quarta-feira, 7 de junho de 2017

DIÁLOGOS COM O DIABO (12)

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Diz ele: Estas conversas não têm sentido! Vês que dizem que eu não existo, que sou apenas um símbolo!

Digo eu: Pois, essa seria uma grande vitória para ti. A negação da tua existência.

Diz ele: Mas olha que não fui eu que o afirmei, por isso, deve ser verdade!

Digo eu: É curioso, que agora reconheces-te mentiroso! Dizes que: «Se não fui eu que o afirmei deve ser verdade». Ou seja, tu afinal só dizes mentiras!

Diz ele: Mas se eu não existo, não posso mentir!

Digo eu: Existes sim, e eu já te senti muitas vezes na minha vida, e infelizmente muitas vezes me deixei levar por ti, quase até à perdição.

Diz ele: Isso são coisas da tua imaginação! Não te preocupes e vive a tua vida segundo a tua vontade, porque afinal ninguém te tenta.

Digo eu: Tudo em ti é tentação, mentira, manipulação, erro e sobretudo, ódio. Eu é que te digo a ti que não te preocupes comigo, porque te conheço, sei do que és capaz, e a minha vontade, assim Deus me ajude, há-de ser sempre a vontade de Deus.


Marinha Grande, 7 de Junho de 2017
Joaquim Mexia Alves 
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terça-feira, 30 de maio de 2017

SANTA JOANA D’ARC

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As chamas envolvem-te
enquanto sobes ao Céu!

É tanta a dor,
causada pelas chamas que te consomem,
que Deus vem em teu auxílio,
e transforma todo esse sofrimento,
no mais profundo amor.

Abre-se nos teus lábios,
um sorriso,
porque Ele,
a quem tu te deste inteiramente,
vem ao teu encontro de braços abertos,
recebe-te,
aperta-te junto a Si,
limpa-te as feridas,
põe nas queimaduras o unguento,
que é a Sua paz,
o Seu amor,
a Sua alegria,
e pede ao Espírito Santo,
que sopre,
como delicado vento,
afastando o calor,
que te envolve no momento.

Apenas uma prece,
aflora ao teu coração,
naquele momento de dor:
“Perdoa-lhes,
Senhor,
porque não sabem o que fazem,
pois não conhecem a Tua alegria,
não conhecem o Teu amor!”



Monte Real, 30 de Maio de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 23 de maio de 2017

O QUE É UM ABRAÇO?

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Um abraço,
é um sorriso,
desenhado pelos braços,
num apertado sentir,
de um sentimento de amor,
dado ao outro,
na alegria,
ou na dor!







Monte Real, 23 de Maio de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 18 de maio de 2017

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (14)

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Senhor, porque é que de vez em quando me vem uma tristeza, um vazio, um sentir-me sem caminho, nem objectivo?

Porque, meu filho, ainda colocas a esperança da tua felicidade em muitas coisas do mundo, em muitas coisas materiais.

Mas, Senhor, é errado desejar que os trabalhos que faço, é errado desejar ter uma vida mais desafogada, ou seja, não ter preocupações materiais com o futuro?

Não, meu filho, não é errado! Errado é colocares nessas coisas a tua esperança de felicidade.

Porquê, Senhor, se Te amo e em Ti confio e espero.

Mas, meu filho, na pergunta e afirmação que fazes antes, de alguma forma negas essa confiança e essa esperança em mim, na minha vontade e poder para te dar a felicidade.

Explica-me, Senhor! Ensina o meu coração!

Repara, meu filho, que a felicidade quando é colocada nas coisas do mundo é sempre inalcançável, porque nunca te preenche tudo aquilo que consigas obter. Quererás sempre mais!
O amor, o meu amor, o amor com que te amo não tem dimensão, em tamanho, espaço ou tempo. É desde sempre e para sempre!
Se nele te deixas envolver totalmente, então toda a tua confiança, toda a tua esperança reside nesse meu amor, reside em Mim.
Alguma vez te faltei com algo que verdadeiramente necessitasses?
Em que momentos da tua vida encontraste mais felicidade, mas paz, mais certeza de sentido de vida? Junto a Mim e comigo, ou fora de Mim, no mundo?

Oh, Senhor, disso não tenho dúvidas! Foi junto a Ti e contigo!

Então, meu filho, vive o mundo e no mundo, em comunhão comigo, e então confiarás e esperarás em Mim, e os desaires, as provações, os obstáculos da vida, não só serão ultrapassados, mas serão caminho para cada vez mais Me amares, com o Meu amor amares os outros, e assim cada vez mais te sentires amado.

Obrigado, Senhor!
Realmente a felicidade, e a paz que Tu nos dás, não são como a felicidade e a paz que o mundo dá, mas sim a eternidade do amor.



Marinha Grande, 18 de Maio de 2017 
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 9 de maio de 2017

ORAÇÃO DE CONSTANTE SÚPLICA

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Senhor,
conheces-me como ninguém me conhece!
Por isso, sabes bem do meu orgulho, da minha vaidade, tantas vezes da minha ânsia de protagonismo, das minhas fraquezas, enfim.
Sabes bem, também, de como aceito tantas vezes mal as críticas, os reparos e até às vezes os conselhos.
Neste caminho em que me colocaste sinto que é chegada a hora de dar mais um passo em frente, passo que não consigo dar sozinho.
Por isso Te peço, Senhor, que o Espírito Santo me liberte verdadeiramente, e, sobretudo, me lembre de imediato a minha pequenez, e assim eu aceite, compreenda e reflicta sobre as críticas, reparos e conselhos que me vão dando em cada momento.
Esta súplica, Senhor, que agora Te faço, que não seja este momento, mas uma súplica verdadeira em cada momento da vida que Tu me dás.
Apenas e só para Te servir, servindo os outros, humildemente, em tudo a que me chamares.
Glória para sempre a Ti, Senhor meu Deus e meu Tudo!


Monte Real, 9 de Maio de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 27 de abril de 2017

NÃO É FÁCIL FAZER AS MALAS PARA A VIAGEM COM DEUS!

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É tão fácil pensar que já estamos convertidos, que de um modo geral, as “coisas” do mundo já não nos afectam facilmente, que já não nos deixamos levar com facilidade por orgulhos, vaidades ou as nossas vontades.

E de repente, perante um texto, uma publicação, uma fotografia, uma opinião, um conselho, vem ao de cima tudo aquilo que afinal andamos há tanto tempo a combater e lá nos deixamos levar, dando respostas, fazendo comentários, opinando, afinal como se fossemos os donos do mundo, ou melhor, os donos da verdade, que afinal é sempre a “nossa verdade”.

Claro que me refiro a mim próprio, quando me dou conta, sobretudo nestas redes sociais, que às vezes comento, opino, respondo com o mesmo modo de proceder que antes tinha, sem pensar, ou melhor, sem perguntar primeiro a Deus, se é mesmo essa resposta, esse comentário ou essa opinião que é de Sua vontade eu dar.

Obviamente que, quando à posteriori faço a pergunta, a resposta que invariavelmente vem ao meu coração, é que me deixei levar pelas minhas certezas, pelos meus orgulhos, pelas minhas vaidades.

Já em tempos tinha prometido a mim mesmo não voltar a comentar, a responder, a opinar, sem antes rezar.
Infelizmente a memória é curta, sobretudo quando o inimigo espreita todas as oportunidades, e por isso, terei que recomeçar … todos os dias!

Isto faz-me lembrar um episódio passado comigo.

Um dia estava em oração e agradecia a Deus pela viagem feita e que estava a fazer, com Ele, por Ele e nEle.
E senti no meu coração esta resposta: «Viagem, meu filho? Tu ainda nem começaste a fazer as malas!»

Pois é, começar a fazer as malas para fazer a viagem com Deus e para Deus, demora muito tempo, exige muita dedicação e sobretudo muita entrega.

Obrigado, Senhor, por me mostrares as minhas fraquezas, mas sobretudo porque, mostrando-mas, me dás a mão para eu prosseguir no caminho da Tua vontade.


Marinha Grande, 27 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 18 de abril de 2017

BAPTISMO - 68 ANOS!

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Passam hoje 68 anos do meu Baptismo.

Passam hoje 68 anos desde que me tornei filho de Deus, templo do Espírito Santo e passei a ser Igreja.

Apesar de tantos anos que vivi afastado de Deus e da Igreja, o Espírito Santo que me foi dado neste dia, prevaleceu, e fez-me regressar ao caminho, que agora percorro empenhado, tropeçando aqui e acolá, mas nunca ficando caído, porque Ele nunca me deixa pelo chão.

O Senhor estende-me sempre a mão e levanta-me, mostrando-me que o Seu amor é muito maior do que os meus pecados, as minhas fraquezas, os meus vícios, as minhas incertezas e dúvidas, e colocando em mim uma paz, que não é a paz do mundo, mas a paz que só Ele pode dar.

Obrigado, Senhor, graças para sempre Te dou, porque me amaste primeiro!


Nota: Como não tenho nenhuma fotografia do meu baptizado, aqui fica uma da minha Primeira Comunhão, feita na Capela das Termas de Monte Real em Dezembro de 1956, a escassos metros de onde estou sentado a escrever.
Nesta fotografia, estão a minha mãe, (de mãos na cara), a minha irmã Trinda e a minha irmã Belinha, o meu irmão Zé, (espreitando), e o meu irmão Pedro.
Julgo que por detrás da cabeça da minha mãe, estará a minha irmã Mena.
A minha mãe, a Mena, a Belinha e o Zé, já esperam por nós junto de Deus.



Monte Real, 18 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

RESSUSCITOU! ALELUIA!

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RESSUSCITOU! ALELUIA!

E agora?

Agora vais viver uns dias cheio de fé exaltante, fazendo promessas e mais promessas de emendares isto e aquilo, de celebrares mais e “rotinares” menos, de te entregares todo inteiro, sem medo nem vergonhas.
Que bom vai ser!

E depois, depois, ao longo dos dias vais perdendo o ânimo, a vontade, vais “descobrindo” razões para quebrares algumas promessas, vais-te deixando envolver na rotina, vais deixando de fora da tua entrega algumas coisas da tua vida, (que são só “tuas” convenceste-te tu), vais deixando que algum medo, alguma vergonha te vá manietando em certos momentos, enfim, vais voltar ao habitual, que longe de ser mau, não é no entanto o que a Ressurreição espera de ti!

E, no entanto, Ele não “queimou etapas”!
Passou pela prisão, pelo abandono dos seus, por um julgamento iniquo, por uma humilhação feroz, por um sofrimento atroz, por uma crucificação excruciante, para culminar na exaltante Ressurreição, para te dar a Vida Nova, para te dar a Vida d’Ele, a ti!

Claro que Ele não espera que sejas a partir de agora um “santo perfeito”, um homem sem mácula, sem fraquezas, sem medos, nem vergonhas, mas espera, com certeza, que esta Páscoa te leve a um caminho mais seguro do que as anteriores, (que também foram preparando esta), espera que conhecendo-te tu agora melhor, estejas atento, vigilante, (como Ele gosta de dizer), para não te deixares cair com facilidade nos erros do passado.

Espera que não arranjes desculpas para não rezares, mais e melhor, (não são as palavras, mas o espírito da oração), porque Ele sabe que quando rezas, estás em comunhão com Ele e com os outros e assim a Sua Ressurreição torna-se Vida Nova em ti.

Ouviste, Joaquim, leste Joaquim, compreendeste Joaquim?

Então entrega-te, sem medo, e a Ressurreição será vida eterna em ti e nos outros, pela graça do Deus de misericórdia que se entregou por ti e por todos.

E não te esqueças: Sempre, sempre para a maior glória de Deus!


Marinha Grande, 17 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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domingo, 16 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (7)

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Saído da Vigília Pascal, de coração cheio, recebi um recado dado ao meu ouvido.

Era o Sol que me dizia que amanhã não nasceria, não seria necessário, dizia, porque a luz fulgurante de Cristo Ressuscitado, tudo iluminava e a tudo dava vida.

Compreendi as suas palavras mas disse-lhe:
Ó Sol, lembra-te quer também tu foste criado por Deus e como tal para melhor o louvares e honrares neste dia da Ressurreição, deves nascer, ainda mais brilhante, mais belo, para que possamos perceber, quão mais brilhante e belo é Quem te criou!

Então o Sol deu-me a sua mão quente, (mas sem queimar), e cantando e rodopiando dançou e cantou comigo:
Jesus Cristo Ressuscitou! Ele é a Luz que ilumina e dá a vida! Glória a Deus para sempre!
Aleluia! Aleluia! Aleluia!


Noite do Domingo de Páscoa
Marinha Grande, 16 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sábado, 15 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (6)

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O silêncio toma conta da terra!
A Vida está no leito da morte!

Mas ao longe, no tempo, já se ouve o ribombar do trovão, que se torna cada vez mais forte e irá eclodir em toda a terra, em toda a humanidade, com toda a sua força, tomando conta de tudo e de todos, proclamando que a morte foi vencida e que a Vida é Vida para sempre!

Aqueles que acreditam, confiam e esperam, sabem bem que não há leito de morte que possa conter a Vida, e por isso, aguardam serenamente o grito da alegria, que vindo de dentro da terra inundará todo o Universo, e transformará o homem velho, criando o homem novo.

Esta é uma espera de mudança, aquela que nos vai transformando por dentro, para nos dar uma vida nova, a vida onde pulsa o amor.

Hoje sou assim, uma espécie de túmulo na rocha do meu coração, (tapado tantas vezes por uma pedra intransponível), onde o Corpo de Jesus repousa, coração que o Corpo de Jesus visita, para que ternamente, pacientemente, o vá modificando, vá amaciando a rocha, para por fim arredar a pedra da entrada e deixar-me ouvir a minha voz dizendo: Sou Teu, Senhor! Quero ser apenas Teu, Senhor, para sempre!

De mansinho acalmo-me, deixo que Ele faça o que tem a fazer, em mim e em todos, na certeza inabalável que esta madrugada Ele será a Vida, que me/nos dará a Vida Nova.

A “brecha no tempo mortal” que Ele vai abrir, nunca mais se fechará, e essa é a nossa Fé, a nossa Esperança!

Glória e louvor a Ti, Senhor, pelos séculos sem fim!



Sábado Santo
Marinha Grande, 15 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 14 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (5)

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MORRER E RESSUSCITAR


«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!»

Este Teu brado,
Senhor,
este Teu forte clamor,
é um murmúrio,
um terno e simples murmúrio,
de infinito amor!

Deste tudo,
tudo entregaste,
por mim,
por todos,
e entregas agora o Teu espírito,
na Cruz,
com que nos resgatastes.

Sobe-me sempre do coração,
à boca,
aos olhos,
a todo o meu ser,
uma lágrima dolorosa,
ao ouvir o Teu clamor,
ao sentir o Teu sofrer,
que agora se transforma em paz,
porque sendo um grito de amor,
liberta todo o meu ser.

Prostro-me pelo chão,
embebido do Teu Sangue,
choro lágrimas de arrependimento,
abro-Te o coração,
e deixo que me toques,
apenas num breve momento,
um tempo tão simples e terno,
que sinto que esse momento,
se torna em mim eterno,
porque Te fazes presente.

Já não me interessa o meu querer,
nem lágrimas quero chorar,
volto os olhos para Ti,
e digo-te em ingente súplica:
Senhor,
deixa-me em Ti morrer,
para em Ti ressuscitar!


Sexta Feira Santa
Marinha Grande, 14 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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UMA SEMANA DE CAMINHO (4)

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Saímos da Última Ceia e Tu, Senhor, levas-me contigo.
Cheio de amor, tomas-me pela mão e convidas-me a fazer-Te companhia.

Que companhia, Senhor? Pergunto eu.

E Tu respondes, com a voz repassada de uma profunda tristeza:
Reza comigo. Preciso que rezes, que vigies, porque a hora é dura e escura.

Sinto-me um nada, mas ao mesmo tempo desperta em mim um orgulho, (por quereres precisar de mim), e começo a rezar, nem sei bem como, nem o quê.

Só dou por mim quando me tocas no ombro, docemente, e perguntas:
Porque dormes?

Ah, Senhor, perdoa-me, digo eu envergonhado tentando explicar-me, é que “adormeço” tantas vezes nas coisas da vida, quando deveria rezar, quando deveria vigiar!

Olhas para mim, ternamente, e pedes-me, (Tu, Senhor, a pedir-me), outra vez:
Reza, porque a hora é de rezar e vigiar!

Mais uma vez me comprometo, rezo e volto a adormecer.

Regressas e tocas-me, acordas-me, apertas-me junto a Ti.
Todo o Teu corpo treme, a voz angustiada, mas percebe-se em Ti a vontade inabalável de fazer a vontade do Pai.

Dizes-me então, olhos nos olhos, cheio de amor:
Sabes, meu Joaquim, quando te peço que rezes e vigies, não é por Mim, mas por ti e por todos.
Percebes agora como é fácil adormeceres e deixares de rezar e vigiar, perante as coisas do mundo?

Baixo a cabeça e digo:
Ah, Senhor, queria tanto chorar contigo, queria sofrer contigo, queria suar o meu sangue, queria ser Teu e apenas Teu!

Mais uma vez me olhas com o Teu terno olhar, mas uma multidão de gente prende-Te e afasta-Te de mim.
Estendo as mãos para Ti, mas não Te alcanço, e fujo envergonhado.

É então que me dizes, enquanto és levado pela multidão, para Te afastarem de mim, para Te afastarem de nós:
Não temas, não temas! Eu estou sempre contigo, Eu estou sempre convosco. Procura-Me no teu coração, procura-Me nos outros e sempre Me encontrarás.

Adormeço finalmente, porque a certeza da Tua presença em mim e no meio de nós, me descansa, me conforta, me enche de paz e alegria.
Nada, nem ninguém, Te pode apartar de mim, te pode apartar de nós!

Obrigado, Senhor!


Nota: Em adoração a seguir à Missa de Quinta Feira Santa.

Marinha Grande, 13 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 13 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (3)

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«Senhor, Tu vais lavar-me os pés?»

Estes pés que me levaram ao pecado, que me afastaram de Ti tantas vezes, estes pés que percorreram caminhos sem rumo, nem sentido, estes pés sujos da minha incompreensão, das minhas dúvidas, das minhas incertezas, das minhas fraquezas, de tudo aquilo que eu sou, e gostaria não ser?

«Se não tos lavar, não terás parte comigo.»

Então, Senhor, lava-me o coração, a alma, o meu tudo e o meu nada, porque tudo necessita ser lavado no Teu amor.
Ser parte contigo, é o meu maior desejo, a minha maior vontade, o verdadeiro sentido da minha vida!

Aliás, Senhor, que a “minha” vida se perca, a “minha” vida de coisas do mundo, de interesses, de bens materiais, de “prestigio”, (se algum tiver), mesmo a vida que Tu me deste, se tal for necessário para fazer parte contigo.
Que a “minha” vida se perca, não só por mim, mas por todos, os que conheço e amo, os que conheço e ainda não amo, e mesmo por todos os que não conheço, para que todos façam parte contigo, e eu também, se essa for a Tua vontade.
Mas, se para todos fazerem parte contigo, for necessário que eu me perca, então, Senhor, que assim seja, porque acredito que a Tua misericórdia é sempre maior do que a minha perca.

Humildemente, Senhor, descalço-me, baixo a cabeça, confio em Ti, e deixo então que me laves os pés.

Obrigado, Senhor, e glória, glória a Ti, hoje e sempre pelos séculos sem fim!


Marinha Grande, 13 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 11 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (2)

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Pobre Pedro!

Convencido que dar a vida por Ti era coisa fácil, sem dor, logo é confrontado com a realidade: «Não cantará o galo, sem que Me tenhas negado três vezes».
E negou-Te três vezes, sem apelo, nem agravo, e depois chorou amargamente o seu arrependimento, ao cruzar os seus olhos com o teu olhar de doce e infinito perdão.

Quantas vezes me sinto forte, cheio de certezas, inabalável na convicção, e depois, às vezes, por uma coisa de nada, volto-Te as costas, abandono-Te, nego-Te, como se não Te conhecesse.

E Tu nada dizes, mas ficas serenamente à espera de cruzares o Teu olhar com o meu, à espera que o meu coração se abra ao Teu amor, ao Teu perdão, e eu “derreto-me” na Tua ternura, na doçura do - Eu amo-te – que dizes ao meu coração, e choro, choro amargamente no meu coração, não tanto por Te ter negado, mas mais por não ser digno do Teu amor.

Podia jurar, comprometer-me em compromisso inabalável, afirmando que nunca mais Te negarei, mas eu sei, e Tu sabes melhor do que eu, que essa jura, esse compromisso, vai ser quebrado quando a fraqueza da minha humanidade prevalecer sobre o amor divino que derramaste em mim.

Por isso, Senhor, apenas posso comprometer-me com tudo o que sou, a, por Tua graça, em cada negação da minha vida, procurar o Teu olhar de perdão, nele me deixar envolver, mergulhar na profundeza do Teu amor e reconhecer-Te, dizendo: «Meu Senhor e meu Deus.»

E eu sei, Senhor, com esta certeza da fé que me deste, que logo me abrirás os braços, (que aliás nunca fechas), me recolherás e apertarás junto a Ti, dizendo:
Pode o galo cantar todas as vezes que quiser, que se tu olhares para mim, entregando-te em amor, o Meu canto será melhor, o Meu canto será maior, porque é um canto de Amor.

Obrigado, Senhor!


Marinha Grande, 11 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 10 de abril de 2017

UMA SEMANA DE CAMINHO (1)

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Ontem chegaste a Jerusalém!

No meio de toda aquela gente, estava também eu, a dar vivas ao Rei, àquele que me vinha libertar do jugo do opressor, dos tiranos que mandavam pela força das armas, na minha terra.

Nem por um momento duvidei disso!
Ia ser agora a hora da libertação!

E vou caminhando, vou-Te seguindo, passo a passo, nesta semana, até Te ver preso, escarnecido, humilhado, arrastado pelo chão sem reagires, e então, já não Te darei vivas, mas gritarei com todos os outros: Crucifica-O, crucifica-O!

Eu esperava, (por vezes ainda espero), por um rei que me libertasse das dores, dos sofrimentos, das contrariedades do mundo, e afinal, veio Alguém que aparentemente se deixou derrotar pelo mundo.

Pois, não compreendo tantas coisas, mas mesmo por vezes afastado, continuo a seguir-Te no caminho, na esperança que se torna cada vez mais real, que afinal vieste para me libertar, sim, mas da lei do pecado, do pecado que realmente escraviza e leva à morte.

E hoje, passada a festa da Tua chegada à cidade, recomeço a caminhada, entrando dentro de mim, para Te encontrar, para me encontrar, e durante estes dias, mesmo com medo, mesmo com dúvidas, me unir a Ti na dor, na paixão, na morte, para finalmente dar novamente vivas ao Rei que me libertou e me liberta todos os dias em que me entrego para fazer a Tua vontade.

Ajuda-me, Senhor, quero fazer o caminho do Teu amor!


Marinha Grande, 10 de Abril de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 27 de março de 2017

ABENÇOADA TENTAÇÃO!

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Às vezes, vem-me assim um abatimento, uma tristeza, não entendo de onde e porquê, como que a dizer-me que estou só, espiritualmente falando, como se Deus se tivesse apartado de mim e me deixasse entregue a mim próprio e às minhas fraquezas e defeitos.

E se me distraio e não luto, há uma secura, um vazio, que me quer iludir, colocando-me dúvidas, que insidiosamente entra na minha mente e me faz perguntar a mim próprio se tudo isto faz sentido, se Deus existe, se toda esta entrega me leva realmente a algum lado.

E hoje, como tantas vezes, o dia começou assim.

Mas estamos na Quaresma e à minha mente, à minha imaginação veio a imagem de Jesus Cristo no deserto, só, em jejum, e a ser tentado pelo demónio.

Qualquer comparação, entre as duas situações, seria absolutamente absurda, mas abriu-me a mente para a realidade de que, afinal estes momentos de abatimento, de tristeza, são também uma tentação do inimigo, a querer afastar-me da certeza de Deus, da alegria de Deus, da companhia, (mesmo que aparentemente ausente), de Deus.

E quero perceber porque é que Deus permite tais momentos, permite tais tentações, como um modo de me fortalecer na fé, tornando mais consciente em mim a necessidade espiritual e de vida, de cada vez mais estar unido a Ele em oração e vigília permanente, não só por mim, mas para dar testemunho de que Ele está realmente no meio de nós e em nós.

E então, a secura pode ainda permanecer, a sensação de estar só pode ainda continuar, mas no fundo do coração brilha a luz da certeza do que Ele me diz, do que Ele nos diz, se O quisermos escutar:
Eu estou aqui e nunca daqui sairei, a não ser que conscientemente me queiras rejeitar.

Abençoada tentação, que acaba por produzir tais frutos da graça de Deus!


Monte Real, 27 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 23 de março de 2017

SOBRETUDO OS MAIS NOVOS, JESUS!

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A Mãe olhou para o Filho e disse-Lhe com os olhos cheios de gratidão:
Obrigado, meu Filho! Amo tanto aqueles Pastorinhos!

Depois chamou a Jacinta e o Francisco, que pastoreavam umas ovelhas novinhas pelo Céu, abraçou-os, e disse-lhes:
Preparai-vos, porque ides receber uma grande graça! Como sabeis, aqui no Céu somos todos Santos, mas fostes escolhidos, agora, para serdes exemplo de santidade para os que ainda vivem no mundo.

A Jacinta olhou a Mãe e disse:
Eu quero tanto fazer sacrifícios pelos pecadores!

O Francisco encolheu-se todo, quase como se desaparecesse, e disse também:
Eu fico aqui, no meu cantinho, a rezar, sempre a rezar, ao meu Jesus que já não me está escondido!

Maria, cheia do seu dulcíssimo instinto maternal, abraçou-os e falou-lhes baixinho:
Temos que rezar muito, para que os mais jovens vejam na vossa entrega, na vossa santidade, o caminho seguro a seguir. O mundo precisa tanto, mas tanto, que os mais jovens encontrem Jesus nas suas vidas!

Deram as mãos os três, ajoelharam-se numa nuvem de amor, e rezaram:
«Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos, peço-vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.»

E a Jacinta e o Francisco ainda acrescentaram baixinho:
Sobretudo os mais novos, Jesus! Sobretudo os mais novos!


Monte Real, 23 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 22 de março de 2017

UM ESPINHO PARA RECORDAR QUE NADA SOU!

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E depois, Senhor, sempre o orgulho!

De cada vez que falo em Teu Nome, que rezo em Teu Nome, que faço algo em Teu Nome, lá vêm os “elogios”, e com eles lá vem o orgulho, a vaidade, e o doloroso sentimento de me sentir envergonhado comigo mesmo, de me sentir um fraco, incapaz de resistir às coisas do mundo.

E eu rezo, peço, suplico, entrego-me, (ou tento entregar-me), pedindo-Te força, pedindo-Te “armas” para combater esse orgulho, essa vaidade, e Tu, Senhor, não me respondes, pareces-me quase indiferente ao meu problema, parece-me que olhas para o lado!

O que queres Tu que eu faça, Senhor?
Não me ajudas?

Olho-Te nos olhos e vejo-os sorrir, quase irónicos, mas cheios de bondade.

Pegas-me na mão, encostas-Te a mim, e dizes-me baixinho:
Vês-me preocupado com isso, Joaquim? Nem um pouco! Enquanto tu te preocupares, está tudo bem, mas não deixes nunca de fazer o que Te é pedido por causa desse orgulho.

Insisto com Ele:
Mas, Senhor, a Ti tudo é possível, por isso peço-Te que afastes de mim este sentimento de orgulho, que é uma fraqueza em mim.

Apertas-me e dizes-me:
Basta que o reconheças e não o queiras em ti. Quantas vezes o reconheceres e dele te arrependeres, quantas vezes Eu te perdoarei. Não querias que fosse tudo fácil, pois não? É para Te lembrar que precisas sempre de Mim, e que sem Mim nada podes.

Rendo-me, e digo:
Oh, Senhor, como o Teu amor é grande e cheio de sabedoria! Como Tu me conheces tão bem!
Obrigado, Senhor!


Marinha Grande, 22 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 21 de março de 2017

QUARESMA 2017 (12)

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Sigo o caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

A pedra no meu caminho, tem hoje escrito: Perdão!

Tu és um homem de perdão, diz-me o “outro”, não ligues a esta pedra.
Eu sei o que ele quer, por isso não lhe ligo e sento-me na pedra.

Sim, realmente, se pensar na minha vida hoje em dia, tudo faço para perdoar ofensas antigas e para pedir perdão pelas ofensas que cometi, embora nem sempre seja fácil.
O Senhor ensinou-me a rezar por aqueles que me ofenderam ou eu ofendi, e essa tem sido a melhor maneira de perdoar e recordar tudo sem mágoa e ressentimento.

Mas, e o perdão àqueles que não me ofendem directamente, que ofendem, por exemplo, a minha espiritualidade, a fé cristã, ofendem a humanidade, praticando actos terríveis contra outros, contra populações ou comunidades inteiras?
É tão “fácil” classificá-los de inumanos, de “animais irracionais”, de tudo e mais alguma coisa.
É tão “fácil” desejar quase a sua morte, como castigo pelas atrocidades que cometem contra outros.
Mas não são eles homens como eu, criados por Deus também?
E todos eles serão conscientes, verdadeiramente conscientes do mal que fazem?
Só muita oração, por eles, pelo seu encontro com uma consciência humana bem formada, pelas suas vitimas, e por mim próprio, para que Deus consiga que eu veja neles, apesar de todo o mal, a Sua criação, e assim sendo, sempre o possível arrependimento, emenda e salvação, visto que Cristo morreu por todos, mesmo por todos e por cada um em particular.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “perdão”, na qual preciso meditar muito tempo, antes de me levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o “perdão” vem de Ti, mas que também parte da nossa vontade, para podermos perdoar fazendo a Tua vontade.


Monte Real, 21 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 20 de março de 2017

QUARESMA 2017 (11)

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Continuo a fazer o caminho do deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Esta pedra do caminho, tem escrito, algo muito especial: Pai!

O “outro” segreda-me ao ouvido que eu sou muito bom pai, que não me preocupe.
Como sempre duvido dele.

Não duvido, nem um pouco, do meu amor de pai pelos meus filhos!
Mas isso não impede que me pergunte se sou um bom pai para os meus filhos.
Sou eu um pai presente, e este presente, tem pouco a ver com presença física?
Sou eu um pai que dá testemunho de coerência de fé, de honestidade, de entrega?
Quantas vezes não deixo eu que se coloquem trabalhos, (mesmo da Igreja), à frente dos meus filhos?
Percebo e vivo eu a certeza de que a primeira vocação que Deus me deu como família, é ser pai?

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra do “pai”, na qual preciso ficar sentado bastante tempo, antes de me levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que o ser “pai” vem de Ti, e que só em Ti posso ser pai verdadeiramente, pois essa é a Tua vontade.


Monte Real, 20 de Março de 2017
Joaquim Mexia Alves
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