quarta-feira, 31 de outubro de 2007

10 ANOS...

Neste mês de Novembro que agora vai começar, passarão 10 anos que participei pela primeira vez numa Assembleia do Renovamento Carismático Católico, em Fátima, facto que mudou totalmente a minha vida, ou melhor, que confirmou e deu rumo à mudança, muito tímida então, que estava a acontecer em mim.
Depois de muito pensar e colocar nas mãos de Deus o que pretendia fazer, já não tive mais dúvidas em concretizar o que vinha ao meu coração: Dar testemunho do que nestes 10 anos se passou, bem como o que me levou ao inicio destes anos de conversão, nunca acabada.
Sei que vou expor-me, que vou expor partes da minha vida, mas sei também que o testemunho das maravilhas que o Senhor opera em nós, é uma das missões das nossas vidas de cristãos.
Para que ninguém diga que é tarde e já não vale a pena a conversão, para que ninguém pense que foram tantos os erros que já não têm perdão.
Deus é infinitamente maior que o tempo, (pois para Ele é sempre hoje), e o Seu perdão não tem limites!
Acredito que junto dEle, na glória eterna, estarão muitos que na nossa concepção humana pensaríamos condenados, mas que na última hora, tocados pelo infinito amor de Deus se arrependeram e alcançaram a graça da salvação.
Não contarei, obviamente, pormenores, até porque envolvem terceiros, aos quais me sinto obrigado a proteger a sua intimidade.
Darei sim uma ideia geral do que foi, era e é a minha vida, para que possam comigo e sobretudo com Ele alegrar-se, pela ovelha perdida que foi encontrada e regressou ao redil.
Assim, e durante este mês de Novembro, darei a conhecer o que aqui me proponho, bem como, cartas e “escritos” que nestes anos marcaram a minha vida.

«Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.» Lc 15, 32

terça-feira, 23 de outubro de 2007

SENHOR, EU QUERO VER!

Da escuridão saiu um grito lancinante:
- Senhor, eu quero ver!
Então uma voz perguntou:
- Para que queres tu ver?
Respondeu o “grito”:
- Quero ver para que tudo tenha sentido.
Olho para a natureza, mas não consigo ver a totalidade da sua beleza. Trabalho exaustivamente, mas não consigo entender para quê. Ganho dinheiro e mais dinheiro, mas não me sinto mais tranquilo e seguro do meu futuro. Dou aos meus tudo o que me pedem, mas não os vejo mais felizes. Tenho amigos e mais amigos, mas não sinto os seus corações. Leio, estudo, informo-me, mas não me sinto mais conhecedor por isso, nem me sinto conhecedor da vida. Trato da minha saúde, da minha forma física, mas não vejo a finalidade de tanto esforço. Vivo intensamente, mas temo a morte.
Por isso Senhor estou cego, porque não vejo o sentido da vida.
Respondeu-lhe a voz:
- Mas acreditas tu que Eu te posso dar a capacidade de veres?
O “grito” respondeu:
- Falam-me de Ti e dizem-me que Tu tudo podes. Leio-Te, estudo-Te, mas falta-me algo, porque não consigo compreender. Mas sinto que me podes dar essa compreensão. Tudo o mais já experimentei, e nada me faz ver aquilo que eu não consigo ver. Acredito Senhor, quero acreditar, que só Tu me podes fazer ver o que agora ainda não vejo.
A Voz ergueu-se firme, terna, cheia de compaixão e disse:
- A tua fé te salvou! Abre os olhos e vê agora o que para ti estava preparado. Mergulha no Meu coração e sente-te amado. Vês agora que sempre exististe em Mim? Vês agora que a tua vida tem sentido, porque é vida da Minha Vida? Vês agora que só em Mim deves encontrar razão para tudo que fazes? Vês agora que todo o teu esforço deve começar e acabar em Mim? Vês agora que todo o teu trabalho tem sentido se não for apenas para ti, mas para todos que Eu amo e assim sendo tu deves amar também? Vês agora que só em Mim encontras futuro e futuro que não acaba? Vês agora que a natureza é bela porque Eu a criei para ti? Vês agora que mais do que ler e estudar apenas para conhecimento, o deves fazer vivendo-Me no que lês e estudas? Vês agora que só em Mim encontras a plenitude da vida?
Do “grito” saiu um grito de alegria:
- Vejo agora Senhor que já não sou um "grito" informe, porque Tu me deste a ver a minha humanidade que em Ti se faz vida eterna!
Era o sétimo dia, e então Deus descansou e fez festa com os Seus filhos!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

OS "DEFEITOS" DE DEUS

Neste momento e depois de lerem este titulo, aqueles que me visitam e conhecem o que escrevo, devem estar a pensar:
O que é que lhe deu? Será que enlouqueceu?
Mas não, fiquem descansados, que estou no meu perfeito juízo, acho eu!
Realmente depois de muito pensar e meditar, descobri pelo menos três “defeitos” em Deus que vos vou dar a conhecer.

1º “Defeito” de Deus

Deus é incapaz de não amar!
Por muito que tente, que Se esforce, que coloque todas as Suas forças nesse desiderato, Deus não consegue não amar.
É-Lhe impossível!
Ele é todo amor e não consegue descobrir em Si nada que possa modificar isso: Deus não consegue não amar.

Já nós temos essa capacidade e sem fazermos esforço nenhum.
É aliás das coisas mais fáceis que fazemos nas nossas vidas: não amar!
Basta que não nos interesse, e com toda a facilidade conseguimos não amar.
Nós somos perfeitamente capazes de não amar!

2º “Defeito” de Deus

Deus é incapaz de não perdoar!
Pronto é assim, não há nada a fazer, não consegue não perdoar!
Está ali à porta, e mal vê um que se aproxima para pedir perdão, não aguenta, larga a correr para ele, abraça-o, dá-lhe as melhores roupas e faz uma festa!
Ele é todo perdão e não consegue descobrir em Si nada que possa modificar isso: Deus não consegue não perdoar!

Já para nós isso é uma coisa do dia a dia!
Não nos custa nada e fazemo-lo com a maior das facilidades.
E afinal é fácil, estamos ali à porta, e quando vemos alguém que nos vem pedir perdão é muito simples: Fechamos a porta!
Que aliás para nós, a maior parte das vezes, isso de perdoar é uma “fraqueza”!
Nós somos perfeitamente capazes de não perdoar!

3º “Defeito” de Deus

Deus é incapaz de não ser fiel!
Já Paulo o afirmava, sem margem para dúvidas:
«Se formos infiéis, Ele permanecerá fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.» 2 Tm 2, 13
Ele é assim, mesmo que nós O afastemos, Lhe voltemos a cara, O insultemos, Ele fica ali, junto de nós, sem nunca nos abandonar, sempre pronto para nos ajudar quando for preciso, o que, convenhamos, é em todos os momentos das nossas vidas.
Ele é todo fidelidade e não consegue descobrir em Si nada que possa modificar isso: Deus não consegue não ser fiel!

Já connosco é muito fácil!
Basta por vezes oferecerem-nos qualquer coisa que nos agrade, para com toda a facilidade rompermos os compromissos.
Basta que alguém ou algo nos agrade mais, e rapidamente pomos de lado quem ou aquilo que era objecto da nossa fidelidade.
Basta que não nos concedam aquilo que queremos, (tenhamos razão ou não), para nesse mesmo momento voltarmos costas e irmos procurar noutro lado aquilo que desejamos.
Nós somos perfeitamente capazes de não ser fiéis!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

ORDENAÇÃO SACERDOTAL

O Marcelo sendo instituido Acólito
na igreja de Albergaria dos Doze

O Céu está em festa, a Igreja está em festa, a Diocese de Leiria-Fátima está em festa, a Comunidade Luz e Vida está em festa, todos nós crentes que vivemos a fé em Jesus Cristo, Senhor e Salvador, estamos em festa.
No dia 21 de Outubro, na Sé de Leiria, pela imposição das mãos do Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, o Diácono Marcelo Cavalcante de Moraes, receberá o segundo grau do Sacramento da Ordem.
O Marcelo pertence à Comunidade Luz e Vida desde a primeira hora, sendo parte muito importante no discernimento e fundação da Comunidade.
Deixou o Brasil para vir para Portugal em missão, na altura com a Comunidade Canção Nova, e aqui permaneceu entre nós, fazendo-se um de nós, comungando connosco, e fazendo de Portugal o seu país de adopção.
Deixou-se conduzir pela Palavra do Senhor:
Ele disse-lhes:
«Em verdade vos digo: Não há ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos, por causa do Reino de Deus, que não receba muito mais no tempo presente e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.» Lc 18, 29-30
E assim tem em nós todos a sua casa, a sua familia, a sua comunidade.
Pedimos ao Senhor da Messe, que o escolheu e chamou, que abençoe o seu sacerdócio com todas as graças e bençãos necessárias à sua missão, onde for chamado a servir Deus, servindo os homens.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

UMA CURA A "DOIS TEMPOS"...

Cura do cego de Betsaida - Mc 8, 22-26
Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse.
Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia.
Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?»
Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar.»
Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez.
Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na aldeia.»

Uma cura a “dois tempos”!
É um milagre inédito nos Evangelhos, feito a “dois tempos”.
Há alguém que traz este cego a Jesus, há alguém que intercede junto de Jesus por este homem, o que nos leva de imediato a percebermos a importância da nossa intercessão pelos outros, independentemente da sua fé.
Porque realmente não é o cego que pede a cura a Jesus, ele simplesmente deixa-se levar.
Não é uma fé como a de Bartimeu, («Jesus, filho de David, tem piedade de mim» Mc 11, 46-52), ou de tantos outros exemplos nos Evangelhos, como Jairo Lc 8, 40-56, ou o Centurião Lc 7, 1-10.
Assim, Jesus como que o prepara para receber a graça, primeiro da fé, (cura interior), e depois da cura física.
Jesus tem esse primeiro encontro com ele, impõe-lhe as mãos, (dá-lhe algo de Seu, a saliva), faz que o cego perceba que Ele, Jesus, é o Senhor, Aquele para quem nada é impossível.
E quando se tem este primeiro encontro pessoal com Jesus, deixando-nos tocar pelo Seu amor, (a “saliva” da Sua bondade), tudo muda nas nossas vidas.
Aquilo que não víamos antes, porque tínhamos os olhos do coração fechados à beleza de Deus, ao Seu amor, passamos a ver, e começamos então a perceber que a nossa vida só tem sentido vivida nEle, por Ele e com Ele, numa abertura e entrega aos outros em que Ele se faz presença.
O cego ergue os olhos, mas verdadeiramente não vê “fisicamente”.
Vê sim, a humanidade criada por Deus, que caminha para Ele, como árvores, as árvores que cresceram da semente por Deus plantada e que hão-de dar fruto, muito fruto.
O seu interior fica então curado, e Jesus, cheio de amor e compaixão, confirma com a cura física, « ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez», o caminho de salvação deste homem.
Já na cura do paralítico Lc 5, 17-26, (que também é levado por outros ao encontro do Senhor), Jesus começa pela cura interior: «Homem, os teus pecados estão perdoados», para depois, perante a incredulidade de uns tantos, “confirmar” o Seu poder salvífico com a cura física: «Levanta-te, pega na enxerga e vai para casa».
No fim de tudo, Jesus manda o homem curado para casa, dizendo: «Nem sequer entres na aldeia.»
Já no início, Jesus o tinha tomado pela mão e conduzido para fora da aldeia.
Aquela aldeia era a vida, era o ambiente, eram as certezas que aquele homem vivia, e só saindo dela, podia sair de si próprio a abrir-se à graça de Deus, alcançando assim a cura interior e física, que é a vida completa que Deus sempre quis para os Seus filhos, por Ele criados.
Aquela última frase de Jesus, soa como: «Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» Jo 8, 11

Quantos de nós não precisamos sair das nossas “aldeias”, das nossas “seguranças”, dos nossos “medos”, das nossas “vergonhas”, e abrir-nos confiantemente à graça de Deus, ao Seu amor, à Sua misericórdia, para alcançarmos a “cura”, a cura da vida plena, a cura da vida em abundância, a cura da Salvação.
Nós cremos Senhor, mas aumenta a nossa
Fé.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A CAPA...

«Chegaram a Jericó. Quando ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma grande multidão, um mendigo cego, Bartimeu, o filho de Timeu, estava sentado à beira do caminho.
E ouvindo dizer que se tratava de Jesus de Nazaré, começou a gritar e a dizer: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!»
Muitos repreendiam-no para o fazer calar, mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!»
Jesus parou e disse: «Chamai-o.»
Chamaram o cego, dizendo-lhe: «Coragem, levanta-te que Ele chama-te.»
E ele, atirando fora a capa, deu um salto e veio ter com Jesus.
Jesus perguntou-lhe: «Que queres que te faça?»
«Mestre, que eu veja!» - respondeu o cego.
Jesus disse-lhe: «Vai, a tua fé te salvou!»
E logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.»
Mc 10, 46-52


Detenhamo-nos num pormenor desta Palavra, desta descrição do milagre da recuperação da vista, para quem andava nas trevas.
Porquê os pormenores?
Se acreditamos que a Palavra escrita é inspirada no e pelo espírito Santo, então os pormenores têm de ter algum significado e esse significado será conforme o mesmo Espírito nos leva a discernir em cada momento.
«E ele, atirando fora a capa, deu um salto e veio ter com Jesus»
O cego Bartimeu, atirou fora a capa…
Quantas vezes a capa que “usamos” nas nossas vidas, não nos deixa ver o caminho, não nos deixa ver a verdade, não nos deixa viver o amor.
É a capa do orgulho, a capa do respeito humano, a capa do dinheiro, a capa do prazer, a capa do egoísmo, a capa da auto-suficiência, a capa do sofrimento, a capa da comiseração, a capa do queixume, a capa da critica, a capa da má-lingua, a capa das “minhas certezas”, a capa da “minha fé”…
Cada um pode escolher, ou melhor, descobrir a sua capa, ou capas…
E por isso muitas vezes não “vemos”, não temos luz para o caminho das nossas vidas.
Vemos tudo com os olhos do corpo, mas os “olhos” do nosso coração estão fechados, estão cegos, não vêem a luz da paz, da alegria, da vida nova com e em Cristo.
Por vezes tiramos a capa, mas não a atiramos fora, guardamo-la e tornamos a usá-la…
O cego Bartimeu «atirou fora a capa», não quis mais saber dela, só lhe interessava Jesus Cristo que lhe podia fazer recuperar a vista, a vista que lhe trazia uma vida nova…
Nada mais lhe interessava! Ele queria aquela vida nova, porque sabia no seu intimo que era uma vida abundante, em que podia “ver”…
E a fé de Bartimeu?!
Ele não se levantou e caminhou!
Não, ele «deu um salto», como quem mergulha em algo que não sabe o que é, mas tem a certeza de que é bom, a certeza de quem confia, de quem espera, a certeza de quem tem Fé…


Ah, Senhor dá-nos a força para também atirarmos fora as nossas capas, para bem longe de nós.
Melhor Senhor, toma Tu conta delas, para que não caiamos na tentação de as querermos reaver…
Ah Senhor, dá-nos a coragem para darmos o salto para Ti, de olhos fechados, sem medo do “que lá vem”, mas na certeza da Fé de que Tu nos abrirás os olhos e nos darás a luz para caminharmos no Teu amor.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

SACRÁRIOS VIVOS...

Os sacrários são normalmente peças de muita beleza exterior, mesmo aqueles que primam pela simplicidade.
No entanto o seu interior é, normalmente, apenas constituído por paredes nuas, sem qualquer decoração.
Assim poderemos dizer, que os sacrários são muito belos por fora, mas despidos de beleza por dentro.
No entanto tudo se transforma quando no sacrário está Jesus Cristo Sacramentado!
Podemos afirmar então, que a maior beleza do sacrário está no seu interior, e que já não interessa sequer aquilo que ele é por fora.
Aliás os sacrários têm um fim, que é conterem, guardarem dentro de si, Jesus Cristo Sacramentado.
E sabemos que eles estão a cumprir essa missão quando há uma luz, sempre acesa, que nos diz que ali está Jesus Cristo Sacramentado.
Se assim não for, a luz está apagada e os sacrários para nada servem, a não ser para decoração, para museus, e não nos suscitam mais nada, a não ser a apreciação da sua beleza, ou a falta dela.
Enfim não nos detemos neles, e nada acrescentam às nossas vidas!
Nós somos muitas vezes assim, como os sacrários!
Arranjamo-nos exteriormente, não só cuidando do aspecto do corpo e do que vestimos, mas também tantas vezes aparentando uma maneira de ser que nada tem a ver connosco, (com o que nós realmente somos), e no interior somos apenas paredes nuas, sem qualquer beleza, sem luz, porque não nos preocupamos em ser amor para nós e para os outros, porque em nós não mora Jesus Cristo, fonte do Amor.
Podemos conversar com quem quisermos, mas as nossas conversas são apenas palavras, não deixam rasto, nada acrescentam às vidas que por nós passam.
No entanto, quando nos abrimos a Ele, e deixamos que Ele faça em nós morada, o aspecto exterior conta pouco ou nada, porque a expressão que transmitimos é a beleza do amor, há uma luz acesa em nós, e as conversas que possamos ter, o testemunho de vida, deixa sempre uma impressão indelével, que leva muitas vezes os outros a deterem-se e pensarem nas suas próprias vidas.
Tal como os sacrários também nós temos um fim!
Esse fim é sermos sacrários vivos, ou seja, enquanto os sacrários na igreja “apenas” contêm Jesus Cristo Sacramentado, mas estão ali, estáticos, sem nada nos transmitirem de si próprios, nós poderemos ser sacrários vivos, ou seja, levarmos Jesus Cristo aos outros, transmitirmos tudo o que Ele faz em nós, dar testemunho da Sua presença viva em nós e no meio de nós.
Os sacrários na igreja podem “conter” Jesus Cristo Sacramentado, mas não mudam, são sempre do modo como foram feitos.
Nós se formos sacrários vivos vamos sendo moldados, aperfeiçoados, pela presença de Jesus Cristo em nós, e essa mudança reflecte-se em nós e de nós para os outros.
Enquanto nos sacrários na igreja, a luz indica a presença de Jesus Cristo Sacramentado no seu interior, em nós, quando somos sacrários vivos, a luz é o Próprio Jesus Cristo que brilha em nós
!

Faz do teu coração um Sacrário vivo, onde more sempre Jesus Cristo!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

ATÉ JESUS SENTIU ADMIRAÇÃO!


Lucas 7,1-10.
«Quando acabou de dizer todas as suas palavras ao povo, Jesus entrou em Cafarnaúm.
Ora um centurião tinha um servo a quem dedicava muita afeição e que estava doente, quase a morrer.
Ouvindo falar de Jesus, enviou-lhe alguns judeus de relevo para lhe pedir que viesse salvar-lhe o servo.
Chegados junto de Jesus, suplicaram-lhe insistentemente: «Ele merece que lhe faças isso, pois ama o nosso povo e foi ele quem nos construiu a sinagoga.»
Jesus acompanhou-os.
Não estavam já longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por uns amigos: «Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados sob as minhas ordens, e digo a um: 'Vai', e ele vai; e a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu servo: 'Faz isto', e ele faz.»
Ouvindo estas palavras, Jesus sentiu admiração por ele e disse à multidão que o seguia: «Digo-vos: nem em Israel encontrei tão grande fé.»
E, de regresso a casa, os enviados encontraram o servo de perfeita saúde.»

Onde está a minha fé? Será forte a minha fé? Serei eu capaz de acreditar como este centurião?
É que ele não faz a coisa por menos:
Compara as ordens que ele dá aos seus soldados, gente habituada a obedecer, com o poder que Jesus tem de dar ordens às doenças e as mesmas obedecerem, ficando os doentes curados!
É espantosa esta fé que acredita que Ele nem precisa de ver o servo para o curar, porque nesta fé também está implícito que o centurião acredita que Jesus tudo sabe, tudo vê, de tal modo que nem precisa de explicar nada sobre a doença!
E depois a humildade de reconhecer que não é digno da presença de Jesus na sua casa, mas ao mesmo tempo a confiança na misericórdia, na compaixão de Jesus, perante aqueles que sofrem!
E depois ainda esta certeza “radical” de fazer o pedido: «Diz uma só palavra e o meu servo ficará curado»!
Não há outra hipótese!
Ele ficará curado, porque ele não duvida que Jesus vai dizer a palavra, porque não duvida da compaixão de Jesus!
Perante esta fé, até Jesus ficou admirado!
Perante esta fé, Jesus apenas disse no Seu intimo: «Faça-se aquilo em que acreditas!»
Onde está a minha fé? Será forte a minha fé? Serei eu capaz de acreditar como este centurião?

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

QUERES QUE TE FAÇAM, FAZ TU PRIMEIRO!

Lucas 6,27-38.
«Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam.
A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica.
Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames.
O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.
Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»
«Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.
Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço.
A medida que usardes com os outros será usada convosco.»

O Evangelho de hoje é de uma beleza indescritível!
É também dos ensinamentos de Jesus Cristo, aquele que se torna mais difícil a cada um de nós viver.
O modo como muitas vezes somos educados, o modo como as pessoas à nossa volta se comportam no dia a dia e nós também tantas vezes, o modo como o mundo nos quer ensinar a individualidade e a importância do eu, o modo até como certas “espiritualidades”, “religiosidades” enaltecem o individuo na sua pretensa “capacidade” de sozinho tudo conseguir, o modo como a sociedade enaltece como “inteligentes” os que não olham a meios para atingir os seus fins, e como “fracos” os que se preocupam em não “pisar” ninguém, o modo como nos achamos possuidores das coisas, como propriedade individual e não como algo que o Senhor nos deu para nos servirmos a nós e aos outros, tornam a vivência deste ensinamento de Jesus Cristo uma extraordinária prova.
Reparemos numa grande diferença!
Antes aprendemos: «Aquilo que não queres para ti, não o faças aos outros» Tb 4, 15.
Agora é-nos dito: «O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.» Lc 6, 31.
Por isso Jesus Cristo nos diz muito claramente:
«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição.» Mt 5, 17
E esta perfeição exige de nós uma missão, um empenhamento, uma vivência!
Já não podemos “ficar sentados” a viver as nossas vidas, não fazendo nada pelos outros, esperando que também eles nada nos façam.
Temos sim de nos entregarmos, de ajudarmos, de darmos não só o que nos é dado em bens materiais, mas também o que o Senhor por Sua graça vai derramando nas nossas vidas: A Fé, o Amor, a Confiança, a Esperança, a certeza de que Ele está sempre connosco, enfim, a Boa Nova!
Ainda por cima a recompensa é infinita, é eterna, porque é o Pai, que está nos Céus, que no-la vai dar!
Maior que tudo o que nos possam retribuir neste mundo por algum bem que façamos, é esta promessa de Jesus Cristo Nosso Senhor:
«Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus. » Lc 6, 35b

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

BEATA MADRE TERESA DE CALCUTÁ

«O seu trabalho piedoso com os pobres espalhou-se por todo o mundo e levou milhares de irmãs e voluntários a aderirem à congregação. O que lhe valeu o Prémio Nobel da Paz - que recebeu em Oslo em Dezembro de 1979.
Na altura, no discurso que fez, afirmou: "Não é suficiente dizer 'Eu amo Deus', mas não o meu vizinho. [Ao morrer na cruz] Deus tornou-se o faminto, o nu e o sem abrigo. A fome de Jesus é aquilo que temos de encontrar e aliviar. Cristo está nos nossos corações, Cristo é o pobre que encontramos, o sorriso que damos e que recebemos".
Contudo, três meses antes, numa carta enviada ao padre Michael Van Der Peet, confessou: "Jesus tem um amor muito especial por si. [Mas] para mim - o silêncio e o vazio é tão grande - que olho e não vejo - Escuto e não ouço. A língua mexe-se [na oração] mas não fala...Quero que reze por mim".
O conteúdo desta e outras cartas formam o livro, lançado hoje nos EUA, da autoria do padre Brian Kolodiejchuk. A obra revela que a madre Teresa duvidou da existência de Deus durante 50 anos (e mesmo assim continuou ao seu serviço). Muitos desconheciam-no. Até agora.»
Diário de Noticias de 4 de Setembro
.
Entendi mal, ou este é mais um “brilhante” texto que nos quer levar a pensar, a acreditar, que a Beata Madre Teresa de Calcutá “duvidava” da existência de Deus!!!
É que é realmente espantoso como se retira de cartas como esta, essa certeza de que Madre Teresa “duvidava” da existência de Deus, quando para mim elas revelam uma fé inquebrantável, a fé daqueles que acreditam sem verem.
Só quem se entrega totalmente aos caminhos de Deus, pode saber o que é a aridez da oração, o deserto da solidão, a aspereza da falta de consolação…
E no entanto, a oração é constante, a certeza de que Ele está connosco é total, embora não O sintamos, não O vejamos, não O ouçamos…
E no entanto a consolação é consolar, porque é verdade que “mais vale consolar, do que ser consolado”…
Já li algumas obras sobre madre Teresa e sempre me impressionou essa força extraordinária de alguém que viveu o deserto, a aridez e nunca deixou de acreditar na presença de Deus nos outros, nunca deixou de acreditar que «o que fizeres aos mais pequeninos é a Mim que o fazes…»
E agora, (perante um livro que ainda não li), mas que, (escrito por quem se empenha na canonização de madre Teresa), só pode mostrar-nos essa incrível luta de fé de uma mulher, que não tendo experiências místicas profundas como outros Santos, querem fazer-nos pensar que madre Teresa “duvidava” da existência de Deus.
Teresa de Calcutá, perante o terrível deserto e aridez em que Deus a quis provar, (e ninguém é provado acima das suas forças), continuou a orar, a construir, acreditando sem margem para dúvidas que Ele, o Cristo amado, estava ali, nos outros, com ela e nela.
Quantas vezes eu me perguntei, quantas vezes cada um de nós que acredita, se perguntou, ou melhor Lhe perguntou: «Estás aí Senhor? Conheces-me? Amas-me? Posso contar conTigo?».
E mesmo assim, ou até por causa disso, ainda se entregou mais, ainda orou mais, ainda fez mais, porque a fé não é algo que se compra, que se venda, é um dom, uma graça que o Senhor coloca nos corações abertos para Si.
Diz-nos o Papa Bento XVI sobre madre Teresa: «Por um lado, temos de suportar este silêncio de Deus, em parte também para poder compreender nossos irmãos que não conhecem Deus.»
Realmente, muitas vezes os nossos irmãos afastados da fé não compreendem, como podemos nós acreditar em algo que não vemos, que não palpamos, e também nós por vezes não entendemos como não vêm eles aquilo que para nós é óbvio.
Assim neste “silêncio de Deus”, vivendo esta experiência, talvez possamos nós entender melhor e dar a conhecer melhor aos outros esta presença de Deus nas nossas vidas, este amor de Deus por cada um, seja ele qual for.
Um dos maiores Santos da Igreja, Pedro, fez mais que duvidar de Deus, negou a Deus e no entanto acabou por entregar a totalidade da sua vida pelo Deus que tinha negado!
“Não é preciso ver para acreditar, mas é preciso acreditar, para ver”, e isso que se passou com Tomé, e tantas vezes com cada um de nós, foi a vida de madre Teresa:
Porque acreditava, via, sentia Cristo nas suas irmãs e irmãos necessitados, por isso lhes entregava a sua vida, porque sabia que a estava a entregar ao Senhor, ao seu Deus de infinito Amor.
Tudo o mais são interpretações, mais ou menos “maldosas”, de quem não “vê, porque não acredita”.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

PRÉMIO



A Fa, (Partilhas em Fa Menor), decidiu atribuir este prémio, a este blogue, resultado seguramente da sua simpatia pelo "Que é a Verdade?"
Sirvo-me das suas palavras para explicar o significado do mesmo:
"Este prémio é uma tentativa de reunir os blogues que são adeptos aos relacionamentos "inter-blogues" fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo"- é este o perfil schmoozed.
Schmooze: (Verbo) fofocar, jogar conversa fora, trocar idéias. (Substantivo) conversa, bate-papo.
Agradeço reconhecido, até porque entendo que os blogues, (pelo menos os cristãos e católicos), servem para isso mesmo: A relação entre pessoas, o testemunho de vida, de vivências, a discussão amiga sobre aquilo que cada um vive e sente.
Só assim, para mim, fazem sentido.
Não nomeio ninguém, porque todos aqueles que me visitam e eu visito, (são mais do que 5!!!), seguem esta prática de relacionamento entre pessoas.
Grato pelo prémio, apenas prometo à Fa, empenhar-me mais!
.
Quis o António, (A Partilha ), atribuir-me também este prémio, do que só agora tive conhecimento.
Agradecido, repito as palavras acima e prometo-lhe, tal como fiz à Fa, cada vez mais empenho, entrega e testemunho da vivência da Fé que o Senhor, por Sua bondade, me quis conceder.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

MEU DEUS E MEU SENHOR

Tão perto Senhor,
estás Tu de mim,
e eu ainda tão longe,
de Ti…
Vens junto a mim,
e mostras-me as mãos e o lado,
e eu não consigo ver,
porque os meus olhos
ainda estão cheios de dúvidas…
Chamas-me meigamente,
e dizes-me cheio de amor:
«Coloca a tua mão no Meu lado,
olha-me nos olhos…»
Mas eu baixo a cabeça,
cruzo as mãos atrás das costas…
Tenho medo, Senhor!
Tenho medo de não ver,
tenho medo de não acreditar,
tenho medo de que a minha vida,
não Te sirva Senhor…
Tantos sinais,
tantas palavras,
tantos momentos de amor,
tantos milagres,
(ah Senhor,
a minha vida agora
é um milagre Teu!),
e eu assim,
nestes momentos de nada,
como se eu não soubesse,
que és Tu Senhor,
a Vida da minha vida…
Que paciência tens Tu, Senhor,
para este coração de pedra,
para este olhar tão cego,
para este acreditar tão frágil…
Tomas-me pela mão,
deitas a minha cabeça no Teu colo,
afagas o meu cabelo,
recolhes as minhas lágrimas,
e bebe-las cheio de amor…
E eu vou acalmando,
a paz vem como um rio,
e banha-me no Teu amor…
O coração abre-se,
torna-se mole,
porque és Tu que o moldas Senhor…
Vão-se as dúvidas,
fica a certeza, a fé,
na Tua presença Senhor…
Retira-se a nuvem dos meus olhos,
a luz irrompe,
já Te posso ver, Senhor…
Abrem-se os meus lábios,
e de dentro do meu peito,
surgem as palavras,
num louvor:
Meu Deus e meu Senhor!…

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

"PARÁBOLA" DAS DUAS PORTAS

(Pecado e Confissão)
Um homem muito atarefado, que mal tinha tempo para se alimentar, conheceu um Senhor muito bom, que lhe fez a seguinte proposta:
“Se mantiveres a porta da frente da tua casa sempre aberta, todos os dias te virei alimentar, sem nada te pedir em troca, a não ser, que mantenhas fechada a porta das traseiras e não a abras por motivo algum”.
Pareceu àquele homem que era uma boa proposta, e assim, pondo de parte o receio, decidiu entregar-se nas mãos daquele Senhor, passando a deixar a porta da frente de sua casa sempre aberta e confiando inteiramente todos os seus bens e inclusive a sua vida, àquele que lhe tinha feito tal proposta.
Constatou imediatamente que nunca lhe faltava alimento, que todos os seus bens estavam bem utilizados, e que eram para si fonte de alegria e não motivo de preocupação, com receio de os perder.
Constatou também que a vida lhe corria melhor, que as contrariedades continuavam a existir, mas que a presença constante, sem imposição, daquele Senhor, lhe transmitia paz, tranquilidade, confiança, esperança e muito amor.
Um dia, (a curiosidade foi mais forte), quis espreitar a parte de trás de sua casa e distraído deixou aberta a porta das traseiras.
Passado pouco tempo, estando na sala a descansar, viu surgir junto de si, um individuo elegante, bem vestido, confiante, de falas doces e sedutoras.
Em vez de o mandar sair de imediato, (visto que tinha entrado em sua casa sem pedir licença), deu-lhe ouvidos e começou a interessar-se pelo que este lhe dizia.
Disse-lhe então o individuo que o alimento que ele estava a receber era bom, sim senhor, mas não dava muito prazer ao corpo e que ele reparasse bem, pois afinal os seus bens que tanto lhe custavam a ganhar, eram utilizados por todos, o que no entender do individuo, não era justo, pois se tinha sido ele e só ele, sem a ajuda de ninguém, a adquiri-los com tanto esforço, só ele então, se deveria servir deles.
Afirmou ainda o individuo, que o homem sozinho e sem nenhum cansaço, poderia preparar um alimento muito melhor todos os dias, e que não se deveria preocupar porque ele o ajudaria em tudo.
Apenas lhe pedia que fechasse a porta da frente da sua casa, para não serem incomodados pelo Senhor e mantivesse sempre aberta a porta das traseiras, para que ele pudesse entrar sempre e a qualquer hora, para assim o poder ajudar.
Levado pela conversa do outro, o homem assim fez.
Ao principio tudo parecia correr bem. O homem andava feliz e contente, e embora a sua cabeça estivesse um pouco perturbada e não conseguisse pensar direito, o corpo andava cheio de prazer e engordava a olhos vistos.
Reparou então, que o individuo, em vez de pedir licença para entrar todos os dias, (como fazia o Senhor anteriormente), já se tinha instalado em sua casa e impondo a sua presença, punha e dispunha de todas as suas coisas, sem nada lhe perguntar.
Começou também a reparar, que embora o prazer corporal fosse bem maior, os seus pensamentos eram mais frios, sombrios, e que a paz, tranquilidade, amor e boa companhia que antes sentia já não existia, e no seu lugar se tinham instalado a dúvida, o nervosismo, a tristeza, a solidão e o medo de perder os seus bens.
Decidiu então expulsar o “novo amigo”, mas isso tornou-se tarefa muito difícil, porque ele não queria sair de sua casa e revelando-se muito insistente, fez novas promessas de felicidade e também algumas ameaças, como se a vida dele já lhe pertencesse.
Assustado, decidiu procurar o Senhor, pedindo-lhe que voltasse para sua casa, e também que o ajudasse a libertar-se daquele “amigo” tão incómodo e que já lhe inspirava tanto medo.
O Senhor e verdadeiramente seu único amigo recebeu-o de braços abertos e disse-lhe:
“Não tenhas medo, que eu também quero voltar à nossa tão antiga amizade, mas para isso tens de fazer duas coisas:
A primeira é, (sem medo, porque eu estou contigo), expulsar esse individuo para fora da tua vida e fechar definitivamente a porta das traseiras da tua casa.
A segunda, (imprescindível, pois sem a satisfazeres não poderei regressar), é que procures um dos meus "agentes", e eu tenho-os em todos os sítios, converses com ele, contando-lhe toda a história, como se passou e tudo o que fizeste durante todo o tempo em que estiveste com esse individuo, e lhe digas que sabes agora que estavas enganado, que procedeste mal, e que queres emendar tudo o que fizeste de errado.
Posso afirmar-te, que se o meu "agente" confirmar que estás verdadeiramente arrependido e decidido a não mais abrir a porta das traseiras, não terá dúvidas, a em meu nome te perdoar, e assim será imediato o meu regresso”.
O homem assim fez, e finda a conversa com o "agente" daquele Senhor, verificou com alivio, que a alegria, a paz, a tranquilidade, a esperança, o amor tinham voltado à sua vida, à sua casa, que os seus bens já não lhe causavam qualquer preocupação e que, sobretudo, o alimento que de imediato lhe começou a ser dado, tinha muito mais gosto, reparando ainda que esse gosto se mantinha permanente nele e não era causa de tristeza ou solidão, mas sim de alegria, paz e amor.
Grato ao seu Senhor, tomou a decisão de fechar e barricar a porta das traseiras com tudo o que o seu Senhor lhe fornecesse e estivesse ao seu alcance, resolvendo nunca mais dar ouvidos a quem com sedução o quisesse enganar.
.
Escrito em 11 de Janeiro de 2001

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

OH MEU JESUS AMADO!

Oh meu Jesus amado,
queria tanto sofrer conTigo,
viver a Tua Paixão.
Queria tanto orar conTigo
no Horto das Oliveiras,
e afinal era eu quem estava
com os que Te vieram prender.
Queria ser Tua testemunha,
junto de Caifás e Pilatos,
e afinal fui eu quem fugiu,
e também Te condenava,
no meio da multidão.
Queria proteger a Tua Face,
e o Teu Corpo amoroso,
e afinal era eu quem Te batia
e colocava a coroa de espinhos.
Queria dizer que Te amava,
que eras o meu Senhor e Guia,
e afinal era eu quem Te insultava
e gritando escarnecia.
Queria caminhar conTigo
levando a Tua Cruz,
e afinal era eu quem mais pesava,
e Te fazia cair.
Queria aliviar Tuas dores,
pôr bálsamo nas Tuas feridas,
e afinal era eu quem martelava
os cravos nas Tuas mãos.
Queria prostrar-me em adoração,
perante o Teu sofrimento,
e afinal era eu quem trespassava
o Teu peito com a lança.
Queria tanto estar conTigo
na hora da Tua morte,
e afinal fui eu quem fugiu,
quando o dia se fez noite.
Queria ter sido testemunha,
da Tua Ressurreição,
e afinal andava perdido,
na minha vida de dúvidas.
E Tu mesmo assim
olhaste-me.
E Tu mesmo assim
chamaste-me.
E Tu mesmo assim
escolheste-me.
E Tu mesmo assim
perdoaste-me.
E Tu mesmo assim
deste-me amor,
para encher a minha vida.
Que hei-de fazer e dizer,
que seja minha conversão,
a não ser para sempre amar-Te
com todo o meu coração,
para sempre cantar louvores,
com a voz que Tu me deste,
com a minha alma adorar-Te,
prostrado sempre a Teus pés,
viver em Ti o caminho
da vida que em mim criaste,
esperando quando partir,
desta vida tão efémera,
ver o Teu Coração aberto,
os teus braços á minha espera,
para viver no Teu amor,
o tempo que não tem fim.


Escrito em 29 de Agosto de 2000

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

HINO AO NOSSO DEUS E SENHOR

SENHOR,
Que bom e grande Tu és !
Sem Ti, SENHOR,
eu não sou nada.
Sou um peixe que não nada,
uma ave que não voa,
uma ovelha perdida,
à mercê do predador,
um ponto sem referência,
uma curva que acaba em circulo,
( fechado sobre si próprio ),
um ser vivo,
sem ter vida,
uma morte anunciada.
Mas, SENHOR,
quando a Ti me entrego,
cruzo as águas como seta,
nascem-me asas nos pés,
o predador parte os dentes,
no escudo que Tu me dás,
a curva é uma recta,
a indicar a eternidade,
a vida pulsa tão forte,
que se estende aos que estão perto,
a morte é uma passagem,
para ir ao Teu encontro.
Porque Tu, SENHOR,
és tudo para mim,
a razão do meu viver,
a razão de eu caminhar,
a razão de eu amar,
a razão de eu falar,
a razão do testemunho,
que pretendo sempre dar,
a razão do coração,
a arder em Teu louvor.
Em Ti me refugio,
em Ti, me fortaleço,
em Ti,
quanto mais fraco sou,
mais forte eu me pareço,
quanto mais pobre sou,
mais rico em Ti eu cresço.
Em mim abates barreiras,
da vergonha à timidez,
tornas-me clara a palavra,
tornas fácil o falar.
E meu SENHOR,
mais ainda,
pois transformas os problemas,
em oração de louvor,
transformas alguma amargura,
num simples acto de amor,
transformas a breve tristeza,
na Tua mais linda alegria,
transformas o ingrato desânimo,
na vontade de lutar,
transformas a terrível dúvida,
na mais bonita certeza,
transformas o meu passado,
num presente a caminhar,
transformas o gaguejar,
na mais bonita oração,
transformas o meu pensar,
num canto do coração,
feito p’ra Te louvar.
Assim, meu DEUS, e SENHOR,
só por Ti posso amar,
só em Ti posso viver,
só conTigo caminhar.
Vem depressa, não demores,
e mesmo que estejam fechados,
os portões da minha vida,
arromba-os, SENHOR meu DEUS,
abre todos os cadeados,
enche-me de Ti e sorri-me,
pega-me na mão e conduz-me,
para que não me possa perder,
mas antes testemunhar,
que a vida deve ser sempre,
um canto de puro louvor,
a Ti,
meu DEUS e SENHOR.

.
Escrito há uns anos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"CÂNTICO BRANCO"

«"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...» José Régio

Se eu vim ao mundo,
Foi para Te seguir, Senhor,
E rasgar com os passos que Tu me dás
A indiferença e o abandono
A que são votados os desprezados
Da sociedade.
A minha glória é esta:
Seguir-te sempre
Ser todo entregue a Ti...
Tudo o mais que eu faça,
Não vale nada,
Se não for feito conTigo
Se não for Tua vontade...
Nada me pode dar o mundo,
A não ser aquilo que Tu,

Senhor,
Queres que ele me dê...
A minha força vem de Ti,
E se por vezes fico fraco,
É porque me afasto do Teu amor...
No mundo corre o sangue que morre,
Só do Teu Lado corre o Sangue da Vida...
E quando me abro ao Teu Espírito,
E deixo que Ele faça em mim,
Sinto alegria, paz e tranquilidade e amor
E sinto cânticos de louvor
Que do coração
vêm aos meus lábios...
E louvo-Te Senhor
Porque me deste pai e me deste mãe,
E neles Tu me criaste Senhor,
Para que no Teu Coração
No Teu amor,
Sem principio nem fim,
Eu possa viver por Tua graça,
Para a eternidade em Ti...
Que o mundo não me diga para onde ir,
Porque eu não vou...
O meu caminho é o Teu,
Que a Tua Igreja me aponta...
A minha vida “alevanta-se”
Porque és Tu que a despertas...
Já não quero ser eu a viver,
Mas sim que Tu vivas em mim...
Sei bem para onde ir,
Porque és Tu o meu guia,
E mesmo que eu me perca
E por vezes erre o caminho
Eu sei bem que ali estás,

Senhor,
Que não me deixas cair
E me dizes com voz de amor:
Vem por aqui,
Meu filho,
Só em Mim encontras a Vida

Que Eu tenho para ti...

.
Considero José Régio um dos maiores poetas portugueses.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

SOMOS SEMENTES...


Fazes de nós sementes, Senhor, para a Tua seara no mundo…
Mas a semente nada é, a não ser aquilo que pode vir a ser…
A semente só é, aquilo que pode gerar.
Enquanto semente, tão simplesmente, não semeada, não serve para nada, é apenas promessa de algo que ainda não é…
E mesmo depois de semeada, se não deixar que o seu interior rompa o seu invólucro, se não morrer como semente para ser planta, de nada serve também.
És Tu Senhor, a Planta da Vida que está dentro de nós, Tuas sementes…
Se não nos abrirmos para que o mundo veja o que fazes em nós, para nada servimos, e Tu Senhor, porque nada fazes contra a nossa vontade, porque nunca rompes o que não quer ser rompido, ficas ali dentro de nós, estiolando, até que a semente é posta de lado, porque já passou o seu tempo de ser planta.
Se não morrermos para a nossa existência de sermos apenas sementes, no meio de tantas sementes que não querem ser semeadas, para nada servimos e acabaremos por ser queimadas no fogo que tudo destrói.
Mas se deixarmos que as Tuas mãos nos toquem, nos tirem do saco de semeador e nos coloquem em terra fértil, se não quisermos de saber de nós enquanto sementes, mas apenas de Ti que és Planta de Vida em nós, se nos deixarmos morrer para nós e para o mundo, para que a Planta cresça e dê fruto e sombra aos outros, aos necessitados, então Senhor poderemos dizer como o Teu filho Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»…