sexta-feira, 5 de setembro de 2008

PRECE SENTIDA

Senhor, tenho amigos, amigas que estão tristes, desolados, preocupados, a atravessar desertos de vida, com provações, com terríveis dificuldades de vida.

Mas Senhor, do que eles mais se queixam é que não Te ouvem, não Te sentem, não se apercebem da Tua presença junto deles.

Querem amar, querem confiar, querem esperar, mas a fraqueza da nossa humanidade leva-os a duvidar, a revoltarem-se, a quase desesperarem.

Mas eu sei Senhor que Tu estás aí, junto deles, que até os carregas ao colo nas suas dificuldades, que seriam bem maiores se Tu não estivesses com eles.

Então Senhor porque não Te mostras, porque não suavizas a sua dor com o Teu ósculo de amor, porque não lhes fazes sentir a Tua presença viva neles e com eles?

Não Te peço Senhor que resolvas os seus problemas, as suas dificuldades, peço-Te que os deixes sentir que não os abandonas, que os amas ainda mais agora, e que não deixas de os guiar no caminho certo.

Só isso lhes chegará Senhor, para que fortalecidos pela graça do Teu amor, se sintam capazes de arrostar com as dificuldades, de vencer as provações.

Não Te escondas Senhor quando precisamos mais de Ti.

Não coloques mais à prova a nossa fé, porque somos fracos.

Dizes que não seremos provados acima das nossas forças.
Mas como saberemos nós Senhor até onde chegam as nossas forças?

Ouve a prece dos teus filhos que angustiados a Ti recorrem e concede-lhes a graça da conversão íntima, num encontro pessoal conTigo, que os leve à coragem dos que nada temem, porque Tu estás com eles.

Assim Senhor, as orações de petição transformar-se-ão em orações de louvor pelas provações, pelas dificuldades, e de mansinho, como sempre fazes, Tu lhes darás o alívio para as suas dores.

Porque nós queremos em Ti, Senhor, mesmo quando parece que Tu não estás connosco.

Porque nós Te amamos, mesmo quando parece que Tu não nos amas.

Porque Tu não podes deixar de nos amar, porque Tu não podes deixar de estar connosco, porque foi assim que nos criaste:
Para que amando-nos, nós amemos também, para que estando connosco sempre, nós estejamos uns com os outros também.

Por isso Senhor, unidos numa só oração, direita ao Teu Coração, nós Te pedimos:
Fala Senhor, que os teus servos escutam!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

COMUNIDADE E TESTEMUNHO

Está aqui nas Termas de Monte Real em tratamento e exercendo a capelania da Capela das Termas, (como aliás todos os anos), o Padre José da Lapa, sacerdote que trouxe o Renovamento Carismático Católico para Portugal.
São sempre quinze dias de caminhada espiritual proporcionada àqueles que nesse tempo frequentam as Termas.
Eucaristia às 9h,30m e oração do Rosário, com exposição e adoração do Santíssimo às 17h e meditação da Palavra de Deus.
Como sempre também, o meu amigo Padre José da Lapa, "culpado" em grande parte pela minha conversão, convidou-me para falar numa das tardes, ajudando, dirigindo a meditação/reflexão sobre a Palavra de Deus.
São meditações/reflexões simples, acessíveis a todos.
Como sempre faço, umas horas antes recolhi-me em oração e pedi ao Espírito Santo que me conduzisse, que me "mostrasse" aquilo que queria dar-nos para nossa meditação.
Normalmente, depois de abrir a Biblia, fico em meditação e vou tomando pequenas notas do que me vem ao coração, e é sobre essas notas que depois desenvolvo oralmente a reflexão.
Mas desta vez, logo desde o início, dei por mim a escrever tudo o que deveria dizer, pelo que esta meditação/reflexão, ficou desde logo escrita e portanto assim foi lida, com algumas poucas intervenções "improvisadas" para explicar melhor certos pontos.
E por que ela ficou escrita, aqui vo-la deixo.
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Quando hoje tentava perceber o que o Senhor queria colocar no meu coração para servir de nossa reflexão, abri a Bíblia e o texto em que coloquei os olhos foi: 2 Cor 13,11-13.
«De resto, irmãos, sede alegres, tendei para a perfeição, confortai-vos uns aos outros, tende um mesmo sentir, vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco.
Saudai-vos mutuamente com o ósculo santo. Saúdam-vos todos os santos.
A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!»

Julguei, pobre de mim, que não deveria ser isto que Ele queria que meditássemos e depois de mais uma oração voltei a abrir a Bíblia e então o texto foi: Act 2, 42-47.
«Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações.
Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, o temor dominava todos os espíritos.
Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um.
Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo.
E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação.»

Não havia então dúvidas que o Senhor nos chamava a atenção, que o Senhor queria que reflectíssemos para o modo como vivemos a fé, como vivemos o amor, como vivemos como irmãos, como vivemos em sociedade, como vivemos em comunidade.

E é bem verdade que cada vez mais, se os homens não se ajudarem mutuamente, não se ampararem mutuamente, com muita mais facilidade poderão fracassar, sucumbir, desesperar.

E esta ajuda mútua não pode ser apenas material, mas também emocional, humana, espiritual.

Percebemos, vamos percebendo que cada vez menos podemos contar com os estados para suprirem as nossas dificuldades, as nossas provações, os nossos sofrimentos, e mesmo essa ajuda dos estados é sempre muito impessoal, muito específica, limitando-se muito mais ao material do que a todo o resto que envolve o homem.

Reparemos então que o Senhor nos concede agora um campo de excelência para colocarmos em prática a fé que afirmamos professar.

Talvez os outros já não esperem nada de nós, cristãos e católicos, talvez não nos achem diferentes, talvez julguem que não somos capazes de fazer mais do que os outros.

Por isso mesmo é cada vez mais tempo de nos deixarmos envolver verdadeiramente no amor de Deus que nos transforma, que nos dá forças e coragem, para lutarmos não só por nós, mas sobretudo pelos outros.

O nosso testemunho tem de ser cada vez mais um testemunho vivo, que confirme nas atitudes, nas acções, aquilo que afirmamos acreditar e viver, que confirme o nosso compromisso com Jesus Cristo.

E esse testemunho tem de ser dado no concreto da vida, junto dos que sofrem, dos que mais precisam, seja materialmente, seja espiritualmente.
E não são os pobres "materiais" que precisam de nós, pois há muito rico em bens que é muito pobre espiritualmente.

Os jovens olham para nós e por isso mesmo temos de dar um testemunho de que a nossa fé é verdadeira, que acreditamos que o nosso Deus é um Deus vivo que está no meio de nós.

Porque somos tantas vezes tão tristes, tão desesperados, tão pessimistas?

Porque colocamos tantas vezes a nossa esperança em fórmulas de oração repetidas a um qualquer Santo ou Santa, (e não me refiro às novenas), com coisas tão sem sentido como ter de fazer 25 fotocópias disto ou daquilo, como forma de obter uma qualquer graça?

Já parámos para pensar o que é que isso diz aos jovens, o que pensam eles desse tipo de atitudes?

Quando por vezes colocamos as pessoas mais velhas em lares, arranjando desculpas que realmente não são mais do que desculpas recheadas de egoísmo da nossa parte, (embora claro haja casos de necessidade verdadeira), que testemunho damos aos jovens sobre o amor que devem ter aos seus pais, aos mais velhos?

E que esperamos nós que eles nos façam quando chegar o nosso tempo?

É Jesus quem nos diz em Lc 8, 21, quando Lhe falam da Sua família:
«Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põe em prática».

Hoje o mundo não se comove com atitudes “beatas”, mas impressiona-se com um testemunho de vida desprendida, daqueles que pensam nos outros, que ajudam os outros, que se preocupam com os outros, que são enfim missionários da Palavra de Deus na prática do dia a dia, na Igreja, na família, no trabalho, no descanso, em cada momento e em qualquer lado.

Só o amor pode gerar amor, e só o amor pode levar à felicidade, meta que cada mulher, cada homem quer atingir.

Diz-se que o dinheiro ajuda à felicidade, e é verdade se dispusermos dos nossos bens em favor daqueles que mais precisam.

Como queremos nós ter a «simpatia do povo» Act 2, 47, se vivermos fechados em nós próprios, para as nossas vidas, para a vida dos que nos são mais próximos de quem gostamos, para as nossas coisas que apenas nos servem a nós?

Jesus Cristo veio ao mundo, fez-se Homem para todos e deu-nos a missão de O darmos a conhecer a todos, de O levarmos a todos.

E não nos deixou sós, ficou connosco e derramou em nós o Espírito Santo.

E é o Espírito Santo que devemos, que temos de pedir todos os dias, para que nos guie, nos conduza e nos faça cumprir a missão a que fomos chamados e dizemos acreditar.

Conduzidos pelo Espírito Santo e a Ele entregues seremos então verdadeira família de Jesus, filhos de Deus, do Deus de amor que a todos ama por igual.

Não tem sentido vivermos para a nossa salvação, apenas vivendo para a nossa própria salvação!

Tem sentido sim, e é isso a que somos chamados, procurarmos a salvação de todos para também nós nos salvarmos.

O mundo precisa de nós, do nosso testemunho de filhos de Deus, e Cristo quer precisar de nós para ajudarmos na salvação da humanidade, que é dom, que é graça, já o sabemos, mas a que temos de nos abrir, para podermos receber.

Por isso não é só entre nós cristãos empenhados, nas nossas comunidades paroquiais, que assim devemos proceder, mas em todos os momentos e lugares, sobretudo junto daqueles que mais precisam e mais longe estão da verdade do amor de Deus.

Vivamos sempre conforme aquilo que São Paulo nos diz no primeiro texto da 2 Cor 13, 11-12:
«De resto, irmãos, sede alegres, tendei para a perfeição, confortai-vos uns aos outros, tende um mesmo sentir, vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco.
Saudai-vos mutuamente com o ósculo santo. Saúdam-vos todos os santos.»

Saudemo-nos também nós agora no fim desta meditação com esse ósculo santo, testemunhado por todos os santos, e que esta saudação que agora aqui vamos dar entre nós, seja repetida no dia a dia das nossas vidas junto dos outros, sempre que o Senhor Jesus Cristo o colocar nos nossos corações.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

ELE ESTÁ À NOSSA ESPERA!

Era um dia férias, faz quatro dias agora, e esperava por uns irmãos da Comunidade que tinha convidado para almoçarem comigo na praia.
Caminhei em direcção ao restaurante apesar de ainda faltar muito tempo para a hora marcada e à medida que caminhava lembrei-me que mesmo ao lado do restaurante ficava a capela da praia, e logo decidi que era o melhor sitio para esperar por eles.
A verdade é que para além do mais, nestes dois curtos dias de férias a minha oração tinha sido pouca, o tempo que tinha dedicado a Quem me tinha dado as férias tinha sido muito pouco.
Assim era tempo de Lhe dizer pessoalmente, que estava um pouco envergonhado, que tinha esmorecido a minha oração, a minha intercessão por aqueles que me confiam as suas preocupações, que tinha enfim gasto tempo em nada, quando Ele era tudo e tudo podia fazer do tempo que eu gastava.
Entrei na capela e logo agradeci a primeira graça que Ele me dava:
Não estava ninguém, por isso podia estar em paz, sem interferências. Era um bocadinho egoísta, é certo, mas a verdade é que precisava daquele tempo que Ele de forma tão simples me proporcionava.
E foi um nunca acabar de orações, de pedir perdão, de pedir pelos outros e por mim também, de desfiar preocupações, dúvidas, planos e projectos, enfim a minha cabeça não me dava descanso, não Lhe dava descanso e sobretudo não permitia sequer que Ele falasse comigo, que Ele me deixasse sentir a Sua presença.
Ao fim de uns trinta minutos esgotei assunto, ou Ele o esgotou em mim e dei por mim de cabeça entre as mãos, sentado com os cotovelos nos joelhos e dizendo-Lhe cheio de vergonha, mas com o coração nas mãos:
Caramba ainda nem sequer me calei desde que aqui entrei, e ainda nem deixei que me dissesses o que queres de mim, o que me queres dizer, o que queres precisar de mim!
De mansinho, muito de mansinho, como aquela brisa, sabem, a calma foi chegando, a paz foi-se instalando, deixei de ter peso, de ter espaço, de ter tempo e Ele foi tomando conta de mim, foi-me envolvendo, foi-me aconchegando, acarinhando, abraçando, até que ficámos ali os dois, apenas os dois e mais nada, nem paredes, nem bancos, nem barulhos da rua, nem nada que perturbasse aquele momento de amor.
Não sou muito dado a momentos místicos, mas aquele momento levou-me a um estado de paz, de alegria interior, de certeza da presença de Deus em mim e comigo e sem dúvida nos outros.
Baixinho, sussurrando, disse-Lhe absolutamente convicto de que me ouvia:
Obrigado Senhor!
Ouvi-O também no meu coração dizer-me:
Vês como também no mundo se vive o Paraíso?
Pois é muito mais do que isto, muito mais, o que prometi e prometo a todos os que Me seguirem.
Ainda Lhe perguntei na minha pequenez:
Que queres de mim, Senhor?
E Ele respondeu amorosamente:
Nada! Agora neste momento não quero nada de ti!
Queria apenas que soubesses que Eu estou sempre, sempre convosco!
Um choro de criança na rua fez-me perceber que aquele momento tinha acabado, mas que era sempre possível quando nos deixamos envolver pelo Mestre, quando nos deixamos tocar pelo Seu amor.
Olhei para o relógio e o telemóvel vibrou!
Eram eles, estavam a chegar, ali mesmo à porta da capela!
O tempo que eu tinha gasto, tinha-O Ele arranjado para Se encontrar comigo e me lembrar do Seu eterno amor por nós!

Isto aconteceu comigo, agora neste tempo!
Não o inventei, mas senti-O, mas vivi-O!
Não hesites, vai à Sua procura.
Entra numa igreja, no silêncio do teu quarto, ou do sítio que escolheres e quando lá chegares reza, fala, pede, intercede, esgota todo o assunto e depois deixa que Ele tome conta de ti e preencha o teu silêncio!
Ele não falha, Ele não falta, Ele está à tua espera!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

DÁ-LHE UMA CANA, NÃO LHE DÊS O PEIXE...

No outro dia, quando estava na Missa e durante a acção de graças, veio ao meu pensamento aquele provérbio ou ditado chinês, (segundo dizem), e que diz mais ou menos o seguinte:
«Não dês ao pobre o peixe, mas dá-lhe uma cana e ensina-o a pescar.»
Fiquei ali a pensar um pouco no que é que o Senhor me queria dizer com aquilo e depois da Missa e já em casa, e até agora, volta e meia o provérbio vem ao meu pensamento.
Nós somos os pobres que tudo pedimos a Deus e muito gostaríamos que Ele tudo nos desse sem termos nenhum trabalho, ou seja, sem conduzirmos as nossas vidas segundo a Sua vontade.
Mas Ele que nos conhece bem melhor do que nós nos conhecemos, nunca nos dá tudo o que queremos, e sobretudo não nos dá sem haver esforço do nosso lado, porque Ele sabe muito bem que se nada nos faltar, também Ele, pensaremos nós, nos deixará de fazer falta, e sem Ele não poderemos salvar-nos, não poderemos encontrar a verdadeira vida a verdadeira felicidade.
Ou seja, Deus não nos dá o peixe, mas dá-nos a cana e ensina-nos a pescar.
‘Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.»’ Jo 21,6
Mas muitos de nós também, em vez de nos servirmos da cana que Ele nos dá para pescarmos, para encontrarmos o caminho das nossas vidas, deitamos fora a cana e vamos procurar outra ou outras canas, pensando nós que serão melhores e mais rápidas para encontrarmos a felicidade.
A cana que Ele nos dá chama-se amor, as canas que nós procuramos e com as quais pensamos conseguir a vida chamam-se dinheiro, egoísmo, obcecação pelo trabalho, obcecação pelo sexo, etc, etc.
É que com estas canas, parece-nos que alcançamos muito rapidamente aquilo que julgamos ser a felicidade, mas a verdade é que esses momentos são muito efémeros, podem durar mais ou menos tempo, mas acabam sempre e normalmente com grandes frustrações.
Já a cana do amor, usada com os ensinamentos do Mestre leva-nos a encontrar o verdadeiro sentido da vida e assim sendo o caminho da felicidade que encontra a plenitude na comunhão com Cristo.
O “peixe” que pescamos com a cana que Deus nos dá, é sempre um “peixe” que acrescenta algo às nossas vidas, que nos vai fazendo crescer, que se torna vida em nós e que por fim nos leva ao encontro final e eterno com Deus.
O “peixe” que pescamos com as canas que arranjamos no mundo, é sempre um “peixe” que serve no momento, mas depois se esgota, que nada acrescenta às nossas vidas a não ser momentos fugazes de prazer, que acaba por nos conduzir a uma eternidade sem Deus, e portanto a uma eternidade “morta”.
O curioso é que com a cana que Deus nos dá também podemos pescar coisas do mundo, e servirmo-nos delas para nós e para os outros, mas com as canas que o mundo nos dá nunca podemos pescar as coisas de Deus, que nos dão a verdadeira vida.
«Dá-nos Senhor, a cada um, a cana que precisamos em cada momento, para “pescarmos” com o Teu amor e no Teu amor, as nossas vidas.»

sexta-feira, 25 de julho de 2008

SOU NADA, SENHOR!

Estou aqui sentado a olhar para as letras, e pedindo-te Senhor que as organizes, que faças delas palavras, que lhes confiras a força que só Tu podes conferir.
Mas escrever o quê? Escrever sobre o quê? Escrever como?
Se és Tu que inspiras tudo o que aqui escrevo, (ou pelo menos é a isso que me predisponho), como posso eu escrever se Tu nada me inspiras?
Ah Senhor, julgo que compreendo!
Queres que escreva então sobre o meu nada, sobre tudo aquilo que eu não sou, quando me penso sozinho, quando me vivo sozinho.
Queres que eu perceba que quando não penso conTigo, o pensamento é pobre, sem finalidade, sem chama nem alcance.
Queres que eu perceba que quando não vivo conTigo, a vida é estéril, sem sentido, sem calor e sem amor, não me serve a mim e nem serve aos outros.
Queres que eu perceba, Senhor, que sem Ti eu nada sou e o que faço não vale nada.
Como posso eu colocar amor no que faço, se o faço longe do Teu amor?
Como posso eu esperar que as minhas palavras actuem, se elas são minhas e não tuas?
Como posso eu esperar que os meus passos me levem a algum lado, se eles são passos do meu querer e não os passos da Tua vontade?
Como posso eu querer dar vida da minha vida, se me afasto da vida que Tu és, e que assim sendo és vida em mim?
É isso Senhor, sou nada, porque Tu és Tudo!
E para eu ser Senhor, aquilo que queres que eu seja, então tens de ser Tu em mim, porque sem Ti eu nada sou.
Ah Senhor, percebo agora Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim».
Mas estou tão longe Senhor, tão longe ainda!
Recorro Senhor Àquela que se fez Sim, para que Tu fosses nEla a vida que não tem fim, a vida para todos os teus, a vida também para mim.
E peço-Lhe, como um dia me ensinaste:
«Mãe, ensina-me a ser nada, para que Cristo seja tudo em mim».

quarta-feira, 16 de julho de 2008

«HONRAR PAI E MÃE»


Senhor, somos tantas vezes egoístas para com aqueles que, colaborando conTigo, nos deram a vida.
Lembrava no outro dia, Senhor, quando meditava neste mandamento do Teu amor, que quando era mais novo, não existiam tantos lares de terceira idade.
Terceira idade, Senhor, que maneira tão fria temos nós de tratar aqueles que nos deram a vida ou aqueles que os ajudaram a fazer de nós mulheres e homens adultos.
Como o mundo se faz cada vez menos humano!
Tantas desculpas arranjamos nós, Senhor, para colocarmos os nossos pais, avós, tios e por aí fora, nesses lares de terceira idade.
Até já arranjamos lares, dos quais dizemos que têm condições muito boas, melhores do que se estivessem em casa.
Tudo serve para afastarmos de nós essa responsabilidade de amor.
É que ali estão acompanhados, é que ali estão protegidos, é que ali têm serviços de saúde, é que ali tratam deles, é que ali…
É que sabes, Senhor, as nossas casas são pequenas não os podemos ter connosco e depois estamos muito tempo fora, a trabalhar...
Tantas desculpas!
O que se diria, se quando nós nascemos os nossos pais nos colocassem num orfanato por causa da falta de espaço lá em casa, ou porque tinham de trabalhar, ou porque … qualquer outra razão daquelas que arranjamos com tanta facilidade.
E a maior e pior desculpa, Senhor!
Eles gostam de lá estar, é bem melhor para eles!
Amam-nos tanto Senhor, que para não nos pesarem, para não nos magoarem, acabam por dizer até aquilo que não sentem!
Sim Senhor, eu sei que com alguns terá mesmo de ser, porque não há outra hipótese Senhor!
Mas quantos, quantos verdadeiramente!
Uma minoria!
Porque não fazemos nós por eles, os sacrifícios que eles fizeram por nós!
E é este o testemunho que damos aos nossos filhos, não é Senhor!
Lá chegará o nosso tempo, não é Senhor!
Lá chegará o tempo em que também seremos colocados nesses lares, Senhor e talvez então percebamos o que fizemos aos nossos pais, aos nossos avós, aos nossos tios, a todos aqueles por quem não nos esforçámos tanto, como eles se esforçaram por nós.
Tão egoístas Senhor, tão egoístas que nós somos Senhor!
Tem piedade de nós e ensina-nos o caminho do amor, ensina-nos que o nosso próximo mais próximo é aquele que está em nossa casa e que nós tantas vezes afastamos.
Ensina-nos Senhor, para que verdadeiramente saibamos «Honrar pai e mãe» e neles, todos aqueles que nos ajudaram a viver, a crescer.
E obrigado Senhor, por estares sempre connosco e não nos colocares em nenhum “lar” longe de Ti!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

"VINDE A MIM, TODOS OS QUE ESTAIS CANSADOS E OPRIMIDOS"...

Como a vida lhe pesava nos ombros!
Como tudo lhe parecia perdido, os anos que tinha vivido, a entrega que tinha feito àquela família, o empenho que nela tinha colocado!
Tudo se desmoronava como um castelo de cartas, agora que, depois de anos e anos de violência doméstica tinha decidido pôr fim àquela união!
O que mais lhe custava ao ter saído de casa por vontade própria era pensar que não se podia aproximar mais daquEle que tinha sido e era a sua força, a sua alegria, no meio de tanta incerteza, de tanta dor, de tanta revolta.
Tinham-lhe dito que se saísse de casa, se abandonasse aquela união, aquele casamento, nunca mais poderia aproximar-se da Comunhão, da Eucaristia, e isso tinha-a levado sempre a dar cada vez mais de si, a perdoar cada vez mais as afrontas, as violências, mas agora já não podia mais porque a sua vida estava em risco e com ela a dos seus filhos.
Não conseguia imaginar a sua vida sem a Comunhão, sem a Eucaristia, sem sentir e viver a presença constante do amor de Deus na sua vida.
Não podia ser assim!
Ela sentia que não podia ser assim!
Diziam-lhe que não, que não havia possibilidades, que era Doutrina da Igreja, que a Igreja não aceitava as pessoas que “abandonavam” os seus casamentos, mas ela, embora por vezes revoltada com aquela Igreja, sentia que algo estava mal, que verdadeiramente não era assim.
Deus não podia querer que ela colocasse a sua vida e a dos seus filhos em risco, perante a violência que aquele que ela tinha escolhido para seu marido e pai dos seus filhos, vinha exercendo diariamente sobre ela e sobre eles.
Ela sabia que tinha feito tudo, tudo o que lhe era humanamente possível, para resolver aquela situação.
Tinha perdoado, tinha esquecido, tinha calado, tinha rezado, (se tinha rezado, todos os dias fervorosamente), tinha pedido ajuda para ele e para ela e nada, nada mudava, a violência continuava e cada vez mais perigosa, (parecia até que a sua maneira de estar, de perdoar, ainda o levava a fazer pior), de tal modo que sentia que a sua vida agora estava verdadeiramente em risco e que portanto tinha de tomar a decisão que acabou por tomar.
Mas não acreditava, apesar de tudo o que lhe diziam, que a Igreja não a acolhesse no seu seio, não acolhesse aqueles que sofrem.
Decidiu ir falar com alguém que realmente lhe dissesse a verdade da Doutrina, a verdade do que a Igreja dizia sobre o problema que ela vivia e sobre o qual tinha tomado aquela decisão tão amarga e difícil.
Procurou um sacerdote, alguém da sua confiança, aquele que tantas vezes a tinha acolhido e com ela tinha vivido esses momentos tão difíceis, e abriu-lhe o coração.
Queria saber, como tantos lhe diziam, se já não podia ir à igreja, se já não podia participar da Eucaristia, se já não podia confessar-se e receber a Comunhão.
Queria saber enfim, se aos olhos da Igreja ela era uma proscrita, uma não desejada, uma que já não era aceite.
O sacerdote, mais uma vez, ouviu-a em silêncio, pesou todas as suas palavras, todas as suas dores, todas as suas razões, todos os seus motivos e por fim disse-lhe:
- Conheço bem o teu caso, o teu problema e a amargura, a dor, com que tomaste a decisão de sair de casa com os teus filhos.
Sei bem que fizeste tudo o que estava ao teu alcance para evitar esta decisão, que chegaste até a humilhar-te, para tentar salvar o teu casamento.
Quero dizer-te em primeiro lugar que a Igreja nunca afastou ninguém do seu seio, pelo contrário tenta sempre acolher aqueles que sofrem, aqueles que se sentem sozinhos, aqueles que procuram em Deus a realização plena das suas vidas.
Muitos membros da Igreja não entendem assim, (não os podemos condenar, porque com certeza não têm o conhecimento suficiente do Mistério que é a Igreja), e por isso julgam o que não deviam julgar e tomam como certas, opiniões que afinal são só suas.
Mas não, a Igreja não condena o teu acto, porque o tomaste depois de esgotadas todas as hipóteses de solução, depois de teres tentado até ao limite das tuas forças salvar o Matrimónio que um dia contraíste livremente perante Deus, e que por razões várias acabou por se transformar numa prisão perigosa para ti e para os teus filhos, deixando de ser a realização plena do amor entre homem e mulher que Deus quis e para o qual os criou.
Podes, digo-te eu, participar da Eucaristia, comungar o Corpo e o Sangue de Cristo, confessar-te sempre que precisares e o desejares, apenas com a condição de te manteres casta, sem te unires a outro homem, a não ser que, por razões ponderosas que eu não posso analisar aqui, o Tribunal Eclesiástico analisando as condições em que foi celebrado e vivido o teu Matrimónio, a teu pedido, possa afirmar que o Sacramento do Matrimónio não aconteceu verdadeiramente, e decretar a sua nulidade.
Mas para que não tenhas dúvidas no que te afirmo aqui te leio os cânones do Código de Direito Canónico que confirmam as minhas palavras:
«Cân 1151 – Os conjugues têm o dever e o direito de manter a convivência conjugal, a não ser que uma causa legitima os escuse.
Cân 1153 - § 1. Se um dos conjugues provocar grave perigo da alma ou do corpo para o outro ou para os filhos, ou de algum modo tornar a vida comum demasiado dura, proporciona ao outro causa legítima de separação, quer por decreto do Ordinário do lugar, quer também, se houver perigo na demora, por autoridade própria.
§ 2. Em todos os casos, cessando a causa da separação, deve ser restaurada a vida conjugal em comum, a não ser que a autoridade eclesiástica determine outra coisa.»

Claro que para teres a certeza da bondade da tua decisão, mesmo depois de tomada, deves recorrer à ajuda no discernimento de um sacerdote, ou até mesmo do teu Bispo, que te ajudará a dares os passos certos para conformares a tua decisão com a Doutrina da Igreja.
Mas para além destas instruções que te informo, há muito mais documentos da Igreja que atestam a possibilidade dos separados, por razões como a tua e outras mais, poderem continuar a receber os Sacramentos da Igreja, e entre os quais te cito, a Exortação Apostólica “Familiares consortio”, de João Paulo II, que no ponto 83 diz:
«Motivos diversos, quais incompreensões recíprocas, incapacidade de abertura a relações interpessoais, etc. podem conduzir dolorosamente o matrimónio válido a uma fractura muitas vezes irreparável. Obviamente que a separação deve ser considerada remédio extremo, depois que se tenham demonstrado vãs todas as tentativas razoáveis.
A solidão e outras dificuldades são muitas vezes herança para o cônjuge separado, especialmente se inocente. Em tal caso, a comunidade eclesial deve ajudá-lo mais que nunca; demonstrar-lhe estima, solidariedade, compreensão e ajuda concreta de modo que lhe seja possível conservar a fidelidade mesmo na situação difícil em que se encontra; ajudá-lo a cultivar a exigência do perdão própria do amor cristão e a disponibilidade para retomar eventualmente a vida conjugal anterior.
Análogo é o caso do cônjuge que foi vítima de divórcio, mas que - conhecendo bem a indissolubilidade do vínculo matrimonial válido - não se deixa arrastar para uma nova união, empenhando-se, ao contrário, unicamente no cumprimento dos deveres familiares e na responsabilidade da vida cristã. Em tal caso, o seu exemplo de fidelidade e de coerência cristã assume um valor particular de testemunho diante do mundo e da Igreja, tornando mais necessária ainda, da parte desta, uma acção contínua de amor e de ajuda, sem algum obstáculo à admissão aos sacramentos.»

A Igreja não te condena, portanto, mas ao contrário quer acolher-te, quer ajudar-te a viveres a tua situação dolorosa e na comunhão em Igreja, em comunhão com Cristo, encontrares razões de esperança, de paz e até de alegria.
Lembra-te que é Jesus Cristo Quem nos diz:
«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito.
Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.» Mt 11,28-30

Olhou para o sacerdote agradecida e disse-lhe com a voz embargada:
Obrigado Padre, porque me fez sentir acolhida e amada pela Igreja que eu amo.
Sei e percebo que é muito difícil o que a Igreja me pede, mas acredito também que na comunhão e na entreajuda será possível levar a vida digna que sempre quis viver e as circunstâncias não permitiram.
Acredito também que se cair, porque sou pecadora, o perdão de Deus é muito maior que o meu pecado e na Confissão reencontrarei a graça de Deus na minha vida e que ela me dará forças para viver as provações que vou ter de enfrentar.
Mas tenho confiança, tenho esperança, que o amor de Deus me fará sentir que a minha vida tem sentido e é querida por Deus e amada na Igreja e é isso mesmo que quero transmitir aos meus filhos profundamente magoados no seu íntimo.
De pé, o sacerdote abençoou-a, e ela saiu de cabeça erguida da igreja, com a paz no coração, a esperança no olhar, sabendo-se filha de Deus e pedra viva da Igreja.
.
Nota:
Esta é uma história inventada, mas que, para além obviamente de uma certa bondade na descrição do problema, sua solução e aceitação, quer chamar a atenção para o facto de que aquilo que se diz e que muitas vezes se toma como certo em relação à Igreja, nem sempre corresponde à realidade.

terça-feira, 1 de julho de 2008

CREIO EM TI

Creio em Ti,
Deus Criador,
E que assim sendo
És Pai.
Creio em Ti,
Deus que és Pai,
E assim sendo,
És Criador.
Creio em Ti,
Deus de todas as coisas,
Que tudo crias,
Em amor.
Creio em Ti,
Deus de amor,
Que tudo crias,
Para o amor.
Creio em Ti,
Deus que Te dás,
E recebes,
Quem se Te entrega.
Creio em Ti,
Deus que és Três,
E ao mesmo tempo,
Apenas Um.
Creio em Ti,
Deus que nos chamas
A sermos assim nós,
Um contigo também.
Creio em Ti,
Deus que não vejo,
E no entanto me habita.
Creio em Ti,
Deus que não toco,
E no entanto,
Te fazes sentir.
Creio em Ti,
Deus a quem falo,
E me responde
Sem palavras.
Creio em Ti
Deus vida eterna,
Minha esperança,
Minha lanterna.
Creio em Ti,
E no Teu querer,
Ó Deus de amor
E de bondade.
Creio em Ti,
Na Tua vontade
Porque a verdade
Ó meu Deus,
Ó meu Senhor,
É que só em Ti
Posso crer.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

"ARDER EM FEBRE E TREMER DE FRIO"

Aqueles que já tiveram paludismo, ou qualquer doença em que se registem febres altas, conhecem perfeitamente a sensação, a realidade de estarem a “arder em febre” e no entanto “tremerem de frio”.
Isto fez-me lembrar umas certas atitudes, ou melhor, certas maneiras de viver a vida religiosa, ainda muito enraizadas na nossa prática de viver a vida cristã.
São aquelas ou aqueles que permanentemente rezam orações, as mais variadas, preocupados mais com a quantidade, do que com a qualidade.
No fundo, não rezam, mas “debitam” orações como se de alguma fórmula mágica se tratasse, mas na sua vida diária não se reflecte a vivência da fé.
É assim mesmo, estão a “arder em febre”, mas a “tremer de frio”.
Ou seja, vivem no “calor” de um frenesim de orações, cheias de esquemas programados, mas ali não está a fé, a fé que aquece a alma, que aquece o coração, por isso “tremem de frio”.
É que rezar é elevar o coração ao Pai, é conversar com Jesus Cristo, é entregar-se ao Espírito Santo.
Rezar é falar, mas também é ouvir, também é escutar, também é deixar-se envolver no amor de Deus.
E muitas vezes temos medo de escutar, temos medo de nos deixarmos envolver no Seu amor, porque temos medo do que Ele nos vai pedir, da mudança que Ele quer operar em nós, das exigências da prática da vida cristã, que nos levam muitas vezes a pensar que nos afastam da vida do dia a dia, quando é precisamente o contrário, isto é, a mudança, (conversão), a vivência da prática cristã, dá sentido à vida, torna a vida mais fácil, mais segura e forte porque acompanhada pelo Senhor da Vida, no fundo e na realidade dá mais vida à vida, porque enraíza no Autor da Vida.
Isto não quer dizer que não se rezem o Rosário, as orações da Tradição da Igreja, as Ladainhas, as Novenas e sei lá quantas expressões da piedade popular, mas sim que a nossa fé não está na oração, na quantidade de oração, (no sentido de que é a oração que tudo realiza), mas sim que a nossa fé se torna esperança, vida, realidade, no Pai, no Filho, no Espírito Santo, que tudo fazem e tudo podem.
E mais ainda, se a nossa oração não nos levar a um encontro pessoal com Jesus Cristo e portanto à mudança, (conversão), das nossas vidas, então não estamos a rezar, estamos apenas a debitar palavras, palavras que saem da boca, mas não vêm do coração.
Podemos “arder de orações”, mas “trememos do frio da ausência da fé”.

«Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para satisfazer os vossos prazeres.» Tg 4,3

«É assim que também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.»
Rm 8,26

segunda-feira, 16 de junho de 2008

ADULTOS NA FÉ

Apareceram na Capela das Termas, por cima dos bancos, umas fotocópias com uma oração de intercessão a Santa Rita de Cássia.
Até aqui tudo bem, também sou devoto de Santa Rita de Cássia a quem peço muitas vezes intercessão, e de quem venero e admiro a vida de entrega total a Deus, ao longo de tantas dificuldades vividas em diversos estados de vida.
Só que no final do texto fotocopiado lá vem escrito que para o pedido ser “completo”, têm de se fazer 25 fotocópias e distribui-las, aguardando ao terceiro dia a graça pedida, que não “pode falhar”.
Santa Rita fica nossa “refém”, bem como Deus fica “refém” de Santa Rita e de nós próprios, porque se cumprirmos com as 25 fotocópias, Deus “não tem hipóteses” de não nos conceder a graça que pedimos, precisamente ao terceiro dia, nem antes nem depois!
E como este exemplo, tantos outros, servindo-se de Santos, Santas, Anjos e até de umas “não sei quantas almas benditas”, usando anúncios em jornais, revistas, fotocópias, pagelas, sei lá o quê…
Vivemos ainda numa fé, que é “fezada”, uma vida “religiosa” do “toma lá dá cá”, do “se eu fizer isto, Deus faz-me aquilo”, do “se eu me portar bem, Deus dá-me o que preciso, seja lá o que for”, e por aí a diante…
A verdade é que muitas vezes a nossa vida espiritual, o nosso caminho para Deus, continua a ser infantil, sem conhecimento, sem razão, sem entendimento, sem entrega, fechados em nós próprios e no que queremos e desejamos, baseando-se mais no medo, na superstição, no “comércio” de “favores”, do que na vivência do Evangelho, que nos leva à união com Cristo, abertos aos outros irmãos, ansiando que em nós seja feita a vontade de Deus, seja ela qual for, porque será sempre a melhor para nós, para as nossas vidas.
Somos muitas vezes como uma criança que não quer crescer e que fica sempre dependente de seus pais em tudo.
Com 30 anos, por exemplo, ainda são os pais que lhe dão banho, que lhe dão de comer, que lhe lêem livros e lhe vão dizendo para que servem as coisas e como utilizá-las, porque não quis aprender a ler, porque não quis aprender nada, mas limitou-se a viver, pura e simplesmente, e assim está à mercê dos outros, os que lhe querem bem e os que lhe querem mal.
Ridículo não seria?
Mas quando procedemos assim, quando nos agarramos a estas “religiosidades” estamos a proceder de modo igual nas nossas vidas espirituais.
Deus, deu-nos a Palavra, enviou o Seu próprio Filho para no-la explicar, derramou em nós o Espírito Santo para nos iluminar, deu-nos a Igreja para nos conduzir, que nos deu o Catecismo, para além de incontáveis documentos e livros que nos mostram caminhos, modos de orar, modos de viver e celebrar a Fé no Pai Criador, no Filho Salvador, no Espírito Santificador.
E nós muitas vezes, agarramo-nos à “quantidade” das nossas orações, a “fórmulas mágicas” que serviriam para “manietar” o poder de Deus, a expressões de religiosidade pontual, por medo ou superstição, ou porque tendo cumprido os “requisitos acordados” podemos viver como quisermos, porque já “cumprimos as normas”.

«Quanto a mim, irmãos, não pude falar-vos como a simples homens espirituais, mas como a homens carnais, como a criancinhas em Cristo. Foi leite que vos dei a beber e não alimento sólido, que ainda não podíeis suportar. Nem mesmo agora podeis, visto que sois ainda carnais.» 1 Cor 3,1-2
«Que fazer, então? Rezarei com o espírito, mas rezarei também com a inteligência; cantarei com o espírito, mas cantarei igualmente com a inteligência.» 1 Cor 14,15

É tempo de ouvirmos, de lermos, de perguntarmos, de entendermos, de vivermos empenhados naquilo em que acreditamos ou queremos acreditar.
É tempo de crescermos e sermos verdadeiros filhos de Deus, templos do Espírito Santo, pela graça do Baptismo que o Senhor nos concedeu.
E isto nada tem a ver com a religiosidade popular, expressão carinhosa, intima e também colectiva de um povo que caminha para Deus, mas sim com crendices para que nos deixamos arrastar, sem pensarmos, sem reflectirmos, sem discernirmos, sem perguntarmos, deixando-nos conduzir para uma religiosidade fácil, mas falsa, que a nada nos conduz, antes nos deixa na ignorância e à mercê de todos aqueles que de nós se queiram servir para os seus propósitos, que nunca são bons.
Dentro das capacidades de cada um, saibamos abrir o nosso coração e a nossa inteligência à Palavra de Deus, à Doutrina da Igreja, e confiando, e esperando no amor do Pai e do Filho, deixemos que o Espírito Santo transforme e converta tudo aquilo que em nós precisa de ser mudado e que por nós próprios não conseguimos mudar.
Cresçamos assim como adultos na Fé, afim de atingirmos a plenitude em Jesus Cristo, Senhor e Salvador dos homens.

domingo, 8 de junho de 2008

SEGUE-ME

Sentado na banca da segurança da sua vida, ia verificando tudo o que tinha ou lhe fazia falta para ter uma vida boa, descansada e sem problemas.
Analisou tudo e chegou à conclusão que em todas as coisas importantes da vida ele tinha a sua opinião formada e que as certezas eram uma constante da sua vida.
Tinha a sua família e ela era o garante da sua realização e a companhia certa nos dias que haviam de vir na velhice.
Tinha aquele trabalho onde era considerado, respeitado e onde ganhava mais do que o suficiente para o seu dia a dia e o dos seus.
A casa era sua propriedade, bem como a outra que tinha na praia para as suas férias.
No banco tinha uma conta recheada que lhe garantia o futuro sem surpresas.
Bem, tinha tudo afinal, nada lhe faltava, mas apesar de tudo isso...
Foi quando Tu, Senhor, por ali passaste e olhando-o nos olhos disseste:
Segue-Me! Mt 9,9-13
Levantou-se de um salto e seguiu-O.
Não olhou para trás, mas pensou:
E todas aquelas coisas que eu pensava serem a minha vida o que lhes faço?
O Senhor olhando-o amorosamente nos olhos, disse-lhe:
Traz tudo contigo, pois tudo faz parte da tua vida. Fui eu que te dei tudo como resultado do teu trabalho e tudo isso faz parte da tua vida. Quero que me sigas com aquilo que és e com aquilo que tens e que uses tudo para ti, para os teus e para aqueles que Eu for colocando na tua vida para ajudares com tudo o que tens, em bens espirituais e materiais.
Percebeu então o que era o “apesar de tudo isso”...
Faltava-lhe o sentido da vida, faltava-lhe a própria vida, que ele agora descobria ao levantar-se aceitando o Segue-Me!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

AO PARTIR DO PÃO...

Andas triste, perturbado, descrente, desanimado, com vontade de desistir?
Repara então nestas palavras:
Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém;
e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. Lc 24,13-17
Vês, também eles caminhavam na vida entristecidos, de tal modo que nem conseguiam reconhecer Aquele que deles se aproximava.
Mas continua a ler estas palavras:
Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo;
como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. Lc 24,19-21
Repara que estavam à espera de alguém que fosse resolver o problema das suas vidas, das suas dificuldades, das suas provações, do já e agora.
Queriam uma vitória sobre os outros, queriam não ter que se preocupar mais.
Pensavam apenas nesta sua vida do mundo, e esperavam alguém que fosse um chefe imbatível, que dominasse, que tudo vencesse pela força e pelo poder.
Afinal tudo levava a crer que aquele em quem eles esperavam tinha sido vencido pelos homens, pelo mundo.
Por isso mesmo é que estavam assim, tristes, descrentes, desanimados.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.» Lc 24,22-24
Ainda tinham ficado perturbados, mas já não conseguiam acreditar.
Pois foi, ouviram o que as mulheres contaram como se fosse uma história qualquer, mas que não tinha muito crédito, porque ninguém tinha visto com os olhos, aquele que eles esperavam.
Por isso, e ao verem que esse alguém que imaginavam de facto tinha morrido, e mais, que já tinham passado três dias e nada acontecia, não esperaram mais, tinham desistido e voltavam para a sua vida anterior.
Vês tu, que ao colocares a tua esperança nas coisas do mundo, nas coisas palpáveis, nas seguranças deste mundo, quando elas te falham ficas assim, triste, perturbado, descrente, desanimado e com vontade de desistir.
Mas, continua a ler as palavras deste episódio:
E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito. Lc 24,27
Olha que mesmo tristes, perturbados, descrentes, não mandaram o homem embora e foram ouvindo o que ele lhes ia dizendo.
Afinal parecia que os seus corações ainda tinham por ali uma réstia de esperança, uma vontade de mudar.
Parecia que aquilo que ouviam começava a fazer algum sentido.
De tal modo se deixaram envolver que se passou o seguinte:
Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles. Lc 24,28-29
Não o deixaram ir embora!
Aquele homem tinha alguma coisa especial!
A sua companhia era boa e fazia nascer nos corações qualquer coisa de muito bom.
Precisavam de ouvir mais, de sentir mais!
Por isso lhe pediram para ficar com eles, porque a sua expectativa era grande.
Ora repara:
E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Lc 24,30-31
Ao partir do Pão!
Reconheceram-No ao partir do Pão!
Vês como é importante a Eucaristia!
Vês que é na Eucaristia e em Eucaristia que podemos reconhecer Aquele que dá a vida, a vida em abundância!
Vês que é na Eucaristia e em Eucaristia que podemos reconhecer Aquele que dá a paz, não a paz que dá o mundo, mas a paz interior que se projecta na eternidade!
Vês que se O reconheces na Eucaristia não precisas de O ver com os olhos do corpo!
Ele pode desaparecer da tua vista, mas fica a habitar no teu coração!
E agora medita bem no que aconteceu a seguir:
Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!». E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão. Lc 24,32-35

Foi-se a tristeza, a perturbação, o desânimo, a descrença!
Perceberam a alegria que é conhecer o Senhor!
Correm agora para a vida nova sem hesitações, e são eles que confirmam já sem dúvidas, sem medo, que o Senhor ressuscitou e se lhes deu a conhecer!
E não te arde o coração também, quando percebes que de mansinho, sem imposições, Ele se te vai dando a conhecer pela Palavra até te levar ao reconhecimento dEle, sem dúvidas, na Eucaristia, ao partir do Pão?
Onde está agora a tristeza, o desânimo, a descrença, se reconheces que o que Ele te dá não cabe neste mundo, pois vai muito para além dele?
Levanta-te e corre, corre para a vida nova que Ele te oferece e conta a todos o que te aconteceu, confirma a todos que Ele ressuscitou, afirma a todos, que todos O podem reconhecer ao partir do Pão, na Eucaristia.
Ah, e não te esqueças que Ele é para todos, porque Ele quer ser companheiro de viagem de todos, de todos os que abrem o coração à Sua Palavra, ao Seu Amor.

terça-feira, 20 de maio de 2008

DESTE-ME ASAS, SENHOR...


Deste-me asas para voar
E eu não voo…
Tenho uma âncora de orgulho,
De vaidade,
Ligada a uma corrente de mundo,
De dinheiro, de sociedade,
Que não me deixa voar
Nas asas que Tu me deste…
E eu puxo Senhor,
Luto, revolto-me,
Mas acabo por deixar-me ficar
Preso a este mesmo chão,
Rasteiro sem poder voar…
Tens que ser Tu, Senhor
A partir a corrente,
A libertar a âncora,
A dar-me o golpe de asa
Que me levante aos céus
E me faça partir à desfilada
Nas nuvens da Tua graça.
Quero voar no vento
Que sopra do Teu amor
Agora e sempre
Em cada momento,
Quero voar para Ti
Voar sempre, sempre,
Cada vez mais alto e melhor.
Derruba Senhor
As barreiras,
os medos,
Dá força às minhas asas,
Que me levantem aos céus
E todos os dias me tragam
Para junto dos filhos teus.
Quero voar aqui,
Sem nunca daqui sair,
Pois é aqui que se voa
Até ao momento
De partir…
E quando então me chamares,
Que as asas que Tu me deste
Se aquietem Senhor,
Porque apenas quero ser levado
Nas asas do Teu amor…

terça-feira, 13 de maio de 2008

AINDA A MÃE...NESTE 13 DE MAIO...

Seguia cabisbaixo para casa.
As coisas não estavam a correr lá muito bem neste inicio de semana!
Tinha na mochila um teste com uma negativa muito “feia” e já receava pelas consequências desse facto.
Nos últimos tempos o seu comportamento na escola e as suas notas deixavam muito a desejar, e o seu pai já cansado de tanto o avisar tinha-lhe dito da última vez que tinha trazido para casa uma nota baixa:
«Aparece-me em casa com outra negativa e nem sabes o que te faço!»
E ele não era para brincadeiras!
Era justo nos castigos que dava, mas tinha a mão pesada.
Não que lhe batesse, mas os castigos que dava eram sempre muito penosos de cumprir.
Ainda para mais, no fim de semana depois da Catequese, tinha tido aquela discussão estúpida com eles!
É pá, ele não compreendia aquela história da Virgem Maria, da Mãe do Céu, como Lhe chamavam!
Se havia Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e já eram orações que chegassem, para quê agora também Maria a Mãe de Jesus!
E tinha sido malcriado a ponto do pai se irritar e o mandar calar já de mão aberta!
Chegou à porta de casa e entrou em silêncio, dizendo apenas um, “boa tarde mãe”, e escapuliu-se para o quarto.
Tinha de pensar numa maneira de resolver as coisas com um mínimo de problemas.
A mãe entrou no quarto e perguntou-lhe o que se passava, pois não tinha ido dar-lhe um beijo como fazia sempre que chegava a casa.
Disse-lhe que não, que estava tudo bem, mas ela sentou-se a seu lado e disse-lhe:
«Eu conheço-te. A mim não podes mentir. Passa-se alguma coisa contigo.»
Ele pensou rapidamente e chegou á conclusão que se havia alguém que acalmasse o pai quando lhe desse as noticias, era de certeza a mãe.
Cabeça baixa, disse quase em surdina:
«Ó mãe, tive outra negativa.»
Ela pegou-lhe na cara e fê-lo olhá-la nos seus olhos.
Os olhos dela estavam tristes, mas cheios de uma ternura imensa, de tal modo que não resistiu e umas lágrimas correram-lhe pela cara.
Antes que ela dissesse alguma coisa, ele começou a falar com a voz embargada:
«Ó mãe, eu não sei o que se passa comigo! Quero portar-me bem, quero estudar, quero agradar-vos e só faço asneiras! Ajuda-me mãe!»
Ela olhou-o mais uma vez e disse com voz terna:
«Meu filho eu amo-te muito e estou aqui para te ajudar. Conta-me tudo e vamos arranjar uma maneira de encontrares um caminho diferente daquele que estás a seguir».
Abriu o coração à sua mãe e disse tudo o que lhe veio à cabeça, das suas dificuldades, das amizades não muito boas, do despertar da adolescência, de todas as coisas que parecia o impeliam a não ser aquilo que ele até gostaria de ser.
Ela ouvia-o cheia de atenção, enquanto ternamente lhe passava as mãos pelo cabelo.
«Eu compreendo-te meu filho e se confiares em mim, se me fores contando o que se vai passando na tua vida, eu ir-te-ei ajudando a corrigires comportamentos, a descobrires caminho.»
Agradecido pela sua mãe tão compreensiva, não esqueceu no entanto que ainda tinha de “enfrentar” o pai e disse pegando-lhe nas mãos:
«E o pai, mãe? E o pai?»
Ela fazendo-lhe uma festa, respondeu:
«Não te preocupes, eu falo com ele. Claro vais ter um castigo, mas eu vou dizer-lhe que já falaste comigo, que estás arrependido, que prometeste portar-te bem e que eu confio em ti. Vais ver que te vai ralhar certamente, mas como ele sabe que eu tomo conta de ti e confia em mim, vai dar-te um castigo com certeza, mas vai ficar à espera da tua mudança de vida».
Olhou-a profundamente nos olhos, agarrou-se a ela cheio de ternura agradecida e disse-lhe ao ouvido:
«Ó mãe, obrigado. O que é que eu faria sem ti, sem o teu amor, sem os teus conselhos, sem a tua ajuda junto do pai?»
Ela levantou-se e saiu do quarto com um sorriso.
Aquele sorriso que as mães têm quando sentem os filhos perto delas.
O resto foi mais fácil.
O pai chegou, a mãe falou com ele e depois foi chamá-lo ao quarto para falar com o pai:
«A tua mãe já falou comigo. Estou triste meu filho pelo modo como te comportaste, mas ao mesmo tempo contente pela conversa que tiveste com a tua mãe e as promessas que lhe fizeste, que nos fizeste. Vais ficar de castigo, mas eu confio que de agora em diante tudo vai melhorar. Agora dá-me um beijo e podes ir.»
Tranquilo deu um beijo ao pai, e quando ia a sair da sala ele chamou-o novamente dizendo-lhe:
«Percebes agora como nos faz falta a Virgem Maria, a Mãe de Jesus, a Mãe do Céu?»

quinta-feira, 8 de maio de 2008

AINDA A MÃE...EM JEITO DE ORAÇÃO...

Senhor, ontem ouvi naquela aula no Seminário, (num aparte à Ética Teológica), uma comparação tão verdadeira e interessante, que a quero rezar aqui.
Se eu não digo mal da minha mãe, se não lhe descubro os defeitos em público, (e todas as mães têm defeitos, como todos nós temos), se só falo disso de quando em vez com os meus irmãos, porque me dedico tantas vezes a falar mal, a descobrir os defeitos em público da minha Mãe Igreja?
A minha mãe, que já tens junto a Ti, com todos os seus defeitos e qualidades foi quem me mostrou primeiro, o caminho para Ti, que despertou em mim as primeiras orações, que me levou ao Baptismo que me tornou filho de Deus, e sempre morou e ainda mora no meu coração cheio de amor por ela.
Tinha defeitos? Pois tinha, todos temos, e tinha também muitas qualidades.
Mas não me lembro, a não ser muito, muito raramente de deles falar em público, (do que eu rapidamente me arrependia, como se de uma traição se tratasse), e se os aflorava era apenas com meus irmãos e irmãs, carne da mesma carne, que os podiam entender e ajudar-me a entender.
A minha Mãe Igreja que me acolheu e me mostra caminho de crescimento na fé, que me leva pelo caminho da salvação, que me faz irmão de todas as criaturas de Deus, que me recebeu de braços abertos no dia em que regressei à Casa do Pai após tantos anos de afastamento, também mora no meu coração cheio de amor por Ela.
Como posso eu então, tantas vezes dizer mal da minha Mãe Igreja, de Lhe apontar defeitos, a maior parte das vezes publicamente e com outros que nem sequer A conhecem, não A querem conhecer ou até A querem apenas denegrir.
Porque não apenas falar deles, desses defeitos, com as minhas irmãs e irmãos, filhos da mesma Igreja, que me podem ajudar a entender tantas coisas que se calhar não são defeitos, e que eu posso também ajudar a reflectir sobre maneiras de estar e agir.
Porque esta minha Mãe Igreja, somos nós todos suas filhas e filhos, e se Ela tem defeitos, então é porque são os nossos defeitos.
Só nós, suas filhas e filhos, pela graça do Teu Espírito Santo, Senhor, os podemos corrigir e traçar caminho de virtude para a tornar mais perfeita e acolhedora.
Ao apontarmos defeitos em público à Mãe Igreja, apenas atiramos pedras, mas que são pedras que vão ficar de fora, sem construir, quando o que nós devíamos fazer era sermos pedras vivas e trazer mais pedras vivas, para que, colocadas nos alicerces, na construção diária, cimentadas na Doutrina, construíssem na Fé a Igreja de Cristo nos homens e para os homens.
Ah Senhor, ajuda-nos e ensina-nos a sermos Igreja, a sermos filhas e filhos amorosos desta Mãe Igreja que Tu nos deste, a construi-La com os defeitos de cada um, aplanados pelas virtudes de cada um.
.
«Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim.» Jo 17,22-23

domingo, 4 de maio de 2008

MARIA "AOS PÉS" DA CRUZ - DIA DA MÃE


Maria estava "aos pés" da cruz.
Também Ela entregava o Seu Filho à humanidade, porque estando cheia do Espírito Santo, sabia no Seu coração desde sempre, que Jesus ia morrer por nós.
Ao entregar o Seu Filho sabia que também Ela se estava a entregar à humanidade, como Mãe para sempre.
Ela sabia que era nossa Mãe, desde que sentiu Jesus Cristo no Seu ventre.
Sentia-o, porque sabia que o Seu Filho estava em todos nós e estando em todos, todos eram Seus filhos.
Também Ela entregava o Seu Filho no meio da dor e da tristeza da Mãe humana, mas vivia também a exaltação da Sua parte divina de Mãe de Deus, que Lhe afirmava a salvação dos homens Seus filhos, pelo sacrifício e ressurreição daquEle que agora Se entregava e que Ela tinha trazido ao mundo.
Humildemente aos pés da cruz, Ela chorava o Filho entregue e alegrava-se pela promessa de salvação para todos os Seus outros filhos, conseguida pela morte e ressurreição dO que Ela tinha gerado.
Nos Seus olhos brilhavam ao mesmo tempo a lágrima da dor e a alegria da promessa de vida eterna para a humanidade.
Também Ela obedeceu até à morte de Seu Filho e durante toda a Sua vida, mantendo-se na sombra, na humildade, no caminho, seguindo Jesus e aceitando desde logo a Sua cruz, que já Lhe estava garantida e desvendada por Simeão no templo.
Também Ela aceitou a vontade do Pai sem hesitações, entregando o que demais precioso tinha para entregar, o Seu próprio Filho.
E Ela sabia no Seu coração desde o principio, que não seria como Abraão: O Seu Filho não seria poupado, tinha de morrer, para ressuscitar vencendo a morte e assim trazer a salvação aos Seus outros filhos.
E Jesus na Sua agonia confirma-Lhe o que Ela já sentia, entregando-A como Mãe a João e entregando João a Maria como Seu filho.
Não se Lhe conhece um queixume, não se Lhe conhece uma reprovação, não se Lhe conhece uma inveja ou um ciúme de mãe, mesmo quando outras mulheres se acercam Jesus e Ele lhes dá atenção.
Não, Maria sabe no Seu intimo que tem de ser assim, também Ela tem de sofrer em silêncio, também Ela tem de dar exemplo de obediência à vontade do Pai, também Ela tem de se curvar à missão do Seu Filho, também Ela se deve deixar conduzir pelo Espírito Santo, para preencher completamente a condição de “bendita entre as mulheres, de cheia de graça, de ter o Senhor com Ela, de ser a Mãe do Salvador” e de, por isso mesmo, ser Mãe da Igreja e da humanidade.
Maria não lidera, não conduz, mas ora, mas intercede, mas suplica ao Seu Filho, para que o Espírito Santo, que já está nEla, desça também sobre os Apóstolos e sobre todos os Seus filhos, durante todos os tempos.
E quando os discípulos partem em missão, Ela fica a orar, a interceder, a suplicar, a Jesus dentro de Si, a Jesus à direita do Pai, a Jesus dentro de nós.
Por isso a Mãe é a grande intercessora, a poderosa advogada, Aquela que nos traz no coração, o mesmo coração que deu sangue a Jesus.
Assim o amor de Deus é tão grande, tão infinito, que nos quis dar este elo de ligação entre o divino e o humano, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, para que saibamos, que a virtude é sempre possível a todos nós, desde que nos entreguemos à vontade do Pai, à condução do Espírito Santo e ao amor de Jesus Cristo, que está em nós.
Todos somos um pouco Maria, pois temos Jesus Cristo em nós, só não sabemos é guardá-Lo para sempre, como Ela o fez desde a primeira hora.
.
Recupero este texto, que já tinha publicado em 2006, em homenagem às Mães, neste dia que lhes é dedicado.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

segunda-feira, 28 de abril de 2008

ESTOU CANSADO...OBRIGADO SENHOR!

Estou cansado Senhor, muito cansado!
Não Senhor, não é de Ti!
Como poderia eu cansar-me do amor, da alegria!
Estou cansado fisicamente, talvez emocionalmente, não sei bem Senhor, mas Tu que tudo sabes, tudo vês, sabes bem melhor do que eu o que vai dentro de mim.
Estou cansado Senhor, muito cansado e no entanto feliz, muito feliz!
Por Tua causa me cansei, no meu cansaço me fizeste feliz!
Ainda sou assim Senhor, é verdade, eu sei, não descanso em Ti.
Tudo quero fazer, tudo quero organizar, tudo quero perceber, talvez por minha vaidade, talvez para meu orgulho, só depois percebendo que tudo é possível porque … és Tu que fazes, és Tu que organizas, és Tu que dás o discernimento!
Ainda ontem me dizias pela voz daquele que colocaste junto a mim, que o meu orgulho, a minha vaidade, não eram razões para não fazer, ou melhor, para Tu não fazeres em mim.
Mas fico assim, tenso, preocupado, que algo não corra bem!
E Tu Senhor, gostas tanto de improvisar, de mudar o que já estava estabelecido … e sempre para melhor, porque és Tu que improvisas, és Tu que mudas as coisas e as fazes mais segundo a Tua vontade.
Estou cansado, muito cansado Senhor, mas estou feliz, muito feliz Senhor!
Obrigado Senhor meu Deus, e meu Tudo!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A PAZ DE JESUS CRISTO

«Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.» Jo 14, 27

Ontem falava no Grupo de Oração sobre esta Palavra de Jesus Cristo discernindo sobre a diferença da Paz de Deus e a paz do mundo.
A paz do mundo é normalmente entendida como a ausência de conflito, como o entendimento mais ou menos harmonioso entre as pessoas, entre as nações.
Só que muitas vezes para se obter essa paz acontecem injustiças, muitas vezes a paz é obtida por aceitação do mais fraco às razões do mais forte, a paz exterior aparece, mas interiormente a paz não existe, porque houve conflito e o mesmo não foi dirimido verdadeiramente ou não foi aceite e perdoado.
E isto tanto faz referirmo-nos às pessoas, como às nações, aos estados.
Claro que se existisse uma verdadeira paz, uma paz que viesse de dentro, que viesse do amor entre as pessoas, então essa paz transmitir-se-ia obviamente às relações entre os governos das nações, transmitir-se-ia à humanidade toda.
Mas essa paz pelo que percebemos, não é a paz que o mundo pode dar.
Essa paz, é a paz que Jesus nos dá, é a paz interior, que se reflecte no exterior.
É a paz daquele que confia porque crê no amor de Deus, porque crê que vivendo no amor e para o amor tudo é possível, tudo é ultrapassável, porque tem em vista um bem maior que é a salvação de cada um, que leva à salvação de todos. (1Tm 2,4)
É a paz daquele que coloca a sua esperança, a sua confiança, dando de si o melhor, nas Coisas do Alto, que são o tesouro incorruptível, e não nos bens terrenos, que provocam a intranquilidade, a inveja, o ciúme.
(Lc 12,33-34)
É a paz daquele que vive no amor e para o amor, dando e recebendo perdão, de modo que o seu coração não se deixa atribular por rancores, vinganças, mágoas e remorsos. (Mt 5,23-24)
É a paz daquele que vive a tribulação, a provação, na certeza de que Aquele que por ele se entregou na Cruz, aceita a comunhão na dor e a suaviza no Seu amor. (Cl 1,24)
É a paz daquele que não procura o fácil, nem o mágico, mas coloca ao serviço da vida que Deus lhe deu, a si e aos outros, todos os seus talentos, na certeza firme do seu coração, que essa vida é vida e vida em abundância. (Jo 10,10b)
É a paz daquele que vive na alegria que lhe vem do coração e não da gargalhada fácil e efémera. (Fl 4,4)
É a paz daquele que se sente amado pelo Seu Criador e que por isso mesmo apenas pode amar todos os seus irmãos e todas as outras criaturas. (Jo 15,12)
É a paz daquele que sabe no seu coração que na Casa do Pai há muitas moradas, e se alegra, não só porque tem morada, mas sobretudo porque todos os outros também a têm. (Jo 14,2)
É a paz daquele que crê, sabe e experimenta na sua vida diária a presença dAquele que tudo lhe deu, no Sacrifício total da Sua vida, e que Se continua a dar como Alimento Divino em todos os momentos e lugares deste mundo. (Mt 28,20)
É a paz daquele que dá inteiramente o seu coração ao Príncipe da Paz, para que Ele o dê aos outros, sabendo que lhe será retribuído abundantemente. (Lc 6,38)
É a paz daquele que se sabe coisa nenhuma, mas acredita que em Deus tudo pode. (Jo15,5)
É a paz daquele que não deixa o seu coração perturbar-se, ou acobardar-se, porque o amor vence todo o medo. (Jo 14,27c)
É a paz daquele que crê firmemente que Aquele que lhe dá a paz, venceu o mundo e o acolhe na alegria eterna da plenitude da vida. (Jo 16,33)
É a paz daquele que sabe que nunca conseguirá esgotar por palavras humanas o sentido da Paz de Deus.



1Tm 2,4 «que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.»
Lc 12,33-34 «Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.»
Mt 5,23-24 «Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta.»
Cl 1,24 «Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja.»
Jo 10,10b «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.»
Fl 4,4 «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!»
Jo 15,12 «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.»
Jo 14,2 «Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar?»
Mt 28,20 «E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»
Lc 6,38 «Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»
Jo 15,5 «Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.»
Jo 14,27c «Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.»
Jo 16,33 «Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!»

quinta-feira, 17 de abril de 2008

COMO CRIANÇA...

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Tenho a bailar na minha boca
Um cântico de louvor,
Que me sai do coração
Para Jesus Nosso Senhor.
Louvado sejas porque és belo,
Porque és amor para sempre.
Louvado sejas porque és vivo,
E Te fazes em nós presente.
Louvado sejas porque és paz,
Ternura e harmonia em nós.
Louvado sejas porque és liberdade,
E aos cativos dás voz.
Louvado sejas porque és Cruz,
Unindo-Te ao sofrimento.
Louvado sejas porque és alegria,
Sorriso de acolhimento.
Louvado sejas porque és tempo,
Que nos leva à eternidade.
Louvado sejas porque és Verdade ,
Vida e Caminho dos Teus.
Louvado sejas porque és Homem,
E também verdadeiro Deus.
Louvado sejas porque és Comunhão,
E Te dás como alimento.
Louvado sejas porque és agora,
Ontem, hoje…
E para sempre.