quarta-feira, 19 de agosto de 2026

“TURISMO RELIGIOSO”

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Têm surgido nas redes sociais nestes últimos tempos, alguns textos sobre a indumentária que se deve utilizar quando se visitam santuários, igrejas, etc.

Esses textos são obviamente comentados por pessoas que estão de acordo e outras que o não estão, sendo que, alguns desses comentários roçam, por vezes, extremismos a favor ou contra.

Penso que tudo tem a ver com a sensatez de quem quer visitar tais locais e qual o seu propósito, no entanto, mesmo que seja por uma simples visita turística, exige-se um mínimo de compostura no trajar para estar nesses locais de culto.

É interessante pensar que aqueles que advogam que se pode ir de qualquer maneira, ou seja, praticamente despido, se forem a uma entrevista de emprego, por exemplo, vestem-se de modo adequado, ou seja, pretendem com isso causar boa impressão e respeitar o “entrevistador”.

No entanto para visitar a “casa de Deus” esse respeito desaparece, como se Deus não fosse infinitamente maior do que um qualquer humano que pretendemos respeitar.

Podemos argumentar que Deus não se incomoda com a nossa indumentária e isso até pode ser verdade, mas a verdade é que, como diziam os mais antigos, “o respeitinho é muito bonito”.

Claro que, hoje em dia, a indumentária, infelizmente, é muitas vezes descurada, roçando quase sempre a falta de respeito pelos outros, como podemos ver, por exemplo, em casamentos, onde uns vão vestidos a preceito e outros vão de calções, de “chanatas”, etc.
É até curioso ver as senhoras com vestidos todos compostos e alguns dos seus acompanhantes quase em fato de banho!

Noutros tempos, não muito longínquos, havia até uma expressão interessante para documentar este tipo de atitudes: Ao Domingo vestia-se “a roupa de ir ver a Deus”!

Claro que Deus “lê” muito mais a intenção do nosso coração do que a nossa forma de vestir, mas isso não implica que eu não deva ter respeito pelos lugares onde Ele se faz presente nas celebrações, por exemplo, embora Ele esteja sempre presente “onde dois ou três se reunem em Seu nome”.

Estes textos sobre a forma de vestir naqueles locais leva-me a pensar, também, numa designação, digamos assim, que me faz sempre uma certa “comichão”.

O chamado “turismo religioso”.
Que coisa é esta do “turismo religioso”?

Se quer significar aqueles que não sendo religiosos querem visitar locais de culto pela sua beleza arquitectónica, ou outra, então é apenas turismo puro e simples, porque de religioso nada tem.

Se a visita é por pessoas que são religiosas, ou seja, tementes a Deus, então a visita é prioritariamente, espera-se bem, para rezar naquele local e só depois vem o interesse pela beleza do local, e isso nada tem de turismo, mas sim de procura de Deus na beleza de tudo o que sai das Suas mãos na natureza ou pelas mãos dos homens.

Com um “sorriso interior” fico a pensar, começando por mim, que muitas vezes nós cristãos somos “turistas religiosos”, ou seja, queremos ver Jesus, mas não “procuramos ver quem é Jesus”, como Zaqueu.

Vamos até à igreja, (que até pode ser o interior do nosso coração), fazemos umas orações e, depois, regressamos à nossa vida sem pensarmos mais nisso.

É mais ou menos como tirar umas fotografias, que guardamos em qualquer sítio, ficar muito contentes por ter “visto”, mas não deixamos que isso nos transforme, que seja vida em nós.
São boas recordações e pouco mais do que isso.

Ou seja, então sim, parece que vivemos a fazer “turismo religioso”.

Mas Jesus não nos chama a ser “turistas”, que O visitam uma vez e depois se vão embora.

Jesus chama-nos a ser discípulos que querem seguir e viver o Caminho, a Verdade e a Vida, permanecendo n’Ele, com Ele e por Ele em tudo e sempre.







Marinha Grande, 19 de Agosto de 2026
Joaquim Mexia Alves

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