terça-feira, 16 de dezembro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (7)

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Joaquim, tu amas-me?

Senhor, sabes bem que eu gosto de Ti.

Joaquim, tu amas-me?

Senhor, sabes bem que eu gosto muito de Ti.

Joaquim, de verdade, tu amas-me?

Oh Senhor, Tu que tudo sabes e vês, não sabes bem que eu Te amo?

Oh Joaquim, gostar não é amar!

Pois não, Senhor, mas a verdade é que algumas vezes “apenas” gosto de Ti.

Então porquê?

Porque, Senhor, às vezes precisava de perceber melhor o caminho e Tu não mo mostras. Às vezes precisava sentir-Te mais perto de mim e Tu não me tocas. Às vezes peço-Te coisas que Tu não me dás.

Bem, Joaquim, tu acreditas que Eu te amo com amor infinito?

Sim, Senhor, acredito.

Acreditas que Eu sou omnisciente e portanto sei o que é melhor para ti e aquilo que te pode afastar do meu caminho?

Sim, Senhor, acredito.

Então, Joaquim, se acreditas que Eu te amo com amor infinito, que só Eu sei o que é bom e mau para ti, como podes duvidar de que estou a teu lado e que tudo o que faço e te dou, é para teu bem?

Mas, Senhor, eu não compreendo porque é certas coisas que me parecem boas, e assim sendo mas poderias conceder, afinal, por aquilo que me dizes, não serão boas para mim?

Lembras-te de quando eras mais novo e os teus pais te diziam para não fazeres isto ou aquilo porque depois te ias arrepender?

Sim, Senhor, lembro-me bem.

E eles não tinham razão? Não constataste isso mesmo na tua vida?

Oh sim, Senhor, ainda hoje em dia faço a mesma coisa aos meus filhos e eles não percebem e julgam que naqueles momentos não gosto deles, por não lhes dar o que me pedem.

Vês, percebes agora? Tu para mim és um filho muito querido, mas ainda uma criança que procura a verdadeira vida, a vida que Eu te quero dar. Por isso tenho que velar constantemente por ti. Um dia, quando viveres a vida que não acaba, a vida que já não precisa de fé, pois já é toda só amor, perceberás porque é que o meu amor te dava apenas o que verdadeiramente precisavas.

Obrigado, Senhor! Quero perceber melhor e amar-te mais, cada vez mais, e por causa desse amor, fazer apenas a tua vontade.


Marinha Grande, 16 de Dezembro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

“ANUNCIAÇÃO AOS PECADORES”

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Ao reflectir no Evangelho da Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, veio ao meu coração o seguinte texto, pegando na referida e tão conhecida passagem do Evangelho de São Lucas.

Estava o homem entretido na sua vida, quando apareceu um Anjo de Deus e lhe dirigiu as seguintes palavras:
Salvé, filho de Deus, o Senhor ama-te com amor infinito.

O homem ficou perturbado e questionou-se acerca do que é que ali se estava a passar.

O Anjo continuou:
O Senhor escolheu-te para seres santo, para caminhares o caminho da santidade.

O homem disse ao Anjo:
Como pode ser isso se eu sou um pecador?

O Anjo respondeu-lhe:
O Espírito Santo derramar-se-á em ti, iluminar-te-á e dar-te-á forças para caminhares o caminho da santidade.

E continuou:
Também Pedro negou três vezes o Senhor, também Madalena muito pecou, também Agostinho levou uma vida dissoluta, e no entanto são Santos, como tantos outros, para que saibas que a Deus nada é impossível, desde que o homem se deixe tocar por Ele.

O homem baixou a cabeça e disse:
Faça-se então a vontade do Senhor, e que eu saiba sempre recorrer a Ele quando me faltar o discernimento e a força para viver o caminho da santidade.



Marinha Grande, 9 de Dezembro de 2014
Joaquim Mexia Alves


Nota:

Este texto foi-me inspirado pela homilia de ontem do Padre Patrício Oliveira, Vigário da Paróquia da Marinha Grande.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

BISPO, SUCESSOR DOS APÓSTOLOS

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Neste Domingo que passou, 1º Domingo do Advento, houve celebração do Sacramento da Confirmação na minha paróquia da Marinha Grande, com uma dupla alegria para mim, pois o meu filho André foi nessa celebração Confirmado.

Mas houve algo que parecendo não ter nenhum sentido especial, me tocou profundamente, e é disso mesmo que quero dar testemunho.

Durante a procissão de entrada, olhei para o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, com a sua figura amável e acolhedora, e vi/senti pela primeira vez em Igreja, a presença de um Apóstolo, ou seja, como nos ensina a Igreja, de um sucessor dos Apóstolos.
Não por ser o “meu” Bispo, que muito estimo, mas por ser um Bispo da Igreja Católica Apostólica Romana.

Esse modo de ver/sentir deu-me uma alegria imensa, deu-me a certeza inabalável de ser Igreja de Cristo, a Igreja de que São Mateus nos fala no seu Evangelho.

Gostaria de ser capaz de descrever a paz, a imensa paz que senti nessa tão simples constatação.

Senti-me transportado àquele tempo, ou melhor, senti aquele tempo transportado àquele momento, àquela celebração, senti a Igreja num todo, passado, presente e futuro, em Jesus Cristo, o único Pastor e Redentor, com os seus Apóstolos.

De vez em quando, Deus dá-nos/dá-me estas consolações, estas graças, estes sinais, como que a dizer-nos/dizer-me, como disse a Tomé: «não sejas incrédulo, mas fiel.» Jo 20, 27

Talvez aqueles a quem distribuí a comunhão, (como ministro extraordinário da comunhão), tenham percebido em mim uma alegria que não consegui conter, pois mesmo sem espelho à minha frente, eu senti que um sorriso sincero, aberto e cheio de paz, se fazia presente na minha cara.

Glória ao Senhor, que tanto ama o pecador!


Marinha Grande, 4 de Dezembro de 2014
Joaquim Mexia Alves


Nota:

Decreto CHRISTUS DOMINUS sobre o múnus pastoral dos Bispos na Igreja

2. Nesta Igreja de Cristo, o Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, a quem o mesmo Cristo mandou que apascentasse as suas ovelhas e os seus cordeiros, está revestido, por instituição divina, de poder supremo, pleno, imediato e universal, em ordem à cura das almas. Por isso, tendo sido enviado como pastor de todos os fiéis para promover o bem comum da Igreja universal e o de cada uma das igrejas particulares, ele tem a supremacia do poder ordinário sobre todas as igrejas.

Por outro lado, porém, também os Bispos, constituídos pelo Espírito Santo, sucedem aos Apóstolos como pastores das almas, e, juntamente com o Sumo Pontífice e sob a sua autoridade, foram enviados a perpetuar a obra de Cristo, pastor eterno. Na verdade, Cristo deu aos Apóstolos e aos seus sucessores o mandato e o poder de ensinar todas as gentes, de santificar os homens na verdade e de os apascentar. Por isso, foram os Bispos constituídos, pelo Espírito Santo que lhes foi dado, verdadeiros e autênticos mestres, pontífices e pastores.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

CHAMASTE-ME, SENHOR?

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Chamaste-me, Senhor?

Pareceu-me ouvir a tua voz
vinda de dentro de mim,
da mente, do coração,
do centro do amor e da paz,
da minha vida,
do meu eu,
onde Tu estás.

Chamaste-me, Senhor?

É que ouvi um sussurro,
num fugidio momento,
um canto, uma melodia,
um suspiro,
parecia levado p’lo vento,
tão repleto de alegria,
que respondo ao chamamento.

Chamaste-me, Senhor?

É que senti no coração
um amor tão grande e puro,
que logo me apercebi,
sendo eu assim tão impuro,
que esse amor feito oração,
só podia vir de Ti.

Chamaste-me, Senhor?

Aqui estou ajoelhado,
esperando que me levantes,
assim por Ti abraçado,
cheio da tua bondade,
abrindo-me todo a Ti,
para fazer a tua vontade.

Chamaste-me, Senhor?

Aqui estou!
Enche-me do teu amor,
e envia-me,
porque por Ti, Senhor,
eu vou!



Marinha Grande, 27 de Novembro de 2014

Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (6)

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Joaquim, «desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa».

Mas, Senhor, desço de onde?

Da árvore a que subiste!

Mas eu estou com os pés na terra, não estou em cima de nenhuma árvore!

Tens a certeza? Tenho que te explicar tudo? Não queres pensar um pouco?

Bem, Senhor, eu acho que já não preciso subir à árvore para Te ver. Já Te vejo bem na minha vida.

Pois Eu digo-te que estás em cima de uma árvore e assim não Me podes ver, como Eu gostaria que me visses.

Bem, Senhor, pões-me a pensar de que cimo de árvore Te verei eu.

Então pensa bem, (com a ajuda do Espírito Santo que te dou), e depois «desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.»

É verdade, Senhor, afinal estou em cima de uma árvore e não Te consigo ver bem! Está a imagem um pouco desfocada, não consigo alcançar todo o teu amor, toda a tua vontade.

Então e porquê, Joaquim?

Oh, Senhor, porque estes ramos me tapam a vista, aliás, percebo agora que esta ramagem me prende e não me deixa descer ao teu encontro.

Olha bem para esses ramos, analisa-os, e depois perceberás o que precisas fazer para deles te libertares.

Reconheço agora, Senhor, um ramo de orgulho, ali ao lado um outro ramo de vaidade, ainda outro de autoconvencimento, mais um de ânsia de protagonismo, ai, Senhor, e um ramo de crítica e maldizer que me agarra com tanta força que não me deixa mover.

Percebes agora em que árvore te encontras, que não te deixa ver-me como Eu quero que me vejas, e não te deixa descer ao meu encontro?

Percebo, Senhor, percebo! E agora, como faço para me libertar desta árvore em que me encontro?

Dar-te-ei o que precisas: Toma o meu amor, para que ames sem orgulho, toma a minha simplicidade, para que te sintas igual aos outros, toma o meu discernimento, para que saibas que tudo o que tens te vem de mim, toma a bacia em que lavei os pés dos meus Apóstolos, e serve-te dela para servires os outros, toma a minha humildade, para que vejas em ti primeiro todos os defeitos e ao rezares por eles, rezes também pelos dos outros.

Oh, Senhor, começam a desprender-se os ramos deixando-me descer da árvore para ir ao teu encontro! Mas alguns ainda vêm muito agarrados a mim.

Não te preocupes! «Desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa», e se nela me deixares fazer morada, todos esses ramos serão queimados no fogo que arde sem consumir.

Obrigado, Senhor, obrigado. Que a minha vida seja a tua morada para sempre.


Marinha Grande, 18 de Novembro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (5)

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«Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?» *

«Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.» **

Mas, Senhor, Tu sabes que depois de todos aqueles problemas porque passei, fiquei praticamente sem nada! E sabes também que de algum modo ainda tento dar alguma coisa do pouco que me ficou e vou conseguindo ganhar, que, reconheço, é apesar de tudo bem mais do que o que muitos têm!

Eu sei que tu já não tens esses bens, que também já não tens essa tal posição social que esses bens te davam, que vives com o que tens e que ainda partilhas alguma coisa daquilo que possuis, mas meu filho, continuas agarrado ao que tiveste, de tal modo que colocas em tudo isso, numa qualquer possibilidade da recuperação de tudo o que possuíste, a tua felicidade no futuro!

Mas, Senhor, é errado sonhar com voltar a ter aquilo que já tive?

Não, meu filho, não é errado! Mas ganhas alguma coisa em sonhar assim? Afinal em que acreditas tu? Acreditas que são os bens do mundo que te levam à felicidade, à vida eterna, ou que esse caminho é seguires-me com a vida que Eu te dou - agora - e encho do meu amor, aceitando o teu dia-a-dia no trabalho que coloco nas tuas mãos?

Mas sabes, Senhor, por vezes tenho medo do futuro, tenho medo de ficar sem o pouco que ainda tenho, tenho medo de não saber como fazer, de não saber como viver!

Alguma vez te faltei? Alguma vez te faltei naquilo que é realmente importante na tua vida? Alguma vez não me sentiste ao teu lado? Até mesmo naqueles momentos de secura, não acreditaste sempre que Eu estava ali contigo, embora não Me sentisses?

Não, Senhor, sempre acreditei que estavas comigo em todos os momentos, embora por vezes me sentisse só!

Lembras-te quando tudo aconteceu, como sentiste o teu mundo desmoronar-se? Lembras-te como Me procuraste em cada momento, em cada palavra, em cada sinal, em cada celebração? Lembras-te que Me procuravas, mais procurando o meu amor para alcançares a paz, a aceitação de tudo, do que para pedires o retrocesso do que tinha acontecido? Naquela altura querias sentir apenas o meu amor, a minha presença junto de ti. Porque é que agora não te chega o meu amor?

É que tenho medo, Senhor! Ou será orgulho e vaidade? Ou será tudo misturado? Parece-me que aquilo que tinha era meu por direito, que fazia parte tão importante da minha vida que me é impossível separar-me de tudo, nem que seja mesmo só sonhando!

Não vês, meu filho, que todos aqueles bens são perecíveis, são efémeros? Não percebes que te entregas agora muito mais a Mim do que naquele tempo? Podes por acaso comprar nem que seja um pouco da vida eterna com aqueles bens? O que te falta? Falta-te amor? Falta-te a família? Faltam-te amigos verdadeiros? Falta-te algo verdadeiramente imprescindível na tua vida? Não me tens a Mim sempre junto de ti e entregando-me a ti e por ti na Eucaristia?

Vai, repousa no meu amor, confia em Mim, recorda o teu passado como algo de muito bom que te dei, mas confia agora apenas no futuro que em ti coloco, em tudo o que te dou, e … «depois, vem e segue-me.»

  *Mc 10,17
** Mc 10, 21


Marinha Grande, 13 de Novembro de 2014
Joaquim Mexia Alves


“Remeditado” e reescrito com base num texto de 2012
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

«O SENHOR PRECISA DELE»

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«E se alguém vos perguntar: 'Porque o soltais?', respondereis assim: 'O Senhor precisa dele.'» Lc 19,31

Jesus ensinava os dois discípulos a quem tinha enviado a buscar o jumentinho em que havia de montar, para entrar em Jerusalém.

Ao ler este versículo veio-me ao coração um pensamento que me fez sorrir.

Lembrei-me do Padre José Lapa, do Padre António Fernandes e de tantos outros que me reconduziram a Deus e à Igreja.

A minha imaginação levou-me a “ver” as forças do mal a perguntarem a todos esses que tanto me ajudaram: «Porque o soltais?» «Porque lhe dais razões, motivos, forças, para ele se libertar das cadeias do pecado, das correntes dos vícios, das amarras do mundo?»

E eles sem dúvida convictos terão também respondido: «O Senhor precisa dele.»

«Levaram-no a Jesus e, deitando as capas sobre o jumentinho, ajudaram Jesus a montar.» Lc 19,35

Se a primeira parte deste versículo, «levaram-no a Jesus», é verdadeira na minha história, já a segunda não corresponde ao que aconteceu.

O que aconteceu foi que me ajudaram a retirar as capas que estavam sobre mim, capas do mundo que não me deixavam ser livre, livre para seguir Jesus, para deixar que Ele “montasse” na minha vida.
Livre dessas capas, Jesus pode então servir-se de mim.

Quisera eu ser esse jumentinho dócil que levou Jesus em Jerusalém, mas infelizmente sou um jumento teimoso, que por vezes dá tais pinotes, que faço Jesus cair da minha vida.

Mas depois arrependo-me e grito: «Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor!»

Ele monta novamente, e alegremente pede-me que O leve a todo o lado onde eu for.
E eu assim tento fazer.

A Ele toda a honra, toda a glória e todo o louvor!


Marinha Grande, 5 de Novembro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (4)

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Levanto-me de manhã, olho para o espelho e vejo o cabelo todo revolto, os olhos ainda meio fechados, a cara por lavar e tudo o mais que acontece em cada manhã.
Tomo banho, lavo os dentes, penteio o cabelo, olho para o espelho e julgo que já estou apresentável.
Ergo os olhos ao Céu para agradecer, e lembro-me do meu interior.

Ó Senhor, digo então num pequeno diálogo, precisava de um espelho onde visse o meu interior, para dele também cuidar cada manhã.

A resposta vem de imediato:
Mas Eu dei-te um espelho, inquebrável e imutável, onde podes sempre aferir o teu interior.

Qual, Senhor?
Respondo eu admirado.

A minha Palavra, meu filho, a minha Palavra!
Só tens de abrir o Livro, ler com o coração o que te digo em tantas passagens, e reparares se nesse “espelho” da minha Palavra, está reflectido o teu interior.
Se o teu interior não corresponde à imagem que o Livro te devolve, então meu filho, precisas de lavar a alma, purificar o coração e “pentear” os teus pensamentos, até que o teu interior coincida o mais possível com a reflexão que te dá o “espelho” da minha Palavra.

Obrigado, Senhor, Tu nunca me faltas com o teu amor.

Vai, meu filho, e lembra-te que só com o teu interior reflectido no “espelho” da minha Palavra, poderás viver cada dia braço dado com o meu amor.


Marinha Grande, 30 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

«DOU-VOS A MINHA PAZ»

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Confesso que estou cansado! Mais do que cansado, estou farto!
Um Cardeal, um Bispo, o próprio Papa não podem emitir uma opinião, que não venha logo alguém, escalpelizar, interpretar, retorcer e distorcer a seu belo prazer o que o senhor em questão possa ter dito.

E depois as “notícias”, (conforme o que lhes interessa), lá vão rotulando e adjectivando os intervenientes, como progressistas, conservadores, tradicionalistas, liberais, procurando argumentar da veracidade da opinião de cada um, com coisas tão “palpáveis” e “verdadeiras” como: “muito próximo do Papa Francisco”, “colaborador de Bento XVI”, “teólogo mais importante”, “teólogo mais profundo”, “profundo conhecedor dos Evangelhos”, etc., etc.
E paulatinamente vai-se instalando a zizânia, a divisão, vão-se extremando campos, vão-se “comprando” guerras doutrinais, pastorais, etc., e a oração, (a meu ver), vai ficando cada vez mais para trás.

E então veio ao meu coração este versículo do Evangelho de São João: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.» Jo 14, 27
Não andaremos nós à procura da paz do mundo?
Ou seja, não andaremos nós à procura de satisfazer o mundo em detrimento do que Jesus nos ensinou?

Nesse mesmo capítulo também Jesus nos diz: «Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos» Jo 14, 15 e ainda «o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece» Jo 14, 17
Mas andaremos nós à procura de cumprir os mandamentos, ou apenas à procura de fazer as nossas vontades e aquilo que achamos melhor para o mundo?

Curioso que este capítulo termina da seguinte forma: «Já não falarei muito convosco, pois está a chegar o dominador deste mundo; ele nada pode contra mim, mas o mundo tem de saber que Eu amo o Pai e actuo como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui!» Jo 14, 30-31

Cada vez mais … me interessam menos as notícias sobre a Igreja, o Sínodo, etc., veiculadas pela comunicação social em geral.

Cada vez mais … me interessa mais amar e rezar, rezar e amar, amar rezando e rezar amando!


Marinha Grande, 22 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 11 de outubro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (3)

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Agora vai e não voltes a pecar.

Mas, Senhor, sabes que eu sou pecador! Como queres que eu não volte a pecar?

Meu filho, conheço-te melhor do que tu te conheces. Eu sei que vais voltar a pecar, mas o que Eu te peço é que te comprometas a resistir ao pecado até ao limite das tuas capacidades.

Mas, Senhor, eu sou tão fraco!

Alguma vez te abandonei? Sozinho não terás forças, mas comigo podes resistir ao pecado.

Mas às vezes parece que não estás ali, a meu lado, a dar-me a mão.

Não será antes tu que me afastas, que olhas para o lado para não me veres? Não estou Eu sempre de mão estendida para ti, como estendi a Pedro quando ele se afundava no mar da Galileia?

Tens razão, Senhor! Desculpa, mas às vezes o pecado é tão “bom”!

Ah, sim, compreendo-te! Mas repara que é bom naquele exacto momento. Depois não te deixa incomodado, dividido, quase irritado por teres caído nele? E ficas triste e por vezes desanimado, por teres caído mais uma vez.

É verdade, Senhor! São tantas vezes que caio, que por vezes me apetece desistir, quase convicto de que nunca serei capaz de resistir.

Acreditas em Mim, no meu amor? Então acredita, meu filho, que o meu amor é muito maior do que o teu pecado e de todas as vezes que nele caias.
Acredita que cada vez que estendes a mão para mim, ansiando pelo meu perdão, Eu levanto-te das ondas alterosas do mar, aperto-te junto ao peito e digo-te: Amo-te com amor eterno. «Ninguém te condenou? Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» Jo 8, 10-11



Marinha Grande, 10 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 7 de outubro de 2014

SÍNODO EXTRAORDINÁRIO SOBRE A FAMÍLIA

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Ganhei este hábito de tentar todas as semanas colocar um texto neste espaço da net.
Desde ontem que tento encontrar inspiração para escrever e … nada!
Apenas me vem à mente e ao coração o Sínodo Extraordinário sobre a Família, que está a decorrer no Vaticano. E tem toda a razão de ser!

Este Sínodo é de uma imensa importância, dada a situação em que hoje em dia vive a família, em todos os campos, mas sobretudo na sua desagregação, (muitas vezes provocada por leis civis iníquas), que em vez de a protegerem como a célula mais importante da sociedade, a fragmentam e destroem.

É necessária também a reflexão profunda sobre o Sacramento do Matrimónio, em que para além de tanto para analisar, é, quanto a mim, imprescindível perceber o que fazer para dar aos católicos a verdadeira noção do que é o Sacramento, (desde a mais tenra idade), por forma a que o mesmo não seja visto e celebrado como uma mera tradição “popular” ou uma festa mais “bonita”.
Que aqueles que querem celebrar o Matrimónio saibam claramente o que é o Sacramento e o que a Igreja quer que assumam ao celebrarem as suas núpcias na Igreja.

Para além de todas e tantas vertentes que hoje em dia tocam a família há também a problemática sobre os divorciados e recasados e o seu acesso aos sacramentos.
Sobre isso não me pronuncio e espero pacientemente por aquilo que a Igreja nos há-de dizer, sabendo de antemão que o meu coração aceitará de bom grado tudo o que for decidido.

No pouco que posso fazer, ou que todos podemos fazer, está com certeza a oração por este Sínodo, pedindo que o Espírito Santo ilumine os homens, para que façam a vontade de Deus.
Pedindo a intercessão de Maria, esposa e Mãe, e de José, seu esposo, Pai adoptivo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
E para isso, nada haverá melhor que todos os dias, de manhã ao acordar e de noite ao deitar, rezar a oração que o Papa Francisco compôs para este Sínodo.

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA PELO SÍNODO

Jesus, Maria e José
em vós nós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, a vós dirigimo-nos com confiança.

Sagrada Família de Nazaré,
faz também das nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
nunca mais nas famílias se vivam experiências de violência, fechamento e divisão: quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado receba depressa consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
o próximo Sínodo dos Bispos possa despertar de novo em todos a consciência da índole sagrada e inviolável da família, a sua beleza no desígnio de Deus.

Jesus, Maria e José
escutai, atendei a nossa súplica.


Marinha Grande, 7 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves


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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (2)

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Segue-me!

Como, Senhor?

Deixa tudo e segue-me!

Ó Senhor, mas então e a família, a casa, os bens e tantas outras coisas.

Repito, deixa tudo e segue-me!

Queres mesmo que deixe tudo para Te seguir?

Sim, tens que deixar tudo para me seguires.

És duro, Senhor, com aqueles que Te amam.

Ora pensa lá bem, com o coração iluminado pela fé o que é que Eu quero quando te digo, segue-me?

Ah, Senhor, de coração livre! Enformado primeiro pelo teu amor, para poder amar os outros, a família, os que colocares no meu caminho. Para poder fazer uso das coisas que me deste com amor, sobretudo amor aos outros.

Vês, como percebeste! Vá, agora deixa tudo e segue-me!



Marinha Grande, 2 de Outubro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 23 de setembro de 2014

A JUSTA RETRIBUIÇÃO DE DEUS

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The Parable of the Laborers in the Vineyard. 1637 - Rembrandt






O Evangelho deste Domingo fez-me pensar na justa retribuição de Deus.

Em termos humanos, a justa retribuição tem a ver, sem dúvida, com o desempenho de cada um.
Obviamente, para nós homens, não é justo que alguém que trabalha menos, ganhe tanto como aquele que trabalha mais.
Mas a retribuição dos homens aos homens é sempre limitada, e por isso mesmo, tem graduações, pode e deve medir-se, tem “tamanho”, tem “valor” calculado, enfim é ajustada àquilo que foi feito.

A retribuição de Deus não tem limites.
Como poderia ter, se Ele se deu inteiramente por todos os homens?
Poderá Deus amar mais um homem do que outro?
E se pudesse, porque seria? Porque um homem se “porta melhor” do que outro? Mas Ele até nos disse que veio para os pecadores!
O amor de Deus não tem graduações: Deus ama, ponto final!
E como ama, porque é amor, tanto ama aquele que O segue, como aquele que O rejeita.
A sua “retribuição” é sempre o amor, e, por isso, o amor é igual tanto para aquele que “trabalhou” mais, como para aquele que “trabalhou” menos, como nos conta a parábola.

Qual é a “retribuição” final de Deus, se não a vida eterna, na eternidade do gozo de Deus?
E pode-se viver na eternidade do gozo de Deus, só um “bocadinho”, ou menos, ou mais do que qualquer outro que vive eternamente o gozo de Deus?
Claro que não!

Humanamente quase nos parece injusto que aquele que viveu sempre para Deus e com Deus, viva a mesma retribuição, (a eternidade do gozo de Deus), exactamente como aquele que viveu uma vida inteira afastada de Deus, até O descobrir no fim dessa mesma vida.

E é esse pensamento humanamente frágil, que nos leva, por vezes, a criticar os outros que “agora” chegam a Deus, agora chegam à Igreja, e nos leva a apontá-los, e a considerarmo-nos, por vezes, mais merecedores do que eles.

E quando assim pensamos, e quando assim fazemos, (e arrisco a dizer que nalgum momento todos já assim procedemos), então é porque ainda não entendemos a parábola da “retribuição aos trabalhadores da vinha”, então é porque ainda não nos deixamos envolver totalmente na infinitude do amor de Deus.

Um dia, no gozo de Deus, perceberemos então como a retribuição de Deus, o seu Amor, é afinal a retribuição mais justa e perfeita de todas.



Marinha Grande, 23 de Setembro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

CARTA À MÃE DO CÉU NO SEU ANIVERSÁRIO

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Minha querida Mãe do Céu

Deixa-me confessar-te que nem sempre te amei como Mãe.

Sabes Mãe, por vezes era tanta a insistência em impelirem-me para te amar, que humanamente me defendia para dar mais amor ao teu Filho.

E no fundo Mãe, é apenas e só isso tu queres, não é Mãe?
Mas como amar o Filho e não amar a Mãe que O gerou?

Que difícil é esta relação Mãe!
Pelo menos para mim, querida Mãe!

Olho para ti e vejo-te assim, humilde, silenciosa, cheia de graça e guardando no coração, não só o que o teu bendito Filho faz, mas tudo o que os teus filhos, aqui na terra vão fazendo, uns amando o teu Filho e n’Ele amando os outros, outros rejeitando-O, e ao rejeitá-lO, rejeitando os outros.

Sabes, Mãe, não sei o que é mais fácil, se é o amor que desponta no coração e é existência permanente, se é o amor de quem quer amar, exigindo-se, porque a vida tem sentido nesse amor?

Debato-me com o coração, que é todo do teu Filho, e é Ele mesmo que me diz, baixinho ao meu ouvido: Ama a minha Mãe, porque se a amas, ela toda se faz Mãe para ti, para te trazer a mim!

Oh, como eu queria, como tantos santos, ter esse amor acrisolado, rendido, inquestionável, por ti, Mãe!
E, no entanto, como me é tão difícil entender que tantos te amem tanto, e não queiram ver e amar ainda mais o teu Filho.

Eu sei, Mãe, que não é isso que tu queres, eu sei Mãe que tu apenas apontas ao teu Filho, ao Salvador, mas que queres Mãe, humanamente não consigo distanciar-me, e custa-me não conseguir atingir todo o amor que te devo ter, para amar ainda mais o teu Filho.

Ai, querida Mãe, que escrita tão confusa que agora aqui escrevo. Mas acredito que o teu Filho, e tu também, Mãe, percebem tudo o que me vai no coração, tudo o que me vai na alma.

Minha querida Mãe, parabéns!
Parabéns pelo teu aniversário, e peço-te Mãe, (que como todas as mães sabes ler o coração dos filhos), encontra no meu coração o amor imenso que tenho por ti, e diz ao teu Filho que o amo mais do que à sua Mãe, porque só amando-O assim, te posso amar Mãe.

Do teu filho pobre, confundido por vezes, fraco, mas teu filho, porque irmão do teu Filho Jesus

Joaquim


Natividade da Virgem Santa Maria
Marinha Grande, 8 de Setembro de 2014 
Joaquim Mexia Alves
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