quinta-feira, 20 de novembro de 2014

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (6)

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Joaquim, «desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa».

Mas, Senhor, desço de onde?

Da árvore a que subiste!

Mas eu estou com os pés na terra, não estou em cima de nenhuma árvore!

Tens a certeza? Tenho que te explicar tudo? Não queres pensar um pouco?

Bem, Senhor, eu acho que já não preciso subir à árvore para Te ver. Já Te vejo bem na minha vida.

Pois Eu digo-te que estás em cima de uma árvore e assim não Me podes ver, como Eu gostaria que me visses.

Bem, Senhor, pões-me a pensar de que cimo de árvore Te verei eu.

Então pensa bem, (com a ajuda do Espírito Santo que te dou), e depois «desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.»

É verdade, Senhor, afinal estou em cima de uma árvore e não Te consigo ver bem! Está a imagem um pouco desfocada, não consigo alcançar todo o teu amor, toda a tua vontade.

Então e porquê, Joaquim?

Oh, Senhor, porque estes ramos me tapam a vista, aliás, percebo agora que esta ramagem me prende e não me deixa descer ao teu encontro.

Olha bem para esses ramos, analisa-os, e depois perceberás o que precisas fazer para deles te libertares.

Reconheço agora, Senhor, um ramo de orgulho, ali ao lado um outro ramo de vaidade, ainda outro de autoconvencimento, mais um de ânsia de protagonismo, ai, Senhor, e um ramo de crítica e maldizer que me agarra com tanta força que não me deixa mover.

Percebes agora em que árvore te encontras, que não te deixa ver-me como Eu quero que me vejas, e não te deixa descer ao meu encontro?

Percebo, Senhor, percebo! E agora, como faço para me libertar desta árvore em que me encontro?

Dar-te-ei o que precisas: Toma o meu amor, para que ames sem orgulho, toma a minha simplicidade, para que te sintas igual aos outros, toma o meu discernimento, para que saibas que tudo o que tens te vem de mim, toma a bacia em que lavei os pés dos meus Apóstolos, e serve-te dela para servires os outros, toma a minha humildade, para que vejas em ti primeiro todos os defeitos e ao rezares por eles, rezes também pelos dos outros.

Oh, Senhor, começam a desprender-se os ramos deixando-me descer da árvore para ir ao teu encontro! Mas alguns ainda vêm muito agarrados a mim.

Não te preocupes! «Desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa», e se nela me deixares fazer morada, todos esses ramos serão queimados no fogo que arde sem consumir.

Obrigado, Senhor, obrigado. Que a minha vida seja a tua morada para sempre.


Marinha Grande, 18 de Novembro de 2014
Joaquim Mexia Alves
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2 comentários:

António Mexia Alves disse...

Belíssimo!!!

Talvez que... seja árvore em que cada um de nós está empoleirado!!!

Há que podar esses ramos e descer ao encontro de Quem nos espera.

Pôr mãos à obra! Já! Nunc Coepi!

joaquim disse...

Obrigado António!

Um abraço amigo em Cristo