase dos seus amigos Pedro e João e decidiu voltar-se para Ele, rezando e pedindo a cura da sua filha.
Nesses dias mais próximos uma estranha calma tomou conta dele, mas, embora cada vez rezasse mais e mais intensamente a sua filha piorava cada vez mais.

Um dia ao fim da tarde, junto à cama da sua filha no hospital, veio de repente ao seu pensamento, ao seu coração, uma vontade incrível de ir a uma Missa.
Sabia que havia Missa na capela do hospital nesse fim de tarde e levantando-se foi para a capela.
Por um lado achava tudo aquilo ridículo, sem grande sentido, mas por outro lado sentia que ali devia estar e por isso mesmo concentrou-se na Missa e nas orações que ia fazendo no seu coração.
Quando chegou a altura da Comunhão, e não podendo comungar, ajoelhou-se e rezou intensamente, pedindo a Ele que se fizesse sentir na sua vida e, sobretudo, pedindo-Lhe a cura da sua filha.
Sentiu então uma enorme serenidade e admirado com o que estava a sentir no seu coração, ouviu-se dizer: Seja feita a Tua vontade, Senhor!

Ao chegar ao quarto percebeu que a sua filha estava diferente, e ela própria lhe disse que se sentia muito melhor, que um estranho calor tinha percorrido o seu corpo e ela se sentia agora muito bem.

Chamou o médico e pediu, insistiu, reclamou por novos exames que foram feitos de seguida.
Esperou um tempo interminável, de mão dada com a filha, que alguém lhes viesse dizer os resultados dos exames que tão ansiosamente esperavam.

Passadas largas horas, o médico entrou no quarto e olhou para os dois com um olhar estranho, um olhar de admiração, e disse-lhes: Os exames estão todos bem! A doença desapareceu e eu não sei explicar porquê!

Tomé olhou o médico, olhou a filha, e apenas pode dizer: «Meu Senhor e meu Deus!»


Marinha Grande, 5 de Abril de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 2 de abril de 2016

SEGUNDO A TUA PALAVRA!

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Duvidamos tantas vezes da presença de Jesus Cristo, de Deus, nas nossas vidas.

Mas é curioso que quando nos entregamos, (ou fazemos tudo para nos entregarmos), nas Suas mãos e à Sua vontade, Ele irrompe nas nossas vidas, (sem pressões ou exigências), mas levando-nos a perceber a Sua presença em todos os momentos das nossas vidas, até mesmo naqueles em que nos escondemos ou afastamos dEle para fazermos a nossa vontade.

Mas Ele não faz isso para nos coibir de fazer a nossa vontade, mas para nos colocar perante as nossas decisões, lembrando-nos de que, muito melhor do que nós, Ele sabe o que precisamos e é bom para cada um de nós.

E é nesses momentos que, ou O ouvimos e aceitamos, ou nos achamos capacitados para saber o que é melhor para nós, e, fechando-nos à Sua presença, caminhamos sozinhos, sem deixarmos que o Espírito Santo nos guie e ilumine o caminho.

Não precisamos, agora, de nos debruçarmos sobre o que acontece quando achamos que a nossa vontade é mais “certa” que a de Deus, mas será bem melhor percebermos como perdemos esses momentos em que Ele se faz presença em nós, e nos fazemos indiferentes a Ele.

Acreditamos, batemos com a mão no peito, rezamos e pedimos, mas quando Ele nos diz que não façamos aquele caminho, não tomemos aquela decisão, não O ouvimos e colocamos em causa a Sua própria existência.

Porque se acreditamos que Deus existe e é Deus, como podemos nós pensar que sabemos melhor do que Ele, o que é o melhor caminho para nós!

E depois dizemos admirados que Ele não fala connosco, que não nos guia, que parece que desapareceu da nossa vida e nos abandonou!

E a que propósito vem toda esta reflexão?

É que há pouco, há minutos atrás, estava para ali a dizer coisas entre conversas de família, e senti que Ele me dizia: «Eu estou aqui!»

Realmente, Tu, Senhor, por vezes tens uma maneira de Te fazer presente de tal modo, que só podemos dizer como a Tua Mãe: «Faça-se em mim segundo a tua palavra!»


Marinha Grande, 2 de Abril de 2016
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 27 de março de 2016

JESUS CRISTO RESSUSCITOU! ALELUIA!

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Jesus Cristo Ressuscitou! Aleluia!

O tempo já não é mais dono do tempo, e por isso o tempo já não condiciona o homem, porque pela Ressurreição de Jesus Cristo o tempo finito foi rompido e, para o homem, torna-se eternidade, pela graça de Deus.

Caminhamos para a eternidade, e está em nós, pela graça de Deus, o podermos alcançar a felicidade eterna ou a condenação eterna.

Não é Ele quem nos condena, porque Ele “apenas” sabe salvar, porque “apenas” sabe amar!
Somos nós que nos condenamos, se não O seguirmos, se não permanecermos nEle, se não morrermos com Ele, para com Ele ressuscitarmos.

Jesus Cristo Ressuscitou! Aleluia!

O tempo já não leva o homem até à morte, porque o tempo sofreu a brecha da Ressurreição de Cristo, e por Ela, o homem assume totalmente “a imagem e semelhança de Deus”, pois a morte do homem terreno já não é um fim, mas a passagem, a Páscoa, que leva o homem à eternidade de Deus.

Jesus Cristo Ressuscitou! Aleluia!

A alegria, o amor, a comunhão, não se descrevem com palavras, porque as palavras não chegam para dar a conhecer, para revelar a alegria, o amor, a comunhão, que a Ressurreição de Jesus Cristo traz a cada homem.
Mas vive-se no coração de cada um e torna-se vida eterna na vida de cada um, que se aproxima de Cristo, que O segue, que com Ele permanece, até que seja verdade: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!»

Jesus Cristo Ressuscitou! Aleluia!

Alegremo-nos, alegrai-vos, portanto, porque Ele está vivo, em nós e no meio de nós!

Demos graças infindas ao Senhor nosso Deus!


Marinha Grande, 27 de Março de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 25 de março de 2016

SEXTA FEIRA DA PAIXÃO

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Colocam-Te a Cruz sobre os ombros, Senhor. É pesada a Cruz!

Não, não é a madeira que a faz pesada, são os meus pecados, são os nossos pecados que pesam sobre os Teus ombros.
Mas Tu carrega-la, cheio de amor, porque sabes que ao carregares os nossos pecados, nos vais libertando da escravidão do pecado e da morte.
Parece-me, Senhor, que cada vez que me reconheço pecador, cada vez que me confesso e Tu me absolves pelo Teu sacerdote, diminui o peso da Tua Cruz, parece-me que de algum modo sou um pouco Cireneu.
Mas logo volto a pecar e o alívio que Te dou é efémero e muito pouco!

Por vezes, Senhor, o meu pecado, os nossos pecados são tão grandes que o peso da Cruz Te faz cair por terra.
Mas logo Te levantas, para nos mostrares que também eu, também nós, apesar de cairmos no pecado, sempre nos podemos levantar, por Tua graça, Senhor.

Chegas finalmente ao Teu Calvário, que deveria ser o nosso calvário, mas Tu, no Teu infinito amor, decidiste vivê-lo por nós.
E eu nem estou lá para Te fazer companhia, porque também sou um daqueles que Te abandona de quando em vez.
Quisera eu ser João e estar ali, aos pés da Cruz, fazendo companhia a Tua Mãe.
Ou pelo menos ser o Centurião que Te reconheceu Filho de Deus, naquele momento que vai chegar.

Os cravos rasgam a Tua carne, e Tu vais repetindo interiormente, no meio das dores: É por ti, Joaquim, é por todos vós!
Quero pedir-Te as Tuas dores, quero sofrê-las, para que não sejas Tu a sofreres as dores das minhas culpas,  mas fraco que sou, rapidamente as esqueço e me deixo envolver na rotina da vida diária.

Levantam-Te ao Céu, cravado naquela Cruz, e a única coisa que mitiga a Tua dor é saber que fazes a vontade do Pai, a vontade de salvar a humanidade que criaste no Teu amor.
Nas derradeiras forças ainda pedes, mais uma vez, por nós: Perdoa-lhes, Pai!

Por fim, exalas o último suspiro, a cabeça pende-Te para a terra, como a quereres fixar cada um de nós definitivamente no Teu olhar, (guardados que estamos no Teu coração), e o Céu e a Terra abrem-se para Te receber.
Quisera eu que fosse o meu coração a abrir-se, sem barreiras, sem dúvidas, sem fraquezas, para Te receber para sempre, e que, em cada momento que a tentação o tentasse, imediatamente se lembrasse de todos estes momentos que sofreste por mim, que sofreste por nós, e as repudiasse de imediato.

O silêncio toma agora conta da natureza e eu quero que tome conta do meu coração.
Que ao menos agora, no silêncio, eu Te contemple, eu Te louve, eu Te adore e Te dê graças sem fim, e para sempre me entregue a Ti, pelos outros, pelo amor.

Mergulhado na esperança, que me vem da confiança de saber que as Tuas promessas são sempre cumpridas, aguardo, ansioso, a Tua Ressurreição.

Glória a Ti, Senhor, agora e para sempre pelos séculos sem fim!


Marinha Grande, 25 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 24 de março de 2016

ÚLTIMA CEIA

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Sentas-Te com os Teus à volta da mesa, para com eles celebrares a Ceia Pascal.

Eles não sabem, nem sonham, como esta Ceia Pascal vai transformar tudo e todos, como esta mesa de celebração vai completar o Altar do Calvário, onde Te vais entregar por eles e por todos nós.

No meio deles há um que Te vai trair, tal como no meio de nós continuam a existir muitos que Te traem, a começar por mim.
É curioso como todos eles se perguntam quem será o traidor, como se todos eles já percebessem que eram fracos e pecadores, como nós hoje, e sempre.
Aquele, daquele tempo, rejeitou a Tua misericórdia! Nós ansiamos por ela, vivemos por ela e nela queremos morrer.

Levantou-se a “velha” conversa sobre qual seria o maior, o mais importante, conversa infindável, que hoje continua nas nossas vidas, mesmo em Igreja.
Não tinham ainda percebido, como nós ainda também não percebemos totalmente, que o Teu Reino não é deste mundo.
Procuramos-Te tanto, Senhor, por causa das nossas dores, das nossas infelicidades, das nossas necessidades, e não percebemos que o melhor que Tu nos queres dar é o amor, o Teu amor, que salva, porque é entrega total.

Para lhes mostrares, para nos mostrares, como o Teu Reino é diferente do mundo, baixas-Te nessa Tua humildade “impossível”, tomas-lhes os pés, e lava-los cheio de amor.
E dizes com o ar mais simples, como se fosse fácil, que mais devemos servir do que ser servidos!

Como queres Tu, Senhor, que Te entendamos, se tudo fazes ao contrário daquilo que achamos melhor?
Quando paras, Senhor, de nos surpreender com esse amor infinito, com que insistentemente nos quer salvar?

É então, Senhor, que os, que nos, surpreendes uma vez mais, e provas, sem dúvida, que a Tua promessa de ficar para sempre connosco, se torna realidade naquele momento e para sempre.
Porque é então, Senhor, que Te dás a comer e a beber aos Teus, (e aos que Te seguirem), fazendo-Te pão e vinho, ou fazendo do pão e vinho, o Teu Corpo e Sangue, alimento divino e imperecível para os homens.

E depois, Senhor, a Última Ceia continua, e unida à Tua Paixão, Morte e Ressurreição, não mais tem fim, porque o Teu amor é eterno, porque Tu és eterno, porque está sempre realmente presente em cada Eucaristia celebrada.

Que hoje, Senhor, naquele momento sublime em que mais uma vez no altar Te farás alimento divino para o homem, eu possa dizer, mais do que dizer, proclamar no meu intimo, na minha vida e a todo o meu ser, a verdade inabalável: «Meu Senhor e meu Deus!»


Marinha Grande, 24 de Março de 2016
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 20 de março de 2016

ÀS VEZES “EXAGERAS”, SENHOR!

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Deus, às vezes, até “exagera” no modo como nos toca! Hoje senti isso mesmo!

Era/É um Domingo como os outros, tirando o facto de ser Domingo de Ramos e eu ser chamado pela paróquia a servir como Ministro Extraordinário da Comunhão. Tudo bem e tudo normal!

Mas então começam alguns factos que já vinham de trás, pelo menos um deles.
Um grande amigo meu, um amigo do coração, depois de um caminho que começou a fazer e continua a fazer, quis estar presente nesta Missa de Domingo de Ramos, para, por pura amizade, receber das minhas mãos pecadoras, a Comunhão, que marca para ele um recomeço, uma nova vida, um novo caminho alicerçado em Deus.
Claro, o meu coração sentimental, já antevia dificuldades de conter a emoção, mas tudo bem, nada que não fosse possível viver e conter.

Depois o sacerdote celebrante, meu amigo, vizinho, e sobretudo companheiro de oração, pediu-me para eu ser o narrador da Paixão de Cristo, ou seja, o Evangelho do dia.
Mas tudo bem ainda!

O dia está de chuva, a celebração começa cá fora com a bênção dos ramos, e eu penso e até digo com ironia saudável, a quem está ao meu lado: O padre que abençoe as nuvens e assim a chuva, a água abençoada, irá cair sobre todos os ramos e sobre todas as pessoas!

A celebração continua e canta-se de um modo profundamente tocante o Salmo: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste.»
Começa ser demais e a presença dEle tão forte ali, junto de todos, junto de mim, abre as cisternas dos meus olhos e o mais disfarçadamente possível deixo cair umas lágrimas.
Claro, apetece-me gritar: Eu amo-te, meu Senhor e meu Deus!

Depois vem a narração do Evangelho!
O meu coração já fragilizado começa a contrair-se, mas quando leio que Ele começou a orar no Horto das Oliveiras e suou sangue, sinto dentro de mim que Ele me diz para não adormecer eu também nos meus pecados, e a voz embarga-se-me, e uma lágrima teimosa, incontrolável, decide aflorar aos meus olhos.
Preparo-me logo para o momento do «Dito isto, expirou!»
Engulo em seco, sinto-O ali, connosco, a dizer a cada um: Como Eu te amo, minha filha e meu filho!

E tudo continua quando Ele se faz pão e vinho, ou faz do pão e vinho, o Seu Corpo e Sangue, e apenas posso dizer: Meu Senhor e meu Deus!

E vem a Comunhão e o meu amigo aproxima-se de mim, olha-me nos olhos, e eu vejo Cristo nEle e até ouso ver Cristo em mim, e dou-lhe o Senhor que assim se faz alimento de vida nova.
Fecho os olhos com força e apetece-me dizer: Ai, Senhor, assim Tu “matas-me” de amor!

Fico por aqui, nada mais escrevo, nada mais quero pensar, nem refletir, mas apenas, Senhor, pensar como Te serves Tu de mim, pobre pecador, e assim me enches o coração de gozo e alegria!
Ah, Senhor, Tu vieste mesmo para todos, vieste para os pecadores, nos quais por Tua graça me incluo!

Marinha Grande, 20 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

QUARTA FEIRA DE CINZAS

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Visto-me de saco, cubro-me de cinzas, prostro-me a Teus pés e suplico-Te:

Tem compaixão, Senhor, que sou pecador. Perdoa-me e guia os meus passos segundo a Tua vontade.


Inclinas-Te até mim, olhas-me com os Teus olhos rasos de amor, tomas-me pela mão, levantas-me, encostas-me ao Teu coração e num alento de ternura, dizes-me:

Estás perdoado! Não temas! Vou mostrar-te o caminho, que será largo por vezes e bem estreito outras vezes, será plano e fácil, mas passará também por veredas tenebrosas, nuns tempos dar-te-á segurança, noutros caminharás entre abismos, terá momentos de alegria exaltante e lágrimas de tristeza frustrante, mas uma coisa saberás inabalavelmente, é que se não Me largares a mão, se confiares em Mim, tudo ultrapassarás e chegarás ao fim ao encontro do amor eterno!




Levanto-me do chão, olho-Te nos olhos, dou-Te a mão e digo baixinho, com medo de perder o momento: 
Obrigado, Senhor. Partamos então no caminho da Tua vontade para a vida que me deste e, se sentires por um momento que quero largar a Tua mão, não o permitas, Senhor, e agarra-a ainda com mais força, para que nunca me separe de Ti.



Quarta Feira de Cinzas 2016
Marinha Grande, 10 de Fevereiro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CONFISSÃO!

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Claro que não sou nada, Senhor!

E, claro, que Tu és tudo, Senhor!

E, graças a Deus que assim é, porque se não, como poderia eu saber que aquilo que faço, (ou pretendo fazer), é bom e com sentido, se me reconheço pecador empedernido, embora sempre com forte propósito de emenda.

E será que aquilo que faço, é bom e com sentido?
Será que não o faço para mim, para satisfazer o meu orgulho, a minha vaidade, a minha ânsia de protagonismo?

Vês, Senhor, como é bom querer reconhecer que sou nada e Tu és tudo!

É que assim, Senhor, Tu deixas que aquilo que faço aproveite a outros, sem Te importares com as minhas intenções, se elas são puras para Te servir nos outros, ou se são para me fazer, (pobre de mim pecador), melhor do que os outros.

E lembro-me de Paulo, Teu Apóstolo aos gentios, (perdoa-me a comparação, coitado de mim), que nos dizia ter um espinho cravado.
E olho para este espinho de orgulho e vaidade, cravado em mim, que me entra pelo ser adentro, e me faz questionar sempre, se o faço por Ti, pelos outros, ou apenas e só por mim.

Sim, Senhor, vivo com esse espinho, afinal por Tua graça, Senhor, porque acredito que sabes que é a melhor forma de me fazeres procurar o verdadeiro caminho para Ti … desistindo de mim, ou melhor, desistindo da minha vontade, para fazer apenas a Tua!

Obrigado, Senhor, apesar do espinho, ou mesmo pelo espinho, que me leva a querer aproximar ainda mais de Ti!

Feliz sou eu, Senhor, porque me dás luta, mas estás sempre comigo na luta que me dás!


Marinha Grande, 9 de Fevereiro de 2016
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 30 de janeiro de 2016

ABRIR O CORAÇÃO AO AMOR

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Mansamente,
cheio de amor,
Ele bate à porta da nossa vida.

Meigamente,
com a voz repassada de ternura,
Ele pergunta se pode entrar.

Franqueamos-lhe a porta,
abrimos-lhe a nossa vida,
entregamos-lhe o nosso coração.

Olhos nos olhos,
diz-nos com um sorriso humilde,
quase tímido:
Amo-te, 
por isso dei a minha vida por ti!

Já nada interessa,
(embora tudo interesse),
já não há mundo,
(embora nós o vivamos),
já não há mais ninguém,
(embora a todos queiramos ter),
porque Ele,
com o seu amor,
nos ensina a viver.

Na Cruz,
com Jesus,
encontramos a Luz,
que nos faz sonhar ...
a realidade
de a todos podermos amar.


Joaquim Mexia Alves

Marinha Grande, 30 de Janeiro de 2016
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