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quarta-feira, 3 de julho de 2013

A CATEQUESE (2)

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Com certeza que não se entenda pelo que escrevi no texto anterior, que o ensino da Doutrina não é importante e imprescindível.
Claro que é, porque não se pode amar aquilo que não se conhece, e para se amar Jesus Cristo é preciso conhecer o seu “todo”: o Deus, o Homem, o seu ensinamento, a sua Igreja.
 
Mas, nas nossas vidas, quando amamos os outros, não só precisamos de os conhecer, (o que são e o que pensam), mas também precisamos de privar com eles, conversando, convivendo, celebrando as datas importantes das suas e nossas vidas em conjunto.
E este viver, este conviver, este celebrar, tem sempre alguma emoção, (somos seres emocionais), pois se assim não fosse, como poderíamos nós expressar o nosso sentir no riso, nas lágrimas, e tantas outras expressões que cada situação contém.
Ora se a emoção sem controle pode ser perniciosa, a vida sem emoção não existe, é vazia e sem sentido.
Por isso é necessário também que desde o início da catequese as crianças sejam levadas a viver a emoção de sentir Deus próximo, que não seja um Deus longe e inacessível, mas um Deus perto, com Quem podemos rir, chorar e sentir que Ele ri e chora connosco.
 
E o sentir essa emoção do Deus próximo, tem a muito ver com essa oração pessoal, individual e colectiva, feita de palavras nossas, que constituem um diálogo com Deus contando as nossas vidas, as nossas preocupações e as nossas alegrias.
E ao habituarmos as crianças a rezarem, (falarem com Jesus), de quando em vez em frente do sacrário, não só as leva a esse encontro pessoal e intimo com Deus, mas também lhes dá a “dimensão” da presença de Jesus Eucarístico, “dimensão” tão importante para a Missa se “transformar” num encontro com Deus e não numa celebração “seca” como hoje em dia se diz.
 
Mas para isso, é necessário que nós catequistas tenhamos também essa intimidade com Deus, essa forma de orar dialogando, esse encontro tão pessoal com Jesus, que nos leva a falar d’Ele com paixão, com amor, com testemunho, de tal modo que leve os jovens a perceberem que há um Deus bem real e presente nas nossas vidas.
Com certeza que cada catequista tem a sua espiritualidade, a sua maneira de sentir e viver Deus, mas se por acaso essa vivência não é a de um Deus próximo e presente nas nossas vidas, como podemos nós transmitir a realidade da presença de Deus entre nós e em nós?
Sobretudo, se em casa os pais não são cristãos “activos”, e portanto não o sendo, não são os primeiros catequistas, a criança não terá a mínima ligação com Deus, e se não for levada a “perceber” Deus na sua vida, a catequese transforma-se em mais uma escola, em mais um estudo, em mais uma obrigação, em que é preciso decorar um certo número de coisas, que, ainda por cima, parecem não ter qualquer importância para vida do dia-a-dia.
 
Para se ser catequista não será, portanto, apenas necessário saber o guia de “fio a pavio”, conhecer muitas dinâmicas, “ter jeito” para ensinar, mas para além disso, ser um cristão de vivência diária da fé que testemunha Cristo na sua vida, nas suas atitudes, nos seus gestos, nos seus sentires, na sua entrega e, sobretudo, confiar que é Ele que transforma, que converte, que dá a graça da fé, servindo-se de nós, seus «servos inúteis».
 
Reparemos que muitos pais cristãos convictos e empenhados, podendo não saber muito de catequese, são no entanto aqueles que dão aos filhos os seus primeiros contactos com Deus, e fazem-no de tal forma e com tal paixão, (nas orações da noite, junto à cama, às refeições, etc.), que os seus filhos sentem que Deus faz parte das suas vidas, faz parte das suas famílias, e que é o Guia de amor sempre presente, que os conduz em cada momento alegre ou triste, dando-lhes razão de vida e razão de amor, e portanto vai perdurar para sempre nas suas vidas, mesmo que aconteçam afastamentos mais ou menos longos, como a mim aconteceu.
 
 
 
Nota:
Gostaria que estes textos não fossem entendidos como uma qualquer crítica ou “lição”, (para tal não tenho competência), mas sim fruto de uma reflexão pessoal que vou fazendo ao sabor do que vou escrevendo.
 
 
Marinha Grande, 3 de Julho de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 26 de junho de 2013

A CATEQUESE (1)

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Olho para trás, para a minha vida, e vou-me dando conta de que aquilo que aprendi na catequese, em casa ou nos colégios católicos por onde andei, tinha muito mais a ver com o conhecimento das verdades da Fé e da Doutrina, do que com a vivência interior, intima, da fé que Deus me tinha concedido.
Certo que via nos meus pais uma profunda prática cristã, não só na oração, mas também nos gestos e nas atitudes, mas Deus estava longe, inacessível, e muitas vezes “envolvido” num sem número de práticas e obrigações, que não sendo explicadas no seu conteúdo, não eram vividas, e não sendo vividas eram, como hoje em dia se diz, «uma seca».
Não é portanto de admirar que assim que pude decidir por mim mesmo, (ou assim julgava), me tenha afastado da prática religiosa e, por esse afastamento da Igreja, me tenha também afastado de Deus.
Isso leva-me a pensar nesta verdade de que sem Deus não há Igreja, mas que sem Igreja também o caminho para Deus se perde, mas isso seria uma muito longa reflexão.
 
Passados mais de 20 anos de afastamento, (já por volta dos 44 anos), pela graça de Deus, sem dúvida, comecei a procurar novamente esse Deus que me tinha sido ensinado e do qual me tinha afastado.
E encontrei-O, ou melhor, deixei que Ele me encontrasse, mas agora, mercê de quem então me ajudou e sobretudo de uma procura interior e íntima, encontrei-O próximo, tão próximo, que O sentia e sinto no dia-a-dia da minha vida.
De tal modo que o meu desejo e vontade não é que Ele faça parte da minha vida, mas que a minha vida seja Ele, no sentido de fazer sempre a sua vontade.
E esta vivência diária da Fé, fez-me encontrar a comunhão da/na Igreja, a beleza dos Sacramentos, a força da oração, a paz da confiança, a serenidade da esperança.
E assim, a prática religiosa, deixou de ser “prática”, porque passou a ser vida, o que era “obrigatório”, passou a ser intimamente desejado, o que era impaciente e “aborrecido” passou a ser paz e alegria vivida em comunhão de irmãos com Deus.
E nos momentos menos bons, acontece sempre a certeza de que Ele está ali, ao meu lado, ou melhor, está em mim, e “leva-me ao colo” para passar os “vales tenebrosos”.
 
Obviamente esta reflexão leva-me a pensar na catequese de hoje em dia, (sou catequista do 10º ano), e o modo como a mesma é dada e vivida.
Não tenho pretensões a dar soluções, mas apenas ajudar a reflectir no que será preciso fazer para que a maioria dos jovens não se afastem de Deus e da Igreja, a seguir ao Sacramento da Confirmação.
Parece não restar grandes dúvidas de que o modo como hoje em dia se continua a dar catequese, leva uma grande parte dos jovens a entende-la como uma obrigação, (como ter que andar na escola), e que tem um fim almejado, o Crisma, que é para eles, não um Sacramento de inicio de uma nova vida cristã, mas o fim de uma “aprendizagem” de uns “longos” dez anos, da qual ficam libertos para sempre.
E como catequese se relaciona com a Igreja e com Deus, a “libertação” não acontece apenas com a catequese mas também com tudo o que lhe está associado, ou seja, Deus e a Igreja.
Sem vivência interior da fé, o “apenas” conhecimento não se torna vida e se não se torna vida, é facilmente “descartável”.
Sem o encontro pessoal com Jesus Cristo, o conhecimento é “apenas” saber, não se torna em ser e em viver.
 
Como fazer então?
Julgo que em primeiro lugar a prática da oração é muito importante.
Ao mesmo tempo que se ensinam as orações da Igreja, dever-se-ia levar os jovens, logo desde o início, da mais tenra idade, a falarem com Jesus Cristo, na sua linguagem normal, como a um amigo a quem tudo se conta e com quem sempre se conta.
Esta proximidade com Jesus Cristo, (muitas vezes junto ao sacrário), leva a uma intimidade, a uma interioridade, que apenas o ensino da matéria não consegue alcançar, e torna mais “apetecível” o momento da catequese.
Esta prática de oração, este “tu cá, tu lá” com Jesus Cristo, leva ao encontro pessoal com Ele, fá-Lo próximo, torna-O presente em cada momento, e assim sendo Alguém a Quem desejamos ter sempre por perto, ter sempre connosco.
 
 
 
 
Nota:
Continua na próxima semana, se Deus quiser!
 
 
Marinha Grande, 25 de Junho de 2013
Joaquim Mexia Alves
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