segunda-feira, 12 de outubro de 2009

CAMINHAR EM IGREJA

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No Domingo dia 7 fui incumbido pela minha Comunidade Luz e Vida, de fazer o ensinamento da “Tarde de Louvor”, que celebramos em Albergaria dos Doze, todos os primeiros Domingos de cada mês.

Porque à última hora não foi possível a quem o ia fazer estar presente, foi-me pedido pouco tempo antes, que me preparasse para falar às irmãs e irmãos presentes, vindos de vários pontos do país.

Coloquei-me nas mãos de Deus e pedi ao Espírito Santo que me iluminasse, pois se não fosse Ele a falar em mim, de nada serviriam as palavras que eu dissesse.

Recentemente o nosso Bispo, D. António Marto, escreveu uma lindíssima e sobretudo profunda Carta Pastoral, que intitulou “Ir ao coração da Igreja”, pelo que fui levado a falar sobre a Igreja.

À medida que ia falando sobre a Igreja, sobretudo no sentido de que todos somos Igreja, e que a Igreja não dever ser entendida de forma redutora como sendo só a hierarquia, e muito menos ainda como se de uma instituição humana pura e simples se tratasse, ia vivendo no meu coração o episódio bíblico da cura do paralítico narrada em Lc 5, 17-26.

Deixei-me levar por essa imagem daqueles quatro homens que levavam o paralítico a Jesus e encontrei aí as similitudes com a Igreja.

No fundo a Igreja é, ou melhor, somos todos nós representados naqueles quatro homens e naquele paralítico, embora não se esgote nesta imagem.

Com efeito, movidos pela fé caminhamos para Jesus e com Jesus, levando connosco aqueles que mais precisam, levando connosco aqueles que precisam ter um encontro pessoal com Cristo, para que nesse encontro a sua vida seja tocada e renovada por Ele.

E nessa caminhada enfrentamos obstáculos, muitos e variados, não só para nos chegarmos a Ele, mas também para levar os outros a Ele.

Mas aqueles homens ensinam-nos, porque não desistiram mesmo perante a multidão “de dificuldades”, e abrindo caminhos novos, subindo ao alto, rompendo as barreiras, (tecto), colocaram aquele por quem pediam frente a Jesus.
E ali ficaram, pedindo com certeza, sem desfalecer, porque Lucas nos diz que Jesus «viu a fé daqueles homens», e perante essa fé, perante essa perseverança, tocou a vida daquele que eles traziam.

Quantas vezes nós pedimos e perante as dificuldades logo desistimos!? Quantas vezes os nossos pedidos, as nossas orações são apenas por nós e pelas nossas necessidades!? Quantas vezes nos entregamos à rotina e não descobrimos caminhos novos para viver a fé todos os dias!? Quantas vezes não nos pomos nós de lado, como se nada fosse connosco, como se não fossemos também nós Igreja!?

É que ser Igreja é isto também: ir ao encontro de Cristo, mas não ir sozinho.
É ir em comunidade e levar connosco aqueles que precisam, aqueles que O não conhecem e precisam de O conhecer para que as suas vidas tenham sentido como as nossas têm, de tal modo que não desistimos de acreditar que Ele tudo pode.

É levar connosco aqueles que não conseguem perdoar, aqueles que julgam não poderem ser perdoados, aqueles que estão oprimidos e injustiçados, aqueles que se sentem escorraçados, desprezados, aqueles que estão doentes e precisam de viver a esperança que dá sentido ao próprio sofrimento.

Claro que há aqueles que criticam, que tentam impedir, que dizem que Jesus Cristo não é o Filho de Deus, que dizem que não vale a pena, que afirmam que a Confissão não existe e que nos devemos confessar directamente a Deus e tantas, tantas coisas que são entraves ao caminho.

Mas a esses, unidos em Igreja, com Jesus Cristo no meio de nós, («onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» Mt 18,20), nós respondemos em e com a Igreja que Deus é perdão e que não há nada que o homem faça que Deus não perdoe perante o seu arrependimento, e que Deus faz muito mais do que isso, porque o Seu perdão é sempre acompanhado da paz que leva muitas vezes à cura, para que os homens tenham «vida e a tenham em abundância.» Jo 10,10

Sim aqueles cinco homens representam muito bem a Igreja e o que Ela faz!

Umas vezes somos os quatro que intercedem, outras vezes somos o paralítico que precisa de ajuda, mas sempre, sempre a Igreja em Nome de Jesus Cristo nos administra o perdão, nos leva ao encontro de Cristo, nos leva ao encontro da vida nova que nos é dada na Mesa da Eucaristia, nos transporta á vivência do Deus vivo que se revela nos Sacramentos.

Então aí, perante a evidência da presença de Deus e das graças que derrama em nós, também nós «ficamos estupefactos e glorificamos a Deus dizendo cheios de temor: Hoje vimos maravilhas!» Lc 5,26


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Não foi só isto com certeza que disse, ou melhor que o Espírito Santo disse pela minha voz, nem a Igreja é só isto, mas estas palavras escritas já nos dão sem dúvida muito caminho para reflectir, muito coisa para corrigir, muita oração para orar, muita vida verdadeira para viver, ao encontro de Deus que é e se faz Igreja connosco.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O ORGULHO

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Pois é, Senhor, por muito que nos chames a atenção, que nós entendamos e reflictamos no que nos dizes ao coração, acabamos por cair tantas vezes nos mesmos defeitos.

O orgulho, Senhor!

O orgulho obnubila-nos o pensamento, a razão, e somos então presas fáceis do inimigo que nos quer enganar.

É que o orgulho afasta-nos de Ti, da Tua Palavra, do Teu conselho, pois leva-nos a acreditar que somos capazes sozinhos, que somos melhores do que os outros, que fomos escolhidos por nós próprios, pelas nossas capacidades, para uma determinada missão, como se aquilo que somos, ou temos, não fosse dom de Ti.

Tu, Senhor, não Te afastas de nós, (não o podes fazer porque nos amas e és sempre fiel), mas nós é que fechamos os ouvidos do coração, do pensamento, a Ti, porque eles estão cheios dos nossos ouvidos que só se ouvem a si próprios.

Tu estás ali, sempre, e vais-nos avisando com pequenos pormenores, mas nós, cheios de nós próprios, das nossas certezas, não queremos ouvir, não queremos ver, não queremos perceber, e vamo-nos afundando e mergulhando no nosso orgulho, que se vai rindo de nós e arrastando-nos para o erro e a mentira.

Mas Tu não desistes dos Teus, e vais insistindo, até que num determinado momento uma luz desponta e se faz ver por cima do orgulho, a razão prevalece, e envergonhados percebemos como o orgulho nos cegou.

E voltamos à luta, e aceitamos a lição, e conscientemente sabemos que a luta é diária e que ainda vamos cair mais vezes.

Mas a maior, a mais importante e definitiva certeza, Senhor, é que Tu nos amas com amor eterno, que o Teu perdão é infinitamente maior que o nosso pecado, e que Tu nunca, nunca nos abandonas porque és sempre fiel e não podes deixar de o ser.
«Se formos infiéis, Ele permanecerá fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.» 2 Tm 2,13

Senhor, falo-te no plural, mas a confissão é minha!

Ajuda-me Senhor, para que o orgulho não esmoreça a Fé que me concedeste, não abafe a razão com que me criaste.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

OS CRISTÃOS E AS ELEIÇÕES

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Falta menos de uma semana para irmos a votos no nosso Portugal.

Escrevo então, o mais humildemente que me é possível, para os cristãos deste nosso país que porventura me leiam.

Por vezes esquecemo-nos que ser cristão representa não só a adesão a Cristo, mas também por força disso mesmo, a missão de levarmos Cristo aos outros e os outros a Cristo, de lutarmos por um mundo mais fraterno, que viva do amor e no amor que Jesus Cristo nos veio revelar e que é e tem de ser sempre a matriz do nosso viver, do nosso pensar, do nosso agir cristão.

E um dos direitos de que todos os homens são detentores, (ou deveriam ser), é o de concorrerem pelo exercício da sua liberdade, na escolha daquelas e daqueles que devem governar as nações.

Mas para nós cristãos este não é só um direito, mas também um dever, porque se o somos verdadeiramente, devemos viver neste mundo e ajudar a transformá-lo, a conformá-lo à vontade de Deus, porque acreditamos que só a vontade de Deus é o melhor para o Homem, qualquer Homem.

Esquecemo-nos muitas vezes dos pecados por omissão e omissão é com certeza não nos empenharmos na construção de um mundo mais fraterno e harmonioso, que como nós sabemos e acreditamos, tem de ser edificado segundo a Palavra de Deus, que é Deus de todos e não só de alguns.

E devemos exercer esse direito e dever livremente, sem impor nada a ninguém, mas não deixando de dar testemunho daquilo em que acreditamos, para que outros possam tomar conhecimento e acreditar no Deus que nos criou.

Poderemos pensar e até dizer que o temos feito, mas isso não é verdade, pois basta ver o resultado do referendo ao aborto para percebermos que muitos cristãos pensaram que não era nada com eles, ou então ingenuamente julgaram que Deus faria aquilo que eles não se predispuseram a fazer.

Ou então, ainda, eram cristãos só de “apelido” e não conheciam verdadeiramente a Palavra de Jesus Cristo, pelo que, em vez de se conformarem com a Palavra, quiseram conformar a Palavra com aquilo que era sua vontade, quiseram que a Palavra fosse para servir os seus interesses.

E temos muito em que pensar, ou até talvez não!

Com efeito andam para aí uns partidos que arrogando-se de defenderem os “fracos e oprimidos” pareceria que defendiam aquilo que Jesus Cristo nos veio ensinar, mas nada mais falso, porque a coberto dessa capa têm escondido o ataque mais insidioso à célula mais importante da sociedade que é a família, para além de muitas outras coisas.

E não se coíbem de citar pessoas da Igreja com um despudor inadmissível, para servir os seus propósitos, interpretando a seu belo prazer aquilo que homens da Igreja disseram.

Chegam ao cúmulo de afirmar que têm padres nas suas fileiras, padres esses que tendo-se separado da Igreja continuam no entanto a usar esse “título”, porque se assim não fizessem, ninguém os ouviria.

E quando dizemos que a Igreja deveria ser bem mais clara, aconselhando os cristãos e chamando-lhes a atenção para a falta de valores cristãos da maior parte desses programas de “governo”, ainda pretendem citar Jesus Cristo dizendo: «A César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Mas então interpretemos literalmente como eles pretendem a Palavra, e logo reparamos que a Deus não interessam as “moedas de César” e que são de César, a Deus interessa a vida que é de Deus e que eles desde logo negam a partir da sua concepção.

Não nos deixemos enganar, porque esta suposta defesa dos direitos do homem, não passa de uma arrogância sem limites que afinal atenta contra o próprio homem, atenta contra a dignidade do homem, atenta contra a vida do homem.

Hoje, já bastante às claras, o ataque à Igreja e aos cristãos é visível em todo o lado, mas ainda é pouco, pois a sua vontade é destruir tudo o que vem de Deus, para que alguns homens possam dominar o homem.

Então pergunto eu, seremos nós cristãos que lhes daremos o poder, para que eles nos possam destruir?

Temos dúvidas?

Não sabemos se este ou aquele partido serve aquilo em que acreditamos, se é conforme ao que de mais profundo queremos viver nas nossas vidas, se é um partido que quer servir o homem enquanto filhos de Deus?

É muito simples a solução:
A Bíblia numa mão, o Catecismo na outra, para lermos e vivermos no Espírito Santo e não no nosso fraco espírito, no coração a fé, a confiança que nos anima, juntamente com a coragem que nos vem pela graça de Deus, e vamos lá colocar a cruzinha naqueles que defendem os valores da vida e do amor, para que não venha depois uma cruz bem maior sobre os nossos ombros e sobre as nossas consciências.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

OLHO PARA DENTRO DE MIM

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Olho para dentro de mim,
tomo o peso do meu coração,
meço a paz que está no meu ser,
verifico se a vida que vivo,
é vida em abundância,
e descanso no Senhor.
Se o coração está pesado,
faço um exame profundo,
pois fico preocupado.
É que o amor não pesa,
e se o peso é demasiado,
então é porque me pesa o mundo,
muito mais que o meu Senhor,
que é no tudo e no todo,
“apenas” e só amor.
É que o amor dá-nos asas,
para voarmos com os pés no chão,
mas o mundo, só pelo mundo,
prende-nos, amarra-nos,
pesa-nos no coração,
e não nos deixa voar,
ao encontro do amor.
Por isso,
meu Deus e Senhor,
entrego-me todo a Ti,
para que o mundo que vivo,
seja leve como o vento,
tão leve que a minha vida,
nas tristezas e alegrias,
seja vida em abundância,
vivida no Teu amor.

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sábado, 5 de setembro de 2009

EFFATHÁ!

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Effathá!
Dizes-nos Tu Senhor,
permanentemente,
e nós continuamos calados,
sem falarmos do Teu amor a toda a gente.
Effathá!
Dizes-nos Tu Senhor,
permanentemente,
e nós continuamos surdos,
sem queremos ouvir a Tua voz.
Effathá!
Dizes-nos Tu Senhor,
permanentemente,
e nós continuamos de coração fechado,
sem deixarmos que habites em nós.
Effathá!
Dizes-nos Tu Senhor,
permanentemente,
e nós continuamos de mente fechada,
tentando controlar a fé,
com a razão.
Effathá!
Dizes-nos Tu Senhor,
permanentemente,
e nós continuamos ausentes,
longe da Tua Palavra,
longe da oração.
Effathá!
Dizes-nos Tu Senhor,
permanentemente,
e nós continuamos de braços fechados,
sem acolher o nosso irmão.
Mas Tu Senhor não desistas,
de abrir as nossas bocas,
de abrir os nossos ouvidos,
de abrir os nossos corações,
de abrir as nossas mentes,
de abrir os nossos braços.
Que em cada hora e minuto,
Do tempo que a Tua vida nos dá,
nós possamos sempre ouvir,
a voz do teu amor,
que nos diz permanentemente,
Effathá!
Effathá!
Effathá!

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 17

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Terça feira, 30 de Dezembro de 2003

Obrigado Senhor por mais este dia e por tudo quanto nele me deste.

Obrigado Senhor por todos estes dias, por todo este ano que agora finda.
Obrigado Senhor por tudo quanto neste ano me deste: as alegrias e as tristezas que permitiste em mim, tudo o que correu bem e tudo quanto foram provações, contrariedades, adversidades, dores e sofrimentos.
Obrigado Senhor!

Obrigado Senhor porque me quiseste ensinar aquilo que verdadeiramente sou: nada, sem Ti, não sou nada!

Permitiste que eu ficasse sem tantas coisas de que eu tanto gostava, para me dizeres que só Tu me bastas.

Permitiste que fosse humilhado, sobretudo perante aqueles de quem eu pensava ser superior, para me mostrares que todos somos iguais e que eu sou tão fraco e pobre como os mais fracos e pobres, pois só em Ti posso encontrar força e riqueza.

Permitiste que me angustiasse, que quase me revoltasse, para me dizeres que só em Ti devo depositar a minha confiança, a minha esperança.

Permitiste que tivesse de depender de outros, para me mostrares que sozinho nada sou, e que aquilo que são certezas do mundo, são coisas frágeis e perecíveis, pois só as coisas do Céu são eternas.

Permitiste que tivesse de sair da minha casa, da minha terra, para me mostrares que aquilo que eu achava meu por direito próprio, nada mais era que graça da Tua bondade, pois tudo Te pertence e só por graça o colocas nas nossas mãos.

Permitiste momentos de aridez, de secura, e permitiste momentos de oração íntima, de paz interior, de elevação da alma.

Permitiste as minhas fraquezas, mas deste-me sempre forças para as superar.

Permitiste dores e sofrimentos, mas deste-me sempre meios para os enfrentar.

Permitiste que por vezes me afastasse de Ti, mas correste sempre ao meu encontro e abriste-me sempre os Teus braços.

Permitiste o orgulho e a vaidade em mim, mas mostraste-me sempre o caminho da humildade.

Obrigado Senhor pelo Teu amor, pelo Teu carinho, pela Tua ternura, pela Tua paz, pelo Teu perdão, pela Tua misericórdia, pela Tua piedade, pela Tua compaixão, pela Tua fidelidade, pelos Teus braços abertos para mim.

Obrigado pela fé, pela perseverança, pela fortaleza. Pela oração, pelo louvor, pela adoração, pela Palavra, pela exortação, pela Comunhão, pela Confissão, pela libertação.

Obrigado Senhor, porque apesar de fraco, pobre e por vezes desiludido e angustiado, nunca deixaste de querer confiar em mim.

Obrigado Senhor, porque apesar de nada valer, quiseste precisar de mim, quiseste servir-te de mim.

Obrigado Senhor, porque apesar de casmurro e teimoso, quiseste fazer de mim um homem mais cordato e conciliador.

Obrigado Senhor, porque apesar de eu nada Te ter dado, Tu a mim me deste tudo.

Obrigado Senhor, porque apesar do meu coração duro, fizeste mais forte em mim o amor por Tua Mãe.

Obrigado Senhor, porque eu sou Teu, porque eu Te pertenço, porque tudo o que tenho e sou, é Teu para sempre.

Ajuda-me e ensina-me Senhor, a viver sempre e cada vez mais para Ti, por Ti e em Ti.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 16

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Sábado, 20 de Dezembro de 2003

Obrigado Senhor por este dia e por tudo quanto nele me deste.
Cada vez mais Senhor, percebo que sozinho nada sou, que só contigo posso esperar ser alguma coisa útil aos outros e a mim próprio.

Aproxima-se o Natal e parece que cada vez tenho menos tempo para falar contigo, escrevendo estas coisas que me vêm ao coração.

Queria um Natal diferente, um Natal Teu, verdadeiramente Teu.

Queria pertencer ao teu Presépio, estar com os pastores em adoração, estar assim nu de todo o mundo, nu de todas as coisas que me preocupam, vazio de todos os orgulhos, vaidades, ciúmes, liberto dos maus pensamentos.
Queria Senhor estar limpo, nu de tudo, para Te receber no meu coração, para Te receber na minha vida.

Receber-Te a Ti, Menino Jesus, fazendo-me menino também, puro e simples, num amor sem acessórios, numa entrega sem reticências.

Queria Jesus, que nascesses no meu coração, verdadeiramente fizesses morada no meu coração, na minha vida, e que me ajudasses e ensinasses a receber-Te, a viver-Te, a comungar-Te, a seguir-Te, a agradar-Te, a servir-Te, a sofrer contigo, a encontrar em Ti toda a razão da minha existência, fazendo do Teu anúncio a primeira razão do meu viver.

Queria estar ali, naquele momento, como o mais humilde pastor, prostrado, sem ousar levantar os olhos para Ti, mas sentindo a Tua presença no mundo, na minha vida, e nunca, nunca mais me apartar de Ti.

Queria olhar para Ti Jesus, para Tua Mãe e para José e cantar de alegria:
«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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terça-feira, 18 de agosto de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 15

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Quarta feira, 17 de Dezembro de 2003

Obrigado Senhor por este dia, por todas as graças que me deste, pela oração da noite e pelo amor e paz que me fizeste sentir.

Perdoa-me Senhor, porque mais uma vez me deixei levar pela inveja e pelo ciúme.
Deixei que o meu coração, a minha mente se perturbasse e fizesse criticas e julgamentos aos meus irmãos em Ti, Senhor.
Eu não quero ser assim, Senhor, mas tantas vezes não consigo!
Ajuda-me Senhor, porque só Tu podes vencer em mim estes terríveis defeitos, que me envenenam o coração, que me envenenam a mente, que me envenenam a vida.

Senhor, quero ser humilde, tudo suportar e tudo calar, deixar que sejas Tu, pela voz dos outros a solicitar-me para o que de mim precisares e não deixar que o meu coração se inquiete por ver outros fazerem coisas que eu gostaria de fazer, de julgar que dão mais atenção a outros do que a mim, ou de fazer juízos em que me julgo superior aos outros.
Quero calar-me e tudo aceitar, se for essa a Tua vontade.

Assim, Senhor, a partir de hoje, ajuda-me a não deixar que o meu coração se perturbe e que eu não queira fazer mais do que aquilo que me pedes pela voz de outros, a não me sentir ofendido nem diminuído se não for chamado para nada.
Que eu possa sentir no meu coração que és Tu, Senhor, que permites que assim seja para que eu aprenda a humildade e o serviço a Deus e nos/aos outros.

Ajuda-me Mãe, modelo de humildade e serviço, a viver para o Teu Filho, conforme a vontade do Pai, guiado pelo Espírito Santo.
Dá-me a mão Mãe e guia-me a vida.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 14

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Quarta feira, 26 de Novembro de 2003

Obrigado Senhor por este dia e os dois dias anteriores. Obrigado Senhor pelas horas difíceis de Segunda feira e porque estiveste comigo e me deste força.
Obrigado Senhor, por continuares a derramar o dom da fé na minha vida.

Que seria de mim sem Ti, Senhor? Como poderia eu passar horas tão amargas, tão difíceis, se Tu, Senhor, não estivesses comigo?
Obrigado Senhor pelo Teu amor.

Reconheço que sem Ti nada sou, e que todo o orgulho e vaidade do ter, querer e poder, para nada servem quando as provações, as contrariedades, as adversidades nos batem à porta.
Só contigo, Senhor, se podem atravessar “vales tenebrosos”, pois só em Ti podemos confiar e esperar.

Pobre e fraco que sou, demoro muito tempo a aprender que só em Ti devo esperar e confiar, mas peço-Te Senhor, não desistas de mim, não desistas de mudar o meu coração, a minha cabeça, porque eu quero ser Teu, Senhor.

Abandono-me aTi e com medo, mas confiante, peço-Te Senhor, a Ti que me conheces, se o meu coração ainda não percebeu, se a minha vida ainda não mudou, continua Senhor a provar-me até que tudo em mim clame por Ti, até que tudo em mim Te pertença e eu esteja todo entregue a Ti.

Mãe, minha querida Mãe, ajuda-me, ensina-me a dizer sim, como tu disseste sim, porque acreditaste que do Pai só vem o melhor para nós.
Mãe, minha Mãe do Céu, ensina-me a humildade e o silêncio que levam à santidade.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 13

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Terça feira, 4 de Novembro de 2003


Obrigado Senhor por mais este dia e por todas as graças que durante ele derramaste em mim.
Não sei Senhor quais foram, provavelmente nem as senti, mas creio Senhor que nunca abandonas os Teus e por isso estás sempre a derramar o Teu amor em cada um de nós.
Concedeste-me, com certeza, a grande graça de afastares de mim o mal e me dares forças para resistir a muitas tentações.
Glória a Ti, Senhor.

«Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração» Rm 12,12
Obrigado Senhor por esta Palavra, por este conselho, por esta advertência.
Tantas vezes que me deixo levar pela “desesperança” e tantas vezes, mesmo esperando, me deixo arrastar pela tristeza, como se realmente nada esperasse.
Senhor eu creio em Ti, creio que estás sempre comigo e creio que só fazes ou permites o que é melhor para mim, por isso tenho de esperar em Ti, e esperar alegremente. Dá-me Senhor da Tua alegria.

Tantas vezes que reclamo das tribulações, das adversidades, das provações, e afinal, Senhor, também são caminhos para encontrar a humildade, para encontrar-Te e perceber que sem Ti nada posso.
Dá-me Senhor, o dom da paciência, para que possa viver as tribulações pacientemente esperando em Ti.

Tantas vezes oro, e me canso de orar, como se houvesse um espaço de tempo para me responderes e que no fim desse tempo eu já nada deveria esperar.
Às vezes é tão difícil, Senhor, perseverar.
Estou a orar correctamente? Estou a fazer o que Deus quer?
Se essas perguntas se me põe é porque estou a pensar em mim e não me estou a abandonar a Ti, para que seja o Teu Espírito Santo a orar em mim.
Dá-me o dom da perseverança, para que a minha vida seja oração, que me leve à paciência na tribulação e à alegria na esperança.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 12

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Segunda feira, 3 de Novembro de 2003

Obrigado Senhor por mais este dia, pelo fim de semana, pela tarde de louvor no Domingo, e por tudo quanto fizeste na minha vida.
Obrigado Senhor por me mostrares como sou fraco e com que facilidade caio no pecado, com que facilidade quebro os meus compromissos para contigo. Perdoa-me Senhor e sobretudo dá-me forças para não pecar.
Obrigado Senhor por me mostrares o meu erro. Afinal o meu compromisso para contigo, vivia-o mais por orgulho e vaidade, para ser “apontado” e “admirado”, do que para Te agradar, para fazer a Tua vontade. Afinal estava mais preocupado com o que conseguia fazer, do que com o que eu Te deixava fazer em mim.
Por isso era fácil cair, faltar ao compromisso: afinal estava a pensar em mim próprio e pior do que isso, estava a orgulhar-me, a envaidecer-me de algo que tinhas colocado no meu coração e eu me estava a servir para “minha glória”.

Perdoa-me Senhor, reconheço o meu erro, os meus erros.
Quero recomeçar o meu compromisso, mas entregue a Ti, para Te agradar, para não Te ofender mais, que já foste tão ofendido.
Peço-Te Senhor, que quando estiver para cair, para quebrar o compromisso, ou para pecar, me mostres o Teu sofrimento e que eu possa sentir que sou a causa dessa dor, desse sofrimento. Que eu possa sentir que Te estou a “magoar” e a “crucificar” mais uma vez.

Quero Senhor agora caminhar na santidade, na humildade do meu íntimo, deixando que sejas Tu a fazer em mim, porque só assim poderei vencer as tentações e resistir ao pecado e à morte que ele traz consigo.
Glória a Ti Senhor, para sempre.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 11

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Quarta feira, 29 de Outubro de 2003


Obrigado Senhor por este dia, por esta noite de Missa e adoração ao Santíssimo Sacramento.
É bom Senhor estar contigo, assim “mais perto”, e sentir a Tua graça, sentir que me conduzes, que me guias, embora eu muitas vezes não me deixe conduzir nem guiar e também muitas vezes me orgulhe de mim, quando afinal és Tu que tudo fazes em mim. Obrigado Senhor e perdoa-me pela minha fraqueza.

Obrigado Senhor pela palavra que hoje me quiseste dar no livro de Santo Afonso Maria de Ligório: “A oração deve fazer-se para dar gosto a Deus, isto é, para conhecer o que Deus quer de nós e pedir-lhe o Seu auxílio para o praticar”.

Com efeito na minha oração, passo a maior parte das vezes à procura de consolação para mim, de respostas para mim, de coisas para mim, quando deveria orar para Te agradar Senhor, porque quero estar contigo, porque quero viver contigo, porque quero gozar da Tua companhia, do Teu amor e não obter algo para mim que não seja a alegria de saber que cumpro a Tua vontade.

Sou tão interesseiro Senhor! Perdoa-me e ensina-me a estar contigo apenas para Te agradar, para Te consolar, para Te louvar, para Te amar, para Te adorar.
Que não haja em mim interesses de obter algo de Ti, porque eu possa julgar que Te estou a dar alguma coisa.
Tudo Te pertence e eu nada Te posso dar a não ser aquilo que Te é devido, o meu amor e a vida que Tu criaste em mim.

Como Job, também Te quero dizer que, “Deus mo deu, Deus mo tirou”, e que tudo Te pertence e de nada eu posso dispor se não for para cumprir a Tua vontade e servir-Te, servindo os irmãos.
Obrigado Senhor.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

CARTA A UMA AMIGA QUE SOFRE

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«Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja.» Cl 1, 24

Jesus Cristo, Senhor da vida, escolheu um caminho de sacrifício e de total entrega da Sua vida para nos salvar.
Poderia ter escolhido outro caminho?
Com certeza que sim, mas quis mostrar-nos que tudo o que constitui a vida do homem é caminho de salvação, se o homem quiser viver cada momento da sua vida em comunhão com Cristo.
É fácil vivermos com Cristo nos momentos bons, em que tudo está bem.
Difícil mesmo é viver em Cristo e com Cristo os momentos de dor, de sofrimento, que são tantas vezes para nós inexplicáveis.
São Paulo mostra-nos assim um modo de viver esses momentos, não só em Cristo, com Cristo e para Cristo, mas também, que ao vivermos assim esses sofrimentos, próprios da vida humana, também podemos “completar”, colaborar na obra salvífica de Jesus Cristo Nosso Senhor.
Mostra-nos que pela aceitação dos nossos sofrimentos, unidos a Jesus na Sua Cruz, também essa nossa entrega pode ser e é, intercessão firme, bondade e caridade para com os outros, e que na misericórdia de Deus se transforma em derramamento de graças sobre aqueles que mais precisam.

Minha doce amiga que sofres.

A tua entrega, a tua aceitação, o teu silêncio perante a tua própria dor, é assim, como São Paulo nos diz, «completar na tua carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja.»
Como podemos nós saber o que Deus está a fazer com o teu sofrimento, ou melhor, com a tua entrega, com a tua aceitação das tuas dores?
Aqui, ao pé de ti, ou longe em África, na Ásia, nas missões, quantas graças o Senhor está a derramar sobre tantos que tanto necessitam?
Com esta tua entrega, com esta tua aceitação, quantos que não rezavam, rezam agora com empenho dedicado e o Espírito Santo vai actuando neles por força da sua entrega também em oração?
Quantos que não pensavam em Deus, o fazem agora, mesmo questionando, mesmo duvidando, mas não deixando de procurar a Verdade?
E sabes, minha doce amiga, quem procura, encontra:
«Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á.» Lc 11, 9-10
Já to disse uma vez, ou talvez mais, que Deus na Sua infinita sabedoria “escolhe” uns quantos a quem “dá” forças que vão para além do nosso entendimento.
São aqueles, como também já te disse, que são feitos do “barro dos santos”.
E tu és assim, a fé inexpugnável, a entrega sem esperar recompensa, a aceitação porque para ti, é vontade de Deus, a dádiva da tua vida pelos outros.
Sim, é verdade, conheço-te e sei que não o fazes por ti, mas por aqueles que ainda não encontraram o Senhor que tu já encontraste, e que é para ti a Verdade, que é para ti o Caminho, que é para ti a Vida.
E não O trocas por nada.
Porque se alguém te viesse dizer que ficarias curada mas tinhas de deixar Jesus, tu nem hesitarias em responder que isso não te interessava, porque sem Ele não tinhas vida.
“Invejo-te”, minha doce amiga, nessa tua entrega, nessa fé que te faz viver e lutar.
És para mim ensinamento constante de que a vida, seja ela qual for, deve sempre ser vivida em Jesus Nosso Senhor.
Quer Ele que nós soframos?
Não, com certeza que não, pois Ele veio «para que tenham vida e a tenham em abundância.» Jo 10-10
Mas há uns que Ele escolheu para que «completassem na sua carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja», porque para esses o sofrimento reveste-se de entrega na aceitação da sua própria cruz e assim a sua alegria é completa, porque se transforma em bênção de Deus para os outros.

Deus tem-te ao Seu colo e enche-te de amor, do Seu amor.
Olha para ti com ternura, aquela mesma que Ele teve quando naquela Última Ceia disse aos Seus Apóstolos: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo» Mt 26,26
E tu, minha doce amiga, comungas do Corpo de Cristo, na Eucaristia e na Cruz.

Mas é tempo de vida, é tempo de viveres e lutares com sempre lutaste pela vida que o Senhor te deu.
E ainda há tanto por fazer!
Ainda há tantos homens que não ouviram, que não conhecem a Palavra de Deus, que é o próprio Deus!

Por isso pego-te na mão, ajoelho-me ao lado da tua cama e rezo contigo:

Obrigado Senhor
pela vida que me dás, com tudo o que ela tem.
Dá-me mais tempo, Senhor, para falar às minhas irmãs e aos meus irmãos do Teu amor, de como Tu estás vivo no meio de nós, mas Senhor, como sempre, que seja feita a Tua vontade e não a minha.
Ámen.

Que o Senhor te abençoe, te guarde e proteja, minha doce amiga, para que todos juntos contigo, estas e estes que rezamos por ti, num dia que vem breve, possamos dar graças pelo dom da tua vida.

Abraço-te com alegria, a alegria que vem de Deus, em Cristo Nosso Senhor
Joaquim
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quarta-feira, 15 de julho de 2009

TENHO O CORAÇÃO NAS MÃOS

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Senhor,
Tenho o coração nas mãos!
Sofre porque se sente impotente
para aliviar o sofrimento
daquela que sofre,
e de tanta outra gente.
Eu rezo, Senhor,
Tu sabes que eu rezo,
mas no meu coração
persiste a dor
de me saber tão fraco
para tão grande missão.
Tu ouves-me, Senhor?
Eu sei que me ouves,
a todos e cada um.
Mas Senhor,
a tentação é tanta,
de Te pedir sinais visíveis,
no alívio do sofrimento.
Eu sei, Senhor,
eu sei que Tu já nos deste
o Teu sinal maior,
a Tua Ressurreição,
promessa de vida em Ti,
certeza de Salvação.
Mas que queres Senhor,
vivemos neste mundo,
agarrados a um nada de vida,
porque a verdadeira vida,
só nos virá depois,
desta peregrinação.
Mas agarramo-nos a ela,
e queremos agarrar também
todos os que nos são queridos,
não os queremos ver partir.
Senhor,
tenho o coração nas mãos!
Confio,
e tenho medo!
Espero,
mas também duvido!
Aceito,
mas também me revolto!
Por um momento,
Senhor,
pára o sofrimento,
dela frágil,
e de todos os que sofrem.
Leva-os a contemplarem
o porquê de tanta dor,
porque ao perceberem
que do mal Tu fazes bem,
o sofrimento far-se-á vontade,
e a dor será amor.
Senhor,
tenho o coração nas mãos!
Ouve então o meu lamento,
que suba ao Teu Coração,
cadinho de sofrimento.
Depois olha por ela,
pelos outros também,
e alivia toda a dor,
com o Teu imenso amor.

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

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Fecho os olhos e deixo que me conduzas.
Ao princípio cada passo é uma decisão, um medo de tropeçar e cair, um medo de me magoar, mas dou-Te a mão e confio.
Acredito que não me deixas cair.
Depois os passos vão-se tornando mais firmes, mais decididos, mais confiantes, porque então já não só acredito mas tenho como verdade, que Tu não me deixas cair.
Torno-me mais afoito, há momentos em que já corro, há momentos em que até perco o bom senso e já me atiro para a frente como se não houvesse pedras de tropeço, buracos onde cair.
Mas ainda Te dou a mão e Tu, com todo o Teu amor, vais-me chamando a atenção, vais-me pedindo calma, vais-me dizendo para me agarrar ao Teu tempo e não querer "fazer" o meu.
Mas eu acho que já sou capaz, porque estou tão certo das certezas que Tu me deste, que elas já me parecem minhas, e assim até me parece que o estar de mão dada conTigo me impede de caminhar, de correr, da fazer tudo aquilo que eu já penso conseguir fazer sozinho.
E Tu cheio de paciência vais-me dizendo com amor, que sozinho não sou capaz, que o caminho só tem sentido, verdade e vida, se for vivido conTigo, segundo a Tua vontade.
Mas aí eu já não Te ouço, tão cheio estou das minhas capacidades, que até começa a parecer que o aluno quer ultrapassar o Mestre.
E esbracejo e corro, atiro-me para a frente, e até parece ao princípio que afinal tinha razão pois tudo corre tão bem.
Mas de repente, a pedra de tropeço, o buraco fundo e intransponível, onde caio e não me consigo levantar!
Olho para Ti, estendo-Te a mão e digo:
Levanta-me Senhor, que me afundo em mim!
E a Tua mão logo surge, agarra a minha com força, tira-me do abismo em que caí e olhando-me nos olhos, dizes-me cheio de amor:
Eu não te disse meu filho que sem Mim, não há caminho. Eu não te disse meu filho, que não podes viver em Meu Nome, se não me quiseres ao teu lado.
É que sabes, meu filho, tu tens olhos para ver, ouvidos para ouvir, boca para falar, mente para pensar, coração para amar, mas se não viveres na e da minha luz de nada te serve caminhar.
Por isso Eu te disse sempre e continuo a dizer: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.»
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sexta-feira, 26 de junho de 2009

COMO DEUS NOS FALA!

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Estive no Sábado passado em mais um almoço de ex-combatentes da Guiné.

Nestes encontros vivem-se sempre momentos de emoção profunda, motivados pelos reencontros com aqueles que connosco viveram situações tão difíceis, e porque se relembram histórias em que as nossas vidas estiveram em perigo real e verdadeiro.

A fé que agora vivo, (naquele tempo vivia afastado de Deus e da Igreja), leva-me sempre a tentar tirar de tudo o que eu faço, de tudo o que eu vivo, um ensinamento, uma mensagem, que Deus sempre tem para aqueles que o escutam de coração aberto e confiante.

E meditei num paralelismo de situações, entre a vivência daqueles anos de guerra e a nossa caminhada de cristãos, atendidas claro está as diferenças, pois a vida de um cristão não é uma guerra contra ninguém, mas uma batalha contra tudo aquilo que o quer afastar do Caminho, da Verdade, da Vida.

E uma das primeiras coisas que logo me apercebi não foi uma semelhança, mas uma diferença.

Quando partimos para uma guerra como esta, longe da pátria e da família, um dos nossos principais pensamentos vai para o tempo que ainda falta cumprir, e vão-se contando os dias que ainda precisamos viver naquela vida para finalmente regressarmos a casa, que é para nós naquela situação, lugar de paz, de alegria, de harmonia, de felicidade.

Diferentemente na nossa vida de cristãos, também contamos os anos, mas esperando sempre que a partida desta vida seja sempre o mais tarde possível.

Mas não é verdade que Jesus Cristo nos prometeu a vida eterna, no gozo eterno da presença de Deus, finda esta vida terrena?
Então não deveríamos nós lutar, perseverar no caminho da vontade de Deus, afastando o mal das nossas vidas, (tal como na guerra fazemos para não perecermos), e então contarmos os dias e os anos que nos faltam para encontrarmos a Casa do Pai onde encontraremos finalmente a paz, a alegria, a harmonia, a verdadeira felicidade?

Na guerra procuramos ansiosamente chegar ao fim do tempo para podermos encontrar um sonho de paz e felicidade.
Na vida de cristãos procuramos retardar o mais possível o fim das nossas vidas, o que não tem sentido, visto que esse fim nos levará ao encontro com a realidade da promessa de Deus, que é o gozo eterno na Sua presença.

Na guerra procuramos salvar as nossas vidas para as vivermos neste mundo. Como cristãos devemos procurar perder as nossas vidas deste mundo, para as podermos viver na eternidade com Deus.

Na guerra há certos ferimentos, certas doenças que nos trazem de volta a casa, o que por vezes até agradecemos.
Nas nossas vidas de cristãos não queremos aceitar as provações, as doenças, que são muitas vezes motivo para mudança das nossas vidas, mudança essa que nos leva ao caminho para a Casa do Pai.

Na guerra unimo-nos e ajudamo-nos uns aos outros, defendemo-nos em conjunto dos ataques do inimigo, partilhamos alegrias e tristezas e até os poucos bens que possamos ter ou nos vêm da casa dos pais.
Na nossa vida de cristãos tantas vezes nos centramos no nosso egoísmo, e em vez de nos unirmos, dividimo-nos em querelas sem sentido, em vez de ajudarmos os outros, fechamo-nos na indiferença, em vez de lutarmos juntos em Igreja contra o inimigo, dividimo-nos em grupos e atitudes, em vez de partilharmos as nossas emoções, os nossos sentires e os nossos bens materiais, vivemo-los apenas para nós, em vez de colocarmos ao serviço os bens, (dons), que o Senhor nos dá, guardamo-los connosco e assim acabamos por os perder.

Na guerra estamos sempre vigilantes para não cairmos nas emboscadas e nos podermos defender.
Na nossa vida de cristãos vivemos tantas vezes distraídos, deixando que o inimigo se aproxime e nos faça cair.

Na guerra saímos em patrulhamentos para afastarmos o inimigo dos nossos quartéis.
Na nossa vida de cristãos deixamo-nos estar sentados sem nada fazer e muitas vezes até trazemos o inimigo para dentro das nossas casas, nas coisas que lemos, que vemos, que fazemos.

O que interessa verdadeiramente é procurar em tudo a mão de Deus, é tentar ver em tudo a presença de Deus, é discernir em tudo, o que o Senhor a todo o momento nos quer dizer.
Dizemos tantas vezes que Deus não fala connosco, quando verdadeiramente cada momento das nossas vidas é um diálogo com Deus, se O quisermos escutar, se O quisermos seguir, se a Ele nos quisermos entregar.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

CARTA DE SÚPLICA ZANGADA

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Ó meu Jesus amado,

Escrevo-te esta carta com o coração nas mãos.
Sobretudo o coração daquela minha amiga, acompanhado do meu coração.
Sabes Jesus, já não sei se me zangue contigo, se Te grite ao coração, se me agarre a Ti a chorar.
Que queres Tu Senhor, que queres Tu mais que ela Te possa dar?
E eu Senhor, que Te posso eu dar de mim, por ela?
Eu sei Senhor, que colocas no meu coração essa certeza de que ainda queres muito dela, mas Senhor, porquê todo este sofrimento?
É verdade Jesus, hoje sai do meu coração este grito de revolta, cheio de fé em Ti!
Eu sei Senhor, que não queres que ela sofra, que não queres que nós soframos, mas porquê agora tanto só a ela?
Tantas vezes já intervieste na vida de tantos, operando milagres, então Senhor, que esperas agora, porque deixas que este sofrimento continue?
Grito ao Teu coração que só sabe amar:
Toca Senhor, toca como só Tu sabes tocar!
E não me digas que já tocaste e que é preciso esperar.
Eu não quero esperar, ela não quer esperar, os seus amigos não querem esperar, por isso Senhor, agora é o tempo de operares definitivamente o milagre da cura.
Mesmo que não seja o Teu tempo Senhor, por esta vez aceita agora o nosso tempo!
Eu espero em Ti, e nunca deixarei de esperar, eu confio em Ti, e nunca deixarei de confiar, eu amo-Te, Senhor e nunca deixarei de Te amar, mas agora Senhor, agora ouve definitivamente as nossas súplicas.
Se calhar ao rezar-Te assim, não sou digno do sofrimento que ela suporta em silêncio, mas que queres Tu Senhor, sou bem mais fraco do que ela e não quero ver mais o seu sofrimento.
E se me zango Senhor, é por amor, é porque Te amo e amo aquelas e aqueles que colocaste no meu caminho.
Obrigado Jesus, obrigado!
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

A LUZ PEQUENINA

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Tens os olhos fechados,
e queres ver.
Tens a boca fechada
e queres falar.
Tens o coração encerrado
e queres amar.
Tens a vida contida
e queres viver.
Perdeste a chave
do teu sentido,
e já não a consegues achar.
Procuras nos bolsos,
nas gavetas da memória,
até no mais profundo recôndito
do teu cérebro,
e nada consegues encontrar.
Dás voltas e mais voltas,
já não sabes o que fazer,
para que te possas dar,
talvez mais que receber,
para que tenha sentido,
a tua vida,
o teu viver.
Olha lá bem no fundo,
no fundo do coração,
vês uma luz pequenina
que teima em não se apagar?
Toma-a na palma das mãos,
não precisas de a proteger,
porque quanto mais vento lhe der,
mais a chama vai crescer.
Deixa que ela incendeie
todo o teu coração,
deixa que ela te queime,
num arder que não tem dor,
deixa que ela te ilumine
para que os teus olhos possam ver,
deixa que ela te fale,
da vida e do amor,
e quando a luz pequenina
te iluminar por completo,
quando a luz pequenina,
do teu tamanho for,
então deixa que se veja,
também no teu exterior,
para que quem passar por ti,
veja os teus olhos a ver,
ouça a tua boca a falar,
sinta o teu coração a amar,
perceba que em ti a vida
é um permanente viver.
Porque essa luz pequenina,
quando a deixamos crescer,
torna-se toda amor
e faz-nos irmãos e discípulos
de Jesus, Nosso Senhor.

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quinta-feira, 11 de junho de 2009

CORPO E SANGUE DE CRISTO, PRESENÇA ETERNA

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Hoje instalou-se em mim, uma melancolia, uma saudade, um desejo de passado, um “voltar atrás” que quase podia saborear.
E o meu coração entristeceu-se, não com a tristeza dos tristes, mas com a tristeza dos que não têm o agora.
E fiquei a pensar e a perguntar no coração: Porquê, meu Deus?
Porque é que tenho em mim neste momento esta sensação de que o que já tive, é melhor do que o que tenho agora?
Porque é que tenho em mim neste momento esta sensação de me parecer ser melhor voltar para trás, do que seguir em frente?
Porque é que tenho em mim neste momento esta sensação melancólica da certeza de que para trás não posso voltar, mas ao mesmo tempo não me apetecer caminhar?
Medito no dia ... que dia é este?
Dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo!
E então Tu irrompes pelos meus pensamentos, ocupas o meu coração, tomas conta da minha vida e gritas a todo o meu ser:
Não vês tu, filho meu, que comigo o passado se torna presente, o presente se torna agora e o futuro já está em ti, porque Eu estou aqui?
Pois é Senhor Jesus, em Ti posso viver o passado agora, mas como Tu és presente, nem o passado é melhor do que o presente, nem o presente melhor do que o passado, porque Tu és e estás nos dois.
Ah, e o futuro também!
O futuro é já presente também, porque é promessa dAquele que é, dAquele que cumpre, só lhe falta o “ainda não”, mas mesmo este é já certeza também, na Tua presença viva.
No Teu Corpo e Sangue, que é presença constante, que é permanente dádiva, faz-se da vida um todo, em que o passado é futuro e o futuro é já vivido na certeza que Tu nos dás:
«Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.» Mt 28,20
Já não há saudade, nem desejo de passado, o “voltar atrás” é caminhar ... em cada momento para a frente, e a melancolia transforma-se, numa doce e permanente alegria!
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Não sei exprimir melhor aquilo que sinto e queria dizer.
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quarta-feira, 3 de junho de 2009

A UMA AMIGA, PELA GRAÇA DE DEUS

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Hoje, minha amiga,
quando saíres do hospital
olha bem para o teu lado,
repara em Quem te dá a mão!
Sim, é Ele,
não duvides,
com o Seu sorriso amado,
e os olhos a brilharem,
a brilharem da alegria
que Lhe vai no Coração.
Julgavas que era sozinha
que regressavas à vida
neste auspicioso dia?
Não,
nem por um momento sequer,
Ele se afastou de ti.
Em todo o tempo e momento,
segurando-te na mão,
disse-te sempre ao ouvido:
«Não temas, Eu estou aqui.»
Olha-O fundo nos olhos,
abre o teu coração,
deixa que Ele te toque,
e te diga numa oração:
«Eu renovo todas as coisas.»*
Mas se reparares melhor,
verás que por detrás d’Ele,
segue toda uma multidão.
Somos todos nós,
teus amigos,
que contigo também partimos
nesta tua nova vida,
confirmando a comunhão.
Por isso não temas,
amiga,
que tu nunca estás sozinha,
e mesmo que por nossa fraqueza,
cada um de nós te faltasse,
uma é sempre a certeza,
de que Ele nunca te falta,
nem a cada um dos que Ele ama,
que são todos sem excepção,
os filhos do Deus amor,
gerados no Seu coração.
Da nuvem do Seu amor
a chuva de água nova
rompe o tempo
e em ti cai.
Vai, minha amiga vai,
abraça a nova vida,
dá testemunho presente
de que Ele está sempre connosco.
Que todo o homem perceba
que a vida só tem sentido,
quando Lhe damos a mão.
Porque a vida é sempre nova,
renovada em cada dia,
pelo amor que brota,
do Seu Santíssimo Coração.

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* Ap 21,5
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3 de Junho de 2009
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Soube entretanto, que afinal esta nossa amiga não sairá hoje do hospital, mas sim provavelmente apenas na Segunda feira próxima.
Tem importância para ela, claro, que gostaria de já estar na sua casa, mas não tem para o que escrevi, que é verdade tanto hoje como Segunda feira, ou qualquer outro dia.
Rezamos continuamente por ela.
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8 de Junho de 2009 - A nossa e minha amiga já está em casa, graças a Deus, verdadeiramente, graças a Deus!
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

O AMOR E O PRAZER

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Às 5 horas da manhã abri os olhos.
Mas foi um abrir daqueles que de imediato me disse que já não ia dormir mais.
Fiquei ali e comecei a rezar, aproveitando o silêncio da noite, a paz do momento.
Ao fim de algum tempo veio ao meu pensamento o episódio de Samuel, que foi chamado durante o sono.
Não fazia em mim qualquer comparação, pobre de mim, mas não deixei de perguntar no meu coração: Queres alguma coisa de mim, Senhor?
Senti-me um pouco envergonhado com a minha jactância de poder sequer pensar que Ele me tinha acordado para falar comigo, para me pedir algo que fosse.
Reza, Joaquim, reza que é o que deves fazer e deixa que Ele te adormeça, porque são horas de dormir, pois dentro em pouco tens de te levantar.
Mas nada, nem um pouco sequer de sonolência!
De mansinho duas palavras começaram a irromper na minha cabeça: o amor, o prazer.
Que queria isto dizer?
Com certeza que o amor é um prazer, um prazer sublime que vai muito para além da sensação física, da experiência de um momento.
O amor é algo que nos constrói, e se nos constrói, dá-nos prazer.
Sim, eu percebo que o amor de Deus nos enche e nos constrói, porque dá sentido ao nosso ser, sobretudo quando abrindo-nos a esse amor, também amamos a Deus, com o amor que Ele nos dá e nos faz experimentar, tornando-se uma delícia, um prazer para as nossas vidas.
Sim, sim, é esse amor que Ele nos dá que nos enche e completa, mas a palavra prazer continuava a surgir, mas com uma insistência de prazer físico.
Sabes, quando amas alguém, com esse amor eros, que se dá e recebe na totalidade da entrega, sentes prazer, o prazer de estares com a pessoa amada, que te faz sorrir, que te faz sentir alegre e em paz, mas que depois e ainda se completa na união física que te leva a experimentar o prazer sensorial, o prazer que te é próprio da humanidade.
Mas até esse prazer físico, repara que é continuado depois mesmo de acabar, ou seja, passa do sentir físico, para um sentir espiritual, um sentir pensado, porque reside no amor do amado e ao amado.
Repara agora tu, que tantas coisas já experimentaste.
Numa relação fortuita, apenas de um momento, movida mais pela urgência do corpo, do que pela vontade do espírito, alguma vez experimentaste esse prazer continuado, ou pelo contrário, esgotado o prazer físico, nada mais ficou do que uma recordação que às vezes até queres rapidamente apagar?
Mas se assim sentimos, não será tempo de pensarmos, que nessa relação fortuita separámos corpo e espírito, e por isso mesmo o prazer é efémero, e como tal não te completa, não te constrói, porque não é amor?
Não, não queres envolver-te em "pensamentos filosóficos", mas apenas e tão só tentares perceber o que te quero dizer.
A fonte do amor é Deus, porque foi Deus que te amou primeiro e assim te ensinou a amar.
Não podes amar sem que o amor de Deus esteja em ti, porque Ele é o amor e é n’Ele que o amor se completa.
Mas não é, nem podia ser apenas o amor d’Ele por ti, e o teu amor por Ele, mas sim e também, todos os que Ele ama, (e são todos), e todos os que tu amas, porque amas com o Seu amor, porque se permaneces no Seu amor, também amas com o Seu amor.
Então repara, se permaneces no Seu amor, quando amas com esse amor eros, também é com o Seu amor que tu amas e és amado, e por isso esse amor é abençoado pela plenitude de Deus e assim tudo o que vem desse amor não tem fim, ou seja, não é um só momento, mas é toda uma vida que mesmo depois da passagem, continua no amor eterno.
E por isso, repara mais uma vez, o prazer mesmo físico é abençoado pelo amor de Deus em ti e no outro, portanto torna-se completo, e projecta-se inteiramente na tua vida e na vida do outro, ultrapassando a barreira do físico, para ser vivido e sentido também no espírito.
Ora se o teu corpo é capaz de um tal prazer que ultrapassa a barreira da tua humanidade física, é porque ele é querido por Deus e por isso mesmo um “sacrário” do amor de Deus em ti, para o outro e do outro para ti.
Como podes então tu profanar o teu corpo com um prazer que não vem do amor abençoado por Deus?
Seria o mesmo que servires-te de um sacrário para guardar algo que não fosse o Pão Consagrado! O sacrário deixaria então de ser sacrário!
Teria a forma de sacrário, até lhe podiam chamar sacrário, mas não o era, porque não cumpria a sua “plenitude”, que é guardar o Corpo de Cristo dado como alimento ao homem.
Por isso, quando usas o teu corpo numa relação fortuita, apenas tens um prazer físico, efémero, sem amor, e sem amor o teu corpo não cumpre a sua missão de amar com todo o teu ser, físico e espírito, por isso não te completas, por isso o prazer morre no acto físico e não se projecta mais além.
O teu corpo “separa-se” do teu espírito e é apenas carne, carne que morre sem vida para depois.
É como o sacrário onde colocaram outras coisas que não o Pão Consagrado.
Está lá, mas não existe como sacrário, porque não contém o amor.
Entendes agora porque é que o prazer não pode ser separado do amor, nem o amor do prazer.
Entendes agora porque é que Deus quer que o homem tenha prazer na sua união física com a pessoa amada.
Porque se o amor espírito enche o espírito da pessoa, o prazer físico torna o amor presente no físico da pessoa.
E espírito e físico não podem ser separados!
Se o forem o homem sente-se dividido, e Deus ama o homem todo e não apenas uma parte do homem, e sem Deus o homem não tem amor.
Podia dizer-te ainda que na vivência deste amor completo, espírito e físico, em que Deus está presente e é permanência, o homem é chamado à criação, é chamado a prosseguir todos os dias a obra de Deus, e que sem o fazer também não completa o amor que Deus lhe dá, para O amar e amar os outros, mas por agora fica a meditar na extraordinária beleza deste amor humano, que só o é, porque é também divino por vontade de Deus.

28 de Abril de 2009
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

A RELIGIÃO E A POLITICA

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Não costumo misturar religião e politica a não ser no sentido de julgar e acreditar que um cristão que queira ser político, tem o dever imperativo de reflectir na sua forma de agir politica, as suas convicções religiosas.
Porque para mim, primeiro é-se homem, depois cristão, (é Deus que dá sentido à vida humana), e só depois político.
Porque para mim, o cristão deve testemunhar em todos os actos da sua vida, a vivência da fé em Jesus Cristo, e sendo católico, a sua comunhão com a Igreja e a Doutrina da Igreja.
Porque ser cristão e católico não é condição de que cada um se possa “apropriar”, como se de um título, ou rótulo se tratasse.
Ser cristão e católico exige a vivência do Credo na Santíssima Trindade, Deus uno, único e verdadeiro, Pai, Filho e Espírito Santo, na Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, na Igreja una, santa, católica, apostólica, no Baptismo para a remissão dos pecados, na ressurreição dos mortos e na vida do mundo que há-de vir.
É este Credo que os cristãos católicos professam sempre que participam e celebram a Eucaristia, e que os une em comunhão de Igreja e como Igreja, fundada por Jesus Cristo nos Apóstolos.
Vem isto a propósito da entrevista que o Dr. Paulo Rangel deu ao jornal i de 19 deste mês.
Tinha para mim que estas eleições para o Parlamento Europeu pouco me diziam, sobretudo porque os candidatos já apresentados me pareciam de uma pobreza confrangedora e nenhum deles “preenchia” os requisitos necessários que me levassem a votar em alguém, visto que o voto em branco é também uma forma de exprimir a minha participação no acto eleitoral e a minha vontade.
A entrada em cena do Dr. Paulo Rangel veio modificar essa minha apreciação pelo facto de que, por tudo o que até agora tem feito me parecer merecer credibilidade, não só em termos de competência, como também de honestidade.
Não fazia ideia que o referido senhor fosse, ou se afirmasse cristão e católico, nem isso pesava na altura na minha apreciação sobre os seus méritos.
Mas depois de ler a entrevista que deu ao jornal acima referido, no que concerne às suas convicções religiosas, a minha opinião mudou e fiquei muito desiludido com aquilo que ele aí afirma.
Diz o Dr. Paulo Rangel que é um católico praticante, mas progressista!
Não faço ideia do que seja um católico progressista, pois para mim, um católico é sempre progressista na medida em progride num caminho que o leva ao encontro da Verdade, pela Verdade e com a Verdade.
E um católico, (não sei o que é um católico não praticante), é Igreja e como tal comunga da Doutrina da Igreja, une-se à Igreja, embora não deixe de ter a sua consciência livre, embora não deixe de, em Igreja, expor os seus pontos de vista tentando contribuir para a edificação da própria Igreja.
E um católico sabe, ou devia saber, que a Igreja, (que ele é também), não é um super mercado em que cada um escolhe o que mais lhe agrada e deixa de fora o que não quer, ou não lhe serve.
Mas o que mais me choca é perceber, segundo a minha apreciação, que o Dr. Paulo Rangel se afirma católico praticante tentando assim conquistar votos nos católicos, mas depois, cirurgicamente, aceita os pontos da Doutrina em que é mais fácil agradar a “gregos e troianos”, e rejeita os pontos ditos “fracturantes” e que ele julga, digo eu, lhe poderão custar ou ganhar votos.
Porque a defesa que ele faz das suas rejeições de determinados pontos da Doutrina da Igreja, não têm qualquer fundamento, e são defendidos com argumentos de “lana caprina”, que não me vou dar ao trabalho sequer de aqui rebater, porque são demasiado óbvios e repetitivos.
Assim, (e mais uma vez em meu entender), não foi honesto na forma como se afirmou católico e a pergunta ou perguntas feitas parecem “coisa encomendada” com determinados fins, o que me leva a repensar a apreciação que tinha deste candidato .
Pois é, Reis Balduínos há poucos, e falta a coragem a muitos políticos que se afirmam católicos, de o serem verdadeiramente.
Fica a minha participação no acto eleitoral para as eleições ditas europeias exactamente como estava antes da candidatura do Dr. Paulo Rangel, e é pena, porque poderíamos ter, se ele fosse um verdadeiro católico, alguém que defendesse os valores do cristianismo no Parlamento Europeu.
Mas eu sou só um!
Aproximando-se o Domingo de Pentecostes, rogo ao Pai, pelo Filho, que derrame abundantemente o Espírito Santo sobre esta Europa que se afasta de Deus a passos largos.
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

A FÉ E A RAZÃO

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Ensina-me a procurar-te e mostra-te àquele que te procura, porque não te posso procurar se tu não me ensinas, nem encontrar-te se não te mostras. Que te busque desejando e te deseje buscando. Que te encontre amando e te ame encontrando.
Confesso, Senhor, e te dou graças porque criastes em mim esta tua “imagem” para que, de ti lembrada, pense em ti e te ame. Mas está tão corrompida pela acção dos vícios, tão ofuscada pelo fumo dos pecados, que não pode fazer aquilo para que foi feita se tu a não renovas e reformas.Não me atrevo, Senhor, a penetrar na tua altura , porque não lhe comparo, de modo nenhum, a minha inteligência. Mas desejo reconhecer um pouco a tua Verdade, que o meu coração crê e ama. Na verdade, não procuro antes compreender para crer, mas creio para compreender. Pois também creio nisto: “se não acreditar, não compreenderei”.
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Proslogion I - Santo Anselmo
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quinta-feira, 7 de maio de 2009

A LUZ!

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O "Semeador de Estrelas" é uma estátua que está em Kaunas, Lituânia.
Durante o dia pode passar despercebida, como mostra a foto.
Mas quando a noite chega, a estátua justifica o seu título.
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A Elsa enviou-me uma mensagem que recebeu do Fontez com estas duas imagens.

Ao olhar para elas e “lendo-as” com o coração, foi-me sugerido o seguinte: Eis uma estátua imóvel, estática, quase podíamos dizer sem utilidade.
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Na primeira imagem a estátua está à luz, mas não recebe a luz.
A luz não tem nela qualquer influência e em nada a melhora.
Não suscita naqueles que a vêem mais nada que não seja a pouca ou muita beleza, que afinal para nada serve a não ser para observar sem nada mais.

Na segunda imagem a estátua recebe a luz e esta transforma-a.
A estátua ganha vida e de imóvel que estava, passa a ter movimento.
É a luz que recebe que tudo muda, porque a luz actua agora sobre a estátua.
Para além da beleza que continua a existir, a estátua tem agora vida e utiliza-a para semear, para distribuir, para dar a outros aquilo que ela tem em si e que é despertado pela luz que a toca e ela recebe.

Não é assim, ou deveria ser, a Luz de Cristo nas nossas vidas?
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terça-feira, 5 de maio de 2009

RENOVAMENTO CARISMÁTICO CATÓLICO

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Papa a carismáticos: renovada adesão a Cristo
Mensagem aos membros da Renovação Carismática Italiana


RÍMINI, segunda-feira, 4 de maio de 2009 (ZENIT.org).- O Papa fez chegar à Renovação Carismática um telegrama no qual deseja para este movimento eclesial «uma abundante efusão dos frutos do Paráclito», durante a reunião nacional realizada em Rímini (Itália) neste final de semana.
Trata-se do 32º encontro nacional da Renovação Carismática na Itália, do qual participaram 20 mil membros, presididos pelo responsável deste movimento, Salvatore Martinez, e nele estiveram, entre outros, o presidente da Conferência Episcopal Italiana, cardeal Angelo Bagnasco.
Em seu telegrama, assinado pelo cardeal Tarcisio Bertone, o Papa deseja à Renovação Carismática que este encontro «suscite uma renovada adesão a Cristo crucificado e Ressuscitado, uma profunda comunhão fraterna e um alegre testemunho evangélico».
O encontro, que durou três dias, tinha como slogan «Ide e proclamai ao povo estas palavras de vida», e quer supor, em palavras de seu responsável, Salvatore Martínez, durante a intervenção conclusiva, «um renovado convite à evangelização».
«Estamos dispostos a oferecer nosso serviço a Deus – afirmou Martinez; somos um povo que encontrou novo vigor no anúncio do Evangelho, em um mundo que precisa de uma verdadeira renovação espiritual.»
«Temos o dever de renovar-nos sempre – acrescentou. A Igreja está em movimento, a Renovação é um movimento e todos somos o movimento do Espírito na história. Devemos estar ‘a favor do vento’, porque quem vai contra o sopro vital do Espírito Santo é insensato.»
A Convocatória foi inaugurada pelo cardeal Bagnasco, que pediu à Renovação Carismática que continue sendo fermento e luz na construção da história e da sociedade». Também esteve presente o cardeal Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, que presidiu a Eucaristia conclusiva.
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Muitas vezes se coloca em causa o Renovamento Carismático Católico e a sua comunhão com a Igreja, razão pela qual decidi colocar aqui esta notícia da ZENIT.
Uma das características que muito me toca no RCC é precisamente o seu amor, comunhão e dedicação à Igreja.
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domingo, 3 de maio de 2009

O BOM PASTOR E A MÃE

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Senhor,
Tu és o Bom Pastor e dás a vida pelas tuas ovelhas, e nós recolhemo-nos no teu redil, porque só nele encontramos paz e amor.
No pequeno rebanho doméstico, dás-nos também, Senhor, a figura do Bom Pastor nas pessoas dos nossos pais.
Se na figura do pai nos dás um guia e um protector, na figura da mãe dás-nos o tudo que é o amor.
A mãe é aquela que nos dá a vida e dá a vida pelos seus filhos.
A mãe é aquela que nos faz sentir pela primeira vez as delícias do amor, da ternura, do carinho.
A mãe é aquela que pela primeira vez nos alimenta e nos ensina.
A mãe é aquela que permanentemente por nós intercede, não só junto de Ti, Senhor, mas também junto de todos aqueles que são importantes para a vida dos seus filhos.
A mãe é aquela que tantas vezes no silêncio, sofre pelos seus filhos e dá-se inteiramente por eles.
A mãe é imagem d’Aquela que junto à Cruz, nos quiseste dar como nossa Mãe.
Louvado sejas, Senhor, pela mãe que me deste e que junto a Ti agora, continua a interceder por mim e por todos os filhos, com todas as outras mães que a Ti se acolhem.
Louvado sejas, Senhor, pelas mães que hoje o sejam pela primeira vez, e por todas aquelas que o continuam a ser.
Louvado sejas, Senhor, pela Tua Mãe e por cada uma das mães que o foram, que o são e que o hão-de ser.
Amen.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 10

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Segunda feira, 6 de Outubro de 2003

Obrigado Senhor por este dia, por esta noite no grupo de oração. Não quero Senhor, que haja orgulho ou vaidade em mim, mas apenas vontade de Te servir e servir os irmãos, ajudando-os pela Tua graça a encontrarmos o Teu amor, a encontrarmos a Tua paz, a encontrarmos a maravilha que Tu és, Senhor.
Ajuda-me e ensina-me, Senhor, a estar ao Teu serviço, humildemente, a entregar-me a Ti, para que não faça nada por minha vontade mas sim segundo a Tua vontade.
Tu és o Senhor de tudo e eu pertenço-Te. Serve-Te de mim, Senhor, porque eu sou Teu.
Obrigado pela Palavra, pela parábola do Bom Samaritano.
Mais do que a atitude do samaritano, chamastes-nos a atenção para a atitude do sacerdote e do levita.
“Homens de Deus”, e contudo não souberam, amar o próximo, dando assim um péssimo testemunho.
Pecaram duas vezes: Não ajudaram o próximo e deram um mau testemunho aos outros que ainda não Te conhecem, que ainda não Te seguem.
É assim, Senhor, que nós, que escolheste e a quem queres como filhos, temos de saber cumprir o mandamento do amor, e sobretudo o testemunho do amor, que és Tu, Senhor.
Os olhos estão postos em nós e temos de saber que o que nós fizermos será visto, ouvido e analisado, por todos os que não acreditam em Ti ou ainda vivem longe de Ti.
Por nossa causa, Senhor, pelo nosso mau testemunho, podem afastar-se ainda mais ou nem tentar aproximar-se de Ti.
Ensina-me, Senhor, a ser Teu filho, a ser sacerdote, levita, homem de Deus, mas a proceder como o samaritano.
És Tu, Senhor, no meu irmão, que precisas de ajuda, e eu não Te posso voltar a cara, não Te posso dizer não, não Te posso abandonar, porque sem Ti, sem o amor, o Teu amor, nada sou, nada tenho, meu Senhor e meu Deus.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

INTERCESSÃO E FÉ

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Às vezes parece que me sinto impotente perante as provações dos outros que me são próximos.
Próximos porque me estão ligados fisicamente, ou próximos por estes meios onde encontro irmãs e irmãos que me enchem o coração, que tocam a minha vida.
Perante essas provações que me são transmitidas e acabo por viver tantas vezes como minhas, rezo e entrego-me com tudo o que o Senhor me deu.
Mas, pobre de mim, fraco na fé, fico muitas vezes com a impressão de que deveria fazer mais alguma coisa, de que pessoalmente poderia agir, não percebo muito bem como.
Sinto muitas vezes no meu coração que o Senhor dá resposta às minhas orações, por vezes até coisas muito concretas, que eu, por medo, por vergonha, acabo por não transmitir àqueles por quem rezo, por quem intercedo.
Este medo humano de errar, esta vergonha humana de poder fazer “má figura”, esta falta de coragem de afirmar aquilo em que acredito.
Eu sei que não sou Pedro, nem João para ter a firmeza de dizer:
«Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!» Act 3, 6
Mas porquê, não somos nós todos Pedro e João?
Não nos disseste Tu, Senhor:
«Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.» Jo 14, 12-14
Que posso eu acrescentar à oração sincera do coração, que o Senhor recebe de coração aberto?
Que posso eu fazer, para além da oração, que acrescente um pouco, mesmo pequenino que seja, à misericórdia de Deus?
Nada, mesmo nada, a não ser a confiança no Seu eterno amor, que se exprime na Sua vontade que é sempre o melhor para as nossas vidas.
E é aqui que, mais uma vez pobre de mim, errante na fé, vacilo, hesito, e como não compreendo que Ele tudo sabe e tudo vê, angustio-me, e em vez de esperar na paz do Seu amor, quase me desespero na expectativa humana que faz temer o futuro.
Ó Senhor, porque sou eu assim?
Porque não tenho eu essa fé que move montanhas, essa fé que sabe que ao pedir segundo a Tua vontade, tudo lhe é concedido, mesmo que não entenda o que é concedido?
Acredito que me deste essa fé, não só a mim mas a todos aqueles que em Ti acreditam, mas que eu não me abro totalmente a ela, e assim não deixo que ela tome conta de mim e seja verdade em todos os momentos da vida que me deste.
Mas apesar disso repouso, espero e confio, Senhor, porque sei que não precisas da minha fé para fazeres o que é a Tua vontade.
Assim, Senhor, dou-Te graças por tudo o que fazes e vais fazer na vida daquela irmã e de todos os Teus filhos.
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domingo, 12 de abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA

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O dia nascera calmo e sereno. Sentia-se no ar uma brisa leve e suave que ao passar de mansinho colocava tudo em movimento, as folhas, as flores, o pó das estradas, a erva, os cabelos das pessoas que passeavam, podia afirmar-se até que era uma brisa semelhante a um sopro de vida, que em tudo o que tocava, fazia viver.
Parecia que da terra ou do céu, um odor penetrante, mas macio, inundava a atmosfera e perfumava tudo o que existia.
Os animais, as plantas, as águas, as montanhas, as nuvens, toda a natureza e os seres humanos, pareciam sorrisos abertos, fontes de vida inesgotáveis, oásis de esperança, mares de tranquilidade.
Pairava no ar realmente, uma atmosfera de coisa nova, de alegria, de paz, de expectativa, de existência de vida.
De repente e enchendo todo o universo, todas as partes sem excepção, toda a existência, chegou com um fragor imenso, mas calmo e sereno, o Anúncio, como um grito de paz e verdade:
Ressuscitou o Senhor, Ressuscitou!!!
Quedou-se muda de espanto a criação, para logo em seguida, baixando a cabeça e abrindo o sorriso, gritar também dentro de si mesma e para fora:
Ressuscitou o Senhor, Ressuscitou!!!
Ah, que verdade imensa, que mistério de vida, o proscrito, o condenado, o humilhado, o desprezado, o derrotado, o já esquecido, ressuscitara, vencera a morte, vivia novamente para sempre na glória que tudo vencia.
Ah, que derrota profunda, para aquele que convencido que vencera, de cabeça baixa, percebia agora que a sua luta apenas se podia dedicar à criação.
Ah, que ódio amargo vivia naquele que agora sabia, que o Ressuscitado estava com aqueles que criara, para sempre.
A Carne eo Sangue unidos na vida e oferecidos para sempre, gritavam glória ao Senhor que vencera a morte, ao Senhor do Céu e da terra, ao que veio para salvar, entregando-Se em obediência.
Tudo era novo, nada era como dantes:
Os que tinham esperado, subiam agora à visão eterna, os que esperavam, vestiam-se de esperança, os que haviam de esperar, iam nascendo na certeza da Promessa.
Como era bom e grande o mundo, abençoado pela vida de Quem derrotara a morte.
A Palavra permanecia, era proclamada todos os dias, guardada nos corações, era a esperança da vida, depois da vida acabada.
Que certeza tão profunda habitava em todos nós:
Que todos os dias Ele se entregava, que todos os dias Ele morria, que todos os dias Ele ressuscitava, que todos os dias Ele nos salvava.
Oh, que profundo e infinito amor, do Deus que tudo criou, por nós Se entregou e para nós ressuscitava.
Oh, que infinita misericórdia, do Deus tão ofendido, que com um sorriso nos abençoava.
Oh, que infinita bondade, do Deus tão abandonado, que até uma Mãe nos dava.
Oh, que infinita fidelidade, do Deus todos os dias traído, que nunca nos abandonava.
Oh, que infinita esperança, de Deus dono do tempo, que em todo o tempo para sempre, dia a dia nos acompanhava.
Oh, que alegria suprema, que gozo eterno e constante, que fogo sempre a arder, na certeza de saber, que tendo ressuscitado, subido aos Céus e vencido, Jesus Cristo é para sempre, ontem, hoje e amanhã, com o Pai e o Espírito Santo, o nosso Deus Vivo e Verdadeiro.
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Escrito em 17 de Abril de 2006
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

OH MEU JESUS AMADO

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Oh meu Jesus amado,
queria tanto sofrer conTigo,
viver a Tua Paixão.
Queria tanto orar conTigo
no Horto das Oliveiras,
e afinal era eu quem estava
com os que Te vieram prender.
Queria ser Tua testemunha,
junto de Caifás e Pilatos,
e afinal fui eu quem fugiu,
e também Te condenava,
no meio da multidão.
Queria proteger a Tua Face,
e o Teu Corpo amoroso,
e afinal era eu quem Te batia
e colocava a coroa de espinhos.
Queria dizer que Te amava,
que eras o meu Senhor e Guia,
e afinal era eu quem Te insultava
e gritando escarnecia.
Queria caminhar conTigo
levando a Tua Cruz,
e afinal era eu quem mais pesava,
e Te fazia cair.
Queria aliviar Tuas dores,
pôr bálsamo nas Tuas feridas,
e afinal era eu quem martelava
os cravos nas Tuas mãos.
Queria prostrar-me em adoração,
perante o Teu sofrimento,
e afinal era eu quem trespassava
o Teu peito com a lança.
Queria tanto estar conTigo
na hora da Tua morte,
e afinal fui eu quem fugiu,
quando o dia se fez noite.
Queria ter sido testemunha,
da Tua Ressurreição,
e afinal andava perdido,
na minha vida de dúvidas.
E Tu mesmo assim
olhaste-me.
E Tu mesmo assim
chamaste-me.
E Tu mesmo assim
escolheste-me.
E Tu mesmo assim
perdoaste-me.
E Tu mesmo assim
deste-me amor,
para encher a minha vida.
Que hei-de fazer e dizer,
que seja minha conversão,
a não ser para sempre amar-Te
com todo o meu coração,
para sempre cantar louvores,
com a voz que Tu me deste,
com a minha alma adorar-Te,
prostrado sempre a Teus pés,
viver em Ti o caminho
da vida que em mim criaste,
esperando quando partir,
desta vida tão efémera,
ver o Teu Coração aberto,
os teus braços á minha espera,
para viver no Teu amor,
o tempo que não tem fim.


Escrito em 29 de Agosto de 2000
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quinta-feira, 9 de abril de 2009

VIA CRUCIS

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Estação V - Eloi, eloi lami sabactami ("Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?")
Reino Imperfeito



Estação VI


SITIO (“Tenho sede!”)


Senhor, tens sede de nós e nós temos sede de Ti.
Senhor, tens sede de fazer a vontade do Pai e nós temos sede de fazer Tua vontade.
Senhor, tens sede de Te entregares por nós e nós temos sede de Te pertencermos.
Senhor, tens sede de nos amar e nós temos sede de sermos por Ti amados.
Senhor, Tu és a Água Viva e nós temos sede de A beber.


Pai Nosso.
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Estação VII - Consummatum est ("Tudo está consumado!")
Mar com sabor a Canela




Organizado por Alma Peregrina
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segunda-feira, 6 de abril de 2009

SENHOR, DOU-TE GRAÇAS

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Senhor, hoje dou-Te graças por 60 anos de vida.
Reconheço hoje, Senhor, por Tua graça, que nunca estiveste afastado de mim em todos estes anos.
Mesmo quando durante tanto tempo me afastei de Ti, Tu estiveste sempre ao meu lado, Tu estiveste sempre na minha vida.
Estiveste comigo na infância e na adolescência, estiveste comigo na guerra e em todo o tempo em que afastado de Ti cometi loucuras que faziam perigar a minha vida espiritual, emocional e até física, estiveste comigo no reencontro com a Tua Igreja, Mãe que me acolheu com tanto amor no seu seio.
Estiveste comigo na alegria e na tristeza, estiveste comigo na saúde e na doença, estiveste comigo nos momentos bons e nos momentos maus, estiveste comigo quando fiz o bem e estiveste comigo quando fiz o mal, para me ajudares a reconhecê-lo, para me ajudares a levantar.
Quiseste que eu tivesse a certeza de que estavas comigo, quando afastado de Ti, me deixava levar pelos prazeres mundanos, pelo pecado, para assim me mostrares que também esse tempo faz parte da minha vida, que o acolheste no Teu perdão, e que o transformaste em ensinamento e testemunho da minha vida.
Quero hoje dar-Te graças pela família que me deste, a minha mulher, a minha filha e os meus três filhos, a minha nora, o meu genro, a minha neta e o meu neto.
E também pelos pais maravilhosos que me deste, junto com as minhas irmãs e irmãos, cunhadas e cunhados, sobrinhas e sobrinhos, já em número tão grande, que causa alegria só de pensar.
Ainda pelos meus sogros, que me trataram e tratam como um filho e que são para mim como pais que muito amo.
Quero dar-Te graças, Senhor, por todos aqueles que colocaste na minha vida, os que me ajudaram e me amam, e os que me ofenderam ou prejudicaram, e não gostam de mim.
Quero dar-Te graças, Senhor, por todos aqueles que conheci pessoalmente, olhos nos olhos, e por todos aqueles que conheço por outros meios, (como este), e que moram no meu coração e eu no deles.
Quero dar-Te graças, Senhor, por todos aqueles que me ajudaram e ajudam no meu regresso a Ti, à Igreja, bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, e tantas, mas tantas, irmãs e irmãos que, com as suas palavras, com os seus gestos, com as suas atitudes, com os seus testemunhos de vida me conduziram ao encontro tão pessoal e intimo que me fizeste e fazes experimentar da Tua presença em mim e nos outros.
Quanto mais Te conheço, Senhor, menos sei de Ti, mas mais forte se torna a minha fé, o meu amor por Ti, o meu desejo de estar contigo e Te pertencer por inteiro.
Hoje, Senhor, celebro então um ano a mais nesta vida, (a vida é uma celebração), mas sobretudo um ano a menos, para, por Tua graça, me encontrar definitivamente contigo.
Por tudo Te dou graças, em tudo Te dou graças, porque a vida que me deste é uma graça do Teu Coração de amor eterno.
Amen.
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Sinto-me em extraordinária companhia porque neste dia nasceu o Beato Pier Giorgio Frassati.
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sexta-feira, 3 de abril de 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 9

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Sexta feira, 4 de Julho de 2003

Obrigado, Senhor, por este dia e por tudo quanto me deste.
Obrigado pela tarde de Adoração e oração em Albergaria, obrigado pela Comunidade Luz e Vida, obrigado pelo Padre Filipe e por todos os membros da Comunidade e por todos os que vais colocando na minha vida.

Senhor, quanto mais leio os livros que me incitas a ler, mais desejo tenho de Ti, de me entregar a Ti, de viver uma vida “normal”, como queres que eu viva, mas sempre em oração.
Tenho um desejo imenso de alcançar a graça de conhecer e amar a Mãe que nos quiseste dar, Senhor.
Preciso da minha Mãe do Céu. Preciso de A amar, de A ouvir, de A entender, de A imitar, de com Ela aprender a conhecer Jesus, a amar Jesus, a viver Jesus.
Mãe, eu não quero que nada se interponha entre nós, nem passado, nem presente, nem futuro. Sabes, Mãe, que no passado não entendia a tua missão, não entendia o teu “papel”, não entendia o teu amor, não entendia a entrega que Jesus na Cruz fez da Sua Mãe ao Seu discípulo, e do Seu discípulo a Sua Mãe.
Sabes, Mãe, como por vezes foi difícil a minha relação com a minha mãe da terra, como a sua “autoridade” marcou em mim uma imagem de mãe difícil de conjugar contigo, Mãe do Céu. Não, ela não teve qualquer culpa, é a sua maneira de ser, é a sua maneira de amar, (e eu nunca tive dúvidas do seu amor), sei que hoje se procuro Jesus, o Pai, o Espírito Santo, se hoje te procuro Mãe, o devo em muito às suas continuas orações e súplicas.
Mãe, intercede pela minha mãe da terra, dá-lhe a tua mão, pede as graças do Senhor para ela, e guia-a e ajuda-a neste últimos anos da sua vida em tudo o que ela precisar.

Mãe, minha Senhora e minha Mãe, preciso de Ti, preciso que me conduzas, que me guies, que me ensines a amar, com o teu amor puro e sincero, preciso que me fales de Jesus, que me ensines a conhecê-Lo, a agradar-Lhe, a viver com Ele na minha vida.
Preciso, Mãe, que me ensines a humildade, o silêncio, o baixar a cabeça, a aceitação, a entrega total à vontade de Deus, num sim permanente e diário.
Preciso, Mãe, que me ensines a suplicar, que me ensines a guardar no coração, a meditar, a aprender com tudo o que o teu Filho permite que aconteça na vida que Ele mesmo me quis dar.
Preciso, Mãe, que como fizeste com os Apóstolos, me incites a perseverar na oração, a viver no cenáculo, a esperar confiantemente nas graças de Deus.
Preciso, Mãe, que como fizeste em Jerusalém, intercedas por mim junto do teu Filho, para que Ele derrame em mim abundantemente o Espírito Santo , para que eu seja aquilo que o Pai quer que eu seja, para que surja em mim, embora indigno, a graça da oração permanente, a graça da oração do coração.
Preciso, Mãe, que mandes em mim, porque eu quero obedecer, como Jesus obedeceu enquanto contigo viveu.
Preciso, Mãe, que me sentes no teu colo e me cubras de amor e carinho, para que assim eu aprenda também a amar e a acarinhar todos aqueles que se aproximam de mim.
Obrigado Mãe, amo-te e louvo-te porque és pura e Santa.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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