quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O "SISTEMA VOLTA"

.
.









No Domingo passado a minha paróquia da Marinha Grande ilustrava o Evangelho do dia com a imagem que coloco nesta publicação.

De imediato veio ao meu pensamento o famoso “sistema volta” que neste momento está em funcionamento no nosso país.

Como sempre faço, tentei retirar dessa observação algo que me levasse a viver a fé, a reflectir sobre o meu caminho de entrega ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Com algum humor percebi que há dois “sistemas volta”, o da organização administrativa do país da política, e outro, bem mais importante, que é o “sistema volta” de Jesus.

As diferenças são muitas e abissais!

No “sistema volta” da política, as pessoas pagam primeiro as embalagens para depois, se quiserem, voltarem a receber exactamente o mesmo valor que pagaram ao utilizarem o referido “sistema”.

No “sistema volta” de Jesus, os crentes não têm que pagar nada primeiro, mas apenas aderir ao “sistema” de alma e coração, e recebem sempre incomparavelmente mais do que aquilo de que abdicaram para aderir ao “sistema”.

No “sistema volta” da política, as pessoas têm que se deslocar a determinados lugares e utilizar determinadas máquinas para poderem receber aquilo que já pagaram.

No “sistema volta” de Jesus, os crentes estejam onde estiverem podem “aceder” de imediato ao “sistema” e receber sem mais demoras as graças que Ele mesmo dá a cada um que O procura.

No “sistema volta” da política, as pessoas têm que levar nas suas mãos as embalagens para colocar na tal máquina e assim receberem sempre um valor igual, seja qual for a embalagem que ali colocarem.

No “sistema volta” de Jesus, os crentes podem ir de mãos vazias desde que levem o coração cheio de desejo de encontrar Jesus, e Ele logo se encarrega do nada que as nossas mãos levam, dar o tudo do Seu amor.

No “sistema volta” da política, as embalagens que entregamos à máquina são trituradas e completamente desfeitas para serem recicladas.

No “sistema volta” de Jesus, as embalagens que entregamos são as nossas próprias vidas que, longe de serem trituradas e desfeitas, são transformadas pelo amor de Deus, mantendo toda a imagem que tinham, mas sendo vidas novas em abundância.

No “sistema volta” da política, as embalagens a entregar têm que estar impecavelmente inteiras, sem serem amolgadas, deterioradas, senão a máquina não as aceita.

No “sistema volta” de Jesus, as embalagens, que somos nós, podem estar, e estão sempre a maior parte das vezes, amolgadas, deterioradas, quase desfeitas, e Ele devolve-as inteiras, imaculadas, cheias de graça, com a certeza de que podemos sempre em qualquer momento recorrer ao “sistema volta” de Jesus.

As diferenças são tantas, que deixo ao cuidado de quem tem paciência para ler este texto, encontrar para si próprio todas essas diferenças que podem “fazer a diferença” nas suas vidas.

E já agora só um pequeno conselho para informar que o “sistema volta” de Jesus se encontra preferencialmente em Igreja, com toda a comunidade de fiéis que caminham em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.





Marinha Grande, 30 de Setembro de 2026
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

SEM PALAVRAS

.
.



















Quero acreditar, Senhor Jesus, que quiseste colocar em mim esta necessidade de escrever o que vou vivendo, o que vou rezando, o que vou sentindo, quando estou Contigo.

Mas há momentos como este agora, em que me parece não conseguir alinhar palavras para escrever, em que não sinto um fio condutor no que sinto e desejo escrever.

Parece que o inimigo sorrateiramente vai instilando na minha cabeça e no meu coração, imagens diversas, pensamentos díspares, coisas sem sentido, para me distrair do que realmente quero fazer, que é estar Contigo aqui presente na Eucaristia, adorar-Te, louvar-Te, bendizer-Te e dar-Te graças por tudo o que fazes em mim.

Os pensamentos irrompem, tentando levar-me a desistir de alinhar uma conversa Contigo, enfim, uma oração que saia do meu coração a elevar-se para o Teu coração.

Então, Senhor Jesus, apenas posso dizer-Te, escrevendo, que mesmo disperso e distraído, amo-Te com todo o meu ser, adoro-Te com toda a minha entrega, e dou-Te graças porque sei que não desistes de mim e me ajudas sempre a nunca desistir de Ti.







Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

«TOME A SUA CRUZ E SIGA-ME» (Lc 9, 23)

.
.






Quando lemos e meditamos na Tua Paixão, Senhor, ao percebermos ou tentarmos perceber tudo o que sofreste naquele caminho do Calvário com a Cruz às Tuas costas, cada um de nós pensa interiormente, com certeza, que, se ali estivesse, Te ajudaria a levar a Tua Cruz.

É fácil pensar assim, agora, a esta distância toda de anos, a distância que nos separa daquele tempo, pois não conseguimos nem de perto abarcar todo o Teu sofrimento, talvez mais do que físico, espiritual, por perceberes o pecado do Homem que pesa na Tua Cruz.

Não conseguimos sequer perceber como o ódio que naquele tempo era vivido contra Ti, contra os Teus, (talvez hoje se comece a sentir esse mesmo ódio em tantos lugares da Terra), como esse ódio geraria em nós um medo de nos aproximarmos de Ti para Te ajudar e, muito provavelmente, como os Teus discípulos naquele tempo, seguiríamos o Teu caminho de longe, anónimos no meio da multidão, sem interferir.

Aliás ainda hoje fazemos isso tantas vezes, quando Te vemos “deitado pelo chão”, sozinho, sem nada material para viver dignamente, sem saúde física ou espiritual, e não nos aproximamos de Ti, mas apenas Te vemos ao longe, fingindo nada ver, para não termos que Te ajudar.

É tão fácil ser “piedoso” quando estamos na igreja em celebrações, quando rezamos interiormente ou com os nossos irmãos em Igreja, quando nos afirmamos cristãos no meio daqueles que o são também.

Afinal como poderemos nós ajudar-Te a levares a Cruz no caminho do Calvário?

E Tu respondes cheio de amor e compaixão: «Toma a tua cruz, dia a dia, e segue-me» (Lc 9,23)

Se aceitarmos e tomarmos cada um a sua cruz, Senhor, para Te seguirmos em espírito de verdade, podemos acreditar que “dividiremos” o peso da Tua Cruz sobre os Teus ombros, porque no fundo a Cruz que carregas não é Tua, mas é sim a soma de todas as nossas cruzes que Tu carregas sobre Ti para nos “aliviares” do pecado, da dor do pecado, das consequências do pecado, e nos dares a «vida em abundância» (Jo 10,10) como Tu nos prometeste.

Afinal, Senhor, com toda a simplicidade, talvez a melhor forma de Te ajudar no caminho do Calvário a levares a Cruz sobre os Teus ombros, seja aceitarmos as nossas cruzes e levarmo-las aos ombros todos os dias com um sorriso, com a força do Teu amor, sabendo sempre que nunca deixarás que as nossas cruzes sejam mais pesadas do que as forças que dás a cada um para as levar.

E, claro, ajudar, com amor, os outros a levarem as suas cruzes em tudo o que nos for possível fazer por eles e com eles.

Talvez, um dia possam dizer de nós «Vede como eles se amam», (Tertuliano Apolog. 39), e assim possamos nós também «ter a simpatia de todo o povo». (Act 2,47)








Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

UM “CEGO” QUE PASSOU A VER

.
.












Eras “cego” e caminhavas na vida aos tropeções, por isso caías tantas vezes pelo chão da vida.

Às vezes era difícil levantares-te porque a consciência te pesava, mas em vez de lhe dares ouvidos, colocava-la de lado e fazias como se ela não existisse, para poderes continuar a viver “cego”, sem sentido, “afogado” em paixões efémeras.

Mas no fundo ti, porque em novo te tinha sido ensinado que havia uma Luz que iluminava o caminho daqueles que querem abrir os olhos, havia esse desejo de poderes ver e te deixares guiar por essa Luz.

Mas continuavas a caminhar “cego” e, quanto mais caminhavas assim, mais te aproximavas do abismo, que estava aberto para nele caíres.

Não sei se estavas muito perto ou muito longe desse abismo, mas sei que a Luz deve ter entendido que já chegava de tanta “cegueira”, e, serenamente, fez-te ver o caminho que estava adormecido dentro de ti.

Abriu-se-te a vista pouco a pouco e pudeste ir descortinando o caminho à tua frente, embora muitas vezes fechasses os olhos, como se ainda fosses “cego”, e assim acabavas por cair novamente, lutando com a tua consciência que te queria levantar.

Mas a Luz foi mais forte e abriu-te decididamente os olhos para que pudesses ver com antecipação os buracos do caminho.

Já vias, mas muitas vezes ainda difusamente, mas então já te apercebias com o teu sentir das pedras do caminho, e lutavas para nelas não tropeçares.

Foste caminhando, a visão foi melhorando, mas, curiosamente, cada vez mais o caminho se ia estreitando.

Percebeste, então, que essa Luz era Alguém que te dava a mão para te ajudar a passar cada vale estreito, cada curva apertada, cada caminho pedregoso.

Dentro de ti abria-se um horizonte novo!

Deixavas agora que a tua consciência iluminada pelo Espírito Santo te guiasse, e ias percebendo que embora nada parecesse mais fácil, tudo era muito mais compensador, e que aquilo que dantes não era obstáculo, agora aparecia como tal, mas apenas para perceberes o caminho que devia ser percorrido e vencido.

Onde chegarás no teu caminho já não importa, porque confias n’Aquele que te guia agora, e sabes, com toda a força do teu crer, que Ele nunca te abandonará e sempre te dará a mão para fazeres o caminho até ao fim, para repousares então, para sempre, na Sua presença.






Garcia, 10 de Setembro de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A ESPERA LONGA

.
.















Sentado numa sala de espera do hospital, espero.

Não espero por mim, mas por outrem que está a fazer um exame médico.

A espera é longa e eu, que gosto pouco de esperar, vou-me admirando com a paciência e até serenidade com que vou esperando.

Poderia dizer que a idade me vai dando uma maior resistência à minha costumeira impaciência, mas realmente, pensando bem no fundo do meu coração, vou percebendo que com toda a Sua sabedoria, com toda a Sua infinita paciência, o Espírito Santo me vai moldando e suscitando em mim “virtudes” que eu não sabia ter.

Distraio-me um pouco a jogar coisas no telefone, mas depois vou pensando, ou melhor, vou sentindo que talvez pudesse preencher a espera com algo bem mais útil.

Calmamente, fecho por momentos os olhos, persigno-me em pensamento e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, de mão dada com a Mãe do Céu, vou abrindo e fechando os dedos da outra mão enquanto vou rezando as Avé Maria de um terço, pois o tempo sobra bem para completar a recitação de um Rosário.

Se a paciência já tinha tomado conta de mim, agora há uma espécie de tranquilidade, diria mesmo uma alegria serena, que me faz sorrir interiormente, até perceber que afinal há mesmo um sorriso na minha cara.

Que coisa extraordinária é a oração que nos transporta para um estado de paz e entrega, fazendo-me entregar as minhas preocupações a Quem pode muito mais do que eu, aliás a Quem tudo pode sem limites.

Penso então, que bom, bom, é dizer-Lhe, coração a coração, que apenas Lhe peço que seja feita a Sua vontade, sabendo desde já que é a Sua vontade que me dá esta paciência e esta paz que não conhecia em mim.

À medida que vou escrevendo o meu sorriso vai-se abrindo e até tenho medo de começar a rir alto e, que estando no hospital, aproveitem para me internar na psiquiatria.

Ah, pois, talvez seja louco, mas esta bendita loucura é a fé que me faz acreditar na loucura para os homens que é a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo.

Realmente só o Espírito Santo consegue transformar uma longa espera no hospital, num momento de oração e encontro com Cristo nos braços do Pai.



Leiria, 4 de Setembro de 2026
Joaquim Mexia Alves




terça-feira, 1 de setembro de 2026

A HORA DE CHEGAR À MISSA


.
.











Acho curioso, (para não dizer outra coisa pior), que se discuta sobre a hora de chegar à Missa, sobretudo a Dominical.

Quando eu era novo, (já lá vão muitos anos), dizia-se que a Missa era “válida” se se chegasse até à proclamação do Evangelho.
Naquele tempo isso não me incomodava nada, e até achava que era muito bom que assim fosse pois facilitava a vida das pessoas.

Mas naquele tempo também pensava que a Missa e outras “coisas” da Igreja eram muito mais obrigações do que propriamente caminho para Deus e com Deus.
Desculpem a ironia, mas era do tipo: Cumpria-se e pronto, estávamos "safos"!

Confesso que quando regressei a Deus e à Igreja, e ainda procurava caminho de discernimento e entendimento, dei comigo a pensar quantas Missas teria que “assistir” para compensar todos os Domingos em tantos anos em que não tinha ido à Missa.

Claro que era um pensamento tolo que não tinha qualquer fundamento, e eu já o sabia bem nessa altura, mas lembrei-me agora dele para “ilustrar” este texto que vou escrevendo.

A verdade é que muitas vezes esta “discussão” sobre a que horas devemos chegar à Missa ou até que ponto ela é “válida”, indicia, penso eu, um entendimento da Missa como uma obrigação a cumprir para “obedecer” a Deus, talvez até com medo que Ele “castigue” alguém por não cumprir essa “exigência”.

Ora Deus não quer ser obedecido, ou melhor, quer ser amado, e no amor não há obediência como normalmente a pensamos, mas sim entrega e desejo de fazer a vontade do outro que amamos, porque também o amado fará a nossa vontade porque que o verdadeiro amor é recíproco.

Ah, mas nós podemos invocar que Deus não faz sempre a nossa vontade, mesmo quando nós fazemos a d’Ele.

E ainda bem que assim é, porque sendo o amor de Deus por nós infinitamente maior do que o nosso, e sabendo Deus o que é melhor para nós, apenas nos dá aquilo que Ele sabe ser melhor para nós, não só em coisas boas como até em contrariedades que nos ajudam a crescer na fé e no nosso dia a dia.

Claro que isto é uma visão muito simples de tudo o que é ou deve ser a nossa relação com Deus, mas eu não sou teólogo e como tal gosto de ver as coisas de Deus à luz de um olhar simples e amoroso.

Regressando à hora ou tempo a que devemos chegar à Missa, ocorre-me algo que pude constatar numa visita a Moscovo que fiz por causa de um Congresso Termal Internacional, e que foi o seguinte: Reparei que muitas pessoas que se dirigiam às Igrejas cristãs, para rezar ou celebrar, muito antes de chegarem à igreja, na rua, deixavam de conversar, se persignavam e entravam em recolhimento.

Há muito tempo que faço sempre o possível para chegar à igreja para a celebração da Missa, no mínimo vinte minutos antes e, normalmente vou pelo caminho, (moro a escassos metros da minha igreja), invocando interiormente o Espírito Santo.

Então, mas quando devo chegar para a celebração da Missa?

Procurei em vários sites católicos e não encontrei nada que definisse tal tempo, mas apenas textos que apelavam no mínimo ao bom senso de cada um.

Claro que os argumentos para chegar a tempo, ou seja, antes do início da celebração são muitos, tais como, por exemplo, se temos um encontro com alguém muito importante, fazemos sempre o possível para chegar antes.
Não queremos, obviamente, deixar à espera alguém que é mais importante do que nós, ou mesmo que o não seja.

Então e para Deus porque não agimos do mesmo modo?
Deixamo-lO à nossa espera?

E, se chegamos atrasados, para além disso, ainda incomodamos os outros que já estão na celebração.

E quando falamos do tempo de chegada à Missa, também podemos de igual forma falar do tempo em que saímos da celebração, pois a verdade é que vemos muita gente que, infelizmente, sai antes da bênção final.

Ironizando novamente é como se disséssemos a Deus: Já dei o que tinha a dar, por isso fica satisfeito com o que Te dei e “prontos”, até porque tenho coisas mais importantes para fazer!!!

Julgo que não vale a pena argumentar mais nada sobre o assunto, mas ainda me lembro de uma frase do meu querido pai, (que era a pontualidade precisa), que dizia: A falta de pontualidade é pura e simplesmente má educação.

Ora eu não quero ser mal educado com Deus!






Marinha Grande, 1 de Setembro de 2026
Joaquim Mexia Alves