terça-feira, 14 de novembro de 2006

ATÉ ONDE VAMOS PERMITIR QUE SE CHEGUE

Retirado da ZENIT

Ginecologistas britânicos pedem direito de poder matar recém-nascidos deficientes
Entrevista ao neonatologista Carlo Bellieni ROMA, segunda-feira, 13 de novembro de 2006 (ZENIT.org).-
Com uma declaração publicada pelo «Sunday Times» em 5 de novembro passado, o Real Colégio de Obstetras e Ginecologistas (RCOG) do Reino Unido anunciou ter solicitado «a possibilidade de matar os neonatos deficientes».
O Colégio enviou o documento de solicitação ao Conselho de Bioética Nuffield, organismo encarregado de examinar os assuntos éticos suscitados pelos novos desenvolvimentos da Biologia e da Medicina. O Conselho de Bioética Niffield é uma influente Comissão privada que está a ponto de publicar um informe sobre as decisões críticas em medicina fetal e neonatal.
No documento citado, o RCOG pede que se abra um debate sobre a eutanásia ativa das crianças deficientes (tirar-lhes a vida após o nascimento), sustentando que deste modo se impediria o peso emotivo e econômico do cuidado de um menino ou uma menina gravemente deficiente.
A associação de ginecologistas britânicos afirma que a permissão para realizar a eutanásia ativa limitaria o recurso ao aborto tardio porque, em caso de hipótese de uma grave deficiência do feto, os pais poderiam levar adiante a gravidez e decidir, só uma vez nascido, se se mantém a vida ou a suprime.
Frente a tal pedido, elevou-se no Reino Unido a voz contrária do Conselho Britânico de Deficientes.
Para compreender o assunto e suas implicações de natureza bioética, Zenit entrevistou o neonatólogo Carlo Valério Bellieni, diretor do Departamento de Terapia Intensiva Neonatal da Policlínica Universitária «Le Scotte» de Siena, Itália.
--O que o senhor acha do pedido do Real Colégio de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido?
--Bellieni: O pedido de suprimir os neonatos com graves deficiências não deixa nenhum pediatra insensível, ou seja, quem amanhã estará chamado a realizar as «eliminações»; mas não é novo: já Michael Gross escrevia em 2002, em «Bioethics» que «há um consenso geral no “neonaticídio”, segundo o parecer do progenitor sobre o interesse do neonato, definido em modo amplo, considerando tanto o dano físico como o dano social, psicológico e financeiro a terceiros». E é sempre do interesse de terceiros que precisamos partir para compreender o que se pode esconder por trás de um pedinte intento de «pôr fim aos sofrimentos da criança».
--Quais são os aspectos mais inquietantes da proposta britânica?
--Bellieni: O que inquieta os pediatras são três coisas.
Em primeiro lugar: ter de se converter em executores de uma condenação à morte: não nos tornamos médicos para isso, sobretudo em uma época na qual a condenação à morte é estigmatizada por um número cada vez maior de Estados.
Em segundo lugar: considerar os próprios pacientes como não-pessoas: há autores que sustentam que os neonatos não são pessoas porque ainda não têm uma autoconsciência (e é uma lógica conseqüência de quem não considera como pessoa o feto ou o embrião pelo mesmo motivo): e disto chegam a dizer que os neonatos nem sequer são capazes de sentir dor, sendo a autoconsciência justamente um requisito para esta sensação. Afirmações desmentidas amplamente pela ciência.
Em terceiro lugar: considerar a deficiência não como uma vida a socorrer e respeitar, mas com uma atitude fóbica, como uma vida de segunda divisão .
--Alguns médicos britânicos mantiveram que não se deve escandalizar, porque o aborto tardio é assimilável à eutanásia ativa. Qual é seu parecer ao respeito?
--Bellieni: Esta notícia não me surpreendeu. Compreendo o horror, mas não compreendo o estupor: quem estudou anatomia e biologia, quem é especialista em fisiologia humana, bem sabe que não existe nenhuma diferença substancial entre feto e neonato, além de pequenas modificações no círculo sanguíneo; portanto, não se compreende por que horroriza matar um neonato e não matar um feto. A menos que não se creia que a entrada de ar nos pulmões tenha um efeito «mágico» capaz de transformar o DNA ou a consciência do indivíduo!
A foto do pequeno feto morto dentro da mãe assassinada, publicada há alguns meses por um jornal italiano, impressionou não porque se fazia ver um cadáver (lamentavelmente vimos também recentemente na TV e nos jornais muitas crianças mortas em guerra) mas porque se fazia ver a realidade: que um feto não é outra coisa senão uma criança que ainda não desfrutou do ar exterior. E isto, cada mãe sabe que é verdade, como o sabe qualquer um que por trabalho cuida dos pequeninos fetos precocemente saídos do útero materno, chamados «crianças prematuras». Sabem-no também os cirurgiões que operam os fetos ainda no útero.
Repito: o drama é que nos surpreenda isso, enquanto é preciso iniciar um trabalho cultural, feito de pesquisa e de divulgação séria, e não só já de «reações» (à última «transgressão», ao último horror).
O verdadeiro esforço bioético de hoje não é o de afirmar um vago sentido de misericórdia para com o próximo (também os programas televisivos estão cheios de lágrimas), mas de buscar a evidência, a realidade; afirmar que um embrião é um embrião e não uma célula qualquer, que um feto de poucos gramas experimenta dor, que o DNA mostra que a vida de cada um começa desde a concepção. Em definitivo, é como demonstrar que uma flor é uma flor, e não um vaso!


Não consigo, não tenho comentários a fazer a este horror.

8 comentários:

joaquim disse...

Desde manhã, quando vi esta noticia e aqui a coloquei, que não tenho deixado de pensar nela.
Não entendo se a vossa indignação é tão grande que nem sequer querem comentar esta ignominia, ou, perdoem-me, não alcançaram a dimensão trágica do que nela se propõe.
Trata-se de deixar nascer uma vida, mas apenas para saber "se serve ou não", os propósitos dos que a conceberam.
Se não for perfeita, se tiver deficiências pode ser morta depois de nascida!
Nem o Hitler faria melhor!!!
E isto, pelos vistos, são "médicos".
Até onde vai chegar este desvario?
E os "velhos", quando começarem a "incomodar" matam-se também?
Será que não entendi a noticia?
Ainda é essa a minha efémera esperança.
E não me digam que tal autorização nunca será dada, porque para mim é suficientemente grave, mais é suficientemente desumano que tenha sequer sido equacionado, quanto mais proposto.
Tem compaixão Senhor, que não sabemos o que fazemos.

Liliana disse...

Caro Joaquim,
A minha indignação ao ler esta notícia deve ter sido tão grande como a sua.
Afinal em que anda esta gente a pensar? Querem formar uma humanidade só de gente perfeita? Pelo que sei ninguém é perfeito a não ser Deus, e os deficientes são muitas vezes as pessoas mais eficientes.
Subscrevo a sua última frase:
Tem compaixão Senhor, que não sabemos o que fazemos.

AMexiaAlves disse...

O desvario humano não tem limites!

Mas não é de agora, destes tempos que vivemos, na Grécia antiga atiravam-se as crianças deficientes a precipícios!

Estes "desgraçados" médicos ingleses voltaram à pré-história. De nada lhes serviu a instrução, a Universidade, as lições da vida.

Provavelmente são contra as guerras, a tortura, o genocídio dos Balcãs.

Qual é a diferença?

Ana A. disse...

Joaquim,
Nos EUA, esta é uma prática - a de matar recém-nascidos deficientes.
O falso argumento da piedade encaixa que nem uma luva na mente perturbada dos pais que vêem que o seu filho tem problemas.
Há uns anos atrás, ainda eu estudante, falava muito sobre a segunda guerra mundial com o meu irmão - precisamente, um rapaz que nasceu bem e que, presentemente, devido a uma doença que se manifestou na adolescência, se encontra completamente dependente de terceiros.
Nessa altura ele ( o meu irmão) estava bem, falava e andava (coisa que já não consegue fazer hoje em dia), e disse-me que tinha encontrado um depoimento de uma senhora que tinha sido membro da Juventude Hitleriana. Nesse depoimento - lembro-me tão bem, porque o li -, essa senhora dizia:
"Que não se pense que eram gangsters ou brutos, aqueles que perseguiam e executavam inocentes: eram homens e mulheres cultos, formados, com estudos. O que tornava tudo aquilo ainda mais sórdido e monstruoso!"
Não está ipsis verbis, mas foi mais ou menos isto que li no testemunho da senhora.
Em tudo me faz lembrar esta horrorosa notícia.

joaquim disse...

ana a.
Obrigado pela tua visita e comentário, pelo teu testemunho.
Para mais quem propõe esta enormidade são médicos, que juraram defender a vida, o que está de acordo com o que aqui contas.
Só que pensávamos que isso estava ultrapassado!
Afinal ainda há muitos "hitlers" neste mundo!
Abraço em Cristo

J disse...

Uma noticia horrivel, e não tenho palavras para descrever o que sinto... o nosso mundo ainda tem muito que crescer, dá-me vontade de chorar tudo isto, porque a vida humana é algo tão precioso ao qual não damos valor.

Um grande beijinho

J disse...

Resta-nos rezar e pedir-Lhe que nos ajude a crescer com Ele na graça do Espirito Santo.

joaquim disse...

Realmente Joana, noticias destas deixam-nos esm palavras, apwenas indignação.
Mas não nos podemos calar, temos de falar, protestar, denunciar, exigir que avida seja protegida.
Que o Espírito Santo, como muito bem dizes, nos ilumine nesta cruzada.
Abraço em Cristo