quarta-feira, 7 de março de 2012

O CATETERISMO DE DEUS

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Nestes últimos dois dias, (regressei há pouco a casa), por causa de algumas “suspeitas” com a minha saúde, tive de fazer um cateterismo no hospital.

Um cateterismo, em palavras muito simples, é um exame médico, que também pode servir de tratamento, e que é, “grosso modo”, a introdução de um cateter numa veia para poder examinar o estado das artérias, bem como do coração.
Para além do exame, por contraste, esse mesmo cateter também pode introduzir medicamentos onde necessário e desobstruir os vasos sanguíneos que possam estar de alguma forma obstruídos, pelas “gorduras”, etc.

Que me perdoem os profissionais de saúde pela explicação “bacoca”, mas o meu fim não é explicar o que é um cateterismo, mas sim a reflexão que fiz sobre o que o Espírito Santo me quis “dizer” acerca de tal facto na minha vida.
E perdoem-me também os conceitos que possam envolver a medicina no seguimento do texto, mas que são apenas para fazer a analogia que me foi suscitada pela minha reflexão.

Podemos então entender que o cateterismo, ao servir para “examinar, tratar e curar” o que possa estar mal no coração, bem como em todo o processo de afluxo sanguíneo no corpo humano, acaba por “tocar” todas as vertentes do mesmo, visto que nenhum órgão pode viver sem o sangue que lhe dá vida.

Temos no nosso corpo vários sistemas, dos quais saliento o sanguíneo e o nervoso, por serem aqueles que, de uma forma simplista, mais tocam toda a nossa existência.

Tenho então para mim, que temos também um “sistema espiritual”, e que esse sim, toca toda e qualquer parte do nosso corpo, porque é aquele que nos faz exactamente o que somos e como somos, «feitos à imagem e semelhança de Deus», ou seja, a presença de Deus em nós é no todo que nós somos, e não apenas numa parte específica do nosso corpo.

Ora, se para tratar do coração e do nosso sistema sanguíneo Deus deu ao homem a capacidade de descobrir o cateterismo, sem dúvida que Deus também tem para o homem um “tratamento” para o seu “sistema espiritual”!

E é claro que tem e todos nós o conhecemos muito bem, pois chama-se Confissão.

Para fazermos um cateterismo, temos que ir ao hospital, colocarmo-nos nas mãos de um médico, e disponibilizarmo-nos para receber o tratamento, para além de nos comprometermos a seguir as indicações do médico quanto à nossa vida futura, o que por vezes irá implicar alguns sacrifícios de mudança de vida, no que diz respeito a hábitos alimentares, de comportamento, etc.

Para recebermos o “cateterismo de Deus”, a Confissão, temos que nos dirigir à Igreja, (e não me refiro a um edifício), colocarmo-nos nas mãos de um sacerdote, aceitarmos o perdão que nos é dado e fazermos um firme compromisso, um firme propósito de emenda, que também nos irá exigir vigilância contínua e o desistirmos de algumas práticas mundanas que põe em causa os efeitos perenes do “tratamento”.

No cateterismo, o cateter percorre o “sistema sanguíneo”, até ao coração, (“fonte” do nosso sangue/vida), tudo examinando para descobrir problemas que possam existir, e, se for necessário, vai deixando o medicamento apropriado para curar, tratando o que é necessário tratar.

Podemos então reflectir que na Confissão, o cateter é o amor de Deus, que percorrendo o nosso “sistema espiritual” nos vai fazendo examinar a nós próprios, até chegarmos ao coração, receptáculo e fonte do amor de Deus.
Perante a evidência de alguma “doença”, (rancor, falta de perdão, vícios vários, etc.), é necessário o “medicamento” apropriado, pelo que, o amor de Deus, (o cateter da Confissão), leva o perdão a todos os pontos doentes de modo a que, libertos do mal que os envolvia, possam então cumprir a sua missão de, (fazendo o homem completo), ser testemunhas do amor de Deus.

Tal como no seguimento de um cateterismo é necessário que a pessoa tome muito cuidado com o modo de viver no seu futuro, também após a Confissão o homem deve ficar vigilante e fugir do pecado, resistindo-lhe com todas as armas que Deus lhe der.

Obviamente que as diferenças entre um cateterismo e a Confissão são imensas, (não são aliás comparáveis), mas este texto serve apenas para meditarmos mais um pouco neste tempo de Quaresma, (como se fossemos ao hospital fazer o tal cateterismo!), e por isso mesmo gostaria de salientar pelo menos duas dessas diferenças:

O cateterismo tem sempre, apesar de tudo, um risco para a saúde do doente, e até alguns possíveis efeitos secundários, por força da “invasão” a que sujeita o paciente, bem como, não pode ser repetido demasiadas vezes ou muito frequentemente.

A Confissão não tem qualquer risco para a saúde espiritual, mental ou física do homem, (antes pelo contrário), não tem quaisquer efeitos secundários que não sejam bons, (até porque nunca se trata de uma “invasão”, mas de uma aceitação), pode ser repetida sempre e até o deve ser muito frequentemente.

O cateterismo, embora muito bem feito e com todas as condições, pode não resultar, e o doente ter que ser sujeito a outros tratamentos mais complicados e perigosos.

A Confissão bem celebrada alcança sempre o melhor resultado, pela graça de Deus, e o homem fica totalmente curado, até que, por sua exclusiva vontade, volte a pecar.

E no mundo tão materialista em que vivemos, ainda podemos perceber que, enquanto o cateterismo tem custos financeiros para o doente e para o estado, a Confissão é fruto gratuito do “imensamente” infinito amor de Deus.

Por isso mesmo, preparei o cateterismo que fui fazer, com uma prévia Confissão, pois de uma coisa tenho a certeza: o “cateterismo de Deus” não falha, e por Sua graça, alcança-me a salvação.

Deus seja louvado!


Marinha Grande, 7 de Março de 2012


Nota:
«O cateterismo cardíaco é um procedimento no qual é inserido um pequeno tubo (cateter) através de um grande vaso sanguíneo no braço ou na perna, que, em seguida, é dirigido até ao coração. Os médicos utilizam o cateter para medir a pressão e os níveis de oxigénio dentro das câmaras cardíacas e, assim, avaliar o funcionamento do coração. Através do cateter, os médicos podem igualmente injectar um corante especial que proporciona uma imagem radiológica da estrutura interna do coração e dos padrões de fluxo de sangue. Em alguns doentes, o corante radiológico é igualmente injectado nas artérias coronárias para identificar áreas que se tornaram estreitadas, procedimento denominado angiografia coronária.
Os cateteres cardíacos podem ser utilizados para transportar instrumentos cirúrgicos especiais até ao coração, possibilitando abrir artérias coronárias estreitadas (um procedimento denominado angioplastia coronária) ou corrigir determinados defeitos cardíacos congénitos (de nascença) nas crianças.»

22 comentários:

Fa menor disse...

Tudo está bem quando acaba bem.

"Deus seja louvado!"

E agora é deixar hábitos velhos e abraçar a VIDA (válido para os dois sistemas).


Abraço em Cristo - eterno medicamento.

Concha disse...

Graças a Deus que tudo parece ter corrido bem.
Há que estar atento à saúde física e à saúde espíritual.
Gostei da comparação que é feita e do alerta para a Confissão.
Abraço na Paz de Cristo

Anónimo disse...

Primeiro
Louvado seja Deus.
Um bocadinho de cuidado.
Como diz e bem
Uma boa confissão e tudo funciona o coração e o Espírito.

Abraço e as melhoras
Utilia Ferrão

Ailime disse...

Amigo Joaquim,
Ao ler esta sua explicação e a serenidade com que faz esta excelsa comparação apenas digo: Deus seja louvado.
Que o senhor pelo Seu Divino Espírito lhe conceda todas as graças.
Bem-haja por ser quem é e me dar o privilégio de poder ter acesso aos seus testemunhos de Fé.
Um abraço em Cristo.
Ailime
(Já agora não resisto a desejar-lhe rápidas melhoras)

Filha de Maria disse...

Há muito que não "ouvia" falar da Confissão, com "este brilho"!

Que o Espirito Santo te ilumine a cada dia, mais e mais, para que possas continuar a falar das coisas de Deus, com "este brilho"

N. Senhor cuida de ti e dos teus. Votos da continuação das melhoras.

Abraço em Cristo

JM Ferreira disse...

Meu caro Joquim...

Quando recebo os teus convites para vir aqui, faço-o sempre, embora não deixe cá qualquer comentário.
Mas agora tenho de o fazer.
1º-Por ter ficado a saber do teu problema cardíaco. Não dizes onde foi feito o cateterismo,se em Coimbra, Leiria, ou Lisboa, nem outros factos para os curiosos como eu. Estou a tentar brincar com coisas sérias, para desanuviar.
2º-Porque é magistral o relacionamento entre o cateterismo e a confissão. Confesso também que nunca me tinha passado pela cabeça, uma comparação tão divinal entre esta técnica médica que Deus deu aos homens e um acto que vem do Divino.
3º-Só uma pessoa Divinamente inspirada pelo Espírito Santo pode «descobrir» estas coisas.
4º-Não posso estar aí em 21 de Abril. Mas mantém-se a perspectiva de passar nessa terra onde já estive algumas vezes, mas não sei quando. Mas lá há-de ser.
Que Deus te proteja e te dê animo e vida para continuares a ser o arauto cibernauta, em Nome de Jesus Cristo.
Um abraço,

JM Ferreira

malu disse...

Como a Filha de Maria, também eu te digo que "Há muito que não "ouvia" falar da Confissão, com "este brilho"!

Foste tu então quem inventou o conhecido termo "Remédio Santo" que assim tão bem se aplica à Confissão. Graças ao Espírito Santo que te ilumina.

Abraço em Cristo e Maria.
E rápidas melhoras.

Pereira da Costa disse...

Caro amigo Joaquim
Tudo não passou duma precaução em termos médicos, próprio dos mortais, e duma forma ou de outra tem afectado, todos aqueles que estiveram, tal como tu, em condições críticas de iminente perigo e até com a possibilidade de irreparáveis mazelas e a perda da própria vida.
Na idade em que estamos tudo vai aparecendo e teremos de nos resignar e reconhecer que somos humanos e que um dia iremos perecer.
Mas, para alguns, que não sendo diferentes dos demais em termos humanos, acreditam que estas provações não são mais do que sacrifícios e alertas de Deus para nos lembrar que Ele existe e, além disso, para nos testar e verificar se ainda estamos com Ele, na sua bondade, plenitude, amor que nos acompanha todos os momentos das nossas vidas.
Claro, que estes «milagres» só são possíveis através Dele.
Concordo plenamente com o teu pensamento.
Deus vai-nos testando.
Também tenho passado por essas provações e coloco sempre nas Suas mãos a decisão final.
Daqui advêm que temos que estar sempre preparados se queremos ter a vida eterna.
As tuas melhoras.
Um abraço fraterno
Pereira da Costa

joaquim disse...

Obrigado Fa!

Foi uma surpresa agradável perceber que afinal estava tudo bem.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Obrigado Concha.

Colocar Deus em tudo o que fazemos!

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

É verdade Utilia, obrigado.

Uma boa Confissão, cura muitas "doenças".

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Obrigado Ailime.

Graças a Deus, não há razão para "melhoras" ... eheheh

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Obrigado "Filha de Maria".

Que o Espírito Santo a todos nós ilumine sempre.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Meu caríssimo José Ferreira, obrigado.

Foi em Leiria, para satisfazer a curiosidade ... eheheh

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Só tu Malu, para te lembrares dessa do "remédio santo"...

Obrigado!

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Caríssimo amigo Pereira da Costa, obrigado.

Obrigado também pelo testemunho que constitui o teu comentário.

Abraço amigo em Cristo

Fernando Brites disse...

Não costumo comentar nada em lado nenhum, mas fiquei fascinado pela riqueza, beleza e profundidade desta sua reflexão. É uma parábola dos tempos modernos, que ajuda a compreender melhor a importância do sacramento da Reconciliação nas nossas vidas.
Obrigado Joaquim por esta partilha tão rica, e louvado seja o Senhor.
Votos de boa saúde!

joaquim disse...

Caro Fernando

Muito obrigado pelo seu comentário.

Vindo de si, é muito bem recebido no meu coração.

Abraço amigo em Cristo

Paulo disse...

Excelente artigo. As melhoras e cuida-te, a sério.

joaquim disse...

Obrigado Paulo!

Graças a Deus está tudo bem e sem problemas.

Pelos vistos preciso mais de me cuidar da minha parte espiritual, do que da parte fisica!!!

Abraço amigo em Cristo

Hélder Valério disse...

Caríssimo Joaquim...

O texto/reflexão está muito bom, muito bem conseguido. Parabéns!

E como quanto ao 'imaginário' (digo eu!) conjunto de sintomas/problemas que te teriam levado ao 'cateterismo' os mesmos se revelaram improcedentes (ainda bem) e que, por isso não há que te desejar "as melhoras" (aliás como já acima se escreveu) resta-me especular sobre o que realmente te teria levado a fazer tais exames...

Miminho?
'Cagunfa'?
Barbas do vizinho a arder?
Ou apenas pretexto para o tal 'cateterismo espiritual'?

Um abraço, meu amigo

joaquim disse...

Meu caro Hélder

Obrigado!

Para o "catetrismo espiritual" não preciso de pretextos, pois pecador que sou, o pretexto é constante.

Quanto ao outro, foi no seguimento de uma prova de esforço em que surgiram algumas dúvidas sobre o meu cansaço e recuperação.

Mas, como dizes, preocupações infundadas, graças a Deus.

Abraço amigo em Cristo