quinta-feira, 26 de março de 2009

CONTINUAÇÃO DA PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO

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Quando o fariseu terminou a sua oração, meteu a mão no bolso e com aparato tirou uma moeda de ouro que deixou cair com barulho, na caixa das esmolas.
Voltou-se para sair do templo e reparou que o publicano de cabeça baixa mexia num saco de pano, de onde tirou uma pequena moeda, que com delicadeza depositou na caixa das esmolas.
O Fariseu saiu então do templo e ficou a aguardar o publicano.
Quando este saiu, humilde e contrito, o Fariseu perguntou-lhe com um ar importante:
- Quanto deste, ali no templo?
O publicano com a cabeça baixa, respondeu:
- Dei tudo quanto aqui tinha. Tudo o que tenho me veio do Senhor e Ele nunca me falta com o indispensável à minha vida.
Levantando a cabeça, fitou o Fariseu com uns olhos límpidos e calmos, com um sorriso alegre e tranquilo, e dizendo-lhe:
- A paz do Senhor esteja contigo! afastou-se, caminhando.
Reparou o fariseu na paz e tranquilidade que emanava daquele homem, no amor com que lhe tinha falado e sobretudo na leveza do andar, parecendo que quase não tocava o chão.
No entanto não se deixou comover e pensando para si próprio, disse em voz alta:
- Coitado, pobre homem inculto. Não sabe que eu como sou, praticando a lei rigorosamente, tenho sempre a paz do Senhor comigo.
Começou então a andar no caminho para sua casa, cabeça erguida, nunca dando atenção àqueles que na rua pediam, que o cumprimentavam, que lhe sorriam.
Mas o episódio passado não o deixava sossegado. Que possuía aquele pobre homem, (que ele considerava tão mal), que ele próprio não tinha!
Nunca na sua vida, pensou, tinha conseguido ter tal olhar, tal sorriso ou apresentar aquela paz, aquela tranquilidade, aquele amor.
Parou e sentou-se à beira do caminho com a cabeça entre as mãos, pensando em tudo o que tinha visto e sentido.
De repente, tocaram-lhe no ombro e ao levantar os olhos, deparou com o publicano que com uma voz doce lhe perguntava:
- Sente-se mal, precisa de ajuda, posso fazer alguma coisa por si?
Mal refeito da surpresa, (e por tanto amor vindo de quem tinha tratado tão mal), deu por si a agradecer e a dizer que não, não precisava de nada, pois entretanto, tinha tido resposta à sua inquietação.
Levantou-se e começou a caminhar em direcção ao templo.
A um pobre homem quase sem roupa, deixou a sua túnica, a outro que tinha fome, deixou as moedas que levava, a um que estava descalço, deixou as suas sandálias, a uma mãe com filhos famintos, como não tinha mais nada com ele, deixou os seus anéis e colares.
À porta do templo, parou e não entrou. Ajoelhou-se, baixou a cabeça e disse:
- Perdoa-me, meu Deus, que nada sou. Não sou nem digno de entrar no Teu templo, como o publicano, porque sou muito maior pecador. Acredito na Tua misericórdia e sei que me perdoas, por isso Te peço que me ajudes a mudar de vida, pois também eu reconheço agora, que tudo o que tenho, me vem de Ti e a Ti pertence e que mo deste não só para mim, mas também para ajudar os que precisam. A Ti, Senhor, confio a minha vida, pois sei que com nada me faltarás.
Levantou-se e sentiu imediatamente que o seu olhar era diferente, mais limpo, percebeu que tinha um sorriso alegre na cara e deixou-se envolver por uma paz e tranquilidade, que nunca tinha sentido.
Louvando a Deus, regressou a casa, espalhando alegria e paz pelo caminho e ao chegar, deu a Boa Nova a todos os seus.
No Céu a alegria era imensa e o Bom Pai, nosso Deus, acompanhado do sorriso alegre do Espírito Santo, disse a Jesus Salvador:
- Foi boa ideia, Meu Filho, teres-te feito passar por publicano. Já salvaste mais um homem.
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A Quaresma e o "Caminho de Conversão", fizeram-me lembrar deste texto que escrevi em 7 de Março de 2000, já aqui tinha publicado em 2006, e agora recordo convosco.

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10 comentários:

Canela disse...

Ai... amigo Joaquim!

Quantas vezes, nós saltitamos entre um e outro?

Penso... que algumas vezes!

A Paz de Cristo

Vida disse...

Olá!

Como a humildade, a paz de espírito, a leveza do coração, o dar a mão ao nosso semelhante podem fazer milagres!
Obrigada, Amigo Joaquim, por mais esta maravilhosa partilha.
Que Deus nos ajude na nossa vida a sermos o publicano, para que possamos dar sem alarido, sem esperar recompensa e assim anunciar o Evangelho e também que sejamos o fariseu, reconhecendo que somos tantas vezes pecadores e reconhecendo-o possamos pedir perdão.

Abraço muito amigo em Cristo
MJG

Marlene Maravilha disse...

Que lindo!!! Edificante!
Se tem uma coisa de que Deus gosta, é de um coracao aquebrantado!
Ganhei a minha noite fazendo esta visita!
Deus te abencoe!
abracos

MRB disse...

Que bom que este texto foi recordado! Tinha-me escapado a primeira edição:)
Gostei muito!
bjhs

joaquim disse...

Tantas vezes amiga Canela, pelo menos eu...

Abraço aqmigo em Cristo

joaquim disse...

Amiga MJG

Nos teus comentários trazes-nos sempre algo mais de precioso:
« também que sejamos o fariseu, reconhecendo que somos tantas vezes pecadores e reconhecendo-o possamos pedir perdão.»

Obrigado!

Rezo por esta tua semana.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Amiga Marlene, faz tempo que não te via por aqui.

Obrigado pelas tuas palavras!

Ainda bem que te serviram estas palavras que aqui deixei, por graça de Deus.

Que Deus te abençoe também.

Abraço amigo em Cristo

joaquim disse...

Olá MRB

Ainda bem que gostaste, porque é sinal que fiz bem em repô-lo.

Que Deus te abençoe.

Abraço amigo em Cristo

Alma peregrina disse...

Magnífica estória! Palmas para o meu amigo!

Fico agradado por saber que um blogger desta categoria vai participar na nossa Via Sacra! Por favor, Joaquim, passe lá no meu blog para saber a estação que lhe calhou

http://cronicasdeumaperegrinacao.blogspot.com/2009/03/via-crucis-na-blogosfera-estacoes.html

Pax Christi

joaquim disse...

Meu caro Alma Peregrina

Obrigado pelas tuas palavras.

Qual categoria, qual quê! Um entre tantos, apenas, mas obrigado!

Já lá fui e deixei a minha plena concordância.

Abraço amigo em Cristo