terça-feira, 6 de setembro de 2011

A MISSA É UMA “SECA”? (1)

.
.




Ouvimos repetidamente dizer, sobre a Missa, a tantos católicos: que demorou muito, que não teve interesse, que o sacerdote não falou bem, que não se cantou, que se cantou, etc., etc.

Às vezes até chegamos a dizer que assim a Igreja vai perder mais fiéis, que assim não cativa os jovens, e toda uma série de ditos, que nada constroem, mas apenas destroem.

Penitencio-me também por, algumas vezes o pensar e pior ainda, algumas vezes o dizer, também.

É velha a ideia já transmitida, que a atenção dos católicos na Missa é tal, (refiro uma prática geral, onde existem felizmente muitas excepções), que se à saída da igreja lhes perguntassem sobre as leituras, a maior parte não saberia responder.

Ora isto revela que, muitos católicos ainda “vão à Missa”, ou seja, não participam na/da Missa, não celebram o Sacramento da Eucaristia, que é memorial da Paixão de Cristo.

Ou seja, muitos de nós, (eu incluído, algumas vezes), estamos na Missa por obrigação e não por amor ou devoção.

Ora tudo o que é feito por obrigação tende a tornar-se incómodo, cansativo e longo, por muito curto que seja.

Se a minha disposição quando vou participar em algum evento é de obrigação, e a minha vontade era estar noutro lugar a fazer qualquer outra coisa, a minha permanência nesse evento vai revestir-se de um incómodo permanente, contando todos os minutos e segundos, à espera que o mesmo acabe.

No entanto, se a minha vontade é de total interesse em participar desse evento, a minha atenção vai ser redobrada, tudo o que for feito e dito despertará a minha atenção, e quando chegar o fim, eu desejarei que ainda não tivesse acabado.

Infelizmente, e muitas vezes para tentarmos “conquistar” os jovens para a fé, (mesmo nas catequeses), vamos concordando com eles que a Missa é uma “seca”, que devia ser mais rápida e sobretudo mais animada, o que em “termos jovens” significa qualquer coisa como divertida!

Mas a Missa não é uma diversão, pois não?
É que divertir significa distrair, recrear, desviar a atenção de, etc., etc.

A Missa é uma celebração, ou seja, é realizar com solenidade, é efectuar, comemorar, exaltar, é, no caso específico da Eucaristia, celebrar o memorial da Paixão de Cristo, o que significa tornar presente a Paixão de Cristo, (não uma nova Paixão “actualizada”), mas a mesma e única Paixão de Cristo, que Ele sofreu na Sua entrega total por nós.

Como posso eu, como podemos nós, como podem infelizmente alguns sacerdotes, tratar tão displicentemente, em actos e palavras, a Missa, a celebração da Eucaristia?

Como se pode conceber uma catequese, um caminho de descobrimento e edificação da fé, (graça de Deus), não dando o valor único, imprescindível, infinito e eterno, à participação viva da/na celebração da Eucaristia?

É que se constata que alguns pais, (a pedido ou não dos filhos), procuram centros de catequese onde, por força da falta de sacerdotes, não há celebração da Missa Dominical, para a catequese, todas as semanas, deixando assim os catequizandos de participarem nessa celebração.

Será que uma fé viva e actuante, (porque procurada e vivida), não transmite forçosamente um amor à Eucaristia de tal ordem, que a participação/celebração da mesma, se torna mais importante do que tudo na vida de um católico?

E se assim for, (e deve ser), não será um desejo, uma vontade imensa, (tocada por Deus), a procura diária da Missa, para o encontro “perfeito” com o nosso Deus que se entrega por nós, e também, como alimento divino?



Monte Real, 6 de Setembro de 2011

(continua)
.
.

17 comentários:

DE MÃOS DADAS disse...

Fico desarmada, e apenas saberei falar da minha experiência:
A missa não é uma "seca", é sim uma notável fonte de inergia aonde as minhas forças são renovadas por uma partilha deste sacramento.
Não concebo a minha vida sem a missa nem sem a eucaristia.
Os jovens?
Dificil, se não se penetra no mistério da missa (eucaristia). Creio que isso é uma dádiva de Deus, e basta apenas o crer e o querer.
Abraço da Utilia

Dulce disse...

Olá Joaquim
Eu aqui me penitencio: também já tenho pensado que esta ou aquela missa poderia ser mais alegre, mais viva, mais...mais...
E no entanto, também me acontece tantas vezes a missa celebrada de igual forma e eu sair de coração cheio. Tal como diz tudo depende da nossa disposição ou expectativa; ou até da nossa necessidade naquele preciso momento. Mas a missa não pode ser encarada como uma festa para virmos mais alegres, mas sim um momento de comunhão intima com Deus onde somos chamados a participar da Sua paixão, meditando profundamente da mesma.

Que Deus nos ajude a limar tantas arestas que teimam em ser aguçadas.

Um abraço em Cristo

(fico esperando a continuação)

aguarela disse...

Joaquim

Faço minhas as suas palavras.Concordo plenamente.
Sempre participei na Missa com gosto.Hoje que só é celebrada aos Domingos,,e quando calha,sinto uma falta,um vazio que nem sei explicar.
Há tantos anos que vou à missa e só agora é começo a vislumbrar um poucochinho do que é a Santa Missa.
Fico desgostosa e pensativa quando ouço mesmo as pessoas mais velhas ou que são catequistas,a reclamarem pelo tempo que se está na igreja.
Muito teria para dizer,mas fico-me por aqui.
A Eucaristia é um tema apaixonante.O Joaquim faz parecer fácil o que é,,,incompreensível.
Quantas vezes na Eucaristia senti a doce presença de Jesus! Sem Missa eu não aguentava esta vida.
Obrigada pela partilha.

Abraço amigo

Maria disse...

OLá amigo Joaquim,
Gostei muito de ler o seu post e agradeço o seu envio via e-mail.
Concordo consigo e o meu testemunho é que pertenço áquela categoria de pessoas, que têm altos e baixos em relação à Santa Missa. Já passei por fases de doação completa, por fases de estar sempre a olhar para o relógio, e por fazes de nem sequer ir à missa. Tenho vivido de tudo um poco. Digamos que actualmente estou numa fase média, distraio-me imenso mas involuntariamente, por isso relevo porque sei que a culpa não é do não mas do conseguir. Mas uma seca não é de certeza.
Abraço
Maria

Anónimo disse...

Ainda não consigo viver a Eucaristia com a mesma intensidade independentemente do celebrante por isso assumo que faço uma escola. Escolho aquelas em que saia verdadeiramente preenchida com a presença de Deus. Há sacerdotes que a vivem e no-la dão de maneiras diferentes.

JM Ferreira disse...

Camarigo Joaquim;

Acabei de ler a tua espístola. Acho-a de uma oportunidade fantástica e nunca demais. A participação activa e consciente de alguns já é por «ritmo de vida». E focas isso muito bem. As pessos estão/paticipam na Celebração a «olhar para o relógio», mais parecendo, portanto, que estão ali por «obrigação».
Falta-te focar um aspecto que considero de primordial importância e dás, já, uma dica importante no texto: se se perguntar a uma pessoa o que ouviu, percebeu, das leituras e da homilia, sai a porta e tudo se esfuma. E aquilo que te faltou focar, é a formação (explicação ordenada e pormenorizada) sobre o significado e a impoortância dos diversos momentos da Celebração.
Isto daria muito pano para mangas... passe a graça!
Na Celebração, desde o início até ao fim, está tudo o que foi a.C., com Cristo, d.C. a ressurreição, a vitória sobre a morte, a comunhão (comum união). E os mitérios que contém.
por isso e para terminar, afirmo novamente que uma formação estruturada, talvez ao nível nacional, não faria nada mal à maior parte (quase todos) os nossos frequentadores de missas...

Desculpa, mas isto foi sem pensar, sem ler, ao correr do teclado.

Um grande abraço,

JM Ferreira

Ailime disse...

Amigo Joaquim,
Dentro do espírito que o levou a escrever este seu magnífco texto sobre a missa ser "uma seca" oiço também algumas pessoas de boa vontade dizer que vão logo pela manhã para se "despacharem", no que respeita às celebrações dominicais.
O que escreve que já ouvi de pessoas que nunca deixaram de frenquentar a Igreja, com sacerdotes inclusive e irmãs na família, fez-me e faz-me também muita confusão.
Pessoalmente e sempre pensei da mesma forma gosto de ir à celebação da minha Paróquia às 19h de Domingo, hora a que estou com o meu coração mais disponível para participar condignamente na Santa Missa.
Não sou exemplo para ninguém mas sinto desta forma.
As crianças não terem no seguimento da catequese uma celebração eucarística rapidamente esquecerão o motivo que as levou ali.
Grata pelos temas sempre pertinentes que aqui coloca.
Abraço em Cristo.
Ailime

joaquim disse...

Amiga Utilia

Claro que a Missa não é uma "seca".

Só o pode ser para quem a vive como obrigação e sem entender minimamente o que Ela é.

É, sem dúvida, a maior graça de Deus ao homem.

Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amiga Dulce

Todos nós em algum momento poderemos ter tido reacções dessas.

No entanto o importante é termos consciência de que, sem Eucaristia, não há uma verdadeira vida de fé.

Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amiga "aguarela".

Obrigado.

A Missa é um Sacramento sempre novo no qual sempre descobrimos "coisa" nova, porque é a presença real de Deus junto de nós, e Deus é sempre novo.

Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amiga Maria

Qual de nós em algum momento não se distraiu durante a Missa?

Não é o facto de tal acontecer que retira à nossa vivência da Missa a consciência da extraordinária graça que Ela é para as nossas vidas.

Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Caro anónimo

Percebo o que dizes, e que muitas vezes nos acontece, mas a presença de Deus na Eucristia é sempre real, independentemente do sacerdote que a celebra.

Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Caro camarigo JM Ferreira

Obrigado pela tua achega.

Concordo contigo que a formação é necessária, mas a verdade é que cada cristão católico não sabe mais sobre a Missa apenas se não quiser.

Desde o Catecismo a inúmeros livros bons e acessiveis sobre a Eucaristia, tem aos seu dispôr tudo o que precisa saber, para viver verdadeiramente a Eucaristia.

E faz, sem dúvida, parte dos deveres de um cristão saber mais sobre a fé que vive ou pretende viver.

Mesmo para aqueles que não têm acesso fácil à leitura, seja porque razão for, hoje em dia quase todas as paróquias vão tendo avções de formação sobre a fé, sobre os sacramentos.

Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amiga Ailime

Obrigado pela tuas palavras.

A Missa e a catequese é tema que dá para muitas folhas escritas!!!

Talvez um dia, se Deus quiser, escreva sobre isso.

Um abraço amigo em Cristo

JúliaML disse...

Amigo Joaquim, a Missa nao é uma seca,alguns Padres, são uma seca, porque nao vivem a Eucaristia e ao invés de serem um canal transmissor, dificultam a comunicação com a sua falta de interiorização, papagueando ,sem pensar...

joaquim disse...

Amiga Júlia

Claro que a Missa não é uma "seca"!!!

É verdade que alguns sacerdotes não celebrarão da melhor forma, mas a verdade é que Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, se faz sempre presente, e esse é o encontro que todos desejamos e podemos alcançar.

Obrigado.

Um abraço amigo em Cristo

Anónimo disse...

Revmº Padre,
Laudate Iesu Christe!

Partilho da preocupação de V.Revª. Contudo o problema é mais complexo. Vive-se actualmente um caos na Liturgia, na Lei e na Doutrina. E ainda, existe desde há alguns anos um alvo e uma vítima (perpetrado pela maçonaria): o Sacerdote. E começa logo no início da sua formação nos Seminários.
A situação actual é catastrófica, mas tem recuperação. E esta deve começar pelo Sacerdote: alter Christus.
Volte à Tradição, apresente o Sacrifício da Sancta Missae segundo o Missal de 62 e explique aos seus fiéis o que é o Sacerdote quando nele, Cristo oferece ao Pai o Sacrifício incruendo da Sua Paixão na Cruz realizado àcerca de 2000 anos.
Acabe com a comunhão de pé e na mão (que é um sacrilégio) e com inovações (ler encíclicas de S.S. Papa Pio X contra o modernismo).
Estou ao dispôr de V. Revª caso queira continuar a "conversa" por outros meios. Pelo que se assim o desejar, peço que mostre sua intenção na resposta a este comentário.

PAX

Rui Machado