Sim, Senhor, estou envergonhado!
Apetece-me dizer como as crianças:
Mas não fui eu, Senhor,
foram aqueles médicos ingleses,
que pediram para matar os recém nascidos,
por causa de alguma deficiência.
Não fui eu, Senhor,
mas estou envergonhado!
Ia-me deitar, Senhor,
mas não consegui,
sem Te vir aqui dizer, Senhor,
estou envergonhado!
Que posso fazer, Senhor,
se não pedir-Te perdão,
por eles,
e por mim,
porque rezo pouco por eles,
pelos que querem matar os recém nascidos.
Deito-me envergonhado,
mas acreditando na Tua Misericórdia.
Por eles, os inocentes,
por eles, os inconscientes,
(para ser brando, Senhor),
por mim,
pouco orante,
por mim,
pouco perseverante.
Baixo os olhos,
baixo a cabeça,
estou envergonhado, Senhor!
Tem piedade de nós,
que não sabemos o que fazemos.
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
terça-feira, 14 de novembro de 2006
ATÉ ONDE VAMOS PERMITIR QUE SE CHEGUE
Retirado da ZENIT
Ginecologistas britânicos pedem direito de poder matar recém-nascidos deficientes
Entrevista ao neonatologista Carlo Bellieni ROMA, segunda-feira, 13 de novembro de 2006 (ZENIT.org).-
Com uma declaração publicada pelo «Sunday Times» em 5 de novembro passado, o Real Colégio de Obstetras e Ginecologistas (RCOG) do Reino Unido anunciou ter solicitado «a possibilidade de matar os neonatos deficientes».
O Colégio enviou o documento de solicitação ao Conselho de Bioética Nuffield, organismo encarregado de examinar os assuntos éticos suscitados pelos novos desenvolvimentos da Biologia e da Medicina. O Conselho de Bioética Niffield é uma influente Comissão privada que está a ponto de publicar um informe sobre as decisões críticas em medicina fetal e neonatal.
No documento citado, o RCOG pede que se abra um debate sobre a eutanásia ativa das crianças deficientes (tirar-lhes a vida após o nascimento), sustentando que deste modo se impediria o peso emotivo e econômico do cuidado de um menino ou uma menina gravemente deficiente.
A associação de ginecologistas britânicos afirma que a permissão para realizar a eutanásia ativa limitaria o recurso ao aborto tardio porque, em caso de hipótese de uma grave deficiência do feto, os pais poderiam levar adiante a gravidez e decidir, só uma vez nascido, se se mantém a vida ou a suprime.
Frente a tal pedido, elevou-se no Reino Unido a voz contrária do Conselho Britânico de Deficientes.
Para compreender o assunto e suas implicações de natureza bioética, Zenit entrevistou o neonatólogo Carlo Valério Bellieni, diretor do Departamento de Terapia Intensiva Neonatal da Policlínica Universitária «Le Scotte» de Siena, Itália.
--O que o senhor acha do pedido do Real Colégio de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido?
--Bellieni: O pedido de suprimir os neonatos com graves deficiências não deixa nenhum pediatra insensível, ou seja, quem amanhã estará chamado a realizar as «eliminações»; mas não é novo: já Michael Gross escrevia em 2002, em «Bioethics» que «há um consenso geral no neonaticídio, segundo o parecer do progenitor sobre o interesse do neonato, definido em modo amplo, considerando tanto o dano físico como o dano social, psicológico e financeiro a terceiros». E é sempre do interesse de terceiros que precisamos partir para compreender o que se pode esconder por trás de um pedinte intento de «pôr fim aos sofrimentos da criança».
--Quais são os aspectos mais inquietantes da proposta britânica?
--Bellieni: O que inquieta os pediatras são três coisas.
Em primeiro lugar: ter de se converter em executores de uma condenação à morte: não nos tornamos médicos para isso, sobretudo em uma época na qual a condenação à morte é estigmatizada por um número cada vez maior de Estados.
Em segundo lugar: considerar os próprios pacientes como não-pessoas: há autores que sustentam que os neonatos não são pessoas porque ainda não têm uma autoconsciência (e é uma lógica conseqüência de quem não considera como pessoa o feto ou o embrião pelo mesmo motivo): e disto chegam a dizer que os neonatos nem sequer são capazes de sentir dor, sendo a autoconsciência justamente um requisito para esta sensação. Afirmações desmentidas amplamente pela ciência.
Em terceiro lugar: considerar a deficiência não como uma vida a socorrer e respeitar, mas com uma atitude fóbica, como uma vida de segunda divisão .
--Alguns médicos britânicos mantiveram que não se deve escandalizar, porque o aborto tardio é assimilável à eutanásia ativa. Qual é seu parecer ao respeito?
--Bellieni: Esta notícia não me surpreendeu. Compreendo o horror, mas não compreendo o estupor: quem estudou anatomia e biologia, quem é especialista em fisiologia humana, bem sabe que não existe nenhuma diferença substancial entre feto e neonato, além de pequenas modificações no círculo sanguíneo; portanto, não se compreende por que horroriza matar um neonato e não matar um feto. A menos que não se creia que a entrada de ar nos pulmões tenha um efeito «mágico» capaz de transformar o DNA ou a consciência do indivíduo!
A foto do pequeno feto morto dentro da mãe assassinada, publicada há alguns meses por um jornal italiano, impressionou não porque se fazia ver um cadáver (lamentavelmente vimos também recentemente na TV e nos jornais muitas crianças mortas em guerra) mas porque se fazia ver a realidade: que um feto não é outra coisa senão uma criança que ainda não desfrutou do ar exterior. E isto, cada mãe sabe que é verdade, como o sabe qualquer um que por trabalho cuida dos pequeninos fetos precocemente saídos do útero materno, chamados «crianças prematuras». Sabem-no também os cirurgiões que operam os fetos ainda no útero.
Repito: o drama é que nos surpreenda isso, enquanto é preciso iniciar um trabalho cultural, feito de pesquisa e de divulgação séria, e não só já de «reações» (à última «transgressão», ao último horror).
O verdadeiro esforço bioético de hoje não é o de afirmar um vago sentido de misericórdia para com o próximo (também os programas televisivos estão cheios de lágrimas), mas de buscar a evidência, a realidade; afirmar que um embrião é um embrião e não uma célula qualquer, que um feto de poucos gramas experimenta dor, que o DNA mostra que a vida de cada um começa desde a concepção. Em definitivo, é como demonstrar que uma flor é uma flor, e não um vaso!
Não consigo, não tenho comentários a fazer a este horror.
Ginecologistas britânicos pedem direito de poder matar recém-nascidos deficientes
Entrevista ao neonatologista Carlo Bellieni ROMA, segunda-feira, 13 de novembro de 2006 (ZENIT.org).-
Com uma declaração publicada pelo «Sunday Times» em 5 de novembro passado, o Real Colégio de Obstetras e Ginecologistas (RCOG) do Reino Unido anunciou ter solicitado «a possibilidade de matar os neonatos deficientes».
O Colégio enviou o documento de solicitação ao Conselho de Bioética Nuffield, organismo encarregado de examinar os assuntos éticos suscitados pelos novos desenvolvimentos da Biologia e da Medicina. O Conselho de Bioética Niffield é uma influente Comissão privada que está a ponto de publicar um informe sobre as decisões críticas em medicina fetal e neonatal.
No documento citado, o RCOG pede que se abra um debate sobre a eutanásia ativa das crianças deficientes (tirar-lhes a vida após o nascimento), sustentando que deste modo se impediria o peso emotivo e econômico do cuidado de um menino ou uma menina gravemente deficiente.
A associação de ginecologistas britânicos afirma que a permissão para realizar a eutanásia ativa limitaria o recurso ao aborto tardio porque, em caso de hipótese de uma grave deficiência do feto, os pais poderiam levar adiante a gravidez e decidir, só uma vez nascido, se se mantém a vida ou a suprime.
Frente a tal pedido, elevou-se no Reino Unido a voz contrária do Conselho Britânico de Deficientes.
Para compreender o assunto e suas implicações de natureza bioética, Zenit entrevistou o neonatólogo Carlo Valério Bellieni, diretor do Departamento de Terapia Intensiva Neonatal da Policlínica Universitária «Le Scotte» de Siena, Itália.
--O que o senhor acha do pedido do Real Colégio de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido?
--Bellieni: O pedido de suprimir os neonatos com graves deficiências não deixa nenhum pediatra insensível, ou seja, quem amanhã estará chamado a realizar as «eliminações»; mas não é novo: já Michael Gross escrevia em 2002, em «Bioethics» que «há um consenso geral no neonaticídio, segundo o parecer do progenitor sobre o interesse do neonato, definido em modo amplo, considerando tanto o dano físico como o dano social, psicológico e financeiro a terceiros». E é sempre do interesse de terceiros que precisamos partir para compreender o que se pode esconder por trás de um pedinte intento de «pôr fim aos sofrimentos da criança».
--Quais são os aspectos mais inquietantes da proposta britânica?
--Bellieni: O que inquieta os pediatras são três coisas.
Em primeiro lugar: ter de se converter em executores de uma condenação à morte: não nos tornamos médicos para isso, sobretudo em uma época na qual a condenação à morte é estigmatizada por um número cada vez maior de Estados.
Em segundo lugar: considerar os próprios pacientes como não-pessoas: há autores que sustentam que os neonatos não são pessoas porque ainda não têm uma autoconsciência (e é uma lógica conseqüência de quem não considera como pessoa o feto ou o embrião pelo mesmo motivo): e disto chegam a dizer que os neonatos nem sequer são capazes de sentir dor, sendo a autoconsciência justamente um requisito para esta sensação. Afirmações desmentidas amplamente pela ciência.
Em terceiro lugar: considerar a deficiência não como uma vida a socorrer e respeitar, mas com uma atitude fóbica, como uma vida de segunda divisão .
--Alguns médicos britânicos mantiveram que não se deve escandalizar, porque o aborto tardio é assimilável à eutanásia ativa. Qual é seu parecer ao respeito?
--Bellieni: Esta notícia não me surpreendeu. Compreendo o horror, mas não compreendo o estupor: quem estudou anatomia e biologia, quem é especialista em fisiologia humana, bem sabe que não existe nenhuma diferença substancial entre feto e neonato, além de pequenas modificações no círculo sanguíneo; portanto, não se compreende por que horroriza matar um neonato e não matar um feto. A menos que não se creia que a entrada de ar nos pulmões tenha um efeito «mágico» capaz de transformar o DNA ou a consciência do indivíduo!
A foto do pequeno feto morto dentro da mãe assassinada, publicada há alguns meses por um jornal italiano, impressionou não porque se fazia ver um cadáver (lamentavelmente vimos também recentemente na TV e nos jornais muitas crianças mortas em guerra) mas porque se fazia ver a realidade: que um feto não é outra coisa senão uma criança que ainda não desfrutou do ar exterior. E isto, cada mãe sabe que é verdade, como o sabe qualquer um que por trabalho cuida dos pequeninos fetos precocemente saídos do útero materno, chamados «crianças prematuras». Sabem-no também os cirurgiões que operam os fetos ainda no útero.
Repito: o drama é que nos surpreenda isso, enquanto é preciso iniciar um trabalho cultural, feito de pesquisa e de divulgação séria, e não só já de «reações» (à última «transgressão», ao último horror).
O verdadeiro esforço bioético de hoje não é o de afirmar um vago sentido de misericórdia para com o próximo (também os programas televisivos estão cheios de lágrimas), mas de buscar a evidência, a realidade; afirmar que um embrião é um embrião e não uma célula qualquer, que um feto de poucos gramas experimenta dor, que o DNA mostra que a vida de cada um começa desde a concepção. Em definitivo, é como demonstrar que uma flor é uma flor, e não um vaso!
Não consigo, não tenho comentários a fazer a este horror.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
PENSAMENTOS INSPIRADOS NA PROCURA DE DEUS 24
"Eu sou a Ressurreição e a Vida".
Senhor, que posso eu querer mais?
Senhor, que posso eu ainda querer procurar mais?
Fica comigo, Senhor!
Senhor, que posso eu querer mais?
Senhor, que posso eu ainda querer procurar mais?
Fica comigo, Senhor!
domingo, 12 de novembro de 2006
COMO TU
Como TU
Santos como TU
Aqui estamos
E queremos
Ser Santos como TU.
Como TU
JESUS como TU
O ESPÍRITO nos manda
Ser Santos como TU.
Refrão de cântico cantado este fim de semana em Fátima na Assembleia da Pneumavita, comunidade do Renovamento Carismático Caólico.
Santos como TU
Aqui estamos
E queremos
Ser Santos como TU.
Como TU
JESUS como TU
O ESPÍRITO nos manda
Ser Santos como TU.
Refrão de cântico cantado este fim de semana em Fátima na Assembleia da Pneumavita, comunidade do Renovamento Carismático Caólico.
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
A VELA
A vela é constituída por um corpo exterior, que é de cera ou de estearina e um corpo interior que é o pavio, e tem pelo menos duas utilidades: Para dar luz e ou para decorar.
Quando a vela serve apenas para decorar, em cima de uma mesa, numa prateleira, é vista uma, duas, três vezes e depois deixa de ser novidade e de chamar a atenção.
Quando assim é, o pavio, ou seja, o corpo interior, para nada serve, pois a sua função é, depois de aceso, dar luz para ou a alguma coisa.
A vela utilizada apenas para decoração vai-se deteriorando com o tempo, o seu corpo exterior, seja ele qual for, vai-se degradando e esfarelando, acabando por não servir para nada e ser deitado fora, juntamente com o pavio.
Ao contrário, a vela que serve para iluminar, utiliza o seu corpo interior, que depois de aceso pelo fogo, ilumina todo o ambiente, a sua chama é bonita de se ver, não só pela cor e reflexos, mas também porque é algo em constante movimento, bem como o seu corpo exterior que se vai derretendo, espalhando calor e ocupando todos os espaços onde se vai derramando.
O pavio vai-se consumindo, dando sempre luz até se extinguir, e a cera, ou estearina, no fim, irá ser aproveitada para novas velas.
Nós somos como as velas!
Se vivemos apenas esta vida humana, sem Deus, e sem nos preocuparmos com os outros, somos velas de decoração, ou seja, por um tempo ainda teremos algum sentido na vida, mas pouco depois a nossa vida não servirá para nada, não terá sentido nenhum, não servirá sequer os propósitos para que foi criada e acabará na morte, sem esperança de vida eterna.
Se em vez disso, deixarmos acender pelo fogo do Espírito Santo o nosso pavio, (o coração), a cera, (a nossa vida), vai-se derramando sobre tudo e todos os que viverem ao nosso lado e irá ocupando os espaços que estiverem vazios, na nossa vida e na vida dos outros.
A chama, (o fogo do Espírito Santo), iluminará a nossa vida e a vida daqueles que se aproximarem, e sempre viva e em movimento chamará a atenção daqueles que a virem.
A cera, (a nossa vida), servirá para novas velas, (renovará novas vidas) e tudo isso por obra daquEle que acendeu a vela, (a nossa vida).
“Senhor, quero ser uma vela acesa por Ti, que se consuma inteiramente no Teu amor e no amor aos outros”.
Quando a vela serve apenas para decorar, em cima de uma mesa, numa prateleira, é vista uma, duas, três vezes e depois deixa de ser novidade e de chamar a atenção.
Quando assim é, o pavio, ou seja, o corpo interior, para nada serve, pois a sua função é, depois de aceso, dar luz para ou a alguma coisa.
A vela utilizada apenas para decoração vai-se deteriorando com o tempo, o seu corpo exterior, seja ele qual for, vai-se degradando e esfarelando, acabando por não servir para nada e ser deitado fora, juntamente com o pavio.
Ao contrário, a vela que serve para iluminar, utiliza o seu corpo interior, que depois de aceso pelo fogo, ilumina todo o ambiente, a sua chama é bonita de se ver, não só pela cor e reflexos, mas também porque é algo em constante movimento, bem como o seu corpo exterior que se vai derretendo, espalhando calor e ocupando todos os espaços onde se vai derramando.
O pavio vai-se consumindo, dando sempre luz até se extinguir, e a cera, ou estearina, no fim, irá ser aproveitada para novas velas.
Nós somos como as velas!
Se vivemos apenas esta vida humana, sem Deus, e sem nos preocuparmos com os outros, somos velas de decoração, ou seja, por um tempo ainda teremos algum sentido na vida, mas pouco depois a nossa vida não servirá para nada, não terá sentido nenhum, não servirá sequer os propósitos para que foi criada e acabará na morte, sem esperança de vida eterna.
Se em vez disso, deixarmos acender pelo fogo do Espírito Santo o nosso pavio, (o coração), a cera, (a nossa vida), vai-se derramando sobre tudo e todos os que viverem ao nosso lado e irá ocupando os espaços que estiverem vazios, na nossa vida e na vida dos outros.
A chama, (o fogo do Espírito Santo), iluminará a nossa vida e a vida daqueles que se aproximarem, e sempre viva e em movimento chamará a atenção daqueles que a virem.
A cera, (a nossa vida), servirá para novas velas, (renovará novas vidas) e tudo isso por obra daquEle que acendeu a vela, (a nossa vida).
“Senhor, quero ser uma vela acesa por Ti, que se consuma inteiramente no Teu amor e no amor aos outros”.
MENSAGEIRO
Irei estar este fim de semana em Fátima, na Assembleia da Comunidade Pneumavita, primeira comunidade do Renovamento Carismático Católico em Portugal, fundada pelo Padre José da Lapa, que deu a conhecer esta "nova" espiritualidade ao nosso País.
Mas tenho sempre tempo para levar um "recado" à Mãe do Céu, das minhas irmãs e irmãos em Cristo que se "passeiam" por estes espaços "blogueiros".
Fico à vossa disposição.
Mas tenho sempre tempo para levar um "recado" à Mãe do Céu, das minhas irmãs e irmãos em Cristo que se "passeiam" por estes espaços "blogueiros".
Fico à vossa disposição.
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
OUTRA HISTÓRIA
Quando eu nasci chovia, mas isso não fazia mal nenhum porque o colo da minha mãe era tão quentinho e tão bom, que eu me sentia no paraíso.
Estavam todos á minha volta e olhavam-me com os olhos muito abertos, parece que á procura de semelhanças com a família.
Orgulhosamente a minha mãe fazia questão de me mostrar a toda a gente, dizendo como eu era bonita e perfeita e eu para não a fazer triste, fazia trejeitos com a boca a que eles chamavam sorrisos.
Fomos para casa e o amor rodeava-me, apesar de eu me aperceber que devia haver dificuldades, porque volta e meia sentia a minha mãe um pouco triste.
Ah, mas se eu fazia beicinho, ela ria e brincava comigo, para eu não perceber o que se passava.
Lembras-te mãe, quando eu dei os primeiros passos, quando fiz os primeiros sons, tão contente que tu estavas: telefonas-te a toda a gente, quiseste que todos fossem ver as gracinhas da tua filha.
Fui crescendo e cada vez mais percebi que a minha família não era rica, mas é engraçado que nunca me faltou nada de essencial, a comida, a roupa, (nada de marcas, é certo), os estudos, enfim tudo e sobretudo muito amor.
Lembro-me tão bem quando me apareceu aquele sangue nas pernas e tu mãe, cheia de paciência me explicaste o que era, e que tudo aquilo, para além de outras coisas significava que eu um dia também podia ser mãe como tu.
E o primeiro namorado? Quando ele me deixou, choramos juntas, abraçadas, e tu ias-me dizendo com toda a tua ternura que eu era boa demais para ele, e que ainda havia de encontrar o homem da minha vida.
Ai mãe, estávamos tão perto, éramos tão amigas. Tão bem que nós nos dávamos uma com a outra.
Lembras-te mãe, dos Natais, das festas em família, como combinávamos juntas o que fazer e como fazer.
E quando eu casei, mãe, como estavas contente e feliz, embora nos teus olhos pairasse uma nuvem de tristeza.
Eu ia sair de casa. Mas sabes bem mãe, que sempre estavas no meu coração, como eu sei que estava no teu.
E quando o pai adoeceu, lembras-te? Vim para o pé de ti, e juntas tomámos conta dele até aquele terrível dia em que morreu.
Como tu te abraçaste a mim, como eu me abracei a ti, como juntas suportámos a nossa dor.
E depois, depois a tua alegria, quando nasceu o teu neto, o teu orgulho na tua filha já mãe, os conselhos permanentes, até te aperceberes que eu tinha de fazer as coisas sozinha.
Ficavas ali, embevecida, a olhar para nós dois, muito orgulhosa da tua criação.
Tantas vezes te disse mãe, para fazeres os exames médicos, para ouvires o que te diziam e tu nada, era tudo para nós, para viveres cada dia, cada momento que o teu trabalho deixava, a tua filha e o teu neto.
Por isso mãe, caíste doente e não querias ver ninguém, ninguém, a não ser a mim, como tu dizias: O teu bem mais precioso.
De mãos dadas fomos passando aqueles momentos tão difíceis e abraçada a mim, deste o último suspiro, olhando-me fixamente nos olhos e dizendo-me com o coração: amo-te, minha filha.
Lembras-te, mãe, lembras-te?
Não te podes lembrar, porque quando eu tinha apenas 10 semanas, tu desististe de mim e esta vida que podíamos ter tido, nunca chegou a acontecer, porque tu lhe colocaste fim.
Sei que sofres, que ainda te lembras disso, como uma ferida que não fecha no teu coração, mas mãe eu continuo a amar-te muito e a esperar por ti aqui no Céu, junto a Jesus.
Não percas este caminho mãe, porque aqui tudo é amor e perdão e tudo espera para te acolher e abraçar no amor eterno.
Pois, dirão muitos, mais uma história demagógica, para apelar aos sentimentos, às emoções.
Pois é, direi eu, mas dá que pensar, não dá?
Estavam todos á minha volta e olhavam-me com os olhos muito abertos, parece que á procura de semelhanças com a família.
Orgulhosamente a minha mãe fazia questão de me mostrar a toda a gente, dizendo como eu era bonita e perfeita e eu para não a fazer triste, fazia trejeitos com a boca a que eles chamavam sorrisos.
Fomos para casa e o amor rodeava-me, apesar de eu me aperceber que devia haver dificuldades, porque volta e meia sentia a minha mãe um pouco triste.
Ah, mas se eu fazia beicinho, ela ria e brincava comigo, para eu não perceber o que se passava.
Lembras-te mãe, quando eu dei os primeiros passos, quando fiz os primeiros sons, tão contente que tu estavas: telefonas-te a toda a gente, quiseste que todos fossem ver as gracinhas da tua filha.
Fui crescendo e cada vez mais percebi que a minha família não era rica, mas é engraçado que nunca me faltou nada de essencial, a comida, a roupa, (nada de marcas, é certo), os estudos, enfim tudo e sobretudo muito amor.
Lembro-me tão bem quando me apareceu aquele sangue nas pernas e tu mãe, cheia de paciência me explicaste o que era, e que tudo aquilo, para além de outras coisas significava que eu um dia também podia ser mãe como tu.
E o primeiro namorado? Quando ele me deixou, choramos juntas, abraçadas, e tu ias-me dizendo com toda a tua ternura que eu era boa demais para ele, e que ainda havia de encontrar o homem da minha vida.
Ai mãe, estávamos tão perto, éramos tão amigas. Tão bem que nós nos dávamos uma com a outra.
Lembras-te mãe, dos Natais, das festas em família, como combinávamos juntas o que fazer e como fazer.
E quando eu casei, mãe, como estavas contente e feliz, embora nos teus olhos pairasse uma nuvem de tristeza.
Eu ia sair de casa. Mas sabes bem mãe, que sempre estavas no meu coração, como eu sei que estava no teu.
E quando o pai adoeceu, lembras-te? Vim para o pé de ti, e juntas tomámos conta dele até aquele terrível dia em que morreu.
Como tu te abraçaste a mim, como eu me abracei a ti, como juntas suportámos a nossa dor.
E depois, depois a tua alegria, quando nasceu o teu neto, o teu orgulho na tua filha já mãe, os conselhos permanentes, até te aperceberes que eu tinha de fazer as coisas sozinha.
Ficavas ali, embevecida, a olhar para nós dois, muito orgulhosa da tua criação.
Tantas vezes te disse mãe, para fazeres os exames médicos, para ouvires o que te diziam e tu nada, era tudo para nós, para viveres cada dia, cada momento que o teu trabalho deixava, a tua filha e o teu neto.
Por isso mãe, caíste doente e não querias ver ninguém, ninguém, a não ser a mim, como tu dizias: O teu bem mais precioso.
De mãos dadas fomos passando aqueles momentos tão difíceis e abraçada a mim, deste o último suspiro, olhando-me fixamente nos olhos e dizendo-me com o coração: amo-te, minha filha.
Lembras-te, mãe, lembras-te?
Não te podes lembrar, porque quando eu tinha apenas 10 semanas, tu desististe de mim e esta vida que podíamos ter tido, nunca chegou a acontecer, porque tu lhe colocaste fim.
Sei que sofres, que ainda te lembras disso, como uma ferida que não fecha no teu coração, mas mãe eu continuo a amar-te muito e a esperar por ti aqui no Céu, junto a Jesus.
Não percas este caminho mãe, porque aqui tudo é amor e perdão e tudo espera para te acolher e abraçar no amor eterno.
Pois, dirão muitos, mais uma história demagógica, para apelar aos sentimentos, às emoções.
Pois é, direi eu, mas dá que pensar, não dá?
terça-feira, 31 de outubro de 2006
HISTÓRIA INSPIRADA NO REFERENDO
Ela estava ali sentada, quase no chão, sobre uma pedra do jardim, a cabeça entre as mãos, e as costas estremeciam, como se estivesse a chorar.
Aproximei-me e perguntei-lhe, quase num sussurro, como para não incomodar:
- Sente-se bem? Precisa de alguma coisa? Posso ajudar?
Levantou a cabeça e olhou-me nos olhos, como à procura de uma critica, ou de ajuda, sei lá.
Fizeram-me impressão aqueles olhos, vazios, olhando sem olhar, esperando sem esperar, receosos, mas suplicantes.
- Posso-me sentar ao seu lado?
Perguntei eu, o mais docemente que me era possível.
Agora já não olhou para mim, mas ouvi a sua voz sumida, sofrida:
- Eu não tenho culpa. Disseram que não tinha mal. Que a lei até me protegia.
Com a maior ternura que me era possível, disse-lhe:
- Quer-me contar o que se passou. Não a conheço, mas gostava de a ajudar no seu sofrimento.
Olhou novamente para mim, como se eu fosse uma bóia de salvação, atirada a quem se perdia no alto mar.
- Sabe, eu não queria, mas ele insistiu, ralhou comigo e disse-me que se o não fizesse não queria saber mais de mim. Disse-me também que aquilo não tinha importância nenhuma, que a lei até dizia que se podia fazer e que para além do mais, aquilo não era vida nenhuma, porque se fosse a lei nem poderia existir.
Levou-me depois a uma dessas associações, que me explicaram tudo muito bem, que o corpo era meu, que aquilo que lá estava dentro não era nada, que mais valia agora do que sofrer depois, que a lei me protegia, que até era o estado que pagava por isso não podia ser mal nenhum.
Endireitou as costas e continuou:
- Sabe, eu sou muita nova, não sei nada destas coisas, da vida e por isso achei que eles tinham razão e se ainda por cima o estado tinha uma lei que aprovava aquilo que propunham, então era porque tudo estava certo. Disseram-me muitas vezes, pense bem, mas diziam-me sempre que se calhar aquela solução era a melhor.
Fez um pausa e continuou:
- Fiz aquilo que me disseram e foi tudo muito rápido, pois pelos vistos eu tinha prioridade sobre os outros doentes.
Os seus olhos abriram-se e as lágrimas começaram a cair.
- Mas agora eu sei que fiz mal. Tenho um vazio dentro de mim e não o consigo preencher. Agora eu sei, tenho a certeza que tinha uma vida dentro de mim, que era minha e que eu a queria.
Agarrou-me nas mãos e perguntou-me:
- E agora, já não há nada a fazer, pois não?
Os olhos suplicantes exigiam uma resposta e eu não sabia o que dizer.
Fiz uma oração interior e comecei:
- Realmente em relação ao que fizeste, já não podes fazer nada, excepto perceberes o que te aconteceu e tirar lições para a vida. Podes ajudar outras raparigas como tu, explicando-lhes a realidade daquilo porque passaste.
Sou Cristão e a minha Fé veio ao de cima:
- Sabes, neste momento sentes-te mal, arrependida, sofrida, como sem amor. Mas nunca te esqueças que Deus é muito maior que as nossas faltas, os nossos erros e que neste momento te olha com uma bondade infinita, te coloca no Seu coração, te perdoa e enche de amor. Só Ele pode colocar agora a paz no teu coração e dar-te forças para continuares e te perdoares a ti própria.
Deixei que as palavras saíssem da minha boca, não me importando com aquilo que dizia.
Deus teria de colocar em mim as palavras certas para a Sua filha em sofrimento.
Disse-lhe então para rever a sua vida, a sua relação com aquele homem que não quis assumir a sua responsabilidade. Disse-lhe que ainda tinha muita vida pela frente e que ainda daria muito amor, pelo amor que agora sentia e não podia dar.
Falámos não sei quanto tempo, abrimo-nos um ao outro, ela com as suas mágoas, eu com as minhas experiências de vida.
Dei-lhe indicações a quem procurar, disponibilizei-me para quando ela precisasse de mim e rezámos juntos uma Avé Maria, pedindo à Mãe do Céu a Sua protecção e consolo.
O seu olhar estava mais calmo quando nos despedimos, mas no meu intimo eu sabia bem que aquela dor iria levar muito tempo a passar e só com uma criança nos seus braços o seu coração se acalmaria por fim.
Esta é uma história inventada.
Muitos dirão que não tem sentido, que ninguém é assim tão ingénuo.
Muitos dirão que é demagógico e outras coisas.
Muitos dirão ainda que são devaneios dum Cristão.
Eu pergunto: É impossível acontecer?
Aproximei-me e perguntei-lhe, quase num sussurro, como para não incomodar:
- Sente-se bem? Precisa de alguma coisa? Posso ajudar?
Levantou a cabeça e olhou-me nos olhos, como à procura de uma critica, ou de ajuda, sei lá.
Fizeram-me impressão aqueles olhos, vazios, olhando sem olhar, esperando sem esperar, receosos, mas suplicantes.
- Posso-me sentar ao seu lado?
Perguntei eu, o mais docemente que me era possível.
Agora já não olhou para mim, mas ouvi a sua voz sumida, sofrida:
- Eu não tenho culpa. Disseram que não tinha mal. Que a lei até me protegia.
Com a maior ternura que me era possível, disse-lhe:
- Quer-me contar o que se passou. Não a conheço, mas gostava de a ajudar no seu sofrimento.
Olhou novamente para mim, como se eu fosse uma bóia de salvação, atirada a quem se perdia no alto mar.
- Sabe, eu não queria, mas ele insistiu, ralhou comigo e disse-me que se o não fizesse não queria saber mais de mim. Disse-me também que aquilo não tinha importância nenhuma, que a lei até dizia que se podia fazer e que para além do mais, aquilo não era vida nenhuma, porque se fosse a lei nem poderia existir.
Levou-me depois a uma dessas associações, que me explicaram tudo muito bem, que o corpo era meu, que aquilo que lá estava dentro não era nada, que mais valia agora do que sofrer depois, que a lei me protegia, que até era o estado que pagava por isso não podia ser mal nenhum.
Endireitou as costas e continuou:
- Sabe, eu sou muita nova, não sei nada destas coisas, da vida e por isso achei que eles tinham razão e se ainda por cima o estado tinha uma lei que aprovava aquilo que propunham, então era porque tudo estava certo. Disseram-me muitas vezes, pense bem, mas diziam-me sempre que se calhar aquela solução era a melhor.
Fez um pausa e continuou:
- Fiz aquilo que me disseram e foi tudo muito rápido, pois pelos vistos eu tinha prioridade sobre os outros doentes.
Os seus olhos abriram-se e as lágrimas começaram a cair.
- Mas agora eu sei que fiz mal. Tenho um vazio dentro de mim e não o consigo preencher. Agora eu sei, tenho a certeza que tinha uma vida dentro de mim, que era minha e que eu a queria.
Agarrou-me nas mãos e perguntou-me:
- E agora, já não há nada a fazer, pois não?
Os olhos suplicantes exigiam uma resposta e eu não sabia o que dizer.
Fiz uma oração interior e comecei:
- Realmente em relação ao que fizeste, já não podes fazer nada, excepto perceberes o que te aconteceu e tirar lições para a vida. Podes ajudar outras raparigas como tu, explicando-lhes a realidade daquilo porque passaste.
Sou Cristão e a minha Fé veio ao de cima:
- Sabes, neste momento sentes-te mal, arrependida, sofrida, como sem amor. Mas nunca te esqueças que Deus é muito maior que as nossas faltas, os nossos erros e que neste momento te olha com uma bondade infinita, te coloca no Seu coração, te perdoa e enche de amor. Só Ele pode colocar agora a paz no teu coração e dar-te forças para continuares e te perdoares a ti própria.
Deixei que as palavras saíssem da minha boca, não me importando com aquilo que dizia.
Deus teria de colocar em mim as palavras certas para a Sua filha em sofrimento.
Disse-lhe então para rever a sua vida, a sua relação com aquele homem que não quis assumir a sua responsabilidade. Disse-lhe que ainda tinha muita vida pela frente e que ainda daria muito amor, pelo amor que agora sentia e não podia dar.
Falámos não sei quanto tempo, abrimo-nos um ao outro, ela com as suas mágoas, eu com as minhas experiências de vida.
Dei-lhe indicações a quem procurar, disponibilizei-me para quando ela precisasse de mim e rezámos juntos uma Avé Maria, pedindo à Mãe do Céu a Sua protecção e consolo.
O seu olhar estava mais calmo quando nos despedimos, mas no meu intimo eu sabia bem que aquela dor iria levar muito tempo a passar e só com uma criança nos seus braços o seu coração se acalmaria por fim.
Esta é uma história inventada.
Muitos dirão que não tem sentido, que ninguém é assim tão ingénuo.
Muitos dirão que é demagógico e outras coisas.
Muitos dirão ainda que são devaneios dum Cristão.
Eu pergunto: É impossível acontecer?
O REFERENDO
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas dez primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado"
Leio e releio e volto a ler a pergunta do referendo.
Tento descortinar as razões da dita despenalização tão apregoadas, para as mulheres com problemas graves e tão diversos que vão sendo enunciados.
Apenas vejo a liberalização total do aborto, seja porque razão for, desde que seja "opção da mulher".
A "opção da mulher", do homem, nunca pode ser contra vida.
Porque se afadigam tanto em tentar demonstrar que aquela vida, não é vida.
Para tranquilizar as consciências.
Somos aquilo que somos porque uma mulher e um homem um dia nos geraram e disseram sim à vida, a mesma vida que agora não queremos reconhecer.
Leio e releio e volto a ler a pergunta do referendo.
Tento descortinar as razões da dita despenalização tão apregoadas, para as mulheres com problemas graves e tão diversos que vão sendo enunciados.
Apenas vejo a liberalização total do aborto, seja porque razão for, desde que seja "opção da mulher".
A "opção da mulher", do homem, nunca pode ser contra vida.
Porque se afadigam tanto em tentar demonstrar que aquela vida, não é vida.
Para tranquilizar as consciências.
Somos aquilo que somos porque uma mulher e um homem um dia nos geraram e disseram sim à vida, a mesma vida que agora não queremos reconhecer.
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
ORAÇÃO EM LÍNGUAS 11
"Não é provável que esta oração no futuro próximo tenha entrada nas grandes assembleias litúrgicas. No final do Evangelho de São Marcos que apareceu somente em meados do séc. II, diz-se: “E acontecerão estes sinais aos que acreditarem: … falarão em outras línguas” (Mc 16,17). Por isso cem anos após a morte de Jesus ainda era geralmente conhecido o sentido da oração em línguas e o texto dá a perceber a opinião de que este “sinal” da presença do Espírito Santo não só foi dado à primeira geração cristã, mas também é um fenómeno normal da missão cristã. Hoje estamos de novo perante uma nova época da história da fé, e ainda não encontramos a linguagem para descrever esta novidade do Deus sempre novo. O Senhor da história quer purificar a nossa linguagem, irromper a partir do interior, dar-nos palavras novas: Quando devolvermos as profundidades da nossa faculdade linguística ao Seu Mistério, então anunciaremos “com coragem o mistério do Evangelho” (Ef 6,19) de forma nova no nossa inteligível língua mãe.Concluindo, importa salientar: O Carisma da oração em línguas tem – como qualquer outro Carisma – como pressuposto uma capacidade natural, a saber, a capacidade humana de falar. A oração em línguas deve por isso, como qualquer Dom do Espírito Santo, ser examinada sobre a sua autenticidade. A pronúncia da série ininteligível de vogais e consoantes é um fenómeno que é plenamente conhecido dos médicos em determinadas doenças ou também aparece em estados de embriaguês. Não é portanto carismática, mas tem origem puramente psicológica. "
(as palavras a negrito são do autor)
"Experiência Fundamental do Cristianismo" - Heribert Mülhen
(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 7" )
Aqui termina esta série de textos sobre a Oração em Línguas.
Não que se tenha esgotado o tema, mas porque foi lançada a interpelação e agora é tempo de "experimentar", de viver esta oração.
Estou, naturalmente ao dispôr, para responder ao que me for perguntado, dentro dos conhecimentos que o Senhor me vai dando conhecer.
Tudo para Sua Glória.
(as palavras a negrito são do autor)
"Experiência Fundamental do Cristianismo" - Heribert Mülhen
(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 7" )
Aqui termina esta série de textos sobre a Oração em Línguas.
Não que se tenha esgotado o tema, mas porque foi lançada a interpelação e agora é tempo de "experimentar", de viver esta oração.
Estou, naturalmente ao dispôr, para responder ao que me for perguntado, dentro dos conhecimentos que o Senhor me vai dando conhecer.
Tudo para Sua Glória.
sábado, 21 de outubro de 2006
ESTALACTITE E ESTALAGMITE
Há dois dias quando acordei e ainda estava no estado de sonolência, comecei a louvar a Deus, como habitualmente faço, agradecendo por mais um dia na vida que Ele me deu.
No meu coração despontaram então duas palavras, estalactite e estalagmite, que eu não alcancei no momento o que me queriam dizer e não entendi o significado para aquele momento.
Ao longo do dia e durante os períodos de oração que fui tendo, fui reflectindo sobre aquelas palavras e pedindo ao Espírito Santo o discernimento sobre o facto do aparecimento daquelas palavras significarem algo para a minha vida espiritual ou apenas serem um acontecimento fortuito.
Aos poucos foi aparecendo uma “explicação”, que quero partilhar com quem aqui me visita.
Não existe estalagmite, (simplesmente falando), sem que primeiro haja uma estalactite, que vá gotejando a necessária água para a formação da mesma.
Primeiro discernimento: Sem a existência da estalactite, não há estalagmite. Assim se nós somos estalagmites, não poderemos existir sem a estalactite que vem primeiro e já existia (Deus).
A estalagmite está bem fixa no chão da gruta e vai “crescendo” em direcção ao tecto, conforme a estalactite vai pingando água sobre ela.
Segundo discernimento: Sendo nós as estalagmites, temos de ter os pés bem assentes na terra, mas crescendo sempre para o Alto, com o “alimento” que nos vem do Céu.
O processo de crescimento da estalagmite é demorado, contínuo, embora por vezes possa ser interrompido, porque alguma coisa interrompeu a queda das gotas de água na estalagmite. No entanto, passado esse momento as gotas de água voltam a cair e a estalagmite volta a crescer.
Terceiro discernimento: Na “nossa vida de estalagmites” em crescimento para o Alto, deixamos algumas vezes que outras estalagmites, ou outros acontecimentos, nos impeçam de nos “alimentarmos” do Alto e assim, interrompam o nosso crescimento na Fé. No entanto, passado esse momento, e perante o nosso arrependimento voltamos a aceitar o “alimento” divino e continuamos o crescimento para e com Deus.
Às vezes, embora apreciando a beleza das estalagmites, alguns homens por razões muitas vezes inexplicáveis, (porque os “irrita” a beleza, por uma razão apenas de destruição, etc), destroem as estalagmites. No entanto depois da destruição, recomeça o processo de crescimento entre a estalactite e a estalagmite.
Quarto discernimento: Muitas vezes por razões de respeitos humanos, de vergonhas, de criticas às nossas vidas, de tantas coisas que todos nós sabemos, cortamos a nossa relação com Deus. Quando nos arrependemos, Ele que está sempre presente, recomeça connosco e em nós o caminho para o Céu.
A estalagmite só cresce se receber as gotas de água da estalactite, não há outra forma de crescer. Se as não receber não passará do tamanho que tem e com o tempo e a erosão irá ficando cada vez mais pequena até desaparecer.
Quinto discernimento: Não podemos crescer na Fé apenas por nós próprios. Se não recebermos do Alto o alimento, não cresceremos para e com Deus, e até o “pouco que tivermos, acabará por desaparecer”(conf. Lc 19,26).
A estalactite “desce” ao encontro da estalagmite que vai crescendo para a união com a estalagmite.
Sexto discernimento: Deus vem ao nosso encontro. Se nos deixarmos “alimentar” por Ele, cresceremos na e até à Comunhão com Ele.
Quando a estalactite toca a estalagmite e se “fundem”, considera-se a união perfeita, que se passa a chamar coluna.
Sétimo discernimento: Se, apesar dos obstáculos do caminho, sempre caminharmos para Deus, em Comunhão com Ele, um dia, por Sua graça seremos Um com Ele (conf. Jo 17, 20-21), no louvor perfeito, no gozo eterno. Então seremos também uma união perfeita do Céu com a terra, na Comunhão dos Santos.
Se os homens já apreciam a beleza da estalactite e da estalagmite que se forma a partir da estalactite, ficam ainda mais extasiados perante a perfeição da coluna e do tempo que a mesma demorou a formar-se.
Oitavo discernimento: Com um testemunho verdadeiro e coerente de vida na Fé, muitos outros ficarão admirados e ansiosos por “experimentarem” as maravilhas de Deus.
“Senhor, faz-me ser uma “estalagmite”, alimentada por Ti, crescendo para Ti e em Ti, até à união perfeita conTigo, por Tua graça”.
No meu coração despontaram então duas palavras, estalactite e estalagmite, que eu não alcancei no momento o que me queriam dizer e não entendi o significado para aquele momento.
Ao longo do dia e durante os períodos de oração que fui tendo, fui reflectindo sobre aquelas palavras e pedindo ao Espírito Santo o discernimento sobre o facto do aparecimento daquelas palavras significarem algo para a minha vida espiritual ou apenas serem um acontecimento fortuito.
Aos poucos foi aparecendo uma “explicação”, que quero partilhar com quem aqui me visita.
Não existe estalagmite, (simplesmente falando), sem que primeiro haja uma estalactite, que vá gotejando a necessária água para a formação da mesma.
Primeiro discernimento: Sem a existência da estalactite, não há estalagmite. Assim se nós somos estalagmites, não poderemos existir sem a estalactite que vem primeiro e já existia (Deus).
A estalagmite está bem fixa no chão da gruta e vai “crescendo” em direcção ao tecto, conforme a estalactite vai pingando água sobre ela.
Segundo discernimento: Sendo nós as estalagmites, temos de ter os pés bem assentes na terra, mas crescendo sempre para o Alto, com o “alimento” que nos vem do Céu.
O processo de crescimento da estalagmite é demorado, contínuo, embora por vezes possa ser interrompido, porque alguma coisa interrompeu a queda das gotas de água na estalagmite. No entanto, passado esse momento as gotas de água voltam a cair e a estalagmite volta a crescer.
Terceiro discernimento: Na “nossa vida de estalagmites” em crescimento para o Alto, deixamos algumas vezes que outras estalagmites, ou outros acontecimentos, nos impeçam de nos “alimentarmos” do Alto e assim, interrompam o nosso crescimento na Fé. No entanto, passado esse momento, e perante o nosso arrependimento voltamos a aceitar o “alimento” divino e continuamos o crescimento para e com Deus.
Às vezes, embora apreciando a beleza das estalagmites, alguns homens por razões muitas vezes inexplicáveis, (porque os “irrita” a beleza, por uma razão apenas de destruição, etc), destroem as estalagmites. No entanto depois da destruição, recomeça o processo de crescimento entre a estalactite e a estalagmite.
Quarto discernimento: Muitas vezes por razões de respeitos humanos, de vergonhas, de criticas às nossas vidas, de tantas coisas que todos nós sabemos, cortamos a nossa relação com Deus. Quando nos arrependemos, Ele que está sempre presente, recomeça connosco e em nós o caminho para o Céu.
A estalagmite só cresce se receber as gotas de água da estalactite, não há outra forma de crescer. Se as não receber não passará do tamanho que tem e com o tempo e a erosão irá ficando cada vez mais pequena até desaparecer.
Quinto discernimento: Não podemos crescer na Fé apenas por nós próprios. Se não recebermos do Alto o alimento, não cresceremos para e com Deus, e até o “pouco que tivermos, acabará por desaparecer”(conf. Lc 19,26).
A estalactite “desce” ao encontro da estalagmite que vai crescendo para a união com a estalagmite.
Sexto discernimento: Deus vem ao nosso encontro. Se nos deixarmos “alimentar” por Ele, cresceremos na e até à Comunhão com Ele.
Quando a estalactite toca a estalagmite e se “fundem”, considera-se a união perfeita, que se passa a chamar coluna.
Sétimo discernimento: Se, apesar dos obstáculos do caminho, sempre caminharmos para Deus, em Comunhão com Ele, um dia, por Sua graça seremos Um com Ele (conf. Jo 17, 20-21), no louvor perfeito, no gozo eterno. Então seremos também uma união perfeita do Céu com a terra, na Comunhão dos Santos.
Se os homens já apreciam a beleza da estalactite e da estalagmite que se forma a partir da estalactite, ficam ainda mais extasiados perante a perfeição da coluna e do tempo que a mesma demorou a formar-se.
Oitavo discernimento: Com um testemunho verdadeiro e coerente de vida na Fé, muitos outros ficarão admirados e ansiosos por “experimentarem” as maravilhas de Deus.
“Senhor, faz-me ser uma “estalagmite”, alimentada por Ti, crescendo para Ti e em Ti, até à união perfeita conTigo, por Tua graça”.
ORAÇÃO EM LÍNGUAS 10
"Espera Deus de ti que também peças este Dom? Paulo diz aos Coríntios: “Eu desejo que todos faleis em línguas” (1 Cor 14,5) e agradece especialmente a Deus por ele mesmo falar em línguas (v. 18). Por isso ele exorta a que não se impeça o Dom de línguas (v. 39), mas acentua também que este Dom “dado” por Deus não é concedido a todos (1 Cor 12, 28.30). Ele é dado à maioria das pessoas, quando elas estão dispostas a entregar também a Deus a sua própria língua.
Na nossa cultura moderna e racionalista há contudo que ultrapassar determinadas barreiras de medo, quando alguém pede o Dom de línguas: Nós fomos educados a observar-nos constantemente a nós mesmos, a apresentar obras intelectuais, a não nos abandonarmos precipitadamente e sem critica a algo que não conhecemos. Mas, na oração em línguas, devemos primeiramente sair do barco ao qual estamos habituados e que nos dá protecção. Devemos procurar o impossível e caminhar sobre a água, apesar de considerarmos incrível que ela nos suporte. Neste caso, vale também para nós a exclamação de Jesus “Tende confiança; sou Eu, não tenhais medo!” (Mt 14,27).
Pode ser que à primeira vez te excites muito, pois deves realmente atravessar um umbral, deves soltar-te totalmente a ti mesmo, apenas rezar, sem prestar atenção aos sons que produzes. Muitos têm medo, e por isso é uma ajuda quando aqueles que já receberam este Dom rezam em línguas juntamente contigo a primeira vez. A muitos esta oração é dada sem nenhuma emoção interior, quando muito filial e “ingenuamente” se abandonam a Deus. Esta oração de per si não tem nada que ver com extâse e arrebatamento emocional".
(as palavras a negrito são do autor)
"Experiência Fundamental do Cristianismo" - Heribert Mühlen
(A identificação do autor está em "Oração em Línguas" 7)
(continua)
Na nossa cultura moderna e racionalista há contudo que ultrapassar determinadas barreiras de medo, quando alguém pede o Dom de línguas: Nós fomos educados a observar-nos constantemente a nós mesmos, a apresentar obras intelectuais, a não nos abandonarmos precipitadamente e sem critica a algo que não conhecemos. Mas, na oração em línguas, devemos primeiramente sair do barco ao qual estamos habituados e que nos dá protecção. Devemos procurar o impossível e caminhar sobre a água, apesar de considerarmos incrível que ela nos suporte. Neste caso, vale também para nós a exclamação de Jesus “Tende confiança; sou Eu, não tenhais medo!” (Mt 14,27).
Pode ser que à primeira vez te excites muito, pois deves realmente atravessar um umbral, deves soltar-te totalmente a ti mesmo, apenas rezar, sem prestar atenção aos sons que produzes. Muitos têm medo, e por isso é uma ajuda quando aqueles que já receberam este Dom rezam em línguas juntamente contigo a primeira vez. A muitos esta oração é dada sem nenhuma emoção interior, quando muito filial e “ingenuamente” se abandonam a Deus. Esta oração de per si não tem nada que ver com extâse e arrebatamento emocional".
(as palavras a negrito são do autor)
"Experiência Fundamental do Cristianismo" - Heribert Mühlen
(A identificação do autor está em "Oração em Línguas" 7)
(continua)
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
O REFERENDO
Li agora no Diário de Noticias que um grupo de 60 médicos e outros profissionais de saúde, se uniram para fazer campanha pelo sim no Referendo do aborto, (chamemos as coisas pelos nomes e não "interrupção voluntária da gravidez").
Aqueles que juraram defender a vida, votam agora na morte!
A notícia é que estes 60 decidiram votar sim, não é que a grande maioria dos médicos e profissionais de saúde decidiram dizer não.
"Critérios jornalisticos".
Aqueles que juraram defender a vida, votam agora na morte!
A notícia é que estes 60 decidiram votar sim, não é que a grande maioria dos médicos e profissionais de saúde decidiram dizer não.
"Critérios jornalisticos".
quinta-feira, 19 de outubro de 2006
PENSAMENTOS INSPIRADOS NA PROCURA DE DEUS 23
O Céu e a Terra juntaram-se num parto de amor eterno, (Virgem Maria). Graças ao Espírito Santo.
ORAÇÃO EM LÍNGUAS 9
"Se chamamos a Deus o Mistério Inefável, queremos dizer com isso que nenhum conteúdo da nossa inteligência pode abarcá-Lo e expressá-Lo. Isto vale também para as palavras “Deus”, “Pai”, “Santo”, etc. A elas associamos determinadas ideias e conteúdos que foram tomados da nossa experiência humana. Mas se o próprio Deus, o “Pai”, é inexperimentável, como diz a Bíblia desde o primeiro ao último livro, então o Seu Mistério só pode expressar-se em palavras que não foram tiradas da nossa experiência humana. Além disso, podemos proteger-nos muito bem contra Deus e falar sobre Ele na nossa língua-mãe e com muitas noções estudadas da nossa inteligência. Pelo contrário, na oração em línguas falamos a Deus (1 Cor 14,2) Por isso nela também não comunicamos alguma coisa aos outros homens, mas edificamo-nos a nós mesmos, apresentando-nos a nós mesmos diante de Deus (1 Cor 14,4).
Por esta razão, Paulo adverte que a oração em línguas passe para segundo plano na assembleia litúrgica. Quando ninguém a pode “interpretar”, também ninguém deve falar assim perante a comunidade. Deve “fazê-la para si mesmo e perante Deus” (1 Cor 14,28). Por isso esta forma de oração permanece privada na medida em que é, em primeiro lugar, um enriquecimento da oração “privada”. Mas o próprio fenómeno em si é uma profunda “desprivatização” perante Deus, pois nele eu não rezo “separado” de Deus a um “Ser Superior” anterior e por cima da criação, mas Deus, o Espírito Santo reza em mim através de Cristo a Deus, o Pai incompreensível e inexperimentável. Outra coisa é, sem dúvida, o “canto no Espírito Santo” (Ef 5,19 seg.; Cl 3,16 seg.) em comum: Alguém entoa uma melodia, todos se reúnem à sua volta, cantam-na em várias vozes, “como o Espírito Santo os inspira”, e então rezam em línguas. Quando este Dom não é concedido, pode então juntar-se a estas melodias orações na língua materna (Aleluia, Jesus é o Senhor, etc). Este “canto no Espírito Santo” na reunião de oração dá muitas vezes uma profundidade incalculável à adoração. Não é por acaso que isso se desenvolve frequentemente na celebração da Eucaristia, após a narração da Instituição, a seguir a exclamação: “Mistério de Fé”.
A interpretação de uma oração em línguas numa assembleia é, segundo S. Paulo, um Dom especial do Espírito Santo (1 Cor 12,10). Quem interpreta uma oração em línguas procura acompanhá-la e, através de uma intuição espiritual, dar-lhe um conteúdo. É evidente que aqui não se pode tratar de uma “tradução”, pois o que ora não associa à sua linguagem conteúdo nenhum. O Dom da interpretação e da exegese é sobretudo dado para que também os outros tenham um proveito da oração em línguas (1 Cor 14,17), permaneça a dimensão social da presença de Deus e também a inteligência não fique sem lucro (1 Cor 14,14). A interpretação é por isso mais um complemento que uma tradução!
(As palavras a negrito são do autor)
“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen
(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 7)
(continua)
Por esta razão, Paulo adverte que a oração em línguas passe para segundo plano na assembleia litúrgica. Quando ninguém a pode “interpretar”, também ninguém deve falar assim perante a comunidade. Deve “fazê-la para si mesmo e perante Deus” (1 Cor 14,28). Por isso esta forma de oração permanece privada na medida em que é, em primeiro lugar, um enriquecimento da oração “privada”. Mas o próprio fenómeno em si é uma profunda “desprivatização” perante Deus, pois nele eu não rezo “separado” de Deus a um “Ser Superior” anterior e por cima da criação, mas Deus, o Espírito Santo reza em mim através de Cristo a Deus, o Pai incompreensível e inexperimentável. Outra coisa é, sem dúvida, o “canto no Espírito Santo” (Ef 5,19 seg.; Cl 3,16 seg.) em comum: Alguém entoa uma melodia, todos se reúnem à sua volta, cantam-na em várias vozes, “como o Espírito Santo os inspira”, e então rezam em línguas. Quando este Dom não é concedido, pode então juntar-se a estas melodias orações na língua materna (Aleluia, Jesus é o Senhor, etc). Este “canto no Espírito Santo” na reunião de oração dá muitas vezes uma profundidade incalculável à adoração. Não é por acaso que isso se desenvolve frequentemente na celebração da Eucaristia, após a narração da Instituição, a seguir a exclamação: “Mistério de Fé”.
A interpretação de uma oração em línguas numa assembleia é, segundo S. Paulo, um Dom especial do Espírito Santo (1 Cor 12,10). Quem interpreta uma oração em línguas procura acompanhá-la e, através de uma intuição espiritual, dar-lhe um conteúdo. É evidente que aqui não se pode tratar de uma “tradução”, pois o que ora não associa à sua linguagem conteúdo nenhum. O Dom da interpretação e da exegese é sobretudo dado para que também os outros tenham um proveito da oração em línguas (1 Cor 14,17), permaneça a dimensão social da presença de Deus e também a inteligência não fique sem lucro (1 Cor 14,14). A interpretação é por isso mais um complemento que uma tradução!
(As palavras a negrito são do autor)
“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen
(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 7)
(continua)
quarta-feira, 18 de outubro de 2006
ORAÇÃO EM LÍNGUAS 8
"Na nossa oração tradicional conhecemos graus que antecedem isso: No coral gregoriano há séries de tons longos, nos quais é cantada só a vogal “a” (como no final do Aleluia). A vogal “a” não tem “sentido” em si mesma, não contém uma comunicação, uma informação. Ela é um tal “cantar-se a si” diante de Deus, simplesmente a ponte linguística para Deus, e provém das camadas profundas da minha pessoa que não se entende pela pura razão. Um fenômeno semelhante é sobretudo na Igreja Oriental a oração de Jesus. Na repetição muitas vezes de horas seguidas o orante diz a jaculatória: “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim”. Quando alguma vez se ouviu esta frase, conhece-se o conteúdo, mas nesta forma de oração não se trata em primeiro lugar do conteúdo, mas do processo de eu falar com Jesus e com Deus e assim experimentar em mim a Sua presença. Uma tal repetição constante é “sem sentido” para a “inteligência”. O mesmo acontece na oração do Rosário. Durante a oração não se acompanha com o entendimento o conteúdo de cada palavra ou das frases pronunciadas. Não tem “sentido” pronunciar a mesma oração 50 vezes. Na oração em línguas acrescenta-se a isso só uma coisa. As vogais e consoantes pronunciadas pertencem a uma língua que não conheço, que deste modo ainda ninguém pronunciou. Nela eu expresso-me diante de Deus, entrego-me a mim mesmo, também a minha língua, totalmente a Ele.
A doação de si mesmo a deus na oração em línguas pode expressar agradecimento (1Cor 14,16 seg.), intercessão (Rm 8,27; Ef 6,18), proclamação das maravilhas de Deus (Act 2,11; 10, 46). Atinge a sua dimensão mais profunda na adoração de Deus por Ele mesmo. Quando louvamos e glorificamos a Deus por causa da Sua Criação, podemos enumerar as muitas criaturas que Ele criou. Mas se O louvamos e O glorificamos porque Ele é o Mistério imenso, incompreensível, inefável Cf 14,2), faltam-nos as palavras. Nós só podemos exclamar “Nós Te louvamos, te bendizemos, Te adoramos” e então devíamos repetir continuamente estas jaculatórias ou começar a cantar as “propriedades” de Deus (Só Tu és Santo, só Tu o Senhor, só Tu o Altíssimo, etc). Quando se trata de Deus, porque Ele é Deus, não sabemos realmente o que e como rezar. Então só podemos abandonar-nos à presença de Deus em nós: Ele mesmo vem em nossa ajuda “com gemidos inenarráveis” (Rm 8,26). A palavra grega que neste lugar é traduzida por “gemido”, no contexto do Novo Tetstamento é um termo técnico para uma oração que não procede da inteligência mas do Espírito Santo. Esta palavra encontra-se também em Mc 7,34 e 8,12. Por isso Marcos era provavelmente da opinião de que Jesus também tinha rezado desta forma."
(as palavras a negrito são do autor).
“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen
(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 7").
(continua)
A doação de si mesmo a deus na oração em línguas pode expressar agradecimento (1Cor 14,16 seg.), intercessão (Rm 8,27; Ef 6,18), proclamação das maravilhas de Deus (Act 2,11; 10, 46). Atinge a sua dimensão mais profunda na adoração de Deus por Ele mesmo. Quando louvamos e glorificamos a Deus por causa da Sua Criação, podemos enumerar as muitas criaturas que Ele criou. Mas se O louvamos e O glorificamos porque Ele é o Mistério imenso, incompreensível, inefável Cf 14,2), faltam-nos as palavras. Nós só podemos exclamar “Nós Te louvamos, te bendizemos, Te adoramos” e então devíamos repetir continuamente estas jaculatórias ou começar a cantar as “propriedades” de Deus (Só Tu és Santo, só Tu o Senhor, só Tu o Altíssimo, etc). Quando se trata de Deus, porque Ele é Deus, não sabemos realmente o que e como rezar. Então só podemos abandonar-nos à presença de Deus em nós: Ele mesmo vem em nossa ajuda “com gemidos inenarráveis” (Rm 8,26). A palavra grega que neste lugar é traduzida por “gemido”, no contexto do Novo Tetstamento é um termo técnico para uma oração que não procede da inteligência mas do Espírito Santo. Esta palavra encontra-se também em Mc 7,34 e 8,12. Por isso Marcos era provavelmente da opinião de que Jesus também tinha rezado desta forma."
(as palavras a negrito são do autor).
“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen
(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 7").
(continua)
terça-feira, 17 de outubro de 2006
JOÃO PAULO II
Passam hoje 28 anos que foi eleito João Paulo II.
Agradecendo a Deus por este Homem que quis dar à Igreja e à humanidade, deixo aqui a oração que escrevi quando foi para junto do Pai.
Obrigado Senhor,
por este homem santo
que quiseste dar à humanidade.
Obrigado Senhor,
por este Teu servo
que colocaste no mundo para Te servir,
servindo os irmãos.
Obrigado Senhor,
por este testemunho
que quiseste dar aos Teus filhos,
de firmeza, de coerência,
de entrega a Ti,
de defesa da paz,
de vivência do amor,
sem fronteiras.
Obrigado Senhor,
por este chamamento
à santidade,
que quiseste colocar,
tão claro,
neste Teu servo.
Obrigado Senhor,
pela morte do Teu servo,
mostrando-nos a dignidade da vida,
e a esperança
da felicidade eterna,
na Tua presença.
Obrigado Senhor,
pela graça que dás à humanidade,
de termos um novo intercessor
junto de Vós.
Obrigado Senhor,
pela Igreja que nos conduz,
nos guia,
e nos convida à alegria
por um irmão mais velho,
que volta à Tua casa,
Ó PAI.
2 de Abril de 2005
Agradecendo a Deus por este Homem que quis dar à Igreja e à humanidade, deixo aqui a oração que escrevi quando foi para junto do Pai.
Obrigado Senhor,
por este homem santo
que quiseste dar à humanidade.
Obrigado Senhor,
por este Teu servo
que colocaste no mundo para Te servir,
servindo os irmãos.
Obrigado Senhor,
por este testemunho
que quiseste dar aos Teus filhos,
de firmeza, de coerência,
de entrega a Ti,
de defesa da paz,
de vivência do amor,
sem fronteiras.
Obrigado Senhor,
por este chamamento
à santidade,
que quiseste colocar,
tão claro,
neste Teu servo.
Obrigado Senhor,
pela morte do Teu servo,
mostrando-nos a dignidade da vida,
e a esperança
da felicidade eterna,
na Tua presença.
Obrigado Senhor,
pela graça que dás à humanidade,
de termos um novo intercessor
junto de Vós.
Obrigado Senhor,
pela Igreja que nos conduz,
nos guia,
e nos convida à alegria
por um irmão mais velho,
que volta à Tua casa,
Ó PAI.
2 de Abril de 2005
ORAÇÃO EM LÍNGUAS 7
O Dom de Línguas é para muitos o primeiro passo para uma desprivatização perante Deus: “Quem reza em línguas, não fala aos homens mas a Deus; ninguém o entende: No Espírito Santo ele diz coisas misteriosas” (1Cor 14,2). Deus é não só incompreensível, mas também inefável. Isto é expressamente doutrina e dogma da Igreja. Não podemos abarcar e expressar os mistérios de Deus coma nossa linguagem humana comum. A oração em línguas é porém um expressar daquilo que permanece inefável por toda a eternidade! Devemos por isso permitir a Deus que penetre na nossa mais profunda capacidade de falar, que expresse em nós o Seu Mistério. Na oração em línguas abandonamo-nos a Deus até ao mais profundo do nosso ser humano. A faculdade de falar é na verdade a sua expressão mais profunda (um animal jamais aprenderá uma língua humana). Na palavra “eu” estou eu mesmo totalmente presente, com corpo e alma, inteligência, vontade e sentimento. Ninguém pode dizer “eu” em meu lugar, ninguém pode dizer “tu” em meu lugar. A oração em línguas neste sentido é um dizer “Tu” a Deus, proveniente das profundidades da pessoa, sem que o que reza entenda o “sentido” (cf. 1 Cor 14,11).
Porque este expressar do inefável se tornou quase desconhecido, não se pode à distância fazer uma idéia dele, quando a gente ainda não o ouviu ou experimentou em si. Esta oração está por isso exposta a muitos mal-entendidos. Ela não é – como dão a entender as traduções bíblicas – um falar “arrebatado” ou “extático”, mas um falar muito normal, num tom normal. Paulo supõe que quem reza assim pode começar e terminar quando ele quer (1 Cor 14,27 “um depois do outro”). Geralmente a oração em línguas ouve-se como uma emissão de noticias na rádio numa língua totalmente desconhecida para o ouvinte. Trata-se de uma série de vogais e consoantes com uma melodia e ritmo linguístico determinado, com a única diferença de que esta linguagem é “sem sentido” para a inteligência e além disso, muito pessoal, dado que procede duma profunda atitude de adoração.
(as palavras a negrito são do autor).
“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen
WIKIPÉDIA
Heribert Mühlen
Heribert Mühlen (April 27 1927- May 25 2006) was a German Roman-Catholic theologian.
He was born in Mönchengladbach, studied in Bonn, Freiburg, Rome, Innsbruck, Münster und Munich, and was priest since 1955. Since 1962 Mühlen taught at the Divinity Faculty of the University Paderborn, where he later (1964-1997) worked as Ordinarius für Dogmatik und Dogmengeschichte (Professor of Dogmatics and Dogmatical History).
During the Second Vatican Council, Pope Paul VI appointed Mühlen as one of the theological experts (1964).
His theological work is concentrated mostly on pneumatology, ecclesiology and pastoral theology. Mühlen also helped to introduce protestant charismatic ideas into the Roman-Catholic church.
(continua)
Porque este expressar do inefável se tornou quase desconhecido, não se pode à distância fazer uma idéia dele, quando a gente ainda não o ouviu ou experimentou em si. Esta oração está por isso exposta a muitos mal-entendidos. Ela não é – como dão a entender as traduções bíblicas – um falar “arrebatado” ou “extático”, mas um falar muito normal, num tom normal. Paulo supõe que quem reza assim pode começar e terminar quando ele quer (1 Cor 14,27 “um depois do outro”). Geralmente a oração em línguas ouve-se como uma emissão de noticias na rádio numa língua totalmente desconhecida para o ouvinte. Trata-se de uma série de vogais e consoantes com uma melodia e ritmo linguístico determinado, com a única diferença de que esta linguagem é “sem sentido” para a inteligência e além disso, muito pessoal, dado que procede duma profunda atitude de adoração.
(as palavras a negrito são do autor).
“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen
WIKIPÉDIA
Heribert Mühlen
Heribert Mühlen (April 27 1927- May 25 2006) was a German Roman-Catholic theologian.
He was born in Mönchengladbach, studied in Bonn, Freiburg, Rome, Innsbruck, Münster und Munich, and was priest since 1955. Since 1962 Mühlen taught at the Divinity Faculty of the University Paderborn, where he later (1964-1997) worked as Ordinarius für Dogmatik und Dogmengeschichte (Professor of Dogmatics and Dogmatical History).
During the Second Vatican Council, Pope Paul VI appointed Mühlen as one of the theological experts (1964).
His theological work is concentrated mostly on pneumatology, ecclesiology and pastoral theology. Mühlen also helped to introduce protestant charismatic ideas into the Roman-Catholic church.
(continua)
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
A RIQUEZA POBRE E A POBREZA RICA
Ontem, Domingo, na homilia, o nosso Pároco contou uma história para ilustrar a pobreza daqueles que vivem para os seus bens.
Uma criança olhava através da vidraça da janela para fora e a mãe perguntou-lhe:
- O que vês?
Ela respondeu:
- Veja o mundo, a natureza, as pessoas, as cores, tudo enfim.
A mãe foi buscar um espelho e colocou-o no sitio da vidraça e perguntou:
- E agora o que vês?
A criança respondeu:
- Agora só me vejo a mim!!!
Disse, então a mãe:
- É que colocaram «prata» no vidro e essa «prata» apenas deixa que te vejas a ti!!!
Uma criança olhava através da vidraça da janela para fora e a mãe perguntou-lhe:
- O que vês?
Ela respondeu:
- Veja o mundo, a natureza, as pessoas, as cores, tudo enfim.
A mãe foi buscar um espelho e colocou-o no sitio da vidraça e perguntou:
- E agora o que vês?
A criança respondeu:
- Agora só me vejo a mim!!!
Disse, então a mãe:
- É que colocaram «prata» no vidro e essa «prata» apenas deixa que te vejas a ti!!!
domingo, 15 de outubro de 2006
ORAÇÃO EM LÍNGUAS 6
Hoje é Domingo, dia do Senhor.
Glória ao Senhor.
"Portanto, não há por que assombrar-se ao ver como uma prática que de nenhum modo é devida a outra tradição distinta da nossa, é revivida. Uma vez adquirida tal liberdade de expressão dos sentimentos religiosos em si mesmos, pode-se e deve-se sentir verdadeira necessidade de compartilhá-los com outros homens; e achar-se-á normal e benfazejo que já se possa louvar, adorar, glorificar e amar a Deus segundo todos os modos de expressão dos quais dispomos – segundo todas as cordas da harpa - , expressão na qual o ‘falar em línguas’ entra como parte integrante para quem entendeu seu sentido.
Falar em línguas, concebido dessa forma, parece-me um enriquecimento espiritual; por isso, não duvidei em considera-lo como um dos frutos da graça.»
"Um Novo Pentecostes" - Cardeal Leo J. Suenens
(continua)
Glória ao Senhor.
"Portanto, não há por que assombrar-se ao ver como uma prática que de nenhum modo é devida a outra tradição distinta da nossa, é revivida. Uma vez adquirida tal liberdade de expressão dos sentimentos religiosos em si mesmos, pode-se e deve-se sentir verdadeira necessidade de compartilhá-los com outros homens; e achar-se-á normal e benfazejo que já se possa louvar, adorar, glorificar e amar a Deus segundo todos os modos de expressão dos quais dispomos – segundo todas as cordas da harpa - , expressão na qual o ‘falar em línguas’ entra como parte integrante para quem entendeu seu sentido.
Falar em línguas, concebido dessa forma, parece-me um enriquecimento espiritual; por isso, não duvidei em considera-lo como um dos frutos da graça.»
"Um Novo Pentecostes" - Cardeal Leo J. Suenens
(continua)
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