segunda-feira, 28 de abril de 2008

ESTOU CANSADO...OBRIGADO SENHOR!

Estou cansado Senhor, muito cansado!
Não Senhor, não é de Ti!
Como poderia eu cansar-me do amor, da alegria!
Estou cansado fisicamente, talvez emocionalmente, não sei bem Senhor, mas Tu que tudo sabes, tudo vês, sabes bem melhor do que eu o que vai dentro de mim.
Estou cansado Senhor, muito cansado e no entanto feliz, muito feliz!
Por Tua causa me cansei, no meu cansaço me fizeste feliz!
Ainda sou assim Senhor, é verdade, eu sei, não descanso em Ti.
Tudo quero fazer, tudo quero organizar, tudo quero perceber, talvez por minha vaidade, talvez para meu orgulho, só depois percebendo que tudo é possível porque … és Tu que fazes, és Tu que organizas, és Tu que dás o discernimento!
Ainda ontem me dizias pela voz daquele que colocaste junto a mim, que o meu orgulho, a minha vaidade, não eram razões para não fazer, ou melhor, para Tu não fazeres em mim.
Mas fico assim, tenso, preocupado, que algo não corra bem!
E Tu Senhor, gostas tanto de improvisar, de mudar o que já estava estabelecido … e sempre para melhor, porque és Tu que improvisas, és Tu que mudas as coisas e as fazes mais segundo a Tua vontade.
Estou cansado, muito cansado Senhor, mas estou feliz, muito feliz Senhor!
Obrigado Senhor meu Deus, e meu Tudo!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A PAZ DE JESUS CRISTO

«Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.» Jo 14, 27

Ontem falava no Grupo de Oração sobre esta Palavra de Jesus Cristo discernindo sobre a diferença da Paz de Deus e a paz do mundo.
A paz do mundo é normalmente entendida como a ausência de conflito, como o entendimento mais ou menos harmonioso entre as pessoas, entre as nações.
Só que muitas vezes para se obter essa paz acontecem injustiças, muitas vezes a paz é obtida por aceitação do mais fraco às razões do mais forte, a paz exterior aparece, mas interiormente a paz não existe, porque houve conflito e o mesmo não foi dirimido verdadeiramente ou não foi aceite e perdoado.
E isto tanto faz referirmo-nos às pessoas, como às nações, aos estados.
Claro que se existisse uma verdadeira paz, uma paz que viesse de dentro, que viesse do amor entre as pessoas, então essa paz transmitir-se-ia obviamente às relações entre os governos das nações, transmitir-se-ia à humanidade toda.
Mas essa paz pelo que percebemos, não é a paz que o mundo pode dar.
Essa paz, é a paz que Jesus nos dá, é a paz interior, que se reflecte no exterior.
É a paz daquele que confia porque crê no amor de Deus, porque crê que vivendo no amor e para o amor tudo é possível, tudo é ultrapassável, porque tem em vista um bem maior que é a salvação de cada um, que leva à salvação de todos. (1Tm 2,4)
É a paz daquele que coloca a sua esperança, a sua confiança, dando de si o melhor, nas Coisas do Alto, que são o tesouro incorruptível, e não nos bens terrenos, que provocam a intranquilidade, a inveja, o ciúme.
(Lc 12,33-34)
É a paz daquele que vive no amor e para o amor, dando e recebendo perdão, de modo que o seu coração não se deixa atribular por rancores, vinganças, mágoas e remorsos. (Mt 5,23-24)
É a paz daquele que vive a tribulação, a provação, na certeza de que Aquele que por ele se entregou na Cruz, aceita a comunhão na dor e a suaviza no Seu amor. (Cl 1,24)
É a paz daquele que não procura o fácil, nem o mágico, mas coloca ao serviço da vida que Deus lhe deu, a si e aos outros, todos os seus talentos, na certeza firme do seu coração, que essa vida é vida e vida em abundância. (Jo 10,10b)
É a paz daquele que vive na alegria que lhe vem do coração e não da gargalhada fácil e efémera. (Fl 4,4)
É a paz daquele que se sente amado pelo Seu Criador e que por isso mesmo apenas pode amar todos os seus irmãos e todas as outras criaturas. (Jo 15,12)
É a paz daquele que sabe no seu coração que na Casa do Pai há muitas moradas, e se alegra, não só porque tem morada, mas sobretudo porque todos os outros também a têm. (Jo 14,2)
É a paz daquele que crê, sabe e experimenta na sua vida diária a presença dAquele que tudo lhe deu, no Sacrifício total da Sua vida, e que Se continua a dar como Alimento Divino em todos os momentos e lugares deste mundo. (Mt 28,20)
É a paz daquele que dá inteiramente o seu coração ao Príncipe da Paz, para que Ele o dê aos outros, sabendo que lhe será retribuído abundantemente. (Lc 6,38)
É a paz daquele que se sabe coisa nenhuma, mas acredita que em Deus tudo pode. (Jo15,5)
É a paz daquele que não deixa o seu coração perturbar-se, ou acobardar-se, porque o amor vence todo o medo. (Jo 14,27c)
É a paz daquele que crê firmemente que Aquele que lhe dá a paz, venceu o mundo e o acolhe na alegria eterna da plenitude da vida. (Jo 16,33)
É a paz daquele que sabe que nunca conseguirá esgotar por palavras humanas o sentido da Paz de Deus.



1Tm 2,4 «que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.»
Lc 12,33-34 «Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.»
Mt 5,23-24 «Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta.»
Cl 1,24 «Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja.»
Jo 10,10b «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.»
Fl 4,4 «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!»
Jo 15,12 «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.»
Jo 14,2 «Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar?»
Mt 28,20 «E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»
Lc 6,38 «Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»
Jo 15,5 «Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.»
Jo 14,27c «Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.»
Jo 16,33 «Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!»

quinta-feira, 17 de abril de 2008

COMO CRIANÇA...

.

Tenho a bailar na minha boca
Um cântico de louvor,
Que me sai do coração
Para Jesus Nosso Senhor.
Louvado sejas porque és belo,
Porque és amor para sempre.
Louvado sejas porque és vivo,
E Te fazes em nós presente.
Louvado sejas porque és paz,
Ternura e harmonia em nós.
Louvado sejas porque és liberdade,
E aos cativos dás voz.
Louvado sejas porque és Cruz,
Unindo-Te ao sofrimento.
Louvado sejas porque és alegria,
Sorriso de acolhimento.
Louvado sejas porque és tempo,
Que nos leva à eternidade.
Louvado sejas porque és Verdade ,
Vida e Caminho dos Teus.
Louvado sejas porque és Homem,
E também verdadeiro Deus.
Louvado sejas porque és Comunhão,
E Te dás como alimento.
Louvado sejas porque és agora,
Ontem, hoje…
E para sempre.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

E NO ENTANTO...TU AMAS-ME!

Sou vaidoso, orgulhoso, ciumento e por vezes apenas quero que me reconheçam…e no entanto, Tu amas-me!
Sou egoísta, palavroso, convencido e por vezes apenas chamo atenção para mim…e no entanto Tu amas-me!
Sou fraco, pecador, dou mau testemunho e por vezes apenas me deixo cair…e no entanto Tu amas-me!
Sou revoltado, murmurador, queixoso e por vezes apenas protesto da vida…e no entanto Tu amas-me!
Sou infiel, volúvel, desconfiado e por vezes apenas confio em mim…e no entanto Tu amas-me!
Sou falso, insincero, dissimulado e por vezes apenas sou uma máscara…e no entanto Tu amas-me!
Sou desconfiado, desesperançado, amargurado e por vezes apenas me apetece desistir…e no entanto Tu amas-me!
Não sei amar, não sei rezar, não sei adorar e por vezes nem sequer sei viver…e no entanto Tu amas-me!
Como posso eu ser isto tudo…e o Teu amor ser muito maior que tudo isto?
Obrigado Senhor!

domingo, 13 de abril de 2008

PARA TI, MINHA IRMÃ QUERIDA...

Minha querida irmã Belinha, minha madrinha que testemunhaste a graça do meu Baptismo, que me tornou filho de Deus, templo do Espírito Santo.
É hoje o dia do teu aniversário, e se a saudade aperta e a recordação ainda dói, elas são mitigadas pela certeza de acreditar que te encontras na casa do Pai, onde a festa da Vida é constante, onde só o Amor prevalece.
O Senhor na Sua infinita sabedoria chamou-te para junto dEle, porque queria precisar, seguramente, que intercedesses por nós, mais fracos e pobres que tu, no modelo que eras e continuas a ser, de alegria, de bondade, de mãe dedicada, de entrega aos outros e sobretudo, de testemunha do Evangelho, discípula de Cristo.
Não preciso de te pedir que peças por nós, porque tu o fazes certamente a todo o momento.
Pede-lhe que nos ilumine, que nos dê forças de entendimento, de acolhimento, para que sejamos a família que nossos pais, juntos contigo nessa felicidade eterna, sempre sonharam, sempre quiseram, sempre desejaram.
Obrigado minha irmã, porque te recordo na força da tua perseverança na fé, vivendo as imensas provações que o Senhor na Sua imensa sabedoria te permitiu passasses nesta vida e tu tão bem soubeste entregar pelos outros.
Como dizia o poeta:
«Se lá no assento etéreo onde subiste
memória desta vida se consente...»
pede por nós eternamente
para que a vida aqui na terra
seja abundante,
na esperança de um dia podermos ver,
o que já viste...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A TUA ÁGUA, SENHOR


Chove lá fora
E a água escorre
Nos vidros das janelas
Lavando-os do pó
Que foi levantado pelo vento
Que passou na terra seca.
Dentro de mim,
Do meu coração
O pó da minha secura
Agarra-se
Quase como desesperado,
Como algo que não quer ser lavado,
Como algo que ali está,
Sempre esteve,
A obstruir os canais da vida,
O pulsar de um sangue novo,
Que traz a vida nova
À vida envelhecida.
Abro o meu coração,
À Tua chuva Senhor,
Água de vida nova,
Água sempre a jorrar
Que docemente,
Gentilmente
Quase sem se notar,
Vai lavando o pó já velho
Que não me deixa amar.
E chove agora um rio
Um rio de água sem fim,
Que lava tudo à passagem
E desperta a vida nova
No meu coração,
Bem dentro de mim.
Sim é verdade
O dia está triste,
Cinzento,
Mas a verdade é que em mim
Tudo é festa no momento
Porque chove a água nova
Que lava todo o pecado,
Que dá força
E mata a sede,
A quem se abre à ventura
De se deixar encontrar
Ao jorrar
Do Teu amor.
Desse Teu amor sem fim.
Corrente de água pura,
Cristalina e santa,
Que lava todo o pó
Agarrado ao homem velho,
E que da semente já morta
Germinada no amor,
Regada na esperança,
Faz nascer a vida nova,
Vida que é para sempre,
Porque essa vida…
És Tu,
Só Tu,
E sempre Tu,
Senhor!

domingo, 6 de abril de 2008

BEATO PIER GIORGIO FRASSATI


Há coisas na vida que despertam em nós um orgulho são!
Um dia descobri que no mesmo dia em que o Senhor me concedeu a graça de existir e ser Sua criação, ser Seu filho, também tinha permitido ao mundo conhecer um jovem extraordinário, em quem Ele se revelou de forma nitida e perfeita, de tal modo que a Igreja o quis colocar nos altares.
Sobretudo aos jovens que visitam este espaço, peço e insisto que visitem este site e procurem conhecer este jovem, que vivendo no mundo, no mundo ajudou a construir o Reino de Deus.




Beato Pier Giorgio Frassati,
nós te pedimos neste dia,
que intercedas pelos jovens,
para que descubram as maravilhas
do amor de Deus,
realizado nos homens.
Amen.

...

Obrigado, Senhor meu Deus e Criador!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

MEME


Recebi este Meme da Mafaoli.
Trata-se de um Meme literário, que pretende que se escolha 5 autores preferidos, e 1 que mereça apodrecer na estante.

Aqui está a minha escolha:

1 – Bíblia – Não necessita explicação porquê!

2 – Jean Lafrance – Leva-me a descobrir a oração.

3 – Yves Congar – Leva-me a um melhor conhecimento, numa escrita acessível.

4 – João César das Neves – Pelo seu desassombro.

5 – Morris West – Pela profundidade da sua escrita.

A apodrecer na prateleira, deixo o Dan Brown e todos aqueles que pretendem mistificar e enganar.

Convido a continuarem este Meme:

A MaluA Capela

A FaPartilhas em Fa menor

O André - Confidências

domingo, 30 de março de 2008

DOIS ANOS!

Hoje, este espaço completa dois anos de existência!

Não queria dizer nada, mas senti que devia dar graças a Deus por todos aquelas e aqueles que por aqui passaram, gostassem ou não, comentassem ou não.

O meu desejo neste dia é que o Senhor meu Deus, em Quem coloquei a vida que Ele mesmo me deu, me faça mais servo e menos eu.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado e Sua Mãe Maria Santíssima.

quinta-feira, 27 de março de 2008

RESSUSCITAS-TE SENHOR! ALELUIA!

Saio da sala onde estava fechado com medo há já três dias!
Sim Senhor, é verdade com medo!
Vi-Te morrer naquela Cruz, Senhor!
Como queres Tu Senhor que na minha pobreza, na minha fraqueza, na minha humanidade, eu não tenha medo, agora que Te deixaste morrer na Cruz do sofrimento?
Tanto quis acreditar, tanto, (apesar das minhas fraquezas), me entreguei, por todo o lado Te segui e quando pensei que tudo estava ganho, que a vida que eu imaginava me era já dada, vejo-Te morrer, sem um esboço de resistência, sem uma defesa sequer da Tua parte.
Tu Senhor, que tinhas dado vista aos cegos, andar aos paralíticos, vida aos cadáveres.
Tu que tinhas perdoado os pecados, que tinhas arrastado multidões atrás de Ti, ali ficaste, cabeça pendida, morto na Cruz.
Não sei Senhor o que me fez sair daquela sala e caminhar agora para o Teu túmulo.
Talvez o querer certificar-me mais uma vez de que afinal morreste mesmo, que o sonho dessa vida nova acabou, que tudo terminou e devo voltar ao que era dantes.
Vou Senhor temeroso, a coberto das sombras do alvorecer, com medo que alguém me veja.
Ainda no fundo de mim, algo me chama, me diz que não, não é possível que Tu que tudo fizeste, tenhas acabado assim!
Aproximo-me e reparo ao longe que os guardas já não estão de guarda ao sepulcro. Melhor assim, não me queria encontrar com eles.
Mas reparo agora que a pedra foi rolada, já não está na entrada e o túmulo está aberto.
Têm tanto medo de Ti Senhor, que até roubaram o Teu Corpo, para que não o pudéssemos contemplar.
O meu coração bate a um ritmo inacreditável à medida que me aproximo do Teu sepulcro.
Aquilo que eu sinto no coração, a minha cabeça quer negar e todo eu me sinto dividido entre a compreensão do que nos disseste que Te iria acontecer e a realidade do que os meus olhos viram e vêem agora.
Não está lá o Teu Corpo e no entanto eu sinto a Tua presença.
Volto-me para trás, olho para todos os lados, na ânsia de Te ver, de acreditar, mas nada, não Te vejo em lado nenhum!
Ouço então a Tua voz distintamente nos meus ouvidos:
Homem de pouca fé, olha para dentro de ti, olha para o teu coração, coloca-Me nele, coloca nele as Palavras que me ouviste e então poderás ver-Me porque eu estou aqui, junto de ti.
Caio de joelhos, baixo a cabeça e digo baixinho:
Senhor eu creio, mas aumenta a minha fé!
Uma luz que não se vê, uma voz que não se ouve, uma presença que não se toca, envolve-me na certeza mais profunda de que Tu Senhor, estás ali comigo.
Da minha boca sai um grito que vem do mais fundo de mim, vem das minhas entranhas, da minha criação, da imagem e semelhança a Ti, que Tu me deste Senhor, e deixo sair o som da minha voz impregnado de coração:
Ressuscitas-Te Senhor, ressuscitas-Te!
Não sei se rio, se choro, se estou quieto, ou se danço, só sei que uma alegria profunda, uma consolação sem fim, tomam conta de mim e me levam à certeza de que Tu estás ali Senhor, de que Tu estás comigo Senhor, de que Tu nunca me abandonas Senhor.
Começo a perceber que aquela vida que eu imaginava quando Te seguia ao princípio, uma vida de vitórias no mundo, uma vida sem necessidades, uma vida sem problemas, nem dores, não se compara a esta que agora me fazes sentir, esta Vida Nova que é a Tua presença real na minha vida, que é a certeza de que não morrerei se conTigo viver.
Posso agora Senhor escancarar as portas e as janelas que me fechavam no medo e abri-las a tudo o que a vida me quiser dar, na saúde e na doença, na abundância e na míngua, na companhia e na solidão, porque Tu estás comigo Senhor, porque Tu tudo passarás comigo Senhor, porque Tu és a verdadeira Vida Senhor!
Ressuscitas-Te Senhor, ressuscitas-Te, Aleluia!

sexta-feira, 21 de março de 2008

NA PAIXÃO E NA CRUZ NASCE A IGREJA

O grão de trigo desceu à terra e morto que foi, dá agora origem a uma nova planta.
Uma planta cheia de vida, cheia de frutos, de sementes, que irão morrer também para originarem novas plantas, que juntas na grande seara, vão dando fruto e semente, ocupando a terra que lhes foi dada.
Ali na Paixão e Morte de Jesus Cristo, o Messias Salvador, nascia a Igreja, grande seara para toda a terra.
Naquela última ceia o Senhor, ao lavar os pés dos Seus discípulos, mostra à Igreja a sua verdadeira missão: ensinar e colocar-se ao serviço de todos. Jo 13,1-20
Esta Igreja estava ao lado dEle, com Ele, em todos aqueles momentos.
Estavam os consagrados, os chamados a servirem na entrega total das suas vidas, o Papa, os Bispos, os Sacerdotes, os Diáconos, os Religiosos e Religiosas, representados nos Apóstolos que com Ele comiam à mesa. Lc 22,14-20
Estavam aqueles que O negam, mas depois se arrependem e acolhem o Seu perdão, representados em Pedro, naquela noite. Lc 26,69-75
Estavam aqueles que trabalham com o suor do seu rosto, representados naquele Simão de Cirene, chamado a ajudar a levar a Cruz, atrás de Jesus. Mc 15,21
Estavam as mulheres, as mães, e nelas as famílias, primeira catequese e encontro com Jesus Cristo, representadas por aquelas mulheres fiéis, (a Sua própria Mãe, que nos deu como Mãe), que nunca O abandonaram. Jo 19,25-27
Estavam os ladrões, os criminosos, os marginais, que abrindo o seu coração a Jesus Cristo, encontram a salvação, representados naquele ladrão crucificado com Ele. Lc 23,39-43
Estavam os marginalizados, os condenados pela sociedade, os proscritos, mas que reconhecem em Cristo o perdão e a salvação, representados por Maria Madalena, junto à Cruz. Jo 19,25
Estavam os que não acreditam, os que O repudiam, os que O condenam, mas que perante a experiência da Sua entrega de amor, se arrependem e O reconhecem, representados no centurião e na multidão que regressa a/à casa. Lc 23 47-46
Estavam os ricos, aqueles que por graça de Deus passam pelo buraco da agulha, representados por José de Arimateia, que Lhe entrega o sepulcro novo. Lc 23, 50-53
Estavam os homens de cultura, de ciência, os intelectuais, que descobrem nEle a Fé e a Razão, representados por Nicodemos, que oferece o perfume contra a corrupção. Jo 19,39
Estavas tu e estava eu, que nos curvamos perante a dimensão infinita de amor do nosso Deus, que se entrega por nós ao Pai, para nos libertar da lei do pecado pela força do Espírito Santo.
O nosso coração entristece-se, emudece, comove-se, mas deixa crescer nele um grito de alegria, que unido a toda a Igreja, vai espantar todo o universo:
Jesus Cristo, o Filho de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Ressuscitou e está vivo no meio de nós e em nós!
.
SANTA PÁSCOA para todos!

terça-feira, 18 de março de 2008

O CORAÇÃO


Apresento-Te as minhas mãos abertas!
Nelas está o meu coração, que bate e sente por Ti, que se enche e esvazia de Ti, vai-Te buscar à vida e dá-Te como vida, a quem Te quer aceitar, a quem Te quer amar.
Deste a Tua vida Senhor, pelo meu coração, para que ele sentisse, para que ele amasse, para que ele vivesse.
Por vezes Senhor, nele circula o meu sangue e torna-se amargo, indiferente, vingativo, às vezes até cruel!
Mas quando deixo o Teu Sangue dar-lhe vida, como tudo se transforma!
Apenas reflecte doçura, entrega aos outros, amor sem dimensão nem tempo!
E mais ainda, porque o Teu Sangue tudo vai enchendo de vida e tudo o que o corpo e o pensamento fazem, nasce em Ti, vem de Ti e Te transmite em toda a atitude, em todo o momento.
Mas se fecho o meu coração a Ti, então corre apenas o meu sangue que se torna espesso, escuro como trevas, corre nas veias com dificuldade, vai ao meu corpo, ao meu pensamento, mas torna tudo pesado, leva mais morte que vida, e fecha-me em mim próprio, sem mais nada que o meu eu.
Toma Senhor o meu coração e funde-o no Teu, para que seja sempre o Sangue puríssimo, oferecido pelo Teu amor, a alimentar a vida que me deste.

quarta-feira, 12 de março de 2008

NO CORAÇÃO


Hoje estava assim, calmo, quieto, e comecei a pensar em Ti.
Fiquei ali a pensar como Tu és bom, como Tu és amoroso, como Tu és lindo, como Tu és terno, como Tu és tudo e tão perfeito, aliás, és a perfeição.
E continuei a pensar como Te agradar, como Te amar, como Te acarinhar, como Te consolar, como Te falar, como ser Teu, inteiramente Teu e só Teu.
E pensei, e pensei, e tudo o que me vinha à mente era pouco, não chegava, não me satisfazia na ânsia de me querer dar a Ti.
E estava quase a desistir, quase a chegar à conclusão que nunca seria capaz de Te agradar, de Te satisfazer com nada do que fizesse.
E de repente...uma paz, uma serenidade, uma consolação, uma certeza de que fizesse eu o que fizesse a única coisa importante... era fazer a Tua vontade.
Mas como... como tinha sido afinal tão fácil perceber o que Tu querias, depois de ter pensado tanto e nada ter concluído!
É que Tu, mais uma vez, tinhas saído da minha cabeça, dos meus pensamentos, onde eu Te tinha colocado, e tinhas descido, (ou subido, sei lá), muito de mansinho ao meu coração!

segunda-feira, 10 de março de 2008

CEGO PARA A VIDA...

A escuridão era total!
Abria os olhos desmesuradamente para tentar ver qualquer coisa, mas nada, a escuridão persistia.
Pensou que com a adaptação dos seus olhos ao escuro haveria de conseguir ver alguma coisa, mas não, já tinha passado muito tempo e não conseguia distinguir nada naquela escuridão.
Precisava de andar, de sair dali. Já tinha experimentado algumas vezes mas nada tinha conseguido.
Estendeu os braços para a frente, como protecção contra algum obstáculo e começou a caminhar embora a medo.
Caminhou algum tempo sem ter problemas e começou a confiar que sairia dali sem mais delongas.
De repente foi de encontro a um obstáculo que não foi capaz de identificar, mas com a surpresa do choque e ao virar-se de repente tornou a embater noutro qualquer obstáculo que lhe causou uma grande dor.
Sentou-se a medo no chão e percebeu que tinha de pedir ajuda.
Começou a chamar por alguma pessoa que por ali estivesse, primeiro a medo, depois gritando já quase desesperado.
Mas nada, nada nem ninguém lhe respondia. Se estava por ali alguém não queriam saber dele para nada.
Levantou-se e voltou a caminhar, primeiro devagar, mas ia embatendo em obstáculos, e depois irritado, desesperado, começou a correr em todas as direcções batendo fortemente em tudo quanto eram barreiras e impedimentos de tal modo que já tinha aberto feridas e as dores começavam a ser insuportáveis.
Sentou-se mais uma vez, e com a cabeça entre as mãos chorou amargamente, convulsivamente.
Num desses momentos de choro mais intenso, disse baixinho, como só para si:
«Ó meu Deus, que hei-de fazer?»
Pareceu-lhe ouvir uma voz que dizia:
«Chamaste?»
Mas não, era impossível, não estava ali ninguém e aquele «meu Deus» saído da sua boca não tinha qualquer significado, porque ele não acreditava nessas coisas.
Novamente o desespero tomou conta dele e entre lágrimas voltou a repetir:
«Ó meu Deus, que hei-de fazer?»
Mais uma vez lhe pareceu ouvir:
«Chamaste?»
Estava a enlouquecer, só podia ser isso!
Levantou-se e caminhou mais uma vez apressadamente com as mãos para a frente a proteger-se no escuro, mas de repente sentiu o chão fugir-lhe debaixo dos pés e começou a cair num buraco que parecia não ter fim.
A queda foi brutal e ficou muito magoado, e sobretudo, o seu íntimo encheu-se de medo de voltar a caminhar com receio de cair em mais buracos no caminho.
Desesperado gritou então alto, sem saber muito bem porquê:
«Ó meu Deus, que hei-de fazer?»
Ouviu agora perfeitamente a voz que respondeu:
«Chamaste?»
Sem pensar decidiu responder àquela voz:
«Chamei, quem és tu?»
A voz respondeu:
«Sou alguém que te quer auxiliar, que te pode dar luz para caminhares sem tropeçar, que te pode ajudar a ultrapassar os obstáculos.»
Incrédulo, perguntou:
«Como podes tu fazer isso, se a escuridão aqui é total?».
Respondeu-lhe a voz:
«Eu sou aquele em quem tu não acreditas! Eu sou aquele de quem tu não queres ajuda! Eu sou aquele que tudo posso, desde que confies em mim!»
«És Deus?»
«Tu o dizes!»
O seu coração saltou-lhe no peito!
O que era aquilo, o que é que estava a acontecer?
Tinham-lhe falado tantas vezes em Deus, mas ele nunca tinha querido acreditar, nem sequer constituía objecto dos seus pensamentos.
A vida, pensava ele, cada um fazia-a como queria, por si só!
O problema é que tudo tinha corrido mais ou menos bem até então. Mas agora tinha-se instalado aquela escuridão que não o deixava ver nenhum caminho, nenhum horizonte que não fosse apenas a ausência de luz.
Abriu a boca e falou:
«Mas eu não Te conheço, eu nunca acreditei em Ti! Mas preciso tanto de ajuda!»
Respondeu-lhe a voz:
«E agora, queres acreditar, queres descobrir a verdade, o caminho, a luz, a vida?»
Quase gritou:
«Quero, quero sim meu Deus!»
Este “meu Deus” já lhe saiu da boca quase como uma profissão de fé.
Tinha sido o Único que tinha respondido ao seu apelo, ao seu pedido de ajuda!
Tinha que acreditar, senão estava perdido!
Mas mais do que isso queria acreditar, porque no seu coração sentia que ali estava a salvação.
Ouviu então a voz que lhe dizia:
«Então vê, a tua fé te salvou. Agora vai e não voltes a deixar que a escuridão te envolva.»
De repente tudo se iluminou!
O mundo apareceu-lhe radioso, com todas as cores do arco-íris.
Tudo lhe parecia lindo, tudo lhe parecia perfeito, tudo lhe parecia concorrer para a sua vida, para a sua felicidade.
Sentia uma enorme ânsia de participar naquele e daquele mundo, não para si próprio, mas para viver com todos em harmonia.
No meio de todos aqueles que caminhavam vivendo as suas vidas, reparou que alguns o faziam erraticamente, como se estivessem cegos, como se não tivessem qualquer esperança no seu futuro, como se não enxergassem qualquer horizonte para onde caminhar.
Percebeu então que estavam como ele antes, cegos para a vida verdadeira, fechados em si próprios, caminhando na escuridão para a escuridão, sem qualquer sentido na vida.
Ergueu os olhos ao Céu e disse:
«Obrigado meu Deus, porque agora vejo, porque agora sei no meu coração onde está a verdadeira vida. Mas quero pedir-Te mais uma coisa: ensina-me a mostrar aos outros a luz que Tu és. Quero ir ter com aqueles que vejo caminhar cegos como eu caminhava, e falar-lhes da Luz que Tu és, meu Deus!»
Então Deus respondeu-lhe com um sorriso maior do que o Sol:
«Faça-se a tua vontade, porque ela é a minha vontade. Que todos sejam salvos!»

sábado, 8 de março de 2008

PRÉMIO!




O amigo João Baptista, do Ecclesiae Dei quis atribuir-me este prémio!
Eu, uma "mente iluminada", pobre de mim!
Só se for por uma vela tremelicante que o vento da vida tantas vezes apaga!
Mas aceito e sobretudo agradeço do fundo do coração, porque se a mente por vezes se ilumina, é porque Alguém lhe dá luz e é por Ele que o prémio é aceite.
Todos os que por aqui passam são seguramente mentes que Ele ilumina, por isso sintam-se premiados também!

segunda-feira, 3 de março de 2008

TU ESTÁS SEMPRE CONNOSCO, SENHOR...

Às vezes Senhor, abate-se sobre nós o mundo com todas as suas misérias, os seus sofrimentos, as suas dores, as suas provações.
E depois Senhor, depois é um crescendo, parece que tudo concorre para a nossa desgraça.
Tudo aquilo que fazemos, tudo aquilo que tocamos, tudo aquilo que desejamos, em vez de ajudar apenas contribui ainda mais para a nossa tristeza, para a nossa desesperança.
As paredes do quarto da nossa vida, estreitam-se de tal modo que quase sufocamos dentro dele, quase nos é impossível viver aquela vida.
Não há luz, não há cor, não há nada que nos anime e nos diga que vale a pena viver.
Tudo se desmorona, vai-se o amor, vai-se o emprego, vai-se a casa, vão-se os que amamos e até os que não amamos.
Ficamos sós, completamente sós a enfrentar o mundo, o mesmo mundo que antes nos sorria e agora nos repudia.
É então que Tu vens Senhor, e dizes-nos cheio de amor:
«Eu não te disse que estaria sempre contigo?»
Mas nós não acreditamos!
A nossa razão, a nossa cabeça duvida embora o nosso coração queira acreditar.
Pensamos com a “nossa inteligência”, (pobre inteligência): que podes Tu fazer Senhor?
Não estás aqui, pensamos nós, não conheces o mundo, pensamos nós, não podes fazer aparecer do nada aquilo que nos faz falta, pensamos nós, não podes fazer com que os outros nos amem, pensamos nós…
E Tu insistes:
«Eu não te disse que estaria sempre contigo?»
Mas nós não Te vemos, não Te ouvimos, não Te sentimos, não Te tocamos, diz a nossa mente, por isso como é possível que Tu estejas sempre connosco?
Então Senhor, cheio de paciência, dizes-nos mais uma vez:
«Olha para o teu lado.
Não vês aquela, aquele que ouviu o teu apelo e te disse que rezava por ti? Não vês aquela, aquele que disse que te ajudava e tu nem sequer conheces? Não vês aquela, aquele que te disse aquelas palavras que apesar de tudo deram um pouco de paz ao teu coração?
Não vês aquela, aquele que te abraçou, até estando longe, e tu sentiste o seu abraço?
Sou Eu!
Sou Eu que estou sempre contigo e digo-te que não te faltarei!
Confia, abandona-te, luta, porque Eu te darei forças que pensas que não tens.
Confia e espera lutando.
Procura-Me na tua dor e encontrar-Me-ás.
Lembra-te que te deixei o Alimento Divino!
O Meu próprio Corpo e Sangue!
Revê a tua vida, corrige o que está mal, vem ao meu encontro, porque Eu já caminho para te encontrar.
Vem que faremos a festa juntos e quando menos esperares a luz vai brilhar para ti e em ti, tudo retomará cor, a vida vai revestir-se de esperança e um sorriso bailará nos teus lábios.
Então o teu coração dirá à tua cabeça:
Vês que Ele estava sempre connosco.
Tu não podias ver, não podias ouvir, não podias sentir, não podias tocar, porque o querias fazer sozinha!
É comigo, o coração, que tu tens que ver, ouvir, sentir, tocar e então juntos neste ser perfeito que Ele criou à Sua imagem e semelhança, iremos encontrá-Lo na vida que Ele mesmo nos deu, e ela será plena e terá sentido apesar das dificuldades e das provações que possam acontecer.»
Então a vida abre-se e num grito podemos dizer:
Obrigado Senhor porque verdadeiramente estás sempre connosco!
.
A propósito de uma situação que a Cátia, a Elsa e a Fa me deram a conhecer e que poderão ler e ajudar rezando no Amor de Deus.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O CAMINHO É DIFÍCIL...

Evangelho segundo S. Mateus 18,21-35.
Então, Pedro aproximou-se e perguntou-lhe: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?»
Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida.
O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: 'Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’
Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários.
Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: 'Paga o que me deves!’
O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: 'Concede-me um prazo que eu te pagarei.’
Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia.
Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor.
O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: 'Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.»


Muitos de nós, (mais uma vez, eu sempre incluído), ao ouvirmos, ao lermos, ao reflectirmos no Evangelho de hoje, somos levados, assim num primeiro momento, a não o aplicarmos às nossas vidas, porquanto temos a tendência para nele vermos apenas a parte material.
Eu não devo nada a ninguém, ninguém me deve nada e se me devessem ou eu devesse nunca procederia assim.
O problema é quando o aplicamos à nossa relação social, sentimental, emocional, com os outros e com Deus.
Com efeito, somos muito lestos em arrependermo-nos perante Deus, pedindo-Lhe perdão pela nossa maledicência, pelas nossas criticas e julgamentos aos outros, pedindo-Lhe perdão pelas ofensas que Lhe fazemos quando nos afastamos da Sua vontade, e voltamos as costas ao Seu amor.
E Ele perdoa-nos de imediato, perante o nosso arrependimento, perante a nossa contrição, perante a nossa admissão de culpa, de fraqueza.
Mas, perdoamos nós aos outros do mesmo modo?
Perdoamos nós aos outros os seus defeitos, as suas fraquezas, as suas culpas, já nem falando nas ofensas que nos são feitas.
É que normalmente somos tão rápidos a criticar e a julgar os outros, que isso significa que não utilizamos a mesma medida que o Senhor usa para com os nossos defeitos, fraquezas e culpas.
E se formos para o campo das ofensas, então aí, pior ainda!
Ou não perdoamos, ou fingimos que perdoamos, ou esperamos uma oportunidade para pagarmos o mal com o mal, ou seja, “mandamos prendê-los”, como o servo do Evangelho.
É tão difícil este caminho que o Senhor nos mostra, mas é o único em que a estrada é o amor/caridade e sendo o amor/caridade, é sempre vida, porque como nos diz São Paulo (1 Cor 13,8), no fim tudo passará e só ficará o amor/caridade, que é o próprio Deus, a vida eterna, e nós com Ele por Sua graça, como cumprimento da Promessa do caminho percorrido, segundo a Sua vontade.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O PEDIDO DA SAMARITANA

Disse-lhe a mulher: «Senhor, dá-me dessa água, para eu não ter sede, nem ter de vir cá tirá-la.»
Jo 4,15

Hoje quando escutava o Evangelho na Eucaristia, esta frase saltou ao meu coração e à minha mente.
Não é então isto que a maioria de nós, (eu incluído), pedimos tantas vezes ao Senhor?
Dá-nos Senhor tudo o que precisamos, para não termos de nos incomodar, para não termos de fazer grande esforço, para não termos de mudar muito a nossa vida.
Retira Senhor das nossas vidas as dores, as angústias, os sofrimentos, o trabalho, o termos de emendar tanta coisa errada.
Dá-nos Senhor tudo, para não termos de fazer nada!
Pois é, esta frase da samaritana reflecte isso mesmo, esse desejo de que seja Ele a fazer tudo, que Ele tudo dê, e nós apenas recebamos.
Mas Jesus Cristo coloca-a perante a sua vida, perante os seus erros, ao perguntar-lhe pelo marido, e dando-lhe a reconhecer tudo o que na sua vida estava errado.
E diz-lhe mais, diz-lhe que todos os sítios e momentos são bons para adorar a Deus, com a própria vida e tudo o que ela envolve.
E este tempo de Quaresma é momento certo para também nós nos deixarmos tocar por Ele, e enfrentarmos as coisas erradas que em nós vamos deixando viver, como os “cinco maridos” que aquela mulher tinha tido.
Então, perante o nosso reconhecimento e arrependimento, tudo podemos com a Sua graça e até como a samaritana, dar testemunho da presença de Jesus Cristo no meio de nós e em nós.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A CAPELA

Com a alegria de saber que Deus fala connosco e através de nós, peço a quem visita este espaço que vá A Capela ler o texto Renúncia.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O ALIMENTO DIVINO


A missão mais sublime do cristão é proclamar a Boa Nova e testemunhar com a própria vida, a graça da Vida Nova que o Espírito Santo nos dá, quando nos deixamos tocar por Jesus Cristo que nos mostra e leva ao Amor do Pai.
Para isso precisamos de crescer na fé, fortalecermo-nos na confiança, vivermos a esperança.
E para que todo este caminho aconteça precisamos de nos alimentar com o alimento divino que o Senhor nos oferece.
Esse alimento está sempre à nossa disposição na Palavra de Deus, nos Sacramentos, na Oração, nos testemunhos de vida dos nossos irmãos na fé.
De todos eles, podemos ver a Eucaristia como a perfeita refeição.
Todos ao redor da mesa, (altar), em comunhão com o Senhor que se faz realmente presente.
No início, purificamo-nos, confessando os nossos pecados.
É como o acto de lavarmos as mãos para nos limparmos de toda a sujidade que trazemos da nossa vida diária.
Depois escutamos a Palavra de Deus, que nos é explicada.
É a ementa, em que tantas vezes nos é explicado como é confeccionado o alimento.
Seguidamente vem o Ofertório.
É aquilo com que concorremos para a refeição. A nossa presença, o nosso apetite.
A Consagração.
Eis o alimento, que nos é apresentado!
Orações após a Consagração.
Pela Igreja, pelos defuntos, por todos nós.
Conversa à mesa sobre a família, sobre as necessidades da vida quotidiana, sobre aqueles que nos preocupam e aqueles que estão no nosso pensamento.
Comunhão.
O alimento divino: Jesus Cristo que se oferece a cada um!
O prato principal da refeição.
Às vezes só lhe damos importância, quando não temos que comer, quando passamos fome.
Por vezes também, quando não podemos comungar na Eucaristia, é que percebemos a dimensão infinita do Mistério do alimento divino que nos é oferecido.
Acção de graças.
Louvamos o Senhor pelo dom do Seu amor.
Agradecemos a quem nos preparou a refeição.
A bênção final.
É a sobremesa!
O sabor doce que nos fica na boca até à próxima refeição.

Ah, e depois, … depois como a refeição é boa, falamos dela aos outros e convidamo-los a virem sentar-se à mesma mesa, para que possam também gozar deste Alimento que o Senhor nos deixou como promessa eterna da Sua presença viva no meio de nós.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A QUARESMA, O SOFRIMENTO, A ALEGRIA

Os cristãos confundem muitas vezes, a meu ver, seriedade e dignidade com tristeza.
Nota-se isto em muitas celebrações em Igreja e na Igreja, e sobretudo neste tempo da Quaresma.
São Paulo diz-nos:
«Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!» Fl 4,4
Entristecemo-nos, e queremos sofrer, com a Paixão de Cristo, com o sofrimento de Cristo, com a Morte de Cristo.
Com certeza que Jesus Cristo sofreu e sofreu muito por nós, para nos libertar da lei do pecado e da morte, para nos abrir o caminho da Salvação.
Mas sofreu cheio de esperança, de alegria, de confiança, por aqueles que Ele ama acima de tudo na Criação.
Quantas mães e pais, perante o sofrimento de um filho, não se entregaram em oração por ele, pedindo a Deus o sofrimento do filho, entregando até a Deus a sua própria vida, pela vida do filho.
Se uma mãe, um pai, tem possibilidades, mesmo sofrendo, de retirar ao filho amado o sofrimento, então esse sofrimento que possam vir a sofrer, para além de consentido, é querido, é amado, porque consubstância o amor.
E se tal lhe for concedido, não tem esse sofrimento uma vivência diferente?
Não é esse sofrimento vivido na esperança de que o filho deixe de sofrer?
Não é esse sofrimento vivido na alegria interior de saber que o filho amado já não sofre?
Então se nós humanos, fracos e inconstantes, somos capazes de tais sacrifícios e de vivê-los em paz e alegria interior, quanto mais o Nosso Deus, Jesus Cristo Senhor, não viveu a Sua entrega, o Seu sofrimento, a Sua Paixão cheio de alegria interior de saber que pelo Seu sofrimento vinha a salvação aos que Ele mais amava.
E quem somos nós para querermos sofrer o que Cristo sofreu para nos salvar?
Ele sofreu para que nós não sofrêssemos, por isso mesmo não podemos “retribuir” essa entrega de Cristo com a nossa tristeza.
Claro que a alegria interior que devemos viver porque Cristo nos salvou, (sim, já nos salvou!), não é uma alegria de gargalhada fácil, mas sim a alegria que nos vem de nos sabermos salvos, de sabermos, acreditando firmemente, que Ele se alegra no Seu sofrimento pela nossa salvação.
Deixemos as caras tristes, compungidas, fechadas, e vivamos a Quaresma na interioridade da procura da nossa comunhão com Cristo e com os outros, com o sorriso da alegria interior de nos sabermos salvos em Jesus Cristo Nosso Senhor.
Será um testemunho bem mais bonito que daremos, se nas nossas faces brilhar o sorriso daqueles que têm o esposo consigo, daqueles que vivem a festa da vida que o Senhor lhes deu, por Sua entrega.
A seriedade e dignidade do tempo quaresmal serão bem mais acentuadas se esse sorriso reflectir a paz, a serenidade, de quem acredita que Deus é muito maior que o nosso pecado, e que o sofrimento de Cristo foi querido e amado por Ele, vivido na alegria da nossa salvação.
Portanto não vivamos, não sintamos o sofrimento de Jesus como um mal que Lhe causamos, como algo negativo, mas sim como a alegria que Ele próprio vive em sofrer para nos salvar, porque nos ama e essa expressão sublime e total do Seu amor, só nos pode levar ao amor e à alegria.
E se tivermos de sofrer na liberdade de filhos de Deus, os sofrimentos que tantas vezes o mundo nos dá, então façamo-lo em comunhão com Cristo, unindo-nos ainda mais a Ele e oferecendo as nossas dores por aqueles que ainda não vivem a alegria de aceitarem a salvação que o Senhor nos dá.

QUADRAGÉSIMA.COM

Propõe-nos o padre amigo do Confessionário uma reflexão nesta Quaresma, nos seguintes termos:

«O tempo da Quaresma é um tempo de descoberta da nossa identidade como cristãos. É um tempo de encontro connosco próprios e com Deus. É um tempo especial de introspecção e reflexão. Porque não havemos de o fazer aqui, na net, e de uma forma mais comunitária, ajudando-nos uns aos outros?! Deste objectivo nasce esta proposta, a “quadragésima.com”.»

Regras da quadragésima.com:

1- Ao receber a “quadragésima.com” o blogger deve reflectir na sua relação com Deus e descobrir uma frase, bíblica ou não, que a defina;

2- Depois de o fazer deve re-escrever num post estas regras, as frases já assinaladas pelos anteriores bloggers (com o respectivo link), e escrever a sua;

3- No post deve incluir quem deseja convidar (pode e deve manifestá-lo no blog da pessoa convidada);

4- Não é permitido fazer mais que um convite ao mesmo tempo;

5- O blogger que, recebendo a “quadragésima.com”, não estiver interessado em aceitá-la, deve indicá-lo ao seu emissário para que este lhe dê seguimento através de outro blogger;

6- Não podem aceitar mais que uma vez a “quadragésima.com”; se o convite aparecer, mesmo vindo de outra “frente”, devem igualmente informar o emissário do segundo convite;

7- A “quadragésima.com” realiza-se em 3 frentes: frente “Deus-Pai”; frente “Jesus”; frente “Espírito Santo”; estas frentes funcionarão quase como equipas, para tentar chegar ao maior número de bloggers possível (não se trata de encontrar vencedores, mas empenhados);

8- A “quadragésima.com” será encerrada na Sexta-feira Santa, dia 21 de Março, pelas 12.00 horas, hora em que o último blogger receptor deve endereçá-la, já com a sua frase, a este endereço, para publicitarmos todas as frases que definem a nossa relação com Deus nesta Quaresma de 2008.

Obrigado por aceitares a quadragésima.com
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A frente “Espírito Santo”, vinda do Confessionário, foi iniciada pela Fa – Partilhas em Fa menor, que me passou a alegria de lhe dar continuidade, o que agora faço, pedindo seguidamente à Malu – A Capela, que continue esta caminhada.
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quadragésima.com - frente “Espírito Santo” - as frases

0 - “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas.”
1 - ''De maneira semelhante é que o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza, pois não sabemos o que devemos pedir em nossas orações, mas é o próprio Espírito que intercede por nós com gemidos inefáveis''.
Rom. 8,26 – Partilhas em Fa menor
2 - «Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.»
Jo 14,25-26 - Que é a Verdade?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

CAMINHO DE CRESCIMENTO...

Alguém amigo, comentava há uns dias comigo, que não percebia porque é que no inicio da caminhada de fé, a oração era fácil, a alegria era sempre presente, as consolações eram muitas, o mundo, a vida, tudo lhe parecia tudo bom, e agora, passado um tempo, tornava-se difícil a oração, muitas vezes a tristeza atacava, em tantas coisas se deparava com o mal.
Às vezes quase apetecia desistir, porque a luta era muita, e se deixasse a vida prosseguir sem se preocupar com a comunhão com Deus e com os outros, tudo seria muito mais fácil.
Não entendia porque é que por causa de tudo isto, às vezes até se revoltava “contra” Deus!
Ao tentar responder a estas inquietações, foi-me inspirada a seguinte resposta que aqui deixo para reflexão.
O caminho de Deus é uma aprendizagem, com tudo o que implica aprender, desde a consolação, ao desânimo, passando muitas vezes por uma falta de acreditar em nós próprios, nos outros e até em Deus.
Quando uma criança nasce, é rodeada de carinho, de ternura, e tudo o que ela faz é objecto de compreensão, até de alegria, (até mesmo coisas que parecem “más”), ou seja, quantas vezes as mães não se alegram porque o bébé sujou as fraldas, o que é sinal que tudo está bem...
Assim o bébé é só consolações, tudo o que faz é bem aceite e fonte de alegria, está totalmente protegido para que nada de mal lhe aconteça. Tudo quanto sejam agressões ao seu bem estar são imediatamente afastadas porque a sua ligação/comunhão com os pais é total e permanente.
Mas depois começa a crescer e já se aventura a decidir algumas coisas por si só, sem atender àquilo que os pais lhe dizem, e começam as "dores", (porque mexeu no lume e se queimou), porque fez isto ou aquilo, e lá chegam também as primeiras reprimendas.
Continua a crescer e cada vez mais acha que já sabe tudo, há até um momento em que se quer afastar dos pais por achar que aquilo que lhe dizem não serve a sua vida.
Agora muitas vezes os erros são maiores e as suas consequências mais pesadas.
Por vezes sente um desejo enorme de se recolher nos braços dos pais, mas o orgulho e muitas vezes uma sensação de culpa, de vergonha, impede-o de o fazer, ou de ser inteiramente verdadeiro com eles, acatando aquilo que eles lhe dizem para o seu bem.
E a vida vai continuando e as coisas boas vão alternando com as menos boas e vai descobrindo que afinal as coisas que os pais lhe diziam eram coisas boas e até as vai ensinando aos seus filhos.
À medida que se vai aproximando da idade mais avançada vai-se dando conta de que tem de confiar naqueles que o amam e assim vai-se deixando conduzir, ajudar, e vai redescobrindo as alegrias e consolos de esperar e confiar em alguém que o ama verdadeiramente e o ajuda a viver a sua vida.
Claro que esta descrição é a de uma vida em termos gerais, que acontece, mais parecida ou menos parecida, com muitas pessoas.
Com certeza já reparaste na similitude daquilo que te quero dizer.
Nesta vida voltada para Deus, ao principio tudo são consolações, alegrias, descobertas, sentimo-nos protegidos, parece que nenhum mal nos pode acontecer e isso porque a nossa vida é então uma descoberta e é sobretudo uma oração constante, uma constante comunhão com Deus, na Eucaristia, na Confissão, na entrega, não queremos viver mais nada.
Em tudo O queremos encontrar, em tudo seguimos a Sua Palavra, o mal nada pode contra nós, e espantamo-nos como é possível que os outros não percebam esta maravilha, não queiram viver esta descoberta, esta vida cheia e plena.
Mas depois há que descer do Tabor!
É Ele mesmo que quer que comecemos a enfrentar a vida do dia a dia, que enfrentemos o mal que corre o mundo e então começamos a reparar em tanta coisa má que acontece e questionamo-nos, perguntamos-Lhe até: Como é possível, porque deixas isto acontecer!!!
E Ele na Sua bondade infinita vai-nos mostrando às vezes dolorosamente que não interfere na nossa liberdade e por isso aquilo que fazemos sem pensarmos tem as suas consequências.
É o tempo de crescimento, de percebermos que temos também a nossa parte para fazer, a nossa vida a construir.
Então por vezes o nosso arrebatamento já não é tão intenso, o nosso acreditar tão real, e assim isso reflecte-se na nossa entrega, na nossa oração, na nossa comunhão.
Ai as dores de crescimento!
Estou a ver os meus filhos a barafustarem quando mais pequenos começaram a comer a sopa com "coisinhas" como eles diziam, ou seja, com bocados de batata ou legumes...
Não queriam a sopa assim! Queriam-na sempre moída, mais fácil de comer, sem dar trabalho!
E nós também somos assim!
Antes a oração fluía, a alegria era constante, tudo era fácil e nós nem conseguíamos descortinar as coisas más, pois passavam-nos ao lado.
Mas agora, Santo Deus, parece que o mal nos entra pelos olhos adentro, parece que envolve a nossa vida, e temos dores e dificuldades e não conseguimos rezar, não queremos comer a sopa com "coisinhas"...
Mas Ele sabe que nós precisamos desse crescimento, para nos fortalecermos, para podermos enfrentar todas as dificuldades, contrariedades, provações que vão chegando conforme o mundo se torna mais egoísta e a nossa idade vai avançando e tornando mais penoso o nosso viver.
A Fé está lá, mas parece não querer dar sinais de vida, parece que o alimento que lhe damos não chega...
É o tempo de lutar, lutar contra nós próprios, lutar contar tudo aquilo que dentro de nós grita: Desiste, não vale a pena!
Lutar sempre! Se não consigo rezar o terço, digo apenas: Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim pecador!
E repito e volto a repetir sempre em todo o momento porque Ele me ouve, e sente a minha angústia, porque Ele não deixa de me responder!
Lembramo-nos então daquilo que Ele nos dizia quando começámos nesta vida e percebemos que já nessa altura Ele nos avisava dos perigos que estavam para vir, das dificuldades que havíamos de viver...
E procuramos mais comunhão, mais entrega, com mais perseverança, na confiança e na esperança de que Ele nos está a provar, porque nos ama com amor infinito e nos quer preparar para o que há-de vir: «Vigiai, porque não sabeis quando vem o ladrão...»
E então louvamos!
Louvamos por estas dificuldades, por estas provações e acabamos por não as entender como um mal, mas sim como um bem que nos ajuda a crescer.
E Ele responde-nos e exorta-nos à luta constante, exorta-nos a darmos testemunho dessa luta para que aqueles que a estão a viver saibam e percebam que é na perseverança, na comunhão de oração que Ele responde, mesmo que pareça escondido de nós...
Então passada a luta, (quanto tempo demorará?), Ele vem, toma-nos ao Seu colo e diz-nos cheio de amor: Descansa agora nos meus braços de eternidade e goza o louvor e a alegria para sempre!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

O HOMEM NOVO 2

«Que o vosso amor seja sincero.
Detestai o mal e apegai-vos ao bem.
Sede afectuosos uns para com os outros no amor fraterno; adiantai-vos uns aos outros na estima mútua.
Não sejais preguiçosos na vossa dedicação; deixai-vos inflamar pelo Espírito; entregai-vos ao serviço do Senhor.
Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração.
Partilhai com os santos que passam necessidade; aproveitai todas as ocasiões para serdes hospitaleiros.» Rm 12,9-13
Sem mais palavras, que não são necessárias...

sábado, 26 de janeiro de 2008

COMO MOSTRAR-TE, SENHOR...

Há pouco,
Há “poucochinho”,
Ainda agora Senhor,
Te entregaste mais uma vez,
Como alimento,
E eu alimentei-me de Ti.
E depois,
Depois Senhor
Queria dizer-Te
Da alegria indizível
Que é receber-Te em mim...
Mas não tinha palavras,
Mas não tinha gestos,
Mas não tinha nada,
A não ser o meu nada
Para Te dizer
O Tudo que Tu és...
Como posso eu
Dizer a todos
O que Tu és...
As palavras não me chegam,
Os gestos também não,
Nem o sorriso, Senhor
Que fazes dançar na minha boca
Testemunha aos outros
A graça de Te ter...
Olha Senhor,
Se não fores Tu
A mostrar-Te em mim
Eu não consigo
Dizer-Te,
Eu não consigo
Revelar-Te
Eu não consigo testemunhar
Tudo o que Tu
És em mim,
Para os outros.
Não quero palavras,
Não quero gestos,
Não quero nada,
Senhor...
A não ser,
Ser tudo,
O que Tu queres que eu seja.
Sem eu aparecer,
Sem dar-me a conhecer,
Sem ser joão, pedro
Paulo ou joaquim,
Mas apenas
Que percebam
A Tua presença
Em mim...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A INTERCESSÃO


O episódio da “Cura do paralítico” é narrado nos três Evangelhos sinópticos.
Gostaria no entanto, de realçar as três seguintes passagens em cada um dos Evangelhos:

Mt 9,2 – Apresentaram-lhe um paralítico, deitado num catre. Vendo Jesus a fé deles, disse ao paralítico: «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados.»
Mc 2,3-5 – Vieram, então, trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. Como não podiam aproximar-se por causa da multidão, descobriram o tecto no sítio onde Ele estava, fizeram uma abertura e desceram o catre em que jazia o paralítico. Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados.»
Lc 5,18-20 –
Apareceram uns homens que traziam um paralítico num catre e procuravam fazê-lo entrar e colocá-lo diante dele. Não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao tecto e, através das telhas, desceram-no com a enxerga, para o meio, em frente de Jesus.
Vendo a fé daqueles homens, disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados.»

Percebemos então que há uns homens, (seriam quatro), que trazem um paralítico a Jesus, para que Ele o toque, para que Ele o cure.
Percebemos também que os homens têm dificuldades em levar o paralítico à presença de Jesus.
Está muita gente, não conseguem passar, há dificuldades várias, mas eles não desistem, sobem ao tecto, abrem caminho e descem o paralítico até Jesus.
É ainda importante repararmos que, (pelo menos os textos não o dizem), os homens nada disseram, nada pediram, “limitando-se” a apresentarem o paralítico a Jesus, na convicção de que Ele sabia muito bem o que o homem precisava, e que faria o que Lhe aprouvesse e fosse melhor para aquele homem.
Perante tudo isto, Jesus sente e confirma a fé daqueles homens, levando-nos no entanto os textos a percebermos, que a fé estará naqueles que apresentam o paralítico a Jesus, e não nele próprio.
Ao “ver a fé daqueles homens”, como nos dizem os textos, Jesus trata primeiro de curar a vida interior daquele homem, perdoando-lhe os pecados, para depois, e perante a murmuração e incredulidade dos outros e muito provavelmente ainda do paralítico, o curar da doença física.
Mais vale entrar no Céu “paralítico”, do que ir para o Inferno a “correr”!
O homem tem agora uma vida nova!
Perdoado dos seus pecados, e curado da paralisia, pode agora caminhar interiormente e exteriormente, dando testemunho da graça que Jesus nele derramou.
Mas esta cura, interior e exterior, foi possível, para além da graça de Deus, porque houve alguém que levou o homem, que intercedeu pelo homem junto de Jesus.
Aqueles homens intercederam pelo “doente”, não desistindo perante as dificuldades!
Foram constantes, perseverantes e não se importaram se o homem tinha ou não fé em Jesus Cristo!
Esse era um problema que Jesus resolveria, bem como a cura da doença física!

E nós intercedemos pelos outros?
E quando intercedemos, somos constantes, perseverantes, ou pelo contrário, desistimos perante as dificuldades, ou perante o “tempo de resposta” de Deus?
E ao pedirmos, colocamos tudo sob a vontade de Deus e louvamo-Lo por tudo, ou só agradecemos quando nos é concedido especificamente o que pedimos?
E pedimos só pelas curas físicas, pelos bens materiais, ou, e sobretudo pela conversão, pela cura interior dos outros e a nossa, claro?
Será que Jesus, perante a nossa intercessão, também constatará a nossa fé?

É sublime a missão que o Senhor nos dá de intercedermos pelos outros!
E a intercessão reveste-se ainda de uma saudável humildade, pois ela pode ser feita em segredo íntimo, e perante a graça recebida, aquele que a recebeu agradecerá a Deus, e não a quem foi intercessor.
E, “curado” que foi, dará testemunho e intercederá também pelos outros, numa comunhão de oração, que se faz Igreja.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

PRÉMIO...



O André, amigo do Confidências, quis distinguir este blogue com um prémio!
Fico sempre um pouco sem jeito perante estas coisas, mas não vou dizer que não me agradou e não me senti de alguma forma…orgulhoso.
Pior que a falta de humildade, só a falsa modéstia.
Mas fico ainda mais feliz e agradecido, porque sendo este blogue um espaço dedicado exclusivamente à vivência da Fé cristã e católica, este prémio, para mim, representa que é lido, apreciado e que, de alguma forma, interpela aqueles que o visitam.
Representa também, que sendo eu, ou querendo ser, apenas um instrumento nas mãos do Autor, conseguirei de quando em vez, transmitir o que Ele quer que eu dê a conhecer.
Por isso, e por muito mais, como por exemplo a companhia neste caminho de Fé, do fundo do coração: Obrigado André!

Compete-me, segundo o prémio, atribui-lo a 5 outros espaços/net, o que é sempre uma tarefa ingrata que eu não gosto de fazer.
No entanto, e afirmando que são estes e poderiam sem margem para dúvidas, serem outros, aqui estão, por ordem alfabética:

A Capela
A escrita fluida, o humor, a procura, a entrega, a amizade, a presença amiga constante.

Aliquando
A inteligência, a frontalidade, a serenidade, a Igreja em toda a sua diversidade na comunhão.

Derrotar Montanhas
O espírito, a alegria, a perseverança, a exortação, a Palavra Viva.

Deus em Tudo e Sempre
A vivência, o conselho, a caridade, a missão para e pelos outros.

Partilhas em Fa Menor
O carinho, a ternura, a exultação, a musicalidade, a entrega aos mais jovens.

Que seja tudo para a Glória de Deus!

sábado, 19 de janeiro de 2008

ELE VEIO PARA OS PECADORES...

Hoje sinto necessidade de dizer a todos aqueles que me visitam: «Eu sou um pecador!»
Digo-vos isto porque Jesus Cristo veio, entrou em minha casa e sentou-se à minha mesa!
Talvez alguns, não sei, pensaram: «Como é possível o Justo, sentar-se à mesa daquele que teve aquela vida sem regras e que ainda hoje é tão fraco?»
Eu, a única coisa que vos posso dizer é isto: «Sou pecador, sou indigno»
Mas Jesus Cristo, em Quem o amor é muito maior que o meu pecado, quis sentar-se à minha mesa e eu apenas Lhe posso dar tudo o que eu sou, apenas Lhe posso dizer com o coração revestido de esperança: «Senhor tudo o que eu vivi longe de Ti, tudo o que eu fiz contra Ti, todos os que por força do meu testemunho errado afastei de Ti, coloco nas Tuas mãos e me ofereço por eles. Ofereço-Te a minha vida e tudo o que eu sou, tudo o que eu tenho. Faz de mim o que quiseres, porque a minha vida só tem sentido se caminhar para Ti e Te oferecer, por eles e por mim, a minha vida em dobro.»
Por isso vos digo, minhas irmãs e irmãos em Cristo: «Se não vos consigo transmitir este amor em Cristo e a Cristo que vive em mim, nada faço e para nada sirvo!»
Sou um pecador, e vós também, por isso acolhei-vos a este amor infinito do Pai, por Jesus Cristo Nosso Senhor, na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O HOMEM NOVO

«É isto, pois, o que digo e recomendo no Senhor: não volteis a proceder como procedem os gentios, no vazio da sua mente; vivem obscurecidos no pensamento, alienados da vida de Deus, devido à ignorância que neles existe e ao endurecimento do seu coração; tornados insensíveis, a si mesmos se entregam à libertinagem, até chegarem a praticar toda a espécie de impureza, na ganância.
Vós, porém, não foi assim que aprendestes, ao conhecerdes a Cristo, supondo que dele ouvistes falar e nele fostes instruídos, conforme a verdade que está em Jesus: que deveis, no que toca à conduta de outrora, despir-vos do homem velho, corrompido por desejos enganadores; que vos deveis renovar pela transformação do Espírito que anima a vossa mente; e que deveis revestir-vos do homem novo, que foi criado em conformidade com Deus, na justiça e na santidade, próprias da verdade.
Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Se vos irardes, não pequeis; que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento, nem deis espaço algum ao diabo.
Aquele que roubava deixe de roubar; antes se esforce por trabalhar com as suas próprias mãos, fazendo o bem, para que tenha com que partilhar com quem passa necessidade.
Nenhuma palavra desagradável saia da vossa boca, mas apenas a que for boa, que edifique, sempre que necessário, para que seja uma graça para aqueles que a escutam. E não ofendais o Espírito Santo de Deus, selo com o qual fostes marcados para o dia da redenção.
Toda a espécie de azedume, raiva, ira, gritaria e injúria desapareça de vós, juntamente com toda a maldade. Sede, antes, bondosos uns para com os outros, compassivos; perdoai-vos mutuamente, como também Deus vos perdoou em Cristo.» Ef 4, 17-32
Sem mais palavras, que não são necessárias...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

QUENTE, MAIS QUENTE...FRIO, MAIS FRIO...

Abate-se sobre mim uma tristeza
Que eu não entendo, Senhor…
Ataca-me, envolve-me,
Quer tomar conta de mim,
E eu não entendo Senhor…
Não há razão,
Não há motivo,
A não ser o reconhecer-me fraco,
Como sempre fui….
Mas tenho o Teu amor,
Tenho o Teu perdão,
Não é Senhor?
Então porquê?
Porquê esta tristeza,
Que quer tomar conta de mim…
Sou eu que me escondo de Ti,
Consciente da minha fraqueza?…
Mas Tu não Senhor,
Tu não Te podes
Esconder de mim!
Porque senão…
Como posso eu viver!
Ah, já sei,
Escondes-Te
Para eu Te procurar melhor,
Para eu não desistir
De Te encontrar…
Olha Senhor
Lembras-Te daquele jogo de crianças:
“quente, mais quente..frio, mais frio…”
Com que nos iam guiando
À procura do que estava escondido?
Então peço-Te Senhor:
Brinca comigo ao mesmo jogo!
Vai-me conduzindo no caminho,
Vai-Te mostrando devagarinho!
Que eu sinta o Teu calor
Quando de Ti estou mais perto,
E que frio aperte,
Quando de Ti me afasto.
Vês Senhor,
Quando brincamos assim
Tudo se transforma,
Tudo se renova…
Mas Tu já sabias Senhor,
Que assim era!
Só estavas à espera
Que eu quisesse jogar conTigo!
Como Tu fazes as coisas
Tão bem feitas!
Vês agora, Senhor?
Comecei a escrever triste,
Sem saber o que fazer,
Nem o porquê da tristeza,
Que tornava cinzento
O meu dia.
Acabo agora a escrita
Convicto de uma certeza:
Que Tu estás sempre comigo,
Sempre disposto a brincar
Ao jogo de Te encontrar,
Para fazeres da minha tristeza
A Tua eterna alegria…

Monte Real, 11 de Janeiro de 2008

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A PROPÓSITO DO EVANGELHO DE HOJE ... Mc 6, 45-52


Aqui vou Senhor, a remar no barco da minha vida, tantas vezes cansado, tantas vezes temeroso, tantas vezes quase a desistir quando surgem as tormentas das provações, quando se levantam os ventos das dúvidas, quando se abatem as ondas fortes das tentações.
Aqui vou Senhor, a remar o barco da minha vida, tantas vezes sozinho, porque não cuido de levar outros comigo, porque sou egoísta, porque por vezes só penso em mim, e só me dou conta quando cansado de remar, precisava de outros que também remassem no barco da minha vida.
Aqui vou Senhor, a remar o barco da minha vida, tantas vezes sem entender o rumo que devo seguir, apesar de tantas vezes já mo teres mostrado.
Mas hoje leio-Te e descanso!
Tu estás no monte a rezar ao Pai por mim, por todos, e não Te distrais de mim, não Te distrais do barco da minha vida, sempre, constantemente, me vês a mim e a todos.
Ao veres-me cansado, temeroso, hesitante, vens ao meu encontro sobre as águas alterosas da minha vida e perante o meu espanto, o meu medo, dizes-me: «Tranquiliza-te, sou Eu: não temas!» Mc 6, 50
Então o vento da minha vida amaina e eu, tranquilizado, seguro, adormeço nos Teus braços.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

NESTE NOVO ANO, SENHOR...

Neste novo ano Senhor,
Quero amar
Com a universalidade do Teu amor;
Quero perdoar
Com a constância do Teu perdão;
Quero sentir
Com a grandeza da Tua misericórdia;
Quero dar-me
Com a totalidade da Tua entrega;
Quero ser
A infinita bondade da Tua vontade
Quero viver
Com a eternidade da Tua Vida;
Por Ti, Senhor
Em Ti, Senhor
Para Ti, Senhor
Nos outros.
Amen.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

VIDA NOVA NUM NOVO ANO

É costume dizer-se nesta época do ano: ano novo, vida nova.
É costume também, formularem-se votos de saúde, prosperidade, felicidade, enfim, votos de que tudo corra pelo melhor sem problemas de qualquer espécie.
Pensava em tudo isto quando me preparava para formular esses mesmos votos a todos aqueles que visitam este espaço onde dou a conhecer a minha vivência quotidiana da fé, e me perguntei: E tu o que desejas neste novo ano que vai começar?
Claro que a minha primeira resposta tinha tudo a ver com os votos acima expressos, ou seja, saúde, prosperidade, felicidade, ausência de problemas, de contrariedades, etc.
Depois pensei melhor e reflectindo cheguei à conclusão que ter tudo isso numa óptica de vida no mundo, (e que é impossível de concretizar), é muito redutor, porque se esgota nesta vida mortal, não se projecta para a vida eterna a que eu acredito somos chamados.
Assim formulei então para mim os meus votos para o novo ano!
Que cada vez mais procure e me seja concedida a graça de uma relação mais intima, pessoal e profunda com Jesus Cristo, Senhor e Salvador.
Que cada vez mais me deixe conduzir, renovar, inspirar, iluminar, pelo Espírito Santo, Senhor que dá a vida.
Que cada vez mais me deixe envolver no amor do Pai, Senhor Todo Poderoso, Criador de todas as coisas.
Percebi então que estes são os melhores votos para o novo ano que se avizinha, porque se assim for, sempre estarei acompanhado pela Eternidade do Amor, na saúde e na doença, na prosperidade e na míngua, na alegria e na tristeza, na harmonia e na contrariedade e tudo será vivido na graça do dom da vida que o Senhor me concedeu.
Nada mais posso e quero para mim neste novo ano que vai começar!
Como quero para mim sempre o melhor, também o desejo a todos os outros, amigas e amigos que aqui me visitam, (os que comentam e os silenciosos), na certeza de que, na concretização destes votos só pode acontecer para cada um de vós um Novo Ano cheio de Vida Nova.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

ERA NOITE DE NATAL!

Era noite de Natal!
Estava ali sozinho na sala, sentado no sofá, envolto nos seus pensamentos.
Tinha visto ao longo dos últimos dias as pessoas na rua com um comportamento diferente, um modo de se olharem mais próximo, uns sorrisos que ao longo do ano não se costumavam ver, uma correria para as últimas compras, enfim uma maneira diversa de se relacionarem, mesmo entre aqueles que não se conheciam.
Na sua casa no entanto nada mudava, tudo ficava igual, e era assim que ele queria fosse!
Vivia sozinho e não gostava do Natal!
Aquela coisa da festa da família não lhe dizia nada, pois há muito que vivia só, sem família.
Lembrou-se de quando tinha família e logo uma irritação lhe despontou no seu coração.
A sua mulher tinha morrido há muito tempo e aquele filho único...
Agitou-se no sofá.
Aquele filho único, aquela discussão, aquela zanga, aquele cortar de relações.
Já nem se lembrava bem do que tinha dado origem a tudo aquilo, mas lembrava-se das palavras que ele lhe tinha dito e o tinham magoado, tinham ferido, tinham rasgado tão profundamente os sentimentos, que tinha ouvido distintamente a voz do seu filho dizer: Eu já não tenho pai!
Lembrava-se também de gelidamente nada ter feito para impedir a sua saída de casa.
Tinha-o deixado sozinho naquele momento tão difícil para ele.
Nunca lhe perdoaria!
Não queria saber o que era feito dele, não lhe interessava, embora por vezes viesse ao seu coração um sentimento que não sabia explicar, como que de saudades, o que era de todo impossível porque para ele aquele filho era como se não existisse.
Pôs de lado os seus pensamentos. Não valiam a pena.
Preparou-se para cear qualquer coisa, fazendo essa pequena concessão ao espírito de Natal.
Quando se levantava do sofá, ouviu um carro parar à porta de casa e o bater de uma porta.
Movido pela curiosidade aproximou-se da janela e espreitou para a rua.
O seu coração gelou!
A abrir a cancela do jardim estava o seu filho, com um embrulho nas suas mãos e um grande sorriso na cara.
Ainda hoje não sabe explicar o que aconteceu, mas a verdade é que num instante se encontrou na rua e abraçado àquele corpo, chorava convulsivamente.
O filho empurrando-o gentilmente, afastou-o um pouco e disse-lhe com voz embargada:
Perdoa-me pai, perdoa-me, porque te magoei, porque me afastei de ti, porque não fui bom filho.
Mas ele não tinha palavras, apenas o queria abraçar, apenas o queria sentir junto de si, apenas queria sentir apertado em si, dentro de si, aquela “carne da sua carne”.
No entanto, afastando-se um pouco, olhou-o profundamente nos olhos e disse-lhe:
Perdoar o quê meu filho, (que bem lhe soube aquela palavra, filho), perdoar o quê? Entra, entra, vem para dentro, deixa-me ver-te, deixa-me sentir-te, deixa-me abraçar-te.
Entraram em casa abraçados um ao outro, felizes como duas crianças em dia de aniversário e sentaram-se frente a frente no sofá.
Olhou o seu filho no fundo dos olhos e disse-lhe pesaroso:
Mas eu não tenho nada para festejar! Nem bons vinhos, nem “vitelo gordo”, nem convidados para se alegrarem connosco!
Então o filho suavemente pegou-lhe nas mãos e colocando-as no meio das suas disse-lhe numa voz repassada de amor:
A festa neste momento somos nós meu pai. Porque eu andava perdido, a vida sem ti não tinha sentido, e tu mal me viste correste para mim e me abraçaste. A festa neste momento somos nós, meu pai, porque agora junto a ti, renascemos para o amor.
Ficaram ali, sentados no sofá, olhando-se nos olhos, mãos nas mãos, sem palavras, apenas vivendo-se um ao outro.
No meio deles, sem se ver mas presente, muito presente, (onde está o amor, Ele está sempre presente), estava Jesus Menino, que sorria com um sorriso que fazia empalidecer as estrelas.
Era noite de Natal!
.
Monte Real, 20 de Dezembro de 2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O DESERTO


Neste Advento, mais uma vez a imagem do deserto me entrou pelo coração adentro.
João Baptista retirou-se para o deserto, e era no deserto que pregava, que ia exortando os outros ao arrependimento e ele próprio procurava o seu caminho para Deus.
Mas porquê o deserto, para além das razões que todos conhecemos, como o isolamento que leva à entrada em nós próprios, à meditação das nossas vidas, a reflectirmos no que há a mudar, o que devemos melhorar.
Fiz também um pouco de deserto em mim, para que me fosse dado descobrir algo mais que o deserto me trouxesse.
E então pensei no deserto, extensão de areia imensa, silenciosa, ali entregue a si própria.
E então vi a mudança permanente que acontece no deserto!
A areia move-se permanentemente ao sabor do vento, ora construindo dunas mais altas, ora retirando-lhes areia fazendo-as assim mais baixas.
E nada pára, tudo se move!
As dunas avançam e recuam, num movimento constante!
E depois percebi: Também são assim as nossas vidas!
Estão em constante movimento, em constante mudança!
E vi mais, vi aquelas areias que estão ao sabor do vento e por ele se deixam movimentar, conduzir, transformar, sem nunca deixarem de ser areias.
E então reparei que devem ser assim as nossas vidas, ao sabor do vento do Espírito Santo!
Devemos deixar-nos conduzir por Ele, pois Ele nunca mudará a nossa essência de homens, mas guiar-nos-á na construção das nossas vidas.
Não nos deixa estarmos parados, pois nos quer em permanente movimento para Deus.
Vai-nos conduzindo cada vez mais para cima, para o Alto em direcção a Deus, mas quando por vezes as alturas nos embriagam e julgamos já sermos alguém, já sermos porventura merecedores, Ele se encarrega de nos mover, retirando-nos altura e fazendo-nos mais baixos, para que outra vez junto ao chão onde nascemos, recomeçar a construir-nos para o Alto.
E nós somos assim como aqueles grãos de areia, só juntos, unidos em comunhão perfeita, dando-nos as mãos, poderemos elevar-nos aos Céus e sermos dunas que se elevam para o alto.
Solitários, como um só grão de areia, nada construímos, nada conseguimos fazer, a não ser ficar pelo chão ao sabor de quem passa e nos leva colados às solas dos seus sapatos muitas vezes para onde não há mais grãos de areia e então acabamos por desaparecermos sem nada termos construído, sem nenhuma finalidade, numa vida sem sentido.
Há contudo uma diferença entre nós e os grãos de areia: Eles são levados pelo vento, sem vontade própria.
De nós o Vento do Espírito Santo, espera a entrega, a disponibilidade, espera que demos o nosso contributo à construção do caminho, à construção das dunas.
Ah, entendo agora melhor o deserto!
Afinal o deserto é vida, é construção, é mudança constante, é comunhão de e onde os grãos de areia juntos constróem caminhos para o alto, levados pelo vento que os transporta, que os conduz.
Ah, então eu quero ser deserto, eu quero ser grão de areia no deserto, quero deixar-me levar pelo vento do Espírito Santo, para que Ele me conduza, me guie, para que Ele faça da minha vida uma construção útil para os outros, para mim, quero que Ele me conduza aos outros, e juntos, unidos, em comunhão, Ele se sirva de nós para construir alturas a caminho de Deus, e nos traga para baixo quando acharmos que de tão altos, já não precisamos de Deus.
Ah sim, é então no deserto que eu quero viver, neste deserto sempre em movimento, neste deserto de comunhão com os outros, neste deserto em que só juntos podemos caminhar para o Alto, neste deserto que se faz Igreja de todos, a caminho do Deus de todos.
Seria isto que o Papa Bento XVI, por outras palavras, nos queria dizer, quando falou aos nossos Bispos em Roma?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

TESTEMUNHO 6

Por razões particulares da minha vida passada e que tocam uma intimidade que não devo e nem quero revelar, foi difícil logo no inicio da minha conversão, (que nunca está acabada), a minha relação espiritual/vivencial com a figura da Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo e nossa Mãe.
O descobrir a presença de Maria na minha vida, nas nossas vidas, foi outra extraordinária graça que o Senhor colocou na minha vida.
Com muita delicadeza, muito lentamente, mas insistentemente, o Senhor foi-me dando a conhecer a figura maternal de Maria, a graça de nEla confiar, a graça de a Ela recorrer, a graça de a Ela pedir a condução segura no caminho para o Seu Filho Jesus Cristo.
Começou a tocar-me profundamente Aquela Mulher, que tudo enfrenta, (e sabemos como seria difícil naquele tempo enfrentar a sociedade), para ser a Mãe do Filho de Deus.
A Sua primeira reacção, ou melhor acção, não é ficar deleitando-se com o facto de ser a escolhida, mas sim, como que num prenúncio da missão do Seu Filho, parte para servir, servir os outros que necessitam, (a sua prima Isabel, grávida de idade avançada), na continuação da sua entrega a Deus, que teria de passar sempre pela entrega aos outros.
«Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos.» Mc 10, 45
Discretamente, humildemente vai caminhando a descoberta do seu próprio Filho, seguindo-O em tudo e sobretudo na Sua vontade.
Não quer lugares de honra, não procura “reconhecimento” de ninguém, não se mostra, mas como diz João Baptista, vive intensamente: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir.» Jo 3, 30
A Mãe do Céu, toca assim de um modo muito especifico o meu coração orgulhoso, vaidoso e mostra-me o caminho seguro para Jesus Cristo, nesta oração que um dia vem ao meu coração.
«Mãe ensina-me a ser nada, para que Cristo seja tudo em mim».
Em mim nasce essa certeza de que Ela intercede por nós e que o seu Filho a ouve de um modo muito especial.
Confio-Lhe a minha família, os meus filhos, a Ela recorro em todos os momentos, alegres e nas aflições e “habituo-me” a ser ouvido, correspondido, naquilo que peço, ou na confiança para atravessar as dificuldades.
Com Ela aprendo a entregar-me à oração e o Terço/Rosário passam a ser alimento diário da minha vida, tornando-se muitas vezes num respirar, que verdadeiramente anima a minha vida.
Pois, às vezes parece quase mecânico, rotineiro, mas nunca deixa de expressar uma entrega, uma confiança, uma certeza de que com Ela só há um caminho, e esse caminho é Jesus Cristo nossa Salvação.
Quando por vezes percebo que erradamente querem fazer desta Mãe de humildade, uma quase “deusa”, percebo também como Ela se “revolta”, como Ela se dói, pois Ela é em tudo, o contrário disso mesmo, Ela é “apenas” «a serva do Senhor» Lc 1, 38
Com Ela a minha Fé vai-se enraizando, vai-se fortalecendo, vai-se tornando vida, numa entrega mais esclarecida e verdadeira a Jesus Cristo.
Por vezes penso como me seria possível viver hoje se não estivesse, não vivesse alimentado desta Fé que o Senhor na Sua bondade quis despertar em mim.
É que contrariamente à ciência do mundo, (que faz parte sem dúvida das nossas vidas), a Fé vem de dentro, é semente interior que cresce dentro de nós para depois tomar conta de tudo e tudo ser visto à imagem e obra de Deus.
A ciência vem de fora, da experiência, da verificação, da interpretação dos factos visíveis, para depois se tornar “convicção” no nosso interior e muitas vezes aquilo que hoje é verdade, amanhã já não o é.
A Fé vem de dentro, do interior do nosso ser, faz parte integrante do homem, (até daqueles que dizem não acreditar), é convicção profunda, que nunca muda, porque Deus é, (não foi, nem será), e por isso acaba por iluminar a nossa existência em tudo o que dela faz parte.
E não acontece por mérito do homem, mas porque este se abre ao Criador e Ele lha dá a conhecer no seu íntimo.
Assim, tudo na minha vida pretendo e me esforço para que seja iluminado, conhecido à luz da Fé, que me dá a certeza de que nunca estou só, a certeza de que Ele está sempre comigo e comigo se “preocupa”, que quer amorosamente a minha salvação.
E assim tem sido, as dificuldades, as provações, não deixaram de o ser, mas são vividas na confiança no meu Senhor, os bons momentos, as consolações, são vividas na alegria no meu Senhor e até esta vida, aqui no meio de todos, neste mundo, é colocada confiantemente nas mãos do meu Senhor, na convicção de que: «É que, para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro.» Fl 1,21
Um testemunho de vida nunca está acabado e este não o estará com certeza, porque a conversão é luta diária, porque a Palavra de Deus é sempre viva, porque o Espírito Santo nos diz: «Eu renovo todas as coisas.» Ap 21, 5
Amadurece no meu coração o pensamento de um livro, algo que torne mais acessível a todos, as maravilhas que o Senhor faz na vida daqueles que a Ele se abrem num encontro pessoal, intimo, olhos nos olhos, como o fez a mim e continua a fazer, algo que nos leve a pensar naquilo que escrevi no inicio deste testemunho:
«Faço-o para que aqueles que não acreditam ou já não acreditam, saibam que há sempre tempo para acreditar.
Faço-o para que aqueles que apenas praticam o preceito, a prática religiosa, possam perceber que estão a perder um manancial de graças que o Senhor derrama naqueles que para além de praticar, procuram viver a fé no seu dia a dia e em tudo.»
Termino assim, desta maneira simples, mas que diz tudo sobre a esperança que me/nos anima:«Mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.» Lc 21, 18