quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A COMUNIDADE MODELO (6)

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«Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, o temor dominava todos os espíritos. Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um.
Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação.» Act 2, 42-47



«E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação.»

Esta é a missão primária da Igreja, revelar Deus aos homens, levá-los à comunhão com Deus num encontro pessoal com Jesus Cristo, que é o caminho da salvação.

Ou melhor ainda, esta é a missão de todos nós, cristãos católicos, porque a Igreja somos todos nós, Assembleia Santa reunida em Seu Nome, para por Ele, com Ele, e n’Ele caminharmos para a salvação, proclamando a Boa Nova a todos, pelas palavras, pelas acções, enfim, pelo testemunho das nossas vidas.

Porque devemos ter em conta que Deus todos os dias nos pergunta ao coração: «Onde está o teu irmão?»*

E podemos nós responder com verdade, onde está o nosso irmão?
Aquele que ri e aquele que chora, aquele que tem e aquele não tem, aquele que se veste e aquele que anda nu, aquele que se sacia e aquele que tem fome, aquele a quem é feita justiça e aquele que sofre a injustiça, aquele que é livre e aquele que está preso, aquele que conhece a Cristo e aquele que não O conhece, ou conhecendo-O não O segue.

As “instruções” para podermos responder a esta pergunta com um sim verdadeiro, estão perfeitamente contidas e descritas naquela passagem dos Actos dos Apóstolos.

Com efeito temos de ser «assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações» em Igreja, porque se assim formos em comunidade, também o seremos individualmente e se o formos individualmente, também o seremos em comunidade.

Realmente está sem dúvida bem descrito o modo como devem proceder os cristãos católicos, em Igreja e por si mesmos, e os frutos de tal procedimento.

Devemos assim ouvir o ensino da Igreja e dele fazer norma de vida, na privacidade, na família, no trabalho, na sociedade, em todos os momentos e circunstâncias.

Devemos assim viver unidos, amando-nos uns aos outros, percebendo que os nossos bens são graça de Deus, (fruto do nosso trabalho, que também é graça de Deus), e que como tal devem ser partilhados com os outros que nada têm.

Devemos assim «ter uma só alma», como Jesus nos ensina na Sua oração ao Pai:
«…de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim.»*

Devemos assim «frequentar diariamente o templo», não só o “templo” de reunião dos homens, mas também o templo do nosso coração:
«Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.»*

Devemos acercar-nos dos Sacramentos, (da Reconciliação, da Eucaristia, da Comunhão), que são o nosso alimento divino, que devemos celebrar e receber em «alegria e simplicidade», e não como rotina, como obrigação ou como um “peso” que não faz sentido, pois Deus criou-nos livres em tudo, e apenas quer a nossa salvação, apenas quer que a nossa alegria seja completa:
«Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa.»*

Devemos ainda louvar a Deus em tudo e em todos, nos momentos bons e nos momentos de provação, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, fazendo da nossa vida uma oração de louvor e entrega a Deus, como nos diz São Paulo:
«Orai sem cessar. Em tudo dai graças. Esta é, de facto, a vontade de Deus a vosso respeito em Jesus Cristo. Não apagueis o Espírito.»*

Então, e se assim procedermos, o Senhor dará a conhecer os frutos de tal procedimento, e acontecerão «inumeráveis prodígios e milagres» e teremos então também a «simpatia de todo o povo».

E por este proceder de todos nós em Igreja, e pelos frutos que o Senhor dará a conhecer, consequência pela graça de Deus deste procedimento, «o Senhor aumentará, todos os dias, o número dos que hão-de entrar no caminho da salvação» .

Sim, será o Senhor que chamará e aumentará o número daqueles que entrarão no caminho da salvação, porque essa será a recompensa maior de quem assim proceder, a alegria da salvação aqueles que ainda se encontram fora do Caminho, da Verdade e da Vida.
«Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.»*

Parece utópico, irrealizável, afastado do nosso tempo e do nosso lugar?

Não, não é, porque quando nos entregamos a Ele, quando estamos com Ele, n’Ele e por Ele, Ele mesmo se encarrega de fazer tudo em nós, para que tudo seja feito segundo a Sua vontade.

Assim seja.


* Gn 4, 9; Jo 17, 22-23; Mt 6, 6; Jo 15, 11; 1 Ts 5, 17-19; Lc 15, 7

Monte Real, 27 de Outubro de 2010
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6 comentários:

DE MÃOS DADAS disse...

Amigo Joaquim
Tenho vindo a refletir contigo
É certo que ser-se católico implica regras de obdiência a uma igreja que é a nossa, implica participação activa tanto dentro como fora da igreja.
Muitas vezes isso passa-nos da ideia mas depois de ler isto tudo
fico-me a pensar em certos pontos.
Obrigada
Abraço fraterno em Cristo
Utilia

teresa disse...

olá meu querido amigo , adorei todas as tuas reflexões , mas esta tenho que vir ler com mais calma ..
olha tenho um convite para ti lá no meu cantinho , e não podes recusar [ai esta minha lata ] eh eh eh ...
passa lá , tou a contar contigo ..

beijos ..

joaquim disse...

Obrigado amiga Utilia.

Dizem os "pensadores" da Igreja que a Igreja é sobretudo agir!

Agir claro na vivência da fé.

Por isso todos somos chamados a viver na Igreja e em Igreja o testemunho da fé, assente numa Doutrina, que é sempre libertadora, porque aceite no amor.


Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Olá Teresa

Obrigado!

Tens todo o tempo do mundo para ler...eheheh

Lá irei, lá irei ao teu cantinho!


Um abraço amigo em Cristo

Paulo disse...

Terminas aqui uma grandiosa reflexão. Retiro dela o seguinte:
"Onde está o teu irmão?"
Na verdade o nosso irmão são todos aqueles que estão à nossa volta, todos aqueles que não vemos mas sentimos, mas sobretudo por todos aqueles que por "esta ou aquela razão" se afastaram D`Ele. Esses, devem estar nas nossa orações, afinal, "Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.»"

joaquim disse...

Pois é Paulo: «Onde está o teu irmão?»

É que sem o nosso irmão, em Cristo, não há Igreja.

Obrigado.

Um abraço amigo em Cristo