sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A CONVERSÃO

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Reparei quando estive naquele programa de televisão agora no dia 9 deste mês, que me foi perguntado, (como inicio de conversa), em relação à minha conversão, se eu tinha visto uma luz ou qualquer outra coisa desse tipo.
A verdade é que muita gente pensa que uma conversão se dá porque a pessoa viu uma luz, ou qualquer coisa assim para o sobrenatural.
Deve estar na nossa imaginação a descrição da conversão de Saulo/Paulo e então julgamos que acontece assim, com uma visão de luz e num momento muito específico.
Mas a verdade é que Deus não anda por aí a “cegar” as pessoas com luzes vindas do “além”, nem a conversão é um momento específico marcado no tempo.
A conversão não vem de fora para dentro, mas acontece sim de dentro para fora.
A conversão tem sim algo de transcendente e que é a resposta de Deus à procura do homem.
E essa resposta de Deus é o dom da Fé a que o homem em conversão responde, aceitando, reconhecendo e vivendo a Fé como uma constante da sua vida, e assim acredita, entrega-se, confia e espera no Deus que vem ao seu encontro para o salvar, confirmando no viver do homem a liberdade em que o criou.
E a conversão não é um momento, mas sim uma vida, um dia a dia, um caminhar, um andar para a frente e às vezes para trás.
A conversão é uma abertura à presença de Deus na nossa vida e à disponibilidade para a mudança que Essa presença implica em nós, no nosso proceder, nas nossas prioridades, no nosso viver do dia a dia.
A conversão não é a mudança daquilo que nós somos como seres humanos, das características especificas de cada um, do feitio de cada um, porque se assim fosse seriamos todos iguais e Deus criou-nos todos diferentes, apenas iguais na dignidade de todos sermos Seus filhos.
A conversão leva-nos a potenciar os talentos que Deus nos deu e a tentarmos controlar as nossas fraquezas os nossos defeitos.
A conversão leva-nos a olhar para os outros como parte importante da nossa vida e a percebermos que sem eles não tem sentido, nem podemos caminhar o caminho da salvação.
A conversão leva-nos a perceber que não podemos sequer dizer que amamos a Deus, se vivemos apenas para nós ou para aqueles de quem gostamos.
A conversão leva-nos também a gostarmos de nós próprios como nós somos, assumindo sem medo os nossos defeitos e as nossas qualidades.
Deus ama-nos como nós somos e não como nós pensamos que Ele gostava que nós fossemos.
Deus ama-nos na nossa vontade de querermos fazer a Sua vontade e a Sua vontade é que «tenhamos vida e a tenhamos em abundância.»
A conversão não nos leva a sermos “santinhos”, mas a procurarmos a santidade no amor e na caridade.
A conversão tem de fazer de nós discípulos de Cristo, testemunhas da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, em todos os momentos da nossa vida, na dor e no bem-estar, na tristeza e na alegria.
A conversão leva-nos a viver a alegria da pertença a Jesus Cristo, que nos veio trazer a «alegria completa», e que não se exprime na gargalhada fácil, mas na paz, na tranquilidade, na serenidade interior, que se exprime exteriormente pela expressão da aceitação das provações, e dos bons momentos, pelo constante louvor e agradecimento por tudo quanto acontece na nossa vida, na certeza de que em tudo Deus está connosco e em tudo Ele nos conduz no caminho certo, mesmo que muitas vezes não percebamos o porquê das coisas.
A conversão é algo que não conseguimos transmitir totalmente por palavras, mas que devemos transmitir com a nossa própria vida, deixando que Deus se sirva de nós para tocar os corações, as vidas, daqueles que ainda não O encontraram, que ainda não O reconheceram.

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A conversão da minha vida teve e continuará a ter diversas fases.
Quando em 2003, como já testemunhei aqui, a vida se abateu sobre mim, esse facto levou-me a uma fase de grande interioridade, de grande procura, de grande descoberta da aceitação da vontade de Deus na minha vida, na certeza de que em tudo, até mesmo no mal, Deus consegue retirar o bem.
Vivi dias de intensa oração, muito mais de louvor e entrega, do que de súplica ou petição, tentando perceber na provação a presença de Deus na minha vida.
Praticamente todas as noites escrevia o que me ia no pensamento, no coração, e abrindo a Bíblia deixava que a Palavra me dissesse, não o que eu queria ouvir, mas o que precisava perceber e viver.
É desse tempo que vou passar para aqui, para este espaço, alguns desses escritos.
São escritos simples, de alguém que dialoga com Deus, que O procura, que O quer encontrar, e não pretendem ser exegese bíblica, e muito menos reflexões teológicas ou profundas da Doutrina, mas sim de uma simples vivência da Fé.
São reflexões pessoais, de abertura à presença de Deus na minha vida, reflexões do dia a dia e das coisas que nos dias vão acontecendo, por isso mesmo onde houver nomes, os mesmo serão omitidos.
Serão apenas alguns escritos escolhidos de todos os desse tempo, e faço-o agora para testemunhar um pouco em resposta àquilo que me foi perguntado, (e tantas vezes a cada um de nós), e escrevo no inicio deste texto, ou seja, se na nossa conversão vimos uma luz ou qualquer outra coisa desse tipo “visionário transcendental”.
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19 comentários:

Sandra Dantas disse...

Amigo Joaquim,
a conversão é realmente algo de todos os dias... Gostei de o ouvir, especialmente quando disse que as pessoas continuam a ter uma vida "normal", mas com outro sentido!
Fico à espera dos escritos!

Abraço amigo, sempre no Mestre!

Canela disse...

Gostei muito de lêr o teu testemunho.

Voltarei mais tranquila e com + tempo!

A Paz de Cristo

Ver para crer disse...

A conversão é uma iluminação, sem dúvida, mas de ordem espiritual.
Para além disso requere a nossa adesão livre. Foi decerto o que fizeste. E o sofrimento nem sempre é mau...

Dennys Reys disse...

Como é bom ver que Deus é presente e fiel em nossas vidas.... Que a graça do Senhor te acompanhe....

Yelva disse...

Palavras inspiradas
que tocam



e s p e r a n ç a

nada se furta ao calor de Deus (é um salmo)


+_ assim







lembra da parábola dos trabalhadores da última hora

ganharam o mesmo que os outros

estar convertido o bastante para fazer a festa? entrar na festa (o irmão mais velho recusou-se) ter a alegria do Pai?

e p e r a n ç a

°Que a graça do Senhor te acompanhe°...

Ecclesiae Dei disse...

Que belo testemunho! realmente disse tudo.
Tem selo para ti lá no blog.
Abraços

Canela disse...

Toda a história de conversão, é uma bela história de amor. O amor de Deus por nós!

:)

joaquim disse...

Sandra, amiga, obrigado pelas tuas palavras.

Hoje mesmo devo começar a colocar os escritos mencionados.

Abraço amigo em Cristo

Alma peregrina disse...

Olá Joaquim!

Gostei muito do seu testemunho... e tem toda a razão: as pessoas estão sempre à espera de grandes milagres espalhafatosos e não compreendem a beleza e a doçura dos milagres individuais que apenas cada um de nós sente no seu coração.

Que bom que Deus prefere de longo que sejamos nós o Seu milagre em vez de andar por aí a desafiar arbitrariamente as leis que Ele próprio instituiu.



Vejo que sou capaz de ter apanhado o Joaquim precisamente quando você anda a rondar o blog. Por isso, lanço-lhe o seguinte desafio:

http://cronicasdeumaperegrinacao.blogspot.com/2009/02/um-desafio-sem-sentido-mas-ta-se.html

Pax Christi!

joaquim disse...

Amiga Canela, obrigado pelos teus dois comentários.

Realmente a conversão é sempre uma prova do amor de Deus por nós.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Caro padre amigo, tem toda a razão e o sofrimento muitas vezes ajuda-nos a ver a nossa vida de outra maneira.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amigo Dennys Reys

Obrigado pela visita e pelas palavras.

Que Deus te abençoe e guarde.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amiga Yelva, sempre a fazer das palavras uma mensagem viva.

Bem hajas!

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amigo João Baptista, obrigado!

Lá irei ao teu espaço assim que tiver um pouco mais de tempo.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amigo Alma Peregrina

Obrigado pelas tuas palavras!

Realmente os milagres de Deus maiores são aqueles que não são visiveis a "olhos nus" pois acontecem dentro de nós, nas nossas vidas.

Irei visitar-te e ver o que então me propões.

Já agora explica-me lá porque me tratas agora por você? Não é por Eu ser mais velho, espero...eheheh

Abraço amigo em Cristo

Alma peregrina disse...

Caro Joaquim:

Bem, eu sempre o tratei por "você", não sei se notou. E, sim, é por ser mais velho que eu :P (que é que hei-de fazer? Foi assim que eu fui educado!!!)

Mas sobretudo, pelo respeito que lhe voto - pelo seu percurso de vida e pela sua fé!

Pax Christi

joaquim disse...

O meu caro amigo Alma Peregrina

Fico sem jeito de te tratar por tu, porque também eu assim fui ensinado.

Muito obrigado pela tua franqueza e amizade, mas não faças de mim o que eu não sou.

Sou um homem em conversão, fraco, muito fraco, ansioso pela graça de Deus que me dá forças.

Abraço amigo em Cristo

C.M. disse...

Ah Joaquim, que pena não me ter avisado! Tê-lo-ia visto e ouvido na TV ora pois...

Um Abraço!

joaquim disse...

Meu caro amigo Cabral Mendes

Só agora reparei neste seu comentário.

Desculpe a minha falta de resposta.

Talvez um dia breve eu consiga colocar aqui um video da dita "entrevista".

Abraço amigo em Cristo