segunda-feira, 14 de setembro de 2020

PERDOAR E PEDIR PERDÃO

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Durante o fim de semana reflectimos e falámos, em Igreja, sobre o perdão e o perdoar a quem nos ofende.

Fiquei a pensar nisso mesmo e percebi que falamos muito sobre perdoar quem nos ofende, (e ainda bem, graças a Deus), mas pouco falamos de pedir perdão a quem nós ofendemos, excepto quando nos referimos ao sacramento da Reconciliação e, claro, nesse caso é para pedir perdão a Deus pelas nossas ofensas.

 

Perguntei-me o que seria mais difícil: Perdoar ou pedir perdão?

 

Assim de repente, para o meu orgulho, pareceu-me que será bem mais difícil pedir perdão do que perdoar.

É que no fundo, e com toda a simplicidade, pedir perdão é reconhecer que errei, que ofendi o outro, enquanto perdoar é, digamos assim, reconhecer, sentir a falta do outro e perdoá-la.

Ora reconhecer os nossos erros, parece-me bem mais difícil do que reconhecer os erros dos outros, por isso também nesta semana ouvimos que «temos de tirar primeiro a trave dos nossos olhos antes de querermos tirar o argueiro dos olhos dos outros».

 

E isso é tão verdade, simplesmente falando, que nós tentamos sempre arranjar desculpas para as nossas faltas, as nossas ofensas, mas raramente procuramos desculpas para as faltas dos outros em relação a nós.

E curiosamente, essas desculpas que tentamos arranjar para as nossas faltas, acabam por implicar sempre o outro, ou seja, o querer transformar o outro no “culpado” da nossa ofensa: Se ele não tivesse feito assim, eu não tinha feito aquilo!!!

Faz lembrar a história do sacerdote que dizia a alguém que se confessava a ele: Bem, agora que já me contou os pecados dos outros, reconheça lá os seus!!!

 

Pedir perdão é um “baixar a cabeça”, não como humilhação, mas como acto de humildade, como um acto de reconhecimento que fomos fracos e ofendemos, (ofender alguém é sempre, para mim, um acto de fraqueza da nossa parte), sem tentar arranjar desculpas para a nossa falta.

 

Mas, curiosamente, perdoar é também um “baixar a cabeça”, um acto de humildade, pois colocamo-nos ao “nível” de quem nos ofendeu, deixando o nosso orgulho de lado.

E perdoar é sempre um acto de fortaleza, sobretudo nos dias de hoje em que se confunde perdoar com fraqueza perante os outros que nos ofenderam.

 

Talvez seja confuso o que escrevo, (até porque não consigo exprimir escrevendo o que sinto), mas isso não me/nos deve impedir de reflectir que muitas vezes não reconhecemos as nossas faltas, desvalorizamo-las e por isso mesmo não pedimos perdão por elas, sobretudo aquelas que nos parecem mais pequenas, “sem importância”.

Ora, penso eu, há-de ser muito difícil perdoar verdadeiramente se não somos capazes de pedir perdão, porque ao longo das nossas vidas somos muitas vezes ofendidos, mas também ofendemos muitas vezes.

 

É preciso, sobretudo, passar das palavras aos actos, ou seja, procurar no nosso íntimo a quem devemos perdoar e procurar quem ofendemos para pedir perdão pelas nossas ofensas.

Só assim, arrisco a escrever, o perdão será completo.

 

E depois pedir perdão a Deus e confiar que Ele nos dará sempre forças, (se quisermos ser sinceros no coração), para perdoar e pedir perdão.

 

 

Festa da Exaltação da Santa Cruz

Marinha Grande, 14 de Setembro de 2020

Joaquim Mexia Alves 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

SENSAÇÃO

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Há dias assim em que acordamos com a sensação de que algo não vai correr bem.

São dias em que parece que nem sequer me atrevo a pedir a Jesus para ir ter com Ele sobre as águas, porque tenho já aquela sensação de que me vou afundar.

E depois a sensação perdura, vai tomando conta de nós, e acaba por transformar um dia que seria normal, num dia sem sentido, sem alegria, sem vida verdadeira.

 

Calmamente invoco o Espírito Santo, tento entregar-me a Ele, deixo que Ele me vá aquietando e me fale ao coração, até ouvir o sussurro de Deus: Porque temes homem de pouca fé? Alguma vez te faltei? Vá, acredita e vem ter comigo sobre as águas das tuas inquietações.

 

Fecho os olhos, coloco-me em pé sobre as águas e digo uma velha e rotineira frase mas que agora tem todo o sentido: Seja o que Deus quiser!

 

E vou, primeiro devagar, depois a correr, depois afundo-me, depois a mão d’Ele levanta-me e eu continuo a correr, a andar, semeando a alegria com algumas lágrimas, plantando no meio do bem estar algumas dores, tentando sempre fazer mais o bem do que o mal, e repetindo sempre para mim: Homem de pouca fé!

 

E Ele ri-se e eu rio-me com Ele!

 

De mãos dadas atravessamos campos de flores e desertos de areia, caminhamos sobre o mar calmo e sobre a tempestade alterosa, banhamo-nos na chuva e secamo-nos ao sol, sentimos a brisa suave e suportamos o vento ciclónico, e por fim Ele pergunta-me: Onde está a sensação que sentias hoje de manhã?

 

E eu respondo-lhe com as lágrimas da maior ternura que eu possa ter: Está contigo, Senhor! Ficaste com ela quando Te entreguei o dia que me deste!

 

 

Monte Real, 2 de Setembro de 2020

Joaquim Mexia Alves

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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

PANDEMIA

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Entro na igreja, devagar, sem medo, embora o silêncio seja total.

Ponho um joelho em terra e digo cheio de esperança: Bom dia, meu Deus!

 

Dou mais uns passos, subo a coxia lateral, e encontro-me em frente do Sacrário onde pergunto a meia voz: Estás aí, Senhor?

Olho para o lado, vejo a luz acesa e percebo que a minha pergunta foi escusada.

 

Ajoelho-me e benzo-me em nome do Pai que me criou, do Filho que me salvou e do Espírito Santo que me há-de santificar … se eu deixar!!!!

 

Olhamo-nos, sorrimo-nos e pergunto-me interiormente se Lhe poderei dar um beijo apesar da pandemia.

Ele ri-se ao pensar nisso e faz-me rir a mim também!

 

Diz-me então com a sua voz ternurenta: Vem, podes vir beijar-me, que a única pandemia que Eu te posso passar é o amor!

 

Corro para Ele e digo-Lhe cheio de alegria: Ah, Senhor, essa pandemia eu quero!

 

Responde-me Ele abrindo os braços para mim: Esta pandemia só se “cura” contaminando toda a gente!

Deita fora as tuas máscaras, sejam elas quais forem, abre o teu coração, prepara o teu sorriso, deixa que o Espírito Santo te ensine palavras e, depois … depois contamina todos os que encontrares e se quiserem deixar contaminar.

 

Feliz, respondo-Lhe: Sinto-me “doente”, Senhor, da Tua pandemia. Oxalá muitos se deixem contaminar!!!!!

 

 

Marinha Grande, 12 de Agosto de 2020

Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

BRINCAR SOBRE AS ÁGUAS DA FÉ

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Chamas-me de longe e eu salto do barco e fico de pé na água!

Parece que já nada me espanta quando estou contigo!!!

Dou saltos, cambalhotas, corro para Ti, parecendo uma criança que encontrou a plena felicidade!

Nada, nem um bocadinho de mim se afunda naquelas águas calmas em que ao longe, de pé, me esperas de braços abertos.

 

Surge uma pequena onda, quase nada, apenas uma “ruga” na água calma, mas eu hesito e começo a sentir os pés a afundarem-se na água.

Faço um esforço, olho ao longe e vejo-Te perto e redobra a confiança e continuo a minha caminhada sobre a água, alegre e feliz à procura dos Teus braços.

 

Levanta-se o vento, as ondas tomam tamanho e eu já não consigo vencer o medo!

Começo a afundar-me!

 

O meu coração grita-me bem alto: Confia, acredita, vais ver que consegues andar sobre as ondas. Ele espera-te!

 

Mas a cabeça deixa-se levar pelos pensamentos da minha vontade e diz-me com voz forte: Não vês que Ele está longe? Como queres tu chegar perto d’Ele sobre a água? Se Ele quiser, Ele que venha ter contigo!

 

Afundo-me!

A água já me dá pelo peito!

Ainda rezo, mas sem convicção, quase por rotina, e sinto já a água no meu pescoço, pronta para me engolir num todo.

 

Num derradeiro esforço, olho-Te nos olhos que sorriem para mim, estendo a minha mão e grito: Senhor, salva-me!

 

Estendes a Tua mão, agarras a minha, puxas-me para Ti e junto comigo, como crianças, corremos, damos saltos e cambalhotas sobre as águas, sobre as ondas e Tu abraças-me e dizes-me ao ouvido, repassado de amor: Homem de pouca fé!

 

E eu envergonhado, mas feliz respondo: É verdade, Senhor, Tu nunca nos faltas mesmo nas ondas mais alterosas. Obrigado, Senhor!

 

 

Marinha Grande, 3 de Agosto de 2020

Joaquim Mexia Alves


domingo, 2 de agosto de 2020

«À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS»

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«Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança”. Deus criou o homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 26-27).

 

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas, (correndo o risco de cometer alguma heresia), reflicto que esta não é uma verdade “final”, ou seja, que o homem para ser à imagem e semelhança de Deus tem de continuar um caminho que cada vez mais o aproxime dessa imagem e dessa semelhança.

 

Quando nascemos somos, mais ou menos, parecidos com o pai ou com a mãe, mas isso não significa que iremos ser suas imagens ou suas semelhanças, não só fisicamente, como, sobretudo, em feitio, em modo de vida, em valores, etc.

Sim somos dotados da inteligência e liberdade que definem “grosso modo” essa nossa imagem e semelhança com Deus, mas essa imagem e semelhança seriam incompletas se não quiséssemos imitar, ou melhor, perseguir a “perfeição” de Deus ao longo das nossas vidas, para assim sermos verdadeiramente Sua imagem e semelhança.

 

«Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.» Mt 5, 48

 

Nós não podemos “melhorar” a imagem e semelhança de Deus, mas podemos melhorar-nos para sermos cada vez mais essa imagem e essa semelhança de Deus e com Deus.

 

De que me serve ser criado à imagem e semelhança de Deus, se não transmito aos outros, se não dou testemunho aos outros dessa imagem e semelhança?

Como posso ser livre, se não considerar a liberdade dos outros, por exemplo?

Como posso amar, se não considerar primeiro o amor de Deus em mim?

Como posso ser semelhante a Deus, se não servir, como Cristo serviu totalmente?

 

Ser criado à imagem e semelhança de Deus é uma verdade absoluta, mas só se completa. (quanto a mim, claro), quando eu tento ao longo da minha vida ser essa imagem e essa semelhança, ou seja, fazer a vontade de Deus, como Cristo fez a vontade do Pai.

 

Com todo este “arrazoado” de palavras reflectidas e escritas, quero no fundo dizer, (sobretudo para mim próprio), que eu não sou criado à imagem e semelhança de Deus, que eu não sou cristão católico, e “prontos”, está resolvido!

 

Quero dizer que sim, que fui criado à imagem e semelhança de Deus, mas que essa imagem e essa semelhança têm que ser vividas todos os dias, nas minhas palavras, nas minhas atitudes, no meu testemunho, em tudo e com todos na minha vida todos os dias.

 

Só assim poderei dizer verdadeiramente que fui criado à imagem e semelhança de Deus.

 

Glória a Ti, meu Deus e Senhor!

 

 

Marinha Grande, 2 de Agosto de 2020

Joaquim Mexia Alves


segunda-feira, 27 de julho de 2020

FALTA DE INSPIRAÇÃO


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Como é possível não ter inspiração para escrever sobre Ti?

Debato-me perante a folha vazia de palavras escritas e apenas me surge a frase: Deus é bom!

Penso então em tantas coisas boas da vida e chego sempre à mesma conclusão: São efémeras!
Deixam saudades, (algumas até doem), boas lembranças, sorrisos de recordação, mas no fundo todas, mais tarde ou mais cedo, acabaram.

Deus é bom!

Mesmo quando, sem percebermos porquê, acontecem coisas más, Deus não deixa de ser bom e de trazer bondade às nossas vidas.
Nem que essa bondade seja “apenas” um “estar aqui”!

Não desejamos nós tantas vezes em que estamos mal, ter alguém ao nosso lado, mas sem dizer nada, sem fazer nada, sem aconselhar nada?
Só Alguém faz isso perfeitamente: Deus!

Ele nem diz – estou aqui – “apenas” dá a sentir a Sua presença muitas vezes de uma forma que nem percebemos, mas nos faz sentir que não estamos sós.
Não exige falar connosco, se não falarmos com Ele, não aconselha, se não pedimos conselho, não dá a mão, se nós não lha dermos primeiro, a única coisa que continuamente tem, é o coração aberto para nós!

Ainda bem que não tinha inspiração, porque assim, mais uma vez pude ver como Deus é bom!



Marinha Grande, 27 de Julho de 2020
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 5 de julho de 2020

O AMORIMETRO!!!


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Falou-se ontem na homilia na dimensão do amor, que não se podia medir, como por exemplo, com uma fita métrica!

Claro que logo me apeteceu perguntar a Deus se Ele media o amor e como o media, se havia algo para o medir.
Para meu espanto respondeu-me logo que sim!!!

Então, perguntei eu, mas é um aparelho ou qualquer coisa assim?
Ele divertido respondeu: É o amorimetro!

Bem, pedi eu, explica-me lá, se fazes favor, meu Senhor e meu Deus, se tem uma unidade de medida.
Claro, respondeu Ele, é a intenção do coração!

E a conversa continuou:
Mas tem uma escala?
Não, meu filho, é um contínuo!

Como é isso, perguntei?
Se a intenção do teu coração é amares sem reservas a todos, então entras no contínuo da escala e vais preenchendo o amorimetro!

Oh, Senhor, responde-me depressa, eu já estou considerado no amorimetro?

Olhou para mim, riu-se e disse:
Se tentas amar a todos, amigos e inimigos, como Eu vos amo, então meu filho, já estás decididamente na escala do meu amorimetro!!!!

Complicado, confuso, não: É "apenas" amar como Ele nos ama!



Marinha Grande, 4 de Julho de 2020
Joaquim Mexia Alves

NOTA: Escrito “à conta” da homilia do Pe Rui Ruivo, Vigário Paroquial da Marinha Grande
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quinta-feira, 25 de junho de 2020

CONVERSANDO EM CONFUSÃO


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Fecho os olhos por um pouco.
Estou cansado, Senhor, não fisicamente, mas desta falta de liberdade de não poder ir onde quiser e estar com quem quiser.

Senhor, não vou perguntar porquê, porque confio em Ti e acredito que mesmo daquilo que é mau, Tu retiras sempre um bem.
Podia aproveitar para rezar um pouco mais, mas a inércia toma conta de mim e deixo-me arrastar numas Avé Marias, nuns Pai Nossos, e numa rotina paralisante.

Preciso falar conTigo, assim, olhos nos olhos, contando-Te a minha vida, o que penso, o que gostaria, se calhar até o  meu almoço ou jantar, sei lá, falar e escutar no coração o Teu riso suave dizer-me com o Teu humor, que também Tu estás “confinado” desde o inicio a amar-nos com amor eterno.

Tu sabes, Senhor, que isto são desabafos, momentos em que quero exigir de mim, o estar contigo sempre, já que Tu, sei-o bem, nunca falhas ao nosso lado.

No fundo o que eu Te quero dizer é que Te amo com todo o meu ser, mas queria dizê-lo com mais palavras, com mais expressões, com mais entrega.

Tu bem nos avisaste para não repetirmos palavras, só por repetir, mas sim que abríssemos o coração e o deixássemos fluir em amor por Ti.

Olha, Senhor, Tu sabes o que quero dizer, Tu sabes o que eu sinto, Tu sabes o que eu quero viver.

Não, agora não Te quero pedir nada a não ser sentir o Teu sorriso, sentir a Tua mão, ouvir o bater do Teu coração e deixar-me levar por Ti, pelos vales tenebrosos ou pelas planícies verdejantes, desde que eu me sinta ovelha, (com as outras ovelhas), e Tu o Pastor que me/nos conduz ao silêncio do deserto falado em que ouço a Tua voz e me deixo repousar nos Teus braços.

É uma escrita muito confusa, não é Senhor?

Mas Tu, como sempre, entendê-la-ás e lhe responderás segundo a Tua vontade.

Obrigado, Senhor, amo-Te com todo o meu ser.



Marinha Grande, 25 de Junho de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 18 de junho de 2020

FAÇA-SE LUZ!


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No meio da escuridão, ouviu-se uma voz perguntar: Queres luz?

A escuridão respondeu de imediato: Para quê? Assim não se vê nada por isso está tudo bem!

A voz retorquiu: Mas na escuridão não se pode ver o mal nem o bem!
A escuridão riu-se, e disse: Assim não há problemas. O bem está feito e o mal vai-se fazendo mas ninguém dá conta dele!

Disse a voz num tom bastante duro: Tu escuridão, para além de esconderes o mal, protegendo-o e incentivando-o, nem sequer queres que se veja o bem!

Respondeu a escuridão com um riso demoníaco: Assim, mais tarde ou mais cedo, até os que fazem o bem deixam de o fazer e o mal prevalece!!!

Foi então que a Voz num brado forte ordenou: Faça-se Luz!


Marinha Grande, 18 de Junho de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 11 de junho de 2020

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO


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Tenho fome e sede, Senhor!
Tens fome e sede de quê, meu filho?

Tenho fome e sede de paz, paz interior, tenho fome e sede de amor, amor doação, tenho fome e sede de alegria, alegria serena, tenho fome e sede de silêncio, silêncio que é a Tua voz, tenho fome e sede dos outros, dos outros que não sei amar como Tu, tenho fome e sede de mim, de mim quando estou em Ti e Tu estás em mim!

E não sabes Tu, meu filho, quem pode matar essas tuas fomes e sedes. que são também fomes e sedes do mundo?

Sei, Senhor, que Tu és o Alimento e Bebida Divinas que mata todas as fomes e sedes!

Então come a minha Carne e bebe o meu Sangue e quando o fizeres, faz-te tu também minha Carne e Meu Sangue para os outros, dando paz, doando amor, repartindo alegria, dando silêncio ouvinte aos que querem ser ouvidos, e dá aos outros tudo o que Te dou a Ti.

Se assim fizeres, meu filho, o Corpo e Sangue de Cristo serão vida em Ti e nos outros!

Obrigado, Senhor, eu não sou digno, mas Tu fazes-me digno de Ti!


Marinha Grande, 11 de Junho de 2020
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 30 de maio de 2020

UM “RECOMEÇO”


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Recomeçam hoje as Missas com a participação dos fiéis. Graças a Deus!

Embora condicionadas por força da Pandemia, vamos esperar que tudo se normalize e brevemente nos possamos juntar como sempre para celebrar o nosso Deus.
Talvez seja importante reflectir em como “afinal” a Missa é importante e como Ela nos faz falta e aproveitar para rezar por aqueles que pelo mundo fora vivem diária e seguidamente aquilo que nós agora vivemos, ou seja a ausência da Eucaristia, seja pela força das armas, seja porque razão for, de ódio ou de incompreensão.

Mas mesmo aqui entre nós, julgo que para além de muito mais será preciso fazer grande “uso” de duas grandes virtudes: A obediência e a paciência.

Sabemos que o número de presentes terá de ser limitado e que terá de haver algumas regras a serem seguidas.
Haverá equipas, (pelo menos na nossa paróquia), para ajudar e dirigir as pessoas aos seus lugares dando as indicações necessárias.

Ora é importante perceber que essas pessoas, essas irmãs e irmãos, estão a cumprir ordens e a velar por nós e não têm portanto culpa do Covid ou das condições que a Igreja determinou.
É preciso lembrarmo-nos também que a igreja/edifício é lugar sagrado onde o respeito deve ser mantido e como tal não é local de discussões nem de irritações.

Por isso, por favor, não discutamos e obedeçamos a quem está a fazer o trabalho de organização, que com o seu próprio esforço, (se não estivessem lá voluntariamente a Missa não poderia acontecer nas circunstâncias em que vivemos agora), ali dedica o seu serviço a Deus, servindo os outros.

As equipas são forçosamente pequenas, por isso é preciso “usar e abusar” da nossa paciência, (aproveitemos para rezar o terço), enquanto esperamos a nossa vez de entrar e de comungar.

A estas virtudes, obediência e paciência, é preciso juntar outra bem importante e que é a humildade, sobretudo para que não entremos logo com vontade de criticar e de dizer mal de tudo e de todos.

Lembremo-nos que o Jesus que levarmos no coração a seguir à Eucaristia é o Jesus que devemos testemunhar aos outros cá fora, ou seja, um Jesus verdadeiro que sofreu a Paixão e morreu por nós, e não um “jesus” que vai criticar e dizer mal de tudo o que se passou.

Temos ideias planos que nos parecem ser melhores do que aqueles que estão a ser executados?
Óptimo!
Vamos escrevê-los e entregá-los de modo a que cheguem aos nossos sacerdotes e equipas e assim possam reflectir na possibilidade de mudar para melhor o “sistema” que vai ser usado, mas lembremo-nos sempre, que os membros das equipas naquele momento nada podem mudar, nem têm tempo para nos ouvir.

Se devia haver Missas como antes, com toda a gente, ou isto ou aquilo, não é neste momento discussão para aqui chamada neste lugar, nem eu, respeitando a opinião dos outros, a permitirei nesta minha página.

Em vez de nos deixarmos ter ideias de “como é que isto vai correr”, rezemos antes para que tudo corra bem e que Deus seja louvado, dentro ou fora da Eucaristia.

Um Santo Domingo a todos e que Deus nos abençoe, proteja e guarde.



Marinha Grande, 30 de Maio de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 21 de maio de 2020

CONFIAR EM DEUS


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O que é confiar em Deus, quanto a mim, claro, que não sou teólogo nem coisa que se pareça?

Claro que a confiança em Deus tem que residir primeiro no acreditar firme de que Deus é Deus.

Se confio em Deus também tenho que confiar que nada Lhe é impossível.
Se confio em Deus também confio no Seu amor e que Ele me ama com o Seu amor infinito e quer sempre o meu bem.
Se confio em Deus também confio que Ele me criou em liberdade e que essa liberdade dá os frutos correspondentes às minhas escolhas pessoais.
Se confio em Deus sei obviamente que o ser humano é frágil, não só espiritualmente, como psicologicamente e fisicamente, mas confio que seja o que for que eu tenha de atravessar, Ele está comigo e acompanha-me em todos os momentos.

Mas falando da confiança em termos, digamos, simplesmente humanos, muitas vezes a minha confiança em Deus "resume-se" a acreditar que Ele me dará o que eu Lhe peço, seja saúde, seja bens materiais.

Mas então se eu confio em Deus, no Seu amor infinito por mim e que Ele só quer o meu bem, como posso eu duvidar dessa confiança se não obtiver o que peço?

Afinal quem sabe o que é melhor para mim? Eu ou Deus?

Quando somos crianças e pedimos coisas aos nossos pais, todas elas nos parecem lógicas e, no entanto, há coisas que eles nunca nos dão a pensar no nosso próprio bem!
Ora se eles o sabem, quanto mais Deus há-de saber melhor o que realmente eu necessito?

Claro que esta conversa escrita poderia não ter fim, mas para mim, e repito para mim, que não sou ninguém, a minha confiança em Deus reside no facto de Ele ser Deus, me amar com amor infinito e apenas querer o meu bem, por isso a minha confiança em Deus tem que ser ou tenta ser um Sim como o  de Maria.

Senhor, que queres de mim?
Amo-Te com todas as minhas forças por isso faça-se sempre a Tua vontade em mim, mesmo que eu não a entenda!



Marinha Grande 20 de Maio de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 13 de maio de 2020

CARTA DA MÃE DO ROSÁRIO AO SEU FILHO JESUS

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Meu querido e adorado Filho

Estavas preocupado que a Tua Mãe ficasse sozinha na Cova da Iria, (sem os filhos que lhe deste aos pés da Cruz), local onde me mandaste aparecer para avisar da oração, da penitência, do arrependimento, da reconciliação, que levam à paz, à tranquilidade, ao amor, ao perdão, e assim todos pudessem caminhar a esperança verdadeira da salvação.

Mas sabes, meu Filho, eu vi todo aquele enorme recinto vazio, “apenas” cheio de amor por Ti, e perguntei-me onde estariam todos.

Depois percebi!
Os homens não mandam em Deus, que lhes deu toda a liberdade, menos, claro, a liberdade que quererem mandar nos Teus planos.

Sabes então, meu Jesus, que percebi isso imediatamente quando vi vir para junto de mim, todos os filhos que me deste na Cruz, transformados em gotas de chuva incontáveis, que se fossem fisicamente humanos, o Santuário não conteria!

Foi a maior peregrinação de sempre, meu Filho e senti-me tão amada!

É todo esse amor que eu deposito a Teus pés, porque todo esse amor é Teu, é por Ti e para Ti.

E sabes o que cada gota de chuva me dizia aos ouvidos:
Oh Mãe, diz ao teu Filho Jesus, na unidade do Espírito Santo e no amor do Pai, que O amamos, com amor total e que Lhe damos graças pela Tua presença de Mãe junto de nós.

No fim, cantei com todos eles:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!!!


Marinha Grande 13 de maio de 2020
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 30 de abril de 2020

CAMINHOS


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O caminho,
abre-se à tua frente!

Será mesmo por ali,
perguntas tu,
vai por ele tanta gente!

Olhas em redor
e descobres outro caminho,
mais pobre,
mais difícil de seguir,
e vão tantos por ali também,
que sentes vontade de ir.

Olhas para o longe,
a ver se vês conhecidos,
uns conheces de vislumbre,
outros conheces bem,
mas lá ao fundo,
à frente do caminho,
ias jurar para ti próprio
que vês uma figura de Mãe.

Por onde vai a Mãe,
pensas tu,
vou bem com certeza!

O caminho pode ter buracos.
planícies e montanhas,
curvas e linhas rectas,
coisas de fácil transpor,
outras cheias de artimanhas,
rios e vales também,
mas se é por lá que vai a Mãe,
é por lá que vai o amor,
e se por lá vai o amor,
então,
sem dúvida,
é o caminho de
Deus Nosso Senhor.  



Marinha Grande, 30 de Abril de 2020
Joaquim Mexia Alves
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