quarta-feira, 6 de julho de 2011

EU CREIO, EU FAÇO!

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«O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.» Lc 6, 31

Neste ensinamento de Jesus Cristo está contida toda uma prática de vida cristã.

Com este ensinamento, Jesus Cristo, afirma-nos que o discípulo de Cristo é aquele que faz, e não aquele que não faz, é um discípulo activo, e não um seguidor passivo.

Quantas vezes nas nossas vidas, perante as dificuldades, as provações, nós afirmamos e perguntamos: «Mas eu não roubo, não mato, não faço mal a ninguém, porque é que me acontece isto?»

Deus permite que dificuldades e provações aconteçam de quando em vez nas nossas vidas, também para nos chamar a atenção precisamente para isso, ou seja, que nós não fazemos, que não somos activos, que não colocamos a render os dons que nos são dados, quando realmente o nosso testemunho de vida deveria ser fazer o bem aos outros, isto é, dar aos outros o que gostaríamos de receber, desejar para os outros o que desejamos para nós, enfim, fazer aos outros o que queremos para nós.

É que o não fazer o mal, não significa que façamos o bem!

É que o não fazer, significa uma inactividade, significa que não colocamos a render o que Deus nos deu, em talentos e em bens, sejam eles quais forem, espirituais ou materiais.
E isso fecha-nos aos outros, porque nos leva a viver apenas para nós, como se estivéssemos de quarentena com medo de apanhar uma qualquer epidemia, que neste caso seria o mal, o pecado.

Quem vive apenas para não fazer o mal, vive com medo, vive fechado para os outros, vive só, sem confiança e sem esperança.

Como podemos nós, se vivemos apenas para não fazer o mal, cumprir o mandamento que Jesus Cristo nos deixou:
«Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.» Jo 13, 34

E se vivemos apenas para “não fazer”, que frutos teremos para apresentar ao Senhor, quando Ele nos perguntar o que fizemos com tudo o que Ele nos deu?

Seremos como aquele homem da “Parábola dos talentos”:
«Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: 'Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.'» Mt 25,24-25

Se realmente cremos em Jesus Cristo, se realmente nos dispomos, (com abertura de coração e disponibilidade de vida), a segui-Lo, então temos que fazer o que Ele próprio fez e faz, então temos que fazer o que Ele nos ensina na Sua Palavra, e «fazermos aos outros, aquilo que queremos para nós».

Por isso me ocorreu o título deste texto: Eu creio, eu faço!

Segundo os especialistas da política e da economia, a crise económica que agora se sente, vai agravar-se, levando seguramente as dificuldades e provações, a muitas pessoas, a muitas famílias.
É então um tempo propício de testemunho cristão, (embora todos os tempos o sejam), em que partilhando o que Deus nos dá, com os outros, testemunharemos que a nossa fé não são só palavras, mas que elas se traduzem em atitudes e acções palpáveis.

Lembro-me então da passagem dos Actos dos Apóstolos 2, 42-47, e acredito que, se também assim vivermos a nossa fé, também nós teremos a «simpatia de todo o povo», e também «o Senhor aumentará, todos os dias, o número dos que entrarão no caminho da salvação».

Se esse nosso testemunho for verdadeiro e sincero, deixaremos de ouvir frases como, “os que vão à igreja são os piores”, porque a realidade do testemunho superará a descrença.

Mas reparemos que o testemunho deve ser verdadeiro e sincero, isto é, sem esperar outra recompensa que não seja a de fazer a vontade de Deus, e de a fazer com amor dedicado aos outros.

É que, perante as provações que muitos poderão atravessar, alguns de entre eles terão muita dificuldade em pedir e aceitar ajuda, pelo que nos é pedido também uma “dose extra” de amor, (que só pode vir de Deus), para com todo o discernimento podermos ajudar esses irmãos, sem os fazer sentirem-se humilhados, sem os fazer sentirem-se desprezados.

E mais ainda, pois podemos ser confrontados com o ter que ajudar alguém que já foi nosso “superior” em algum momento, e até nos tratou mal ou com desprezo quando o era, e então temos de combater a tentação de transformar a nossa ajuda, numa atitude de “vingança”, de modo a fazer sentir ao outro que agora estamos nós “por cima”, e “superiormente”, até com algum desprezo, lhe concedemos ajuda.

É que isso não é testemunho de caridade, de amor, é que isso não é «fazer ao outro o que quero que ele me faça», é que isso é apenas tentar mascarar o mal, com um bem.

E lembremo-nos sempre também que, a maior parte das vezes, para além da ajuda material, é ainda mais importante a ajuda sentimental, a ajuda espiritual, o acolher e amar a todos, e não apenas àqueles que vivem os nossos valores, que vivem a fé que nós vivemos.

Deus Pai revelou-se aos homens por Seu Filho Jesus Cristo, que nos ensinou a sermos filhos de Deus, templos do Espírito Santo, que nos conduz e ensina todas as coisas:
«mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.» Jo 14,26

Concluída a Revelação em Jesus Cristo, hoje, pela graça do Espírito Santo, Deus continua a manifestar-se aos homens servindo-se dos seus filhos, que somos nós, congregados e chamados a vivermos o amor de Deus e a Deus, dando testemunho da Sua presença no meio de nós.

Por isso mesmo, passemos à prática verdadeiramente cristã, sempre envolvida na oração e nas celebrações em Igreja: Eu creio, eu faço!
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12 comentários:

Fa menor disse...

E que estejamos sempre atentos para sentir em nós a força do Espírito Santo, que nos impulsiona a entrar em acção.
Digo contigo:
Eu creio, eu faço!

Abraço amigo :)

joaquim disse...

Obrigado Fa.

Sem o Espírito Santo nada somos e nada podemos.

Um abraço amigo em Cristo

DE MÃOS DADAS disse...

"Eu CREIO Eu Faço."
Realmente é muito importante colocar a nossa fé á obra e também Amar como Jesus ama e amou.
Dar sem medida pois é a unica medida de amar lá diz Santo Agostinho penso eu.
E é verdade que os tempos que correm convidam-nos a estendermos as mãos uns aos outros.
Joaquim eu tenho comentado por aqui mas os meus comentários voam, não sei o que se passa.
Abraço em Cristo

concha disse...

Amigo Joaquim
Que oportuna, esta tua reflexão!Se me permites, acrescentaria que o Senhor sempre providencia e talvez esteja na altura de experimentarmos que assim é.Quando te referes ao cuidado em que esta ajuda não seja uma humilhação,lembrei que a nossa criatividade permite sempre que o possamos fazer até sem que o outro saiba de onde provem a ajuda, se ela for a nivel económico.
Abraço na Paz do Senhor

joaquim disse...

Amiga Utilia

Obrigado pelas suas achegas.

Não faço ideia o que se passa quanto aos seus comentários.

Como calcula eu nunca apago comentários de ninguém, e se forcaso disso, (por serem ofensivos, o que não é nunca o caso dos seus), deixo um coemntário a explicar a razão de os apagar.

Até agora mais ninguém se queixou. Poderá ter alguma coisa a ver com o seu perfil do blogger?

Eu percebo pouco disto.

Se alguém poder ajudar?

Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

É verdade Concha, obrigado.

Podemos sempre "dar com a mão direita, sem a esquerda saber".

E podemos rezar, intercedendo, sem o outro saber.

Um abraço amigo em Cristo

concha disse...

Obrigada sempre pelas tuas respostas.Também poderá ser gratificante, não própriamente que o outro diga que nos terá nas suas orações,mas sabermos mesmo que ele reza a certas horas pelas nossas intenções.Não achas que há neste gesto uma maior certeza de que estamos acompanhados na nossa tribulação?É que nesta certeza sabemos que Jesus está ali,segundo penso
A paz de Cristo

Ailime disse...

Amigo Joaquim,
Mais um excelente momento de catequização em que aproveito para aprender tanto do que me falta na minha caminhada por Cristo e com Cristo.
A conversão no sentido de fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem a nós torna-se por vezes tão difícil quando a outra parte não é receptiva à nossa ajuda, à nossa entrega.
Persistindo e com a ajuda do Espírito Santo de Deus que nos fortalece, “o caminho faz-se caminhando” e aí entra a feliz expressão que dá título ao seu texto: “Eu creio eu faço”
Muito grata pelos seus ensinamentos.
Abraço amigo em Cristo.
Ailime

joaquim disse...

Claro que sim Concha! Obrigado!

O que eu queria dizer é que podemos sempre rezar pelo outro sem ele saber, e perante a ajuda de Deus ao outro, ficarmos calados, e alegrarmo-nos com ele.

Um abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Obrigado Ailime, pelas tuas generosas palavras.

É realmente muito importante dar, partilhar, acolher, mas é também muito importante sabê-lo fazer, para que essa doação, essa entrega, esse acolhimento, não se transforme numa vanglória para nós e num fardo humilhante para o outro.

Por isso, só iluminados pelo Espírito Santo podemos fazer realmente a vontade de Deus.

Um abraço amigo em Cristo

Paulo disse...

"Eu creio"...no entanto, tantas são as vezes que não faço mas...acredito que existem outras vezes que faço sem crer.

joaquim disse...

Caro Paulo, não és o único!!!

Também eu creio e tão pouco faço!

Que Ele nos ajude a crer melhor e mais, para mais e melhor fazermos.

Um abraço amigo em Cristo