sábado, 23 de maio de 2026

PENTECOSTES – O ESPÍRITO SANTO


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«Mas nós nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo.» (Act 19,2)

Esta resposta dos Efésios a Paulo deve-nos levar a pensar, a reflectir, Quem é para nós o Espírito Santo.

Responderemos, muitas vezes, com a “rotina” de uma resposta decorada, que o Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

E ao dizê-lo, temos nós a convicção verdadeira que o Espírito Santo é Deus com o Pai e o Filho?

Não cabe aqui neste pequeno texto, qualquer aprofundamento teológico, mas sim o tomarmos consciência de que o Espírito Santo é Quem nos revela o Pai e o Filho, é Quem nos dá a certeza de sermos filhos de Deus, é Quem nos faz sentir e viver a presença de Deus em nós e nos outros, é Quem nos faz rezar como convém, é Quem nos abre os olhos do coração para podermos ver Jesus Cristo na Eucaristia, reconhecê-lO no «partir do pão». (cf Lc 24,35)

É o Espírito Santo que nos faz perceber pecadores, não para nos acusar, mas para que dessa condição tomemos consciência e, arrependidos, alcancemos o infinito perdão de Deus.

Se queremos falar de Deus, se queremos dar testemunho do Seu amor, se queremos perceber Deus no dia a dia das nossas vidas, temos que nos entregar ao Espírito Santo, porque é Ele que nos dará tudo o que precisamos para sermos discípulos de Cristo.

Se queremos ser verdadeiramente Igreja, ou seja, amarmo-nos uns aos outros, aos que são Igreja connosco e também aos que o não são, então só entregues ao Espírito Santo e por Ele guiados o podemos ser.

Não podemos pedir o Espírito Santo e querer ficar estáticos, fechados em nós próprios, contentarmo-nos com o que sentimos e vivemos, porque o Espírito Santo nos faz de sair para fora de nós, das nossas certezas, das nossas rotinas, do nosso imobilismo, porque ser cheio do Espírito Santo é estar em permanente missão ao serviço de Deus no amor aos outros.

Foi o Espírito Santo que, derramado no dia de Pentecostes em Pedro e nos Apóstolos, os fez vencer o medo, os fez sair para fora da casa onde estavam fechados, lhes deu palavras para eles proclamarem o Evangelho a todo o mundo conhecido nesse tempo, e é por causa desse anúncio contínuo que hoje somos Igreja de Jesus Cristo.

Por isso e por tudo, pedindo a intercessão da Virgem Maria, rezemos continuamente em todos os momentos: Vem, Espírito Santo!





Marinha Grande, 21 de Maio de 2026
Joaquim Mexia Alves

NOTA: Texto escrito para publicação no site da nossa Paróquia da Marinha Grande

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O TEMOR DE DEUS

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Ter medo de Deus é não conhecer Deus.
Só se tem medo de quem nos pode fazer mal.

Deus apenas nos quer bem, ou melhor, “apenas” nos ama com amor infinito.

O Temor de Deus não é ter medo de Deus, mas sim reconhecer que Deus tudo pode e que n’Ele e com Ele tudo é possível.

O Temor de Deus leva-nos à obediência, porque a obediência à vontade de Deus é sempre o maior bem para as nossas vidas.

Quem educa com amor e seriedade, não castiga apenas pelo castigo ou por querer fazer mal, mas sim para correção do que fizemos, e para nos levar a fazer melhor o que é bom para nós

Quem ama não castiga, educa.

Deus ama com infinito amor e, por isso, corrige caminhos nossos que nos afastam do que é bom para nós.

Às vezes precisamos mesmo de ser confrontados com a responsabilidade dos erros que cometemos, com as consequências desses actos errados.

Mas mesmo a dor e o sofrimento que possam advir das consequências desses actos mal praticados, não são vontade de Deus, mas, acredito, algo que Ele permite, para que possamos perceber o que é preciso emendar para fazer a Sua vontade.

Essa obediência à vontade de Deus, que é também Temor de Deus, liberta-nos, não nos aprisiona.

Ora nós só devemos ter medo do que nos aprisiona, do que nos quer prender, e não do que nos liberta, e apenas Deus nos criou inteiramente livres.

Ter medo de Deus é não reconhecer o seu infinito amor por nós, e se não reconhecemos o amor de Deus, também não O podemos amar, nem podemos amar-nos uns aos outros como Ele nos ama, porque foi Ele quem primeiro nos amou.





Garcia, 4 de Maio de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

domingo, 17 de maio de 2026

OS PADRES DA MESSE


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Hoje é Domingo e eu participei/celebrei, com o meu pároco a presidir, na Missa Dominical das 11 horas, que, como tem acontecido nestas últimas semanas, teve a celebração de dois Baptismos.

Sei que o meu pároco já vinha da celebração de uma Missa numa das capelas da nossa paróquia, que ontem celebrou, pelo menos mais duas, e que hoje ainda vai celebrar mais uma ao fim da tarde.

Eu vim para casa, almoçar com a família, (hoje por acaso reduzida a dois), e o meu pároco não faço ideia onde foi almoçar, ou se teve tempo para isso, porque não sei se hoje ainda tem algum funeral ao principio da tarde, ou outra celebração ou evento em que tenha de estar presente.

Penso, obviamente, em todos os párocos/sacerdotes que no nosso país, e pelo mundo fora, quase não têm “tempo para respirar” ao fim de semana e, muitas vezes, durante toda a semana.

E nós, leigos, tantas vezes, pelas coisas mais comezinhas lhes telefonamos para perguntar isto ou aquilo que, se pensássemos um pouco pelas nossas cabeças, não precisaríamos de perguntar.

Ah, mas o pároco, o sacerdote, tem que aprender a delegar tarefas, missões, etc., por isso não se queixem quando têm muito que fazer.

E alguns deles, ou talvez hoje a maioria, já delega, mas depois lá vem o telefonema: Oh Sr. Padre, acha que faça “assim ou assado”?

E eles lá respondem que, o melhor seria assim, ao que nós muitas vezes respondemos com: Ah, pois, mas eu acho que talvez fosse melhor “assado”!

E eu, por mim falo, logo responderia com o meu mau feitio: Deixe estar, não se preocupe, eu faço!

Que “mau feitio” que têm os Padres, pois claro!

Mas agora, neste momento sentado em casa, a gozar o descanso do Domingo, vou pensando neles todos, no seu exaustivo trabalho, que vai muito para além do cansaço das coisas físicas, pois comporta todo um trabalho e entrega espiritual, e apenas me apetece abraçá-los e dizer-lhes olhos nos olhos, com o coração nas mãos: Obrigado, Senhor Padre, pelo tanto que nos dá!

Depois sorrio interiormente e penso que, ao fim de semana, eles nem têm tempo para esse abraço.

E depois vou mais além e reflicto perante a verdade muito real, que os Padres, pela falta de vocações, são um “animal em vias de extinção”!

Nunca acabarão porque o Senhor da Messe sempre há-de providenciar que eles nunca faltem, mas, hoje em dia, parece que o Senhor da Messe prova o seu povo para que não esmoreça a rezar, pedindo que «o dono da messe mande trabalhadores para a sua messe». (Lc 10.2)

Obrigado, queridos Padres, pela entrega da vossa vida a Cristo e por Cristo e em Cristo a todos nós.






Marinha Grande, 17 de Maio de 2026
Joaquim Mexia Alves

quarta-feira, 13 de maio de 2026

COMO AGRADECERTE-TE, SENHOR?

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Como dar-Te graças, Senhor?

Como agradecer-Te tudo o que nos dás e fazes em e por cada um de nós e de que tantas vezes nem sequer nos apercebemos?

Dizer-Te palavras como obrigado, rezar-Te orações de ações de graças, querer de alguma forma retribuir-Te tudo que nos dás?

Tudo parece tão pouco, tudo parece não servir, para verdadeiramente Te agradecer.

Como agradecer-Te, então, Senhor?

Talvez dando o muito que nos dás aos que nada têm, principalmente aos que não Te têm a Ti, porque ainda não se deixaram encontrar pelo Teu amor.

Por isso, Senhor, talvez devamos estar sempre atentos ao nosso testemunho cristão, ou seja, ao nosso testemunho do muito que nos dás em amor, em paz, em tranquilidade, em alegria, em confiança e esperança, sobretudo nos momentos mais difíceis das nossas vidas.

Talvez que este nosso testemunho sincero e verdadeiro possa tocar aqueles que andam afastados de Ti, levando-os a quererem procurar-Te, para viverem também o Teu amor e a Tua paz.

Então, Senhor, agradecer-Te é darmo-nos, é darmos o que nos dás aos outros, porque dando-lhes o que fazes e em nós colocas, estamos a dar-Te a Ti, que queres precisar deles junto de Ti.

Sim, Senhor, Tu não precisas de nada de nós, mas os outros precisam, e se Tu queres estar nos outros, queres precisar de nós, para que o nosso testemunho possa despertar neles a vontade de Te conhecer, amar e seguir.

Darmo-nos aos outros em testemunho do Teu amor, é dar-Te a Ti, e dar-Te será, com certeza, uma das melhores formas de Te agradecer o tudo que nos dás.






Garcia, 7 de Maio de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A TUA PALAVRA

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Há momentos em que a Tua Palavra nos toca de tal modo, que percebemos que estás a falar connosco directamente, Senhor, mesmo sem nunca deixares de falar aos outros.

Tudo o que nos dás pela Tua Palavra pode e deve servir à nossa edificação, à nossa vida, mas só o fará verdadeiramente se nos deixarmos tomar por Ela, nos deixarmos guiar por Ela, e dEla darmos testemunho, para que todos A possam ouvir, sentir e viver, como fazes a cada um de nós.

Tantas vezes nos surpreendemos quando lendo e meditando a Tua Palavra, percebemos que Ela responde aos nossos anseios, às nossas dificuldades e, sobretudo, nos mostra o caminho a seguir nessas determinadas circunstâncias.

A Tua Palavra, que és Tu mesmo, Senhor, alimenta-nos e dá-nos vida, vida verdadeira, que se faz plenitude nesse encontro contigo.

Por muito que leiamos a Tua Palavra, por muito que repetidamente leiamos as mesmas passagens, Tu sempre nos mostras coisas novas, sempre nos respondes com algo novo, porque não há dúvida de que a Tua Palavra é viva e eficaz: «o mesmo sucede à palavra que sai da minha boca: não voltará para mim vazia, sem ter realizado a minha vontade e sem cumprir a sua missão.» (Is 55,11)

Tu A semeias no interior do nosso coração e A vais regando com o Teu amor, de tal modo, que a Tua Palavra passa a ser a vida que nos dás em cada momento das nossas vidas.

Ao lermos a Tua Palavra, ouvimos-Te a Ti e, ouvindo-Te a Ti, apenas e só, devemos guardar e viver o que nos dizes, para que tudo comece e acabe em Ti.

Sacia-nos, Senhor, da Tua Palavra para que Ela seja sempre vida em nós.





Garcia 27 de Abril de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

MULTIPLICAÇÕES

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Uns de joelhos, outros de pé, ainda outros sentados, mas todos Te contemplam, Senhor, no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Olham fixamente, querendo ver com os olhos do corpo o que apenas pode ser visto com os olhos da Fé, com os olhos de um coração entregue a Ti, iluminado pelo Espírito Santo.

Uns vêm adorar, outros rezar, outros louvar, outros pedir, outros apenas e somente estar, em silêncio, deixando-se tocar pela Tua presença real e viva na Eucaristia.

Mas todos à sua maneira querem dar de si próprios alguma coisa, por mais pequena que seja, (e nós somos tão pequenos, Senhor), alguma coisa que querem colocar nas Tuas mãos, no Teu coração, como um desejo profundo de Te dizer em permanência: Amo-Te, Senhor!

E Tu pegas em todas essas ínfimas dádivas de cada um, e aproveita-las para derramar graças sobre aqueles que mais necessitam de Ti, do Teu amor.

De tão pouco que Te damos, Senhor, fazes o muito no Teu coração.

Tu és tão bom a multiplicar, Senhor!

De apenas cinco pães e dois peixes fazes uma refeição para todos aqueles que Te querem ouvir, que Te querem seguir.

De um pedaço de pão e um pouco de vinho fazes-Te comida e bebida que nunca acaba, para alimentares os que, famintos e sequiosos, procuram o Teu amor.

Só Tu, Senhor, do tão pouco que Te damos consegues fazer o muito de que precisamos, porque Te entregas inteiramente por todos nós.

Obrigado, Senhor!





Garcia, 23 de Abril de 2026
Joaquim Mexia Alves
(escritos em adoração)

segunda-feira, 4 de maio de 2026

SER BURRO SER MACACO

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No tempo em que os animais falavam um macaco perguntou a um burro:
Quem é que te fez existir, ò burro?

O burro levantou as orelhas e disse muito convicto:
Foi Deus, o Senhor de toda a criação.

O macaco riu e respondeu num tom sarcástico:
Então, ò burro, achas que Deus na Sua magnificência ia criar um burro?

O burro baixou a cabeça e num tom muito humilde apenas disse:
Não sei, não sou Deus, mas não tenho dúvidas que foi Ele quem me criou.

O macaco soltou uma gargalhada, respondendo:
Pobre burro! Não percebes que Deus só pode criar o que é perfeito?

Então o burro levantando a cabeça disse convictamente:
Olha macaco, eu sei que sou burro e não tenho essas capacidades que tu julgas ter. Só Deus sabe quem é perfeito ou não. Mas fica sabendo que me escolheu para servir de montada ao Seu Filho, para Lhe darem glória na Sua entrada em Jerusalém. E deu-me uma graça que Lhe agradeço todos os dias. A humildade de saber que sou burro e nada mais quero ser, porque essa é a Sua vontade.

O macaco baixou a cabeça envergonhado e disse ao burro:
Obrigado, burro, por me mostrares que todos somos iguais perante Deus e nenhum é maior do que o outro. Percebo agora porque o Filho nos disse que não devíamos chamar Mestre a ninguém porque Mestre é só Ele, para todos os macacos e burros que somos todos nós.






Marinha Grande, 4 de Maio de 2026
Joaquim Mexia Alves