terça-feira, 6 de outubro de 2026

EU CÁ TENHO A MINHA FÉ!

.
.










Ora bem, “eu cá tenho a minha fé”, e como tal não preciso da Igreja para nada.

A fé é algo que me pertence e eu “devo” viver interiormente, sozinho, e não tenho que mostrar a ninguém que sou cristão e que tenho a “minha fé”.

Curiosamente, quando penso nisto, (que não penso, descansem), pergunto-me onde fui eu buscar a “minha fé”?

Alguém me deve ter falado de Jesus Cristo, da fé cristã, para que eu tivesse esse conhecimento e, consequentemente, pudesse viver a “minha fé”.

Talvez tenham sido os meus pais, talvez nalguma escola, talvez até alguns amigos, sei lá.

Mas se a “minha fé” é para ser vivida solitariamente e praticamente em segredo, como é que alguém ousou falar-me da “sua fé”?

Bem, não vale a pena pensar muito nisso porque a “minha fé” está cá dentro e eu vivo-a como eu quiser e ninguém tem nada que saber como eu a vivo.

Pergunto-me então se a “minha fé” inclui o eu ser baptizado, pois segundo se lê na Palavra de Deus, Jesus Cristo fez questão de dizer que aqueles que O quisessem seguir e viver a fé cristã no dia a dia, deveriam ser baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Mas eu não me posso baptizar a mim próprio!

Bem então terei que ir à Igreja pedir para ser baptizado.

O problema é que a Igreja não baptiza ninguém na “sua fé”, mas sim na Fé da Igreja que os cristãos devem professar.

Está bem, pronto, a Igreja então serve-me apenas para eu ser baptizado, mas depois eu vivo a “minha fé” como eu entender.

Mas como alimentar a “minha fé”, para além da óbvia oração pessoal?

Com certeza com a Palavra de Deus, a qual devo ler meditar todos os dias.

Então, mas serei eu o melhor “intérprete” do que diz a Palavra de Deus, sozinho e sem mais ninguém?

Tenho que admitir que a Igreja com milhares de anos deve ser, pela voz do seu Magistério, a melhor fonte de conhecimento da Palavra de Deus.
Procurarei, então, seguir o que a Igreja diz sobre a Palavra de Deus, mas depois vivê-la-ei, como eu entender, porque afinal trata-se de viver a “minha fé”.

Detenho-me, no entanto, nas palavras de Jesus, quando diz: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo» (Mt 26,26)
E ainda depois, pela escrita de Paulo: «fazei isto em memória de mim» (1 Cor 11,23)

Como e onde posso eu «tomar e comer o corpo de Jesus», fazendo-o em memória d’Ele?

Pois, tem que ser na e em Igreja, quando na celebração da Eucaristia o pão e o vinho se transubstanciam no Corpo e Sangue de Jesus.

Mas eu tenho que me preparar para receber Jesus em estado de graça, e para isso tenho que me reconhecer pecador e confessar os meus pecados.

Mas, não tem problema, confesso-me directamente a Deus, até porque vivo a “minha fé” sozinho.

A verdade é que nunca ouvi a voz de Deus dizer-me que eu estava perdoado.
Quero acreditar que sim, que Ele me perdoa, mas sinto que me falta assim como que uma prova de que Ele me ouviu e perdoou.


Dizem em Igreja que o sacerdote quando confessa está “in persona Christi”, ou seja, que é o próprio Jesus Cristo ali presente que ouve os meus pecados e me dá a absolvição.
Ora isso será para mim “prova” suficiente de que Deus me ouviu e perdoou.

Bem, o melhor é parar por aqui, porque me parece que a “minha fé” se afasta bastante da realidade da fé cristã verdadeira.

Afinal parece-me que preciso mesmo da Igreja, ou seja, que a “minha fé” tem que ser a fé da Igreja e, como tal, devo vivê-la em comunidade, tanto mais que o próprio Jesus Cristo disse: «onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.» (Mt 18,20 )






Marinha Grande, 6 de Outubro de 2026
Joaquim Mexia Alves

Sem comentários: