segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A QUARESMA, O SOFRIMENTO, A ALEGRIA

Os cristãos confundem muitas vezes, a meu ver, seriedade e dignidade com tristeza.
Nota-se isto em muitas celebrações em Igreja e na Igreja, e sobretudo neste tempo da Quaresma.
São Paulo diz-nos:
«Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!» Fl 4,4
Entristecemo-nos, e queremos sofrer, com a Paixão de Cristo, com o sofrimento de Cristo, com a Morte de Cristo.
Com certeza que Jesus Cristo sofreu e sofreu muito por nós, para nos libertar da lei do pecado e da morte, para nos abrir o caminho da Salvação.
Mas sofreu cheio de esperança, de alegria, de confiança, por aqueles que Ele ama acima de tudo na Criação.
Quantas mães e pais, perante o sofrimento de um filho, não se entregaram em oração por ele, pedindo a Deus o sofrimento do filho, entregando até a Deus a sua própria vida, pela vida do filho.
Se uma mãe, um pai, tem possibilidades, mesmo sofrendo, de retirar ao filho amado o sofrimento, então esse sofrimento que possam vir a sofrer, para além de consentido, é querido, é amado, porque consubstância o amor.
E se tal lhe for concedido, não tem esse sofrimento uma vivência diferente?
Não é esse sofrimento vivido na esperança de que o filho deixe de sofrer?
Não é esse sofrimento vivido na alegria interior de saber que o filho amado já não sofre?
Então se nós humanos, fracos e inconstantes, somos capazes de tais sacrifícios e de vivê-los em paz e alegria interior, quanto mais o Nosso Deus, Jesus Cristo Senhor, não viveu a Sua entrega, o Seu sofrimento, a Sua Paixão cheio de alegria interior de saber que pelo Seu sofrimento vinha a salvação aos que Ele mais amava.
E quem somos nós para querermos sofrer o que Cristo sofreu para nos salvar?
Ele sofreu para que nós não sofrêssemos, por isso mesmo não podemos “retribuir” essa entrega de Cristo com a nossa tristeza.
Claro que a alegria interior que devemos viver porque Cristo nos salvou, (sim, já nos salvou!), não é uma alegria de gargalhada fácil, mas sim a alegria que nos vem de nos sabermos salvos, de sabermos, acreditando firmemente, que Ele se alegra no Seu sofrimento pela nossa salvação.
Deixemos as caras tristes, compungidas, fechadas, e vivamos a Quaresma na interioridade da procura da nossa comunhão com Cristo e com os outros, com o sorriso da alegria interior de nos sabermos salvos em Jesus Cristo Nosso Senhor.
Será um testemunho bem mais bonito que daremos, se nas nossas faces brilhar o sorriso daqueles que têm o esposo consigo, daqueles que vivem a festa da vida que o Senhor lhes deu, por Sua entrega.
A seriedade e dignidade do tempo quaresmal serão bem mais acentuadas se esse sorriso reflectir a paz, a serenidade, de quem acredita que Deus é muito maior que o nosso pecado, e que o sofrimento de Cristo foi querido e amado por Ele, vivido na alegria da nossa salvação.
Portanto não vivamos, não sintamos o sofrimento de Jesus como um mal que Lhe causamos, como algo negativo, mas sim como a alegria que Ele próprio vive em sofrer para nos salvar, porque nos ama e essa expressão sublime e total do Seu amor, só nos pode levar ao amor e à alegria.
E se tivermos de sofrer na liberdade de filhos de Deus, os sofrimentos que tantas vezes o mundo nos dá, então façamo-lo em comunhão com Cristo, unindo-nos ainda mais a Ele e oferecendo as nossas dores por aqueles que ainda não vivem a alegria de aceitarem a salvação que o Senhor nos dá.

12 comentários:

Dennys Reys disse...

Quaresma realmente não é tempo de tristeza , mas de muita alegria porque mais uma vez vemos os olhos do Senhor voltados a seu povo chamando todos a conversão.... Por isso temos qeu nos alegrar porque o Senhor aqui está, nos quer mais proximos dele, e porque o seu amor não acabou, mas continua por mim e por vc...

aproveito para lhe convidar para visitar meu blog...

http://ointercessor.blogspot.com/

ah tenho um texto neo meu blog escrito por mim sobre alegria se quiser conferir é só ir lá....

abraços

Fa menor disse...

Gostei, como sempre, Joaquim!
Seja, como dizes, que o nosso sorriso, nesta Quaresma, reflicta “a paz, a serenidade, de quem acredita que Deus é muito maior que o nosso pecado”, a “alegria da nossa salvação”!

Abreijinhos

Maria João disse...

Ora aí está!

Temos de sorrir, não parecer tristes... Afinal, Jesus ressuscitou! Está vivo!

Agora ao escrever isto lembrei-me: Jesus está vivo! Pelo menos por isto devemos sorrir todos os dias...

beijos em Cristo

joaquim disse...

Caro Dennys reys

Obrigado pela visita e pelas palavras.
Já o fui visitar, mas quero voltar com mais tempo.

Abraço em Cristo

joaquim disse...

Olá Fa

Obrigado!

Então vá, vamos sorrir dando testemunho que acreditamos que o Nosso Deus de Amor está sempre connosco!

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Ora bem Maria João, disseste tudo...

Abraço amigo em Cristo

Ecclesiae Dei disse...

Exatamente isso! muito bom, bem lembrado. Ouvi essa semana de uma pessoa amiga "puxa, a quaresma é um tempo tão triste...", e respondi que não, lembrando que Jesus está vivo, mas não tive todos esses argumentos, vou recomendar esse texto a ela!

Grande abraço

malu disse...

Sim, vamos sorrir e que esse sorriso seja reflexo da paz e serenidade como dizes, de quem acredita em Deus dando testemunho dEle sempre e em toda a parte.

Obrigada por esta reflexão.

Abraços em Cristo.

antonio disse...

A renúncia a favor do outro, por algo que não seja apenas mais do que um teste à nossa vontade, pode ser um momento de estímulo e de alegria. Se não mesmo de festa!

joaquim disse...

Amigo João

Obrigado pelas suas palavras.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Olá Malu

É isso mesmo!

Dar testemunmho dEle em toda a parte.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Obrigado António

Sempre a palavra certa no momento certo!

Abraço amigo em Cristo