segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

CARTA A UM AMIGO

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Estou aqui, frente ao Santíssimo Sacramento, em adoração, e gostava, gostava muito, meu amigo, que andas afastado de Deus, que aqui estivesses comigo também.

Não, não te quero convencer de nada, quem sou eu, pobre de mim, para o fazer, mas quero dizer-te como é bom estar aqui, como é bom estar com Deus.

Também eu andei afastado de Deus muito tempo, e parecia-me que a vida que levava era muito boa, que tinha quase tudo o que precisava para ser feliz, sobretudo quando corria tudo bem, mas a verdade é que quando as dificuldades apareciam, tudo se desmoronava e nada tinha a que me agarrar.

Os prazeres que tirava da vida eram muitos, mas chegava sempre à conclusão que tinham apenas presente e nunca tinham futuro, mais ainda, que mal o efémero prazer passava, havia uma quase frustração, porque nada continuava.

E eu tinha tido todo o ensino das coisas de Deus, e até o testemunho fiel de meus pais, mas o tempo, o comodismo, a preguiça, o “deixa andar”, acabaram por me afastar inexoravelmente de Deus.

E começaram a chegar aqueles momentos em que a ausência de um futuro, e pior do que isso, uma quase previsão de um abismo, começaram a fazer-me perceber que não era por ali o caminho.

E comecei à procura d’Ele, e Ele, quando O procuram, logo Ele se faz encontrado!

Mas não é um encontro intempestivo, cheio de recriminações ou conselhos, mas sim apenas uns braços abertos, que nos acolhem, nos apertam e nos enchem de amor.

Mas também não é aquele amor efémero, um amor de um momento, é um amor que permanece, que nos enche de paz, que nos traz uma serena alegria, e nos faz sentir que seja em que momento for, Ele está sempre connosco, até mesmo quando nos afastamos d’Ele.

E depois, sabes meu amigo, tudo isto se reflecte no nosso dia a dia e, à medida que O vamos conhecendo melhor, cada vez mais Ele se faz presente, e nos proporciona momentos em que O percebemos incrivelmente presente em tantas coisas que vemos, dizemos, sentimos e vivemos.

Deves agora já estar a pensar que isso é demais, que é uma presença que até pode ser incómoda, mas não, meu amigo, Ele é o Mestre do “bom senso” e, por isso, nunca se impõe, nem colide com a nossa total liberdade.

E aqui, frente a Ele, (sabes bem que acreditamos firmemente que Jesus Cristo está verdadeiramente presente na Eucaristia), ainda mais este amor toma conta de mim e me faz perceber que a vida com Ele tem todo o sentido, apesar de todas as provações e dificuldades.

E sabes, meu amigo, não é preciso saber muitas coisas, não é preciso saber falar muito bem, não é preciso dizer coisas muito inteligentes ou teológicas, mas apenas olhá-lO e dizer-lhe com todo o amor que nos for possível: Aqui estou, Senhor! Faça-se em mim a Tua vontade.

Depois, meu amigo, depois abandonamo-nos a Ele, deixamos que o amor do Pai nos envolva, entregamo-nos ao Espírito Santo e deixamos que Ele nos conduza, às vezes no silêncio, outras vezes no olhar o Santíssimo repetindo interiormente o nome de Jesus, outras vezes ainda deixando que as palavras saiam do nosso coração e se tornem numa oração que Ele entende e aceita cheio de amor.

Ah, e sabes, as palavras até podem ser importantes, mas muito mais importante é a intenção do nosso coração, porque é o nosso coração que Ele conhece como nós não conhecemos.

Então o amor, a paz, a serenidade, a confiança, a esperança, tomam conta de nós e podemos viver a vida com tudo o que ela contém, porque acreditamos que Ele está connosco em todos os momentos.

Por isso, meu amigo, gostava muito, muito que estivesses aqui comigo, para estarmos os dois com Ele.





Garcia, (escritos em adoração)
Joaquim Mexia Alves


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

MOMENTOS

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Porque não consigo, Senhor, despojar-me de todos os pensamentos, esvaziar-me de tudo o que se passa na minha cabeça, para apenas Te ouvir a Ti, que és o meu Senhor e guia?

Porque não consigo esvaziar o meu coração de tantas coisas inúteis, de tantos sentimentos que por vezes me avassalam, (alguns deles até me afastam de Ti), para que o meu coração seja apenas preenchido pelo Teu amor?

Porque não consigo, Senhor, deixar de pensar em mim, no que me agrada ou que eu penso fazer-me feliz, para me abandonar incondicionalmente à Tua vontade?

Porque não consigo, Senhor, que a minha oração não seja minha, mas Tua, e assim o que oro ser apenas o Teu louvor e a adoração que Te é devida?

Porque não consigo, Senhor, “vestir-me” de humildade, mais do que “vestir”, ser verdadeiramente humilde e, afinal, deixo que o orgulho e a vaidade me encham do nada que para nada serve?

Porque não consigo, Senhor, amar tão verdadeiramente, que não faça acepção de pessoas, que não escolha uns em detrimento de outros, que abrace todos sem excepção, enfim, Senhor, que ame com o Teu amor?

Porque não consigo, Senhor, desprender-me de mim, daquilo que eu julgo ser, para encontrar em mim aquele que Tu criaste à Tua imagem e semelhança?

Escuta, Senhor, a voz do meu lamento, a minha súplica, e permite que ao menos por um momento eu seja apenas aquele que Tu criaste e conheces verdadeiramente.

Então nesse momento, Senhor, totalmente abandonado a Ti e em Ti, viverei por um breve momento o Teu amor todo inteiro no meu ser, e serei feliz por Ti, para Ti e em Ti.





Garcia, (escritos em adoração)
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

CONTRIÇÃO

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Tenho o coração pesado, Senhor.

Está pesado porque caí nas minhas fraquezas, não fui capaz de resistir, não foi capaz de evitar os excessos, isso pesa-me, Senhor, faz-me retroceder no caminho do amor que Tu sempre me dás.

Sim, Senhor, eu sei que o Teu perdão me alcança, que o Teu amor me abraça, que a Tua luz me ilumina e guia, mas sinto dentro de mim esta tristeza por não ter resistido como Tu querias que eu tivesse feito.

É verdade, Senhor, não recorri a Ti, não Te pedi forças, não Te pedi ajuda e, por isso mesmo, deixei-me levar pela minha fraqueza.

Por muito que eu me queira desculpar e querer convencer que não foi assim tão importante, a verdade é que não deixa de ser uma falha, uma queda, um dizer não à Tua vontade para apenas fazer a minha.

Talvez eu já me julgasse capaz, talvez eu pensasse que já tinha forças para resistir e, assim, assumindo que na minha auto convicção que tudo podia, acabei por cair na fraqueza da minha humanidade.

Tem compaixão, Senhor, Tu que és o amor e o perdão, abraça-me junto a Ti.

Não retires de mim a vergonha da minha fraqueza, a contrição da minha falta, a tristeza do meu erro, para que eu possa perceber em mim que, quando me afasto de Ti, quando não Te procuro para me ajudares a vencer as minhas fraquezas, o meu viver deixa de ter sentido, porque se afastou do Teu amor.

Olho-Te, Senhor, e descanso em Ti, no Teu perdão e, apesar do Teu olhar estar repleto de amor, quero envergonhar-me diante de Ti e dizer-Te de coração contrito: Perdoa-me, Senhor, porque sou fraco e pecador.






Garcia, (escritos em adoração)
Joaquim Mexia Alves 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

AS CINCO CHAGAS DE CRISTO

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Jesus ao ressuscitar poderia tê-lo feito mostrando o Seu Corpo isento de todas as marcas da Paixão, sobretudo das Cinco Chagas que sofreu por todos nós.

Mas quis manter essas marcas indeléveis, como sinais do Seu infinito amor por nós.

No fim do dia em que Maria Madalena, Pedro e João se deparam com o túmulo vazio, Jesus aparece aos seus discípulos.

«Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor.» Jo 20, 19-20

Podemos então reparar no pormenor da narração do Evangelho de São João que afirma, «mostrou-lhes as mãos e o peito».

Sabemos também que nesse dia, Tomé não estava com eles e que, «oito dias depois» (Jo 20, 26), Jesus volta a aparecer no meio deles e chama um Tomé incrédulo dizendo-lhe: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Jo 20, 27

E a mesma narração diz-nos que o Apóstolo, sem tocar em Jesus, responde dizendo: «Meu Senhor e meu Deus!» Jo 20, 28

As Cinco Chagas que Jesus quis então manter no Seu Corpo ressuscitado, são a prova mais evidente de que o Cristo ressuscitado é o mesmo Jesus que sofreu a Paixão e deu a vida por todos nós, na Cruz.

São razão, portanto, para nos colocarmos perante as nossas fraquezas, os nossos pecados, que infligiram em Jesus Cristo tão terríveis dores, e arrependidos, também O reconhecermos como «Meu Senhor e meu Deus!»

Mas são também, paradoxalmente, razão da nossa alegria, porque essa mesma Paixão e Morte, bem presentes nas Cinco Chagas do Senhor, são a certeza inabalável de que Deus nos ama infinitamente, de tal modo, que entregou o próprio Filho para padecer e morrer por nós, ressuscitando ao terceiro dia, libertando-nos assim da lei da morte do pecado.

Podemos, por isso, mais do que olhar ou venerar as Cinco Chagas do Senhor, dar graças, alegrarmo-nos, porque Cristo ressuscitou e está no meio de nós e, perante as nossas fraquezas, arrependidos, podemos colocar todos os nossos pecados nas Chagas do Senhor, pois são elas a realidade mais visível da total entrega de Deus por nós.

Podemos, até, considerar na nossa entrega a Jesus Cristo, as Suas Chagas como uma “entrada” para estarmos n’Ele e com Ele, ou mesmo, uma fortaleza para, “metendo-nos” nelas, resistirmos ao pecado.

Muitas vezes, colocados perante a crueza da Paixão e Morte de Jesus, prostramo-nos e deixamo-nos abater pelo peso das nossas fragilidades, pelo peso do nosso “ser pecador”, e podemos e devemos fazê-lo sem qualquer dúvida, mas também podemos e devemos alegramo-nos, na serena alegria de Deus, porque fomos libertos do pecado e salvos da morte, na esperança real da vida eterna com Deus e em Deus.

Sabemos que muitos Santos tinham uma verdadeira devoção às Cinco Chagas de Cristo, com expressões tão belas como por exemplo São João de Ávila, «Metei-vos nas chagas de Cristo», ou São Josemaria «Meter-me, cada dia, numa chaga do meu Jesus».

O Papa Francisco disse numa homilia em 7 de Abril de 2013:
«Na minha vida pessoal vi muitas vezes o rosto misericordioso de Deus, a sua paciência; vi também em muitas pessoas a determinação de entrar nas chagas de Jesus, dizendo-Lhe: “Senhor estou aqui, aceita a minha pobreza, esconde nas tuas chagas o meu pecado, lava-o com o teu sangue”. E vi sempre que Deus o fez, acolheu, consolou, lavou, amou»

Celebremos esta Festa das Cinco Chagas de Cristo, com toda a devoção e entrega, sabendo que em Cristo e com Cristo somos em tudo e sempre vencedores.




Festa litúrgica das Cinco Chagas do Senhor
Marinha Grande, 7 de Fevereiro de 2025
Joaquim Mexia Alves

As citações de São João de Ávila, São Josemaria e Papa Francisco foram retiradas do site Opus Dei

Texto publicado no Grãos de Areia, boletim digital da paróquia da Marinha Grande

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

O PEDIR

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«Que queres que Eu te faça?» Lc 18, 41

Perguntas-me Tu, Senhor, também, e a minha primeira resposta, o meu primeiro pedido, com humildade o confesso, é tantas vezes qualquer coisa como pedir-Te que seja feliz, que tenha neste mundo tudo o que necessito para viver uma vida sem preocupações, no fundo coisas do mundo para viver para o mundo.

Mas depois penso, reflicto, e pergunto-me como é possível estar diante de Ti no Santíssimo Sacramento, Tua presença real, e responder-Te que afinal o que quero de Ti são coisas do mundo, para o mundo.

Baixo a cabeça e espero que me perguntes outra vez.

E essa é uma verdade em que eu acredito firmemente, ou seja, que Tu nunca cessas de perguntar o que eu quero que Tu me faças, pois Tu não dás segundas oportunidades, dás todas as oportunidades para Te podermos responder e seguir segundo a Tua vontade.

Agora, Senhor, depois de me colocar verdadeiramente diante de Ti, desejo muito que a minha resposta à Tua pergunta seja:

Aumenta a minha fé, Senhor.
Ensina-me a amar, Senhor.
Ensina-me a rezar, Senhor.
Ensina-me a ser perseverante, Senhor.
Ensina-me a confiar em Ti, Senhor.
Ensina-me a esperar em Ti, Senhor.
Ensina-me a entregar-me a Ti, Senhor.
Ensina-me a ser Teu discípulo, Senhor.
Ensina-me a ser Igreja, Senhor.
Ensina-me a ser «à tua imagem e semelhança», Senhor.
Ensina-me a ser apenas segundo a Tua vontade, Senhor.
Ensina-me a esvaziar-me de mim, para me deixar encher de Ti, Senhor.

Porque assim acredito, Senhor, que me darás, afinal, tudo o que me faz verdadeiramente falta, para viver no mundo e ser feliz.

Porque afinal só Tu, Senhor, sabes o que eu realmente preciso.

Porque sempre e apenas “só Deus basta”.




Garcia, (escritos em adoração)
Joaquim Mexia Alves


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

POR AQUELES QUE NÃO GOSTAM DE MIM

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Hoje, Senhor, aqui em adoração, quero pedir por aqueles que não gostam de mim, talvez até digam mal de mim, aqueles que têm alguma coisa contra mim, justificável ou não.

Eu não sei, Senhor, de coração sincero, quem são ou possam ser, mas com certeza que existem e me julgam segundo o que pensam de mim, mas também eu o faço, confesso, tantas vezes em relação a outros.

Por isso quero juntar àqueles por quem agora Te peço, todos aqueles que eu julgo e não devia julgar, todos aqueles de quem Eu não gosto tanto, todos aqueles que por vezes até me causam irritação no meu dia a dia, por vezes até, por causa da política.

Sim, Senhor, eu sei que não sou perfeito, pobre de mim, e ao contrário de Ti, faço muitas vezes acepção de pessoas, considerando uns e desconsiderando outros.

Então também, Senhor, com certeza, haverá aqueles que me julgam pela mesma medida que eu uso para julgar outros, com certeza haverá muitos que não gostam de mim pelas mais diversas razões, pelo meu aspecto, pelas minhas atitudes e modo de viver, se calhar até pelo meu passado, e é por todos estes, Senhor, que agora Te quero pedir.

Não sei das suas necessidades, mas tenho a certeza que posso pedir para eles a Tua bênção, que abençoes as suas vidas e derrames sobre eles as Tuas graças, porque Tu sabes muito bem de tudo o que cada um deles necessita.

Quero pedir tudo isto, Senhor, abrindo meu coração à sinceridade, embora reconheça que a minha sinceridade é muito frágil.

Peço-Te, por isso, Senhor, que não olhes para essa minha insinceridade, e atendas o meu pedido de os abençoar no Teu amor, sobretudo, que Te encontrem e conTigo, por Ti em Ti, vivam o caminho da salvação.

Quanto a mim, Senhor, perdoa-me por ser tão fraco, e por julgar os outros por vezes tão severamente.

O que seria de mim, Senhor, se Tu me julgasses assim!

Entrego-os a todos nas Tuas mãos, e abandono-me à Tua misericórdia.





Garcia, (escritos em adoração)
Joaquim Mexia Alves


quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

PRESENÇA

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Olho-Te na custódia com toda a capacidade que me dás para ver, servindo-me dos meus olhos.

Semicerro-os na esperança de Te ver, de ver ao menos a Tua imagem ali presente.

E nada consigo ver!

Peço-Te, suplico-Te, Senhor, que me deixes ver-Te em todo o Teu esplendor.

Sei que não sou digno, mas ouso pedir-Te, insistentemente, essa graça.

Suavemente, como sempre fazes, vais-me conduzindo e, se não Te vejo, pelo menos sinto-Te, não só perto de mim, mas em mim.

Ouço com o coração o que me dizes sem palavras:

Acerca-Te de mim, meu filho, não com os olhos do teu corpo, mas com o desejo do teu coração.

Repara que é lá, no teu íntimo, que Eu estou sempre à tua espera.

Não procures com as coisas do mundo a Minha presença, mas procura no mundo a Minha presença em tudo aquilo que o Meu amor te dá.

Deixa-te conduzir, deixa-te envolver, fecha os teus olhos e abre o teu coração.

Assim podes ver-Me, mesmo sem Me veres, porque Eu sou o amor que coloco em ti e em todos, para que se amem uns aos outros como Eu vos amo.


Respondo-Te com as palavras do meu coração:
Obrigado, Senhor! Agora vejo-Te em amor, no amor e por amor.







Garcia, (escritos em adoração)
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

MÚSICA CELESTE

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Há uma música suave que vem ao meu coração neste momento de adoração, Senhor.

É uma música sem som, sem notas musicais, uma música que se vai formando e tomando conta de mim.

É a música do Teu amor, Senhor!

E não há, nem pode haver, música mais bela que possamos ouvir, (aliás, só se ouve com os ouvidos do coração), que possamos sentir, que a melodia do Teu amor.

Não são anjos a cantar, porque os anjos não conseguem cantar a melodia do Teu amor em toda a sua beleza.

Não é a natureza bela que criaste, Senhor, porque a natureza tem limites e a música do Teu amor é infinita e eterna.

Não é a humanidade que a canta ou interpreta, porque a melodia do Teu amor vai muito para além da humanidade, vai para além de tudo o que possamos fazer ou sentir.

Esta música suave e inexcedivelmente bela do Teu amor, é a Tua presença na Eucaristia, fonte de vida e de alegria.




Garcia, (escritos em adoração)
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

APRESENTAÇÃO DO MEU LIVRO “ORANDO EM VERSO III

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Na sexta feira, dia 24, às 21.30, no salão 1 da nossa igreja da Marinha Grande, terá lugar a apresentação do meu terceiro livro “Orando em Verso III”.

A apresentação será feita pelo meu amigo Padre Armindo Castelão Ferreira, que aceitou o nosso convite para viver connosco esta minha alegria.

Tenho de agradecer muito ao Padre Patrício Oliveira, meu amigo e meu pároco, todo o trabalho que teve na concepção, paginação, etc., deste livro, bem como a óptima fotografia do autor colocada na badana do livro e que também está impressa neste convite.

Muito obrigado pelo fantástico trabalho.

Tenho também de agradecer muito à minha amiga Daniela Sousa a excelente fotografia da capa do livro, que engrandece o livro, sem a mínima dúvida.
A fotografia é do grande crucifixo que faz parte do espólio artístico da Paróquia da Marinha Grande.

Claro que o meu maior agradecimento vai para Deus, o Pai, o Filho, o Espírito Santo, que, no Seu infinito amor, conseguiram moldar a “pedra dura” que eu era, (e ainda sou um pouco), e levar-me a escrever coisas que eu próprio não consigo, por vezes, abarcar.

À minha Mãe do Céu, dizer obrigado por tantas vezes me dar a mão quando me perco no caminho.

Todos estão convidados a juntarem-se a nós nesta noite de grande alegria para mim.

A receita da venda deste livro reverte inteiramente para a Paróquia da Marinha Grande, particularmente para o fundo para a construção do Centro Pastoral, que tanto desejamos e necessitamos na nossa paróquia.

Quem não quiser ou puder estar presente, mas quiser adquirir o livro, pode fazê-lo enviando um email para – orandoemverso@gmail.com – expressando essa intenção e na resposta será indicado o modo como poderá adquiri-lo.





Marinha Grande, 15 de Janeiro de 2025
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

PORQUE TE AMO

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E depois vêm aqueles momentos em que quero sentir-Te, quero viver-Te, quero sentir a Tua presença e … nada acontece.

Quero adorar, quero rezar, quero louvar, quero agradecer e até pedir, quero escrever e … nada acontece.

Porquê, Senhor, porque Te escondes assim de vez em quando, mesmo acreditando firmemente na Tua presença na Eucaristia?

Porque não sinto aquele calor, aquela quase exaltação, aquele quase frenesim, que me leva a alinhar palavras numa folha de papel, para dizer o mais óbvio, que Tu és amor, que Tu és tudo, que Tu és a vida e a esperança já cumprida.

Fazes-Te assim distraído, sabendo eu que estás sempre atento.

Fazes-Te assim indiferente, quando eu sei que Te preocupas constantemente.

Afinal que quero eu?

Sentir-Te, viver-Te?

Mas se eu acredito que Tu estás sempre, então porque quero eu precisar de Te sentir, de Te ouvir, se acredito que Tu estás e vives em mim sempre que me abro a Ti?

Mesmo na secura mais fria e escura, eu acredito que Tu estás sempre ali à minha espera, mais do que à minha espera, a dar-me a mão e a dizeres-me nesse Teu jeito de amor: Amas-me, Joaquim?

E eu vou dizendo que sim, que Te amo sempre, sem fim.

E Tu vais perguntado muito mais do três vezes, porque eu Te neguei e nego muito mais do que Pedro, pobre de mim.

Mas vou sempre repetindo, timidamente, como com medo de estar a mentir: Sim, Senhor, eu amo-Te.

E Tu olhas para mim, entras no meu olhar ainda cego, vais até ao meu coração, e é então que eu exclamo com surpresa e adoração: Ah, Senhor, afinal estavas aí, bem dentro de mim!

Tu sorris, fixas o Teu olhar no meu, e dizes-me cheio de amor: Porque te amo, Joaquim, porque te amo!

Obrigado, Senhor!






Garcia,
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

EM TI NADA ESQUEÇO

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De repente percebi que me faltavam o pequeno caderno e a caneta com que escrevo o que vou sentindo, o que vou vivendo nestes momentos de adoração.

Olhaste para mim, Senhor, sorriste e disseste-me: Escreve na tua mente, guarda no teu coração, depois te recordarás deste momento e assim poderás vivê-lo novamente.

Assim fiz, Senhor, e hoje deixo que venha à minha memória, ou melhor, ao meu coração, o que senti e vivi.

Foi, como sempre é, um momento de entrega, de, levado por Ti, entrar dentro de mim e conhecer-me, ou melhor, reconhecer-me no que Tu mesmo me mostras do meu ser.

Fizeste-me perceber tantas coisas boas que em mim colocas, e assim me conduziste também a entender as fraquezas que eu vou deixando acontecer na minha vida.

Não me acusaste de nada, porque Tu não és acusador, mas antes me abraçaste e, perante o meu reconhecimento do pecador que sou, percebendo o meu arrependimento, perdoaste-me e fizeste-me sentir o Teu amor.

Depois foi como se me dissesses que ficaríamos ali os dois, fazendo companhia Um ao outro, embora, Senhor, eu seja fraca companhia, porque me disperso, me deixo envolver em pensamentos que nada têm a ver com o momento.

Mas Tu, nesse Teu infinito amor que tens por mim e por cada um, recebes no Teu Coração cada breve momento em que estou verdadeiramente conTigo, como se de um tesouro se tratasse.

Percebo agora melhor a “ovelha perdida”, porque para Ti qualquer “ovelha encontrada”, qualquer momento de amor que Te é dado em verdade, é uma festa da qual só Tu conheces a real e infinita alegria, porque Tu sendo Deus, tudo vives na infinitude de tudo o que é bom.

Afinal, o “caderno” da minha mente e a “caneta” do meu coração, acabaram por reviver um pouco do que vivi conTigo naquele breve momento.

Obrigado, Jesus, meu Senhor e meu Deus.







Marinha Grande, 11 de Dezembro de 2024
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

ANO NOVO – ESPERANÇA

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Confesso que nunca me interessou como festa importante a passagem de ano.

Mas a verdade, é que embora seja apenas um dia que acaba e outro que começa, envolve também o começo de um novo ano nas nossas vidas.

Também nunca fui pessoa de estabelecer compromissos para um novo ano, porque os meus compromissos mais importantes são com a minha continua conversão e, como tal, são diários e assim os tento viver.

Obviamente que tenho de considerar o que desejo aconteça neste ano que agora vai começar, mas esses são também desejos de todos os dias, porque envolvem sempre a vontade de ver e viver numa sociedade mais justa, mais equilibrada em tudo, quer nos bens materiais, quer na justiça e sobretudo na paz entre os homens.

Estes desejos têm sempre que revestir-se de esperança, porque se assim não fosse, se não houvesse esperança, seria quase viver na fatalidade de um predestino, o que faria de cada um apenas e só marionetas de um qualquer deus.

Eu acredito em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, e por isso acredito em Deus que é amor, e acreditando no amor de Deus, acredito na liberdade total com que Ele nos criou de decidirmos sobre as nossa vidas.

Acredito que Ele está sempre connosco, e nos dá a mão para podermos ultrapassar obstáculos e provações e tantas coisas que a vida acarreta, pelo que o meu, o nosso destino está nas nossas mãos, quando fazemos a Sua vontade, que é sempre o melhor para cada um de nós, para a humanidade.

E esta confiança que tenho em Deus e no amor de Deus, é que enche totalmente a minha esperança nessa sociedade mais justa, mais fraterna, mais em paz, enfim uma sociedade que seja verdadeiramente a família dos filhos de Deus.

Mas a esperança constrói-se no dia a dia, ou seja, precisamos de fazer a nossa parte, para que confiadamente acreditemos que a esperança se há-de concretizar.

E se há coisas que envolvem os meus gestos e decisões, outras há em que me sinto como que impotente para as resolver pelas minhas próprias mãos, (como por exemplo as guerras que grassam por todo o mundo), pelo que me resta apenas e só, (e isso é tanto!), a oração e o testemunho que possa dar de amor pelos outros.

O Papa Francisco já deu início ao Jubileu ordinário de 2025, que tem por tema "A esperança não engana", em que todos deveremos procurar ser verdadeiramente “Peregrinos da Esperança”.

Então, afinal, sempre assumo o meu compromisso para o Novo Ano, que é o de testemunhar o amor fraterno e rezar sempre cada vez mais e melhor, pelos que sofrem, os que são perseguidos, os que estão envolvidos em guerra, os injustiçados, os que nada têm material e espiritualmente, os que ainda não encontraram o Deus de amor, da vida, da alegria, da esperança, que eu, graças a Ele, vivo todos os dias na vida que Ele me deu.

Desejo a todos e às famílias de cada um, aqui e no mundo inteiro, um Novo Ano cheio das bênçãos de Deus, porque as bênçãos de Deus nos trazem tudo o que necessitamos, e enchem-nos sempre de Amor e Esperança.






Marinha Grande, 30 de Dezembro de 2024
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

UM MENINO NOS FOI DADO

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Um Menino nos foi dado e cabe a cada um de nós deixá-lO nascer nossos corações, não “apenas” para O contemplarmos, para O adorarmos, para O seguirmos, mas também para O anunciarmos, para O darmos a conhecer a outros, a todos, sobretudo com o testemunho do Seu amor em nós.

E o amor desse Menino, é sempre transformador para quem por Ele se deixa tocar.

E não é um amor para guardarmos apenas e só dentro de nós, é o amor que deve extravasar de nós, transbordar de nós, de tal modo que todos possam ver e sentir como o amor desse Menino é a verdadeira paz para a humanidade.

É o amor que nos faz ter paz durante as tribulações, é o amor que nos faz ter serenidade perante as provações, é o amor que nos faz ter aceitação perante a doença, é o amor que nos faz sorrir mesmo perante a dor, é o amor que nos faz ter sempre a mão estendida para dar o pouco ou muito que temos, é o amor que faz de nós verdadeiramente «à imagem e semelhança de Deus».

«O seu nome é João» Lc 1, 63

O seu nome é Maria, Catarina, Manuel, Joaquim …

Todos os nomes daqueles que acreditam em Jesus, têm também ali o seu nome gravado.

Não como percussores, como João Baptista, mas como anunciadores, como testemunhas, como companheiros/irmãos de viagem com Deus e para Deus.

Um Menino nos foi dado e nós tantas vezes O queremos guardar apenas dentro de nós, para nós, como que ciosos de algo que nos pertence apenas a nós.

Este Menino nasce para todos, mesmo todos, e por isso não se pode guardar nem fechar numa qualquer redoma, (mesmo que seja o nosso coração), porque Ele quer ser vida em todos, e conta com cada um de nós para anunciarmos e testemunharmos com as nossas vidas que:
«Hoje e sempre nasceu-nos um Salvador, que é o Messias Senhor.» Lc 2, 11





Marinha Grande, 23 de Dezembro de 2024
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

PERDOA-ME SENHOR

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Perdoa-me, Senhor
a mim que sou pecador
coloca em mim o teu perdão
hoje e em cada dia
em que te abro o meu coração.

Perdoa-me, Senhor
que sou pobre e nada sou
derrama a Tua misericórdia
em quem tanto peca
e tão pouco amou.

Perdoa-me, Senhor
que sou um nada a Teus pés
enche-me do Teu amor
e faz-me ver
o Tudo que Tu és.

Perdoa-me, Senhor
de todas as minhas fraquezas
das minhas dúvidas
e certezas
daquilo que julgo ser
e afinal não sou.

Perdoa-me, Senhor
hoje nesta noite
e em cada dia.

Que eu padeça
me arrependa
mas em Ti
seja alegria.

Perdoa-me, Senhor
tão simplesmente
que o Teu perdão me preencha
a mim
e a toda a gente.






Marinha Grande, 16 de Dezembro de 2024
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

QUENTES E FRIOS

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Aqui, nesta capela, o frio toma conta de nós, toca-nos o corpo e faz-nos sentir o ar gélido que nos envolve.

Mas o coração está quente, porque Tu, Senhor, estás aqui a aquecer-nos com a Tua presença, com o Teu amor.

E o Teu infinito amor toca-nos, envolve-nos, enche-nos profundamente e já nada interessa exteriormente, pelo menos durante estes breves momentos,

Por vezes somos tão frios, Senhor!

Apesar de muitas práticas religiosas, que são infelizmente muitas vezes mais exteriores do que interiores, deixamo-nos “tomar” por uma fé fria, que apenas procura fazer “coisas” e não se deixa tomar pelo Teu amor, para ser amor para os outros.

Somos assim, frios para Ti, porque somos frios para aqueles que de nós necessitam.

Estava frio, Senhor, na noite em que nasceste para nós?

Pouco interessa, Senhor, porque o calor do Teu Nascimento tocou toda a humanidade, embora nos esqueçamos tantas vezes de no Teu amor sermos amor/calor para os outros.

Afinal, Senhor, muitas vezes não somos nem frios nem quentes, mas apenas mornos, o que verdadeiramente não serve para nada.

«Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente.» Ap 3,

Faz com que nos abramos inteiramente ao Teu amor neste Natal, para sermos “quentes” de amor para Ti e para todos.





Garcia, 12 de Dezembro de 2024
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

CONTO DE NATAL 2024

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Tantas vezes já tinha tentado falar com os seus pais para lhes pedir perdão por tantas coisas erradas que tinha feito e que o tinham levado a sair de casa.

Tantos problemas que tinha causado e tinham entristecido os seus pais que, no entanto, sempre lhe respondiam com todo o amor que tinham por ele.

Lembrava-se de ter saído intempestivamente de casa, dizendo que se ia embora para sempre, deixando-os mergulhados numa profunda tristeza e desalento.

Agora via tudo isso, mas naquele tempo, um qualquer mal que ele não entendia, tinha-o levado a quase odiá-los por não quererem entender, julgava ele, as suas “verdades”.

O que seria feito deles?

Sabia que viviam na mesma casa de sempre, que os anos tinham passado por eles, e alguém lhe tinha dito que viviam sem alegria.

Também ele agora, passados aqueles anos loucos em que se tinha deixado consumir pelos maus caminhos, pela droga, pela sua mania de tudo pensar saber, sentia uma enorme tristeza dentro de si que, quando reflectia conscientemente, percebia que não era só pela vida que tinha levado, mas sobretudo por aquilo que tinha feito a seus pais e por este afastamento deles que agora vivia.

De repente percebeu algo tão nítido que ficou surpreso com ele mesmo.

“Aquilo que tinha feito a seus pais”! “Tinha feito”!

Então se “tinha feito”, pensou ele, era passado e estava muito a tempo de ir ter com eles, pedir perdão e deixar que o amor que ele sabia eles lhe tinham, fazer o resto.

Mas dentro dele ainda vivia um orgulho quase incontrolado.

Ir ter com eles e pedir perdão era reconhecer que tinha errado e, se ele queria sentir a paz do perdão dentro de si, a realidade é que teria de reconhecer que afinal não era dono da verdade e tinha errado, e isso parecia-lhe uma barreira quase intransponível.

Mas ele agora estava tão bem!

Tinha vencido o vício, tinha um bom emprego, um bom apartamento, enfim, uma boa vida e, no entanto, percebia, mais uma vez, que aquela situação não o deixava ser feliz e viver em paz.

Era véspera de Natal, e ele lembrou-se de que nesse mês e nesse dia, algo de bom, de sensível, se vivia sempre em casa dos seus pais, com os preparativos e a chegada do Natal, com uma alegria calma e aconchegante.

Já não rezava há tanto tempo, pensou ele.

Tudo isso tinha afastado da sua vida e já nem se lembrava das orações que faziam em casa de seus pais.

De qualquer modo fechou os olhos, baixou a cabeça, e quase num murmúrio disse: Menino Jesus, se me amas, ajuda-me a nascer de novo.

Veio ao seu coração uma certeza inabalável: Tinha que ir a casa dos seus pais nessa noite pedir-lhes perdão e que o deixassem passar com eles a noite de Natal.

Num instante colocou algumas coisas num saco e partiu de viagem, porque já era tarde e ainda tinha muito quilómetros para fazer.

Longe, na terra de seus pais, já se celebrava a Missa do Galo e eles lá estavam, como sempre na igreja, tentando viver com alguma alegria a noite de Natal.

Mas era quase impossível, porque o seu filho longe e sem saberem onde, gerava uma tristeza muito profunda nos seus corações.

Deram as mãos no Pai Nosso e mesmo sem dizerem nada um ao outro, sabiam que nessa oração pediam ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo por aquele filho a quem tanto amavam.

Acabada a Missa saíram da igreja e caminharam apressadamente, por causa do frio, para sua casa que era ali bem perto.

Quando chegaram perto de casa, perceberam que junto à porta de entrada estava um vulto de homem, e ficaram um pouco receosos.

À medida que se aproximavam parecia-lhes que o ar se tornava mais leve, que uma qualquer melodia enchia aquela rua, que uma expectativa alegre tomava conta dos seus corações.

Foi então que reconheceram o seu filho junto à porta e, sem pensarem nem um pouco, correram para ele enquanto ele corria para eles, também.

Abraçaram-se chorando de alegria e quando ele tentava pedir-lhes perdão, eles só lhe diziam: Obrigado, obrigado por teres vindo ter connosco. Vem, entremos em casa e vivamos o Natal que fez renascer o nosso menino.

No presépio, podiam jurar que o Menino Jesus, Maria e José, sorriam embevecidos com os abraços intermináveis daquela família.




Marinha Grande, 10 de Dezembro de 2024
Joaquim Mexia Alves

Com este Conto de Natal desejo a todas as pessoas que visitarem este espaço um Santo Natal, vivido no amor e na alegria de Deus que se fez Homem para nós.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

COMUNHÃO E RAZÃO

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É melhor ser comunhão do que ter razão.

Se somos comunhão somos sempre pela razão, pela união, mas se queremos apenas ter razão, somos muitas vezes “pedras” na comunhão, somos muitas vezes desunião e divisão.

A comunhão implica sempre uma abertura ao outro, uma aceitação do outro, o amor pelo outro e assim leva-nos sempre a tentar perceber a razão do outro e também levará o outro a procurar entender a nossa razão.

E, nesta aceitação e entendimento mútuo, a razão que eu sustento encontra-se com a razão do outro.

Então se a minha razão entende e aceita a razão do outro e assim reciprocamente, passa a haver apenas a procura pela única razão, a Verdade, e então acontece a comunhão, porque a Verdade e a comunhão já estavam “inscritas” na razão de cada um.

Jesus nunca desmerece da razão daqueles que O procuram, mas sim tenta entender a razão deles, para em comunhão os fazer entender a única razão, que é a Verdade que Ele é.

Se neles houver espírito de comunhão, então encontram a verdadeira razão.

E assim se dá a comunhão, na Verdade.

Quem permanece na sua razão, sem olhar o outro tentando entender a sua razão, torna-se divisão e não deixa que aconteça a comunhão com o outro, para juntos procurarem a verdadeira e única razão, a Verdade.

A razão maior é sempre o amor, e o amor é sempre comunhão, porque o amor tudo vence e permanece para sempre.







Garcia, 4 de Novembro de 2024
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

FAÇA-SE A TUA VONTADE

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Onde está a minha confiança e a minha esperança em Ti, Senhor?

Vem a provação e a dificuldade e logo me pergunto se Te esqueceste de mim?

Não, Senhor, não duvido do Teu amor, nem da Tua presença na Eucaristia, mas a minha fraqueza faz-me sempre questionar porque é que os obstáculos aparecem quando tudo parece estar a correr bem.

Por momentos fico assim como que desamparado, como se duvidasse que olhas por mim, mas logo vem o chamamento à oração, o chamamento para me entregar nas Tuas mãos, para confiar e esperar.

A mente balança na sua humanidade, mas o coração firma-se no amor, no Teu amor, e a provação e a dificuldade parecem afastar-se de mim.

Renasce a confiança, a esperança, e logo me sinto mais em paz, mais em comunhão conTigo.

Às vezes quero perceber o porquê de tudo acontecer, mas logo penso que não me compete saber o porquê de tantas coisas que me acontecem, mas apenas aceitá-las e com a força que me dás, ultrapassá-las.

Eis-me aqui, Senhor, faz o que Te aprouver de mim e em mim.

Apenas Te peço a fé, a força, a confiança, a esperança, para tudo aceitar em amor, no Teu amor.

Eis-me aqui, Senhor!
Faça-se a Tua vontade!







Garcia, (escritos em adoração)

Joaquim Mexia Alves


segunda-feira, 18 de novembro de 2024

A PROCURA

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Procuramos tantas coisas na vida e a maior parte das vezes não encontramos verdadeiramente aquilo que procuramos.

E mesmo quando encontramos o que procuramos, sentimo-nos muitas vezes defraudados, porque afinal a confiança e esperança que colocávamos na nossa procura, não corresponde às nossas expectativas.

Porque afinal aquilo que encontrámos não modifica grandemente a nossa vida, porque afinal não corresponde exactamente àquilo que procurávamos, porque afinal não preenche totalmente os nossos anseios, porque afinal não nos faz mais felizes, mais completos, mais conhecedores de nós mesmos e mais em comunhão com os outros.

Por isso “partimos” de novo à procura de algo que vá para além das nossas expectativas, de algo que nos surpreenda, de algo que encha a nossa vida, apesar das dificuldades e provações.

E afinal, basta procurar-Te, Senhor, ou melhor, basta deixarmo-nos encontrar por Ti, basta ouvir o Teu bater à nossa porta, basta dizer: Aqui estou, Senhor, enche a minha vida.

Depois, Tu surpreendes-nos, porque nos dás sempre muito mais do que nós esperamos, embora tantas vezes não nos apercebamos verdadeiramente do tudo que nos dás.

Se estivermos em Ti e Tu em nós, todo um mundo novo se abre para nós, e aquilo que às vezes não compreendíamos, passamos então a entender como caminho para completar a vida que Tu mesmo nos dás.

Afinal, procurar-Te e deixarmo-nos encontrar por Ti, preenche todas as nossas necessidades, porque ninguém como Tu, Senhor, conhece e sabe do que verdadeiramente precisamos.

E assim podem vir as tormentas, as provações, as dificuldades, que sabemos que Tu estás connosco e nos ajudas a ultrapassar tudo isso, transformando tudo em caminho de encontro com nós mesmos e com as nossas fragilidades, caminho para Te encontrarmos em nós e nos outros.

Então vamo-nos completando «à Tua imagem e semelhança» para um dia na Tua presença, vivermos o amor, do amor e no amor para sempre.





Garcia, 7 de Novembro de 2024
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

terça-feira, 12 de novembro de 2024

A PESCA

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Anda comigo, vamos à pesca.

Mas, Senhor, eu não sei pescar.

Não faz mal. Vem comigo que Eu ensino-te como pescar.

Mas, Senhor, eu não tenho barco, não tenho rede, não tenho cana, nem linha, nem anzol, como queres Tu que eu pesque?

Sabes, meu filho, não te disse antes, mas vou-te dizer agora.
Não te ofendas comigo, mas tu serás o Meu isco para pescar.

Eu, Senhor, o Teu isco???
Estou velho e sem sabor, nem beleza, nem brilho. Como poderei eu ser um isco apetecível para a pesca?

Não te preocupes e faz apenas o que te digo, o que Eu te peço para fazeres.

Então, Senhor, diz que eu estou aqui para ouvir e a tentar fazer tudo o que me pedires.

Olha, meu filho, que o teu barco seja a Igreja, a tua rede seja a paz e a alegria, a tua cana seja a Palavra, a tua linha a oração e o teu anzol seja o amor.

Oh, Senhor, mas como posso eu ter tudo isso se sou tão fraco e volúvel, tão inconstante e frágil, tão orgulhoso e vaidoso?

Acredita que tudo isso será importante para que a tua pesca tenha sucesso.

Como assim, Senhor?

É que se fizeres tudo o que te peço e como te peço, tudo isso será motivo para que outros vejam a mudança em ti, e essa será uma das razões para que queiram entrar na rede do amor.

Afinal, Senhor, Tu é que és o pescador, e eu sou apenas um humilde servidor que se entrega à a Tua vontade.

Vamos então, meu filho, a pesca só depende da tua entrega, porque tudo o resto sou Eu que faço.
Sim, meu filho, porque o verdadeiro “isco” sou Eu.

Obrigado, Senhor, por me aceitares na Tua barca e Te quereres servir de mim na pesca milagrosa de todos os dias.






Garcia, 28 de Outubro de 2024
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)