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Caminhando pela estrada fora digo ao meu companheiro de viagem: Estou um pouco desiludido.
Ele volta-se para mim e pergunta: Então porquê?
Olha, digo eu, porque pensava que agora que me reencontrei com Ele esperava que fosse tudo mais fácil, que Ele me libertasse de tantos problemas que me aparecem e de tantas coisas de que não gosto.
O meu companheiro responde-me que sente o mesmo, que afinal parece que nada mudou e que o que nos incomodava e fazia sofrer continua a acontecer.
Envolvidos na conversa nem nos apercebemos que outro companheiro de viagem se nos junta no caminho.
Fita-nos com o seu olhar e pergunta-nos: Então vocês achavam que depois de O encontrarem acabariam todos os problemas, todas as coisas de que não gostam, tudo aquilo que traz sofrimento?
Claro, dissemos nós! Então não foi isso que Ele prometeu, que nos ia libertar de tudo o que é mau, nos incomoda e faz sofrer?
Olhou para nós com um olhar envolvente e disse pausadamente: O que Ele prometeu foi que estaria sempre convosco no vosso caminhar. Mas eu explico-vos melhor.
E andando sempre, começou a falar das Escrituras e a explicar Quem era e o que tinha dito Jesus, Filho de Deus.
O tempo passava, a caminhada continuava e a noite caía, mas nós não nos cansávamos de o ouvir.
Parámos então para comer qualquer coisa e convidámo-lo para comer connosco.
Ele acedeu e só nesse momento percebemos que só tínhamos um pão pequenito para nós os três.
Envergongados dissemos-lhe: Só temos este pão pequenito, por isso come-o tu que nós aguentamos bem sem comer.
Com um enorme sorriso ele tomou o pão nas suas mãos, abençoou-o, partiu-o e deu-nos para dele comermos.
Reparámos então que a mesa improvisada estava cheia de pão mas que o nosso companheiro de viagem tinha desaparecido dos nossos olhos.
Abriram-se os nossos olhos e compreendemos então que Quem tinha feito a viagem connosco era Jesus, o Filho de Deus, a Quem nós tínhamos contado da nossa desilusão.
Percebemos mais, percebemos que quando fazemos caminho com Ele o cansaço, as dificuldades, os sofrimentos não deixam de existir, mas que na Sua companhia tudo é possível ultrapassar, porque a Sua “Palavra é viva eficaz” e Ele se faz presente nas nossas vidas.
Afinal Ele estava sempre connosco, o que era bem visível no Pão abençoado e multiplicado sobre a mesa.
O cansaço e as dificuldades da viagem permaneciam, mas agora movia-nos a ânsia e a pressa de dar testemunho d’Ele.
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Marinha Grande, 19 de Abril de2026
Joaquim Mexia Alves
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