sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 4

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Sábado, 31 de Maio de 2003

Obrigado Senhor, pela catequese de hoje, pelas palavras que colocaste na minha boca e pelo modo atento e participativo que os catequizandos tiveram durante aquele tempo.
Que por Tua graça, Senhor, tudo toque o seu intimo, o seu coração e os faça seguir um caminho de pureza e castidade para Ti, Senhor.

É tão difícil, Senhor, a minha cabeça e se calhar até o meu coração, não param de fazer juízos, críticas e até condenações aos outros, sobretudo estes que estão envolvidos neste terrível caso de pedofilia. E o pior, Senhor, é quando a minha boca transmite tudo o que vai passando na minha cabeça e no meu coração.

Quem sou eu, Senhor, para julgar os outros? Quem sou eu, Senhor, para criticar os outros? Quem sou eu, Senhor, para condenar os outros?

Misericórdia, Senhor, por tudo o que penso e digo dos outros.
Não olhes, a esta minha fraqueza, mas ao desejo que tenho de não ser assim, de não julgar, mas acolher e estar calado, não só na boca, mas também no coração e na cabeça.
Não quero ser assim, Senhor, não quero pensar, nem falar dos outros, mas sim rezar por eles, pedir por eles e ver neles a Tua Face.

Se eu fui perdoado, e acredito Senhor, que me perdoaste da minha vida passada, também eles se forem culpados podem ser perdoados pela Tua misericórdia.
Senhor é tão difícil, porque mal dou conta, já estou a pensar, a julgar, a criticar, a falar.

Ajuda-me, Senhor, mostra-me como fazer, mostra-me como dominar todos estes sentimentos, não para meu orgulho, mas para ser Tua imagem, Senhor, para ser como me criaste.

Senhor, quero comprometer-me hoje, aqui, perante Ti, a emendar estas minhas atitudes, a não pensar mal dos outros, a não julgar, a não criticar, a não falar mal dos outros.
Mas para isso, Senhor, preciso de Ti. Preciso que me lembres sempre, antes de pensar, de julgar, de falar. “Fecha” o meu pensamento, a minha boca, para que não peque.
Sozinho não sou capaz, envia Senhor o Teu Espírito Santo que tome conta de mim e me mostre como fazer, me lave e purifique o pensamento e a boca.

Dizias hoje, Senhor, na Tua Palavra: «
Nesse dia, apresentareis em meu nome os vossos pedidos ao Pai, e não vos digo que rogarei por vós ao Pai, pois é o próprio Pai que vos ama, porque vós já me tendes amor e já credes que Eu saí de Deus.» Jo 16,26-27

“Senhor Jesus, eu amo-Te e acredito firmemente que és o Filho de Deus, por isso em Teu nome, na força do Espírito Santo, peço-Te Pai, retira de mim esta fraqueza de julgar, criticar e falar mal dos outros, porque quero ser segundo a Tua vontade, irmão que ama os seus irmãos”

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 3

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Quinta feira, 29 de Maio de 2003

“Pai, se quiseres podes resolver este assunto da empresa, (ver aqui), como é meu desejo, contudo que não se faça a minha mas a Tua vontade”.

Pai, devo pedir-Te que tudo se resolva como eu quero e desejo, ou devo abandonar-me nos Teus braços e esperar que respondas segundo a Tua vontade?
Sim Pai, eu sei que devo fazer a minha parte, continuando a trabalhar, mas queres-me ouvir a pedir, ou queres que viva a esperar?
Pai, queres que seja insistente como a “viúva importuna”, ou que espere porque “Tu sabes do que eu necessito”?
Pai, apesar de tudo prefiro o dom de me entregar a Ti, à Tua divina providência, pois entregue a Ti, o mundo não me pode incomodar. As inquietações, provações, contrariedades não me abalarão se me deres a graça de eu saber que vivo contigo e estando contigo, o que é que me pode incomodar?

Obrigado Senhor pelo que hoje me mostraste naquele livro:
A imagem só é imagem porque torna visível o invisível e só é imagem porque reflecte o que representa, ou seja, é obediente ao que representa.
Por isso, só posso, só podemos verdadeiramente ser à «Tua imagem e semelhança», se Te imitarmos, se Te formos obedientes no amor.

Preciso de Ti, Senhor Espírito Santo, porque nada sou, porque sou fraco, porque me deixo incomodar pelo mundo.
Ouve a minha súplica, Pai, e concede-me a graça do Espírito Santo, que me guie, que me anime, que me faça viver a Tua vontade no amor de Jesus Cristo.

Ofereço-Te, Senhor, estes sacrifícios em desagravo das minhas ofensas e dos outros, a Ti, meu Senhor e meu Deus, ao Sagrado Coração de Jesus, ao Imaculado Coração de Maria.
Pela conversão dos pecadores, principalmente o … que não é baptizado. Pelos meus catequizandos. Por todos aqueles que estando envolvidos neste assunto da empresa, não estão do “meu lado”, ou seja, de quem eu não gosto tanto no meu coração e não Te conhecem, nem Te amam, Senhor.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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domingo, 22 de fevereiro de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 2

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Segunda feira, 26 de Maio de 2003

Obrigado Senhor, pela “humilhação” de ontem.
Eu que me “julgo” imprescindível, fui “substituído”, não por vontade minha, mas porque assim o fizeste por intermédio de alguém.
É certo que na minha cabeça me irritei, pensei mal, critiquei, invectivei, mas deste-me força Senhor para me calar.
Obrigado Senhor, que seja caminho de santidade, para vencer o meu orgulho e vaidade.

Obrigado Senhor pela noite de adoração de hoje, porque Te quiseste servir de mim, para tocares aqueles irmãos. Obrigado Senhor por não me ter apercebido de nada, a não ser no fim, quando vieram falar comigo. Assim talvez não me tenho orgulhado tanto.

Até quando, Senhor, continuarei a pensar que sou eu que sou “bom”, que sou eu “que faço as coisas”?
Até quando, Senhor? Permite Senhor, que no meu coração seja uma certeza que tudo me vem de Ti, que eu nada faço, mas sim que Tu fazes em mim.
Aliás não percebo, nem quero perceber, porque Te serves de mim, orgulhoso e vaidoso como sou, para levares a Tua Palavra a alguém.

Gostava tanto, Senhor, de poder dizer com sinceridade de coração, como disse João Baptista: «É preciso que eu diminua para que Tu cresças».

Que nesta semana, até dia 2, (e daí para a frente), eu não fale de mim ou das coisas que “fiz”, que não procure “elogios”, nem satisfações, mas apenas Te agradeça tudo o que quiseres fazer em mim.

Misericórdia Senhor, sou pecador.
Lembra-me Senhor que a minha memória é fraca.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 1

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Terça feira, 20 de Maio de 2003

Leio sobre e penso em Santa Rita de Cássia.
Santo Agostinho: «Toda a religião consiste em imitar aquele que se honra» - Cidade de Deus (8,17.2) - «Honrar e não imitar, não passa de adulação mentirosa» (Sermão 325,1)

Que devoção é esta que quero ter? É apenas para receber “graças” ou é para conhecer verdadeiramente a vida e a mensagem de Deus, através de Santa Rita e para assim imitar um caminho de fé, obediência e perseverança?

Santa Rita, por exemplo, perseverou e esperou tanto quanto necessário para entrar no Convento e realizar o seu desejo, segundo reza a história.
E eu também persevero e sei esperar?

Se quero ser devoto de Santa Rita de Cássia tenho de aprender com ela a servir a Deus e imitá-la nas suas virtudes.
E duas delas, que me são mais difíceis, são a perseverança e a paciência.

Assim hoje quero comprometer-me perante Deus, a todos os dias de manhã e se possível como primeira oração da manhã, dizer: “ Jesus, ensina-me a rezar”.
Assim o Espírito Santo mo recorde todas as manhãs, até que Ele mesmo coloque no meu coração o fim desta prática de perseverança.

Quero comprometer-me também perante Deus a viver a virtude da paciência, sobretudo com os meus filhos, a não “gritar”, nem ser “agressivo”, mas a saber aceitar as suas brincadeiras e com amor e carinho corrigir os excessos e aquilo que estiver mal, assim me ajude o Espírito Santo nestes compromissos que agora quero aceitar.

Durante esta semana, até Quarta feira 28, rezar o terço de joelhos pela conversão dos pecadores.

Santa Rita de Cássia, rogai por nós.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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Inicio assim a transcrição o mais fiel possível de alguns escritos que naquele tempo praticamente todas as noites, escrevia como reflexão.
Não o faço com outro intuito que não seja dar a conhecer um caminho de conversão que poderá ajudar alguém a caminhar a sua própria conversão.
Não teve um programa preestabelecido, mas foi uma necessidade que senti diariamente de escrever para melhor me confrontar com a minha vida e com aquilo que Deus ia colocando no meu coração.
São de um modo geral coisas muito simples que todos conhecem, mas que às vezes esquecemos, complicando o que é simples.
«Em verdade vos digo: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu.» Mt 18,3
«Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.» Lc 18,17
Coloco estes escritos nas mãos de Deus para que servindo-O possam servir aquelas e aqueles que os lerem.
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DESAFIO

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O meu amigo Alma Peregrina deixou-me no seu espaço Crónicas de uma Peregrinação este desafio:


1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Copiar a frase
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6. Passar o desafio a cinco pessoas

Por norma agradeço, agradeço mesmo do fundo do coração lembrarem-se de mim, mas não costumo responder neste espaço a estes desafios.
Hoje faço-o aproveitando esta oportunidade como agradecimento a todos os que já me fizeram desafios semelhantes.
Não será bem um livro, mas o que tenho mais perto de mim é a Liturgia das Horas e portanto:

«Nos palácios de marfim alegram-te os sons da lira. Entre as damas da tua corte há filhas de reis, à tua direita está a rainha ornada com ouro de Ofir.» Sl 44

Aproveito ainda para agradecer, (costumo fazê-lo nas caixas de comentários), todos os prémios e selos que me vão oferecendo, e eu vou colocando na barra lateral com menção dos ofertantes, e que para mim representam sempre um estímulo e uma tocante prova de amizade.
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Bem hajam todos e cada um.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A CONVERSÃO

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Reparei quando estive naquele programa de televisão agora no dia 9 deste mês, que me foi perguntado, (como inicio de conversa), em relação à minha conversão, se eu tinha visto uma luz ou qualquer outra coisa desse tipo.
A verdade é que muita gente pensa que uma conversão se dá porque a pessoa viu uma luz, ou qualquer coisa assim para o sobrenatural.
Deve estar na nossa imaginação a descrição da conversão de Saulo/Paulo e então julgamos que acontece assim, com uma visão de luz e num momento muito específico.
Mas a verdade é que Deus não anda por aí a “cegar” as pessoas com luzes vindas do “além”, nem a conversão é um momento específico marcado no tempo.
A conversão não vem de fora para dentro, mas acontece sim de dentro para fora.
A conversão tem sim algo de transcendente e que é a resposta de Deus à procura do homem.
E essa resposta de Deus é o dom da Fé a que o homem em conversão responde, aceitando, reconhecendo e vivendo a Fé como uma constante da sua vida, e assim acredita, entrega-se, confia e espera no Deus que vem ao seu encontro para o salvar, confirmando no viver do homem a liberdade em que o criou.
E a conversão não é um momento, mas sim uma vida, um dia a dia, um caminhar, um andar para a frente e às vezes para trás.
A conversão é uma abertura à presença de Deus na nossa vida e à disponibilidade para a mudança que Essa presença implica em nós, no nosso proceder, nas nossas prioridades, no nosso viver do dia a dia.
A conversão não é a mudança daquilo que nós somos como seres humanos, das características especificas de cada um, do feitio de cada um, porque se assim fosse seriamos todos iguais e Deus criou-nos todos diferentes, apenas iguais na dignidade de todos sermos Seus filhos.
A conversão leva-nos a potenciar os talentos que Deus nos deu e a tentarmos controlar as nossas fraquezas os nossos defeitos.
A conversão leva-nos a olhar para os outros como parte importante da nossa vida e a percebermos que sem eles não tem sentido, nem podemos caminhar o caminho da salvação.
A conversão leva-nos a perceber que não podemos sequer dizer que amamos a Deus, se vivemos apenas para nós ou para aqueles de quem gostamos.
A conversão leva-nos também a gostarmos de nós próprios como nós somos, assumindo sem medo os nossos defeitos e as nossas qualidades.
Deus ama-nos como nós somos e não como nós pensamos que Ele gostava que nós fossemos.
Deus ama-nos na nossa vontade de querermos fazer a Sua vontade e a Sua vontade é que «tenhamos vida e a tenhamos em abundância.»
A conversão não nos leva a sermos “santinhos”, mas a procurarmos a santidade no amor e na caridade.
A conversão tem de fazer de nós discípulos de Cristo, testemunhas da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, em todos os momentos da nossa vida, na dor e no bem-estar, na tristeza e na alegria.
A conversão leva-nos a viver a alegria da pertença a Jesus Cristo, que nos veio trazer a «alegria completa», e que não se exprime na gargalhada fácil, mas na paz, na tranquilidade, na serenidade interior, que se exprime exteriormente pela expressão da aceitação das provações, e dos bons momentos, pelo constante louvor e agradecimento por tudo quanto acontece na nossa vida, na certeza de que em tudo Deus está connosco e em tudo Ele nos conduz no caminho certo, mesmo que muitas vezes não percebamos o porquê das coisas.
A conversão é algo que não conseguimos transmitir totalmente por palavras, mas que devemos transmitir com a nossa própria vida, deixando que Deus se sirva de nós para tocar os corações, as vidas, daqueles que ainda não O encontraram, que ainda não O reconheceram.

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A conversão da minha vida teve e continuará a ter diversas fases.
Quando em 2003, como já testemunhei aqui, a vida se abateu sobre mim, esse facto levou-me a uma fase de grande interioridade, de grande procura, de grande descoberta da aceitação da vontade de Deus na minha vida, na certeza de que em tudo, até mesmo no mal, Deus consegue retirar o bem.
Vivi dias de intensa oração, muito mais de louvor e entrega, do que de súplica ou petição, tentando perceber na provação a presença de Deus na minha vida.
Praticamente todas as noites escrevia o que me ia no pensamento, no coração, e abrindo a Bíblia deixava que a Palavra me dissesse, não o que eu queria ouvir, mas o que precisava perceber e viver.
É desse tempo que vou passar para aqui, para este espaço, alguns desses escritos.
São escritos simples, de alguém que dialoga com Deus, que O procura, que O quer encontrar, e não pretendem ser exegese bíblica, e muito menos reflexões teológicas ou profundas da Doutrina, mas sim de uma simples vivência da Fé.
São reflexões pessoais, de abertura à presença de Deus na minha vida, reflexões do dia a dia e das coisas que nos dias vão acontecendo, por isso mesmo onde houver nomes, os mesmo serão omitidos.
Serão apenas alguns escritos escolhidos de todos os desse tempo, e faço-o agora para testemunhar um pouco em resposta àquilo que me foi perguntado, (e tantas vezes a cada um de nós), e escrevo no inicio deste texto, ou seja, se na nossa conversão vimos uma luz ou qualquer outra coisa desse tipo “visionário transcendental”.
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

TU ÉS A MINHA ALEGRIA, SENHOR!

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Cantarei ao Senhor enquanto viver,
louvarei o meu Deus enquanto existir,
n’Ele encontro a minha alegria,
n’Ele encontro a minha alegria.



Agora mesmo,
Senhor,
ali na Eucaristia,
com os catequizandos,
cantámos-Te assim
na acção de graças.
E eu senti,
Senhor,
eu senti,
essa alegria,
a minha alegria,
que me vem de Ti.
Podem vir Senhor,
as tempestades e os ventos,
os trovões e os relâmpagos,
as intempéries e as calmarias,
que eu continuarei
a encontrar a minha alegria
enquanto viver contigo,
Senhor.
Tudo pode acontecer,
seja tudo aquilo que for,
que eu continuarei a louvar-Te
Senhor,
em todos os momentos

do meu existir.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

SENHOR, TU PODES TUDO!

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Senhor,
Tu sabes que eu nada posso fazer
a não ser rezar
dar a mão,
disponibilizar o meu ombro.
E rezo, Senhor,
rezo muito,
por ela,
por aquela irmã.
Ofereço-te Senhor,
o tudo que Tu me dás,
pela sua vida.
Tu podes tudo,
Senhor,
e eu confio em Ti.
Entrego-ta,
entrego-a ao Teu imenso amor,
e creio,
e confio,
e espero,
na Tua misericórdia.
E dou-Te graças,
Senhor,
porque atendes
os teus filhos,
os que de Ti se aproximam.
Que seja feita Senhor,
a Tua vontade.
Amen.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

NO SILÊNCIO

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No silêncio da vida,
Ouve-se a Tua voz, Senhor.
Quando calamos o mundo em nós,
Quando abafamos o ruído
Dos nossos pensamentos,
Quando afastamos as nossas vontades,
Quando nos abrimos à Tua presença,
Ouvimos a Tua voz, Senhor.
E então, Senhor,
Escutamo-la,
E fazemos dela vida em nós.
Deixamos que ela nos fale do mundo,
E o mundo torna-se maravilha Tua.
Colocamo-la nos nossos pensamentos,
E eles enchem-se de Ti.
Fazemo-la nossa vontade,
E ela molda-se à Tua vontade.
A porta que abrimos timidamente para Ti,
Faz-se porta escancarada
À Tua presença constante.
E Tu vens de mansinho,
Sem ruído, nem excitação.
Tomas-nos ao colo,
Beijas cada coração,
E fazes-nos ouvir a tua voz,
Baixinho ao nosso ouvido:
«Eu amo-te meu filho».

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

DIA DE LOUVOR - PARTE 2

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Para vivermos esta comunhão com Deus, que nos dá a vida em abundância, a alegria completa, precisamos de estar reconciliados com Deus, connosco próprios e com os outros.
E o passo imprescindível que temos de dar para essa reconciliação é o nosso exame de consciência e o Sacramento da Confissão.
Hoje em dia ouvimos muitos dizerem que se confessam a Deus, e que portanto prescindem da confissão com um sacerdote.
Mas, minhas irmãs, meus irmãos, o Sacramento da Confissão foi instituído por Jesus Cristo conforme podemos ler em Jo 20, 22-23
Deus quis instituir este Sacramento assim, servindo-se dos homens, porque Ele mesmo, na pessoa de Jesus Cristo, se quis encontrar com os homens, num contacto directo, através dos sinais e linguagens da condição humana, quis viver como nós e passar pelas mesmas condições que nós, excepto o pecado.
Como nos diz o Arcebispo italiano Bruno Forte, num pequeno livro sobre a Confissão:
«Como Ele saiu de si mesmo por nosso amor e veio “tocar-nos” com a sua carne, assim nós somos chamados a sair de nós mesmos por seu amor e ir com humildade e fé ter com quem pode dar-nos o perdão em seu nome mediante a palavra e o gesto.
Somente a absolvição dos pecados, que o sacerdote nos dá no Sacramento, pode comunicar-nos a certeza interior de sermos verdadeiramente perdoados e acolhidos pelo Pai que está nos Céus, porque Cristo confiou ao ministério da Igreja o poder de ligar e desligar, de excluir e de admitir na comunidade da aliança. (cf Mt 18,17)»
Com efeito, como podemos nós aferir se determinado comportamento é pecado ou não, se verdadeiramente na nossa consciência temos dúvidas?
Então, só na Confissão perante o sacerdote que nos ouve e connosco fala, o mesmo sacerdote nos pode ajudar a percebermos a dimensão total do nosso pecado, a necessidade do nosso arrependimento e nos conduzir, não só ao perdão de Deus, mas à consciência do perdão a nós mesmos e aos outros.
Muito mais ainda isto é verdade se nos lembrarmos que a Igreja nos ensina que o sacerdote na Confissão é pessoa de Cristo, ou seja, nos estamos a confessar a Cristo.
E minhas irmãs, meus irmãos, eu não sou sacerdote como muito bem sabeis, mas acreditem que os sacerdotes não querem saber dos nossos pecados, não fazem julgamento para si próprios de nós por causa dos nossos pecados, apenas agem como pessoa de Cristo para em Seu nome, nos ouvirem, aconselharem e perdoarem.
Um dia na Catequese, um jovem dizia-me que não se queria confessar por que depois o Prior ficava a saber o que ele fazia e depois quando olhasse para ele parecia que o padre o estaria a julgar.
Eu respondi-lhe o que ainda agora vos disse, que ao padre não lhe interessam os pecados de cada um e nem sequer julga as pessoas pelos pecados que confessam, mas ainda disse mais, pois disse-lhe que cá para mim, eu achava que Deus concedia aos padres a graça de se esquecerem dos pecados dos que a eles se confessam, ou seja, até se podiam lembrar dos pecados confessados, mas provavelmente já não sabiam quem é que tinha confessado este ou aquele pecado.
A verdade é que o segredo da Confissão é o segredo mais bem guardado da história da humanidade e que eu saiba nunca foi violado.
Já houve padres e até há poucos anos um Bispo em França que foram presos, mas não revelaram esse segredo.
Quando o Senhor ao fim de tanto tempo do meu afastamento dEle começou a tocar o meu coração e o da Catarina, minha mulher, passados uns tempos, talvez um ano ou dois, um sacerdote Franciscano com quem falávamos muito, perguntou-nos porque é que não nos confessávamos.
Perante as dúvidas ainda das nossas vidas, não nos tinha até ao momento ocorrido fortemente essa decisão, mas confrontados com o que ele nos disse, decidimos então confessarmo-nos a ele.
Um dia lá fomos ao Convento de Leiria para então nos confessarmos.
Há mais de 20 anos que não me confessava. Não sabia bem como o fazer e já nem sequer me lembrava da última vez que me tinha confessado.
Vinham à minha memória, ao meu coração pecados da minha infância, da minha adolescência que eu não me lembrava se já alguma vez tinha confessado ou não.
Assim decidi que devia confessar tudo o que viesse ao meu coração, de tudo o que me lembrasse da minha vida até ao momento vivida.
Não sei quanto tempo demorou a Confissão e isso também não interessa, mas ao longo dela o Senhor foi-me lembrando coisas da minha vida que me marcavam, que me envergonhavam a mim próprio, mesmo sem o conhecimento dos outros, lembro-me que as lágrimas me corriam pela cara e lembro-me sobretudo da doçura daquele sacerdote, ou seja de Jesus Cristo, que abria os braços e me acolhia no seu amor perdoando-me das minhas fraquezas.
É um momento que não esqueço na minha vida e se agora falo dele é porque é importante para aquilo que há um pouco vos dizia, sobre o facto de por vezes nos confessarmos, alcançarmos o perdão de Deus, mas não nos perdoarmos a nós próprios, ou aos outros.
Com efeito havia coisas na minha vida tão graves, que mesmo após a confissão, não só eu ainda duvidava de que Deus me perdoasse, mas também porque a vergonha de certas coisas continuava a pesar na minha vida.
É lógico que a dúvida sobre se Deus me perdoava ou não, era causada porque a minha caminhada de fé só tinha começado há pouco tempo, (o que são dois anos de caminho para 25 anos de afastamento), e porque também ainda não tinha tido aquele encontro pessoal com Deus que muda as nossas vidas.
Já o perdão a mim próprio era mais complicado e eu fui percebendo ao longo dos anos que essa falta em mim, não me deixava crescer na fé, no meu relacionamento com os outros, e interferia na minha maneira de viver e proceder.
Um dia numa Adoração ao Santíssimo pedi ao Senhor que me desse essa certeza do Seu perdão, porque precisava dela para a minha caminhada, e Ele concedeu-me essa graça de eu perceber, de eu viver a certeza de que o seu perdão é muito maior que o nosso pecado.
Então percebi que se Deus me perdoa, como posso eu não me perdoar a mim próprio.
Se Deus me purifica, como posso eu não me deixar purificar.
Se Deus me liberta do meu pecado, como posso eu ficar agarrado à lembrança do pecado.
Perante essa certeza decidi confessar novamente esses pecados que ainda me atormentavam, não porque não acreditasse que Deus já mos tinha perdoado, mas para que confrontando-me novamente com eles na confissão, me libertasse deles definitivamente.
E claro, a graça aconteceu, porque a Confissão é também um Sacramento de Cura e Libertação e a partir daí a minha vida mudou e eu pude viver a minha vida com Deus, comigo próprio e com os outros livremente e sem as cadeias da vergonha, da mágoa ou do ressentimento.
Mas para que a Confissão seja recebida em toda a sua plenitude, com toda a graça que o Sacramento derrama nas nossas vidas, é preciso que seja bem feita.
A Confissão não pode ser apenas um relatório de pecados, um desfiar de fraquezas, um contar de problemas.
É preciso que assumamos as nossas faltas, (não foi por causa dos outros como tantas vezes nos queremos fazer crer), que nos confrontemos com as nossas fraquezas, que tenhamos a consciência do arrependimento e o propósito de emenda, ou seja o compromisso de não voltar a cometer esses pecados, mesmo que infelizmente venhamos a cair neles novamente.
Abrirmos os nossos corações ao perdão de Deus e percebermos que se Ele nos perdoa não podemos nós continuar agarrados à lembrança desse pecados.
Assim, ao recebermos a absolvição de Deus, também o nosso coração se abre à reconciliação connosco próprios e com os outros, e assim somos libertos do peso da vergonha, da lembrança que nos magoa, e em paz connosco, ficamos também em paz com os outros e vivemos mais um pouco da abundância de vida e da alegria que Jesus Cristo nos veio trazer.
Também por essa Confissão alcançamos a graça da força necessária para pedirmos perdão àqueles que nós magoámos e perdoarmos aqueles que nos magoaram.
Assim e ainda, aqueles problemas de que falámos há pouco, de não ser fácil enfrentar aqueles contra quem pecámos, ou aqueles que contra nós pecaram, são curados das nossas vidas e podemos viver em paz com eles e por isso mesmo também, os problemas de saúde que nos atormentavam como vimos anteriormente, acabam por desaparecer das nossas vidas e mais uma vez, repito, passamos a viver a vida verdadeira que Jesus Cristo nos trouxe e que é a vida em abundância na alegria de Deus.
Hoje, minhas irmãs e meus irmãos, temos de tomar, de viver este compromisso sério de nos aproximarmos da Confissão na primeira ocasião que tivermos.
Mas tomá-lo conscientemente e não debaixo de uma emoção do momento.
Percebermos que a Confissão a fazer tem de ser tão consciente que não seja apenas relatar pecados, mas assumi-los como culpa nossa, enfrentá-los como fraquezas nossas, e sobretudo acreditarmos firmemente que o amor e o perdão de Deus são muito maiores que os nossos pecados.
Porque assim, acreditando no perdão de Deus, que nos purifica pela Confissão, não podemos nós deixar de nos perdoarmos a nós e aos outros, porque se assim não fizermos estaremos como que a manchar o perdão que Deus nos concede.
E não tenhamos medo ou vergonha de confessarmos pecados já confessados, se por alguma razão eles ainda nos envergonham e magoam, dizendo ao sacerdote isso mesmo, para que ele nos aconselhe e de coração aberto alcancemos todas as graças que o Sacramento da Confissão nos concede, desde o perdão de Deus, até à libertação e à cura dos problemas psíquicos e até físicos.
Peço-vos agora que fecheis os olhos e baixeis a cabeça, numa serenidade total que é garantida pela presença de Jesus Cristo no meio dos pecadores que somos nós.
Peço-vos ainda que em silêncio escuteis a oração que vou fazer pausadamente e que à medida que a fores escutando a rezeis com o coração, sem palavras saídas da boca, mas tomando-a como vossa e assumindo verdadeiramente o compromisso que nela está.

Oração
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Senhor Jesus Cristo, que estás no meio de nós, porque somos pecadores, vem ao meu encontro e toca o meu coração e a minha mente.
Mostra-me Senhor Jesus, tudo o que na minha vida não é do teu agrado e tudo o que me impede de viver a vida em abundância e alegria que Tu mesmo nos vieste trazer.
Concede-me a graça de acreditar firmemente que o teu perdão é infinitamente maior que o meu pecado, para que acolhendo o teu perdão na minha vida, também eu me perdoe a mim próprio das minhas fraquezas e perdoe as minhas irmãs e os meus irmãos que me ofenderam e peça perdão aos que eu ofendi.
Peço-te também, Senhor Jesus, que pela graça da Confissão me libertes de todo o pecado, da opressão do pecado, de todas as doenças psíquicas e físicas que o pecado trouxe à minha vida.
Agora Senhor Jesus, que estás aqui no meio de nós, eu comprometo-me de todo o coração, com toda a minha vida a, no mais curto espaço de tempo, procurar o Sacramento da Confissão e de coração aberto, reconhecendo-me pecador e acreditando no teu infinito perdão, confessar-me de todos os meus pecados, presentes e mesmo os passados que ainda não consegui perdoar a mim próprio ou aos outros.
Na tua misericórdia firmemente acredito e desde já agradeço-Te pela libertação que vais operar na minha vida, e pela paz, pela alegria e pela vida em abundância que já neste momento me estás a dar.
Louvado sejas Senhor, pelo teu infinito amor.
Amen.
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

DIA DE LOUVOR - PARTE 1

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A Comunidade Luz e Vida, a que pertenço, celebrou ontem em Fátima, no Centro Pastoral Paulo VI, com cerca de duas mil pessoas, um Dia de Louvor, desde a manhã até ao fim da tarde.
O tema para o dia era:
«O Senhor liberta aqueles que dEle se aproximam, para que os seus corações se encham da verdadeira alegria que dá nova vida aos homens.»
Foi uma festa linda e viva com o nosso Deus, que derramou a Sua misericórdia, sobre o Seu povo, com fome e sede do Seu amor.
Foi-me pedido que fizesse o ensinamento da manhã, como chamamos no Renovamento Carismático Católico.
Deixo-vos aqui o texto base que escrevi para sustentar o ensinamento, e que divido em duas partes, pois o mesmo teve uma hora de duração.
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Bom dia.
Alguns de vós já me conhecem, mas certamente outros não, por isso apresento-me.
Chamo-me Joaquim, tenho 59 anos, sou casado, pai de 4 filhos e avô de dois netos.
Pertenço à Comunidade Luz e Vida e vivo na Diocese de Leiria-Fátima.
Para além de outras características que tenho que me fazem igual a todos vós, tenho uma especial em que somos todos iguais.
Sou pecador!
Julgo que aqui não há ninguém que não seja pecador, ou há?
Ser pecador é uma constante da nossa vida humana, da fraqueza das nossas vidas, mas tem algo que acaba por ser muito bom.
Claro que o muito bom não é o pecado, mas o facto de sermos pecadores. Deus condena o pecado, mas não condena os pecadores.
E é isso que é muito bom, porque sabemos que Jesus Cristo se fez Homem como nós, para estar no meio dos pecadores, para nos libertar do pecado, e que é Ele mesmo que o diz, que veio para os pecadores.
Por isso, e em primeiro lugar tomemos a consciência firme de que Ele, Jesus Cristo, está aqui no meio de nós, e em nós, porque está sempre no meio dos pecadores, porque Ele veio para os pecadores.
E se Ele está no meio de nós, nada devemos temer, mas apenas abrirmos os nossos corações e deixarmos que Ele nos fale, nos toque, nos mostre o caminho que devemos caminhar para nos encontrarmos verdadeiramente com Ele, num encontro pessoal que mude as nossas vidas, que nos liberte e nos dê já aqui no mundo a paz, a alegria e a felicidade prometidas no Céu.
Quando o Padre Filipe me pediu para eu fazer este ensinamento na manhã de hoje, o meu coração bateu mais forte.
Era algo que eu desejava, mas ao ser posto perante a realidade de ter que fazer este ensinamento, a minha confiança tremeu, e senti um enorme peso sobre mim.
E isso aconteceu porque me coloquei perante as minhas capacidades, perante aquilo que eu julgava ou julgo saber, quando a minha atitude deveria ter sido de agradecer ao Senhor por se querer servir de mim e sobretudo colocar-me nas Suas mãos, para que Ele fizesse em mim aquilo que eu sozinho nunca poderia fazer.
O Padre Filipe tinha-me pedido para eu rezar e pedir a Deus a palavra, a mensagem sobre a qual hoje deveríamos meditar.
No meu quarto, com a Bíblia entrei em oração pedindo ao Senhor que me ajudasse na minha fraqueza e me mostrasse o que queria de mim, o que nos queria dizer hoje.
Ao fim de um tempo de oração abri a Bíblia e confesso que fiquei desapontado, pois o que me era mostrado não era nenhuma passagem bíblica, mas sim a introdução ao Evangelho de São Marcos.
Resisti à vontade que tive de fechar a Bíblia para a abrir novamente e li com atenção o que estava escrito naquela página.
Havia uma gravura de Cristo crucificado e sobre a gravura estava escrito o seguinte:
«Marcos preocupa-se com fazer esta grande revelação aos pagãos: Jesus de Nazaré, o crucificado, é o Filho de Deus! E quem o confessa é nada menos que o centurião romano de guarda à cruz, quando vê Jesus, crucificado entre dois ladrões, dar um grande grito na sua morte.» Mc 15,33-39
Jesus Cristo serve-se de quem menos se espera para revelar aos outros a verdade sobre Si mesmo: Ele é o Filho de Deus!
Fiquei ali a pensar naquela verdade, que tantas vezes é demonstrada ao longo dos quatro Evangelhos.
Foram tantos aqueles pecadores que tocados por Jesus acabaram por serem as testemunhas de que Ele era e é o Filho de Deus.
Foi Zaqueu, foi o centurião que tinha o servo doente, foi a mulher adultera, foi Levi o cobrador de impostos, foi Jairo o chefe da Sinagoga, foi a Samaritana, foi o ladrão que com Ele foi crucificado, foram os Apóstolos que tirando João abandonaram Jesus na Cruz, foi Paulo que perseguia os cristãos, foi até Pedro, o primeiro Papa que negou três vezes Jesus.
E com este facto que aqui vos conto há logo uma lição a tirar, que tirei também para mim.
Muitas vezes abrimos a Bíblia e como já conhecemos a Palavra que nos surge, ou porque não é a Palavra que mais nos agrada, (tantas vezes porque é do Antigo Testamento), voltamos a fechá-la para a abrirmos novamente.
E como estamos errados, porque a Palavra de Deus é viva, e aquilo que Ela me disse ao coração uma vez, pode ser bem diferente dessa vez, e é com certeza aquilo que eu necessito nesse momento.
Por isso não procuremos aquilo que nos agrada, mas meditemos naquilo que o Senhor nos quer dizer com a Sua Palavra, e mesmo que Ela se repita várias vezes pensemos verdadeiramente se já entendemos todo o seu conteúdo, toda a sua mensagem para nós.
Deus serve-se então dos pecadores para se revelar a uns e a outros.
Mas para que eu pecador, para que cada um de nós pecadores possa ser testemunha de Jesus Cristo é preciso que queira viver fora do pecado, é preciso que mostre na sua vida, nas suas atitudes, nos seu gestos, na sua maneira de proceder que o seu encontro pessoal com Jesus Cristo mudou a sua vida.
Precisa de se libertar, de ser liberto da escravidão do pecado que tantas vezes toma conta de nós e condiciona as nossas vidas.
E então veio ao meu coração outra passagem bíblica, aquela relatada em Lucas 4, 16-21.
Tantas vezes que entendemos esta passagem exactamente como ali está escrito, ou seja, entendemos que esta passagem revela os milagres físicos que Jesus fez e vêm relatados nos Evangelhos.
E revela com certeza esses milagres, mas revela também que Jesus Cristo veio para os pobres em espírito, ou seja para aqueles que não têm Deus, ou que conhecendo-O não O vivem, revela que veio para libertar aqueles que estão presos ao pecado, revela que veio dar a luz aqueles que andam nas trevas, porque ainda não O conhecem verdadeiramente, revela que veio dar liberdade aos que estão presos aos vícios que os oprimem.

Neste momento dei um breve testemunho da minha vida, contando que apesar de ter nascido e crescido numa família profundamente cristã e católica, tendo recebido dos meus pais o testemunho da Fé, bem como dos colégios católicos que frequentei, por volta dos 17/18 anos comecei a afastar-me da prática religiosa, da Igreja, da Fé, de Deus, tendo vivido cerca de 25 anos totalmente afastado, sendo que, os últimos 10 anos dessa vida sem Deus foram preenchidos com uma vida dissoluta, de noitadas e tudo o que isso envolve, e como, apesar de reconhecer de vez em quando que devia mudar de vida, pois que a que levava me conduzia ao abismo, não era capaz de sair dessa vida de pecado viciante.
Só quando por graça de Deus, abri novamente o meu coração e a minha vida à Fé, à Sua presença na minha vida, à comunhão em Igreja, me foram dadas forças para me afastar dessa vida.


Não é verdade, não reparamos nós que na maioria dos milagres que Jesus faz, em primeiro lugar perdoa os pecados e só depois acontece a cura física?
Vivemos hoje num mundo em que a maior parte das doenças de que sofrem as pessoas são doenças psicossomáticas, isto é, são doenças que têm a ver com a mente, com o estado de espírito das pessoas.
E são tantas coisas que fazemos na vida, que marcam as nossas vidas e se tornam tantas vezes razão de mau estar psicológico e físico.
São tantas coisas que fazemos na vida ou que nos fazem e que nos marcam de modo tão forte que vão condicionando o nosso dia a dia, às vezes até sem nos apercebermos disso mesmo.
São as dores de cabeça, de estômago, as insónias, as angústias, as tristezas permanentes, as depressões, a dificuldade de relacionamento com os outros, tantas vezes até com os nossos familiares mais chegados.
A verdade é que a maioria esmagadora dessas situações se deve a factos passados nas nossas vidas, a pecados cometidos ou que cometeram contra nós, e que ainda não foram resolvidas, ainda não foram perdoados, muitas vezes por nós próprios.
Vejamos por exemplo uma pessoa que cometeu um pecado de adultério, homem ou mulher, tanto faz, e pode ter sido apenas uma vez.
Pode estar casado há muito tempo mas se realmente não se perdoou a si próprio, para além do perdão de Deus, obviamente, a sua vida estará sempre marcada por esse episódio, por esse pecado, e muitas vezes a presença da sua mulher ou do seu marido, em vez de despertar amor pode despertar um sentimento de culpa que depois se reflecte no estado de espírito da pessoa e condiciona a sua paz, a sua alegria de viver, e por arrastamento, por exemplo, um mau dormir, dores de cabeça ou outras manifestações físicas.
A pessoa não está bem consigo própria e por isso não pode estar bem com a vida.
Outro exemplo poderá ser uma violência que a pessoa sofreu no passado, violência física, verbal ou até sexual.
A pessoa já se pode ter reconciliado com Deus, pela Confissão, mas ainda não conseguiu perdoar ao outro, ou até mesmo a si própria.
Há pessoas que sofrem estas violências e consideram que têm alguma parte na culpa, consideram que de alguma forma também são culpadas.
Enquanto não acontecer a paz sobre esse assunto, sobre esse pecado em todas as suas dimensões, a pessoa não poderá viver a vida em toda a sua plenitude, não poderá viver a alegria da liberdade dos filhos de Deus.
Atentemos ainda em outro exemplo, como aquele de uma mulher que pratica o aborto.
A pessoa pode confessar-se, estar arrependida, ter tomado um compromisso sério de não voltar a cometer tal pecado, mas se não se perdoou a si própria, isto é, se não se deixou alcançar pela plenitude do amor, do perdão de Deus, essa pessoa viverá continuamente atormentada por aquele facto, por aquele pecado na sua vida, e não terá descanso, não terá paz, não terá felicidade. Isso trazer-lhe-á forçosamente muitas vezes, mau estar físico que se poderá manifestar de muitos formas, como depressões, tristezas inexplicáveis, insónias, e tantas outras manifestações que não deixam que a sua vida seja verdadeiramente uma vida livre, uma vida em abundância.
Compreendemos então agora melhor a passagem do Evangelho de São Lucas que há um pouco lemos, pois percebemos agora que Jesus Cristo nos veio resgatar do cativeiro do pecado, nos veio dar a luz, a vista perdida nas trevas do pecado, nos veio libertar das opressões do pecado.
Compreendemos agora melhor a passagem do Evangelho de São João, em que Jesus nos diz:
«Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.» Jo 10,10
E também a passagem do mesmo Evangelho:
«Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa.» Jo 15,11
Podemos ter a vida pelo facto de termos sido gerados pelos nossos pais e de termos nascido, mas podemos não a ter em abundância, isto é, na sua plenitude, que só é alcançada na comunhão com Deus.
Podemos ter momentos de alegria, mas podemos não viver a alegria que nos vem da comunhão com Deus e nos ajuda a ultrapassar as dificuldades e as provações.
Para vivermos esta comunhão com Deus, que nos dá a vida em abundância, a alegria completa, precisamos de estar reconciliados com Deus, connosco próprios e com os outros.
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(continua)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

CONSELHOS SOBRE AS TENTAÇÕES

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«Não vos esforceis para vencer as tentações, porque esse esforço as reforçariam.
Desprezai-as e não vos detenhais nelas.
As tentações contra a fé e contra a pureza são mercadorias oferecidas pelo inimigo.
Mas não o temas, procura desprezá-lo.
Enquanto o inimigo faz barulho, é sinal de que ainda não se apossou da tua vontade.
Não te perturbes pelo que te faz passar o anjo rebelde.
Que a tua vontade seja sempre contrária ao que ele te sugere. E vive tranquila, pois não tens a menor culpa, tens a misericórdia de Deus e méritos para a tua alma.
Acaba com essas vãs apreensões.
Lembra-te que não é o sentimento que constitui a culpa, mas sim, o consentimento na satisfação do sentimento.
E que somente a liberdade da vontade é que é capaz de fazer o bem e o mal.
No entanto, quando a vontade geme sob o peso da provação do tentador e não quer o que lhe é apresentado, não só não haverá culpa, como haverá virtude.
Acaso não é por inspiração do Espírito Santo que sabemos que, quanto mais uma alma se aproxima de Deus, mais deve estar preparada para as tentações?
Portanto, se é assim, coragem.
Combate fortemente e receberás o prémio reservado às almas fortes.
Deves recorrer a Deus durante os ataques do inimigo, em Deus deves confiar e d’Ele deves esperar todo o bem. Não te fixes voluntariamente no que o inimigo te apresenta.
Lembra-te que vence quem foge.
Aos primeiros momentos de tentação, deves desviar o pensamento e recorrer ao Senhor.
Diante d’Ele põe-te de joelhos e, com grande humildade, repete esta pequena oração: “Tem misericórdia de mim, Senhor, pois sou uma pobre doente”.
Em seguida levanta-te e, com santa indiferença prossegue os teus afazeres.»
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Santo Padre Pio
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

ANO VELHO, ANO NOVO. OBRIGADO SENHOR!

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Hoje, Senhor, quero agradecer-te todo este ano da vida que me deste.

Quero agradecer-te as alegrias e quero agradecer-te as tristezas.

Quero agradecer-te os bons momentos e quero agradecer-te os momentos menos bons.

Quero agradecer-te tudo o que correu bem e tudo o que eu acho que correu menos bem.

Quero agradecer-te a saúde e quero agradecer-te as poucas doenças.

Quero agradecer-te tudo o que me deste quando Te pedi e quero agradecer-te tudo o que não me deste quando Te pedi. Tu sabes melhor, Senhor!

Quero agradecer-te os momentos em que eu estive contigo e quero agradecer-te os momentos em que Tu estiveste comigo, mesmo quando eu não estava contigo.

Quero agradecer-te os amigos e quero agradecer-te os inimigos.

Quero agradecer-te os que me ajudaram e corrigiram e quero agradecer-te os que, por Tua graça, eu pude ajudar e consolar.

Quero agradecer-te a Igreja e a Tua Mãe Santíssima, companhias permanentes deste Teu/meu caminhar.

Quero agradecer-te o Teu perdão e a Tua infinita paciência e misericórdia.

Quero agradecer-te tudo, Senhor, mas mesmo tudo, porque em tudo o que me deste e permitiste na minha vida, (mesmo aquilo que eu não entendi e por vezes nem quis aceitar), me provaste o Teu amor, me fortaleceste na Tua esperança, me edificaste na Tua graça, me vivificaste na Tua vida, me fizeste mais filho de Deus, me tornaste mais comunhão, contigo e com os irmãos, me ensinaste a caminhar o caminho para Te encontrar.
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Por isso, Senhor, que o Novo Ano seja exactamente tudo aquilo que Tu quiseres fazer na e da vida que um dia me deste.
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

NASCES ASSIM SENHOR!

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Nasces assim
Como um qualquer,
Numa gruta,
Numa casa,
Num vão de escada,
Numa qualquer rua,
Ou até mesmo
Em berço rico.
Porque Tu não cuidas de saber
Quem são os filhos de Deus.
Porque para Ti
Senhor Jesus
Todos o são,
Ricos e pobres,
Pobres e ricos,
Filhos de Deus.
Porque se uns são ricos de bens
Talvez sejam pobres de Deus,
E Tu vens para eles.
Porque se uns são pobres de tudo,
Tu vens para eles também,
Para que sejam ricos de Ti.
Não cuidas de saber
De teólogos ou doutores,
De sábios e de instruídos,
De incultos e analfabetos.
Não, Senhor Jesus,
Não te interessa saber
Quem melhor interpreta a Tua Palavra,
Quem melhor conhece a ciência
Que julga entender o que Tu dizes.
Como não te interessa Senhor
Aqueles que julgam que a Tua Palavra
É aquela que serve os seus desígnios
Porque a lêem para seu agrado,
Para “confirmar”
O que julgam estar certo.
O que é que disseste Senhor
Naquele dia e agora?
«Minha mãe e meus irmãos
são aqueles que ouvem
a Palavra de Deus
e a põe em prática».
Senhor Jesus
Revelas-nos a herança de Deus
E nós tratamo-la
Como herança de homens.
A herança de Deus
Que devia ser
Aliança de amor entre os homens,
É tantas vezes
Causa de divisão e discórdia.
Nasces assim
Como um qualquer
Numa gruta,
Numa casa,
Num vão de escada,
Numa qualquer rua,
Ou até mesmo
Em berço rico.
Porque Tu não cuidas de saber
Quem são os filhos de Deus.
Porque para Ti
Senhor Jesus
Todos o são,
Ricos e pobres,
Pobres e ricos
Filhos de Deus.
E olhas-nos
Do teu berço
E meneias a cabeça
Cheio de compaixão,
De misericórdia,
E dizes aos teus Anjos:
«Cantem a paz na terra,
que se faz alegria no Céu,
aos homens de boa vontade.»
E dizes a cada um,
Daqueles para quem nasceste:
«A minha lei é só uma,
que vai muito para além da dor,
é fonte de vida eterna,
é comunhão,
é amor,
que nasce do Meu Coração
para vos guiar à Verdade.»


25 de Dezembro de 2008 - 01h.00m
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domingo, 21 de dezembro de 2008

«PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE.»

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Ali, longe de tudo e de todos, preparava-se para passar aquela noite.

Já nem se lembrava bem como tudo tinha acontecido, para que ficasse sozinho naquela noite de Natal.

Sim, era preciso ficar alguém toda a noite naquele posto, a presença física era imprescindível, e tinha de manter-se acordado para que nada falhasse na fábrica.

Era verdade que o regulamento previa pelo menos duas pessoas, mas ele realmente não tinha ninguém, estava longe do seu país, da sua família, das suas tradições, e apenas lhe restava ir para o dormitório, para junto dos seus compatriotas, que se calhar até aproveitavam a noite para irem aos bares, para irem beber, e isso ele não lhe apetecia.

Os colegas de trabalho tinham-se despedido todos com um abraço, e apesar de não serem da sua nacionalidade ele ficou a pensar como a noite de Natal modificava as pessoas.

Até parece que tinha sentido calor, verdade, naqueles abraços!

De tal modo, que ao olhar para aquele que devia ficar com ele lhe perguntou no seu arremedo da língua do país de acolhimento:
«Tu não tens família, mulher, filhos?»

O outro, de cabeça baixa, entristecido, respondeu:
«Tenho, claro que tenho, e custa-me muito não estar com eles.»

Sem quase se aperceber, tinha sentido a sua boca abrir e saírem estas palavras:
«Vai lá ter com eles, que eu fico aqui a tomar conta de tudo.»

O outro replicou:
«Mas tu não podes ficar aqui sozinho, numa noite destas!»

Mas ele insistiu:
«Vai te embora, antes que me arrependa. Não tenho para onde ir, nem ninguém com quem estar e aqui sempre está mais quente que no dormitório. Vai-te embora, antes que se faça tarde.»

O outro abraçou-o com lágrimas nos olhos e ele sentiu-se bem por ter tido aquele gesto, aquela atitude.

Mas agora, agora que a noite ia passando, a coisa estava a ficar muito difícil.

Não tinha sono, felizmente não tinha, por isso o estar acordado não lhe custava nada.

O que lhe custava era pensar nos outros em suas casas, com as suas famílias e ele ali sem ninguém e ainda por cima tão longe da sua mulher, dos seus filhos.

Que raio de vida que o fizera emigrar para tão longe para poder obter um mínimo de rendimento, para tentar dar algo mais à sua família.

Naquele momento colocava tudo em causa!

Se valia a pena este sacrifício, este afastamento tão doloroso que tanto lhe “mordia” o coração, que tanto lhe custava a viver.

E os pensamentos iam-se sucedendo e em nada ajudavam aquela situação.

Sentia-se sozinho, sem ninguém, perdido num mundo que não era o dele, numa língua e tradições diferentes, sem amigos, sem um abraço, sem o calor de um sorriso, sem sequer um sentimento de que alguém se preocupava com ele.

Duas grossas lágrimas correram pela sua cara e ele não pode deixar de se entristecer ainda mais.

Olhou para o relógio. Não sabia bem para quê, pois tinha a noção que a noite ainda agora tinha começado.

Mas ficou ali a pensar que àquela hora a sua mulher, os seus filhos, os seus pais, caminhavam no meio da neve, do gelo, para a igreja lá da terra, para celebrarem juntos, em comunidade, a noite de Natal.

Parecia-lhe até que conseguia ouvir aqueles cânticos eslavos, tão entranhados no seu coração, tão recordados na sua memória.

Tornava-se tudo tão real que conseguia ouvir crianças a rir, mulheres e homens a falar, o ruído de pessoas que caminhavam, que se juntavam, que festejavam.

Mas nesse instante tudo se esfumou, todos aqueles sons que lhe tinham sido tão agradáveis tinham deixado de se ouvir, e um silêncio pesado e triste tornava a tomar conta de tudo.

De repente deu um salto, pois tinham batido à porta da sala onde estava e que dava para o exterior, para a rua.

Receoso, e pensando quem poderia ser àquelas horas e naquela noite, foi abrir.

Uma explosão de risos, de conversas, de cânticos atingiu-o no coração!

Lá fora, na noite fria de Natal, estavam os seus colegas de trabalho, com as famílias, as crianças rindo e cantando, e todos juntos gritaram ao mesmo tempo:
«Feliz Natal, Yuri!»

As lágrimas, (estas de alegria), “rebentaram” nos seus olhos, a boca abriu-se numa gargalhada, os braços abriram-se num abraço imenso, e o seu coração disse-lhe baixinho:
«Vês Yuri, o Natal encontra sempre os homens de boa vontade!»


29 de Outubro de 2008


Com este conto muito simples, quero desejar a todas amigas e todos os amigos que aqui me visitam um Santo Natal, cheio da paz e amor de Deus, e que vivendo-o assim, sejamos mais irmãos, sejamos “mais” filhos de Deus, amando-nos como Ele nos ama.


Este conto foi enviado para um projecto da Casa do Gil.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

MARIA, NOSSA/MINHA MÃE 4

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Muitas vezes foi criticada a Igreja, e com Ela os católicos, pela devoção que a mesma presta à Virgem Maria, e a ligação tão íntima e pessoal que os fiéis têm e dedicam à Mãe do Céu.
Às vezes quase pretendem dizer que essa devoção, essa ligação espiritual e afectiva, seria uma “invenção” da Igreja com uns quaisquer propósitos, para os quais não se descortinam razões plausíveis.
Há até algumas seitas que por força de quererem negar essa ligação do Povo de Deus a Maria Santíssima, A desprezam e ofendem com actos inomináveis.

Mas terá sido por vontade da Igreja, ou dos católicos, que essa devoção, essa ligação tão espiritual e filial aconteceu e se desenvolveu?
Claro que não, e mais uma vez a Palavra de Deus nos vem esclarecer a verdade sobre a extraordinária dedicação da Igreja e dos católicos à Mãe de Jesus Cristo.

Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena. Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!». Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.
Jo 19, 25-27

Pelo que lemos, (sobretudo com o coração), percebemos sem margem para dúvidas, que foi por vontade de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que Maria Santíssima foi dada como Mãe a João, e João dado como filho a Maria.

Em todas as passagens da Palavra em que Jesus fala com os Apóstolos, sempre foi entendimento que aquilo que Ele lhes diz, ultrapassa o tempo, ou seja, foi para ontem, é para hoje e será para amanhã, bem como, não é apenas dirigido a eles, mas a toda a humanidade, sobretudo àqueles que acreditam e seguem a Cristo.

Porque seria então diferente esta passagem e Jesus apenas se dirigiria ao Apóstolo João?
Verdadeiramente não estava ali mais nenhum Apóstolo, portanto Ele não se poderia dirigir a todos, porque não estavam presentes, mas ao dirigir-se àquele significava, como sempre tinha feito, dirigir-se à universalidade dos Apóstolos.

Assim, quando Jesus por Sua própria vontade dá Maria como Mãe a João e o dá como filho a Maria, está a fazê-lo a e com toda a humanidade, todos os que foram criados à imagem e semelhança de Deus, crentes e não crentes, porque não tenhamos dúvidas que Maria intercede por todos, sobretudo pelos seus filhos que andam longe da Verdade.

Mas reparemos ainda que o evangelista emprega o termo discípulo para afirmar que, «E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.»
O próprio autor do Evangelho mostra-nos quem é o discípulo, os discípulos.

Discípulo é aquele, são aqueles, que acreditam que Jesus vem do Pai e enviado pelo Pai.
«…e reconheceram verdadeiramente que Eu vim de ti, e creram que Tu me enviaste.» Jo 17,8

Discípulo é aquele, são aqueles, que amam a Jesus Cristo e guardam os seus Mandamentos, a sua Palavra.
«Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos.» Jo 14,15
«Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele.» Jo 14,21
«Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada.» Jo 14,23


Ora se o autor utiliza o termo discípulo, até por duas vezes, temos de compreender, temos de aceitar, que com isso ele quer significar que por vontade de Jesus Cristo, Maria é nossa Mãe e passa a fazer parte integrante da caminhada do discípulo, passa a fazer parte integrante das nossas vidas, pois todos nós que acreditamos, queremos ser discípulos de Cristo.

Jesus Cristo quis sem dúvida nenhuma dar-nos Maria como Mãe, como testemunho exemplar de fidelidade ao amor, à Palavra, («Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» Lc 1,38), como intercessora poderosa, como já o tinha desvendado nas Bodas de Caná, («Não têm vinho!» Jo 2,3).

É Jesus Cristo quem nos diz,
«Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.» Lc 8,21

Ora quem melhor que Maria, entre os seres humanos criados por Deus, ouviu a Palavra e a pôs em prática?
Quem melhor que Ela, portanto, para nos guiar, para nos ensinar, a sermos verdadeiros irmãos de Jesus Cristo, filhos de Deus?
Quem melhor que Ela para nos dizer permanentemente, («Fazei o que Ele vos disser!» Jo 2,5), para escutarmos a Palavra, A vivermos e Lhe sermos fiéis?

Jesus Cristo ao dar-nos Maria como Mãe, está a dar-nos a Mulher cuja descendência, Ele próprio, esmagará a cabeça do mal, pelo sim que presta à vontade de Deus.
«Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagar-te-á a cabeça e tu tentarás mordê-la no calcanhar.» Gn 3,15

Realmente Maria ao dizer sim à vontade do Pai, gerando Jesus no Seu ventre, colabora de maneira total no plano salvífico de Deus, que enviando o Seu Filho ao mundo, para ser Um como nós, nos vem ensinar que Deus é Pai, que quer a salvação de todos, e que pela Morte e Ressurreição do Seu Filho Jesus Cristo, liberta o homem da lei do pecado, da lei morte, vencendo assim e para sempre todo o mal.

Por isso ao recebermos Maria como Mãe, ao nos unirmos a Ela no amor a Jesus Cristo, na fidelidade à Palavra, somos também protegidos do mal que nada pode contra Ela, como podemos ler, meditar em Ap 12, 1-6; 13-18.

Não sei, francamente, que mais razões serão preciso acrescentar, (para além da Tradição da Igreja no culto à Virgem Maria), que nos levem a abrirmos as portas dos nossos corações à presença de Maria nas nossas vidas, como nossa Mãe Santíssima.
Julgo até que chegava apenas uma razão, e que é a vontade de Deus, pois foi Jesus Cristo quem disse a cada um de nós, «Eis a tua mãe!» Jo 19,27, e foi Ele mesmo quem nos ensinou que, «todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.» Mt 12,50
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

NÃO SOU DIGNO...

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Como poderia eu
Senhor
Desatar as correias das tuas sandálias?
Grande como sou
No meu orgulho,
Como poderia eu abaixar-me
Para te desatar as sandálias?
Importante
Como me julgo ser,
Como poderia eu
Imaginar sequer
Desatar as tuas sandálias?
Pobre de mim,
Que tão cheio
De coisa nenhuma,
Nem sequer percebo
Que não sou digno

De desatar as tuas sandálias...
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

MARIA, NOSSA/MINHA MÃE 3

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Procuramos muitas vezes e em muitos livros respostas para as nossas inquietações, as nossas dúvidas, quando afinal, todas elas nos são respondidas num só Livro, ou melhor no Livro dos Livros, quando O lemos com os olhos do coração, o sentido do amor e no discernimento do Espírito Santo.

Muitas vezes me perguntei e pergunto, nos perguntamos, (tal como digo nos textos anteriores), sobre o “papel” de Maria na História da Salvação, para além obviamente de ser a Mãe de Jesus Cristo, feito Homem.

E afinal a resposta está ali tão clara, no Evangelho de São João, no episódio das Bodas de Caná.

«Ao terceiro dia, celebrava-se uma boda em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda. Como viesse a faltar o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho!»
Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora.» Sua mãe disse aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser!»
Ora, havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos judeus, com capacidade de duas ou três medidas cada uma. Disse-lhes Jesus: «Enchei as vasilhas de água.» Eles encheram-nas até cima. Então ordenou-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa.»
E eles assim fizeram. O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, sem saber de onde era - se bem que o soubessem os serventes que tinham tirado a água; chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho melhor e, depois de terem bebido bem, é que serve o pior. Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!»
Assim, em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos, com o qual manifestou a sua glória, e os discípulos creram nele.» Jo 2,1-11


Maria tinha sido convidada e estava numa festa.
Não uma festa qualquer, mas uma festa de vida, umas bodas, um casamento.
Se há festa maior na vida dos homens, (pelo menos dantes assim era), é a festa do casamento.
Costuma até dizer-se, que o dia mais feliz das nossas vidas é o dia do casamento, logicamente para aqueles que contraíram Matrimónio.
É uma festa que celebra a união e essa união celebra a vida, porque a lógica da união do casamento é a consequente procriação, e o nascimento de novos seres é sempre festa de vida.
Por isso Maria, tendo sido convidada, estava numa festa, numa festa de vida.

A nossa vida deve ser uma festa, mesmo apesar das dificuldades e provações, porque temos Jesus Cristo connosco e Ele fez-se igual a nós, homem como nós, para nos «dar a vida e a vida em abundância». Jo 10,10
Primeira razão portanto, para convidarmos Maria para a festa da nossa vida, para que Ela esteja sempre presente na festa da nossa vida.

Maria estando na festa apercebe-se de que algo vai correr mal.
Aqueles olhos, aquele coração de Mãe atenta aos seus filhos, protegendo-os e ajudando-os, percebem que vai faltar o vinho!
E se falta o vinho na festa, falta a alegria, falta a abundância, (que o vinho significa), e a festa vai ser triste, vai deixar de ser festa.
Maria não vai ter com os noivos para lhes perguntar se precisam que Ela faça alguma coisa.
Não, Maria vai imediatamente ter com Jesus para o informar da falta do vinho, da falta de algo que coloca em causa a festa, a vida, uma informação que se revela um pedido de auxilio, pois Ela sabe no Seu coração que a Ele nada Lhe é impossível.

Ao convidarmos Maria para a festa da nossa vida, temos sempre connosco uma Mãe atenta aos pormenores da nossa vida, uma Mãe que mesmo antes de nos apercebermos das tribulações, das provações da nossa vida, já intercede por nós junto do Seu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor.
Uma Mãe que ao ser convidada para a festa da nossa vida se sente “autorizada” a desde logo, mesmo sem nos dar conta, pedir ao Seu Filho por nós.

Maria sabe que Jesus atende os seus pedidos, porque Ela só pede o que é da vontade do Seu Filho, por isso confiantemente diz aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser». Jo 2,5
Maria confia que Jesus fará o que Lhe pede, mas sabe também que cada um tem que fazer a parte que lhe toca.
Jesus podia dizer apenas aos serventes para servirem o vinho das vasilhas, porque Ele já teria operado o milagre, mas não o faz, pois é preciso que cada um se disponha a fazer a sua parte.
Foi preciso ir encher as vasilhas de água, e muita água, «duas ou três medidas cada uma» Jo 2,6 , significando a abundância que Cristo queria colocar naquela festa da vida, que quer sempre colocar na festa da vida de cada um.

Maria então, depois de interceder junto do Seu Filho pelas nossas dificuldades, coloca-nos na Sua presença, aponta-nos Jesus Cristo e diz a cada um de nós, «Faz o que Ele te disser».
Maria então, para além de nos fazer encontrar com Jesus, adverte-nos desde logo que é preciso fazer algo mais, que é preciso fazer a vontade do Senhor, porque só assim teremos «vida e vida em abundância».

A partir deste momento Maria deixa de estar na narração, embora obviamente Ela continue na festa, atenta a tudo e alegrando-se com os noivos porque a festa foi salva, porque eles fizeram o que o Senhor lhes pediu.

Maria tem então esta sublime missão de interceder por nós junto de Jesus, e de nos levar ao encontro do e com o Seu Filho, dando-nos um último conselho para esse encontro: «Faz o que Ele te disser».
Maria discretamente, humildemente, fica de lado, com certeza em oração contínua por nós, e deixa acontecer o encontro entre os filhos e o Único Mediador entre os homens e o Pai.

Podemos ir directamente a Jesus?
Podemos com certeza, e Ele acolhe-nos do mesmo modo.
Mas Maria prepara-nos para o encontro.
Começa por interceder por nós junto de Seu Filho, envolve-nos no amor, para que cheios de amor, possamos reconhecer o Amor, e ajuda-nos desde logo a percebermos que temos de fazer o que Ele nos pede, a Sua vontade, ensina-nos desde logo a dizer sim, o mesmo sim que Ela disse e transformou a Sua vida.
Aquilo que poderia ser uma tribulação, uma provação, o ser Mãe solteira naqueles tempos, transformou-se pelo seu sim, numa fonte inesgotável de vida para Si e para os outros.

Deixei para o fim de propósito a resposta de Jesus a Sua Mãe:
Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora.» Jo 2,4
Que me perdoem os exegetas da Bíblia, que tantas interpretações fazem sobre esta resposta, e com certeza interpretações certas e correctas, das quais eu não duvido.
Por eles, sabemos ainda de todos os simbolismos da transformação da água em vinho e, logo no início da narração, a menção ao terceiro dia, que somados aos quatro dias anteriores nos apontam o Génesis, e ainda a menção da «minha hora», pois é nessa Hora, (Jo 19,25), que Jesus nos dá Maria como Mãe.

Mas deixem-me então afirmar ou meditar, que foi por intercessão de Maria que Jesus operou o Seu primeiro milagre e logo numa festa de casamento, numa festa de vida, para poder dizer também, que Jesus nos deu um imenso e verdadeiro milagre, contínuo na humanidade, que é Maria Sua Mãe, que por vontade expressa dEle, é também nossa Mãe.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A IGREJA CATÓLICA 2

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Por causa de alguns textos que li recentemente, uns positivos, outros negativos em relação à Igreja, decidi interromper momentaneamente os textos que estou a meditar e escrever sobre Maria, nossa Mãe.

Faço-o porque algo me foi suscitado, porque ao longo de uma noite quase sem dormir me foram surgindo palavras alinhadas, num texto que agora tento passar ao papel.

Eu amo a Igreja profundamente, no e do mais intimo do meu ser, e sei, (e aqui sem qualquer dúvida), que se não fosse a Igreja, a minha conversão, (que nunca está acabada), nem sequer tinha começado.

Eu amo a Igreja profundamente e amo-A como Ela é, constituída por homens e mulheres pecadores, iguais a mim.
E porque assim Ela é constituída é que eu a amo total e absolutamente, porque Ela se aproxima de mim, pecador, fraco, e assim me sinto irmanado com os outros pecadores.

E porque Ela é constituída por pecadores, é que é “local” privilegiado de encontro com Jesus Cristo, porque o Senhor da misericórdia está sempre no meio dos pecadores.

Revejo a cena em que Jesus Cristo funda a Sua Igreja em Pedro e nos Apóstolos e vem ao meu coração a profunda certeza, alimentada pela Fé, de que esta é a Igreja de Jesus Cristo.

Na Sua omnisciência, Jesus Cristo sabia bem e em cada momento, tudo o que a Igreja ia fazer, ia passar e no entanto colocou-lhe o Seu selo, o selo do Espírito Santo.

Sabia que Ela havia de passar por fases de crescimento, de envelhecimento de rejuvenescimento, mas que seria sempre santa e imaculada, porque o pecado que toca os homens, não poderia tocar a Igreja.

Jesus Cristo, enquanto Homem, viveu 30 anos de crescimento, de preparação, de oração, para finalmente cumprir na totalidade a vontade do Pai, entregando-Se por nós e alcançando-nos a vida eterna pela Sua vitória sobre a morte.

30 anos de Jesus Cristo como Homem, a quantos milénios corresponderá na vida da Igreja?

Vemos pela sua história como a Igreja se renovou, se construiu, se corrigiu ao longo destes 2000 anos.

Aquilo que eram as criticas no meu tempo de infância, quando as missas eram em latim, já não têm sentido agora, que as celebramos em português.
A Bíblia, a Palavra de Deus, durante tantos anos afastada da vida dos cristãos é hoje anunciada, é hoje aconselhada, é hoje obrigatória na vida do dia a dia do cristão.

Aquele que era o Papa da transição, segundo dizem os “especialistas”, foi o escolhido pelo Espírito Santo, para encetar a mudança, para renovar a Igreja, para dar ao povo cristão a possibilidade de poder entender na sua simplicidade coisas tão importantes como as orações da celebração maior, a Eucaristia.

Costumamos dizer que o tempo de Deus não é o nosso tempo, no sentido “quantificado” logicamente.
Então, sendo a Igreja de Jesus Cristo o Seu próprio Corpo, porque há-de Ela andar segundo a vontade dos homens e não a vontade de Deus?
Se o Espírito Santo interveio na Igreja tantas vezes, vencendo a vontade dos homens, porque não acreditamos agora que Ele continua a intervir e que o Seu tempo, não é o nosso tempo?

Mas o Espírito Santo intervém servindo-se dos homens.
Ora se os homens não estão em Igreja, na Igreja, como há-de Ele intervir?
E intervém verdadeiramente em cada um, que comungando em Igreja se vai dando, vai falando, vai criticando e mesmo que, por muitas vezes pareça que essa entrega, essas palavras, essas críticas não são ouvidas, quando elas são verdadeiras, quando elas são construção, nunca deixam de semear semente, que dará fruto quando for o seu tempo.

E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Lc 24, 30-32

Ao partir do pão, na fracção do pão, reconheceram-no!
Que momento mais perfeito, que celebração mais celebrada, que oração mais profunda existe para O reconhecermos, do que a Eucaristia!

E onde, e como, e quando acontece e se celebra a Eucaristia, se não em Igreja, na Igreja.

Como posso eu querer reconhecê-Lo, quando tendo conhecimento da Igreja, tendo estado em Igreja, me coloco fora dela?

Diz-nos a Doutrina que a Consagração acontece sempre que um sacerdote ordenado no pleno uso e direito do seu ministério a celebra, independentemente do próprio acreditar ou não naquele Mistério, naquele Sacramento da presença viva de Jesus Cristo no meio de nós.

Ou seja, Cristo está sempre presente na Igreja, independentemente dos homens que a constituem, e assiste-lhes sempre independentemente dos seus pecados, dos seus erros, e não deixa de os perdoar, iluminar e conduzir pelo Espírito Santo, como tem feito ao longo destes 2000 anos e continuará a fazer, pois essa é a Sua promessa.

A Igreja é constituída por homens, mas vai muito para além dos homens!
Como posso eu decidir afastar-me da Igreja, se é em Igreja que eu sou verdadeiro discípulo de Cristo?
Não será um pecado contra o Espírito Santo, não acreditar que Ele assiste a Igreja em todos os momentos?
E se eu acredito que o Espírito Santo assiste a Igreja em todos os momentos, como posso eu não acreditar que a Igreja é una, santa, católica e apostólica?
Como posso eu rezar o Credo, fora da Igreja?
E se os homens, ou melhor, alguns homens da Igreja não se deixam conduzir pelo Espírito Santo, isso significa que o Espírito Santo deixa/deixou de assistir a Igreja?

Se assim fosse, há muito que a Igreja tinha acabado!
Mas Ela não acabou, nem acabará porque o Espírito Santo a assiste independentemente dos homens que a constituem.

Eu amo a Igreja, e é em Igreja e na Igreja que eu reconheço Jesus Cristo na celebração dos Sacramentos, presença viva de Cristo, nas irmãs e irmãos que a constituem, presença viva de Cristo eles também, e nas irmãs e irmãos que mesmo afastados são também presença de Cristo vivo para mim, porque é assim que a Igreja me ensina.

E se a prática da Igreja não reflecte sempre isto mesmo, é porque eu e aqueles que a constituem somos fracos, somos pecadores, e muitas vezes nos afastamos do caminho e não deixamos que o Espírito Santo faça em nós a vontade de Deus.

Mas a Igreja permanece viva, una, santa, católica e apostólica, vencendo o pecado porque: «as portas do abismo nada poderão contra ela.» Mt 16, 18
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terça-feira, 4 de novembro de 2008

MARIA, NOSSA/MINHA MÃE 2

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Quando em oração ia pedindo ao Espírito Santo que me inspirasse o que deveria escrever sobre Maria, como havia de colocar no papel a minha vivência da devoção a Maria, veio ao meu coração este simples pensamento: «Maria é caminho para Cristo».

Fiquei a pensar nesta verdade, tantas vezes esquecida, mesmo por aqueles que se dizem tão devotos de Maria: «Maria é caminho para Cristo».

É Maria, Ela mesma que nos diz quando nos aproximamos, que Cristo é o tudo, é o todo, e que tudo deve ser apenas caminho para Ele.

Tenho para mim, no meu coração, que Maria nunca se deve ter referido a Jesus, falando com outros, como:”O meu Filho”.

E nunca o deve ter feito porque para Ela, o seu Filho ia muito para além dessa filiação, dessa sua entrega, o seu Filho era o Filho de Deus, Jesus Cristo Nosso Senhor e assim sendo, seu Senhor também.

Tudo em Maria aponta para Cristo, numa vivência perfeita da frase de João Baptista: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir» (J0 3,30)

E nós seus devotos, devemos ter sempre isto bem presente no nosso coração, nas nossas atitudes, porque é isto que Ela, a Mãe, quer de nós, ou seja, que através dEla vejamos Cristo, vivamos Cristo, que guardemos no coração (Lc 2, 51), o que dEla nos vem, como forma de melhor chegarmos ao conhecimento de Jesus Cristo.

Porque Cristo é o todo, é o tudo e Maria, (tal como nós), é com Ele também o tudo e o todo, mas só porque Ele o quer assim, mas só porque nEle, em comunhão com Ele, partilhamos o tudo e o todo.

E é isto que Maria quer, que com Ela possamos encontrar o todo e o tudo que Jesus Cristo é.

Maria é Mãe de Jesus Cristo, enquanto Homem, enquanto encarnação de Deus dado aos homens por vontade do Pai, mas Maria sabe em si, no seu coração que Jesus Cristo É, ou seja, que o seu Filho sempre existiu, não teve principio nem tem fim, é verdadeiramente eterno e por isso mesmo Ela é a Serva do Senhor, porque sempre existiu no coração de Jesus Cristo antes mesmo de Jesus Cristo existir no seu coração.

Por isso em Maria tudo é Cristocêntrico, tudo aponta para Cristo e só assim se realiza a vontade de Deus, só assim se realiza a missão de Maria.

Mas muito melhor do que tudo aquilo que eu possa escrever, é a clareza da Doutrina da Igreja Católica tão bem expressa no Capítulo VIII da Constituição Dogmática Lumen Gentium.

66. Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial. E, na verdade, a Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de «Mãe de Deus», e sob a sua protecção se acolhem os fiéis, em todos os perigos e necessidades (191). … Este culto, tal como sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente. Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e recta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe (cfr. Col. 1, 15-16) e no qual «aprouve a Deus que residisse toda a plenitude» (Col. 1,19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos.

67. Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todas os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer dos séculos pelo magistério, e que mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos (192). Aos teólogos e pregadores da palavra de Deus, exorta-os instantemente a evitarem com cuidado, tanto um falso exagero como uma demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus (193). Estudando, sob a orientação do magistério, a Sagrada Escritura, os santos Padres e Doutores, e as liturgias das Igrejas, expliquem como convém
as funções e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo, origem de toda a verdade, santidade e piedade. Evitem com cuidado, nas palavras e atitudes, tudo o que possa induzir em erro acerca da autêntica doutrina da Igreja os irmãos separados ou quaisquer outros. E os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes.

Compreendo eu agora que, antes de continuar este testemunho da minha vivência da devoção à Santíssima Virgem, me/nos devemos colocar na perspectiva certa, correcta, de acordo com a Doutrina da Igreja Católica do modo como devemos honrar, louvar a Mãe do Céu, sem cairmos em exageros que façam dEla aquilo que Ela não é, nem quer ser, mas que também não diminuam aquilo que Ela é, e tem como missão dada por Deus, ser.

Para fazermos a vontade do Seu Filho, que no-la deu como Mãe, (Jo 19, 26-27), para fazermos a sua vontade que apenas pode ser a vontade do Seu Filho.

(continua)
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