terça-feira, 15 de agosto de 2023

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA (2023)

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Meu querido Filho, manda-me ir ter contigo.

Mas porquê, Mãe, não estás bem na terra junto dos filhos todos que te dei?

Estou, meu Filho, bem o sabes, mas queria estar mais junto de Ti, aí no Céu, para Te pedir constantemente por eles.

Mas, Mãe, sabes bem que Eu dei tudo por eles, até a minha vida.

Eu sei, meu Filho, e também eles sabem, mas nem todos, infelizmente, e mesmo aqueles que sabem, muitos não acreditam verdadeiramente.

E achas tu, minha Mãe, que estando no Céu os podes guiar melhor?

Se eles me souberem junto de Ti, percebem que, mesmo sendo humanamente frágeis como eu era, podem sempre dizer sim, e com esse sim juntarem-se a Ti no paraíso.

Queres o melhor para todos eles, não é Mãe?

Meu Filho, só Tu é que sabes o que é melhor para todos eles, mas o meu coração de mãe, que Tu tão bem conheces, é assim, quer os todos junto de Ti, porque só em Ti encontram a verdadeira vida que Tu mesmo lhes deste.

Olha, Mãe, e se quando estiveres junto de Mim Eu te enviar para os visitares e lhes falares, tu vais?

Ó, meu Filho, quando Eu disse sim ao Pai, disse-o a Ti e ao Espírito Santo e disse-o para toda a vida, naquele tempo e na eternidade, por isso o que quiseres que eu faça envia-me a fazer, e eu apenas Te responderei: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra».

Então, Mãe, vem!
Entrega-te nas asas dos anjos e vem para junto de Mim, por toda a eternidade sem fim!




Marinha Grande, 15 de Agosto de 2023
Joaquim Mexia Alves

domingo, 13 de agosto de 2023

SURPRESAS DE DEUS

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Hoje, por causa da ausência do nosso pároco, tinha que fazer uma Celebração da Palavra na capela de São Pedro de Moel.

Regressar a São Pedro de Moel e à sua capela, (já no Domingo passado lá estive na Celebração da Palavra), é sempre um regresso ao passado sem a ele regressar, claro, mas “revisitando-o” para me lembrar sempre de como Deus me pegou pela mão e me conduziu ao Caminho, à Verdade e à Vida.

Foi nas noites de São Pedro de Moel e não só, que gastei muito da minha vida em coisas sem importância, ou pior, em coisas que me puxavam para baixo, pensando que era vida aquilo que era apenas e só gastar, mal, a vida que Deus me deu.

Obviamente que São Pedro de Moel, o local, a terra, as suas gentes, não têm culpa nenhuma, mas sim a minha falta de querer encontrar a vida verdadeira que Deus, ainda muito a tempo, me levou a descobrir.

Por isso, como acima escrevo, são sempre momentos muito intensos quando sou chamado a celebrar a Palavra, naquela, para mim, tão bela capela.

E hoje estava nervoso, mais uma vez, muito nervoso e ansioso, talvez não tanto pela celebração em si, mas com o medo de fazer “as coisas” mal, por causa da Palavra que é o próprio Deus, que ia celebrar, mas muito mais, infelizmente acredito, por causa do meu orgulho e vaidade, com o medo de fazer “má figura”.

E ali estava eu, rezando interiormente, e não aparecia ninguém da equipa de acolhimento escalada para abrir a porta da capela e, por causa disso, os meus nervos e a minha ansiedade iam aumentando.

E eu ia repetindo baixinho em jeito de oração:
Ó Senhor, porque me fazes isto! Sabes que sou nervoso, ansioso e parece que ainda provocas mais este nervosismo, esta ansiedade.

E Ele ia-me repetindo:
Deixa de pensar em ti e entrega-te a Mim.

Entretanto o tempo de dar início à celebração passava, e nada de chave, e nada de poder entrar na capela.

Finalmente o Pe Jorge atendeu o meu telefone, (depois da celebração a que presidiu na igreja da Marinha Grande), e disse que me ia levar a chave, ao que eu retorqui que, já que vinha, então podia celebrar a Santa Missa, ao que ele de imediato anuiu, apesar dos seus múltiplos afazeres na paróquia.

E eu avisei todos os que estavam à espera que afinal esperar com paciência tinha o seu “prémio” e em vez de terem uma simples celebração da Palavra por este pobre de Cristo, iriam ter a Santa Missa presidida por um sacerdote.

E depois, depois dei graças a Deus, porque primeiro, ia celebrar com todos a Eucaristia em que Ele se faz realmente presente entre nós e para nós.

E em segundo lugar, porque já não precisava de estar nervoso e ansioso, já não precisava de pensar em mim e no meu “desempenho”, mas sim e só n’Ele que, mais uma vez, como nos diz a primeira leitura do dia, se revelava nesta “brisa suave” que só percebemos e sentimos quando a Ele nos abrimos.

Já descansado em casa, apenas posso dizer:
Obrigado, meu Jesus, porque sempre me chamas a “caminhar sobre as águas”!




Marinha Grande, 13 de Agosto de 2023
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

NO RESCALDO DA JMJ

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Seguiam os dois de mão dada no autocarro de volta à sua terra, ainda com um sorriso “meio tolo” nos seus rostos.

O João olhou para a Isabel com aquele olhar de quem ama um amor sempre novo e disse:
Gostei tanto de estar ali com tanta malta como nós e com o Papa!

A Isabel olhou para ele enternecida, apertou-lhe ainda mais a mão e respondeu:
Também eu, João, também eu!

Fez-se um silêncio entre os dois, apesar do barulho feito por tantos jovens naquele autocarro e deixaram-se ficar assim, de mãos dadas, olhando um para o outro com uma felicidade que não sabiam perceber … ainda.

A Isabel cortou o silêncio para dizer:
E agora? Agora o que vamos fazer?

O João olhou-a e respondeu:
Sei lá! Se calhar temos que perceber bem o que o Papa nos disse! Ele disse para não termos medo, mas isso já Jesus dizia naquele tempo, há muito tempo.

E tu tens medo?
Perguntou a Isabel.

Não sei bem, disse o João, acho que tenho algum receio do futuro, mas de Deus sinto que não tenho medo.

É como eu! Sinto que Deus nos ama, que Jesus está connosco, mas quando olho para a frente tenho um pouco de medo do que aí possa vir.

O João pensou um pouco e disse:
Sabes, eu acho que o Papa queria dizer que não devíamos ter medo de ser cristãos, de ser católicos, de ser Igreja, porque se o formos verdadeiramente, Jesus está connosco e nada de verdadeiramente importante nos há-de faltar.

A Isabel riu-se com vontade e respondeu:
Não te conhecia esses “dotes” de fé!

E acrescentou:
Estou a brincar, mas a verdade é que a mim também me tocaram aqueles dias, aquelas celebrações, sobretudo a presença de unidade, de amor, que só Deus pode fazer sentir em tanta gente.

Mais uma vez o silêncio tomou conta deles apesar do “tumulto” que tantos jovens faziam no autocarro.

E agora, João?
Perguntou a Isabel, retomando a conversa interrompida.

O João olhou para ela, apertou a mão com força e disse:
Só podemos ter duas atitudes. Ou continuamos assim, a fazer as nossas vidas tipo um poucochinho em Igreja ou assumimos a fé que nos foi dada, e vivemo-la com a força que nos vem de Deus.

A Isabel tomando coragem, respondeu-lhe:
Mal puder, quando chegarmos, vou-me confessar e recomeçar a partir daí.

O João anuiu e disse que ela não iria só porque essa era também a sua intenção.

De mãos dadas em silêncio, mais uma vez, viveram aquele momento como algo que começava verdadeiramente nas suas vidas.

Quase ao mesmo tempo, olhando um para o outro perguntaram-se:
E o todos, todos, todos?

Ah, João, temos que acolher aqueles que não vivem como nós, ou melhor, que não pensam como nós, que têm outras maneiras de sentir a vida, desde a espiritualidade até mesmo ao sexo, e acolhê-los, fazendo-os sentir que a Igreja é de todos.

Sim, Isabel, é verdade, mas temos que mostrar com as nossas vidas que Jesus chama todos, mas que depois compete a cada um aceitar o chamamento de Cristo com tudo o que esse caminho contém.

Meu querido João, a nós compete-nos tão só mostrar com as nossas vidas e o nosso proceder que Deus a todos ama por igual e a todos chama para Ele, depois cada um perante esse chamamento responde conforme a sua vontade, porque Deus nada impõe, “apenas” ensina como viver e “apenas” ama!

Sabes, Isabel, acho que o nosso amor vem de Deus e se Deus nos ama e nos faz amar um ao outro, temos que nos servir desse amor para amar também os outros e ajudá-los a encontrarem o mesmo amor com que nós amamos e que, afinal, é o amor de Deus em nós.

Deram um beijo, reclinaram-se nos assentos do autocarro e ficaram a olhar para um “nada” que afinal estava repleto de Deus.




Marinha Grande, 9 de Agosto de 2023
Joaquim Mexia Alves

domingo, 6 de agosto de 2023

A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR (AINDA A JMJ)

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Muitas vezes queremos apenas ver o Cristo divinamente glorioso, divinamente belo, divinamente extraordinário, divinamente grande, divinamente luz que enche as nossas vidas.

E muitas vezes O vimos assim, quando sentimos a Sua presença viva em certos momentos das nossas vidas, de tal modo que quereríamos viver sempre nesses momentos e esquecermo-nos até de nós, como Pedro se esqueceu dele próprio no Monte da Transfiguração.

Mas Jesus convida-nos, mais do que convidar, insiste connosco para descermos do monte e, no mundo, sermos testemunhas do Seu amor para o outro.

Porque muitas vezes Ele nos aparece “transfigurado” no pedinte, no sem abrigo, no familiar “chato”, no vizinho incómodo, no idoso que abandonamos, no drogado insuportável, etc., enfim, na gente de que a gente não gosta.

E é nessas alturas que precisamos de O ver, mas muitas vezes olhamos para o lado.

E, para mim, o todos, todos, todos, do Papa Francisco significa isso mesmo, todos, todos, todos devem ser acolhidos, amados e, depois, cada um desses todos, todos, todos, deve abrir o seu coração e a sua vida a Jesus Cristo, que se quer fazer presente na sua vida, mas isso já não nos compete a nós a não ser no sentido de que não devemos deixar de testemunhar com as nossas vidas, o nosso amor, a nossa entrega, o nosso acolhimento, sem “pré-conceitos”, a certeza de que cada um deve ter, que Jesus Cristo a todos infinitamente ama por igual.

E hoje, no final desta JMJ, muitos jovens e não só, naquele recinto de amor imenso, olham uns para os outros sorrindo, (talvez um sorriso beatífico a que alguns chamariam de “vinho doce”), e não lhes apetece sair dali, mas sim ali permanecer, naquele sentimento de amor tocado pelo divino que nos faz esquecer de nós próprios, para “apenas” vivermos entre nós e connosco o amor de Deus.

E, então, é aí que o «não tenhais medo», repetido até à exaustão desde Cristo há mais de dois mil anos, se torna premente, porque Ele nos convida a descer do monte, para contarmos e testemunharmos ao outro, com as nossas palavras e os nossos gestos diários, a beleza da transfiguração que acabámos de presenciar.

E, então, o Cristo transfigurado aparece aos olhos dos nossos corações, tocados pelo Espírito Santo, na figura de todos aqueles que nos rodeiam e precisam de ser amados com o amor de Deus, que vive em nós, para nós e para o outro.

E, então, a Igreja chegará àquele momento em que, com Jesus Cristo no centro, guiada pelo Espírito Santo, no amor do Pai, o mundo dirá dela: “vede como eles se amam”.




Marinha Grande, 6 de Agosto de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

E DEPOIS …

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E depois há aqueles que estão contra, que arranjam toda a espécie de argumentos para estarem contra, para não quererem que outros vivam a sua fé e louvem a Deus, como nesta JMJ.

E nós que vivemos a fé cristã temos logo, humanamente falando, a tendência também para os criticarmos, (afinal como eles nos criticam a nós), para os afastarmos, (como eles nos querem afastar a nós), para os calarmos, (como eles nos querem calar a nós), para os classificarmos, (como eles nos classificam a nós), para quase os desprezarmos, (como eles nos desprezam a nós).

Mas passados esses primeiros momentos de “descontrole” muito humano, devemos regressar ao ensinamento dAquele que afirmamos seguir, e sem querer obrigá-los a viverem a mesma fé que nós, devemos antes, com o nosso testemunho de amor, de paz, de oração, pedir a Deus que olhe por eles, que toque os seus corações, porque nós não o podemos fazer sozinhos.

«Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores.» Lc 5, 32

Talvez que eu, comparando-me com os que estão contra, me ache justo, pobre de mim, mas a verdade é que sou pecador como eles e, se quero amar como Ele me ama, tenho que amar como Ele os ama, ou seja, tenho que os acolher, (pelo menos no meu coração), pedindo incessantemente que encontrem a vida que eu encontrei em Jesus Cristo.

Afinal se os “anatematizamos” estamos a dar razão às suas críticas definindo-nos como um “grupo” à parte que, por muito grande que seja como “grupo”, não deixa de estar à parte se se fecha em si mesmo.

«Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste.» Jo 17, 20-21

Jesus Cristo chama-nos à unidade, chama-nos a proclamar o Evangelho a todos e, quando não o podemos fazer de viva-voz, talvez porque não nos queiram ouvir, podemos fazê-lo rezando por todos e, sobretudo, dando testemunho verdadeiro e real do amor de Deus em nós que tem sempre de se fazer amor para os outros.

Ser Igreja não é pertencer a uma instituição, é sim ser comunhão, ser união na diversidade, é ser oração contínua, é ser Evangelho vivo para nós e para os outros, é querer sempre que todos sejamos um com Jesus Cristo, guiados pelo Espírito Santo, no amor do Pai.

E se assim vivermos, se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo, vivendo no amor do Pai, tendo como centro das nossas vidas e, portanto, como centro da Igreja, Jesus Cristo, então, sem dúvida, «o Senhor aumentará, todos os dias, o número dos que entram no caminho da salvação». At 2, 47




Marinha Grande, 3 de Agosto de 2023
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 1 de agosto de 2023

“O AMOR NÃO ESCOLHE IDADES”

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E de repente veio ao meu pensamento esta frase popular que tantas vezes se ouve como resposta a críticas a pessoas de mais idade que não têm vergonha de afirmar o seu amor.

E, como não podia deixar de ser, nestes tempos em que vivemos a Jornada Mundial da Juventude, a “aplicação” dessa mesma frase a este extraordinário encontro a decorrer em Lisboa.

«Deus é amor» (1 Jo 4, 8), diz-nos São João, e é o amor verdadeiro, aquele amor que é todo doação, aquele amor que quer o bem do outro e se alegra com o bem do outro.

E só este amor transforma, só este amor é vida e «vida em abundância» (Jo 10, 10).

Muitas coisas se têm dito sobre a JMJ e a sua finalidade, a finalidade com que João Paulo II as criou e a única que tem sentido: o encontro com Jesus Cristo, que leva ao amor e à transformação de vida.

Se todos devemos estar abertos ao amor, então os jovens que vão descobrindo a vida, ainda mais devem estar e estão recetivos ao amor, ao amor verdadeiro, que é o amor de Deus que “formata” o nosso amor.

E os jovens são, por natureza, mais radicais, por isso mesmo, este amor de Deus que experimentamos no encontro pessoal com Jesus Cristo, será uma realidade nas suas vidas, se se deixarem tocar por Ele e, então, a sua radicalidade, a sua “temeridade” levá-los-á a testemunhar esse amor, o amor que muda o mundo, e não um qualquer “amor” do mundo que quer mudar o verdadeiro amor.

Podemos dizer e afirmar muitas coisas, criticar, opinar, etc., mas a verdade é que se estes jovens se abrirem a Jesus Cristo, o Espírito Santo se encarregará de lhe mostrar e fazer sentir o amor do Pai e, então, «darão testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo» (1 Jo 5, 14)

Perceberão os jovens, então, e perceberemos nós também, pelo seu testemunho e não só, que «se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros». (1 Jo 5, 11)

Seria utópico, claro, se não acreditássemos no poder de Deus e do seu amor a quem a Ele se abre e entrega, porque por muito irreal que possa parecer, a verdade é que Cristo venceu o mundo, e quer servir-se destes jovens e de todos nós para proclamarmos o Reino de Deus entre os homens.

Por isso, e servindo-nos da frase inicial, “o amor não escolhe idades”, rezemos para que o Pai e o Filho derramem abundantemente o Espírito Santo sobre estes jovens e sobre todos nós, para sentindo e vivendo o amor de Deus em nós, nele permaneçamos porque acreditamos que «quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele». (1 Jo 5, 16).




Marinha Grande, 1 de Agosto de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 27 de julho de 2023

JMJ

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Ei-los que chegam
jovens ainda
vestidos de esperança
caminhando por seu pé
vivendo na confiança
que anima a sua fé.

Vêm de longe
de outras terras
de outros costumes
cansados de guerras
de dúvidas e incertezas
que querem deixar para trás
trazendo no coração
um imenso desejo de paz.

Vêm à procura
do Deus que se fez Homem
encontrá-lo nas suas vidas
abandonar a secura
de oportunidades perdidas.

Ei-los que chegam
ansiosos pela luz
que lhes ilumine o caminho
que mesmo passando na cruz
os leve ao encontro do amor
ao encontro de Jesus.




Marinha Grande, 27 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: A fotografia é da Daniela Sousa, uma querida amiga e excelente fotógrafa da Marinha Grande.

A igreja é a da Marinha Grande, hoje na Missa da recepção aos muitos jovens que irão ficar connosco até rumarem a Lisboa na próxima semana. 

terça-feira, 25 de julho de 2023

O QUE É MORRER?

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O que é morrer, Senhor, quando penso em Ti, ou melhor, quando anseio por Ti na minha vida?

Sim, Senhor, o que é morrer, senão viver uma vida muito mais para além do que a vida que morreu.

Abriste no tempo uma estrada, Senhor, quando ressuscitaste dos mortos e nos mostraste a vida eterna que Tu és e que queres que todos sejamos Contigo.

E já nada, nem ninguém pode fechar essa estrada que abriste em Ti, para cada um de nós.

Então, Senhor, e mais uma vez, o que é a morte?

Um momento de vida em que a vida se torna vida para sempre.

Porque é então que a Tua vida em nós se torna no tudo e no todo da vida que em nós criaste e que só se completa totalmente quando é vida em Ti para sempre.

Então, Senhor, permite que pergunte mais uma vez o que é a morte?

É uma exaltação, um grito da alma que anseia por Ti, mais ainda, um desejo incomensurável de vida que se torna para sempre vida em Ti.

Ah, Senhor, não tenho medo da morte!

Tenho medo de não viver a vida sempre em Ti, por Ti e para Ti, porque sou fraco e pecador.

Ah, Senhor, mas nem das fraquezas da minha vida afinal tenho medo, porque sei, porque acredito, que o Teu amor é sempre maior que o meu pecado e, por isso, me abraças e dizes sempre ao meu coração: Não tenhas medo!

Obrigado, Senhor, não tenho medo porque já sei o que é a morte.

A morte é afinal vida, vida que em Ti vivida, levada pelo Espírito Santo, me aconchega nos braços do Pai para assim ser eternamente.




Marinha Grande, 25 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 18 de julho de 2023

SANTOS

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Ainda vemos muitas vezes a santidade como algo de extraordinário, algo de inalcançável para o comum mortal, algo que vai muito para além do nosso dia a dia.

Prestamos muita atenção às coisas extraordinárias feitas pelos santos sem percebermos que, muitas vezes no seu dia a dia, a sua vida era tentar viver sempre segundo a vontade Deus que eles tentavam escutar sempre nos seus corações, nas suas consciências.

E afinal a santidade ou ser santo não é fazer coisas extraordinárias, (embora nos tempos em que vivemos seguir Cristo já é extraordinário), mas sim viver segundo a vontade de Deus, deixando-se guiar pelo Espírito Santo, tentando acolher os outros como Cristo, querendo amar como o Pai nos ama.

A verdade, (falo por mim), é que também escutamos nos nossos corações, nas nossas consciências, o Espírito Santo que nos quer conduzir segundo a vontade de Deus, mas nós, com as nossas “sabedorias”, as nossas certezas, as nossas ideias, os nossos planos, e também os nossos medos e vergonhas humanas, acabamos por fazer o que queremos e não o que Deus quer para nós.

Mas a verdade, acredito eu, é que cada um de nós tem a santidade inscrita no seu ser e, por isso mesmo, a “única” atitude a tomar é abraçar essa santidade em nós, fazendo a vontade de Deus em cada momento de família, de trabalho, de lazer, de alegria, de tristeza, de saúde, de doença, de boa disposição, de má disposição, enfim em tudo e sempre no dia a dia de cada um.

E os santos fizeram sempre a vontade de Deus em tudo no seu dia a dia?

Não, claro que não, porque eram pecadores como nós, mas sempre recomeçavam caminho, nunca desistiam, porque viam sempre os braços do Pai abertos para eles, quando regressavam a casa.

Por isso o Céu está cheio de santos e são precisamente esses santos “anónimos” que devemos almejar, que devemos querer, que devemos acreditar poder ser.

Ser “Santo de altar” não é mais nem menos do que ser santo como todos os outros que comungam da visão eterna de Deus.

Ser “Santo de altar” não devia ser para nos admirarmos com o extraordinário, mas sim com a atitude da vida diária desses Santos em todos momentos e, reflectindo nas semelhanças com os momentos das nossas vidas, querer imitá-los na sua entrega, no seu amor, na sua resistência a fazer a sua vontade, antes da vontade de Deus.

Afinal ser santo é fácil!

Basta querer deixar-se guiar pelo Espírito Santo e, quando a nossa vontade “falar” mais alto do que Ele, resistir à nossa vontade, fazendo a vontade de Deus.

É também saber e acreditar no mais íntimo de nós próprios que Deus nos criou santos, porque nos ama com amor eterno e, por isso mesmo, quando erramos o caminho, Ele está sempre de braços abertos à nossa espera para retomar o caminho connosco.

Ah, e ser santo não é desistirmos de nós próprios, mas sim sermos nós próprios, tal como Deus nos criou no Seu infinito amor.



Marinha Grande, 18 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 14 de julho de 2023

ENTREGARMO-NOS À VONTADE DE DEUS

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Entregarmo-nos à vontade de Deus é confiar no amor, é viver na esperança de que n’Ele tudo é vida, mesmo na morte que por Ele foi vencida.

Entregarmo-nos à vontade de Deus é ser um pouco santo, porque é vencermo-nos a nós próprios, para sermos verdadeiramente à «Sua imagem e semelhança».

Entregarmo-nos à vontade de Deus é sermos mais para os outros do que para nós próprios, é sermos caridade como testemunhos Seus.

Entregarmo-nos à vontade Deus é dizermos ao mundo em que vivemos que o preservamos porque obra de Deus, mas que obedecemos a Deus e não ao mundo, porque só Deus ama sem limites.

Entregarmo-nos à vontade Deus é deixarmo-nos conduzir pelo Espírito Santo e, em oração, dizer em cada momento, estou aqui, Senhor, serve-Te de mim.

Entregarmo-nos à vontade Deus é espantarmo-nos todos os dias com a beleza da Sua criação, descobrir em cada flor a alegria da cor, ver em cada animal a multiplicidade da vida.

Entregarmo-nos à vontade Deus é admirar-nos com a grandeza de Deus em cada cume de montanha, na imensidade do mar, no ribombar do trovão, na força do vento impetuoso, na força do rio caudaloso, que nos inunda o coração.

Entregarmo-nos à vontade Deus é ser o mais pequenino de entre os pequeninos, é ser criança ao colo, é ser aprendiz do amor, é ser testemunha de bondade, é ser abraço acolhedor.

Entregarmo-nos à vontade Deus é sorrir sem medida, abraçar com força desmedida, cantar em cada dia de Deus a Sua alegria.

Entregarmo-nos à vontade Deus é sermos nada sendo tudo, porque no nada que somos, Deus se faz tudo para todos.






Marinha Grande, 14 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 13 de julho de 2023

CANSAÇO!

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Abate-se em mim um cansaço inexplicável.

Esta doença, sem cara, meio benigna ou meio maligna, afinal, (ou como se queira ver o copo meio cheio ou meio vazio), provoca esta situação sem nenhum sentido.

A gente não percebe sequer porque está cansado, mas a verdade é que os braços, as pernas, todo o corpo, parecem pesar toneladas, o esforço para se mover leva quase à exaustão e nós sem percebermos porquê.

E depois penso naqueles que têm outras doenças cheias de dores, que têm às vezes até o “horizonte” marcado, e apenas posso dar graças a Deus por “apenas” ter esta “coisa”, que não se vê, mas se sente.

Assim aproveito o momento menos bom e dou graças a Deus por estar comigo em cada momento.

Aproveito, e atrevo-me até a rezar como Jesus:
«Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.» Mt 26, 39

Mas depois penso na pobreza da minha minúscula doença perante a grandeza da entrega da vida de Jesus Cristo, meu Senhor e meu Deus, e apenas posso pedir perdão pela comparação que ousei fazer.

Mas novamente aproveito o momento e digo com aquela que quero que seja a minha mais sincera humildade:
Aceita, Pai, por Jesus Cristo, guiado pelo Espírito Santo, este pouco da minha vida que Te quero oferecer por todos os que sofrem, sobretudo aqueles que não abrem os seus corações a Ti e assim não podem receber de ti o amor que faz o «Teu jugo suave e o Teu fardo leve». Mt 11, 30

E então ganho asas, levanto-me, abro os braços, dou graças e clamo bem alto:
Obrigado, meu Deus, porque Te fazes presente na minha vida!!!





Marinha Grande, 13 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 7 de julho de 2023

O PÃO DE CADA DIA

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Às vezes apetece-me sentar no banco da vida e desistir de me incomodar com certas coisas que me vão acontecendo, ou melhor, que deviam acontecer e não acontecem.

Seria tão mais fácil deixar andar sem nada resolver e deixar que o tempo resolvesse aquilo que eu não consigo ou que aqueles amigos a quem peço ajuda também não resolvem.

E depois tento sempre dissociar a amizade que lhes tenho e, acredito, eles me têm a mim, de todos os assuntos por resolver.

Sinto-me até às vezes culpado por os incomodar com as minhas coisas, mas a verdade é que eu estou sempre disponível para ajudar, quando para tal sou solicitado.

Ah, mas eu prezo muito mais a amizade do que os assuntos por resolver, porque esses, mais tarde ou mais cedo resolvem-se ou não, mas a amizade é coisa diária, é fruto do coração, é vida permanente que não se apaga, nem deixa extinguir.

E assim vou sublimando em mim a irritação muito humana, para deixar que o amor, (muito mais humano porque impregnado do divino), tome conta de mim e me vá fazendo rezar pelos meus amigos todos, para que encontrem, no mínimo, o mesmo amor de Deus que eu encontrei.

E resulta! Oh se resulta!

Parece então que O ouço dizer-me ao ouvido ou será ao coração:
Mas Eu alguma vez te faltei? Não sabes que te amo com amor eterno? A Mim nunca precisas de perguntar três vezes se Eu te amo, porque a resposta está sempre bem dentro de ti, na certeza que tens do Meu amor.

Levanto-me então do tal banco da vida, (quase como um banco de cobrador de impostos), deixo os assuntos nas mãos d’Ele, e sigo-O cheio de confiança, revestido de esperança, todo envolto em amor.

E Ele toma-me pela mão, diz-me que já se faz tarde, já anoitece, e então eu peço-Lhe humildemente que fique connosco, que fique comigo, e que eu sempre O reconheça ao “partir do pão” de cada dia.





Monte Real, 7 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 5 de julho de 2023

SOU TEU!

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Ver-Te na brilhante luz do Sol,
na suavidade do luar,
no vento que tudo move,
na montanha que se eleva,
na imensidão do mar,
na onda que não acaba,
nos infinitos grãos de areia da praia,
na beleza de uma flor,
num beijo,
num abraço,
num terno encontro de amor.

Ver-Te no respirar,
no coração a bater,
no sangue sempre a fluir,
no coração,
na mente,
num suspiro de viver,
num desejo de partir,
sabendo um dia chegar,
vendo-Te sem nunca Te ver.

Voar por cima das nuvens,
correr sem nunca parar,
procurar-Te em cada momento,
deixar-me levar pelo Teu Vento,
que me faz acreditar,
que sempre que me entregar,
sempre Te hei-de encontrar.

Ou então,
quedar-me quieto em silêncio,
fechar os olhos,
sonhar,
sentir o coração,
cheio de amor,
a pulsar,
abrir os braços em cruz
e exclamar:
Sou Teu,
aqui me tens,
meu Senhor,
doce Jesus!




Monte Real, 5 de Julho de 2023
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 26 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O SENHOR 26

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«Não julgueis e não sereis julgados.» Mt 7, 1



- Pois, Senhor, mas é muito raro alguém ouvir-me a dizer mal ou a julgar o outro em público.
- Talvez seja um pouco verdade, meu filho, mas achas tu que só aquilo que sai da tua boca é que é julgamento e dizer mal dos outros?
E no teu pensamento?
E naquilo que interiormente pensas do outro, embora o possas não dizer de viva voz?
Não fazes tu um julgamento do outro?
Não “dizes” tu mal do outro para ti mesmo?

- É verdade, Senhor, realmente e afinal julgo e penso muitas vezes mal do outro no meu pensamento! Perdoa-me, Senhor!
- Sabes que quando o fazes assim nem sequer dás ao outro a possibilidade de responder ao teu julgamento, à tua maledicência em pensamento? Fica irremediavelmente manchado pelo teu pensamento.

- Reconheço, Senhor, que assim sou, que assim faço.
- Calcula tu que podias escutar os pensamentos dos outros em relação a ti? Não te revoltarias com a maior parte deles porque achavas para ti que não eram justos? Mas já percebeste que não lhes podias responder porque estavam apenas no pensamento dos outros?

- Mais uma vez, Senhor, perdoa-me e ajuda-me a não julgar nem dizer mal de ninguém, nem em público nem de viva voz. Purifica, Senhor, o meu pensamento e o meu falar.
- Sabes bem meu filho que tens sempre o meu perdão, por isso não te esqueças de confessar esses pecados da próxima vez que te abeirares da Confissão.
«Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» Jo 8, 11




Marinha Grande, 26 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 22 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O DIABO (17)

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Diz ele: Porque estás para aí preocupado com o que hás-de rezar?
Digo eu: Porque às vezes não sei o que dizer-Lhe, como hei-de estar com Ele.

Diz ele: E julgas que Ele se importa? Julgas que Ele tem necessidade das tuas orações?
Digo eu: Não é uma questão de Ele se importar ou não, nem sequer uma questão de Ele ter necessidade das minhas orações. Eu é que tenho necessidade d’Ele, eu é que necessito absolutamente de estar com Ele e Lhe dizer da vida que Ele me deu.

Diz ele: Então e julgas que Ele não sabe do que necessitas?
Digo eu: Eu sei muito bem que Ele sabe do que eu necessito, mas também sei que quando a Ele me dirijo agradecendo e pedindo, estou a reconhecer que Ele é Deus e tudo pode e que me ama com amor eterno.

Diz ele: Se Ele te amasse com esse amor eterno, não precisava que te dirigisses a Ele pois dava-te de imediato o que precisasses.
Digo eu: Lá estás tu a querer confundir-me. Já te disse que Ele não precisa de nada de mim, a não ser que faça a Sua vontade, mas até isso que Ele muito deseja que eu faça, é para minha salvação e nada acrescenta ao Seu amor por mim.

Diz ele: Mas porque é que tens de fazer a vontade d’Ele e não a tua? Então tu não sabes bem o que é melhor para ti?
Digo eu: Às vezes dás-me vontade de rir, embora tu não tenhas graça nenhuma. Claro que a vontade d’Ele é o melhor para mim, porque só Ele sabe do que necessito para ser feliz e viver no amor. A minha vontade é fraca, e muitas vezes até és tu que a queres comandar, por isso te incomoda que eu procure fazer a Sua vontade.

Diz ele: E julgas que tu me interessas para alguma coisa? Só falo contigo para ta ajudar a encontrares o teu caminho.
Digo eu: Dizes bem, que eu não te interesso para nada. Eu não te interesso, mas enquanto filho de Deus queres a minha perdição porque julgas que será uma vitória na tua luta contra o bem. Desengana-te porque Ele já te venceu e por isso mesmo O procuro para permanecendo n’Ele também eu vença as insidias com que me provocas.

Diz ele: És um chato! Não se pode falar contigo que estás sempre de “pé atrás”.
Digo eu: Não tenhas dúvidas de que assim estou sempre que te insinuas para falares comigo. Mas pensando bem até te agradeço esta conversa.

Diz ele: Agradeces-me???
Digo eu: Sim agradeço porque no início desta nossa conversa disseste que Ele não tem necessidade das minhas orações, e realmente não tem, por isso mesmo agora cala-te, porque eu quero estar com Ele em silêncio, porque é muitas vezes no silêncio que eu sinto o Seu amor e Ele “fala” comigo.



Monte Real, 22 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 19 de junho de 2023

DIÁLOGOS COM O SENHOR 25

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- Quem achas tu que és?
- Oh, Senhor, essa pergunta, perdoa-me, deveria ser respondida por Ti, pois Tu é que me conheces total e perfeitamente, como nem eu me conheço.

- Mas Eu não te perguntei quem és, mas sim quem achas tu que és?
- Oh, Senhor, quem acho eu que sou? Perante Ti apenas posso responder que sou um homem fraco e pecador que Te procura insistentemente para saber verdadeiramente quem sou.

- Mas que dizes tu de ti próprio?
- Digo que quando me confronto percebo que sou orgulhoso, vaidoso, muitas vezes convencido de ser melhor do que outros e que isso é, infelizmente, uma constante na minha vida.

- Não lutas tu contra tudo isso que agora me dizes?
- Sim, Senhor, Tu sabes bem, todos os dias, mas é tantas vezes uma luta que me parece não conseguir ganhar, embora tenha consciência de que, apesar de tudo, vou tendo pequenas vitórias.

- E travas essa luta sozinho?
- Eu julgo que não, Senhor, porque Te sei a meu lado, comigo, mas muitas vezes parece que me deixas, permitindo que eu caia, para depois me levantares e eu perceber que é em Ti e Contigo que estas lutas se travam.

- Então tu achas que só tens defeitos?
- Não, Senhor, verdadeiramente tenho de reconhecer, espero que humildemente, que também tenho qualidades, dons ou talentos, porque me vêm da Tua graça.

- E o que fazes com essas qualidades, com esses dons ou talentos que Eu te dou?
- Tento, Senhor, tento sempre colocá-los ao Teu serviço, servindo outros, mas infelizmente muitas vezes me ufano deles.

- Mas reconheces que não são teus, mas sim fruto da minha graça?
- Sim, Senhor, acredito, quero acreditar, que são Teus e apenas fruto da Tua graça.

- Achas então que não os mereces, ou melhor, que Eu não tos deveria conceder?
- Oh, Senhor, quem sou eu para saber o que mereço ou não e o que Tu deves conceder e a quem. Acredito que Tu não concedes essas graças por qualquer merecimento, que nunca teremos, mas por Tua livre vontade, que não conseguimos abarcar totalmente.

- Não fazes então nada para receber esses dons ou talentos que a minha graça te concede?
- Se alguma coisa faço, Senhor, é porque Tu me conduzes e ajudas a fazê-lo pelo Espírito Santo. Talvez, Senhor, eu esteja disponível, ou melhor, me entregue a Ti e assim podes actuar em mim e servires-te de mim para Te servir, servindo outros.

- E achas que isso é pouco? Achas que essa disponibilidade e entrega tentando fazer a minha vontade é pouco?
- Que sei eu, Senhor, pobre de mim da verdade das minhas razões? Só Tu, Senhor, sabes verdadeiramente da sinceridade dessa minha disponibilidade e entrega. Abandono-me, ou desejo abandonar-me a Ti e que seja verdade em mim também o Sim de Tua Mãe.

- Olha, meu filho, quem mede o teu orgulho, a tua vaidade, o teu convencimento, sou Eu e não tu, por isso descansa porque enquanto reconheceres essa luta dentro de ti, Eu estarei sempre aqui para te ajudar a lutar, e sempre te abençoarei com o meu perdão, cada vez que me procurares com arrependimento, confessando as tuas fraquezas.

Baixo os olhos e digo cheio de alegria serena, de confiança reforçada, de esperança concretizada:
- Obrigado, Senhor, porque me amas apesar de mim!



Monte Real, 19 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 15 de junho de 2023

CONVERSAS NO CAMINHAR II

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Provocação - O que é a Verdade?
Reflexão - Já me fiz essa pergunta muitas vezes e ao relembrar Jesus perante Pôncio Pilatos é claro que só posso responder que a Verdade é Jesus Cristo, é Deus.
Ele próprio nos disse: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida»

P - Mas se a Verdade é Jesus Cristo, é Deus, como podemos nós chegar ao conhecimento da Verdade?
R - Bem, parece-me que chegando ao conhecimento de Deus chegaremos ao conhecimento da Verdade.

P - Mas Deus, embora o possamos conhecer, nunca O conheceremos plenamente enquanto vivemos na terra, porque Deus é também Mistério, não é?
R - Realmente teríamos de considerar que se assim é nunca poderemos chegar, durante a nossa vida terrena, ao conhecimento da Verdade em toda a sua plenitude.

P - Mas que Verdade é esta de que falamos?
R - Bem, falamos da Verdade perfeita, ou seja, não falamos de uma verdade que apenas se poderia considerar a “não mentira”, o “não verdadeiro”, o “engano”, a “manipulação”, mas sim uma Verdade que transforma, que nos enche, que é justiça, que nos faz encontrar com Deus, com o nosso verdadeiro eu.

P - Mas uma Verdade assim vai para além da nossa compreensão. Quer dizer, de um modo geral em tudo o que fazemos, tudo o que dizemos, tudo o que pensamos, há sempre muita coisa que não é verdade, ou seja, que não é perfeita, que não é pura.
R - Sim, isso é verdade, mas não é a Verdade. O nosso conhecimento de Deus é imperfeito enquanto aqui vivemos, assim como o nosso conhecimento da Verdade, julgo eu, também será imperfeito.

P - Então para o conhecimento da Verdade temos também que considerar a Fé? Quer dizer, a certa altura o nosso caminho para a Verdade tem que ter a Razão iluminada pela Fé?
R - Talvez uma analogia com o amor nos possa fazer perceber melhor tudo o que estamos a falar.
Nós conhecemos o amor, mas não o conhecemos plenamente. Para conhecermos o amor pleno teremos, julgo eu, que estar na presença de Deus. Mas isso não impede que tentemos conhecer o amor, que tentemos viver o amor, que tentemos ser amor.

P - Mas nós temos tantos defeitos, tantas fraquezas, como poderemos nós almejar viver agora o amor plenamente?
R - Parece-me perceber nas palavras de Nicodemos quase uma resposta a isso.
«Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» Jo 3, 4
Se pudéssemos entrar novamente no ventre da nossa mãe e viver ali como vivemos então no tempo de gestação, nada haveria em nós que pudesse macular o amor, pois ainda nada tínhamos aprendido, ainda nada tínhamos analisado, ainda nada tínhamos “corrompido” com a nossa humanidade.
No entanto, até aí, até nesse momento eramos captivos do pecado original, pelo que o nosso amor estaria ferido na sua relação com Deus, e por isso o amor não seria perfeito, por isso a Verdade não era plena e total.

P - Mas então nesta vida nunca poderemos conhecer a Verdade como atrás dizíamos?
R - Julgo que não. Por isso Jesus Cristo responde a Nicodemos que «aquilo que nasce do Espírito é espírito.» Jo3, 6. Só no Espírito Santo podemos caminhar se queremos almejar conhecer a Verdade.
E disse ainda «Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz» Jo 3, 21 o que para mim, significa que quando procuramos Deus, quando praticamos a Sua Palavra, quando procuramos viver segundo a Sua vontade, aproximamo-nos de Deus, aproximamo-nos da Verdade, aproximamo-nos do Amor.

P - Mas tu queres conhecer a Verdade?
R - Com todas as minhas forças, com toda a minha alma, com todo o meu ser, porque a Verdade para mim é Deus, é o Amor e eu quero, pela graça de Deus, viver na Verdade, no Amor em Deus.

P - Mas na tua vida aqui não o conseguirás!
R - Pois não, mas tenho a confiança na promessa de Jesus Cristo «que todo o que nEle crê tem a vida eterna.» Jo 3, 15 e, por isso, posso já viver na Verdade, no Amor, em Deus, se procurar em tudo fazer e viver segundo a Sua vontade, porque assim, em mim, já está inscrita, pela graça de Deus, a vida eterna, que eu “já, mas ainda não”, vivo!

P - Então quando poderemos acreditar que conheceremos a Verdade plenamente?
R - Julgo perceber que tal só será possível perante Deus, na vida eterna plena. Só então pela graça de Deus, O conheceremos plenamente, (porque estaremos livres desta “tenda humana” que nos “aprisiona” na imperfeição), e então poderemos conhecer a Verdade e o Amor plenamente.





Marinha Grande, 15 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

domingo, 11 de junho de 2023

VER COM AMOR

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«Naquele tempo, Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus …»

Realmente percebemos a diferença entre o olhar, o acolher, o chamar de Jesus e o nosso modo de olhar os outros, até mesmo aqueles que nos são próximos.

Jesus viu um homem chamado Mateus, não viu um cobrador de impostos, um homem que trabalhava para o opressor daquele tempo.
Jesus quis ver quem era aquele homem Mateus, não quis ver o que era aquele homem, como ele se portava ou o que ele fazia.
Jesus quis amar e acolher aquele homem e assim poder, pelo amor, libertar aquele homem de tudo o que nele era errado.

Nós veríamos, em primeiro lugar, o tal odiado cobrador de impostos, o tal traidor que colaborava com o opressor, veríamos um pecador, sem cuidarmos de nos lembrarmos que também nós somos pecadores.
E por o vermos assim e assim tantas vezes vermos os outros nos seus defeitos, é que em vez de acolhermos e amarmos, ou melhor, de amarmos e acolhermos, é que não ajudamos ou somos ocasião para também os outros encontrarem o Jesus que amamos e queremos nas nossas vidas, porque só Ele nos dá a vida em abundância.

Mais à frente, na narração do Evangelho, e perante a forma como os fariseus vêem Mateus, (ou como nós vemos os outros, às vezes até mesmo em Igreja), Jesus diz-lhes que percebam bem o que quer dizer «prefiro a misericórdia ao sacrifício».

Realmente quantas vezes fazemos o que fazemos em Igreja por preceito apenas, e não o fazemos em primeiro lugar por amor a Deus e aos outros?

Interpretando literalmente a frase «prefiro a misericórdia ao sacrifício», pergunto-me o que me é mais difícil: Fazer um sacrifício de jejum, (que posso e devo fazer, sem dúvida), ou perdoar a quem me ofendeu?

Claro que uma não invalida a outra, mas de que vale o sacrifício se não faço a paz com o meu irmão, se não amo o meu irmão vivendo o mandamento de amor que Cristo nos deixou: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.»?

Uma coisa Te peço, Senhor, que me faças sempre ver no meu próximo, um irmão, que quero amar em vez de julgar.




Marinha Grande, 11 de Novembro de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: Texto suscitado pela homilia do Padre Patrício Oliveira, pároco da Marinha Grande, na Missa das onze horas deste Domingo.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

CORPO DE DEUS PÃO DE DEUS

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Que Pão é este
que vindo dos Céus
alimenta o homem
e o faz eternidade em Deus.

Não é Pão de um momento
nem de existência efémera
é Pão de divino alimento
que leva à vida eterna.

Este é um Pão consagrado,
no sacrifício da Cruz,
é um Pão que nos é dado
prometido por Jesus.

Não é um qualquer maná
que perece brevemente
é Pão que Deus nos dá
por amor tão simplesmente.

Este Pão mata a fome
afasta a tristeza e a dor
é um Pão que se consome
como puro e eterno amor.

Dá-nos sempre deste Pão
nosso Deus, nosso Senhor
para que em cada coração
viva sempre o Teu amor.




Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
Marinha Grande, 8 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 6 de junho de 2023

FAZER ANOS DEPOIS DOS SETENTA

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É curioso isto de ir fazendo anos a partir dos setenta, não digo de propósito envelhecendo, porque ficar velho é uma coisa e fazer anos é outra.

Podemos ir fazendo anos e, claro, as dores aparecem, as articulações não ajudam, uma série infindável de achaques fazem-se presentes, mas não temos que ficar velhos, isto é, não temos que ficar como aqueles que de quem se diz está um chato, está um velho!

O cérebro envelhece?
Não sei, não faço ideia, (tirando obviamente as doenças que o possam atacar), mas tenho para mim que continua a “trabalhar” perfeitamente e mais ainda, que nos guarda surpresas fantásticas.

É que faz-nos lembrar de coisas passadas a que não ligávamos nada, e agora são motivo para um sorriso que nos aparece na boca, para uma conversa, não só com os mais novos, mas também com os da nossa idade, conversas que a maior parte das vezes arrancam gargalhadas aos intervenientes e fazem as delícias dos mais novos que as ouvem.

Alguns desses mais novos até nos olham com aquele olhar de quem se espanta como o pai, o irmão, o amigo, fizeram aquelas coisas que estão a contar e, afinal, se divertiram tanto com coisas tão simples.

E quando avançamos para os acontecimentos mais arriscados, mas temerários, mais aventureiros, quase nos digladiamos amigavelmente a ver quem fez “pior”, mais arriscado, enquanto os mais novos ficam espantados com as loucuras que aquela gente de mais idade fez durante a vida.

Às vezes até ficamos todos orgulhosos quando os ouvimos contar aos amigos das suas idades, as aventuras do pai, do irmão ou do amigo!!!

E é curioso que não se cansam de ouvir repetidas essas histórias de um passado que não conheceram, e às vezes até são eles que no-las recordam, para que as repitamos, fazendo-o nós sempre com todo o gosto e acrescentando sempre um qualquer pormenor para dar mais sumo à história tantas vezes recontada.

A gente até pensa, às vezes, que devia escrever aquelas histórias, mas o que é verdade é que lidas perdem bastante do seu encanto e, claro, não lhes podemos acrescentar mais uma coisa ou outra que mesmo não sendo totalmente verdade, não são, com certeza, mentira e dão mais brilho à narrativa.

E o que é engraçado é que a gente só se vai lembrando destas coisas à medida que vamos fazendo anos, talvez assim a partir dos setenta, e por isso mesmo não vamos ficando mais velhos, vamos é acrescentado anos às histórias dos nossos anos!





Monte Real, 6 de Junho de 2023
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 1 de junho de 2023

EM ADORAÇÃO

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Ajoelhas-te no chão duro, baixas a cabeça, despes-te de ti, fazes silêncio em ti e entregas-te ao Espírito Santo, insistindo ternamente que Ele venha, te ilumine e guie.

Docemente deixas-te envolver no momento, abres os teus olhos e fixas longamente a Hóstia Consagrada, deixando que o Espírito Santo te mostre o Cristo vivo que ali está.

Não sabes o que dizer, o que orar, mas ao teu coração vem a certeza de que Ele te está a ouvir e a abraçar.

Percebes então que as tuas palavras têm pouca importância, porque o que importa verdadeiramente é o teu coração aberto a Cristo, é o teu ser todo inteiro desejar ardentemente estar totalmente na Sua presença, como naquela Última Ceia.

Deixas-te levar pelo Espírito Santo e vais até ao Monte das Oliveiras onde adormeces enquanto Ele ora ao Pai.

Ouves a sua voz e levantas-te apressado, mas depressa te afastas porque O vês ser preso e tens medo.

À distância segue-lO e juntas-te a outros que ali estão também, enquanto o interrogam, a Ele que é inocente.

Quando os que te rodeiam te perguntam se O segues, negas, porque tens medo, mas o olhar de compaixão com que Ele te olha faz-te arrepender e chorar amargamente.

Vê-lO carregar a cruz, mas mais uma vez o medo tolhe-te e não te aproximas para O ajudar.

Crucificam-nO à tua frente e quando Ele baixa a cabeça e num murmúrio diz que tudo está consumado, percebes então, porque o Espírito Santo to mostra, que Ele morreu por ti, que Ele morreu por todos nós.

Um silêncio maior toma conta de ti e agora nem sequer ousas olhar para o Jesus Sacramentado e murmurando baixinho vais dizendo: Perdão, Senhor, perdão!

Mas o Espírito Santo vem mais uma vez em teu auxílio e levanta-te a cabeça para que vejas no Sacramento da Eucaristia o Cristo glorioso que se faz ali presente, abrindo os braços para ti, chamando-te pelo teu nome, e dizendo-te que te ama com amor eterno.

Então surge em ti um grito abafado que te enche por completo e apenas podes dizer, repetindo sem cessar:

Obrigado, Senhor, obrigado!
Glória a Ti por todo o sempre!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pelos séculos sem fim!

Levantas-te e partes entusiasmado, com essa vontade dentro de ti de testemunhar a todos a alegria, a paz e o amor que vivem em ti porque Ele te ama e te faz amor para os outros.




Monte Real, 30 de Maio de 2023
Joaquim Mexia Alves


Nota: Na terça feira recebi a comunicação do grupo dos Irmãos Nómadas a que pertenço, à distância, visto que reúnem todas as quarta feira em Lisboa.
Nesta quarta feira fizeram adoração ao Santíssimo e, quando recebi a comunicação na terça feira, escrevi este texto que lhes enviei, como participação/união minha em oração.