quarta-feira, 18 de agosto de 2021

UMA GRANDE FAMÍLIA

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Hoje em dia encontramos imensas razões, (não tenho a certeza que sejam razões, mas talvez mais desculpas), para ter famílias pequenas, de um ou dois filhos ou mesmo nenhum.

Sou o nono filho de uns pais maravilhosos, embora tenhamos sido dez, (o último não chegou a “vingar” como se dizia naquele tempo), e não podia ter sido mais feliz do que fui e sou.

Uma família grande, três irmãs e seis irmãos, preencheram a minha vida e ensinaram-me a maior parte do que sei hoje, todos eles e elas com os seus feitios e saberes diferentes, com o seu modo de amar distinto em cada um, com a sua alegria e exemplo.

Poder ir buscar a cada um o que ele tinha/tem de melhor, é uma fonte inesgotável de aprendizagem, de perceber a dimensão do sentir, do amar.
E eu, talvez seja o mais “rico” de todos eles, por ser o mais novo e de todos ter recebido o tanto que me deram e ainda dão.

Mas quem não tem uma família assim, grande, (e depois muito acrescida com todos os que vão chegando), não faz ideia do que é a alegria imensa e ruidosa, no bom sentido, de um Natal à volta do presépio, à volta da mesa.
A alegria de cada festa de aniversário, de casamento, de baptizado!

Até mesmo, e o tempo é inexorável, num momento de dor pela partida de um, o encontro, o reencontro, a união, o amor que passa por cima de todas as diferenças e problemas, enche-nos de paz, de amor e, porque não, de alegria por nos sabermos juntos com e por aquele ou aquela que partiu.

Hoje, o mais velho de todos nós filhas e filhos, o Manuel José, faria 90 anos!
Sim 90 anos!

Curiosamente, contando com os nossos pais, já estão mais no Céu, do que aqueles que nos quedamos ainda por aqui, por isso a festa deve ser grande naquele “assento etéreo” onde vivem, e nós juntamo-nos a eles em alegria por tudo quanto nos foi dado.

Uma família grande é uma festa, claro, com tudo o que faz parte da vida: amor, alegria, dor, tristeza, discussão, zangas, reencontro e reconciliação.
Por isso, uma família grande, enche-nos, toma conta de nós e nunca nos deixa sós!

Escrevo em Monte Real que foi o berço maior desta minha querida família e onde as recordações me rodeiam e me enchem de paz, alegria e amor.

Obrigado, meu Deus, pela família extraordinária que me deste, que nos deste.



Monte Real, 18 de Agosto de 2021
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 10 de agosto de 2021

SEMENTE E SEMEADOR

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«Irmãos: lembrai-vos disto: quem semeia pouco também colherá pouco e quem semeia abundantemente também colherá abundantemente.» 2 Cor 9, 6

Somos tão parcos no dar!
Semeamos tão pouco da semente que Deus nos dá!

E, por vezes, só porque ajudamos um pouco em Igreja, já nos julgamos satisfeitos e credores de alguma coisa.
Damos a moeda e aliviamos a consciência como se tivéssemos cumprido um dever.
A moeda sem amor, não tem valor!

E o sorriso, os braços abertos para receber, as mãos estendidas para dar, onde estão nas nossas vidas?
E a paz, a alegria, a confiança, a esperança, quando é que verdadeiramente a transmitimos a quem por nós passa?

Rezamos muito?
Por quem?
Por nós próprios e pelos nossos, ou por aqueles que mais precisam, pelo “soldado desconhecido” da batalha da vida?

Tanta semente que Deus dá, e tão pouco semeador para a semear!

E como Ele é generoso!
É o Único que consegue transformar 5 sorrisos em paz serena para quem os recebe e depois os dá a outros, e 2 abraços em amor imenso aos abraçados e a quem eles abraçam também.
É o Único que consegue colocar em quem dá, a certeza perene de que já recebeu.

Somos tão parcos no dar!
Semeamos tão pouco da semente que Deus nos dá!

Envolve-nos, Senhor, no Teu amor e faz de cada um de nós um bom semeador!



Monte Real, 10 de Agosto de 2021
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 3 de agosto de 2021

«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus»

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Um dia, Senhor, quando ensaiava os primeiros passos à Tua procura, no regresso à casa do Pai, por palavras minhas, num desejo que me vinha do coração, também eu disse algo parecido com: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». 

Queria acreditar, queria conhecer-Te, queria viver-Te, queria depender do Teu amor, mas as “águas da vida” que eu levava, pareciam-me quase intransponíveis, pareciam irresistivelmente puxar-me para o fundo e eu tinha medo de sair da “barca da vida” em que navegava, embora ela não me levasse a nenhum porto seguro. 

Mas Tu chamaste-me, fizeste-me sentir a Tua presença, fizeste-me experimentar o Teu amor e eu saltei para fora daquela barca e caminhei para Ti, temeroso e pouco confiante. 

Por isso, tantas vezes tive e tenho de gritar - «Salva-me, Senhor!» - e Tu logo me estendeste e estendes a mão, me levantas para Ti e me fazes caminhar sobre as águas que me querem perder. 

Senhor, tenho pouca fé, reconheço humildemente, e por isso tantas vezes me “afundo”, mas no fundo de mim sei, tenho a certeza inabalável que Tu estás sempre ali, de mão estendida, e me dizes: «Vem!» 

E eu vou e logo se acalma o vento, e prostrado diante de Ti, apenas posso dizer: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus». 



Monte Real, 3 de Agosto de 2021 
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 28 de julho de 2021

HOMEM DE POUCA FÉ!

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Elevo uma prece ao céu
na confiança
de que a fé em mim vivida
é a absoluta esperança
que anima a minha vida.

E que peço eu ao Senhor?

Que me acolha
e me conduza,
que me proteja
e me guarde,
que me reduza,
enfim,
à mais ínfima parte
do meu nada,
para que seja Ele,
e apenas Ele,
o Tudo em mim.

Estendo a mão para Ele,
e grito com esperança:
Salva-me, Senhor,
de todo o mal,
de mim,
até!

E Ele agarra-me a mão,
aperta-me junto a Si,
abre-me o Seu coração,
e diz-me com infinita ternura:
Não temas,
homem de pouca fé!



Monte Real, 28 de Julho de 2021
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 26 de julho de 2021

DIA DO MEU PAI

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Neste dia entra em mim uma saudade imensa.

O meu pai faria hoje 122 anos.

Mas é curiosamente uma saudade quase egoísta, pois se a sua ausência fisica me é dolorosa, (é no entanto mitigada pela certeza profunda no meu coração que está junto de Deus), o que mais me faz falta é ouvi-lo, é aprender com ele, é senti-lo nas lições de vida que me/nos dava constantemente.

Quanto mais me lembro do que fazia, das suas atitudes, da sua honestidade levada ao extremo, da sua ética, do seu servir, da sua fé, inquebrantavelmente forte e humilde, da sua generosidade escondida, do seu inenarrável amor pela família, mais o quero imitar, pobre de mim, sem nunca o conseguir.

Mesmo quando estive longe, por terras de África, na guerra ou a trabalhar, sempre senti a sua presença junto de mim como a dizer-me: és meu filho e eu tenho orgulho em ti.

Era “desajeitado” nas suas expressões de amor, mas uma festa dele, (que mais parecia uma palmada), com aquelas suas enormes mãos, era uma ternura inexplicável, que me levava a querer refugiar-me nos seus braços e dali não sair.

Obrigado, meu Deus, pelo pai que me deste e que ainda hoje continua a marcar a minha vida e a servir-me de referência para viver a família, para viver a dignidade do ser, para viver a fé que dá sentido à minha vida.



Monte Real, 26 de Julho de 2021
Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 20 de julho de 2021

MOMENTO

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Abro a Bíblia e os meus olhos "caem" neste versículo:
«Coisa boa é o sal; mas, se perder o seu sabor, com que há-de ele temperar-se?» Lc 14, 34


E ao meu coração vem esta frase:
«Coisa boa é a vida; mas, se perder o seu sentido, como há-de ela viver?»


E depois, reflicto que a vida só tem sentido em Deus e vivida no e para o Seu amor.

Então, se me falta Deus e o Seu amor, falta-me a vida!

 

Monte Real, 20 de Julho de 2021
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 24 de junho de 2021

LER A BÍBLIA

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Recentemente ao ler mais atentamente a passagem do Evangelho de São Lucas sobre a cura do servo do Centurião, dei-me conta de que afinal o Centurião nunca se encontra com Jesus, mas sim, que envia uns amigos ter com Ele para Lhe fazerem o seu pedido.


«Não estavam já longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por uns amigos: «Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado.» Lc 7, 6-7

Ou seja, o Centurião afirma mesmo que - «nem me julguei digno de ir ter contigo.»

Fiquei, obviamente, admirado, pois todas as representações deste acontecimento narrado na Bíblia, colocam o Centurião frente a Jesus fazendo o seu pedido.

Falei com alguns amigos sobre o assunto e hoje quando decidi escrever umas linhas sobre o acontecido, decidi ler outra vez e melhor, sobretudo ler a mesma narração em Mateus, que também a faz no “seu” Evangelho.

Pois bem, São Mateus coloca o Centurião frente a Jesus, fazendo o seu pedido!

Fiquei mais descansado, não que o facto em si, ou seja, o Centurião estar ou não estar com Jesus mudasse alguma coisa na essência do milagre da cura do servo e naquilo que essa cura nos quer dizer, sobretudo na humildade e na fé do Centurião, bem representadas naquilo que diz ou manda dizer a Jesus, de tal modo, que ainda hoje em dia na celebração da Missa e no momento que antecede a Comunhão, rezamos essa frase do Centurião.

Mas por outro lado não me deixou nada descansado, porque me chamou a atenção para o facto de, por vezes, (demasiadas vezes), ler a Bíblia, ler a Palavra de Deus, sem a devida atenção, sem o devido tempo e, nas passagens bíblicas que julgo já conhecer muito bem, passar por elas sem uma verdadeira leitura, meditação e discernimento.

E a Palavra de Deus é sempre viva, actuante e diz-nos sempre “coisas novas”, o que, para mim, ficou, mais uma vez, bem demonstrado neste facto que agora aqui escrevi.

Claro que isto devo ser só eu que assim leio a Bíblia por vezes, (?!?), mas de qualquer modo, advertindo-me, advirto quem me ler, para arranjarmos tempo e verdadeira disposição de coração para melhor lermos e conhecermos a Palavra de Deus, para que Ela seja vida em nós.




Marinha Grande, 24 de Junho de 2021
Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 21 de junho de 2021

A OUTRA MARGEM

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No Evangelho de ontem Jesus convida-nos a passar à outra margem.

Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago». Mc 4, 35

Depois da Missa e da homilia, fiquei a pensar na “passagem para a outra margem”.


Há tantas margens em que estamos e nos sentimos seguros, e há tantas margens a que somos convidados a passar e que nos tiram do nosso conforto, da nossa rotina, dos nossos hábitos.

Entre todas essas margens em que estamos e as outras a que devemos passar, pensei na “margem da oração”.

Estamos habituados à oração das “orações já feitas”, (e ainda bem que estamos), às mesmas orações e esquema de oração que fazemos todos os dias, (e mais uma vez, ainda bem que estamos), estamos até habituados a pedir aos outros para rezarem por nós, (e ainda bem que o pedimos), e tantas outras coisas que poderíamos rever nesta “margem da oração”.

Mas o “passar à outra margem”, não significa que esta margem seja má ou não seja uma boa margem, nem sequer que devemos esquecer esta margem ou que a ela não possamos voltar de quando em vez.

Significa, julgo eu, Jesus a chamar-nos a descobrir as “coisas novas” que Ele sempre nos dá quando O queremos seguir em tudo e em todos os momentos.

E esta outra “margem da oração” quer levar-nos a descobrir a oração que o Espírito Santo faz em nós, se O deixarmos.

A oração espontânea, a oração das palavras soltas dirigidas a Deus, mais do que escolhidas e pensadas para “agradar-Lhe”.

A oração que se extasia com o belo que Deus coloca nas nossas vidas e que até se pode constituir, não em palavras ditas, mas interjeições e exclamações de espanto alegre.

A oração que faz movimentar o nosso todo, o nosso ser, que nos faz levantar as mãos para Deus, que faz erguer o nosso coração ao Céu, que abre na nossa boca o sorriso que brilha nos nossos olhos, quando nos sentimos tocados por Deus, quando vemos os sinais de Deus.

Mas para passar a esta outra “margem da oração”, por vezes, é preciso arrostar com tempestades, ventos contrários, temores e receios, que são muitas vezes a “secura de oração”, o não ter palavras para dizer, o nada sentir, o parecer que estamos sós.

Mas é então que Ele nos responde: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?».

E, com certeza, acrescenta baixinho ao nosso coração: “Abandona-te ao Espírito Santo. Ele está contigo e colocará no teu coração, na tua boca, as palavras que Me hás-de querer dizer!”

Então acalmam-se as tempestades, cessam os ventos, faz-se a paz dentro de nós e tudo em nós é oração, às vezes mesmo sem dizer palavras.

Não esperemos mais e passemos à “outra margem”, levando connosco tudo o que aprendemos e vivemos de bom na margem em que estamos.




Marinha Grande, 21 de Junho de 2021
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 17 de junho de 2021

SOMBRA NO SACRÁRIO

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Ontem à noite, quando rezávamos o Terço dos Homens na igreja paroquial da Marinha Grande, reparei na sombra projectada na parede junto ao sacrário.

E nessa sombra, (vista pelos olhos de quem reza), vi um homem de barba, segurando o seu chapéu atrás das costas, ajoelhado em cima de uma árvore e rezando à entrada de uma capela.

Coincidências, dirão alguns, não é mais do que uma sombra sem qualquer significado.

E têm razão, pois não é mais do que uma sombra projectada numa parede, mas a circunstância de ser ao lado do sacrário, de acontecer durante a recitação do terço, de estarmos num ambiente de recolhimento e oração, tudo pode transformar quando acreditamos que Deus está presente em tudo e nos dá sinais, por vezes quase imperceptíveis, da Sua presença.

E ao ler o Evangelho de hoje, chamaram-me a atenção estes versículos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito.

Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes.»

Reparei então que a sombra em causa representa também um silêncio, o silêncio de um homem em recolhimento, prostrado de joelhos, levantando a cara ao Céu, numa súplica humilde, (a sua postura de segurar o chapéu atrás das costas), em cima de uma árvore, (como Zaqueu), à procura de Jesus Cristo que ali passa, pois está no sacrário.

É um milagre, uma visão, um acontecimento místico, sequer?

Claro que não!

É apenas e tão só o Deus que nos fala quando estamos atentos e receptivos a crer que Ele está sempre connosco e que se compraz em dizer ao Homem: “Sei bem do que precisas. Acredita, ama, confia e espera, porque Eu estou sempre convosco!”

Obrigado, Senhor, glória a Ti por toda a eternidade.



Marinha Grande, 17 de Junho de 2021
Joaquim Mexia Alves

domingo, 6 de junho de 2021

NU, PARA TI, MEU DEUS!

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Eu «ouvi o rumor dos vossos passos no jardim» (Gen 3, 10),
meu Deus
e não soube o que fazer.

Vinhas ao meu encontro,
como um Deus que ama aquele que criou,
e eu com medo,
ou melhor,
com vergonha da minha nudez,
tapei-me com as “capas” das minhas culpas,
das minhas fraquezas,
tentando evitar,
Aquele que sempre me amou.


E afinal,
meu Deus,
querias que fosse ter contigo,
nu,
completamente nu,
liberto de tudo aquilo que me cobre,
que me enche,
e me afasta de Ti,
porque me reveste,
porque me enche de mundo!

E arranjei desculpas
e mais desculpas,
dizendo-Te que não tinha sido eu,
mas os outros,
todos os outros
que me levaram a pecar,
a afastar-me de Ti,
a deixar de querer
ser Teu!

E Tu
respondeste-me
com o teu abraço de amor,
perguntando-me,
se por acaso,
eu não sabia que me tinhas criado livre,
tão livre que podia escolher o meu caminho,
sabendo que podia,
ou não,
apresentar-me diante de Ti
nu,
como aliás,
Tu me apresentaste ao mundo?

Nu,
meu Deus,
diante de Ti,
sem mais nada a não ser,
o meu ser pecador,
a não ser,
o meu pecado, 
que Tu por teu infinito amor, 
perdoas,
não me deixando ser condenado.

Eu
«ouvi o rumor dos vossos passos no jardim» (Gen 3, 10),
e quedei-me quieto,
prostrei-me diante de Ti,
e disse:
aqui estou,
meu Deus,
que a Tua vontade
se faça em mim!




Marinha Grande, 6 de Junho de 2021
Joaquim Mexia Alves

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Suscitado pela homilia do Pe Rui Ruivo, hoje de manhã, na Missa Dominical na Marinha Grande.

terça-feira, 11 de maio de 2021

BREVE INSPIRAÇÃO DO “VENTO”!



 



E eu fui
e ninguém me dizia nada
porque não havia nada
a dizer.

Olhava para mim,
bem dentro de mim,
e pretendia ver,
o meu ser,
para além de tudo o que mais fosse,
enfim.

O vento corria nas serras,
que se baixavam à sua passagem,
só eu me mantinha de pé,
como se tivesse coragem.

Nem sei que poema é este,
qual é a inspiração,
mas escrevo,
deixo-me escrever,
aonde me leva o coração,
aonde me leva o vento,
agreste,
silencioso,
brisa,
por vezes,
mais amigo, 
quase bondoso,
vento breve,
vento alegre,
vento de paz,
que apenas o amor,
num breve soprar,
nos traz.

Ah,
e eu fui,
porque me deixei levar,
pelo mais suave canto,
pelo mais doce cantar,
que nos vem ao coração,
quando é todo doação,
ao Divino Espírito Santo.





Marinha Grande, 11 de Maio de 2021
Joaquim Mexia Alves

domingo, 2 de maio de 2021

MÃES!

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Mãe de Jesus
Mãe de amor
junto à Cruz
do meu Senhor.

Mãe de Nazaré
bom dia,
neste teu dia!

Sabes que a minha mãe,
era Maria,
também,
e de Nazareth,
como ela própria escrevia?

Olha por ela,
querida mãe,
que tanto a ti pedia,
entregue em oração,
protege-a com o teu véu,
e quando a encontrares no céu,
dá-lhe um beijo de alegria,
deste vosso pequeno filho,
que vos tem no coração.




Marinha Grande, 2 de Maio de 2021
Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 22 de abril de 2021

«EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DO CÉU.» (Jo 6, 51)

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Prostro-me perante o Pão da Vida.

Que imagem esta, Senhor, tão humilde, tão básica ao alimento do homem: o pão!

Não quiseste dar-Te de outro modo que não fosse por este alimento que vai à mesa dos pobres e dos ricos e porque anseiam todos aqueles que têm fome.

O pão!

Um pouco de farinha, água, fermento, sal, tudo amassado pelas mãos do homem e eis o pão que sacia a fome.

Depois podem-se juntar tantas coisas ao pão, mas nenhuma delas muda a essência do pão, apenas são formas de comer o pão, que é afinal o essencial.

E Tu, Senhor, serviste-te do pão para Te dares a nós inteiramente!

Pelo Mistério Divino transubstancias aquela massa de farinha, água, fermento e sal, amassada pelas mãos do homem, no Teu próprio Corpo e assim Te entregas como alimento que sacia a fome, (não a fome física), mas a fome de vida, a fome de amor, a fome de eternidade.

E podemos nós acrescentar alguma coisa a esse Pão que és Tu, Senhor?

Não, nada!!!

Mas podemos juntar-Lhe a oração, a acção de graças, o amor, a adoração, a entrega a Ti e por Ti aos outros e assim o Pão que Tu és, torna-se vida em nós e vida que permanece em abundância.

Pobre de mim a querer explicar o inexplicável, a querer dizer algo sobre o indizível, a querer amar o próprio amor!

Calo-me, deixo de escrever, baixo a cabeça, fecho os olhos e digo-Te de mansinho, cheio de amor e temor:

Dá-me sempre desse Pão, que és Tu, Senhor!

 

Marinha Grande, 22 de Abril de 2021

Joaquim Mexia Alves

sábado, 17 de abril de 2021

«SOU EU. NÃO TEMAIS.»

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Podem levantar-se ondas
e o vento soprar forte,
a tempestade ser forte,
mas nunca será demais,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».

Podem vir as tentações,
as dores, dificuldades,
todas as tribulações,
mas nunca será demais,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».

Podem-me trair,
enganar ,
desiludir,
mas nunca será demais,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».

Pode vir a tristeza,
a doença,
a incerteza,
mas nunca será demais,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».

Posso ter a maior dor,
o momento mais escuro,
podem não se ouvir os meus ais,
mas nunca me faltará o amor,
porque ouço sempre a Tua voz:
«Sou Eu. Não temais».



Marinha Grande, 17 de Abril de 2021
Joaquim Mexia Alves

domingo, 4 de abril de 2021

DOMINGO DE PÁSCOA - 2021

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O dia nascera calmo e sereno. Sentia-se no ar uma brisa leve e suave que ao passar de mansinho colocava tudo em movimento, as folhas, as flores, o pó das estradas, a erva, os cabelos das pessoas que passeavam, podia afirmar-se até que era uma brisa semelhante a um sopro de vida, que em tudo o que tocava, fazia viver.

 

Parecia que da terra ou do céu, um odor penetrante, mas macio, inundava a atmosfera e perfumava tudo o que existia.

Os animais, as plantas, as águas, as montanhas, as nuvens, toda a natureza e os seres humanos, pareciam sorrisos abertos, fontes de vida inesgotáveis, oásis de esperança, mares de tranquilidade.

Pairava no ar realmente, uma atmosfera de coisa nova, de alegria, de paz, de expectativa, de existência de vida.

 

De repente e enchendo todo o universo, todas as partes sem excepção, toda a existência, chegou com um fragor imenso, mas calmo e sereno, o Anúncio, como um grito de paz e verdade:

 

RESSUSCITOU O SENHOR, RESSUSCITOU!!!

 

Quedou-se muda de espanto a criação, para logo em seguida, baixando a cabeça e abrindo o sorriso, gritar também dentro de si mesma e para fora:

 

RESSUSCITOU O SENHOR, RESSUSCITOU!!!

 

Ah, que verdade imensa, que mistério de vida, o proscrito, o condenado, o humilhado, o desprezado, o derrotado, o já esquecido, ressuscitara, vencera a morte, vivia novamente para sempre na glória que tudo vencia.

Ah, que derrota profunda para aquele que, convencido que vencera, precipitado nos infernos, percebia que o Ressuscitado estava com aqueles que criara, para sempre.

 

A Carne e o Sangue unidos na vida e oferecidos para sempre, gritavam glória ao Senhor que vencera a morte, ao Senhor do Céu e da Terra, ao que veio para salvar, entregando-Se em obediência.

 

Tudo era novo, nada era como dantes: Os que tinham esperado, subiam agora à visão eterna, os que esperavam, vestiam-se de esperança, os que haviam de esperar, iam nascendo na certeza da Promessa.

 

Como era bom e grande o mundo, abençoado pela vida de Quem derrotara a morte.

A Palavra permanecia, era proclamada todos os dias, guardada nos corações, era a esperança da vida, depois da vida acabada.

 

Oh, que profundo e infinito amor, do Deus que tudo criou, por nós Se entregou e para nós ressuscitava.

Oh, que infinita misericórdia, do Deus tão ofendido, que com um sorriso nos abençoava.

Oh, que infinita bondade, do Deus tão abandonado, que até uma Mãe nos dava.

Oh, que infinita fidelidade, do Deus todos os dias traído, que nunca nos abandonava.

Oh, que infinita esperança, de Deus dono do tempo, que em todo o tempo para sempre, dia a dia nos acompanhava.

Oh, que alegria suprema, que gozo eterno e constante, que fogo sempre a arder, na certeza de saber, que tendo ressuscitado, subido aos Céus e vencido, Jesus Cristo é para sempre, ontem, hoje e amanhã, com o Pai e o Espírito Santo, o nosso Deus Vivo e Verdadeiro.

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MG, 04/04/21

Joaquim Mexia Alves

sábado, 3 de abril de 2021

SÁBADO SANTO - Semana Santa 2021

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Um túmulo, o Corpo, uma esperança, o Salvador!


A pedra cobre a entrada do túmulo, mas não poderá conter a força do Ressuscitado.

Também assim as pedras das nossas vidas não conseguem impedir o amor de Cristo por nós.


Repousa o Corpo, cansado de tanto sofrer, mas a semente da esperança cresce e torna-se certeza quando Ele ressuscitar.

Também em nós se aviva a esperança de que, apesar do nosso morrer, cada um que a Ele se entregue, pode em Cristo renascer.

 

O pecado é destruído, vencido, e ficará para sempre naquele túmulo sepultado. Porque o Corpo Ressuscitado venceu para sempre o pecado.

E nós pecadores, acreditamos então, que se permanecermos nEle, num arrependimento sincero, o pecado é perdoado.

 

O silêncio impera, na serenidade do Seu amor.

Calemo-nos e escutemos, porque o próprio Deus nos fala na Sua entrega por nós.

 

A alegria de Deus já rompe, prenunciando a Ressurreição.

Deixemos que ela nos encha, nos envolva, se faça vida no coração.

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MG, 03/04/21

Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 2 de abril de 2021

SEXTA FEIRA SANTA - Semana Santa 2021

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Olho para a Cruz e percorrem-me sentimentos que tomam conta de mim.

Por um lado, uma tristeza imensa por ver o Salvador cravado naquela Cruz, vilipendiado, insultado, ridicularizado, enfim, uma imagem de derrota que sinto e sei não corresponder à realidade, porque aquela derrota é para sempre uma vitória, pela Ressurreição de Jesus Cristo.

Por outro lado, uma tranquilidade imensa, uma esperança bonançosa, uma paz tão sensível, por saber que o Salvador ali está, porque Se entregou por mim, por todos nós.

Sinto ainda uma vergonha imensa por, também eu, ser causador de toda aquela dor do meu Senhor, mas tranquilizo-me sabendo que Ele perdoa as minhas faltas, e até, que dali, daquela Cruz, pede ao Pai que me perdoe, porque “eu não sei o que faço”.

Nasce em mim um arrependimento duro, sentido, que me leva às lágrimas.

E mesmo na Cruz sinto-O junto a mim, consolando-me e dizendo-me: Não chores, meu filho, é porque te amo!

És Tu que me consolas, Senhor?

Mesmo na Cruz, sofrendo o martírio, preocupas-te comigo?

Tão grande é o teu amor, Senhor!

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MG, 02/04/21

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 1 de abril de 2021

QUINTA FEIRA SANTA - Semana Santa 2021

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Permite, Senhor, que hoje esteja contigo na Última Ceia. Colocar-me-ei debaixo da tua mesa, como os cachorrinhos à espera de uma migalha que caia. (cf Mt 15, 27-28)

Olhas-me nos olhos e respondes-me: Não, meu filho, levanta-te, porque se me abres a porta, Eu entro e ceio contigo e tu comigo. (cf Ap 3, 20)

Mas, Senhor, eu não sou digno que entres na minha morada! (cf Mt 8, 8)

Não temas, meu filho, porque Eu quero entrar em ti, não dando-te migalhas, mas dando-me inteiramente como alimento divino. (cf Jo 6, 56)

Que se passa, Senhor, que Te diriges a mim e me queres lavar os pés? Como posso eu consentir em tal coisa? Se Pedro não se achava digno, então eu, Senhor, pobre de mim! (cf Jo 13, 3-8)

É preciso que Eu te lave os pés para perceberes bem o que faço e o que digo. Se Eu tos lavo deves também lavar os pés aos outros. Deves entender que seguir-Me é estar pronto a servir e não a ser servido. (cf Jo 13, 13-14; Mt 20, 26-27)

Obrigado, Senhor. Permite então também que Te acompanhe nesta noite, na tua Paixão, libertando-me dos meus medos, pois quero estar a teu lado. (cf Mt 16, 24)

Permito com certeza, meu filho, mas fica a saber que tu vais negar-me e abandonar-me algumas vezes. (cf Mt 26, 31-34)

Ah, Senhor, não tenho dúvidas disso, infelizmente, pois sou fraco e pecador, mas confio na tua misericórdia e no teu perdão. (cf Jo 20, 23)

Quando me negares olhar-te-ei nos olhos, com todo o meu amor. Perceberás então a tua negação e abrir-te-ás ao arrependimento. (cf Lc 22, 61-62)

Obrigado, Senhor. Permite também que me coloque aos pés da cruz, com tua Mãe, para Te adorar em silêncio. (cf Jo 19, 26)

Sim, meu filho, e mais do que isso dar-te-ei a ti, a todos vós, minha Mãe como Mãe, e a todos vós como filhos, a minha Mãe. (cf Jo 19, 26-27)

Permite ainda, Senhor, que acompanhe José de Arimateia e as mulheres que Te seguiam até ao túmulo onde vais ser depositado e acende em mim a fé e a esperança firme na tua Ressurreição. (cf Lc 23, 50-55)

Podes fazê-lo, meu filho, e Eu espero-te no primeiro dia da semana, para que quando regressares ao túmulo nesse dia, a tua esperança se torne realidade, e acreditando na minha Ressurreição, tenhas a vida eterna. (cf Lc 24, 1-6)


Em silêncio sigo-Te, Senhor, consciente da fragilidade da minha fé, mas confiando na tua misericórdia, no teu infinito amor, esse amor com que Te dás em Alimento e Te entregas na Cruz, por mim e por todos nós.

Glória a Ti, Senhor, pelos séculos dos séculos sem fim!

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Marinha Grande, 1 de Abril de 2021

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 25 de março de 2021

MAIS DO QUE UM MOMENTO!

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É muito mais que um sentimento,

que uma emoção,

que um sentir,

é um momento,

em que o coração

todo ele se vai abrir!

 

Porque és Tu,

Senhor,

que bates à minha porta,

queres estar comigo,

e se eu não abro,

se eu digo não,

deixas ali o amor,

para que o sinta no coração.

 

Já não Te espero!

Para quê esperar,

se Tu estás sempre ali,

Tu sim à minha espera,

esperando que Te deixe entrar!

 

E quando abro a porta,

a porta do meu viver,

é muito mais que um sentimento,

que uma emoção,

que um sentir,

é um momento,

em que o coração

todo ele se vai abrir!

 

 

Marinha Grande, 25 de Março de 2021

Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

QUARTA FEIRA DE CINZAS 21

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Dentro de mim vive expectante a alegria da Ressurreição do meu Senhor.

Começa hoje o caminho que a Ela me vai levar e eu preciso de me preparar, para, por Sua graça, O poder receber de alma limpa, de coração aberto, de vida entregue, nesse dia que se avizinha.

Não sei se poderei confessar-me, (por causa do confinamento), mas sei que posso e quero arrepender-me e ter propósito sério de emenda de todas as minhas fraquezas e pecados.

Do Seu perdão não duvido, porque o Seu amor é infinitamente maior do que os meus pecados, duvido sim da minha constância na fé, da minha entrega total e até do meu amor por Ele, que queria inabalável perante tudo e todos e tantas vezes fraqueja.

Mais que receber as cinzas do arrependimento, queria ser a cinza resultante da fogueira onde ardessem todas as minhas faltas, sobretudo aquelas que fiz aos meus irmãos quando tiveram fome e não lhes dei de comer, quando tiveram sede e não lhes dei de beber, quando estiveram doentes ou presos e não os fui visitar.

Hoje, Quarta Feira de Cinzas, não baixo os olhos, não baixo a cabeça, mas ergo-a para Ti, Senhor, para ver nos Teus olhos a dor que Te causei, quando a causei aos outros pelo meu egoísmo, porque nesse olhar quero encontrar o olhar que deste a Pedro naquela noite e para que assim também eu chore amargamente os meus pecados, mas tendo sempre a certeza do Teu infinito perdão.

Toma-me pela mão, Senhor, e leva-me a fazer a viagem do meu encontro cada vez mais pessoal contigo, para que, do que receber de Ti, tudo entregue aos outros, porque só assim a semente germinará e dará fruto segundo a Tua vontade.

 

Quarta Feira de Cinzas

Marinha Grande, 17 de Fevereiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

ENTREGA QUARESMAL

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Aproxima-se o tempo que começa já amanhã.

É um tempo pelo qual anseio cada vez mais, um tempo que me faz pensar, que me remete àquilo que sou, um filho de Deus permanentemente ao encontro do Pai.

Podia escrever que sou fraco, que sou pecador, que sou um nada perante a imensidão de Deus, mas prefiro baixar a cabeça e dizer-Te de coração aberto: Aqui estou, Senhor, quero ir contigo para o deserto, deixar-me tentar, (só porque acredito que estás comigo), passar fome e sede, para me purificar, ou melhor, para que me purifiques, de tanta “comida” e de tanta “bebida”, que me enchem, esvaziando-me de Ti.

Sabes como me debato com o meu eu, aquele que Tu tão bem conheces e que tanto amas, (apesar de ser o meu eu), porque acredito, Senhor, que és Tu que no dia a dia mo fazes conhecer cada vez melhor, para cada vez mais o tentar conformar conTigo.

Parto para esta Quaresma, confinado da sociedade, mas, Senhor, quero aproveitar para estar confinado conTigo  muito mais do que distraído com o que me rodeia.

Sinto um tempo de mudança, e relembro cada vez mais a frase do teu filho Paulo, «onde aumentou o pecado, superabundou a graça», e acredito, quero acreditar, que deste mundo em convulsão, Tu vais fazer um mundo mais perto de Ti, mais perto do amor, mais perto do perdão, mais perto da graça da salvação.

Começo amanhã, (se é que não comecei já hoje ou há muito tempo atrás), a dizer-Te, a afirmar-Te, de coração aberto: Eis-me aqui, Senhor, faz de mim o que quiseres pelos outros, Senhor, pelos outros. Para Tua glória, Senhor, apenas e só para Tua glória.

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Marinha Grande, 16 de Fevereiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

FRAQUEZAS

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Debato-me, Senhor, com as minhas fraquezas que Tu tão bem conheces.

Por vezes querem tomar conta de mim e convencer-me que nada faço de mal, que sim que é normal e até “justo” que eu assim seja.

Este orgulho, esta vaidade, esta ânsia de estar em tudo, é uma “coroa de espinhos”, (perdoa-me, Senhor, a comparação), que me atormenta e não me dá descanso.

Ah, Senhor, se me libertasses e eu pudesse ser um bocadinho só como Tu, ou seja, tudo entregar para todos e em tudo Te dar graças, em tudo reconhecer que nada é meu, mas que tudo Te pertence e vem de Ti!

Sabes, Senhor, há momentos em que parece que me consigo vencer, por Tua graça, claro, mas se descanso um pouco, se me distraio um pouco, logo os meus pensamentos se detêm no mesmo, se detêm na minha “importância”, pobre de mim!

E. se por acaso, penso que é melhor tudo deixar para assim não viver esta tentação, fechar-me, em nada participar, mas apenas “misturado” em todos “apagar-me” para ninguém me ver, logo me surge a dúvida se não é isso precisamente que o inimigo quer para que eu não dê tudo o que Tu me dás para dar!


Leio o que escrevo e novamente me sinto confrontado comigo próprio:

Publico esta “confissão” porque pode servir a outros como eu.

Publico-a por orgulho, afinal, para chamar a atenção sobre mim.

Ou não a publico e deixo-a apenas para mim.


Olha, Senhor, aqui a deixo, escrita, pensada, reflectida, à espera que o Espírito Santo me dirija segundo a Sua vontade.

Obrigado, Senhor, porque me fazes reconhecer as minhas fraquezas.

 

Marinha Grande, 9 de Fevereiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

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domingo, 24 de janeiro de 2021

A PESCA E O ANZOL

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Hoje, na homilia, o Pe Patrício, nosso Pároco da Marinha Grande, (via Youtube), numa imagem bem disposta, falou-nos de sermos pescadores de homens e de como o “homem pescado” poderia “sofrer” por causa do “anzol nas beiças”.

A imagem era apenas um exercício de bom humor, mas fez-me reflectir nesta pesca de homens em que podemos ser pescadores mas também “pescados por um anzol”, só que este é um “anzol de amor”, é o “anzol” da Palavra de Deus, o “anzol” do encontro pessoal com Cristo.

E, depois, pensei, (quem já pescou à linha sabe-o bem), que o peixe despois de “fisgado” pelo anzol, debate-se e tenta livrar-se do anzol.

Claro, este anzol da pesca faz sofrer o peixe, tenta tirá-lo da água, e sem água o peixe morre, por isso, ele se debate para se libertar.

Connosco, ao contrário, o “anzol de amor”, o “anzol da Palavra”, o “anzol do encontro pessoal com Cristo”, não nos magoa, não nos quer retirar da água, pelo contrário, dá alívio às nossas “dores”, e quer mergulhar-nos na água que jorra do lado aberto de Cristo.

Só que, muitas vezes, tal como os peixes, nós debatemo-nos e queremos livrar-nos desse “anzol”, porque não queremos mudar, porque ainda não percebemos, (mas também não queremos perceber), porque ainda não nos entregámos nas mãos dAquele que nos quer dar a vida, para sermos “pescados” e também “pescadores”.

Por mim, Senhor, espero e desejo que o Teu “anzol” esteja tão fundo no meu coração, no meu tudo, que nunca dele me possa libertar, porque assim sei que viverei na água do Baptismo que me deste e que me dá a vida todos os dias, para sempre.

 

 Marinha Grande, 24 de Janeiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

DECISÕES DE ANO NOVO

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Quarto dia do novo ano e penso nas promessas, nos desejos, nas decisões para este ano, e são tantas e tão variadas que julgo serem demasiadas para pessoa tão “fraca” como eu.

Deixar isto, fazer aquilo, mudar aqueloutro, o feitio, o mau feitio, a crítica, a má-língua, as respostas agressivas, as mudanças de temperamento, as irritações extemporâneas, os maus pensamentos, a má vontade, a indiferença, a falta de humildade, a falta de empenho, …. enfim um nunca acabar de coisas a fazer, que nunca estão feitas!

E, depois, penso: E se eu tentar verdadeiramente, ao menos desejar verdadeiramente, fazer sempre a vontade de Deus para mim e para os outros, não estarão incluídas nela todas estas coisas que me parecem quase obcecantes?

Claro que sim, e, por isso mesmo, tomo “apenas” uma decisão firme para este novo ano: Querer fazer, querer, ao menos, desejar fazer, a vontade de Deus sempre e em tudo, em mim e nos outros.

A decisão é, afinal, apenas uma, mas é “trabalho” diário, que só com o Espírito Santo posso cumprir, ao menos, minimamente!

Obrigado, Senhor, e, perdoa-me a simplicidade, “vamos a isso”!

 

Marinha Grande, 4 de Janeiro de 2021

Joaquim Mexia Alves

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

MÃE DE DEUS

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Maria

Mãe de Deus 

e nossa Mãe 

Mãe de amor

Mãe de alegria

somos todos filhos teus.

 

Maria 

Mãe de doçura 

Mãe companhia

Mãe da ternura

que nos envolve

em cada dia.

 

Maria

Mãe de oração

Mãe de intercessão

que não cessas de pedir por nós,

para que o teu Filho

ouça a nossa voz.

 

Maria

Mãe do Sim

Mãe da humildade

que a todos os teus filhos

queres mostrar a Verdade.

 

Maria

querida Mãe,

ensina-nos a sermos como Tu,

também!

 

 

Marinha Grande, 1 de Janeiro de 2021

Joaquim Mexia Alves